Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia - pronomes em português
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Leia para responder à questão
O diabetes é uma condição crônica em que o corpo passa a lidar mal com a glicose, seja por produzir pouca insulina, seja por não utilizá-la de modo eficiente. Como a glicose circula no sangue, alterações persistentes podem ocorrer sem sintomas marcantes no início, o que torna o diagnóstico tardio relativamente comum. Em muitos casos, sede intensa, aumento da urina, fadiga e perda de peso aparecem de forma gradual e são confundidos com estresse ou rotina. O problema é que, enquanto esses sinais são minimizados, o excesso de glicose pode afetar vasos, nervos e órgãos, comprometendo visão, rins e circulação periférica. Por isso, o acompanhamento regular e a educação em saúde têm papel decisivo, sobretudo em pessoas com histórico familiar, excesso de peso ou pressão alta. Em vez de tratar apenas números, o cuidado precisa olhar hábitos, sono, alimentação e acesso a serviços, porque o controle depende do cotidiano.
O manejo do diabetes não se resume a “cortar açúcar”, pois envolve escolhas consistentes e estratégias realistas para manter a glicemia dentro de metas seguras. Alimentação com fibras, redução de ultraprocessados, ajuste de porções e regularidade nas refeições podem ajudar, mas a resposta do organismo varia conforme idade, medicações e nível de atividade física. Exercício, mesmo moderado, aumenta a sensibilidade à insulina e melhora o uso da glicose pelos músculos, porém exige atenção a hipoglicemias em quem usa insulina ou certos antidiabéticos. A adesão costuma melhorar quando o plano é negociado e inclui preferências culturais, horários de trabalho e recursos disponíveis, evitando prescrições impraticáveis. Também entram no cuidado os exames periódicos, a avaliação dos pés, a checagem da pressão e a atenção aos sinais de alerta.
Quando o diabetes é compreendido como uma rotina de autocuidado apoiada por equipe e família, ele deixa de ser apenas uma doença e passa a ser um campo contínuo de decisões que protegem o futuro
Evitam-se as viciosas repetições do período acima substituindo-se os elementos sublinhados, na ordem dada, por:
• ... e descobriu que era a exposição aos animais infectados que conferia imunidade a elas... (1° parágrafo)
• Com isso, aumenta a hesitação vacinal... (2° parágrafo)
Reescreve-se em conformidade com a norma-padrão a oração destacada do 1° parágrafo e indica-se a correta referência do pronome destacado do 2° parágrafo, respectivamente, em:
Leia o texto do médico hematologista e pesquisador Dimas Covas para responder à questão.
Vacinas: soberania nacional e o coletivo
Desde o final do século 18, quando o médico inglês Edward Jenner observou que mulheres que ordenhavam vacas não contraíam varíola, uma doença de altíssima letalidade, e descobriu que era a exposição aos animais infectados que conferia imunidade a elas, a vacinação evoluiu significativamente e se consolidou como uma das ferramentas mais poderosas da saúde pública. Graças às vacinas, a varíola foi erradicada e diversas doenças contagiosas foram controladas. Sua eficácia depende, porém, de dois pilares fundamentais: informação confiável e acesso garantido.
A disseminação de boatos e de teorias conspiratórias que põem em dúvida a segurança das vacinas ganhou visibilidade, sobretudo nos Estados Unidos, com os movimentos “antivacina”, que desencorajam a população de se proteger de doenças contagiosas e evitáveis. Em vez de incentivar a prevenção de doenças, prestam um desserviço à população, contrariando os esforços globais para evitar novas pandemias. Com isso, aumenta a hesitação vacinal, que tem contribuído para a volta de outras doenças antes controladas, como coqueluche, poliomielite e sarampo.
No caso do sarampo, que é uma doença altamente contagiosa, a situação é ainda mais preocupante. Recentemente, conforme notificou a Organização Pan-Americana da Saúde, foram registrados em dez países das Américas surtos da doença, que já havia sido eliminada em grande parte do continente. O Canadá e o México foram os países mais afetados, seguidos pelos Estados Unidos. No Texas e no Novo México, ocorreram três mortes, todas de pessoas não vacinadas.
Em muitos países, a escassez de vacinas e as dificuldades logísticas são o principal problema. A pandemia de covid19 escancarou essa vulnerabilidade: enquanto os países ricos monopolizavam as doses, os outros, dependentes da produção externa, tinham de esperar ações da diplomacia internacional. Foi nesse contexto que as vacinas se consolidaram como instrumentos de soft power: distribuir imunizantes e tecnologias tornou-se uma forma de construir prestígio e criar alianças.
O Brasil, onde existe um dos mais abrangentes programas públicos de vacinação do mundo, tem tradição e legitimidade nesse campo. Instituições como a Fiocruz e o Instituto Butantan ampliaram a capacidade de produção de vacinas. Em maio deste ano, o País firmou um acordo estratégico com a Gavi, a Vaccine Alliance, para fornecer vacinas a países de baixa e média renda da África e da América Latina.
Esse tipo de cooperação reforça o papel do Brasil como ator relevante na saúde global, em particular no eixo Sul-Sul, e transforma solidariedade em política externa.
O século 21 será marcado pela capacidade dos países de garantir inovação, prevenção e acesso à saúde. O Brasil tem a oportunidade de transformar sua tradição em vacinas num poderoso instrumento de soft power. O País pode e deve posicionar-se como líder de uma nova diplomacia em saúde, usando vacinas também como alicerce de uma política externa solidária, inovadora e estratégica.
(https://www.estadao.com.br/opiniao, 05.11.2025. Adaptado)
Considere as passagens:
• ... e descobriu que era a exposição aos animais infectados que conferia imunidade a elas... (1o parágrafo)
• Com isso, aumenta a hesitação vacinal... (2o parágrafo)
Reescreve-se em conformidade com a norma-padrão a oração destacada do 1o parágrafo e indica-se a correta referência do pronome destacado do 2o parágrafo, respectivamente, em:
Leia o texto para responder à questão.
Repetidas vezes Barreda, devorado pela febre, pediu água. A mulher aproximava-se de momento a momento, receando ser chegado o transe supremo; depois ia de novo atirar-se a um canto, onde ficava como desfalecida.
Vendo Manuel o desamparo em que estava o enfermo, pelo desespero da mulher e medo que inspirava a outros o contágio da moléstia, não teve ânimo de retirar-se naquele instante. Custava, porém, à sua natureza enérgica assistir impassível ao sofrimento de uma criatura, sem tentar um esforço qualquer para salvá-la.
Veio-lhe de repente à lembrança um caso que ouvira a seu pai. Saiu fora, montou a cavalo, e pouco depois voltou com um novilho, que laçara e prendeu ao lado da casa, na estaca do curral ou mangueira.
O enfermo passara do torpor à excessiva inquietação.
— Tire a roupa de seu marido, que eu já volto. Vou buscar um remédio que há de fazer lhe bem.
Abatido o novilho com uma pancada na nuca, em um instante Manuel esfolou-o ainda meio vivo; e correndo à casa, envolveu o corpo do enfermo na pele tépida e sangrenta.
Feito o quê, esperou pelo resultado, assando na brasa um pedaço da carne do novilho para matar a fome.
Seu pai muitas vezes lhe contara que, na campanha da Cisplatina, o capitão de uma companhia caíra doente com uma febre de cavalo. O cirurgião do regimento empregara em vão todos os meios para fazê-lo suar. Pela manhã quando se carneava uma rês, dissera ele a rir, vendo arregaçar o couro: “Que bom lençol! Se me tivesse lembrado, embrulharia em um desses o capitão. Não há febre que resista a semelhante cáustico”.
O que o cirurgião não pudera fazer, acabava o gaúcho de pôr em prática.
Ou fosse pela energia do remédio, ou pelo vigor da organização, operou-se na enfermidade uma crise salutar, manifestando-se durante a noite reação franca, anunciada por abundantes suores; de madrugada remitiu a febre, e Barreda caiu num sono profundo.
Manuel passou a noite, como o dia, fazendo o ofício de enfermeiro. Apenas deixava o aposento do doente para ir ver seus amigos, a baia e os outros animais a quem havia acomodado no potreiro, tendo o cuidado de fazer com um molho de trevo seco uma cama bem macia para o poldrinho*.
(José de Alencar. O Gaúcho. Em: https://domainpublic.wordpress.com/)
* potro
Sobre esse assunto, assinale a alternativa que apresenta uma frase escrita corretamente.
Leia o texto e responda à questão.
A vida secreta dos áudios: por que a gente ouve em 1,5x e
responde “kkk” com seriedade.
Tem gente que escreve “bom dia” e segue a vida. E tem
gente que aperta o microfone, inspira como quem vai narrar um documentário e
manda: “Vou te explicar rapidinho”, sinal claro de que nada ali será rápido. A
verdade é que o áudio virou uma espécie de bilhete falado, só que com um
tempero de intimidade e um toque de suspense, porque nunca dá para saber se vem
uma dúvida simples ou uma novela em capítulos, com participação especial do
cachorro latindo e da panela de pressão opinando ao fundo.
Eu, que já fui uma pessoa que ouvia em velocidade
normal, hoje sou um cidadão da era 1,5x. É um estilo de vida. Não é pressa, é
sobrevivência. O áudio chega, eu já imagino a cena: alguém andando na rua,
vento no microfone, passos dramáticos, e a frase clássica: “Você tá me
ouvindo?”. Estou. Só não do jeito que você imaginou. Eu ouço em 1,5x com a
mesma seriedade de quem lê um contrato. Às vezes, em 2x, quando aparece aquele
“deixa eu contextualizar” que vem junto com quinze anos de história familiar e
um resumo do clima na cidade.
E aí surge o grande dilema moral: como responder?
Porque o áudio tem um peso. Um texto pode ser seco, mas o áudio tem sorriso,
tem pausa, tem o “ééé…” que revela o pensamento chegando atrasado. Só que a
gente, prático e moderno, devolve um “kkk” que, dependendo do momento,
significa: “entendi”, “tô com você”, “vou responder depois”, “não sei o que
dizer” e, em casos extremos, “só Deus na causa”. O “kkk” é o canivete suíço das
relações humanas. Você abre e ele vira o que precisar.
No grupo de trabalho, então, o áudio ganha vida
própria. Tem o colega que manda um áudio de quatro minutos para dizer que
atrasou cinco. Tem o professor que, no intervalo, grava olhando para o pátio e,
sem querer, dá aula de sociologia e de meteorologia ao mesmo tempo. Tem a
pessoa que fala baixinho, como se estivesse dentro de uma biblioteca secreta, e
você aumenta o volume só para ouvir junto o som da vida inteira do prédio. E
tem aquele áudio perigoso, o do “posso te ligar?”. Esse é o áudio que não é áudio,
é um aviso de tempestade.
Eu gosto de pensar que existe uma etiqueta invisível.
Tipo: se é urgente, escreve. Se é longo, avisa. Se é confidencial, não manda no
meio da feira. Mas a etiqueta do século é outra. A etiqueta é: manda, e quem
recebe que se vire. E a gente se vira. A gente aprende a ler emoções em
velocidade acelerada, como se o coração também tivesse um botão de ajuste. A
gente identifica tristeza em 1,5x, alegria em 2x, e indignação até em 0,5x, que
é quando você volta para entender exatamente onde a conversa desandou.
Naquele dia, eu estava prestes a responder um áudio
enorme com o meu “kkk” diplomático, quando reparei num detalhe. A voz do áudio
tinha um ritmo estranho, como se fosse uma versão ligeiramente mais rápida do
que eu lembrava. Voltei para 1x. A voz ficou… conhecida demais. Voltei para
0,5x, só para garantir. E foi aí que eu ouvi, no fundo, bem baixinho, uma coisa
que eu nunca esperaria ouvir no áudio de outra pessoa.
O clique do meu próprio microfone. E a minha própria
voz, do mês passado, dizendo: “Vou te explicar rapidinho”.
Na hora, eu entendi o desfecho inesperado dessa era.
Eu não estava só ouvindo áudios demais. Eu estava, discretamente, virando o
tipo de pessoa que manda áudios demais. E, por um segundo, eu tive vontade de
me responder com um “kkk” bem sério, em 2x, só para manter a tradição.
Fonte: Banca Examinadora
(I) Li um livro muito interessante.
(II) Fiz referência às folhas amareladas do livro.
Juntando os enunciados I e II num só período, fica correta a seguinte alternativa:
Que isso valha pra qualquer pessoa
Que realizar a força que tem uma paixão
Que isso valha pra qualquer pessoa
Que realizar a força que tem uma paixão
Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade pra dizer
Estabeleça a relação entre cada pronome de tratamento abaixo e o seu emprego na redação técnica oficial. A seguir, assinale a sequência correta obtida.
(___) Você
(___) Vossa Senhoria
(___) Vossa Excelência
(I) Altas autoridades político-administrativas
(II) Tratamento informal, familiar, íntimo
(III) Tratamento formal, respeitoso