Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3746650 Português
TEXTO 1 


A Corrida Contra o Tempo: Reflexões sobre a
Pressa no Mundo Moderno


A correria do dia a dia é uma constante que todos conhecemos bem. Vivemos em um tempo em que a aceleração parece ser a única resposta para a demanda incessante de produtividade e resultados rápidos. Nos arrastamos de um compromisso para o outro, com os olhos sempre fixos no relógio, como se cada segundo perdido fosse um fracasso.

É interessante observar como, em meio a essa pressa generalizada, a sensação de que estamos ficando para trás cresce. Estamos sempre correndo, mas não temos a certeza de que estamos indo para o lugar certo. O mercado exige de nós que sejamos rápidos, que respondamos instantaneamente aos e-mails, que estejamos disponíveis o tempo todo, que não perca o bonde da história. “Aproveite o tempo”, nos dizem, como se fosse uma mercadoria que pode ser estocada e negociada. Mas, na prática, será que conseguimos aproveitar o tempo ou estamos apenas tentando sobreviver à velocidade do mundo em que nos inserimos?

Na sociedade digital, o tempo parece se comprimir. Tudo se torna urgente: uma atualização de status, uma notificação no celular, a chegada de uma nova mensagem. A rapidez virou sinônimo de eficiência, e as pausas, um luxo quase proibido. Quando foi que começamos a valorizar tanto o “fazer” em detrimento do “viver”?

A tecnologia tem sido Ao mesmo tempo em conexão instantânea e um motor dessa aceleração. que nos proporciona uma e facilita muitas tarefas, ela também nos priva da capacidade de desacelerar, de refletir, de saborear o momento presente. Quem se lembra de quando um encontro entre amigos podia ser uma conversa longa, sem pressa de terminar? Ou de quando um livro podia ser lido sem olhar o relógio a cada capítulo?

Claro, não podemos ignorar o fato de que a pressa é, muitas vezes, necessária. Em um mundo globalizado, as demandas são muitas e exigem respostas rápidas. O trabalho, a vida social, as responsabilidades familiares—tudo exige a nossa atenção simultaneamente. No entanto, é válido questionar até que ponto essa pressa não tem afetado nossa saúde mental, nossa capacidade de conexão genuína e, principalmente, a nossa qualidade de vida. 

Olhando para o futuro, talvez seja hora de repensarmos nossa relação com o tempo. Não estou falando de resistir às mudanças tecnológicas ou de abandonar a busca por eficiência, mas de redescobrir o valor do tempo bem vivido, não apenas consumido. Afinal, a vida não se resume à quantidade de coisas que conseguimos fazer em um dia, mas à qualidade das experiências que conseguimos vivenciar.

Em algum momento, precisamos encontrar o equilíbrio. Talvez seja hora de desacelerar um pouco e dar espaço para aquilo que realmente importa—o tempo para respirar, para conversar, para olhar ao redor e perceber o que o presente tem a nos oferecer. Porque, no final das contas, não é a pressa que define o valor da nossa vida, mas a forma como escolhemos viver o tempo que nos é dado.


Por Rafaella Alves Rodrigues. Portal labnoticias.jor.br (online), 2024

 
No trecho do texto 1: “A tecnologia tem sido um motor dessa aceleração, pois proporciona conexão instantânea e facilita muitas tarefas.”
O conectivo “pois” expressa uma relação de:
Alternativas
Q3746649 Português
TEXTO 1 


A Corrida Contra o Tempo: Reflexões sobre a
Pressa no Mundo Moderno


A correria do dia a dia é uma constante que todos conhecemos bem. Vivemos em um tempo em que a aceleração parece ser a única resposta para a demanda incessante de produtividade e resultados rápidos. Nos arrastamos de um compromisso para o outro, com os olhos sempre fixos no relógio, como se cada segundo perdido fosse um fracasso.

É interessante observar como, em meio a essa pressa generalizada, a sensação de que estamos ficando para trás cresce. Estamos sempre correndo, mas não temos a certeza de que estamos indo para o lugar certo. O mercado exige de nós que sejamos rápidos, que respondamos instantaneamente aos e-mails, que estejamos disponíveis o tempo todo, que não perca o bonde da história. “Aproveite o tempo”, nos dizem, como se fosse uma mercadoria que pode ser estocada e negociada. Mas, na prática, será que conseguimos aproveitar o tempo ou estamos apenas tentando sobreviver à velocidade do mundo em que nos inserimos?

Na sociedade digital, o tempo parece se comprimir. Tudo se torna urgente: uma atualização de status, uma notificação no celular, a chegada de uma nova mensagem. A rapidez virou sinônimo de eficiência, e as pausas, um luxo quase proibido. Quando foi que começamos a valorizar tanto o “fazer” em detrimento do “viver”?

A tecnologia tem sido Ao mesmo tempo em conexão instantânea e um motor dessa aceleração. que nos proporciona uma e facilita muitas tarefas, ela também nos priva da capacidade de desacelerar, de refletir, de saborear o momento presente. Quem se lembra de quando um encontro entre amigos podia ser uma conversa longa, sem pressa de terminar? Ou de quando um livro podia ser lido sem olhar o relógio a cada capítulo?

Claro, não podemos ignorar o fato de que a pressa é, muitas vezes, necessária. Em um mundo globalizado, as demandas são muitas e exigem respostas rápidas. O trabalho, a vida social, as responsabilidades familiares—tudo exige a nossa atenção simultaneamente. No entanto, é válido questionar até que ponto essa pressa não tem afetado nossa saúde mental, nossa capacidade de conexão genuína e, principalmente, a nossa qualidade de vida. 

Olhando para o futuro, talvez seja hora de repensarmos nossa relação com o tempo. Não estou falando de resistir às mudanças tecnológicas ou de abandonar a busca por eficiência, mas de redescobrir o valor do tempo bem vivido, não apenas consumido. Afinal, a vida não se resume à quantidade de coisas que conseguimos fazer em um dia, mas à qualidade das experiências que conseguimos vivenciar.

Em algum momento, precisamos encontrar o equilíbrio. Talvez seja hora de desacelerar um pouco e dar espaço para aquilo que realmente importa—o tempo para respirar, para conversar, para olhar ao redor e perceber o que o presente tem a nos oferecer. Porque, no final das contas, não é a pressa que define o valor da nossa vida, mas a forma como escolhemos viver o tempo que nos é dado.


Por Rafaella Alves Rodrigues. Portal labnoticias.jor.br (online), 2024

 
Segundo o Texto 1, a sensação de “estar sempre ficando para trás” ocorre porque: 
Alternativas
Q3746616 Português

Como as mídias sociais influenciam na saúde mental?


    Os problemas de saúde mentais e comportamentais são caracterizados por alterações de pensamento, comportamento ou humor, em associação à angústia ou deterioração do funcionamento psíquico global. Esses problemas são decorrentes de aspectos biológicos associados a fatores culturais e muito influenciados pela sociedade, podendo ser intensificados por uma predisposição do indivíduo. Os transtornos mentais, especialmente a ansiedade e a depressão, constituem uma das principais causas de morbidade na sociedade atual, comprometendo as atividades cotidianas do indivíduo, especialmente os relacionamentos sociais. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 350 milhões de pessoas no mundo vivem com depressão. A Pesquisa Nacional de Saúde de 2013 apresentou prevalência de depressão em 7,6% (IC95% 1,2-8,1) da população adulta brasileira. Tais números tornaram a saúde mental uma prioridade de saúde pública.

    O uso de mídias sociais, como Instagram, Facebook, Twitter e YouTube, é um hábito relativamente recente, de modo que ainda tenta-se compreender os efeitos desta nova forma de interação social em diferentes populações. O aumento no tempo dispensado utilizando as redes sociais relaciona-se ao sentimento de isolamento do mundo real, o que pode contribuir para o desenvolvimento de transtornos mentais. De acordo com o IBGE, 70% da população brasileira tem acesso à internet, além disso, o Brasil é o segundo país que mais ocupa tempo por dia na internet, estando on-line em média 9 horas e 29 minutos por dia, sendo que 40% (3 horas e 34 minutos) deste tempo é utilizado em mídias sociais.

    O tipo de conteúdo publicado e consumido pelos usuários é ainda mais impactante na saúde mental. Sabe-se que muitas publicações reforçam o narcisismo, os padrões de vida, de consumo e o status, de forma que têm contribuído com o aumento na prevalência de vários transtornos psiquiátricos, incluindo sintomas depressivos, ansiedade e baixa autoestima.

    Os problemas de saúde mental são preocupações cada vez mais frequentes na sociedade, em parte pela utilização inadequada (frequência de utilização e conteúdo consumido) da internet e mídias sociais. Sendo assim, muitas estratégias podem ser adotadas para melhorar este quadro, uma delas é a participação intensiva de instituições e grupos de pesquisa nas mídias sociais por meio de divulgação de conteúdos de qualidade e que promovam o bem-estar social.



(PEREIRA, Leonardo Régis Leira, et al. Como as mídias sociais influenciam na saúde mental? Disponível em:https://pepsic.bvsalud.org/scielo. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)

Embora o emprego de figuras de linguagem não seja predominante no tipo de texto apresentado, é possível reconhecer uma relação de ordem qualitativa em que há o emprego, metonimicamente, de uma palavra por outra em:
Alternativas
Q3746498 Português
Gramática com sabor: “vende frango-se” e uma possível representação das passivas sintéticas no português popular

    Entre placas de mercados e anúncios improvisados, as frases “vende frango-se” e “forra banco-se” surgem como exemplos fascinantes de como a linguagem pode se adaptar às necessidades práticas do cotidiano. O deslocamento do “-se” para depois do sujeito paciente, embora desafie as regras da gramática padrão, cumpre com a missão essencial da linguagem: comunicar. Mas o que essa inversão revela? Mais do que um simples “erro gramatical”, essa construção é, na verdade, um reflexo de criatividade linguística e funcionalidade.
    Na gramática normativa, a partícula “-se” deve estar diretamente conectada ao verbo, como em “vende-se frango”. Essa configuração caracteriza a voz passiva sintética no português, em que o verbo e o pronome (no caso, “vende-se”) formam uma unidade gramatical que expressa uma ação sem agente explícito – na qual o sujeito (no exemplo, “frango”) é, semanticamente, paciente da ação. Na construção “vende frango-se”, essa unidade é rompida, com o sujeito paciente, “frango”, deslocado para uma posição imediatamente após o verbo.
    Esse deslocamento serve a uma função pragmática clara: prioriza o elemento a ser vendido como central da mensagem, conferindo-lhe maior visibilidade e destaque. A estrutura é particularmente eficaz em contextos informais, como anúncios de venda, em que a clareza e a rapidez da comunicação são essenciais. Apesar de se afastar da norma tradicional, a frase mantém a impessoalidade característica da voz passiva por meio da partícula “-se”, que continua a desempenhar sua função gramatical.
     Embora a construção seja funcional no contexto específico, é importante observar que ela representa uma adaptação que rompe com a sequência esperada da voz passiva sintética. Essa inversão é atípica em registros formais e compromete sua aceitabilidade, em que a ordem normativa “verbo-se” auxilia na decodificação mais sistemática da mensagem. No entanto, em cartazes informais, essa inversão emergente cumpre sua função comunicativa ao destacar o elemento de maior interesse: o produto ou serviço oferecido.
    Portanto, a frase “vende frango-se” demonstra como a organização sintática pode ser ajustada para atender a demandas pragmáticas específicas, sem comprometer a funcionalidade ou a clareza, desde que o contexto seja apropriado. Trata-se de um exemplo de como o uso da língua pode flexibilizar-se para alcançar objetivos comunicativos específicos, ainda que se afaste da norma-padrão.
     Por trás dessa inversão está uma questão ainda mais interessante: a voz passiva sintética, usada em “vende-se frango”, pode não ser uma estrutura produtiva na língua falada. Longe dos anúncios comerciais (“aluga-se”, “compra-se” etc.), ela soa artificial, distante, e tende a ser substituída na fala cotidiana por formas mais naturais aos falantes de português brasileiro, como “vende frango aqui” ou até “tem frango pra vender”. Essa preferência por construções diretas pode explicar por que, em contextos informais de escrita, o uso da norma-padrão se desdobra em adaptações criativas.
    A dificuldade em internalizar a passiva sintética na fala pode ser um dos motivos pelos quais sua aplicação na escrita informal é frequentemente ajustada. Nesse caso, “vende frango-se” não seria um “erro”, mas uma adaptação da língua às formas mais intuitivas e funcionais de comunicação. Isso sugere que a variante culta pode estar perdendo vitalidade em contextos práticos, afinal, a norma não é um objetivo em si mesma, mas um conjunto de ferramentas que, aqui, cede espaço à criatividade.
     A norma gramatical pode até ser uma estrada asfaltada, mas a língua popular prefere pegar atalhos. Enquanto as regras tradicionalistas insistem na “correção”, a fala das ruas faz o que precisa ser feito: comunica-se, funciona e segue em frente.
    No fim das contas, “vende frango-se” é mais do que uma frase curiosa ou um exemplo de gramática alternativa. É uma celebração da língua como um organismo vivo, flexível e profundamente humano. Ao desafiar a norma-padrão, ela nos convida a repensar o que é considerado “certo” ou “errado” na linguagem e a reconhecer que as regras existem para servir à comunicação, e não o contrário.
    Entre o rigor da gramática e a simplicidade das placas improvisadas, fica claro que a criatividade é o que mantém a língua vibrante. O frango vendido na esquina e a estrutura que o anuncia são, juntos, um lembrete de que a verdadeira riqueza linguística está na diversidade – e que a norma é apenas uma das muitas possibilidades da linguagem. 

(Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/gramatica. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Há passagens do texto que apresentam linguagem conotativa ou metafórica. Assinale a alternativa em que isso NÃO ocorre.
Alternativas
Q3746497 Português
Gramática com sabor: “vende frango-se” e uma possível representação das passivas sintéticas no português popular

    Entre placas de mercados e anúncios improvisados, as frases “vende frango-se” e “forra banco-se” surgem como exemplos fascinantes de como a linguagem pode se adaptar às necessidades práticas do cotidiano. O deslocamento do “-se” para depois do sujeito paciente, embora desafie as regras da gramática padrão, cumpre com a missão essencial da linguagem: comunicar. Mas o que essa inversão revela? Mais do que um simples “erro gramatical”, essa construção é, na verdade, um reflexo de criatividade linguística e funcionalidade.
    Na gramática normativa, a partícula “-se” deve estar diretamente conectada ao verbo, como em “vende-se frango”. Essa configuração caracteriza a voz passiva sintética no português, em que o verbo e o pronome (no caso, “vende-se”) formam uma unidade gramatical que expressa uma ação sem agente explícito – na qual o sujeito (no exemplo, “frango”) é, semanticamente, paciente da ação. Na construção “vende frango-se”, essa unidade é rompida, com o sujeito paciente, “frango”, deslocado para uma posição imediatamente após o verbo.
    Esse deslocamento serve a uma função pragmática clara: prioriza o elemento a ser vendido como central da mensagem, conferindo-lhe maior visibilidade e destaque. A estrutura é particularmente eficaz em contextos informais, como anúncios de venda, em que a clareza e a rapidez da comunicação são essenciais. Apesar de se afastar da norma tradicional, a frase mantém a impessoalidade característica da voz passiva por meio da partícula “-se”, que continua a desempenhar sua função gramatical.
     Embora a construção seja funcional no contexto específico, é importante observar que ela representa uma adaptação que rompe com a sequência esperada da voz passiva sintética. Essa inversão é atípica em registros formais e compromete sua aceitabilidade, em que a ordem normativa “verbo-se” auxilia na decodificação mais sistemática da mensagem. No entanto, em cartazes informais, essa inversão emergente cumpre sua função comunicativa ao destacar o elemento de maior interesse: o produto ou serviço oferecido.
    Portanto, a frase “vende frango-se” demonstra como a organização sintática pode ser ajustada para atender a demandas pragmáticas específicas, sem comprometer a funcionalidade ou a clareza, desde que o contexto seja apropriado. Trata-se de um exemplo de como o uso da língua pode flexibilizar-se para alcançar objetivos comunicativos específicos, ainda que se afaste da norma-padrão.
     Por trás dessa inversão está uma questão ainda mais interessante: a voz passiva sintética, usada em “vende-se frango”, pode não ser uma estrutura produtiva na língua falada. Longe dos anúncios comerciais (“aluga-se”, “compra-se” etc.), ela soa artificial, distante, e tende a ser substituída na fala cotidiana por formas mais naturais aos falantes de português brasileiro, como “vende frango aqui” ou até “tem frango pra vender”. Essa preferência por construções diretas pode explicar por que, em contextos informais de escrita, o uso da norma-padrão se desdobra em adaptações criativas.
    A dificuldade em internalizar a passiva sintética na fala pode ser um dos motivos pelos quais sua aplicação na escrita informal é frequentemente ajustada. Nesse caso, “vende frango-se” não seria um “erro”, mas uma adaptação da língua às formas mais intuitivas e funcionais de comunicação. Isso sugere que a variante culta pode estar perdendo vitalidade em contextos práticos, afinal, a norma não é um objetivo em si mesma, mas um conjunto de ferramentas que, aqui, cede espaço à criatividade.
     A norma gramatical pode até ser uma estrada asfaltada, mas a língua popular prefere pegar atalhos. Enquanto as regras tradicionalistas insistem na “correção”, a fala das ruas faz o que precisa ser feito: comunica-se, funciona e segue em frente.
    No fim das contas, “vende frango-se” é mais do que uma frase curiosa ou um exemplo de gramática alternativa. É uma celebração da língua como um organismo vivo, flexível e profundamente humano. Ao desafiar a norma-padrão, ela nos convida a repensar o que é considerado “certo” ou “errado” na linguagem e a reconhecer que as regras existem para servir à comunicação, e não o contrário.
    Entre o rigor da gramática e a simplicidade das placas improvisadas, fica claro que a criatividade é o que mantém a língua vibrante. O frango vendido na esquina e a estrutura que o anuncia são, juntos, um lembrete de que a verdadeira riqueza linguística está na diversidade – e que a norma é apenas uma das muitas possibilidades da linguagem. 

(Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/gramatica. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Os advérbios podem ser utilizados como modalizadores discursivos, isto é, servem para indicar a atitude do falante em relação ao conteúdo de sua mensagem. Considerando os advérbios destacados nas passagens a seguir, assinale aquele que expressa a avaliação do enunciador sobre seus próprios posicionamentos no texto. 
Alternativas
Q3746495 Português
Gramática com sabor: “vende frango-se” e uma possível representação das passivas sintéticas no português popular

    Entre placas de mercados e anúncios improvisados, as frases “vende frango-se” e “forra banco-se” surgem como exemplos fascinantes de como a linguagem pode se adaptar às necessidades práticas do cotidiano. O deslocamento do “-se” para depois do sujeito paciente, embora desafie as regras da gramática padrão, cumpre com a missão essencial da linguagem: comunicar. Mas o que essa inversão revela? Mais do que um simples “erro gramatical”, essa construção é, na verdade, um reflexo de criatividade linguística e funcionalidade.
    Na gramática normativa, a partícula “-se” deve estar diretamente conectada ao verbo, como em “vende-se frango”. Essa configuração caracteriza a voz passiva sintética no português, em que o verbo e o pronome (no caso, “vende-se”) formam uma unidade gramatical que expressa uma ação sem agente explícito – na qual o sujeito (no exemplo, “frango”) é, semanticamente, paciente da ação. Na construção “vende frango-se”, essa unidade é rompida, com o sujeito paciente, “frango”, deslocado para uma posição imediatamente após o verbo.
    Esse deslocamento serve a uma função pragmática clara: prioriza o elemento a ser vendido como central da mensagem, conferindo-lhe maior visibilidade e destaque. A estrutura é particularmente eficaz em contextos informais, como anúncios de venda, em que a clareza e a rapidez da comunicação são essenciais. Apesar de se afastar da norma tradicional, a frase mantém a impessoalidade característica da voz passiva por meio da partícula “-se”, que continua a desempenhar sua função gramatical.
     Embora a construção seja funcional no contexto específico, é importante observar que ela representa uma adaptação que rompe com a sequência esperada da voz passiva sintética. Essa inversão é atípica em registros formais e compromete sua aceitabilidade, em que a ordem normativa “verbo-se” auxilia na decodificação mais sistemática da mensagem. No entanto, em cartazes informais, essa inversão emergente cumpre sua função comunicativa ao destacar o elemento de maior interesse: o produto ou serviço oferecido.
    Portanto, a frase “vende frango-se” demonstra como a organização sintática pode ser ajustada para atender a demandas pragmáticas específicas, sem comprometer a funcionalidade ou a clareza, desde que o contexto seja apropriado. Trata-se de um exemplo de como o uso da língua pode flexibilizar-se para alcançar objetivos comunicativos específicos, ainda que se afaste da norma-padrão.
     Por trás dessa inversão está uma questão ainda mais interessante: a voz passiva sintética, usada em “vende-se frango”, pode não ser uma estrutura produtiva na língua falada. Longe dos anúncios comerciais (“aluga-se”, “compra-se” etc.), ela soa artificial, distante, e tende a ser substituída na fala cotidiana por formas mais naturais aos falantes de português brasileiro, como “vende frango aqui” ou até “tem frango pra vender”. Essa preferência por construções diretas pode explicar por que, em contextos informais de escrita, o uso da norma-padrão se desdobra em adaptações criativas.
    A dificuldade em internalizar a passiva sintética na fala pode ser um dos motivos pelos quais sua aplicação na escrita informal é frequentemente ajustada. Nesse caso, “vende frango-se” não seria um “erro”, mas uma adaptação da língua às formas mais intuitivas e funcionais de comunicação. Isso sugere que a variante culta pode estar perdendo vitalidade em contextos práticos, afinal, a norma não é um objetivo em si mesma, mas um conjunto de ferramentas que, aqui, cede espaço à criatividade.
     A norma gramatical pode até ser uma estrada asfaltada, mas a língua popular prefere pegar atalhos. Enquanto as regras tradicionalistas insistem na “correção”, a fala das ruas faz o que precisa ser feito: comunica-se, funciona e segue em frente.
    No fim das contas, “vende frango-se” é mais do que uma frase curiosa ou um exemplo de gramática alternativa. É uma celebração da língua como um organismo vivo, flexível e profundamente humano. Ao desafiar a norma-padrão, ela nos convida a repensar o que é considerado “certo” ou “errado” na linguagem e a reconhecer que as regras existem para servir à comunicação, e não o contrário.
    Entre o rigor da gramática e a simplicidade das placas improvisadas, fica claro que a criatividade é o que mantém a língua vibrante. O frango vendido na esquina e a estrutura que o anuncia são, juntos, um lembrete de que a verdadeira riqueza linguística está na diversidade – e que a norma é apenas uma das muitas possibilidades da linguagem. 

(Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/gramatica. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
De acordo com as ideias veiculadas no texto, a frase “vende frango-se” não deve ser considerada “errada” porque:
Alternativas
Q3746494 Português
Gramática com sabor: “vende frango-se” e uma possível representação das passivas sintéticas no português popular

    Entre placas de mercados e anúncios improvisados, as frases “vende frango-se” e “forra banco-se” surgem como exemplos fascinantes de como a linguagem pode se adaptar às necessidades práticas do cotidiano. O deslocamento do “-se” para depois do sujeito paciente, embora desafie as regras da gramática padrão, cumpre com a missão essencial da linguagem: comunicar. Mas o que essa inversão revela? Mais do que um simples “erro gramatical”, essa construção é, na verdade, um reflexo de criatividade linguística e funcionalidade.
    Na gramática normativa, a partícula “-se” deve estar diretamente conectada ao verbo, como em “vende-se frango”. Essa configuração caracteriza a voz passiva sintética no português, em que o verbo e o pronome (no caso, “vende-se”) formam uma unidade gramatical que expressa uma ação sem agente explícito – na qual o sujeito (no exemplo, “frango”) é, semanticamente, paciente da ação. Na construção “vende frango-se”, essa unidade é rompida, com o sujeito paciente, “frango”, deslocado para uma posição imediatamente após o verbo.
    Esse deslocamento serve a uma função pragmática clara: prioriza o elemento a ser vendido como central da mensagem, conferindo-lhe maior visibilidade e destaque. A estrutura é particularmente eficaz em contextos informais, como anúncios de venda, em que a clareza e a rapidez da comunicação são essenciais. Apesar de se afastar da norma tradicional, a frase mantém a impessoalidade característica da voz passiva por meio da partícula “-se”, que continua a desempenhar sua função gramatical.
     Embora a construção seja funcional no contexto específico, é importante observar que ela representa uma adaptação que rompe com a sequência esperada da voz passiva sintética. Essa inversão é atípica em registros formais e compromete sua aceitabilidade, em que a ordem normativa “verbo-se” auxilia na decodificação mais sistemática da mensagem. No entanto, em cartazes informais, essa inversão emergente cumpre sua função comunicativa ao destacar o elemento de maior interesse: o produto ou serviço oferecido.
    Portanto, a frase “vende frango-se” demonstra como a organização sintática pode ser ajustada para atender a demandas pragmáticas específicas, sem comprometer a funcionalidade ou a clareza, desde que o contexto seja apropriado. Trata-se de um exemplo de como o uso da língua pode flexibilizar-se para alcançar objetivos comunicativos específicos, ainda que se afaste da norma-padrão.
     Por trás dessa inversão está uma questão ainda mais interessante: a voz passiva sintética, usada em “vende-se frango”, pode não ser uma estrutura produtiva na língua falada. Longe dos anúncios comerciais (“aluga-se”, “compra-se” etc.), ela soa artificial, distante, e tende a ser substituída na fala cotidiana por formas mais naturais aos falantes de português brasileiro, como “vende frango aqui” ou até “tem frango pra vender”. Essa preferência por construções diretas pode explicar por que, em contextos informais de escrita, o uso da norma-padrão se desdobra em adaptações criativas.
    A dificuldade em internalizar a passiva sintética na fala pode ser um dos motivos pelos quais sua aplicação na escrita informal é frequentemente ajustada. Nesse caso, “vende frango-se” não seria um “erro”, mas uma adaptação da língua às formas mais intuitivas e funcionais de comunicação. Isso sugere que a variante culta pode estar perdendo vitalidade em contextos práticos, afinal, a norma não é um objetivo em si mesma, mas um conjunto de ferramentas que, aqui, cede espaço à criatividade.
     A norma gramatical pode até ser uma estrada asfaltada, mas a língua popular prefere pegar atalhos. Enquanto as regras tradicionalistas insistem na “correção”, a fala das ruas faz o que precisa ser feito: comunica-se, funciona e segue em frente.
    No fim das contas, “vende frango-se” é mais do que uma frase curiosa ou um exemplo de gramática alternativa. É uma celebração da língua como um organismo vivo, flexível e profundamente humano. Ao desafiar a norma-padrão, ela nos convida a repensar o que é considerado “certo” ou “errado” na linguagem e a reconhecer que as regras existem para servir à comunicação, e não o contrário.
    Entre o rigor da gramática e a simplicidade das placas improvisadas, fica claro que a criatividade é o que mantém a língua vibrante. O frango vendido na esquina e a estrutura que o anuncia são, juntos, um lembrete de que a verdadeira riqueza linguística está na diversidade – e que a norma é apenas uma das muitas possibilidades da linguagem. 

(Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/gramatica. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Pela leitura do texto, só NÃO é possível confirmar a seguinte informação: 
Alternativas
Q3746492 Português
Gramática com sabor: “vende frango-se” e uma possível representação das passivas sintéticas no português popular

    Entre placas de mercados e anúncios improvisados, as frases “vende frango-se” e “forra banco-se” surgem como exemplos fascinantes de como a linguagem pode se adaptar às necessidades práticas do cotidiano. O deslocamento do “-se” para depois do sujeito paciente, embora desafie as regras da gramática padrão, cumpre com a missão essencial da linguagem: comunicar. Mas o que essa inversão revela? Mais do que um simples “erro gramatical”, essa construção é, na verdade, um reflexo de criatividade linguística e funcionalidade.
    Na gramática normativa, a partícula “-se” deve estar diretamente conectada ao verbo, como em “vende-se frango”. Essa configuração caracteriza a voz passiva sintética no português, em que o verbo e o pronome (no caso, “vende-se”) formam uma unidade gramatical que expressa uma ação sem agente explícito – na qual o sujeito (no exemplo, “frango”) é, semanticamente, paciente da ação. Na construção “vende frango-se”, essa unidade é rompida, com o sujeito paciente, “frango”, deslocado para uma posição imediatamente após o verbo.
    Esse deslocamento serve a uma função pragmática clara: prioriza o elemento a ser vendido como central da mensagem, conferindo-lhe maior visibilidade e destaque. A estrutura é particularmente eficaz em contextos informais, como anúncios de venda, em que a clareza e a rapidez da comunicação são essenciais. Apesar de se afastar da norma tradicional, a frase mantém a impessoalidade característica da voz passiva por meio da partícula “-se”, que continua a desempenhar sua função gramatical.
     Embora a construção seja funcional no contexto específico, é importante observar que ela representa uma adaptação que rompe com a sequência esperada da voz passiva sintética. Essa inversão é atípica em registros formais e compromete sua aceitabilidade, em que a ordem normativa “verbo-se” auxilia na decodificação mais sistemática da mensagem. No entanto, em cartazes informais, essa inversão emergente cumpre sua função comunicativa ao destacar o elemento de maior interesse: o produto ou serviço oferecido.
    Portanto, a frase “vende frango-se” demonstra como a organização sintática pode ser ajustada para atender a demandas pragmáticas específicas, sem comprometer a funcionalidade ou a clareza, desde que o contexto seja apropriado. Trata-se de um exemplo de como o uso da língua pode flexibilizar-se para alcançar objetivos comunicativos específicos, ainda que se afaste da norma-padrão.
     Por trás dessa inversão está uma questão ainda mais interessante: a voz passiva sintética, usada em “vende-se frango”, pode não ser uma estrutura produtiva na língua falada. Longe dos anúncios comerciais (“aluga-se”, “compra-se” etc.), ela soa artificial, distante, e tende a ser substituída na fala cotidiana por formas mais naturais aos falantes de português brasileiro, como “vende frango aqui” ou até “tem frango pra vender”. Essa preferência por construções diretas pode explicar por que, em contextos informais de escrita, o uso da norma-padrão se desdobra em adaptações criativas.
    A dificuldade em internalizar a passiva sintética na fala pode ser um dos motivos pelos quais sua aplicação na escrita informal é frequentemente ajustada. Nesse caso, “vende frango-se” não seria um “erro”, mas uma adaptação da língua às formas mais intuitivas e funcionais de comunicação. Isso sugere que a variante culta pode estar perdendo vitalidade em contextos práticos, afinal, a norma não é um objetivo em si mesma, mas um conjunto de ferramentas que, aqui, cede espaço à criatividade.
     A norma gramatical pode até ser uma estrada asfaltada, mas a língua popular prefere pegar atalhos. Enquanto as regras tradicionalistas insistem na “correção”, a fala das ruas faz o que precisa ser feito: comunica-se, funciona e segue em frente.
    No fim das contas, “vende frango-se” é mais do que uma frase curiosa ou um exemplo de gramática alternativa. É uma celebração da língua como um organismo vivo, flexível e profundamente humano. Ao desafiar a norma-padrão, ela nos convida a repensar o que é considerado “certo” ou “errado” na linguagem e a reconhecer que as regras existem para servir à comunicação, e não o contrário.
    Entre o rigor da gramática e a simplicidade das placas improvisadas, fica claro que a criatividade é o que mantém a língua vibrante. O frango vendido na esquina e a estrutura que o anuncia são, juntos, um lembrete de que a verdadeira riqueza linguística está na diversidade – e que a norma é apenas uma das muitas possibilidades da linguagem. 

(Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/gramatica. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Com relação à organização textual, as expressões que se referem a “vende frango-se” NÃO incluem:
Alternativas
Q3746379 Português
Observe o texto a seguir:

"A sala de aula era pequena, mas dava para a gente formar um grande círculo com todos os alunos. Nesse dia, era comum a professora ler uma notícia de jornal ou história. Lembro-me de que o empurra-empurra das carteiras e das cadeiras deixava a turma agitada, uma bagunça. Também me recordo de que tinha um painel na sala, sempre enfeitado com desenhos feitos pela professora. Tinha também trabalhos dos alunos, a tabuada e uma lista enorme de palavras que a gente não podia mais errar."
(Vera Lúcia, Pernambuco)
Fonte: Freitas, Olga. Equipamentos e materiais didáticos. Brasília: Universidade de Brasília, 2009.

De acordo com a leitura do ambiente acima, é possível afirmar que a organização do espaço da sala de aula favorece:
Alternativas
Q3746369 Português
No sentido ético do cuidado, todos nós necessitamos de cuidado ao longo da vida, tanto como cuidadores quanto como recebedores de cuidado, e o cuidar não se direciona apenas à satisfação das necessidades, mas também a possibilitar uma vida florescente, articulando-se à perspectiva de como podemos habitar o mundo da melhor maneira possível.
Fonte:CARVALHO, Rodrigo Saballa de; SANTOS, Marlene Oliveira dos. Por uma ética do cuidado na docência de 0-3 anos: das pedagogias de educação infantil às didáticas na creche. Série-Estudos, v. 30, n. 68, p. 3-8, 2025.

Diante do texto, assinale a alternativa que destoe do proposto acima:
Alternativas
Q3746238 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão abaixo.


Entre a tela e a realidade


Poderia ser só mais uma fanfic − mas essa é uma história real. Cresci na época em que estavam se popularizando fóruns, blogs e redes sociais. Eu e minha melhor amiga, Carla, super fãs de literatura e de bandas, encontramos na internet várias comunidades de fãs que escreviam suas próprias histórias: as fanfics. Mergulhamos nesse mundo e, em meio a leituras e escritas, encontramos uma amizade inesperada: Isa.


Minha conexão com ela foi instantânea, e logo estávamos conversando todos os dias, dividindo segredos e sonhos, construindo uma amizade que transcendia as telas. Carla também era amiga dela, mas eu estava me inserindo ainda mais na vida de Isa.


Carla, com autoestima baixa, fingia ser outra pessoa nos grupos online. Enquanto minha amizade com Isa se tornava mais íntima, Carla se tornava a menina popular, mas insatisfeita e com ciúmes. Eu também sentia ciúme de Isa. As tensões aumentaram e a situação acabou explodindo.


Mergulhada em um universo de histórias fictícias, não percebi que minha vida estava se transformando em uma trama real. A amizade com Isa me cegou para a importância de Carla, minha melhor amiga desde os oito anos.


A ficção pode nos iludir, mas a realidade sempre nos traz de volta. Por sorte, eu e Carla nos perdoamos e seguimos em frente. Hoje escrevemos histórias originais, e Carla até publicou um romance na Amazon. Tenho muito orgulho da minha melhor amiga e não quero perdê-la nunca mais.


FERNANDES, Billie. Entre a tela e a realidade. In: UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Livros Abertos USP: coletânea de textos literários contemporâneos. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2021.

Disponível em:

https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 512/1378/5380 . Acesso em: 4 nov. 2025. 

No texto "Entre a tela e a realidade", a narradora recupera experiências de amizade mediadas pela internet e reflete sobre as fronteiras entre ficção e vida real. Considerando os mecanismos de coesão textual e a forma como eles contribuem para a construção dos sentidos globais do texto, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3746004 Português
O texto narrativo consiste em um gênero textual que descreve as ações de personagens dentro de um tempo e espaço determinados. Normalmente redigido em prosa, ele apresenta a narração de fatos e acontecimentos específicos.

Com base nos subgêneros narrativos, analise as afirmativas a seguir e identifique a incorreta.
Alternativas
Q3746003 Português
Ao longo das últimas décadas, o componente de Língua Portuguesa na Educação Básica tem se articulado com diferentes documentos e orientações curriculares, incorporando atualizações fundamentadas em pesquisas recentes e nas transformações das práticas de linguagem deste século. Muitas dessas transformações decorrem do avanço das tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC).
Considerando os objetivos, competências e habilidades previstos para o ensino de Língua Portuguesa, assinale com (V) as afirmativas verdadeiras e com (F) as falsas.

(__)Articular práticas tradicionais e contemporâneas de linguagem, valorizando tanto os gêneros impressos (notícia, crônica, artigo de opinião) quanto os digitais (meme, gif, vídeo-minuto).
(__)Articular o conhecimento linguístico e metalinguístico ao uso prático da língua em diferentes situações comunicativas.
(__)Analisar e produzir textos em diferentes suportes, considerando as especificidades de cada gênero e as finalidades comunicativas.
(__)Saber usar as tecnologias digitais, ou ser familiarizado com elas, garante que o usuário tenha uma postura crítica, ética e responsável diante das informações disponíveis na internet.

A sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q3745997 Português
Para que um texto apresente plena inteligibilidade, com suas partes articuladas de forma adequada, é imprescindível que os elementos linguísticos sejam corretamente empregados. Caso a conexão entre as partes do texto não seja estabelecida de maneira adequada, o sentido lógico e a coerência poderão ser comprometidos.
Com base nisso, marque com (V) as afirmativas verdadeiras ou com (F) as falsas.

(__)Coesão e coerência são elementos distintos, porém essenciais na produção de textos. É possível que um texto seja coeso e, ao mesmo tempo, incoerente.
(__)A coesão é a ligação, a união entre partes de um texto; coerência é o sentido lógico, o nexo.
(__)Na coesão lexical são utilizados recursos coesivos que possibilitam a manutenção do assunto sem repetir palavras.
(__)Na frase 'Rastejamos que nem serpentes', o uso da expressão 'que nem' marca o uso coloquial, que deve ser evitado na linguagem formal.
(__)Na coesão por elipse é feita a omissão de elementos já mencionados no texto, desde que facilmente identificáveis, como no exemplo: 'Minha irmã está no mercado. Foi comprar arroz e feijão.'

A sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo, é: 
Alternativas
Q3745995 Português
As palavras podem estabelecer diversas formas de associação. Quando essa relação se dá por meio do sentido, constitui-se um campo semântico. Nesse caso, não se trata de sinônimos ou antônimos, mas de uma proximidade de significado dentro de determinado contexto.
Com base nisso, analise as afirmativas a seguir:

I.A polissemia ocorre quando uma mesma forma apresenta mais de um significado, cada um pertencente a diferentes campos semânticos. Assim, não se deve entender a polissemia como imprecisão de sentido, pois cada significado é definido e específico. Um exemplo é o verbo 'andar', que possui diversos significados na língua portuguesa.
II.As palavras 'flor', 'jardim' e 'perfume' constituem campo semântico, pois embora não pertençam a um grupo delimitado, a associação entre elas é evidente.
III.A sinonímia ocorre quando duas ou mais palavras têm o significado idêntico ao outro, podendo ser utilizada uma em substituição da outra, sem que haja alteração de sentido, independentemente do contexto.
IV.A homonímia é a propriedade de duas ou mais formas, inteiramente distintas pela significação ou função, terem a mesma estrutura fonológica, os mesmos fonemas, dispostos na mesma ordem e subordinados ao mesmo tipo de acentuação.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3745993 Português
A arte e a cultura desempenham papel fundamental no desenvolvimento intelectual e cognitivo do indivíduo.
Com base nos conhecimentos sobre as definições de arte e cultura, preencha as lacunas corretamente.

A definição realizada pela antropologia afirma que _______ é o conjunto que reúne todas as formas de conhecimento, todas as crenças e tipos de moral de um povo, todas as leis, tradições e costumes que são manifestados por determinado grupo social.
A _______ é uma forma como o homem expressa os seus sentimentos, pensamentos e convicções. Além disso, pode ser entendida como o resultado de uma habilidade que resulta em uma obra com valor estético utilizada como expressão de alguma ideia ou sentimento.
O debate conceitual a respeito da definição de _______ é realizado por diversas áreas do conhecimento, como a antropologia, a história e as ciências sociais.

A sequência que completa corretamente as lacunas é:
Alternativas
Q3745707 Português

A criada



    Seu nome era Eremita. Tinha dezenove anos. Rosto confiante, algumas espinhas. Onde estava a sua beleza? Havia beleza nesse corpo que não era feio nem bonito, nesse rosto onde uma doçura ansiosa de doçuras maiores era o sinal da vida.

    Beleza, não sei. Possivelmente não havia, se bem que os traços indecisos atraíssem como água atrai. Havia, sim, substância viva, unhas, carnes, dentes, mistura de resistências e fraquezas, constituindo vaga presença que se concretizava porém imediatamente numa cabeça interrogativa e já prestimosa, mal se pronunciava um nome: Eremita. Os olhos castanhos eram intraduzíveis, sem correspondência com o conjunto do rosto. Tão independentes como se fossem plantados na carne de um braço, e de lá nos olhassem – abertos, úmidos. Ela toda era de uma doçura próxima a lágrimas.

    Às vezes respondia com má-criação de criada mesmo. Desde pequena fora assim, explicou. Sem que isso viesse de seu caráter. Pois não havia no seu espírito nenhum endurecimento, nenhuma lei perceptível. “Eu tive medo”, dizia com naturalidade. “Me deu uma fome”, dizia, e era sempre incontestável o que dizia, não se sabe por quê. “Ele me respeita muito”, dizia do noivo e, apesar da expressão emprestada e convencional, a pessoa que ouvia entrava num mundo delicado de bichos e aves, onde todos se respeitam. “Eu tenho vergonha”, dizia, e sorria enredada nas próprias sombras. Se a fome era de pão – que ela comia depressa como se pudessem tirá-lo – o medo era de trovoadas, a vergonha era de falar. Ela era gentil, honesta. “Deus me livre, não é?”, dizia ausente.

    Porque tinha suas ausências. O rosto se perdia numa tristeza impessoal e sem rugas. Uma tristeza mais antiga que o seu espírito. Os olhos paravam vazios; diria mesmo um pouco ásperos. A pessoa que estivesse a seu lado sofria e nada podia fazer. Só esperar.

    Pois ela estava entregue a alguma coisa, a misteriosa infante. Ninguém ousaria tocá-la nesse momento.

    Esperava-se um pouco grave, de coração apertado, velando-a. Nada se poderia fazer por ela senão desejar que o perigo passasse. Até que num movimento sem pressa, quase um suspiro, ela acordava como um cabrito recém-nascido se ergue sobre as pernas. Voltara de seu repouso na tristeza.

    Voltava, não se pode dizer mais rica, porém mais garantida depois de ter bebido em não se sabe que fonte. O que se sabe é que a fonte devia ser antiga e pura. Sim, havia profundeza nela. Mas ninguém encontraria nada se descesse nas suas profundezas – senão a própria profundeza, como na escuridão se acha a escuridão. É possível que, se alguém prosseguisse mais, encontrasse, depois de andar léguas nas trevas, um indício de caminho, guiado talvez por um bater de asas, por algum rastro de bicho. E – de repente – a floresta.

    Ah, então devia ser esse o seu mistério: ela descobrira um atalho para a floresta. Decerto nas suas ausências era para lá que ia. Regressando com os olhos cheios de brandura e ignorância, olhos completos. Ignorância tão vasta que nela caberia e se perderia toda a sabedoria do mundo.

    Assim era Eremita. Que se subisse à tona com tudo o que encontrara na floresta seria queimada em fogueira. Mas o que vira – em que raízes mordera, com que espinhos sangrara, em que águas banhara os pés, que escuridão de ouro fora a luz que a envolvera – tudo isso ela não contava porque ignorava: fora percebido num só olhar, rápido demais para não ser senão um mistério.

    Assim, quando emergia, era uma criada. A quem chamavam constantemente da escuridão de seu atalho para funções menores, para lavar roupa, enxugar o chão, servir a uns e outros.

    Mas serviria mesmo? Pois se alguém prestasse atenção veria que ela lavava roupa – ao sol; que enxugava o chão – molhado pela chuva; que estendia lençóis – ao vento. Ela se arranjava para servir muito mais remotamente, e a outros deuses. Sempre com a inteireza de espírito que trouxera da floresta. Sem um pensamento: apenas corpo se movimentando calmo, rosto pleno de uma suave esperança que ninguém dá e ninguém tira.

    A única marca do perigo por que passara era o seu modo fugitivo de comer pão. No resto era serena.

    Mesmo quando tirava o dinheiro que a patroa esquecera sobre a mesa, mesmo quando levava para o noivo em embrulho discreto alguns gêneros da despensa. A roubar de leve ela também aprendera nas suas florestas.



(LISPECTOR, Clarice. Todos os contos. 1ª Edição. Editora Rocco. 2016.)

Tendo como base as estruturas e os sentidos do texto, assinale a afirmativa INCORRETA. 
Alternativas
Q3745706 Português

A criada



    Seu nome era Eremita. Tinha dezenove anos. Rosto confiante, algumas espinhas. Onde estava a sua beleza? Havia beleza nesse corpo que não era feio nem bonito, nesse rosto onde uma doçura ansiosa de doçuras maiores era o sinal da vida.

    Beleza, não sei. Possivelmente não havia, se bem que os traços indecisos atraíssem como água atrai. Havia, sim, substância viva, unhas, carnes, dentes, mistura de resistências e fraquezas, constituindo vaga presença que se concretizava porém imediatamente numa cabeça interrogativa e já prestimosa, mal se pronunciava um nome: Eremita. Os olhos castanhos eram intraduzíveis, sem correspondência com o conjunto do rosto. Tão independentes como se fossem plantados na carne de um braço, e de lá nos olhassem – abertos, úmidos. Ela toda era de uma doçura próxima a lágrimas.

    Às vezes respondia com má-criação de criada mesmo. Desde pequena fora assim, explicou. Sem que isso viesse de seu caráter. Pois não havia no seu espírito nenhum endurecimento, nenhuma lei perceptível. “Eu tive medo”, dizia com naturalidade. “Me deu uma fome”, dizia, e era sempre incontestável o que dizia, não se sabe por quê. “Ele me respeita muito”, dizia do noivo e, apesar da expressão emprestada e convencional, a pessoa que ouvia entrava num mundo delicado de bichos e aves, onde todos se respeitam. “Eu tenho vergonha”, dizia, e sorria enredada nas próprias sombras. Se a fome era de pão – que ela comia depressa como se pudessem tirá-lo – o medo era de trovoadas, a vergonha era de falar. Ela era gentil, honesta. “Deus me livre, não é?”, dizia ausente.

    Porque tinha suas ausências. O rosto se perdia numa tristeza impessoal e sem rugas. Uma tristeza mais antiga que o seu espírito. Os olhos paravam vazios; diria mesmo um pouco ásperos. A pessoa que estivesse a seu lado sofria e nada podia fazer. Só esperar.

    Pois ela estava entregue a alguma coisa, a misteriosa infante. Ninguém ousaria tocá-la nesse momento.

    Esperava-se um pouco grave, de coração apertado, velando-a. Nada se poderia fazer por ela senão desejar que o perigo passasse. Até que num movimento sem pressa, quase um suspiro, ela acordava como um cabrito recém-nascido se ergue sobre as pernas. Voltara de seu repouso na tristeza.

    Voltava, não se pode dizer mais rica, porém mais garantida depois de ter bebido em não se sabe que fonte. O que se sabe é que a fonte devia ser antiga e pura. Sim, havia profundeza nela. Mas ninguém encontraria nada se descesse nas suas profundezas – senão a própria profundeza, como na escuridão se acha a escuridão. É possível que, se alguém prosseguisse mais, encontrasse, depois de andar léguas nas trevas, um indício de caminho, guiado talvez por um bater de asas, por algum rastro de bicho. E – de repente – a floresta.

    Ah, então devia ser esse o seu mistério: ela descobrira um atalho para a floresta. Decerto nas suas ausências era para lá que ia. Regressando com os olhos cheios de brandura e ignorância, olhos completos. Ignorância tão vasta que nela caberia e se perderia toda a sabedoria do mundo.

    Assim era Eremita. Que se subisse à tona com tudo o que encontrara na floresta seria queimada em fogueira. Mas o que vira – em que raízes mordera, com que espinhos sangrara, em que águas banhara os pés, que escuridão de ouro fora a luz que a envolvera – tudo isso ela não contava porque ignorava: fora percebido num só olhar, rápido demais para não ser senão um mistério.

    Assim, quando emergia, era uma criada. A quem chamavam constantemente da escuridão de seu atalho para funções menores, para lavar roupa, enxugar o chão, servir a uns e outros.

    Mas serviria mesmo? Pois se alguém prestasse atenção veria que ela lavava roupa – ao sol; que enxugava o chão – molhado pela chuva; que estendia lençóis – ao vento. Ela se arranjava para servir muito mais remotamente, e a outros deuses. Sempre com a inteireza de espírito que trouxera da floresta. Sem um pensamento: apenas corpo se movimentando calmo, rosto pleno de uma suave esperança que ninguém dá e ninguém tira.

    A única marca do perigo por que passara era o seu modo fugitivo de comer pão. No resto era serena.

    Mesmo quando tirava o dinheiro que a patroa esquecera sobre a mesa, mesmo quando levava para o noivo em embrulho discreto alguns gêneros da despensa. A roubar de leve ela também aprendera nas suas florestas.



(LISPECTOR, Clarice. Todos os contos. 1ª Edição. Editora Rocco. 2016.)

Em “Se a fome era de pão – que ela comia depressa como se pudessem tirá-lo – o medo era de trovoadas, a vergonha era de falar.” (3º§), o elemento de coesão textual “ela” determina a conexão entre as ideias separadas pela pontuação. Desse modo, pode-se afirmar que tal elemento retoma:
Alternativas
Q3745705 Português

A criada



    Seu nome era Eremita. Tinha dezenove anos. Rosto confiante, algumas espinhas. Onde estava a sua beleza? Havia beleza nesse corpo que não era feio nem bonito, nesse rosto onde uma doçura ansiosa de doçuras maiores era o sinal da vida.

    Beleza, não sei. Possivelmente não havia, se bem que os traços indecisos atraíssem como água atrai. Havia, sim, substância viva, unhas, carnes, dentes, mistura de resistências e fraquezas, constituindo vaga presença que se concretizava porém imediatamente numa cabeça interrogativa e já prestimosa, mal se pronunciava um nome: Eremita. Os olhos castanhos eram intraduzíveis, sem correspondência com o conjunto do rosto. Tão independentes como se fossem plantados na carne de um braço, e de lá nos olhassem – abertos, úmidos. Ela toda era de uma doçura próxima a lágrimas.

    Às vezes respondia com má-criação de criada mesmo. Desde pequena fora assim, explicou. Sem que isso viesse de seu caráter. Pois não havia no seu espírito nenhum endurecimento, nenhuma lei perceptível. “Eu tive medo”, dizia com naturalidade. “Me deu uma fome”, dizia, e era sempre incontestável o que dizia, não se sabe por quê. “Ele me respeita muito”, dizia do noivo e, apesar da expressão emprestada e convencional, a pessoa que ouvia entrava num mundo delicado de bichos e aves, onde todos se respeitam. “Eu tenho vergonha”, dizia, e sorria enredada nas próprias sombras. Se a fome era de pão – que ela comia depressa como se pudessem tirá-lo – o medo era de trovoadas, a vergonha era de falar. Ela era gentil, honesta. “Deus me livre, não é?”, dizia ausente.

    Porque tinha suas ausências. O rosto se perdia numa tristeza impessoal e sem rugas. Uma tristeza mais antiga que o seu espírito. Os olhos paravam vazios; diria mesmo um pouco ásperos. A pessoa que estivesse a seu lado sofria e nada podia fazer. Só esperar.

    Pois ela estava entregue a alguma coisa, a misteriosa infante. Ninguém ousaria tocá-la nesse momento.

    Esperava-se um pouco grave, de coração apertado, velando-a. Nada se poderia fazer por ela senão desejar que o perigo passasse. Até que num movimento sem pressa, quase um suspiro, ela acordava como um cabrito recém-nascido se ergue sobre as pernas. Voltara de seu repouso na tristeza.

    Voltava, não se pode dizer mais rica, porém mais garantida depois de ter bebido em não se sabe que fonte. O que se sabe é que a fonte devia ser antiga e pura. Sim, havia profundeza nela. Mas ninguém encontraria nada se descesse nas suas profundezas – senão a própria profundeza, como na escuridão se acha a escuridão. É possível que, se alguém prosseguisse mais, encontrasse, depois de andar léguas nas trevas, um indício de caminho, guiado talvez por um bater de asas, por algum rastro de bicho. E – de repente – a floresta.

    Ah, então devia ser esse o seu mistério: ela descobrira um atalho para a floresta. Decerto nas suas ausências era para lá que ia. Regressando com os olhos cheios de brandura e ignorância, olhos completos. Ignorância tão vasta que nela caberia e se perderia toda a sabedoria do mundo.

    Assim era Eremita. Que se subisse à tona com tudo o que encontrara na floresta seria queimada em fogueira. Mas o que vira – em que raízes mordera, com que espinhos sangrara, em que águas banhara os pés, que escuridão de ouro fora a luz que a envolvera – tudo isso ela não contava porque ignorava: fora percebido num só olhar, rápido demais para não ser senão um mistério.

    Assim, quando emergia, era uma criada. A quem chamavam constantemente da escuridão de seu atalho para funções menores, para lavar roupa, enxugar o chão, servir a uns e outros.

    Mas serviria mesmo? Pois se alguém prestasse atenção veria que ela lavava roupa – ao sol; que enxugava o chão – molhado pela chuva; que estendia lençóis – ao vento. Ela se arranjava para servir muito mais remotamente, e a outros deuses. Sempre com a inteireza de espírito que trouxera da floresta. Sem um pensamento: apenas corpo se movimentando calmo, rosto pleno de uma suave esperança que ninguém dá e ninguém tira.

    A única marca do perigo por que passara era o seu modo fugitivo de comer pão. No resto era serena.

    Mesmo quando tirava o dinheiro que a patroa esquecera sobre a mesa, mesmo quando levava para o noivo em embrulho discreto alguns gêneros da despensa. A roubar de leve ela também aprendera nas suas florestas.



(LISPECTOR, Clarice. Todos os contos. 1ª Edição. Editora Rocco. 2016.)

A alternativa em que o significado da palavra sublinhada está INDEVIDAMENTE indicado é: 
Alternativas
Q3745704 Português

A criada



    Seu nome era Eremita. Tinha dezenove anos. Rosto confiante, algumas espinhas. Onde estava a sua beleza? Havia beleza nesse corpo que não era feio nem bonito, nesse rosto onde uma doçura ansiosa de doçuras maiores era o sinal da vida.

    Beleza, não sei. Possivelmente não havia, se bem que os traços indecisos atraíssem como água atrai. Havia, sim, substância viva, unhas, carnes, dentes, mistura de resistências e fraquezas, constituindo vaga presença que se concretizava porém imediatamente numa cabeça interrogativa e já prestimosa, mal se pronunciava um nome: Eremita. Os olhos castanhos eram intraduzíveis, sem correspondência com o conjunto do rosto. Tão independentes como se fossem plantados na carne de um braço, e de lá nos olhassem – abertos, úmidos. Ela toda era de uma doçura próxima a lágrimas.

    Às vezes respondia com má-criação de criada mesmo. Desde pequena fora assim, explicou. Sem que isso viesse de seu caráter. Pois não havia no seu espírito nenhum endurecimento, nenhuma lei perceptível. “Eu tive medo”, dizia com naturalidade. “Me deu uma fome”, dizia, e era sempre incontestável o que dizia, não se sabe por quê. “Ele me respeita muito”, dizia do noivo e, apesar da expressão emprestada e convencional, a pessoa que ouvia entrava num mundo delicado de bichos e aves, onde todos se respeitam. “Eu tenho vergonha”, dizia, e sorria enredada nas próprias sombras. Se a fome era de pão – que ela comia depressa como se pudessem tirá-lo – o medo era de trovoadas, a vergonha era de falar. Ela era gentil, honesta. “Deus me livre, não é?”, dizia ausente.

    Porque tinha suas ausências. O rosto se perdia numa tristeza impessoal e sem rugas. Uma tristeza mais antiga que o seu espírito. Os olhos paravam vazios; diria mesmo um pouco ásperos. A pessoa que estivesse a seu lado sofria e nada podia fazer. Só esperar.

    Pois ela estava entregue a alguma coisa, a misteriosa infante. Ninguém ousaria tocá-la nesse momento.

    Esperava-se um pouco grave, de coração apertado, velando-a. Nada se poderia fazer por ela senão desejar que o perigo passasse. Até que num movimento sem pressa, quase um suspiro, ela acordava como um cabrito recém-nascido se ergue sobre as pernas. Voltara de seu repouso na tristeza.

    Voltava, não se pode dizer mais rica, porém mais garantida depois de ter bebido em não se sabe que fonte. O que se sabe é que a fonte devia ser antiga e pura. Sim, havia profundeza nela. Mas ninguém encontraria nada se descesse nas suas profundezas – senão a própria profundeza, como na escuridão se acha a escuridão. É possível que, se alguém prosseguisse mais, encontrasse, depois de andar léguas nas trevas, um indício de caminho, guiado talvez por um bater de asas, por algum rastro de bicho. E – de repente – a floresta.

    Ah, então devia ser esse o seu mistério: ela descobrira um atalho para a floresta. Decerto nas suas ausências era para lá que ia. Regressando com os olhos cheios de brandura e ignorância, olhos completos. Ignorância tão vasta que nela caberia e se perderia toda a sabedoria do mundo.

    Assim era Eremita. Que se subisse à tona com tudo o que encontrara na floresta seria queimada em fogueira. Mas o que vira – em que raízes mordera, com que espinhos sangrara, em que águas banhara os pés, que escuridão de ouro fora a luz que a envolvera – tudo isso ela não contava porque ignorava: fora percebido num só olhar, rápido demais para não ser senão um mistério.

    Assim, quando emergia, era uma criada. A quem chamavam constantemente da escuridão de seu atalho para funções menores, para lavar roupa, enxugar o chão, servir a uns e outros.

    Mas serviria mesmo? Pois se alguém prestasse atenção veria que ela lavava roupa – ao sol; que enxugava o chão – molhado pela chuva; que estendia lençóis – ao vento. Ela se arranjava para servir muito mais remotamente, e a outros deuses. Sempre com a inteireza de espírito que trouxera da floresta. Sem um pensamento: apenas corpo se movimentando calmo, rosto pleno de uma suave esperança que ninguém dá e ninguém tira.

    A única marca do perigo por que passara era o seu modo fugitivo de comer pão. No resto era serena.

    Mesmo quando tirava o dinheiro que a patroa esquecera sobre a mesa, mesmo quando levava para o noivo em embrulho discreto alguns gêneros da despensa. A roubar de leve ela também aprendera nas suas florestas.



(LISPECTOR, Clarice. Todos os contos. 1ª Edição. Editora Rocco. 2016.)

No exercício de seus deveres diários, Eremita vivia entre mundos. O conto demonstra a busca por identidade e a riqueza da vida interior de uma personagem que, apesar de sua condição social, revela uma intensa e significativa sensibilidade. De acordo com as ideias e informações textuais, assinale a afirmativa INCORRETA.
Alternativas
Respostas
15241: C
15242: B
15243: A
15244: D
15245: D
15246: C
15247: A
15248: D
15249: A
15250: D
15251: A
15252: A
15253: B
15254: A
15255: D
15256: A
15257: C
15258: A
15259: B
15260: D