Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3846098 Português
Por que zebras, pandas e outros animais são pretos e brancos?


Araras-vermelhas, pavões, sapos-dardo e peixes-arco-íris — o reino animal está repleto de cores vibrantes.

Mas alguns animais se destacam por um motivo diferente: a completa ausência de cor em sua pelagem.

Animais pretos e brancos são encontrados em todas as partes do mundo, das florestas da China às savanas da África.

Mas, embora a coloração seja semelhante, existem muitas razões possíveis para que isso aconteça.

Embora a coloração preta e branca não seja considerada útil para camuflar zebras, ela pode ajudar outros animais — como os pandas, cujos pelos podem auxiliá-los a se esconder de predadores como tigres, leopardos e dholes.

"Nas florestas do oeste da China, em determinadas épocas do ano, há manchas pretas e brancas de neve, rochas e troncos de árvores", afirmou o professor Tim Caro, especialista em coloração animal, também da Universidade de Bristol.

"E, se um animal de movimentos lentos, como o panda-gigante, é visto a 50 ou 100 metros de distância, é muito difícil distingui-lo como um animal em meio ao fundo nevado e rochoso em que ele aparece

Especialistas afirmam que a camuflagem também pode ser responsável pela coloração dos pinguins-gentoo, uma espécie que tem costas e asas pretas, mas a barriga branca.

"Quando os animais são vistos de baixo, suas barrigas claras se misturam com o céu luminoso", disse Hannah Rowland, professora sênior do Departamento de Evolução, Ecologia e Comportamento da Universidade de Liverpool, no norte da Inglaterra.

"Quando são vistos de cima, contra um fundo escuro, especialmente na água, eles se misturam com esse fundo escuro."


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cly3xdxgx2ko 
Araras-vermelhas, pavões, sapos-dardo e peixes-arco-íris — o reino animal está repleto de cores vibrantes.
Mas alguns animais se destacam por um motivo diferente: a completa ausência de cor em sua pelagem.
Com base no texto, assinale a alternativa CORRETA que explica por que alguns animais possuem pelagem preta e branca. 
Alternativas
Q3846082 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Moinho de Sonhos


A mulher e o menino iam montados no cavalo; o homem ia ao lado, a pé. Andavam sem rumo havia semanas, até que deram numa aldeia à beira de um rio, onde as oliveiras vicejavam.

Fizeram uma pausa e, como a gente ali era hospitaleira e a oferta de serviço abundante, resolveram ficar. O homem arranjou emprego num moinho próximo à aldeia. A mulher se juntou a outras que colhiam azeitonas em terras ao redor de um castelo. Levou consigo o menino que, no meio do caminho, achou um velho cabo de vassoura e fez dele o seu cavalo. Deu-lhe o nome de Rocinante.

Ao chegar aos olivais, o pequeno encontrou o filho de outra colhedeira − um garoto que se exibia com um escudo e uma espada de pau.

Os dois se observaram à distância. Cada um se manteve junto à sua mãe, sem saber como se libertar dela. Vigiavam-se. Era preciso coragem para se acercar. Mas meninos são assim: se há abismos, inventam pontes.

De súbito, estavam frente a frente. Puseram-se a conversar, embora um e outro continuassem na sua. Logo esse já sabia o nome daquele: o menino recém-chegado se chamava Alonso; o outro, Sancho.

Começaram a se misturar:

− Deixa eu brincar com seu cavalo? − pediu Sancho. −

Só se você me emprestar sua espada, respondeu Alonso.

Iam se entendendo, apesar de assustados com a felicidade da nova companhia.

Avançaram na entrega:

− Tá vendo aquele moinho gigante? − apontou Alonso. Meu pai sozinho é que faz ele girar.

− Seu pai deve ter braços enormes, disse Sancho.

− Tem! Mas nem precisava, respondeu Alonso. Ele move o moinho com um sopro.

Sancho achou graça. Também tinha uma proeza a contar:

− Tá vendo o castelo ali? − apontou. Meu pai disse que o dono tem tanta terra que o céu não dá para cobrir ela toda.

− E se a gente esticasse o céu como uma lona e cobrisse o que está faltando? − propôs Alonso.

− Seria legal, disse Sancho. Mas ia dar um trabalhão.

− Temos de crescer primeiro.

− Bom, enquanto a gente cresce, vamos pensar num jeito de subir até o céu! − disse Alonso.

− Vamos! − concordou Sancho.

Sentaram-se na relva. O cavalo, a espada e o escudo entre os dois. Um sopro de vento passou por eles. Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho.


CARRASCOZA, João Anzanello. Moinho de sonhos. Histórias de Amor e Morte (blog), 21 mar. 2016. Disponível em: https://historiasdeamoremorte.wordpress.com/2016/03/21/moinho-de-s onhos-joao-anzanello-carrascoza/ . Acesso em: 31 dez. 2025.
O diálogo entre Alonso e Sancho mescla elementos da fantasia com traços da realidade. Nesse sentido, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3846081 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Moinho de Sonhos


A mulher e o menino iam montados no cavalo; o homem ia ao lado, a pé. Andavam sem rumo havia semanas, até que deram numa aldeia à beira de um rio, onde as oliveiras vicejavam.

Fizeram uma pausa e, como a gente ali era hospitaleira e a oferta de serviço abundante, resolveram ficar. O homem arranjou emprego num moinho próximo à aldeia. A mulher se juntou a outras que colhiam azeitonas em terras ao redor de um castelo. Levou consigo o menino que, no meio do caminho, achou um velho cabo de vassoura e fez dele o seu cavalo. Deu-lhe o nome de Rocinante.

Ao chegar aos olivais, o pequeno encontrou o filho de outra colhedeira − um garoto que se exibia com um escudo e uma espada de pau.

Os dois se observaram à distância. Cada um se manteve junto à sua mãe, sem saber como se libertar dela. Vigiavam-se. Era preciso coragem para se acercar. Mas meninos são assim: se há abismos, inventam pontes.

De súbito, estavam frente a frente. Puseram-se a conversar, embora um e outro continuassem na sua. Logo esse já sabia o nome daquele: o menino recém-chegado se chamava Alonso; o outro, Sancho.

Começaram a se misturar:

− Deixa eu brincar com seu cavalo? − pediu Sancho. −

Só se você me emprestar sua espada, respondeu Alonso.

Iam se entendendo, apesar de assustados com a felicidade da nova companhia.

Avançaram na entrega:

− Tá vendo aquele moinho gigante? − apontou Alonso. Meu pai sozinho é que faz ele girar.

− Seu pai deve ter braços enormes, disse Sancho.

− Tem! Mas nem precisava, respondeu Alonso. Ele move o moinho com um sopro.

Sancho achou graça. Também tinha uma proeza a contar:

− Tá vendo o castelo ali? − apontou. Meu pai disse que o dono tem tanta terra que o céu não dá para cobrir ela toda.

− E se a gente esticasse o céu como uma lona e cobrisse o que está faltando? − propôs Alonso.

− Seria legal, disse Sancho. Mas ia dar um trabalhão.

− Temos de crescer primeiro.

− Bom, enquanto a gente cresce, vamos pensar num jeito de subir até o céu! − disse Alonso.

− Vamos! − concordou Sancho.

Sentaram-se na relva. O cavalo, a espada e o escudo entre os dois. Um sopro de vento passou por eles. Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho.


CARRASCOZA, João Anzanello. Moinho de sonhos. Histórias de Amor e Morte (blog), 21 mar. 2016. Disponível em: https://historiasdeamoremorte.wordpress.com/2016/03/21/moinho-de-s onhos-joao-anzanello-carrascoza/ . Acesso em: 31 dez. 2025.
No conto "Moinho de Sonhos", o autor recorre a construções que oscilam entre o sentido próprio e o sentido figurado, ampliando os significados do texto. Nesse sentido, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3846077 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Moinho de Sonhos


A mulher e o menino iam montados no cavalo; o homem ia ao lado, a pé. Andavam sem rumo havia semanas, até que deram numa aldeia à beira de um rio, onde as oliveiras vicejavam.

Fizeram uma pausa e, como a gente ali era hospitaleira e a oferta de serviço abundante, resolveram ficar. O homem arranjou emprego num moinho próximo à aldeia. A mulher se juntou a outras que colhiam azeitonas em terras ao redor de um castelo. Levou consigo o menino que, no meio do caminho, achou um velho cabo de vassoura e fez dele o seu cavalo. Deu-lhe o nome de Rocinante.

Ao chegar aos olivais, o pequeno encontrou o filho de outra colhedeira − um garoto que se exibia com um escudo e uma espada de pau.

Os dois se observaram à distância. Cada um se manteve junto à sua mãe, sem saber como se libertar dela. Vigiavam-se. Era preciso coragem para se acercar. Mas meninos são assim: se há abismos, inventam pontes.

De súbito, estavam frente a frente. Puseram-se a conversar, embora um e outro continuassem na sua. Logo esse já sabia o nome daquele: o menino recém-chegado se chamava Alonso; o outro, Sancho.

Começaram a se misturar:

− Deixa eu brincar com seu cavalo? − pediu Sancho. −

Só se você me emprestar sua espada, respondeu Alonso.

Iam se entendendo, apesar de assustados com a felicidade da nova companhia.

Avançaram na entrega:

− Tá vendo aquele moinho gigante? − apontou Alonso. Meu pai sozinho é que faz ele girar.

− Seu pai deve ter braços enormes, disse Sancho.

− Tem! Mas nem precisava, respondeu Alonso. Ele move o moinho com um sopro.

Sancho achou graça. Também tinha uma proeza a contar:

− Tá vendo o castelo ali? − apontou. Meu pai disse que o dono tem tanta terra que o céu não dá para cobrir ela toda.

− E se a gente esticasse o céu como uma lona e cobrisse o que está faltando? − propôs Alonso.

− Seria legal, disse Sancho. Mas ia dar um trabalhão.

− Temos de crescer primeiro.

− Bom, enquanto a gente cresce, vamos pensar num jeito de subir até o céu! − disse Alonso.

− Vamos! − concordou Sancho.

Sentaram-se na relva. O cavalo, a espada e o escudo entre os dois. Um sopro de vento passou por eles. Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho.


CARRASCOZA, João Anzanello. Moinho de sonhos. Histórias de Amor e Morte (blog), 21 mar. 2016. Disponível em: https://historiasdeamoremorte.wordpress.com/2016/03/21/moinho-de-s onhos-joao-anzanello-carrascoza/ . Acesso em: 31 dez. 2025.
No conto, diversas palavras são utilizadas com valor expressivo ampliado. Nesse sentido, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3846076 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Moinho de Sonhos


A mulher e o menino iam montados no cavalo; o homem ia ao lado, a pé. Andavam sem rumo havia semanas, até que deram numa aldeia à beira de um rio, onde as oliveiras vicejavam.

Fizeram uma pausa e, como a gente ali era hospitaleira e a oferta de serviço abundante, resolveram ficar. O homem arranjou emprego num moinho próximo à aldeia. A mulher se juntou a outras que colhiam azeitonas em terras ao redor de um castelo. Levou consigo o menino que, no meio do caminho, achou um velho cabo de vassoura e fez dele o seu cavalo. Deu-lhe o nome de Rocinante.

Ao chegar aos olivais, o pequeno encontrou o filho de outra colhedeira − um garoto que se exibia com um escudo e uma espada de pau.

Os dois se observaram à distância. Cada um se manteve junto à sua mãe, sem saber como se libertar dela. Vigiavam-se. Era preciso coragem para se acercar. Mas meninos são assim: se há abismos, inventam pontes.

De súbito, estavam frente a frente. Puseram-se a conversar, embora um e outro continuassem na sua. Logo esse já sabia o nome daquele: o menino recém-chegado se chamava Alonso; o outro, Sancho.

Começaram a se misturar:

− Deixa eu brincar com seu cavalo? − pediu Sancho. −

Só se você me emprestar sua espada, respondeu Alonso.

Iam se entendendo, apesar de assustados com a felicidade da nova companhia.

Avançaram na entrega:

− Tá vendo aquele moinho gigante? − apontou Alonso. Meu pai sozinho é que faz ele girar.

− Seu pai deve ter braços enormes, disse Sancho.

− Tem! Mas nem precisava, respondeu Alonso. Ele move o moinho com um sopro.

Sancho achou graça. Também tinha uma proeza a contar:

− Tá vendo o castelo ali? − apontou. Meu pai disse que o dono tem tanta terra que o céu não dá para cobrir ela toda.

− E se a gente esticasse o céu como uma lona e cobrisse o que está faltando? − propôs Alonso.

− Seria legal, disse Sancho. Mas ia dar um trabalhão.

− Temos de crescer primeiro.

− Bom, enquanto a gente cresce, vamos pensar num jeito de subir até o céu! − disse Alonso.

− Vamos! − concordou Sancho.

Sentaram-se na relva. O cavalo, a espada e o escudo entre os dois. Um sopro de vento passou por eles. Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho.


CARRASCOZA, João Anzanello. Moinho de sonhos. Histórias de Amor e Morte (blog), 21 mar. 2016. Disponível em: https://historiasdeamoremorte.wordpress.com/2016/03/21/moinho-de-s onhos-joao-anzanello-carrascoza/ . Acesso em: 31 dez. 2025.
O homem caminha a pé enquanto a mulher e o menino seguem montados a cavalo. Nesse sentido, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3846075 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Moinho de Sonhos


A mulher e o menino iam montados no cavalo; o homem ia ao lado, a pé. Andavam sem rumo havia semanas, até que deram numa aldeia à beira de um rio, onde as oliveiras vicejavam.

Fizeram uma pausa e, como a gente ali era hospitaleira e a oferta de serviço abundante, resolveram ficar. O homem arranjou emprego num moinho próximo à aldeia. A mulher se juntou a outras que colhiam azeitonas em terras ao redor de um castelo. Levou consigo o menino que, no meio do caminho, achou um velho cabo de vassoura e fez dele o seu cavalo. Deu-lhe o nome de Rocinante.

Ao chegar aos olivais, o pequeno encontrou o filho de outra colhedeira − um garoto que se exibia com um escudo e uma espada de pau.

Os dois se observaram à distância. Cada um se manteve junto à sua mãe, sem saber como se libertar dela. Vigiavam-se. Era preciso coragem para se acercar. Mas meninos são assim: se há abismos, inventam pontes.

De súbito, estavam frente a frente. Puseram-se a conversar, embora um e outro continuassem na sua. Logo esse já sabia o nome daquele: o menino recém-chegado se chamava Alonso; o outro, Sancho.

Começaram a se misturar:

− Deixa eu brincar com seu cavalo? − pediu Sancho. −

Só se você me emprestar sua espada, respondeu Alonso.

Iam se entendendo, apesar de assustados com a felicidade da nova companhia.

Avançaram na entrega:

− Tá vendo aquele moinho gigante? − apontou Alonso. Meu pai sozinho é que faz ele girar.

− Seu pai deve ter braços enormes, disse Sancho.

− Tem! Mas nem precisava, respondeu Alonso. Ele move o moinho com um sopro.

Sancho achou graça. Também tinha uma proeza a contar:

− Tá vendo o castelo ali? − apontou. Meu pai disse que o dono tem tanta terra que o céu não dá para cobrir ela toda.

− E se a gente esticasse o céu como uma lona e cobrisse o que está faltando? − propôs Alonso.

− Seria legal, disse Sancho. Mas ia dar um trabalhão.

− Temos de crescer primeiro.

− Bom, enquanto a gente cresce, vamos pensar num jeito de subir até o céu! − disse Alonso.

− Vamos! − concordou Sancho.

Sentaram-se na relva. O cavalo, a espada e o escudo entre os dois. Um sopro de vento passou por eles. Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho.


CARRASCOZA, João Anzanello. Moinho de sonhos. Histórias de Amor e Morte (blog), 21 mar. 2016. Disponível em: https://historiasdeamoremorte.wordpress.com/2016/03/21/moinho-de-s onhos-joao-anzanello-carrascoza/ . Acesso em: 31 dez. 2025.
O menino nomeia o cabo de vassoura que encontra de "Rocinante". Nesse sentido, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3846074 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Moinho de Sonhos


A mulher e o menino iam montados no cavalo; o homem ia ao lado, a pé. Andavam sem rumo havia semanas, até que deram numa aldeia à beira de um rio, onde as oliveiras vicejavam.

Fizeram uma pausa e, como a gente ali era hospitaleira e a oferta de serviço abundante, resolveram ficar. O homem arranjou emprego num moinho próximo à aldeia. A mulher se juntou a outras que colhiam azeitonas em terras ao redor de um castelo. Levou consigo o menino que, no meio do caminho, achou um velho cabo de vassoura e fez dele o seu cavalo. Deu-lhe o nome de Rocinante.

Ao chegar aos olivais, o pequeno encontrou o filho de outra colhedeira − um garoto que se exibia com um escudo e uma espada de pau.

Os dois se observaram à distância. Cada um se manteve junto à sua mãe, sem saber como se libertar dela. Vigiavam-se. Era preciso coragem para se acercar. Mas meninos são assim: se há abismos, inventam pontes.

De súbito, estavam frente a frente. Puseram-se a conversar, embora um e outro continuassem na sua. Logo esse já sabia o nome daquele: o menino recém-chegado se chamava Alonso; o outro, Sancho.

Começaram a se misturar:

− Deixa eu brincar com seu cavalo? − pediu Sancho. −

Só se você me emprestar sua espada, respondeu Alonso.

Iam se entendendo, apesar de assustados com a felicidade da nova companhia.

Avançaram na entrega:

− Tá vendo aquele moinho gigante? − apontou Alonso. Meu pai sozinho é que faz ele girar.

− Seu pai deve ter braços enormes, disse Sancho.

− Tem! Mas nem precisava, respondeu Alonso. Ele move o moinho com um sopro.

Sancho achou graça. Também tinha uma proeza a contar:

− Tá vendo o castelo ali? − apontou. Meu pai disse que o dono tem tanta terra que o céu não dá para cobrir ela toda.

− E se a gente esticasse o céu como uma lona e cobrisse o que está faltando? − propôs Alonso.

− Seria legal, disse Sancho. Mas ia dar um trabalhão.

− Temos de crescer primeiro.

− Bom, enquanto a gente cresce, vamos pensar num jeito de subir até o céu! − disse Alonso.

