Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3998276 Português
No capítulo “Os gêneros do discurso”, Bakhtin (2011) faz a seguinte afirmação:
“Ora, a língua passa a integrar a vida através de enunciados concretos (que a realizam); é igualmente através de enunciados concretos que a vida entra na língua. O enunciado é um núcleo problemático de importância excepcional”. (BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. In: BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Tradução de Paulo Bezerra. 6. ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011, p. 265.)
Dentre as alternativas abaixo, uma apresenta corretamente o conceito de enunciado, de acordo com a perspectiva bakhtiniana (BAKHTIN, 2011):
Alternativas
Q3998275 Português
“A sociedade do século XXI é ditada pelo acender e o apagar das luzes, pelo virtual representado nas telas dos computadores, de conexões hipertextuais, pelas características da sociedade tecidas nos ambientes digitais on-line; trata-se de uma sociedade assinalada por transformações intensas num novo contexto em que os gêneros do discurso assumem a configuração dos gêneros midiáticos. Esses gêneros ganharam os espaços não lineares e céleres da internet”. (Fonte: NOGUEIRA, F. C. Relações entre fazeres e saberes: gêneros midiáticos presentes na internet e contexto escolar. International Congress of Critical Applied Linguistics. Brasília, 19-21 outubro de 2015. Disponível em: https://www.uel.br/projetos/iccal/pages/arquivos/ANAIS/DISCURSO/RELACOES%20ENTR E%20FAZERES%20E%20SABERES.pdf. Acesso em 29 mar. 2022).
Sobre os gêneros midiáticos, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3998274 Português
“Acreditamos que atividades (in)formativas sobre essa grande diversidade linguística [no Pará] podem contribuir para a erradicação do preconceito linguístico, enfatizando sua importância nos cursos de licenciatura que formam professores para atuar no ensino fundamental. É importante frisar também que esse conhecimento deve ser levado às comunidades populares, afinal falamos línguas diferentes no Brasil, cada uma com importante carga cultural na formação de nosso povo”. (FERREIRA-SILVA et. al. Diversidade linguística no Pará: mundos de línguas indígenas e de língua portuguesa. Margens. Vol. 8, No 10, 2014, p. 107).
A Base Nacional Comum Curricular de Língua Portuguesa para o Ensino Médio (BRASIL, 2018) define a progressão das aprendizagens e habilidades considerando alguns pontos. O ponto da BNCC que mais se aproxima à temática discutida na citação acima é:
Alternativas
Q3998271 Português
“Proponho que se veja a LT [Linguística Textual], mesmo que provisória e genericamente, como o estudo das operações linguísticas e cognitivas reguladoras e controladoras da produção, construção, funcionamento e recepção de textos escritos ou orais. Seu tema abrange a coesão superficial ao nível dos constituintes linguísticos, a coerência conceitual ao nível semântico e cognitivo e o sistema de pressuposições ao nível pragmático da produção de sentido no plano das ações e intenções”. (Fonte: MARCUSCHI, L. A. Linguística de texto: o que é e como se faz. São Paulo: Parábola Editorial, 2012, p. 33). 
Para Marcuschi (2012), os fatores de conexão conceitual-cognitiva dos textos podem ser de relações lógicas e de modelos cognitivos globais. Para o autor, as relações lógicas são construídas por meio de: 
Alternativas
Q3998270 Português
“Proponho que se veja a LT [Linguística Textual], mesmo que provisória e genericamente, como o estudo das operações linguísticas e cognitivas reguladoras e controladoras da produção, construção, funcionamento e recepção de textos escritos ou orais. Seu tema abrange a coesão superficial ao nível dos constituintes linguísticos, a coerência conceitual ao nível semântico e cognitivo e o sistema de pressuposições ao nível pragmático da produção de sentido no plano das ações e intenções”. (Fonte: MARCUSCHI, L. A. Linguística de texto: o que é e como se faz. São Paulo: Parábola Editorial, 2012, p. 33).
Assinale a alternativa que apresenta o estabelecimento da coesão textual por meio de próformas nominais: 
Alternativas
Q3998269 Português

Leia o texto abaixo:


O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio) abriu ontem a coletiva “Terra em Tempos: Fotografias do Brasil”, com 270 fotografias de 120 artistas, incluindo os paraenses Rosário Lima, Guy Veloso, Luiz Braga, Paulo Amorim, Paula Sampaio e Elza Lima, além do português Felipe Fidanza, que atuou como fotógrafo em Belém no século 19. A curadoria de Beatriz Lemos estabelece sete eixos temáticos que discutem as construções de identidade, cultura e história do Brasil, a partir do acervo da instituição. (...) Segundo Beatriz Lemos, uma mostra como “Terra em Tempos”, que se propõe a discutir identidade nacional a partir da fotografia, não poderia deixar de fora imagens de fotógrafos paraenses pertencentes ao acervo do MAM-Rio. “Reunir fotógrafos com diversas perspectivas e territorialidades nos ajudou a compor um cenário de tensões, contrariedades e aproximações inesperadas. Nesse sentido, trazer fotógrafas e fotógrafos paraenses - Estado onde a fotografia exerce uma forte influência em todo o país -, era fundamental para levantar reflexões sobre cultura, história e memória”, destaca. (...) (Fonte: AZEVEDO, Lais. Museu de Arte Moderna do Rio inclui obras de paraenses. 27/03/2022. Disponível em: https://dol.com.br/entretenimento/cultura/704738/museu-de-arte-moderna-do-rio-incluiobras-de-paraenses?d=1. Acesso em 29 mar. 2022).



Após ler o excerto, marque a alternativa em que se apresenta corretamente o recurso expressivo da língua, a descrição do recurso e o efeito de sentido construído com o uso desse recurso no texto:

Alternativas
Q3998266 Português
"Recentemente incorporados à agenda de trabalho de muitos pesquisadores situados no campo da Linguística Textual, os estudos sobre os gêneros textuais vêm contribuindo significativamente para ampliar a compreensão do processamento cognitivo do texto (recepção e produção). Partindo da concepção bakhtiniana segundo a qual os gêneros são enunciados relativamente estáveis em cuja constituição entram elementos referentes ao conteúdo, composição e estilo, Marcuschi (2002) afirma que é impossível pensar em comunicação a não ser por meio de gêneros textuais (quer orais, quer escritos), entendidos como práticas socialmente constituídas com propósito comunicacional configuradas concretamente em textos. Por sua vez, Koch (2004) defende a ideia segundo a qual os indivíduos desenvolvem uma competência metagenérica que lhes possibilita interagir de forma conveniente, na medida em que se envolvem nas diversas práticas sociais. É essa competência que orienta, por um lado, a leitura e a compreensão de textos, e, por outro lado, a produção escrita (e também oral)." (KOCH, 2009, p. 56)
Relacionando a formulação de Ingedore Koch sobre “competência metagenérica” e propostas de atividades envolvendo leitura e produção de gêneros midiáticos, como blog, vlog, chats, memes, podemos colocar que:
Alternativas
Q3998265 Português
Os memes são um gênero digital cada vez mais presente na vida das pessoas que utilizam as redes sociais como forma de interação. Durante a pandemia de Covid 19, em que o ensino remoto se tornou realidade em nossas instituições, professores de língua materna traçaram diversas estratégias para lidar com a nova realidade e, sem dúvida, a presença dos memes em grupos de WhatsApp, Instagram e Facebook transformou-se em uma excelente oportunidade de pensar práticas de leitura e escrita. Em sala de aula, o meme pode funcionar como: 
Alternativas
Q3998264 Português
A seguir um trecho de “Duas notas sobre Machado de Assis”, do livro de ensaios "Que horas são?”, de Roberto Schwarz.

"Quem me diz que esse personagem não seja o Brasil?
A pergunta acima é de um contemporâneo de Machado de Assis, e refere-se a Pedro Rubião de Alvarenga, a figura central de Quincas Borba. De fato, Rubião é ingênuo (mas não puro) no trato do dinheiro, da filosofia, do amor, da política, e um delírio de grandeza afinal lhe tira o juízo, o que pode ser visto como uma alegoria do Brasil, embora a alegoria não seja evidente. Outros autores, pelo contrário, criticaram em Machado a falta de intenção e do colorido nacional: seria um literato estrangeirado, sem interesse pelos problemas pátrios. Esta divergência veio até os nossos dias. Ainda recentemente ela causava polêmica na Câmara dos Deputados, em que se escolhia o patrono das letras brasileiras. José de Alencar, o festejado criador de vários romances indianistas, não seria mais nacional do que Machado de Assis? A opinião da crítica mais refinada (que a outros, no entanto, parece apenas mais elitista, além de também ela pouco nacional) vai em direção oposta: o romancista de Quincas Borba seria o mais profundamente brasileiro de nossos escritores". SCHWARZ, 2002, p. 165

Em outras palavras, é possível dizer que:
Alternativas
Q3998262 Português

A seguir, um fragmento do mais recente livro de Djamila Ribeiro, “Cartas para minha avó”, publicado em 2021.


"Somos de tempos diferentes, vó, e para mim não é aceitável que se bata em crianças – mas eu compreendo vocês duas. Talvez a minha mãe nunca tivesse sido amada sem sentir dor. Sabe, Toni Morrison diz que o “o amor nunca é melhor do que o amante, que quem é mau ama com maldade e quem é violento ama com violência”. Com isso não quero dizer que vocês eram más e violentas, mas que o sistema que as violentou confinou vocês numa situação em que a violência era a única saída. E, mesmo assim, apesar de toda maldade que lhes foi infligida, vocês amaram. Houve a transcendência pelo amor. Vó, você me amou incondicionalmente. Minha mãe, apesar das cicatrizes e traumas, me aninhava nas minhas noites de insônia, esquentava leite com mel nos meus dias de dor, me arrumava como se eu fosse a menina mais bonita do mundo. E se hoje minha filha não sabe o que é uma surra, é porque nossa linhagem ancestral sobreviveu ao que nos foi imposto". RIBEIRO, 2021, p. 40


Inserida no gênero Cartas, a obra não apresenta uma história única, mas várias. São relatos de episódios vividos por uma neta, carregados de uma profunda reflexão que atravessa temas como racismo, violência, maternidade, desigualdade entre gêneros etc. Sobre essa escrita, podemos comentar:

Alternativas
Q3998260 Português
A seguir você vai ler os dois primeiros parágrafos do romance Pssica, do escritor paraense Edyr Augusto, publicado em 2015. 

"Era para ser um dia normal, de aula. Mas Janalice percebeu algo diferente ao entrar. Não

que sua passagem no pátio do colégio não provocasse, sempre, algum frisson por conta da

altura de sua saia. Mas era mais do que isso. Dentro da sala, cochichos e risos. Então, a

professora se irrita e alguém se levanta. Entrega um celular. A professora põe a mão na

boca. Sai. O que é que tem no celular? Janalice assiste a uma demorada cena de felação

que ela protagoniza, junto a seu namorado, Fenque, com direito a closes de sua genitália,

a pedido dele. Chocada, não sabe o que dizer. A professora retorna. A diretora vem junto.

Pede que ela saia. Que volte para casa. Que somente retorne com os pais. E, atravessando

o pátio, agora ouve claramente o deboche de todos.

Janalice tem catorze anos. Em casa, a mãe chora. Grita. Estapeia. Rasga suas roupas.

Entra o pai, com a farda de cobrador de ônibus. Tira o cinto. Espanca. Expulsa de casa. Ela

sai chorando pela rua. Em uma esquina, Fenque está com os amigos. Ela chega e pede

ajuda. Ele a trata mal. Ri de sua cara. Os amigos também. Ela cobra. Ele dá um tapa. Sai

fora."

Augusto, 2015, p. 7

Edyr Augusto, além de autor de romances, é jornalista, radialista e autor de textos teatrais.

Ao falar da própria escrita, ele diz “eu escrevo como quem dá socos na boca do estômago

do leitor repetidas vezes, para que ele não consiga respirar e continue lendo. É como se eu

não quisesse que ele largasse o livro. Às vezes, tá lendo, 'amanhã eu continuo', não! Siga

e vá até o final. Essa é a ideia.” (https://www.youtube.com/watch?v=_F0209fplMk. Acesso

em 22 mar. 2022, às 20h).




Relacionando a fala do escritor sobre a sua produção literária e os procedimentos narrativos

adotados no trecho em destaque, é possível dizer que: 

Alternativas
Q3998259 Português
A seguir, o trecho inicial do romance Relato de um certo Oriente, de Milton Hatoum, publicado pela primeira vez em 1989:
"Quando abri os olhos, vi o vulto de uma mulher e o de uma criança. As duas figuras estavam inertes diante de mim, e a claridade indecisa da manhã nublada devolvia os dois corpos ao sono e ao cansaço de uma noite maldormida. Sem perceber, tinha me afastado do lugar escolhido para dormir e ingressado numa espécie de gruta vegetal, entre o globo de luz e o caramanchão que dá acesso aos fundos da casa. Deitada na grama, com o corpo encolhido por causa do sereno, sentia na pele a roupa úmida e tinha as mãos repousadas nas páginas também úmidas de um caderno aberto, onde rabiscara, meio sonolenta, algumas impressões do voo noturno". HATOUM, 2008, p. 7
De acordo com a leitura do trecho em destaque e sobre a instância fictícia do narrador no romance, é possível dizer que: 
Alternativas
Q3998258 Português
A seguir, a primeira parte de um conjunto de sete textos intitulado “O poema”, do poeta português Herberto Helder (1930-2015), publicado pela primeira vez em A colher na Boca (1961).


O Poema

I.

Um poema cresce inseguramente

na confusão da carne,

sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,

talvez como sangue

ou sombra de sangue pelos canais do ser.



Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência

ou os bagos de uva de onde nascem

as raízes minúsculas do sol.

Fora, os corpos genuínos e inalteráveis

do nosso amor,

os rios, a grande paz exterior das coisas,

as folhas dormindo o silêncio,

as sementes à beira do vento,

- a hora teatral da posse.

E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.

Insustentável, único,

invade as órbitas, a face amorfa das paredes,

a miséria dos minutos,

a força sustida das coisas,

a redonda e livre harmonia do mundo.

- Embaixo o instrumento perplexo ignora

a espinha do mistério.



- E o poema faz-se contra o tempo e a carne.




Tomando por princípio a leitura do recorte de “O Poema”, é possível dizer que: 

Alternativas
Q3994479 Português
Um velho e um miúdo vão seguindo pela estrada. Andam bambolentos como se caminhar fosse seu único serviço desde que nasceram. Vão para lá de nenhuma parte, dando o vindo por não ido, a espera do adiante. Fogem da guerra que contaminara toda a sua terra. 
Vão na ilusão de, mais além, haver um refúgio tranquilo. Avançam descalços, suas vestes têm a mesma cor do caminho. O velho se chama Tuahir. É magro, parece ter perdido toda a substância. O jovem se chama Muidinga. Caminha à frente desde que saíra do campo de refugiados. Se nota nele um leve coxear, uma perna demorando mais que o passo. Vestígio da doença que, ainda há pouco, o arrastara quase até a morte. 
(Mia Couto, Terra Sonâmbula) 
No parágrafo acima observamos uma marca relevante nos textos de Mia Couto que se trata: 
Alternativas
Q3994477 Português

 A tira a seguir retrata:


                                                      Imagem associada para resolução da questão


(http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/car-tum/cartunsdiarios/#5/8/2017)

Alternativas
Q3994476 Português

Leia o texto a seguir:


VIBRAÇÕES


Vibrar, viver. Vibra o abismo etéreo à musica das esferas; vibra a convulsão do verme, no segredo subterrâneo dos túmulos. Vive a luz, vive o perfume, vive o som, vive a putrefação. Vivem à semelhança os ânimos. A harpa do sentimento canta no peito, ora o entusiasmo, um hino, ora o adágio oscilante da cisma. A cada nota, uma cor, tal qual nas vibrações da luz. O conjunto é a sinfonia das paixões. Eleva-se a gradação cromática até à suprema intensidade rutilante; baixa à profunda e escura vibração das elegias. 


Sonoridade, colorido: eis o sentimento.

Dai o simbolismo popular das cores.


(POMPEIA, Raul. Canções sem metro. Campinas, SP: Editora Unicamp, 2013. 303 p.)  

A respeito da palavra destacada: “A harpa do sentimento canta no peito, ora o entusiasmo, um hino, ora o adágio oscilante da cisma. ” 
Assinala a alternativa correta. 
Alternativas
Q3994473 Português

Leia o texto a seguir:


VIBRAÇÕES


Vibrar, viver. Vibra o abismo etéreo à musica das esferas; vibra a convulsão do verme, no segredo subterrâneo dos túmulos. Vive a luz, vive o perfume, vive o som, vive a putrefação. Vivem à semelhança os ânimos. A harpa do sentimento canta no peito, ora o entusiasmo, um hino, ora o adágio oscilante da cisma. A cada nota, uma cor, tal qual nas vibrações da luz. O conjunto é a sinfonia das paixões. Eleva-se a gradação cromática até à suprema intensidade rutilante; baixa à profunda e escura vibração das elegias. 


Sonoridade, colorido: eis o sentimento.

Dai o simbolismo popular das cores.


(POMPEIA, Raul. Canções sem metro. Campinas, SP: Editora Unicamp, 2013. 303 p.)  

Na frase “Vibrar, viver. Vibra o abismo etéreo a música das esferas. ” Há uma ocorrência de: 
Alternativas
Q3994472 Português

Leia o texto a seguir:


VIBRAÇÕES


Vibrar, viver. Vibra o abismo etéreo à musica das esferas; vibra a convulsão do verme, no segredo subterrâneo dos túmulos. Vive a luz, vive o perfume, vive o som, vive a putrefação. Vivem à semelhança os ânimos. A harpa do sentimento canta no peito, ora o entusiasmo, um hino, ora o adágio oscilante da cisma. A cada nota, uma cor, tal qual nas vibrações da luz. O conjunto é a sinfonia das paixões. Eleva-se a gradação cromática até à suprema intensidade rutilante; baixa à profunda e escura vibração das elegias. 


Sonoridade, colorido: eis o sentimento.

Dai o simbolismo popular das cores.


(POMPEIA, Raul. Canções sem metro. Campinas, SP: Editora Unicamp, 2013. 303 p.)  

Qual figura de linguagem está presente nesta passagem do poema: “Sonoridade, colorido: eis o sentimento. 
Alternativas
Q3994471 Português

Leia o texto a seguir:


VIBRAÇÕES


Vibrar, viver. Vibra o abismo etéreo à musica das esferas; vibra a convulsão do verme, no segredo subterrâneo dos túmulos. Vive a luz, vive o perfume, vive o som, vive a putrefação. Vivem à semelhança os ânimos. A harpa do sentimento canta no peito, ora o entusiasmo, um hino, ora o adágio oscilante da cisma. A cada nota, uma cor, tal qual nas vibrações da luz. O conjunto é a sinfonia das paixões. Eleva-se a gradação cromática até à suprema intensidade rutilante; baixa à profunda e escura vibração das elegias. 


Sonoridade, colorido: eis o sentimento.

Dai o simbolismo popular das cores.


(POMPEIA, Raul. Canções sem metro. Campinas, SP: Editora Unicamp, 2013. 303 p.)  

O poema em prosa de Raul Pompeia inspira-se na escola simbolista. Os textos simbolistas fazem uso de imagens que extrapolam a percepção objetiva no mundo. A partir dessa característica, pode-se afirmar que o texto acima é: 
Alternativas
Q3992799 Português
    Cronologicamente a situação era a seguinte: um homem e uma mulher estavam casados. Esse homem e essa mulher começaram — sem nenhum objetivo de ir longe demais, e não se sabe levados por que necessidade que pessoas têm — começaram a tentar viver mais intensamente. A tentativa de viver mais intensamente levou-os, por sua vez, numa espécie de constante verificação de receita e despesa, a tentar pesar o que era e o que não era importante. Isso eles o faziam a modo deles: com falta de jeito e de experiência, com modéstia. Eles tateavam. Mas de nada adiantava o vago esforço quase constrangido que faziam: a trama lhes escapava diariamente. Isso tudo não chegava a formar uma situação para o casal. Quer dizer, algo que cada um pudesse contar mesmo a si próprio na hora em que cada um se virava na cama para um lado e, por um segundo antes de dormir, ficava de olhos abertos. E pessoas precisam tanto poder contar a história delas mesmas. Eles não tinham o que contar. Com um suspiro de conforto, fechavam os olhos e dormiam agitados. E quando faziam o balanço de suas vidas, nem ao menos podiam nele incluir essa tentativa de viver mais intensamente, e descontá-la, como em imposto de renda. Balanço que pouco a pouco começavam a fazer com maior frequência, mesmo sem o equipamento técnico de uma terminologia adequada a pensamentos. Se se tratava de uma situação, não chegava a ser uma situação de que viver ostensivamente. Mas não era apenas assim que sucedia. Na verdade também estavam calmos porque "não conduzir", "não inventar", "não errar" lhes era, muito mais que um hábito, um ponto de honra assumido tacitamente. Eles nunca se lembrariam de desobedecer.
Clarice Lispector. Os obedientes. In: Felicidade Clandestina. 1.ª ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (com adaptações).
Infere-se que, no fragmento de conto apresentado, é narrada a história de um casamento problematizado como contrato institucionalizado que opera como um dispositivo pautado  
Alternativas
Respostas
79981: E
79982: B
79983: D
79984: E
79985: D
79986: B
79987: E
79988: B
79989: D
79990: D
79991: C
79992: E
79993: A
79994: A
79995: C
79996: A
79997: B
79998: A
79999: A
80000: A