Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia - pronomes em português

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Q2750080 Português

Leia o texto abaixo transcrito e, em seguida, responda às questões a ele referentes:

A casa

Um casal amigo se separa e a mulher decide vender a casa. Vai morar com os filhos num apartamento novo. O homem também se instala em outro lugar, igualmente confortável. Ambos estão felizes e satisfeitos com a mudança. Ele já tem uma bonita namorada e ela muito em breve achará novo companheiro. Bem feitas as contas, o prejuízo foi meu, que perdi o terraço. Sim, era um pouco meu aquele pedaço da casa, onde passei bons momentos de férias, desfrutando a brisa atlântica e tomando uísque com água de coco.

Quando anunciaram o desenlace eu quis defender os meus interesses, mas deixei barato e permiti que seguissem o seu destino. Sou um sujeito compreensivo, abri mão do terraço. Fui mais longe em minha generosidade. Renunciei aos livros, discos, garrafas de boa bebida, quarto refrigerado. E abri mão principalmente, sufocando queixas, de uma cálida atmosfera humana, impossível de achar em qualquer hotel cinco estrelas e que o tempo vinha desgastando naquela casa finalmente desfeita, vendida, abandonada. Parece que esse é o destino inexorável de todas as casas. Acabam compradas, trocadas por apartamentos, invadidas por estranhos.

O desmonte foi lento e triste. Vi, nos preparativos da mudança, o descarte de coisas imprestáveis, com o vago sentimento de que também eu estava sendo descartado e deixado para trás como um guarda-chuva quebrado ou um velho objeto empoeirado e sem serventia. Dos moradores, somente minha mulher e eu, que éramos temporários, parecíamos ter saudades. Espiávamos, comovidos, aquelas caixas pardas que se iam fechando, levando um pouco de nós dois dentro delas. Ficava patente que estávamos vivendo o nosso último verão com aquelas pessoas tão queridas, para as quais, entretanto, pouco importava a proximidade do mar, a mangueira plena de frutos, o sudoeste soprando no fim das tardes, o cheiro de terra molhada pela “chuva de caju” nos ensolarados dezembros do Recife.

Tiramos uma fotografia do jardim. Contemplamos gravemente a paisagem líquida e verde que se descortinava no terraço. E vimos o quintal com os mesmos olhos saudosos que, na infância, reparavam os quintais pela última vez, a cada mudança.

Depois desse disfarçado ritual, abraços e beijos na família que nos hospedou. Já dentro do táxi para o aeroporto, arrisco um aceno discreto para a casa. Ela vai ficar ali, esperando novos e desconhecidos moradores. Guardando, em seu silêncio de pedra, noites alegres, festas, risadas, palavras amigas, e tudo mais que de repente se muda do tempo de agora para o cinzento do passado irrecorrível. Adeus, acabou.

FALCÃO, Aluízio. Crônicas da vida boêmia. Editora Ateliê Editorial. São Paulo: 1998.

Releia a passagem e responda: “Um casal amigo se separa e a mulher decide vender a casa.” De acordo com as regras de colocação pronominal há, na passagem,:

Alternativas
Q2749678 Português

Leia o texto e responda às questões de números 06 a 10.


Carta pro Daniel


Talvez algum dia, nas próximas décadas, você esbarre nesta crônica, pela internet. Talvez uma tia comente: “lembro de um texto que o teu pai te escreveu quando você era bebê, era sobre uma praça, acho, já leu?” Talvez eu mesmo te mostre, na adolescência, vai saber?

Essa crônica é sobre uma praça, sim, sobre uma tarde que a gente passou na praça, no dia 5 de abril de 2016. Não é nenhuma história extraordinária a que vou te contar. É uma história simples, feita de elementos simples como é feita a maior parte da vida da gente, esses 99% de que a gente desdenha, sempre esperando por acontecimentos extraordinários. Mas acontecimentos extraordinários são raros, como a própria palavra “extraordinários” já diz, aí a vida passa e a gente não aproveitou. Pois hoje você me fez aproveitar a vida, Daniel, por isso resolvi te escrever, agradecendo.

Eu estava lá em casa, triste de tudo, você cruzou a sala sorrindo no colo da Jéssica e me deu uma vontade louca de passarmos um tempo juntos. Falei: “Queca, dá esse menino aqui, a gente vai na praça, eu e ele, vamos, Dani? Só os homens?”

As pessoas com quem a gente cruzava abriam sorrisos pra você e depois pra mim. Nós sorríamos de volta, eu por orgulho, você por simpatia.

Chegamos na praça. Eu quis te pôr no balanço, mas você me apontou o túnel de concreto. Te coloquei numa ponta do túnel, fui andando em direção à outra, sumi de vista por uns segundos e você deu uma resmungada, achando que eu ia te abandonar ali, mas então me agachei e apareci do outro lado. Você achou aquilo hilário – “O cara tava aqui, sumiu e apareceu lá!”–, deu uma gargalhada e veio engatinhando até mim.

Fui te pegar no colo, mas você se esquivou e olhou pra outra ponta. Entendi a brincadeira, corri até a outra ponta, me agachei. Você me viu, gargalhou de novo –“Agora o cara tá do outro lado! Que loucura!”–, foi até lá, me mandou voltar e nós ficamos perdidos nisso pelo que me pareceram horas: eu aparecia numa ponta do túnel, você engatinhava até lá, eu corria pra outra, você vinha de novo.

Quando me dei conta – não vou dizer que meus problemas tivessem sumido, que a tristeza houvesse passado, mas… –, eu estava, como diria o poeta, comovido como o diabo.

De noite, deitado na cama, eu me consolaria: esse mundo é uma tragédia, mas eu tenho um filho que põe sorrisos no rosto de quem passa e que, com algumas gargalhadas, reconforta o meu coração. Enquanto isso, no quarto ao lado, você estaria se perguntando: “O cara sumia de um lado, aparecia do outro, como será que ele faz? É truque? É mágica?”. Depois dormiríamos, acreditando que tudo iria ficar bem.


(Antonio Prata. www.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2016/04/1759346-

-carta-pro-daniel.shtml, 10.04.2016. Adaptado)

Considere o trecho:


Te coloquei numa ponta do túnel, fui andando em direção à outra, sumi de vista por uns segundos e você deu uma resmungada, achando que eu ia te abandonar ali, mas então me agachei e apareci do outro lado.


Substituindo-se a segunda pessoa – te – pela terceira pessoa, as respectivas expressões destacadas assumem redação correta, de acordo com a norma-padrão, em:

Alternativas
Q2748747 Português

Como perceber sintomas da depressão na adolescência


Ao contrário do que muita gente pensa, a depressão também pode atingir adolescentes. E durante essa fase da vida, os sintomas da doença podem acabar sendo confundidos com as mudanças comportamentais naturais da idade, atrasando diagnósticos.

Estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que a depressão atinge até 13% dos adolescentes entre 10 e 19 anos de idade, sendo um dos principais distúrbios a incapacitar os jovens.

Como durante essa fase da vida o organismo passa por transformações profundas, o jovem pode apresentar mudanças de humor e comportamento, sem que isso seja motivo para preocupação. Momentos de irritação, raiva e sentimentos de incompreensão, tristeza e desânimo, por exemplo, são bastante comuns nessa fase.

Mas, se esses comportamentos e sentimentos são persistentes, podem ser um sinal de alerta. “Ter depressão e ansiedade não é normal, especialmente quando a sensação ultrapassa duas semanas e compromete ações como ir à escola, sair com amigos e fazer atividades de modo independente”, explica Yiu Kee Warren Ng, psiquiatra e professor da Universidade de Columbia (EUA).

No caso de meninos com depressão, é comum a incidência de comportamentos agressivos e violentos, uso de substâncias proibidas, problemas de conduta, desprezo e desdém pelos outros, além de uma constante atitude de desafio. Já nas meninas, é alta a presença de sentimentos de tristeza, ansiedade, tédio, raiva e baixa autoestima.

Segundo a American Psychiatric Association, deve se suspeitar de que existe um quadro depressivo quando o adolescente apresenta durante a maior parte do dia, por pelo menos duas semanas, ao menos cinco desses sintomas: tristeza; diminuição do interesse por atividades; diminuição do apetite, ganho ou perda de peso significativa; agitação ou apatia; pouca capacidade de concentração; insônia ou excesso de sono; cansaço e falta de energia; sentimento exagerado de culpa; ideias suicidas.

Tanto na prevenção quanto no tratamento da depressão em adolescentes, a família tem um papel fundamental. No artigo “Estrutura e suporte familiar como fatores de risco na depressão de adolescentes”, os pesquisadores Makilim Nunes Baptist, Adriana Said Daher Baptista e Rosana Righetto Dias lembram que “há amplas evidências de que problemas relacionados à estrutura e suporte familiar estão relacionados a desordens psiquiátricas infantis, especificamente aos transtornos de humor”.

Famílias bem estruturadas e que oferecem suporte aos filhos conseguem atenuar os efeitos de eventos estressantes, que podem desencadear quadros depressivos nos adolescentes. Isso acontece porque a família influencia diretamente a forma pela qual o adolescente se autoavalia e processa as informações que recebe. E, nesse aspecto, as famílias intactas – ou seja, aquelas formadas por pais não separados e morando em um mesmo local – parecem passar mais estabilidade e afeto aos filhos.

Quando o diagnóstico de depressão é confirmado, o tratamento pode incluir a terapia familiar. E, mesmo quando o tratamento não incluir esse tipo de terapia, os familiares têm de estar preparados para lidar com a situação e apoiar o adolescente. Ser compreensivo e evitar cobranças excessivas é essencial para o sucesso do tratamento. O adolescente precisa perceber que conta com o apoio da família para poder vencer a depressão.


(Adolescência, educação dos filhos. Equipe sempre família. Disponível em: http://www.semprefamilia.com.br/como-perceber-sintomas-dadepressao- na-adolescencia/. Acesso em: 27/06/2016. Adaptado.)

Assinale a afirmativa transcrita do texto em que as palavras sublinhadas são pronome e substantivo, respectivamente:

Alternativas
Q2747640 Português

Considerando-se as classes de palavras, numerar a 2ª coluna de acordo com a 1ª e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


(1) Principalmente.

(2) Por.

(3) Outro.


( ) Pronome.

( ) Advérbio.

( ) Preposição.

Alternativas
Q2747016 Português

Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 08.


Tempos Loucos – Parte 2


1--Os adultos que educam hoje vivem na cultura que incentiva ao extremo o consumo. Somos levados a consumir de tudo um pouco:

2--além de coisas materiais, consumimos informações, ideias, estilos de ser e de viver, conceitos que interferem na vida (qualidade

3--de vida, por exemplo), o sexo, músicas, moda, culturas variadas, aparência do corpo, a obrigatoriedade de ser feliz etc. Até a

4--educação escolar virou item de consumo agora. Aordem é consumir, e obedecemos muitas vezes cegamente a esse imperativo.

5--Quem viveu sem usar telefone celular por muito tempo não sabe mais como seria a vida sem essa inovação tecnológica, por

6--exemplo. O problema é que a oferta cria a demanda em sociedades consumistas, que é o caso atual, e os produtos e as ideias que o

7--mercado oferece passam a ser considerados absolutamente necessários a partir de então.

8--A questão é que temos tido comportamento exemplar de consumistas, boa parte das vezes sem crítica alguma. Não sabemos mais o

9--que é ter uma vida simples porque almejamos ter mais, por isso trabalhamos mais etc. Vejam que a ideia de lazer, hoje, faz todo

10--sentido para quase todos nós. Já a ideia do ócio, não. Ou seja: para descansar de uma atividade, nos ocupamos com outra. A

11--vadiagem e a preguiça são desvalorizadas.

12--Bem, é isso que temos ensinado aos mais novos, mais do que qualquer outra coisa. Quando uma criança de oito anos pede a seus

13--pais um celular e ganha, ensinamos a consumir o que é oferecido; quando um filho pede para o pai levá-la ao show do RBD, e este

14--leva mesmo se considera o espetáculo ruim, ensinamos a consumir, seja qual for a estética em questão; quando um jovem pede

15--uma roupa de marca para ir a uma festa e os pais dão, ensinamos que o que consumimos é mais importante do que o que somos.

16--Não há problema em consumir; o problema passa a existir quando o consumo determina a vida. Isso é extremamente perigoso,

17--principalmente quando os filhos chegam à adolescência. Há um mercado generoso de oferta de drogas. Ensinamos a consumir

18--desde cedo e, nessa hora, queremos e esperamos que eles recusem essa oferta. Como?!

19--Na educação, essa nossa característica leva a consequências sutis, mas decisivas na formação dos mais novos. Como exemplo,

20--podemos lembrar que estes aprendem a avaliar as pessoas pelo que elas aparentam poder consumir e não por aquilo que são e pelas

21--ideias que têm e que o grupo social deles é formado por pares que consomem coisas semelhantes. Não é à toa que os pequenos

22--furtos são um fenômeno presente em todas as escolas, sejam elas públicas ou privadas.

23--Nessa ideologia consumista, é importante considerar que os objetos perdem sua primeira função. Um carro deixa de ser um

24--veículo de transporte, um telefone celular deixa de ser um meio de comunicação; ambos passam a significar status, poder de

25--consumo, condição social, entre outras coisas.

26--A educação tem o objetivo de formar pessoas autônomas e livres. Mas, sob essa cultura do consumo, esses dois conceitos se

27--transformaram completamente e perderam o seu sentido original. Os jovens hoje acreditam que têm liberdade para escolher

28--qualquer coisa, por exemplo. Na verdade, as escolhas que fazem estão, na maioria das vezes, determinadas pelo consumo e

29--pela publicidade. Tempos loucos, ou não?


SAYÃO, Rosely. Tempos loucos – parte - 2

Disponível em http://blogaroselysayao.blog.uol.com.br

Sobre o emprego dos pronomes do texto, marque (V) para verdadeiro ou (F) para falso, conforme sejam verdadeiras ou falsas as proposições:


( ) “Para descansar de uma atividade, nos ocupamos com outra” No pronome destacado temos duas marcas de pessoa, uma das quais se encontra também inserida na forma verbal.

( ) “A ordem é consumir, e obedecemos muitas vezes cegamente a esse imperativo”. Esse retoma fato relatado anteriormente.

( ) “...ensinamos que o que consumimos é mais importante do que o que somos.” O pronome destacado pode ser substituído, sem prejuízo de sentido, por “aquilo”.

( ) “A ordem é consumir, e obedecemos muitas vezes cegamente a esse imperativo.” “Muitas” remete a uma quantidade desconhecida, mas que pode ser facilmente identificada no contexto.

( ) “Quando uma criança de oito anos pede a seus pais um celular e ganha, ensinamos a consumir o que é oferecido” O pronome seus, nesse contexto, provocou uma ambiguidade.


A sequência CORRETA é:

Alternativas
Q2746635 Português

O texto a seguir será utilizado para responder as questões 5 a 9.


São Paulo, de tão obscura, nasceu até escondida. O espaço onde se assentaria mantinha-se não só invisível, aos olhos dos que chegavam do mar, como protegido por essa muralha compacta, impressionante, que é a serra do Mar. Euclides da Cunha, em Os sertões, descreveu-a como "dilatado muro de arrimo, sustentando as formações sedimentárias do interior". Não se compreenderá a história de São Paulo sem antes atentar para a serra do Mar. Vista de baixo, ela como que veda o horizonte, ou tranca a paisagem. Põe um ponto final à terra, como a querer esconder algum outro mundo, protegê-lo, proibi-lo. Os paulistas estão hoje tão acostumados a ela que mal se importam com sua silhueta majestosa, guardiã entre o mar e a terra, degrau de acesso ao Planalto de onde se desenvolverão as lonjuras do interior do Brasil. Galgá-la, hoje, pelo menos quando não é fim de feriado, e retornar a São Paulo resulta nos maiores congestionamentos do Brasil, se não do Hemisfério Sul, é tão simples quanto subir o lance de escada de um sobrado para ganhar o andar de cima. Servem a esse propósito duas das melhores estradas brasileiras, as vias Anchieta e Imigrantes, significativamente apelidadas com nomes evocativos de dois momentos cruciais do fluxo entre os dois lados - o primitivo, da época dos primeiros povoamentos do Planalto, e aquele que, na passagem do século XIX para o XX, transformou a região num aglomerado de gente vinda de diferentes partes do mundo.


Trecho do livro "A Capital da Solidão", Roberto Pompeu de Toledo, Editora Objetiva.

" ... como a querer esconder algum outro mundo, protegê-lo".


O pronome oblíquo do excerto foi empregado em consonância com o que prescreve a norma culta da língua portuguesa. O mesmo não pode se dizer daquele utilizado na sentença apresentada em qual alternativa?

Alternativas
Q2744470 Português

Leia o texto abaixo.


Guarda compartilhada dos filhos: utopia ou realidade?


1 Quando duas pessoas se casam, nunca pensam que um dia podem se separar. Primeiro, realizam sonhos

e, na maioria das vezes, têm filhos. Se o casamento não dá certo, a parte mais difícil da separação fica

sendo a guarda das crianças. Em geral, os filhos continuam morando com a mãe e o pai passa a vê-los em

regime de visitas.

5 Desde 2014, passou a ser adotada a lei da guarda compartilhada, que determina que todas as decisões

sobre a rotina da criança passam a ser tomadas em conjunto pelos pais – mesmo que a criança viva a

maior parte do tempo com apenas um deles.

Na guarda compartilhada, pai e mãe têm os mesmos deveres, as mesmas obrigações e também

oportunidade igual de convivência com os filhos. Antes disso, a guarda mais adotada era a unilateral,

10 aquela em que a criança mora com um dos pais (que detém a guarda e toma todas as decisões inerentes à

criação), enquanto o outro genitor passa a ter o direito de visitas regulamentadas pelo juiz. A pensão

alimentícia é fixada mediante acordo entre as partes (ou pelo poder judiciário) e passa a ser obrigação

daquele que detém o direito de visitas. [...]


(Disponível em: http://www.papodemae.com.br/ Acesso em: setembro de 2016.)


Sobre os períodos apresentados no texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.


( ) Quando duas pessoas se casam, nunca pensam que um dia podem se separar (linha 1) é um período composto por subordinação, que expressa um relação temporal.

( ) Se o casamento não dá certo, a parte mais difícil da separação fica sendo a guarda das crianças (linhas 2 e 3) apresenta efeito de sentido de condição, marcado pela presença de uma conjunção subordinativa.

( ) Desde 2014, passou a ser adotada a lei da guarda compartilhada, que determina que todas as decisões sobre a rotina da criança passam a ser tomadas em conjunto pelos pais – mesmo que a criança viva a maior parte do tempo com apenas um deles. (linhas 5 a 7), é marcado por uma relação de sentido concessiva, introduzida pela presença do pronome relativo que.

( ) A pensão alimentícia é fixada mediante acordo entre as partes (ou pelo poder judiciário) e passa a ser obrigação daquele que detém o direito de visita (linhas 11 a 13) é um período composto por coordenação e expressa uma relação de sentido de adversidade.


Assinale a sequência correta.

Alternativas
Q2744467 Português

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir e responda às questões de 01 a 06.


2030: a fusão entre homem e máquina


1 ___ Por volta de 2030, poderemos ter o que o engenheiro do Google, autor e futurista Raymond

Kurzweil chama de “pensamento híbrido”. Significa pensarmos em parte de forma orgânica, de acordo

com a biologia de nosso cérebro, e em parte de forma artificial – uma possibilidade do avanço

exponencial da tecnologia. Um nanorrobô se instalaria em nosso neocórtex (no cérebro) possibilitando

5 acesso direto à “nuvem”, ao conjunto de informações acessíveis via internet. Essa tecnologia também

permitirá transmissões ao vivo da visão de alguém, entre outras possibilidades.

___ Seríamos fundidos à máquina, ou melhor, a traríamos para dentro do corpo humano. Parece ser o

desenho de um futuro mais provável para a inteligência artificial do que essa dicotomia pintada na

maioria dos filmes de ficção científica, de homem versus máquina, de robôs dominando a humanidade ou

10 os usando para benefício próprio. Acho que não será uma questão de um ou outro, mas um e outro

formando um outro ser, um novo conceito de humanidade. Apesar dessa imagem me dar arrepios.

___ A nanorrobótica ainda é uma tecnologia emergente, mas promete revolucionar a medicina num

futuro próximo. Nanorrobôs são robôs do tamanho de uma célula sanguínea que poderão circular em

nosso corpo fazendo diagnósticos, levando nutrientes e realizando microcirurgias.

15 ___ É estranho pensar que em poucos anos um novo tipo de ser humano possa surgir. Mas refletindo

sobre o avanço que tivemos nos últimos 30 anos, não é de forma alguma impossível. Em palestra no

TED, Kurzweil explica o desenvolvimento de seu raciocínio.

___ Matéria de capa da revista “Time” “2045: The Year Man Becomes Immortal” explora a

possibilidade de fazermos downloads de nossas mentes em outros recipientes, como robôs, e questiona

20 quais implicações isso traria. 2045 seria o ano da singularidade, ainda impossível de ser compreendida,

por não conseguirmos pensar fora de nosso linear e químico cérebro animal.

___ O termo singularidade é usado para representar uma corrente de pensamento, muitas vezes tida

como um movimento. Indica que a humanidade passará por enorme avanço tecnológico em um curto

espaço de tempo, no qual a inteligência artificial predominará sobre a humana. O termo é creditado ao

25 cientista Vernor Vinge. Kurzweil, que profetizou o surgimento da internet, é um dos fundadores

da Singularity University, que tem a missão de “educar, inspirar e empoderar líderes para aplicarem

tecnologias exponenciais no tratamento dos grandes desafios da humanidade”.

___ Outro relevante membro dessa filosofia é o gerontologista Aubrey De Grey. Ele afirma que o

primeiro ser humano a viver 1000 anos já nasceu. De Grey vê o envelhecimento como uma doença a ser

30 curada e explica como isso poderia ocorrer em uma palestra. Ele é autor do livro: “Ending Aging”. [...]

___ Albert Einstein teria dito: “A humanidade precisará de uma substancial nova forma de pensar se

quiser sobreviver”. Essa frase normalmente é atribuída ao homem ter que mudar seu comportamento em

relação a recursos naturais, ao meio ambiente e a questões sociais e éticas. Pensar em prol de um bem

comum e não mais em benefício próprio. Transformar uma mentalidade imediatista para uma visão a

35 longo prazo. Quem sabe, Einstein também estaria profetizando sobre o pensamento híbrido de Kurzweil.

___ Os avanços tecnológicos podem trazer benefícios, mas costumam ser atrelados a efeitos

colaterais, que nos prejudicam e precisam ser discutidos. Como o vício da internet, a alienação do celular

e a solidão das redes sociais. Esse homem-máquina teria um novo desafio a sua frente: como lidar com a

liberdade de escolha em um cenário de acesso instantâneo e ilimitado a informações? Teorias filosóficas

40 seriam reformuladas e outras apareceriam. Existencialistas se debruçariam sobre a nova responsabilidade

do homem diante um livre arbítrio tecnológico e a angústia existencial gerada pelo processo de tomada

de decisões com tantas opções e informações disponíveis. Sartre não ia querer perder a oportunidade de

refletir sobre um outro tipo de ser humano e iria implorar para nascer de novo.


(Disponível em: http://mortesemtabu.blogfolha.uol.com.br/. Acesso em: 09/2016.)

Os termos nanorrobôs, singularidade e empoderar apresentam, respectivamente, os processos de formação de palavras:

Alternativas
Q2744093 Português

Leia com atenção o texto abaixo e responda ao que se pede.


Adriane quer saber se o terno do seu futuro marido deve combinar com as flores do buquê, com os tons das toalhas da recepção ou se deve ser branco (ou bem claro) para ficar de acordo com o vestido dela.

Meu impulso foi o de ligar para o noivo e dizer que ainda estava em tempo de ele desistir, se mandar e arranjar outra noiva. Uma que não o visse como um acessório na sua vida!

Noivos não devem se fantasiar no dia de seu casamento: nada de roupinha de soldadinho de chumbo, ternos brancos de primeira comunhão, túnicas indianas. O dia do casamento é o momento em que um homem assume, perante a sociedade, seu compromisso com a masculinidade e com a vida adulta. Não é, portanto, hora para brincadeiras, roupinhas infantis ou bobagens fora de propósito. Se não, quem vai levar o casamento dele a sério? Ninguém. Nem a noiva.

Noivos, não comecem mal essa história que já não é fácil! Respeito e adequação são indispensáveis para um casamento dar certo. Festa de casamento não é baile de carnaval.


(KALIL, Glória. Alô, chics. São Paulo: Ediouro, 2008, p. 101)

Assinale a alternativa em que o termo grifado é um adjetivo.

Alternativas
Q2743176 Português

Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 6.


Texto 01


Baleia


1---------A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe em vários pontos, as

2--costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de

3--moscas. As chagas da boca e a inchação dos lábios dificultavam-lhe a comida e a bebida

4---------Por isso Fabiano imaginara que ela estivesse com um princípio de hidrofobia e amarrara-lhe

5--no pescoço um rosário de sabugos de milho queimados. Mas Baleia, sempre de mal a pior, roçava

6--se nas estacas do curral ou metia-se no mato, impaciente, enxotava os mosquitos sacudindo as

7--orelhas murchas, agitando a cauda pelada e curta, grossa na base, cheia de moscas, semelhante a

8--uma cauda de cascavel.

9---------Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira, lixou-a, limpou-a com

10--o saca-trapo e fez menção de carregá-la bem para a cachorra não sofrer muito.

11---------Sinhá Vitória fechou-se na camarinha, rebocando os meninos assustados, que adivinhavam

12--desgraça e não se cansavam de repetir a mesma pergunta:

13---------- Vão bulir com a Baleia?

14---------Tinham visto o chumbeiro e o polvarinho, os modos de Fabiano afligiam-nos, davam-lhes a

15--suspeita de que Baleia corria perigo.


RAMOS, Graciliano. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2002. p. 85. (Fragmento)

Sobre o Texto 01, pode-se afirmar:


I - É coerente, uma vez que as ideias estão articuladas em uma sequência lógica, que permite a compreensão do contexto de forma clara e completa.

II - É incoerente, uma vez que há ideias contraditórias: Fabiano, de início não quer matar a cachorra Baleia, em seguida, decide matá-la.

III - Na descrição da cachorra Baleia, no primeiro parágrafo, houve a supremacia quanto ao uso dos adjetivos, com o objetivo de mostrar o estado miserável em que o animal se encontrava.

IV - É predominantemente argumentativo, pois defende o ponto de vista do sofrimento de uma família com a morte da cachorra, animal de estimação.


Está(ão) CORRETA(S), apenas:

Alternativas
Q2743147 Português

Releia o trecho abaixo para responder às questões 14 e 15.


Medidas simples garantem mais segurança no trânsito



Em um clássico desenho da Disney, ao assumir a direção de um carro, o pacato e humilde senhor Andante se transforma

no terrível senhor Volante, modelo de arrogância e violência. Essa cena ilustra uma situação comum até hoje no trânsito, onde

os motoristas descarregam toda sorte de frustração.

Não por acaso, o fator humano é responsável pela maioria dos acidentes. Dirigir defensivamente é essencial para prevenir os

5 desastres ou pelo menos minimizar suas consequências. De acordo com o professor Adilson Lombardo, especialista em segurança

no trânsito, na direção defensiva “é preciso avaliar riscos, reduzir a velocidade perto de escolas, não fazer ultrapassagens

perigosas”. Na prática, são medidas simples, que podem ser resumidas em duas: respeito às normas e bom senso.

Lombardo frisa que não se deve confundir direção defensiva com técnicas de pilotagem, que também podem ajudar a

prevenir acidentes. “Os cursos de pilotagem ensinam a sair da aquaplanagem, a fazer uma frenagem segura e a desviar de

10 obstáculos”, explica. “As autoescolas não dão essa formação, que é essencial, por exemplo, para funcionários de empresas.”

Ele destaca ainda a função educativa da multa: “Todos sabemos que a cultura da impunidade é perigosa.”

Ari Silveira

Adaptado de gazetadopovo.com.br, 22/08/2009



a cultura da impunidade é perigosa. (l. 11)

O prefixo “im” pode indicar negação, como na palavra impunidade, que significa ausência de punição. O prefixo da seguinte palavra também indica negação:

Alternativas
Q2743140 Português

Releia o trecho abaixo para responder às questões 07 e 08


Medidas simples garantem mais segurança no trânsito



Em um clássico desenho da Disney, ao assumir a direção de um carro, o pacato e humilde senhor Andante se transforma

no terrível senhor Volante, modelo de arrogância e violência. Essa cena ilustra uma situação comum até hoje no trânsito, onde

os motoristas descarregam toda sorte de frustração.

Não por acaso, o fator humano é responsável pela maioria dos acidentes. Dirigir defensivamente é essencial para prevenir os

5 desastres ou pelo menos minimizar suas consequências. De acordo com o professor Adilson Lombardo, especialista em segurança

no trânsito, na direção defensiva “é preciso avaliar riscos, reduzir a velocidade perto de escolas, não fazer ultrapassagens

perigosas”. Na prática, são medidas simples, que podem ser resumidas em duas: respeito às normas e bom senso.

Lombardo frisa que não se deve confundir direção defensiva com técnicas de pilotagem, que também podem ajudar a

prevenir acidentes. “Os cursos de pilotagem ensinam a sair da aquaplanagem, a fazer uma frenagem segura e a desviar de

10 obstáculos”, explica. “As autoescolas não dão essa formação, que é essencial, por exemplo, para funcionários de empresas.”

Ele destaca ainda a função educativa da multa: “Todos sabemos que a cultura da impunidade é perigosa.”

Ari Silveira

Adaptado de gazetadopovo.com.br, 22/08/2009




Dirigir defensivamente é essencial para prevenir os desastres ou pelo menos minimizar suas consequências. (l. 4-5)

Em suas consequências, a palavra “suas” é um pronome classificado como:

Alternativas
Q2743135 Português

Releia o título do texto para responder às questões 02 e 03.


Medidas simples garantem mais segurança no trânsito



Em um clássico desenho da Disney, ao assumir a direção de um carro, o pacato e humilde senhor Andante se transforma

no terrível senhor Volante, modelo de arrogância e violência. Essa cena ilustra uma situação comum até hoje no trânsito, onde

os motoristas descarregam toda sorte de frustração.

Não por acaso, o fator humano é responsável pela maioria dos acidentes. Dirigir defensivamente é essencial para prevenir os

5 desastres ou pelo menos minimizar suas consequências. De acordo com o professor Adilson Lombardo, especialista em segurança

no trânsito, na direção defensiva “é preciso avaliar riscos, reduzir a velocidade perto de escolas, não fazer ultrapassagens

perigosas”. Na prática, são medidas simples, que podem ser resumidas em duas: respeito às normas e bom senso.

Lombardo frisa que não se deve confundir direção defensiva com técnicas de pilotagem, que também podem ajudar a

prevenir acidentes. “Os cursos de pilotagem ensinam a sair da aquaplanagem, a fazer uma frenagem segura e a desviar de

10 obstáculos”, explica. “As autoescolas não dão essa formação, que é essencial, por exemplo, para funcionários de empresas.” Ele

destaca ainda a função educativa da multa: “Todos sabemos que a cultura da impunidade é perigosa.”

Ari Silveira

Adaptado de gazetadopovo.com.br, 22/08/2009



A palavra mais não sofre alteração, nem de gênero, nem de número. Outra palavra que também não sofre alteração é:

Alternativas
Q2742721 Português

Leia o seguinte trecho:

“Para sermos mais eficazes, é primordial estarmos sempre atentos ao nosso estado interior, pois é ele quem nos influencia no desempenho das atividades cotidianas.”

Se colocássemos “nosso estado interior” no plural, quantas palavras após a segunda vírgula deveriam obrigatoriamente sofrer flexão de número?

Alternativas
Q2741528 Português

Instrução: As questões 11 a 20 referem-se ao texto abaixo.


  1. _____Todo mundo teve ao menos uma namorada esquisita,
  2. comigo não foi diferente. Beber é trivial, bebe-se por
  3. prazer, para comemorar, para esquecer, para suportar
  4. a vida, mas beber para ficar de ressaca nunca tinha
  5. visto. Essa era Stela, ela bebia em busca do lado escuro
  6. do porre. Acreditava que precisava desse terremoto
  7. orgânico para seu reequilíbrio espiritual.
  8. _____Sua ressaca era diferente, não como a nossa, tingida
  9. de culpa pelo excesso. A dela era almejada, portanto
  10. com propriedades metafísicas. Nem por isso passava
  11. menos mal, sofria muito, o desconforto era visível,
  12. pungente. Tomava coisas que poucos profissionais
  13. do copo se arriscariam, destilados das marcas mais
  14. diabo. Ou então era revés de um vinho da Serra com
  15. nome de Papa, algo que nem ao menos rolha tinha,
  16. era de tampinha. Bebida que, com sua qualidade,
  17. desonrava, simultaneamente, os vinhos e o pontífice.
  18. _____Não era masoquismo. Acompanhando suas
  19. peregrinações etílicas, cheguei a outra conclusão: ela
  20. realmente precisava daquilo. Stela inventara uma
  21. religião do Santo Daime particular, caseira, sabia que
  22. era preciso passar pelo inferno para vislumbrar o céu.
  23. Os porres eram uma provação cósmica, um ordálio
  24. voluntário, um encontro reverencial com o sagrado.
  25. _____Depois da devastação do pileque, ela ficava melhor.
  26. Uma lucidez calma a invadia, sua beleza readquiria os
  27. traços que a marcavam, seus olhos voltavam ao
  28. brilho que me encantara. Tinha mergulhado no poço
  29. da existência e reavaliado seus rumos. Durante dias a
  30. paz reinava entre nós e entre ela e o mundo.
  31. _____Mas bastava uma nova dúvida em sua vida, uma
  32. decisão a tomar, e ela requisitava mais um inferno para
  33. se repensar. A rotina era extenuante. Quem aguenta uma
  34. mulher que, em vez de falar sobre a vida, mergulha
  35. num porre xamânico? Mas o amor perdoa. Lá estava
  36. eu ajudando-a a levantar-se de mais uma triste
  37. manguaça. Fiquei expert em reidratar e reanimar mortos,
  38. em contornar enxaquecas siderais e em amparar dengues
  39. existenciais
  40. _____Amava Stela pela inusitada maneira de consultar o
  41. destino. Triste era o desencontro. Eu cansado por
  42. cuidá-la depois de uma noite mal dormida, servindo de
  43. enfermeiro, e ela radiante, prenha da energia que a
  44. purgação lhe rendera.
  45. _____Stela era irredutível no seu método terapêutico,
  46. dizia que só nesse estado se encontrava com o melhor
  47. de seu ser. Reiterava que era mais sábia durante o
  48. martírio. Insistia que, sóbria, em seu estado normal,
  49. sofria de um otimismo injustificado que lhe turvava a
  50. realidade. Seu lema era: “Só na ressaca enxergamos o
  51. mundo como ele é”.
  52. _____Um dia, sem muitas palavras, Stela foi embora.
  53. Alguma ressaca oracular deve ter lhe dito que eu não
  54. era bom para seu futuro. Não a culpo.


Adaptado de: CORSO, M. O valor da ressaca. Zero Hora, n. 18489,

02/04/2016. Disponível em: http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a5711255.xml&template=3916.dwt&edition=28691§ion=4572. Acessado em 02/04/2016.

Assinale a alternativa em que a palavra extraída do texto NÃO apresenta, em sua formação, processo de derivação prefixal.

Alternativas
Q2741527 Português

Instrução: As questões 11 a 20 referem-se ao texto abaixo.


  1. _____Todo mundo teve ao menos uma namorada esquisita,
  2. comigo não foi diferente. Beber é trivial, bebe-se por
  3. prazer, para comemorar, para esquecer, para suportar
  4. a vida, mas beber para ficar de ressaca nunca tinha
  5. visto. Essa era Stela, ela bebia em busca do lado escuro
  6. do porre. Acreditava que precisava desse terremoto
  7. orgânico para seu reequilíbrio espiritual.
  8. _____Sua ressaca era diferente, não como a nossa, tingida
  9. de culpa pelo excesso. A dela era almejada, portanto
  10. com propriedades metafísicas. Nem por isso passava
  11. menos mal, sofria muito, o desconforto era visível,
  12. pungente. Tomava coisas que poucos profissionais
  13. do copo se arriscariam, destilados das marcas mais
  14. diabo. Ou então era revés de um vinho da Serra com
  15. nome de Papa, algo que nem ao menos rolha tinha,
  16. era de tampinha. Bebida que, com sua qualidade,
  17. desonrava, simultaneamente, os vinhos e o pontífice.
  18. _____Não era masoquismo. Acompanhando suas
  19. peregrinações etílicas, cheguei a outra conclusão: ela
  20. realmente precisava daquilo. Stela inventara uma
  21. religião do Santo Daime particular, caseira, sabia que
  22. era preciso passar pelo inferno para vislumbrar o céu.
  23. Os porres eram uma provação cósmica, um ordálio
  24. voluntário, um encontro reverencial com o sagrado.
  25. _____Depois da devastação do pileque, ela ficava melhor.
  26. Uma lucidez calma a invadia, sua beleza readquiria os
  27. traços que a marcavam, seus olhos voltavam ao
  28. brilho que me encantara. Tinha mergulhado no poço
  29. da existência e reavaliado seus rumos. Durante dias a
  30. paz reinava entre nós e entre ela e o mundo.
  31. _____Mas bastava uma nova dúvida em sua vida, uma
  32. decisão a tomar, e ela requisitava mais um inferno para
  33. se repensar. A rotina era extenuante. Quem aguenta uma
  34. mulher que, em vez de falar sobre a vida, mergulha
  35. num porre xamânico? Mas o amor perdoa. Lá estava
  36. eu ajudando-a a levantar-se de mais uma triste
  37. manguaça. Fiquei expert em reidratar e reanimar mortos,
  38. em contornar enxaquecas siderais e em amparar dengues
  39. existenciais
  40. _____Amava Stela pela inusitada maneira de consultar o
  41. destino. Triste era o desencontro. Eu cansado por
  42. cuidá-la depois de uma noite mal dormida, servindo de
  43. enfermeiro, e ela radiante, prenha da energia que a
  44. purgação lhe rendera.
  45. _____Stela era irredutível no seu método terapêutico,
  46. dizia que só nesse estado se encontrava com o melhor
  47. de seu ser. Reiterava que era mais sábia durante o
  48. martírio. Insistia que, sóbria, em seu estado normal,
  49. sofria de um otimismo injustificado que lhe turvava a
  50. realidade. Seu lema era: “Só na ressaca enxergamos o
  51. mundo como ele é”.
  52. _____Um dia, sem muitas palavras, Stela foi embora.
  53. Alguma ressaca oracular deve ter lhe dito que eu não
  54. era bom para seu futuro. Não a culpo.


Adaptado de: CORSO, M. O valor da ressaca. Zero Hora, n. 18489,

02/04/2016. Disponível em: http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a5711255.xml&template=3916.dwt&edition=28691§ion=4572. Acessado em 02/04/2016.

Assinale a alternativa que apresenta a classificação gramatical da palavra A da linha 09, da palavra a da linha 19 e da palavra a da linha 54, respectivamente.

Alternativas
Q2741518 Português

Instrução: As questões 06 a 10 referem-se ao texto abaixo


A língua do Brasil amanhã


  1. ____Ouvimos com frequência opiniões alarmantes a
  2. respeito do futuro da nossa língua. ___ vezes se diz
  3. que ela vai simplesmente desaparecer, em benefício de
  4. outras línguas supostamente expansionistas (em especial
  5. o inglês, atual candidato número um a língua universal);
  6. ou que vai se “misturar” com o espanhol, formando o
  7. “portunhol”; ou, simplesmente, que vai se corromper
  8. pelo uso da gíria e das formas populares de expressão
  9. (do tipo: o casaco que cê ia sair com ele tá rasgado).
  10. Aqui pretendo trazer uma opinião mais otimista: a
  11. nossa língua, estou convencido, não está em perigo de
  12. desaparecimento, muito menos de mistura. Por outro
  13. lado (e não é possível agradar a todos) acredito que
  14. nossa língua está mudando, e certamente não será a
  15. mesma dentro de vinte, cem ou trezentos anos.
  16. ____O que é que poderia ameaçar a integridade ou
  17. a existência da nossa língua? Um dos fatores,
  18. frequentemente citado, é a influência do inglês – o
  19. mundo de empréstimos que andamos fazendo para
  20. nos expressarmos sobre certos assuntos.
  21. ____Não se pode negar que o fenômeno existe; o que
  22. mais se faz hoje em dia é surfar, deletar ou tratar do
  23. marketing. Mas isso não significa o desaparecimento
  24. da língua portuguesa. Empréstimos são um fato da
  25. vida e sempre existiram. Hoje pouca gente sabe disso,
  26. mas avalanche, alfaiate, tenor e pingue-pongue
  27. são palavras de origem estrangeira; hoje já se
  28. naturalizaram, e certamente ninguém vê ameaça
  29. nelas. Afinal de contas, quando se começou a jogar
  30. aquela bolinha em cima da mesa, precisou-se de um
  31. nome; podíamos dizer tênis de mesa, e alguns tentaram,
  32. mas a palavra estrangeira venceu – só que virou
  33. portuguesa, hoje vive entre nós como uma imigrante já
  34. casada, com filhos brasileiros etc. Perdeu até o sotaque.
  35. ____Quero dizer que não há o menor sintoma de que os
  36. empréstimos estrangeiros estejam causando lesões na
  37. língua portuguesa; a maioria, aliás, desaparece em
  38. pouco tempo, e os que ficam se assimilam. Como toda
  39. língua, o português precisa crescer para dar conta das
  40. novidades sociais, tecnológicas, artísticas e culturais; e
  41. pode aceitar empréstimos – ravióli, ioga, chucrute,
  42. balé – e também pode (e com maior frequência)
  43. criar palavras a partir de seus próprios recursos –
  44. como computador, ecologia, poluição – ou então esten-
  45. der o uso de palavras antigas a novos significados –
  46. executivo ou celular, que significam coisas hoje que
  47. não significavam ___ vinte anos. Isso está acontecendo
  48. a todo o tempo com todas as línguas, e nunca levou
  49. nenhuma delas ___ extinção.

Adaptado de PERINI, M. A. A língua do Brasil amanhã

e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004.

Páginas 11-14.

Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas afirmações a seguir sobre algumas das ideias do texto.


( ) Os empréstimos linguísticos são um fenômeno relativamente recente na língua, um reflexo de atividades modernas, como surfar, deletar e lidar com vocábulos da área do marketing.

( ) A língua portuguesa está mudando mais rapidamente hoje do que antigamente para que seu vocabulário possa abarcar novidades de ordem social, tecnológica, artística e cultural.

( ) Todas as línguas podem receber a influência de empréstimos linguísticos, não apenas a língua portuguesa.


A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

Alternativas
Q2740413 Português

ESTA VIDA


– Um sábio me dizia: esta existência, não vale a angústia de viver.

A ciência, se fôssemos eternos, num transporte de desespero inventaria a morte.

Uma célula orgânica aparece, no infinito do tempo.

E vibra, e cresce, e se desdobra, e estala num segundo. Homem, eis o que somos neste mundo. Assim falou-me o sábio e eu comecei a ver dentro da própria morte, o encanto de morrer.

– Um monge me dizia: ó mocidade, és relâmpago ao pé da eternidade! Pensa: o tempo anda sempre e não repousa; esta vida não vale grande coisa.

Uma mulher que chora, um berço a um canto; o riso, às vezes, quase sempre, um pranto. Depois o mundo, a luta que intimida, quatro círios acesos: eis a vida! Isto me disse o monge e eu continuei a ver, dentro da própria morte, o encanto de morrer.

– Um pobre me dizia: para o pobre, a vida é o pão e o andrajo vil que o cobre. Deus, eu não creio nesta fantasia. Deus me deu fome e sede a cada dia, mas nunca me deu pão, nem me deu água. Deu-me a vergonha, a infâmia, a mágoa, de andar de porta em porta, esfarrapado. Deu-me esta vida: um pão envenenado. Assim falou-me o pobre e eu continuei a ver, dentro da própria morte, o encanto de morrer.

– Uma mulher me disse: vem comigo! Fecha os olhos e sonha, meu amigo. Sonha um lar, uma doce companheira, que queiras muito e que também te queira. No telhado, um penacho de fumaça. Cortinas muito brancas na vidraça. Um canário que canta na gaiola. Que linda a vida lá por dentro rola! Pela primeira vez eu comecei a ver, dentro da própria vida, o encanto de viver.


Guilherme de Almeida

Quanto à morfossintaxe, em qual alternativa a classificação está correta.

Alternativas
Q2737367 Português

Pechada

O apelido foi instantâneo. No primeiro dia de aula, o aluno novo

já estava sendo chamado de "Gaúcho". Porque era gaúcho.

Recém-chegado do Rio Grande do Sul, com um sotaque carregado.

-Aí, Gaúcho!

-Fala, Gaúcho!

Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora explicou que cada região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão grandes assim.

Afinal, todos falavam português. Variava a pronúncia, mas a língua era uma só. E os alunos não achavam formidável que num país do tamanho do Brasil todos falassem a mesma língua, só com pequenas variações?

-Mas o Gaúcho fala "tu"! -disse o gordo Jorge, que era quem mais implicava com o novato.

-E fala certo -disse a professora. -Pode-se dizer "tu" e pode-se dizer "você". Os dois estão certos. Os dois são português.

O gordo Jorge fez cara de quem não se entregara.

Um dia o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que acontecera.

-O pai atravessou a sinaleira e pechou...

-O que?

-O pai. Atravessou a sinaleira e pechou.

A professora sorriu. Depois achou que não era caso para sorrir. Afinal, o pai do menino atravessara uma sinaleira e pechara. Podia estar, naquele momento, em algum hospital. Gravemente pechado. Com pedaços de sinaleira sendo retirados do seu corpo.

-O que foi que ele disse, tia?

-quis saber o gordo Jorge.

-Que o pai dele atravessou uma sinaleira e pechou.

- E o que é isso?

-Gaúcho ... Quer dizer, Rodrigo: explique para a classe o que aconteceu.

-Nós vinha ...

- Nós vínhamos.

-Nós vínhamos de auto, o pai não viu a sinaleira fechada, passou no vermelho e deu uma pechada noutro auto.

A professora varreu a classe com seu sorriso. Estava claro o que acontecera? Ao mesmo tempo, procurava uma tradução para o relato do gaúcho. Não podia admitir que não o entendera. Não com o gordo Jorge rindo daquele jeito.

"Sinaleira", obviamente, era sinal, semáforo. "Auto" era automóvel, carro. Mas " pechar" o que era? Bater, claro. Mas de onde viera aquela estranha palavra? Só muitos dias depois a professora descobriu que "pechar" vinha do espanhol e queria dizer bater com o peito, e até lá teve que se esforçar para convencer o gordo Jorge de que era mesmo brasileiro o que falava o novato. Que já ganhara outro apelido: Pechada.

-Aí, Pechada!

-Fala, Pechada!

Luis Fernando Veríssimo, Revista Nova Escola.

Assinale a alternativa correta na qual o uso do "que" tenha valor de pronome relativo.

Alternativas
Q2737091 Português

Analise o texto abaixo para responder às questões 09 e 10:


Aperte enter para terminar

‘Acabou’, dizia a mensagem que Mariana recebeu após 4 anos de namoro – ela nunca mais o viu. Na era da paquera no Tinder, o fim também é virtual


(Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/226034- aperte-enter-para-terminar.shtml Acesso em 28/04/2016.)

No trecho “ela nunca mais o viu”, as palavras em destaque, respectivamente:

Alternativas
Respostas
7381: C
7382: A
7383: D
7384: C
7385: D
7386: D
7387: C
7388: D
7389: C
7390: C
7391: B
7392: C
7393: C
7394: B
7395: B
7396: D
7397: A
7398: D
7399: B
7400: A