− Vamos! − concordou Sancho.

Sentaram-se na relva. O cavalo, a espada e o escudo entre os dois. Um sopro de vento passou por eles. Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho.


CARRASCOZA, João Anzanello. Moinho de sonhos. Histórias de Amor e Morte (blog), 21 mar. 2016. Disponível em: https://historiasdeamoremorte.wordpress.com/2016/03/21/moinho-de-s onhos-joao-anzanello-carrascoza/ . Acesso em: 31 dez. 2025.
O narrador afirma: "Mas meninos são assim: se há abismos, inventam pontes". Nesse sentido, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3846073 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Moinho de Sonhos


A mulher e o menino iam montados no cavalo; o homem ia ao lado, a pé. Andavam sem rumo havia semanas, até que deram numa aldeia à beira de um rio, onde as oliveiras vicejavam.

Fizeram uma pausa e, como a gente ali era hospitaleira e a oferta de serviço abundante, resolveram ficar. O homem arranjou emprego num moinho próximo à aldeia. A mulher se juntou a outras que colhiam azeitonas em terras ao redor de um castelo. Levou consigo o menino que, no meio do caminho, achou um velho cabo de vassoura e fez dele o seu cavalo. Deu-lhe o nome de Rocinante.

Ao chegar aos olivais, o pequeno encontrou o filho de outra colhedeira − um garoto que se exibia com um escudo e uma espada de pau.

Os dois se observaram à distância. Cada um se manteve junto à sua mãe, sem saber como se libertar dela. Vigiavam-se. Era preciso coragem para se acercar. Mas meninos são assim: se há abismos, inventam pontes.

De súbito, estavam frente a frente. Puseram-se a conversar, embora um e outro continuassem na sua. Logo esse já sabia o nome daquele: o menino recém-chegado se chamava Alonso; o outro, Sancho.

Começaram a se misturar:

− Deixa eu brincar com seu cavalo? − pediu Sancho. −

Só se você me emprestar sua espada, respondeu Alonso.

Iam se entendendo, apesar de assustados com a felicidade da nova companhia.

Avançaram na entrega:

− Tá vendo aquele moinho gigante? − apontou Alonso. Meu pai sozinho é que faz ele girar.

− Seu pai deve ter braços enormes, disse Sancho.

− Tem! Mas nem precisava, respondeu Alonso. Ele move o moinho com um sopro.

Sancho achou graça. Também tinha uma proeza a contar:

− Tá vendo o castelo ali? − apontou. Meu pai disse que o dono tem tanta terra que o céu não dá para cobrir ela toda.

− E se a gente esticasse o céu como uma lona e cobrisse o que está faltando? − propôs Alonso.

− Seria legal, disse Sancho. Mas ia dar um trabalhão.

− Temos de crescer primeiro.

− Bom, enquanto a gente cresce, vamos pensar num jeito de subir até o céu! − disse Alonso.

− Vamos! − concordou Sancho.

Sentaram-se na relva. O cavalo, a espada e o escudo entre os dois. Um sopro de vento passou por eles. Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho.


CARRASCOZA, João Anzanello. Moinho de sonhos. Histórias de Amor e Morte (blog), 21 mar. 2016. Disponível em: https://historiasdeamoremorte.wordpress.com/2016/03/21/moinho-de-s onhos-joao-anzanello-carrascoza/ . Acesso em: 31 dez. 2025.
O conto encerra com a frase: "Um sopro de vento passou por eles. Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho." Nesse sentido, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FGV Órgão: AMAZUL Provas: FGV - 2026 - AMAZUL - Advogado | FGV - 2026 - AMAZUL - Contador | FGV - 2026 - AMAZUL - Designer Gráfico | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Administração | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Mecatrônico | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Desenvolvimento de Sistemas | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Naval | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Computação | FGV - 2026 - AMAZUL - Médico do Trabalho | FGV - 2026 - AMAZUL - Psicólogo | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Infraestrutura de Tecnologia da Informação | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Controle da Qualidade | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Negócios | FGV - 2026 - AMAZUL - Arquiteto | FGV - 2026 - AMAZUL - Auditor | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Recursos Humanos | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Ambiental | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Materiais | FGV - 2026 - AMAZUL - Especialista de Radioproteção | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Nuclear | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Produção | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Civil | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Controle e Automação | FGV - 2026 - AMAZUL - Físico | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Químico | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Telecomunicações | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Segurança do Trabalho | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Eletricista | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Eletrônico | FGV - 2026 - AMAZUL - Meteorologista | FGV - 2026 - AMAZUL - Químico | FGV - 2026 - AMAZUL - Tecnólogo em Fabricação Mecânica | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Energia | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Mecânico |
Q3846017 Português
Por não estarem distraídos

(Clarice Lispector)


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto, ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbitos, exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
Sobre a linguagem utilizada no texto, pode-se afirmar que
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FGV Órgão: AMAZUL Provas: FGV - 2026 - AMAZUL - Advogado | FGV - 2026 - AMAZUL - Contador | FGV - 2026 - AMAZUL - Designer Gráfico | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Administração | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Mecatrônico | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Desenvolvimento de Sistemas | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Naval | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Computação | FGV - 2026 - AMAZUL - Médico do Trabalho | FGV - 2026 - AMAZUL - Psicólogo | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Infraestrutura de Tecnologia da Informação | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Controle da Qualidade | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Negócios | FGV - 2026 - AMAZUL - Arquiteto | FGV - 2026 - AMAZUL - Auditor | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Recursos Humanos | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Ambiental | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Materiais | FGV - 2026 - AMAZUL - Especialista de Radioproteção | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Nuclear | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Produção | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Civil | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Controle e Automação | FGV - 2026 - AMAZUL - Físico | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Químico | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Telecomunicações | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Segurança do Trabalho | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Eletricista | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Eletrônico | FGV - 2026 - AMAZUL - Meteorologista | FGV - 2026 - AMAZUL - Químico | FGV - 2026 - AMAZUL - Tecnólogo em Fabricação Mecânica | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Energia | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Mecânico |
Q3846014 Português
Por não estarem distraídos

(Clarice Lispector)


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto, ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbitos, exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
Assinale a opção que não apresenta uma causa para o distanciamento dos amantes.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FGV Órgão: AMAZUL Provas: FGV - 2026 - AMAZUL - Advogado | FGV - 2026 - AMAZUL - Contador | FGV - 2026 - AMAZUL - Designer Gráfico | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Administração | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Mecatrônico | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Desenvolvimento de Sistemas | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Naval | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Computação | FGV - 2026 - AMAZUL - Médico do Trabalho | FGV - 2026 - AMAZUL - Psicólogo | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Infraestrutura de Tecnologia da Informação | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Controle da Qualidade | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Negócios | FGV - 2026 - AMAZUL - Arquiteto | FGV - 2026 - AMAZUL - Auditor | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Recursos Humanos | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Ambiental | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Materiais | FGV - 2026 - AMAZUL - Especialista de Radioproteção | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Nuclear | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Produção | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Civil | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Controle e Automação | FGV - 2026 - AMAZUL - Físico | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Químico | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Telecomunicações | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Segurança do Trabalho | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Eletricista | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Eletrônico | FGV - 2026 - AMAZUL - Meteorologista | FGV - 2026 - AMAZUL - Químico | FGV - 2026 - AMAZUL - Tecnólogo em Fabricação Mecânica | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Energia | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Mecânico |
Q3846013 Português
Por não estarem distraídos

(Clarice Lispector)


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto, ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbitos, exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
O texto apresenta uma perspectiva amorosa baseada
Alternativas
Q3845939 Português
O homem nu

(Fernando Sabino)

Ao acordar, disse para a mulher:

— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.

— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.

— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações.

Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar —

amanhã eu pago.

Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café.

Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.

Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:

— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.

Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão! Não era. Refugiado no lanço de escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:

— Maria, por favor! Sou eu!

Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada.

Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.

— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado.

E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pelo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!

— Isso é que não — repetiu, furioso.

Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão de seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.

— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:

— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu...

A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:

— Valha-me Deus! O padeiro está nu!

E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:

— Tem um homem pelado aqui na porta!

Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:

— É um tarado!

— Olha, que horror!

— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!

Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta!

— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.

Não era: era o cobrador da televisão.


https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/15831/o-homem-nu adaptado
Após a leitura do texto "O homem nu", analise as afirmativas a seguir:

I.O personagem usa um embrulho de pão como 'cobertura', evidenciando seu desconforto.
II.As ações do personagem, como parar o elevador ou abrir a porta entre os andares, refletem sua desorientação.
III.As referências ao "Regime do Terror" e "pesadelo de Kafka" mostram como ele percebe a situação como extrema e surreal.
IV.O desespero do personagem era motivado pelo receio de ser surpreendido nu, pelo possível aparecimento inesperado do cobrador e pela perda de controle sobre os acontecimentos.


É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3845938 Português
O homem nu

(Fernando Sabino)

Ao acordar, disse para a mulher:

— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.

— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.

— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações.

Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar —

amanhã eu pago.

Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café.

Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.

Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:

— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.

Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão! Não era. Refugiado no lanço de escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:

— Maria, por favor! Sou eu!

Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada.

Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.

— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado.

E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pelo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!

— Isso é que não — repetiu, furioso.

Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão de seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.

— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:

— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu...

A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:

— Valha-me Deus! O padeiro está nu!

E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:

— Tem um homem pelado aqui na porta!

Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:

— É um tarado!

— Olha, que horror!

— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!

Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta!

— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.

Não era: era o cobrador da televisão.


https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/15831/o-homem-nu adaptado
"Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos: — Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa."
Identifique a afirmativa que explica a insistência do personagem em chamar Maria e bater na porta mais de uma vez.
Alternativas
Q3845937 Português
O homem nu

(Fernando Sabino)

Ao acordar, disse para a mulher:

— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.

— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.

— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações.

Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar —

amanhã eu pago.

Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café.

Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.

Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:

— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.

Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão! Não era. Refugiado no lanço de escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:

— Maria, por favor! Sou eu!

Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada.

Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.

— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado.

E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pelo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!

— Isso é que não — repetiu, furioso.

Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão de seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.

— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:

— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu...

A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:

— Valha-me Deus! O padeiro está nu!

E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:

— Tem um homem pelado aqui na porta!

Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:

— É um tarado!

— Olha, que horror!

— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!

Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta!

— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.

Não era: era o cobrador da televisão.


https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/15831/o-homem-nu adaptado
"Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado."

A partir desse trecho é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3845935 Português
O homem nu

(Fernando Sabino)

Ao acordar, disse para a mulher:

— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.

— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.

— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações.

Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar —

amanhã eu pago.

Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café.

Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.

Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:

— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.

Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão! Não era. Refugiado no lanço de escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:

— Maria, por favor! Sou eu!

Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada.

Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.

— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado.

E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pelo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!

— Isso é que não — repetiu, furioso.

Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão de seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.

— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:

— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu...

A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:

— Valha-me Deus! O padeiro está nu!

E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:

— Tem um homem pelado aqui na porta!

Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:

— É um tarado!

— Olha, que horror!

— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!

Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta!

— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.

Não era: era o cobrador da televisão.


https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/15831/o-homem-nu adaptado
Considerando as marcas de textualidade presentes no texto, marque com V as afirmativas verdadeiras ou com F as falsas.

(__)Em "Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta..." , as ações do personagem são sequenciais, mostrando a ordem dos acontecimentos.

(__)Em "Pouco depois", "enquanto isso", "desta vez", "antes de mais nada", "agora", garantem continuidade temporal e progressão narrativa.

(__)Os parágrafos e frases não se conectam, tornando impossível acompanhar o fluxo da história, pois há interrupções do narrador para comentários internos.

(__)Em "Sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão", a expressão "sempre" é marcador de intensidade/frequência, indicando que a ação do personagem é constante ou habitual naquele momento de tensão.


A sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q3845921 Português
O filme Ainda Estou Aqui ganhou grande repercussão no ano de 2025. A obra alcançou reconhecimento nacional e internacional, ampliando o interesse do público pelo cinema brasileiro. Considerando esse contexto, qual aspecto contribuiu para o destaque do filme junto ao público e à crítica?
Alternativas
Q3845899 Português
O julgamento da ovelha


Um cachorro de maus bofes acusou uma pobre ovelhinha de lhe haver furtado um osso.

— Para que furtaria eu esse osso — alegou ela — se sou herbívora e um osso para mim vale tanto quanto um pedaço de pau?

Não quero saber de nada. Você furtou o osso e vou já levá-la aos tribunais.

E assim fez.

Queixou-se ao gavião penacho e pediu-lhe justiça. O gavião reuniu o tribunal para julgar a causa, sorteando para isso doze urubus de papo vazio.

Comparece a ovelha. Fala. Defende-se de forma cabal, com razões muito irmãs das do cordeirinho que o lobo em tempos comeu.

Mas o júri, composto de carnívoros gulosos, não quis saber de nada e deu a sentença:

— Ou entrega o osso já e já, ou condenamos você à morte!

A ré tremeu: não havia escapatória!... Osso não tinha e não podia, portanto, restituir; mas tinha a vida e ia entregá-la em pagamento do que não furtara.

Assim aconteceu. O cachorro sangrou-a, espostejou-a, reservou para si um quarto e dividiu o restante com os juízes famintos, a titulo de custas... 



https://contobrasileiro.com.br/o-julgamento-da-ovelha-fabula-de-monteir o-lobato/
"O cachorro sangrou-a, espostejou-a, reservou para si um quarto e dividiu o restante com os juízes famintos, a título de custas..."
Identifique a alternativa CORRETA sobre o desfecho da crônica.
Alternativas
Q3845898 Português
O julgamento da ovelha


Um cachorro de maus bofes acusou uma pobre ovelhinha de lhe haver furtado um osso.

— Para que furtaria eu esse osso — alegou ela — se sou herbívora e um osso para mim vale tanto quanto um pedaço de pau?

Não quero saber de nada. Você furtou o osso e vou já levá-la aos tribunais.

E assim fez.

Queixou-se ao gavião penacho e pediu-lhe justiça. O gavião reuniu o tribunal para julgar a causa, sorteando para isso doze urubus de papo vazio.

Comparece a ovelha. Fala. Defende-se de forma cabal, com razões muito irmãs das do cordeirinho que o lobo em tempos comeu.

Mas o júri, composto de carnívoros gulosos, não quis saber de nada e deu a sentença:

— Ou entrega o osso já e já, ou condenamos você à morte!

A ré tremeu: não havia escapatória!... Osso não tinha e não podia, portanto, restituir; mas tinha a vida e ia entregá-la em pagamento do que não furtara.

Assim aconteceu. O cachorro sangrou-a, espostejou-a, reservou para si um quarto e dividiu o restante com os juízes famintos, a titulo de custas... 



https://contobrasileiro.com.br/o-julgamento-da-ovelha-fabula-de-monteir o-lobato/

"Mas o júri, composto de carnívoros gulosos, não quis saber de nada e deu a sentença."

O júri formado por carnívoros gulosos não aceitou a defesa da ré. A partir disso, identifique a alternativa CORRETA.

Alternativas
Q3845897 Português
A coruja e a águia


Coruja e águia, depois de muita briga, resolveram fazer as pazes.

- Basta de guerra - disse a coruja. - O mundo é grande, e tolice maior que o mundo é andarmos a comer os filhotes uma da outra.

- Perfeitamente - respondeu a águia. - Também eu não quero outra coisa.

- Nesse caso combinemos isto: de agora em diante não comerás nunca os meus filhotes.

- Muito bem. Mas como posso distinguir os teus filhotes?

- Coisa fácil. Sempre que encontrarem uns borrachos lindos, bem-feitinhos de corpo, alegres, cheios de uma graça especial que não existe em filhotes de nenhuma outra ave, já sabes, são os meus.

- Está feito! - concluiu a águia.

Dias depois, andando à caça, a águia encontrou um ninho com três mostrengos dentro, que piavam de bico muito aberto.

- Horríveis bichos! - disse ela. - Vê-se logo que não são os filhos da coruja.

E comeu-os.

Mas eram os filhos da coruja. Ao regressar à toca, a triste mãe chorou amargamente o desastre e foi ajustar contas com a rainha das aves.

- Quê? - disse esta, admirada. - eram teus aqueles mostrenguinhos? Pois, olha, não se pareciam nada com o retrato que deles me fizeste...


https://www.culturagenial.com/fabulas-monteiro-lobato/#goog_rewarded

"Horríveis bichos! - disse ela. - Vê-se logo que não são os filhos da coruja. E comeu-os."

Considerando o trecho e o texto-base, identifique a afirmativa CORRETA.

Alternativas
Q3845893 Português
A coruja e a águia


Coruja e águia, depois de muita briga, resolveram fazer as pazes.

- Basta de guerra - disse a coruja. - O mundo é grande, e tolice maior que o mundo é andarmos a comer os filhotes uma da outra.

- Perfeitamente - respondeu a águia. - Também eu não quero outra coisa.

- Nesse caso combinemos isto: de agora em diante não comerás nunca os meus filhotes.

- Muito bem. Mas como posso distinguir os teus filhotes?

- Coisa fácil. Sempre que encontrarem uns borrachos lindos, bem-feitinhos de corpo, alegres, cheios de uma graça especial que não existe em filhotes de nenhuma outra ave, já sabes, são os meus.

- Está feito! - concluiu a águia.

Dias depois, andando à caça, a águia encontrou um ninho com três mostrengos dentro, que piavam de bico muito aberto.

- Horríveis bichos! - disse ela. - Vê-se logo que não são os filhos da coruja.

E comeu-os.

Mas eram os filhos da coruja. Ao regressar à toca, a triste mãe chorou amargamente o desastre e foi ajustar contas com a rainha das aves.

- Quê? - disse esta, admirada. - eram teus aqueles mostrenguinhos? Pois, olha, não se pareciam nada com o retrato que deles me fizeste...


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"Pois, olha, não se pareciam nada com o retrato que deles me fizeste..."

Identifique a alternativa CORRETA sobre essa fala da águia.

Alternativas
Respostas
8621: E
8622: A
8623: C
8624: E
8625: C
8626: D
8627: B
8628: C
8629: C
8630: A
8631: C
8632: E
8633: A
8634: A
8635: E
8636: C
8637: D
8638: C
8639: A
8640: E