Considere as passagens: •  ... e descobriu que era a exposi...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3916606 Português
Leia o texto do médico hematologista e pesquisador Dimas Covas para responder à questão.

Vacinas: soberania nacional e o coletivo

        Desde o final do século 18, quando o médico inglês Edward Jenner observou que mulheres que ordenhavam vacas não contraíam varíola, uma doença de altíssima letalidade, e descobriu que era a exposição aos animais infectados que conferia imunidade a elas, a vacinação evoluiu significativamente e se consolidou como uma das ferramentas mais poderosas da saúde pública. Graças às vacinas, a varíola foi erradicada e diversas doenças contagiosas foram controladas. Sua eficácia depende, porém, de dois pilares fundamentais: informação confiável e acesso garantido.

        A disseminação de boatos e de teorias conspiratórias que põem em dúvida a segurança das vacinas ganhou visibilidade, sobretudo nos Estados Unidos, com os movimentos “antivacina”, que desencorajam a população de se proteger de doenças contagiosas e evitáveis. Em vez de incentivar a prevenção de doenças, prestam um desserviço à população, contrariando os esforços globais para evitar novas pandemias. Com isso, aumenta a hesitação vacinal, que tem contribuído para a volta de outras doenças antes controladas, como coqueluche, poliomielite e sarampo.

        No caso do sarampo, que é uma doença altamente contagiosa, a situação é ainda mais preocupante. Recentemente, conforme notificou a Organização Pan-Americana da Saúde, foram registrados em dez países das Américas surtos da doença, que já havia sido eliminada em grande parte do continente. O Canadá e o México foram os países mais afetados, seguidos pelos Estados Unidos. No Texas e no Novo México, ocorreram três mortes, todas de pessoas não vacinadas.

        Em muitos países, a escassez de vacinas e as dificuldades logísticas são o principal problema. A pandemia de covid-19 escancarou essa vulnerabilidade: enquanto os países ricos monopolizavam as doses, os outros, dependentes da produção externa, tinham de esperar ações da diplomacia internacional. Foi nesse contexto que as vacinas se consolidaram como instrumentos de soft power: distribuir imunizantes e tecnologias tornou-se uma forma de construir prestígio e criar alianças.

        O Brasil, onde existe um dos mais abrangentes programas públicos de vacinação do mundo, tem tradição e legitimidade nesse campo. Instituições como a Fiocruz e o Instituto Butantan ampliaram a capacidade de produção de vacinas. Em maio deste ano, o País firmou um acordo estratégico com a Gavi, a Vaccine Alliance, para fornecer vacinas a países de baixa e média renda da África e da América Latina.

        Esse tipo de cooperação reforça o papel do Brasil como ator relevante na saúde global, em particular no eixo Sul-Sul, e transforma solidariedade em política externa.

        O século 21 será marcado pela capacidade dos países de garantir inovação, prevenção e acesso à saúde. O Brasil tem a oportunidade de transformar sua tradição em vacinas num poderoso instrumento de soft power. O País pode e deve posicionar-se como líder de uma nova diplomacia em saúde, usando vacinas também como alicerce de uma política externa solidária, inovadora e estratégica.

(https://www.estadao.com.br/opiniao, 05.11.2025. Adaptado)
Considere as passagens:
•  ... e descobriu que era a exposição aos animais infectados que conferia imunidade a elas... (1° parágrafo)
•  Com isso, aumenta a hesitação vacinal... (2° parágrafo)
Reescreve-se em conformidade com a norma-padrão a oração destacada do 1° parágrafo e indica-se a correta referência do pronome destacado do 2° parágrafo, respectivamente, em:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: A passagem “que conferia imunidade a elas” e a retomada resumitiva em “Com isso” exigem considerar conjuntamente a regência, a próclise após “que” e a referência textual; esses critérios apontam para a alternativa A.

Tema central: Emprego pronominal e referência textual
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A preserva a função sintática de “a elas”: na construção “conferir algo a alguém”, quem recebe a imunidade é expresso pelo objeto indireto, retomado por “lhes”, inclusive quando o referente é feminino. O pronome fica antes do verbo por atração de “que”. Na segunda passagem, “o desserviço à população” sintetiza a atuação prejudicial dos movimentos antivacina, retomada por “isso” como fator de aumento da hesitação vacinal.
B
Errada
Embora escolha corretamente “lhes”, emprega ênclise em “que conferia-lhes”, contrariando a próclise exigida por “que”. Também erra a referência de “isso”: o texto afirma que os movimentos prestam um desserviço “Em vez de incentivar a prevenção de doenças”; portanto, o incentivo não é a atuação retomada.
C
Errada
“As” não pode substituir o objeto indireto “a elas” nessa construção; a forma adequada é “lhes”. A disseminação de boatos tem relação causal com a hesitação vacinal, mas a retomada resumitiva mais imediata de “isso” recai sobre a atuação apresentada no período anterior como desserviço à população.
D
Errada
Há dois erros na reescrita: “as” é inadequado para o objeto indireto e a posição após o verbo desrespeita a próclise exigida por “que”. Além disso, os esforços globais são contrariados pelos movimentos antivacina, não apresentados como responsáveis pelo aumento da hesitação vacinal.
E
Errada
“Conferia-las” usa pronome inadequado ao objeto indireto e desrespeita a próclise. A variante “las” também é indevida: sua formação após o verbo pressuporia terminação em -r, -s ou -z, ausente em “conferia”. Quanto à referência textual, a segurança das vacinas é aquilo que os boatos põem em dúvida, não a atuação prejudicial resumida por “isso”.
Pegadinha da questão
A questão combina três verificações: não basta escolher o pronome pelo feminino plural do referente, pois é a função de objeto indireto que exige “lhes”; não basta escolher “lhes”, pois “que” exige sua anteposição ao verbo; e não basta localizar uma expressão próxima de “isso”, pois o demonstrativo resume uma situação anterior.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de substituir um complemento por pronome, identifique sua função: em “conferir algo a alguém”, o destinatário é objeto indireto e pode ser retomado por “lhe” ou “lhes”.
  • Verifique separadamente a forma e a posição do pronome: nesta construção, “que” determina a próclise.
  • Para identificar o referente de “isso”, recupere a situação resumida e confira sua relação de sentido com a oração seguinte, sem escolher apenas pela proximidade das palavras.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Gabarito: A

PARTE 1:

"era a exposição aos animais infectados que conferia imunidade a elas" -> "que lhes conferia imunidade".

  • "elas" refere-se a "mulheres"
  • "lhes" e pronome obliquo adequado p/ substituir "a elas" (obj. indireto)
  • o verbo CONFERIR exige preposição. ex: conferir algo a alguém

sendo assim, houve a substituição correta por um pronome, mantendo a regência.

PARTE 2:

"com isso, aumenta a hesitação vacinal". "isso" refere-se a; "desserviço à população", pois no periodo anterior temos "movimentos antivacina ...] prestam um desserviço à população".

Portanto:

  • “isso” retoma essa ideia anterior (o desserviço causado pelos movimentos antivacina)
  • Esse desserviço -> leva ao aumento da hesitação vacinal

Vamos lá:

B, D e E estão erradas pois o "que" está obrigando PRÓCLISE.

Lhe: Quando for VTI.

Os; As: Quando for VTD.

"Conferia imunidade a elas" é Bitransitivo (Direto e indireto).

Conferia imunidade - Transitivo Direto

a elas - Transitivo Indireto

Então o correto é "lhes" pois substitui "a elas".

Gabarito A.

Não desistam! A dor é passageira, mas a glória é eterna.

1ª parte (reescrita):

“…que conferia imunidade a elas” → substituindo “a elas” por pronome oblíquo:

✔️ “que lhes conferia imunidade” (correto: verbo conferir rege objeto indireto → “a alguém” → lhes)

2ª parte (referência de “isso”):

“Com isso” retoma a ideia anterior:

→ a disseminação de boatos e teorias conspiratórias (que levam à hesitação vacinal)

Resposta correta: A

Essa estava difícil, apesar de ter acertado.

Revisar

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo