Questões de Concurso
Sobre locução verbal em português
Foram encontradas 453 questões
Considere o texto seguinte para responder a questão.
Texto
Tem uma porção de maneiras estúpidas de uma criança morrer. Por exemplo descer uma escada segurando um pote de vidro em cada mão e escorregar e cortar os dois pulsos. De todo jeito a morte sempre foi uma coisa barulhenta, a criança com os pulsos rasgados vai gritar caída na escada e esse grito vai ficar ali meio vibrando até a mãe entrar dez minutos tarde demais, e a mãe vai viver pra sempre imaginando aquele grito que ela não ouviu. A morte é uma coisa que avisa, que arma um escândalo na rua, no bar, que apita no hospital, que telefona na casa de todos os parentes, e eles saem correndo como se agora adiantasse, a morte para mim era assim.
Mas daí esse ano eu descobri que a morte pode ser silenciosa, muito mesmo. E tóxica. É possível morrer velho e quieto dentro da própria casa deitado na cama sem tempo de gritar, e dessa morte não sai um aviso, um apito imediato, não, as coisas fora da morte continuam iguais, e essa morte quieta pode ficar três, quatro dias tomando liberdade, contaminando as coisas que vão morrendo junto, o colchão, a cama, o piso de madeira, começa a vazar um sangue que não é mais necessário, e vai crescendo um cheiro que nenhum humano vivo consegue suportar, só os mortos.
E quando enfim a família descobre eles fogem batendo a porta do apartamento e gritam o grito que o morto não deu, e tudo é muito pior porque elas descobrem que deixaram o morto sozinho três ou quatro dias, tão sozinho que não tinha nem ele mesmo. Uma solidão morta, tão horrorosa que vai tomando conta da casa inteira e quando finalmente alguém descobre você já está metade consumido de solidão.
[...]
Daí que de tempos em tempos eu me lembro disso, de que eu posso morrer a qualquer tempo e tudo acabar, então eu presto muita atenção na minha respiração, puxo o ar bem devagar e fundo, depois seguro um tempo, e observo o ar sair, e se isso está ocorrendo direito e dentro dos meus comandos, é porque a morte não está aqui, se ela estivesse eu puxaria o ar e ele não viria, ou sairia depressa antes que eu mandasse, ou não encheria direito o meu pulmão, ou não subiria até minha cabeça.
(CARRARA, Mariana Salomão. Se Deus me chamar não vou. São Paulo:
Editora Nós, 2019, p.71-73)
Morfologicamente, o termo destacado, nesta frase, trata-se de:
Leia o texto a seguir:
Cientistas encontram fóssil de rinoceronte de 32 mil anos intacto
Baixas temperaturas teriam conservado a pele e os pelos do
animal; espécie foi encontrada em região da Sibéria
Um grupo de pesquisadores desenterrou um fóssil de uma espécie pré-histórica de rinoceronte na região russa da Sibéria. O corpo do rinoceronte-lanoso (Coelodonta antiquitatis), segundo as análises, data de aproximadamente 32 mil anos atrás, no entanto, as baixas temperaturas podem ter ajudado a preservar o animal praticamente intacto por todos esses anos.
O animal, apelidado de “rinoceronte de Abyisky”, teria vivido de quatro a cinco anos, um jovem-adulto para a espécie. Ele foi encontrado em uma região de permafrost, onde o solo permanece congelado durante todo o ano, em 2020, mas as novas descobertas só foram divulgadas recentemente em artigo publicado na revista científica Doklady Earth Sciences.
Outros exemplares de rinocerontes-lanosos já haviam sido identificados na Sibéria, mas nunca tão bem preservados. O fóssil permaneceu tão intacto que até parte da pele e dos pelos do animal podem ser observados. "Esta é uma descoberta verdadeiramente única que nos permitirá estudar mais profundamente a história da região, sua fauna antiga, clima e condições geológicas”, destacou Anatoly Nikolaev, reitora da Universidade Federal do Nordeste (NEFU), universidade russa para onde o exemplar foi doado.
O rinoceronte-lanoso foi um animal herbívoro que surgiu por volta de 3,6 milhões de anos atrás habitou a região até por volta de 11.700 anos atrás. A extinção do animal teria acontecido por conta do aumento da temperatura terrestre.
Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/ciencia-e-saude/2024/10/6956310-cientistas-encontram-fossil-de-rinoceronte-de-32-mil-anos-intacto.html. Acesso em 15 out. 2024.
Canção para os fonemas da alegria
Thiago de Mello
Peço licença para algumas coisas.
Primeiramente para desfraldar
este canto de amor publicamente.
Sucede que só sei dizer amor
quando reparto o ramo azul de estrelas
que em meu peito floresce de menino.
Peço licença para soletrar,
no alfabeto do sol pernambucano,
a palavra ti-jo-lo, por exemplo,
e poder ver que dentro dela vivem
paredes, aconchegos e janelas,
e descobrir que todos os fonemas
são mágicos sinais que vão se abrindo
constelação de girassóis gerando
em círculos de amor que de repente
estalam como flor no chão da casa.
Às vezes nem há casa: é só o chão.
Mas sobre o chão quem reina agora é um homem
diferente, que acaba de nascer:
porque unindo pedaços de palavras
aos poucos vai unindo argila e orvalho,
tristeza e pão, cambão e beija-flor,
e acaba por unir
a própria vida no seu peito partida e repartida
quando afinal descobre num clarão
que o mundo é seu também, que o seu trabalho
não é a pena que paga por ser homem,
mas um modo de amar — e de ajudar
o mundo a ser melhor. Peço licença
para avisar que, ao gosto de Jesus,
este homem renascido é um homem novo:
ele atravessa os campos espalhando
a boa-nova, e chama os companheiros
a pelejar no limpo, fronte a fronte,
contra o bicho de quatrocentos anos,
mas cujo fel espesso não resiste
a quarenta horas de total ternura.
Peço licença para terminar
soletrando a canção de rebeldia
que existe nos fonemas da alegria:
canção de amor geral que eu vi crescer
nos olhos do homem que aprendeu a ler.
Thiago de Mello. Faz escuro mas eu canto. São Paulo: Global Editora, 2017.
A diferença de sentido entre a expressão “acaba por unir” (primeiro verso da oitava estrofe), a forma verbal “unindo” (primeiro verso da sétima estrofe) e a locução “vai unindo” (segundo verso da sétima estrofe) está relacionada ao tempo e ao modo verbais.
Leia o texto apresentado para responder a questão a seguir:

O texto a seguir deve ser lido com atenção para responder à questão.
Conheça a história da educação para relações étnico-raciais no Brasil
O Ministério da Educação (MEC) tem promovido ações e programas educacionais voltados para a superação das desigualdades étnico-raciais, com o intuito de avançar significativamente na construção de uma educação mais inclusiva e plural. Nesse sentido, a Pasta lançou, em 2024, a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq).
Coordenada pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), a política tem, entre suas metas, a formação de profissionais da educação para gestão e docência em educação para as relações étnico-raciais (Erer) e em educação escolar quilombola (EEQ). Assim, o MEC investirá, até 2027, R$ 2 bilhões para formação de 215 mil gestores e professores em todo o país.
Outra meta da política é o reconhecimento de avanços institucionais de práticas educacionais antirracistas. Além disso, a política busca consolidar a EEQ com a implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola, instituídas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) por meio da Resolução nº 8/2012.
De acordo com a secretária da Secadi, Zara Figueiredo, a Pneerq surgiu em meio a desafios para a concretização da Erer e da EEQ na prática. Entre as dificuldades enfrentadas, estava a ausência de monitoramento da implementação da Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana no currículo das escolas de educação básica. Mais tarde, essa legislação foi modificada pela Lei nº 11.645/2008, que incluiu o ensino da história e cultura indígena na obrigatoriedade. Por isso, a primeira ação da Política Nacional de Equidade foi realizar um levantamento das ações para o cumprimento dessas leis entre as redes de ensino de todo o país.
Além disso, a política visa abordar o baixo número de docentes com formação voltada à gestão escolar para a Erer e a EEQ; a ausência de ações oficiais para a prevenção e o enfrentamento de ações racistas na escola e nas universidades; a elevada desigualdade no percurso de estudantes da educação básica; a baixa implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Escolar Quilombola; e a inadequada estrutura física e pedagógica nas escolas quilombolas, entre outras problemáticas.
"No que toca aos avanços e aos desafios após 20 anos de promulgação da Lei nº 10.639/2003, a Pneerq objetiva implementar ações e programas voltados à superação das desigualdades étnico-raciais e do racismo na educação brasileira e à promoção da política educacional para a população quilombola", explicou a secretária da Secadi.
Fonte: https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2024/novembro/conheca-a-historia-da-educacao-para-relacoes-etnico-raciais-no-brasil (adaptado).
Leia o texto a seguir para responder a questão.
Seu Afredo
Seu Afredo (ele sempre subtraía o “l” do nome, ao se apresentar com uma ligeira curvatura: “Afredo Paiva, um seu criado...”) tornou-se inesquecível à minha infância porque tratava-se muito mais de um linguista que de um encerador. Como encerador, não ia muito lá das pernas. Lembro-me que, sempre depois de seu trabalho, minha mãe ficava passeando pela sala com uma flanelinha debaixo de cada pé, para melhorar o lustro. Mas, como linguista, cultor do vernáculo e aplicador de sutilezas gramaticais, seu Afredo estava sozinho.
Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespeitador, mas em quem a preocupação linguística perturbava às vezes a colocação pronominal. Um dia, numa fila de ônibus, minha mãe ficou ligeiramente ressabiada quando seu Afredo, casualmente de passagem, parou junto a ela e perguntou-lhe à queima-roupa, na segunda do singular:
– Onde vais assim tão elegante?
Nós lhe dávamos uma bruta corda. Ele falava horas a fio, no ritmo do trabalho, fazendo os mais deliciosos pedantismos que já me foi dado ouvir. Uma vez, minha mãe, em meio à lide caseira, queixou-se do fatigante ramerrão do trabalho doméstico. Seu Afredo virou-se para ela e disse:
– Dona Lídia, o que a senhora precisa fazer é ir a um médico e tomar a sua quilometragem. Diz que é muito bão.
De outra feita, minha tia Graziela, recémchegada de fora, cantarolava ao piano enquanto seu Afredo, acocorado perto dela, esfregava cera no soalho. Seu Afredo nunca tinha visto minha tia mais gorda. Pois bem: chegou-se a ela e perguntou-lhe:
– Cantas?
Minha tia, meio surpresa, respondeu com um riso amarelo:
– É, canto às vezes, de brincadeira…
Mas, um tanto formalizada, foi queixar-se a minha mãe, que lhe explicou o temperamento do nosso encerador:
– Não, ele é assim mesmo. Isso não é falta de respeito, não. É excesso de... gramática.
Conta ela que seu Afredo, mal viu minha tia sair, chegou-se a ela com ar disfarçado e falou:
– Olhe aqui, dona Lídia, não leve a mal, mas essa menina, sua irmã, se ela pensa que pode cantar no rádio com essa voz, tá redondamente enganada. Nem em programa de calouro!
E, a seguir, ponderou:
– Agora, piano é diferente. Pianista ela é! E acrescentou:
– Eximinista pianista!
MORAES, V. Seu Afredo. In: Para uma menina com uma flor. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 65-66.

Com base na estrutura e no vocabulário empregados no texto, julgue o item a seguir.
A locução “ou seja” (linha 10) conecta, no texto, uma expressão a seu significado.

Com base na estrutura linguística e no vocabulário empregados no texto, julgue o item a seguir.
A locução verbal “deixava de ficar” (linha 39) poderia ser substituída, com manutenção da coerência e da correção gramatical do texto, por ficou.
Em locuções verbais, ou seja, quando acompanhados de verbo auxiliar, os verbos HAVER e FAZER transmitem impessoalidade ao verbo auxiliar, que deve ficar no singular, como em: "Vai fazer dois meses que não chove".
O pavão, Rubem Braga

Guerra que a Rússia é acusada de usar na Ucrânia

A respeito do texto, julgue o item seguinte.
Na linha 24, “foi amplamente utilizada” funciona
como uma locução verbal de voz passiva.
Mudanças climáticas e negacionismo
Por Gonçalo Ferraz

(Disponível em: piaui.folha.uol.com.br/artigo-codigo-ambiental-eduardo-leite-roda-viva/ – texto adaptado
especialmente para esta prova).


A locução verbal “vai ter” (linha 33) poderia ser substituída no texto, mantendo‑se a coerência e a correção gramatical, por terá ou tem.
TEXTO 1
Temperaturas decadais extremas e média em São Bento do Una
São Bento do Una localiza-se na mesorregião Agreste e na microrregião do Vale do Ipojuca no Estado de Pernambuco, limitando-se a norte com Belo Jardim, a sul com Jucati, Jupi e Lajedo, a leste com Cachoeirinha, e a oeste com Capoeiras, Sanharó e Pesqueira. A área municipal representa 0.72% do Estado de Pernambuco. Com população ‘estimada de 58.251 habitantes e com densidade demográfica de 74,03 hab/km², São Bento do Una está inserido na unidade geoambiental do Planalto da Borborema, formada por maciços e outeiros altos, com altitude variando entre 650 e 1.000 metros. Ocupa uma área de arco que se estende do sul de Alagoas até o Rio Grande do Norte. O relevo é geralmente movimentado, com vales profundos e estreitos dissecados. Com respeito à fertilidade dos solos é bastante variada, com certa predominância de média para alta. A área da unidade é recortada por rios perenes, porém de pequena vazão e o potencial de água subterrânea é baixo. A vegetação desta unidade é formada por Florestas Subcaducifólica e Caducifólica, próprias das áreas agrestes. São Bento do Una tem o clima Tropical Chuvoso, com verão seco, a quadra chuvosa se inicia em fevereiro com chuvas de pré-estação (chuvosa de pré-estação são as que ocorrem antes da quadra chuvosa) com seu término ocorrendo no final do mês de agosto e podendo se prolongar até a primeira quinzena de setembro. O trimestre chuvoso centra-se nos meses de maio, junho e julho e os seus meses secos ocorrem entre outubro, novembro e dezembro. Os fatores provocadores de chuvas no município são a contribuição da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), formação dos vórtices ciclônicos de altos níveis (VCAS), contribuição dos ventos alísios de nordeste no transporte de vapor e umidade, os quais condensam e formam nuvens, provocando chuvas de moderadas a fortes intensidades (MEDEIROS, 2016).
Disponível em: https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/751/621. Acesso em: 11 out. 2023. (adaptado)
Com base no texto “Temperaturas decadais extremas e média em São Bento do Una”, analise as afirmativas a seguir:
I. Em: “São Bento do Una tem o clima Tropical Chuvoso, com verão seco, a quadra chuvosa se inicia em fevereiro com chuvas de pré-estação (chuvosa de pré-estação são as que ocorrem antes da quadra chuvosa)”, os verbos “tem”e “ocorrem” estão empregados no presente do modo indicativo, indicando que as ações aconteceram no passado e continuarão acontecendo no futuro.
II. Em: “São Bento do Una está inserido na unidade geoambiental do Planalto da Borborema”, os termos “está inserido” é uma locução verbal, cujos verbos principal e auxiliar são, respectivamente, “inserido” e “está”.
Marque a alternativa correta: