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Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3859136 Português

TEXTO I


OS RIQUEZAS ESCONDIDAS E OS DESAFIOS DA NATUREZA BRASILEIRA

O Brasil é um país de dimensões continentais, abrigando uma biodiversidade sem paralelo em qualquer outro lugar do planeta. Seus biomas são verdadeiros laboratórios naturais, cada um com suas peculiaridades e desafios. O Cerrado, por exemplo, muitas vezes ofuscado pela grandiosidade da Amazônia, é a savana mais rica em biodiversidade do mundo. Sua vegetação adaptada ao fogo e ao solo ácido esconde uma profusão de espécies endêmicas e desempenha um papel crucial no abastecimento de importantes bacias hidrográficas, como as do São Francisco e do Paraná. A perda de vegetação nativa nesse bioma não afeta apenas a fauna e a flora locais, mas compromete diretamente a segurança hídrica de vastas regiões do país.

O Pantanal, por sua vez, com suas planícies alagadas e seu intrincado sistema de rios e corixos, é um santuário para a vida selvagem. A cheia e a seca, em um ritmo natural, moldam a paisagem e sustentam uma riqueza ímpar de aves, mamíferos e répteis. O turismo ecológico, quando praticado de forma consciente, pode ser um aliado na conservação desse bioma, gerando renda para as comunidades locais e valorizando o patrimônio natural. Contudo, as pressões do agronegócio e as alterações climáticas ameaçam o delicado equilíbrio desse ecossistema, tornando-o mais vulnerável a incêndios e à perda de habitats.

A Mata Atlântica, um dos biomas mais devastados, que originalmente se estendia por grande parte do litoral brasileiro, hoje sobrevive em fragmentos. Apesar da sua drástica redução, ainda é um hotspot de biodiversidade, abrigando uma quantidade extraordinária de espécies que não são encontradas em nenhum outro lugar. A recuperação dessas áreas degradadas, por meio de reflorestamento e proteção das nascentes, é fundamental para garantir a sobrevivência de muitas espécies e a manutenção dos serviços ecossistêmicos essenciais, como a regulação do clima e a purificação da água.

A caatinga, com sua vegetação adaptada à escassez hídrica e seus solos áridos, é um bioma igualmente fascinante e resiliente. Sua flora e fauna desenvolveram estratégias impressionantes para sobreviver em condições extremas, demonstrando a incrível capacidade de adaptação da natureza brasileira. Proteger esses biomas é resguardar não apenas a beleza natural, mas o futuro da humanidade.


(Adaptado de Correio Braziliense, nov. 2024)

A oração "A recuperação dessas áreas degradadas, por meio de reflorestamento e proteção das nascentes, é fundamental para garantir a sobrevivência de muitas espécies" (linhas 17-19) expressa a principal solução proposta no texto para a preservação da Mata Atlântica, enfatizando a importância de ações concretas.
Alternativas
Q3859135 Português

TEXTO I


OS RIQUEZAS ESCONDIDAS E OS DESAFIOS DA NATUREZA BRASILEIRA

O Brasil é um país de dimensões continentais, abrigando uma biodiversidade sem paralelo em qualquer outro lugar do planeta. Seus biomas são verdadeiros laboratórios naturais, cada um com suas peculiaridades e desafios. O Cerrado, por exemplo, muitas vezes ofuscado pela grandiosidade da Amazônia, é a savana mais rica em biodiversidade do mundo. Sua vegetação adaptada ao fogo e ao solo ácido esconde uma profusão de espécies endêmicas e desempenha um papel crucial no abastecimento de importantes bacias hidrográficas, como as do São Francisco e do Paraná. A perda de vegetação nativa nesse bioma não afeta apenas a fauna e a flora locais, mas compromete diretamente a segurança hídrica de vastas regiões do país.

O Pantanal, por sua vez, com suas planícies alagadas e seu intrincado sistema de rios e corixos, é um santuário para a vida selvagem. A cheia e a seca, em um ritmo natural, moldam a paisagem e sustentam uma riqueza ímpar de aves, mamíferos e répteis. O turismo ecológico, quando praticado de forma consciente, pode ser um aliado na conservação desse bioma, gerando renda para as comunidades locais e valorizando o patrimônio natural. Contudo, as pressões do agronegócio e as alterações climáticas ameaçam o delicado equilíbrio desse ecossistema, tornando-o mais vulnerável a incêndios e à perda de habitats.

A Mata Atlântica, um dos biomas mais devastados, que originalmente se estendia por grande parte do litoral brasileiro, hoje sobrevive em fragmentos. Apesar da sua drástica redução, ainda é um hotspot de biodiversidade, abrigando uma quantidade extraordinária de espécies que não são encontradas em nenhum outro lugar. A recuperação dessas áreas degradadas, por meio de reflorestamento e proteção das nascentes, é fundamental para garantir a sobrevivência de muitas espécies e a manutenção dos serviços ecossistêmicos essenciais, como a regulação do clima e a purificação da água.

A caatinga, com sua vegetação adaptada à escassez hídrica e seus solos áridos, é um bioma igualmente fascinante e resiliente. Sua flora e fauna desenvolveram estratégias impressionantes para sobreviver em condições extremas, demonstrando a incrível capacidade de adaptação da natureza brasileira. Proteger esses biomas é resguardar não apenas a beleza natural, mas o futuro da humanidade.


(Adaptado de Correio Braziliense, nov. 2024)

Na linha "sua vegetação adaptada ao fogo e ao solo ácido esconde uma profusão de espécies endêmicas", a palavra "profusão" poderia ser substituída, sem alteração de sentido e correção gramatical, por "escassez" para descrever a quantidade de espécies no Cerrado.
Alternativas
Q3859134 Português

TEXTO I


OS RIQUEZAS ESCONDIDAS E OS DESAFIOS DA NATUREZA BRASILEIRA

O Brasil é um país de dimensões continentais, abrigando uma biodiversidade sem paralelo em qualquer outro lugar do planeta. Seus biomas são verdadeiros laboratórios naturais, cada um com suas peculiaridades e desafios. O Cerrado, por exemplo, muitas vezes ofuscado pela grandiosidade da Amazônia, é a savana mais rica em biodiversidade do mundo. Sua vegetação adaptada ao fogo e ao solo ácido esconde uma profusão de espécies endêmicas e desempenha um papel crucial no abastecimento de importantes bacias hidrográficas, como as do São Francisco e do Paraná. A perda de vegetação nativa nesse bioma não afeta apenas a fauna e a flora locais, mas compromete diretamente a segurança hídrica de vastas regiões do país.

O Pantanal, por sua vez, com suas planícies alagadas e seu intrincado sistema de rios e corixos, é um santuário para a vida selvagem. A cheia e a seca, em um ritmo natural, moldam a paisagem e sustentam uma riqueza ímpar de aves, mamíferos e répteis. O turismo ecológico, quando praticado de forma consciente, pode ser um aliado na conservação desse bioma, gerando renda para as comunidades locais e valorizando o patrimônio natural. Contudo, as pressões do agronegócio e as alterações climáticas ameaçam o delicado equilíbrio desse ecossistema, tornando-o mais vulnerável a incêndios e à perda de habitats.

A Mata Atlântica, um dos biomas mais devastados, que originalmente se estendia por grande parte do litoral brasileiro, hoje sobrevive em fragmentos. Apesar da sua drástica redução, ainda é um hotspot de biodiversidade, abrigando uma quantidade extraordinária de espécies que não são encontradas em nenhum outro lugar. A recuperação dessas áreas degradadas, por meio de reflorestamento e proteção das nascentes, é fundamental para garantir a sobrevivência de muitas espécies e a manutenção dos serviços ecossistêmicos essenciais, como a regulação do clima e a purificação da água.

A caatinga, com sua vegetação adaptada à escassez hídrica e seus solos áridos, é um bioma igualmente fascinante e resiliente. Sua flora e fauna desenvolveram estratégias impressionantes para sobreviver em condições extremas, demonstrando a incrível capacidade de adaptação da natureza brasileira. Proteger esses biomas é resguardar não apenas a beleza natural, mas o futuro da humanidade.


(Adaptado de Correio Braziliense, nov. 2024)

O texto destaca que o Pantanal, devido à sua capacidade natural de se recuperar das cheias e secas, não sofre impactos significativos decorrentes de atividades humanas como o agronegócio, o que o torna um ecossistema autossustentável independentemente de pressões externas.

Alternativas
Q3858937 Português
TEXTO I

A ascensão das cidades modernas trouxe, consigo, um desafio persistente e multifacetado: a mobilidade urbana. Longe de ser um mero problema de trânsito, a mobilidade envolve a capacidade das pessoas de se deslocarem de forma eficiente, segura e sustentável, acessando trabalho, educação, saúde e lazer. Em grandes centros, a dependência excessiva do transporte individual motorizado tem gerado congestionamentos crônicos, poluição sonora e atmosférica, além de elevados custos econômicos e sociais. Ciclovias, faixas exclusivas para ônibus e sistemas de metrô e trem são iniciativas cruciais para reverter esse quadro, incentivando modos de transporte alternativos e mais ecológicos.

A acessibilidade urbana, por sua vez, é um pilar fundamental da mobilidade. Ela assegura que todos os cidadãos, independentemente de suas condições físicas, tenham igualdade de oportunidades para usufruir do espaço público. Calçadas adequadas, rampas de acesso, sinalizações táteis e veículos de transporte coletivo adaptados são essenciais para garantir que idosos, pessoas com deficiência e pais com carrinhos de bebê possam circular com autonomia e dignidade. A ausência de acessibilidade não apenas exclui, mas também limita o desenvolvimento social e econômico de parcelas significativas da população.

Outro aspecto vital na configuração das cidades é a infraestrutura de saneamento básico. Embora muitas vezes invisível, a rede de esgoto, o tratamento de água e a coleta de lixo impactam diretamente a saúde pública e a qualidade de vida. Cidades com saneamento deficitário enfrentam problemas de doenças, degradação ambiental e, consequentemente, menor bem-estar para seus habitantes. Praças e parques, enquanto espaços verdes e de convivência, complementam essa visão de cidade planejada. Eles oferecem áreas para recreação, promovem a socialização e contribuem para a melhoria do microclima e da biodiversidade urbana, funcionando como verdadeiros pulmões nas paisagens cinzentas das metrópoles. A interconexão entre uma mobilidade eficiente, acessibilidade universal, saneamento básico robusto e espaços verdes contribui para a construção de comunidades vibrantes e resilientes, onde a vida urbana floresce para todos.

(Adaptado de Estadão, nov. 2024)


Com base no texto acima, julgue o item a seguir.
O uso do termo 'pulmões' (último parágrafo) para descrever praças e parques nas metrópoles constitui uma metáfora, visando a enfatizar a função vital desses espaços para a “respiração” e o equilíbrio ambiental urbano. 
Alternativas
Q3858934 Português
TEXTO I

A ascensão das cidades modernas trouxe, consigo, um desafio persistente e multifacetado: a mobilidade urbana. Longe de ser um mero problema de trânsito, a mobilidade envolve a capacidade das pessoas de se deslocarem de forma eficiente, segura e sustentável, acessando trabalho, educação, saúde e lazer. Em grandes centros, a dependência excessiva do transporte individual motorizado tem gerado congestionamentos crônicos, poluição sonora e atmosférica, além de elevados custos econômicos e sociais. Ciclovias, faixas exclusivas para ônibus e sistemas de metrô e trem são iniciativas cruciais para reverter esse quadro, incentivando modos de transporte alternativos e mais ecológicos.

A acessibilidade urbana, por sua vez, é um pilar fundamental da mobilidade. Ela assegura que todos os cidadãos, independentemente de suas condições físicas, tenham igualdade de oportunidades para usufruir do espaço público. Calçadas adequadas, rampas de acesso, sinalizações táteis e veículos de transporte coletivo adaptados são essenciais para garantir que idosos, pessoas com deficiência e pais com carrinhos de bebê possam circular com autonomia e dignidade. A ausência de acessibilidade não apenas exclui, mas também limita o desenvolvimento social e econômico de parcelas significativas da população.

Outro aspecto vital na configuração das cidades é a infraestrutura de saneamento básico. Embora muitas vezes invisível, a rede de esgoto, o tratamento de água e a coleta de lixo impactam diretamente a saúde pública e a qualidade de vida. Cidades com saneamento deficitário enfrentam problemas de doenças, degradação ambiental e, consequentemente, menor bem-estar para seus habitantes. Praças e parques, enquanto espaços verdes e de convivência, complementam essa visão de cidade planejada. Eles oferecem áreas para recreação, promovem a socialização e contribuem para a melhoria do microclima e da biodiversidade urbana, funcionando como verdadeiros pulmões nas paisagens cinzentas das metrópoles. A interconexão entre uma mobilidade eficiente, acessibilidade universal, saneamento básico robusto e espaços verdes contribui para a construção de comunidades vibrantes e resilientes, onde a vida urbana floresce para todos.

(Adaptado de Estadão, nov. 2024)


Com base no texto acima, julgue o item a seguir.
O autor do texto defende que a mobilidade urbana vai além da questão do trânsito, abrangendo aspectos sociais como acesso a trabalho, educação e lazer, o que justifica a complexidade do tema. 
Alternativas
Q3858764 Português
Surdez e Alzheimer

        À primeira vista, a relação entre a surdez e o Alzheimer parece não fazer muito sentido. Afinal, como o fato de não escutar pode influenciar no aparecimento de um transtorno neurodegenerativo como o Alzheimer ou vice-versa? Apesar das duas condições terem características bastante diferentes, ambas podem, sim, estar diretamente ligadas.

        “Nós ouvimos com a ajuda dos nossos cérebros, portanto, o ato de ouvir, em si, já é uma forma de exercitar as nossas vias neurais. Patologias neurodegenerativas, como o Alzheimer, afetam não só as vias cerebrais que controlam a memória, mas também as vias auditivas”, afirma a neurologista do Hospital Dia Campo Limpo, Mayra Magalhães Silva. Dessa forma, a pessoa com Alzheimer pode ter a sua função auditiva afetada de maneira precoce ou profunda. E, da mesma forma, o inverso pode acontecer, ou seja, uma pessoa com audição alterada e sem nenhum cuidado pode ter mais chances de desenvolver problemas cognitivos, como o Alzheimer, em um estágio posterior da vida.

        Recente estudo publicado pela revista The Lancet Public Health indica que pessoas entre 40 e 69 anos têm um risco 42% maior de desenvolver degeneração neurocognitiva, caso tenham perda auditiva e não usem aparelho, comparadas às que utilizam os dispositivos. Outro estudo realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, mostra ainda que, a cada dez decibéis perdidos na audição, o risco de desenvolver doenças cerebrais, como o Alzheimer, aumenta em 27%.

        Segundo a neurologista, além dessas estimativas, existem outros fatores que podem estimular ainda mais o aparecimento do quadro. “Muitas vezes, pessoas com perda auditiva não tratada têm tendência a se isolar socialmente e, consequentemente, a sentir solidão e depressão. E esses quadros, por sua vez, intensificam o risco de estagnação mental, aumentando ainda mais o risco de desenvolver demência”, explica.

(Estado de Minas, “Surdez e Alzheimer: como um quadro pode impactar o outro e como prevenir”.
Disponível em: https://www.em.com.br/saude/. Adaptado)
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que a neurologista entrevistada e as pesquisas científicas citadas
Alternativas
Q3858763 Português
Surdez e Alzheimer

        À primeira vista, a relação entre a surdez e o Alzheimer parece não fazer muito sentido. Afinal, como o fato de não escutar pode influenciar no aparecimento de um transtorno neurodegenerativo como o Alzheimer ou vice-versa? Apesar das duas condições terem características bastante diferentes, ambas podem, sim, estar diretamente ligadas.

        “Nós ouvimos com a ajuda dos nossos cérebros, portanto, o ato de ouvir, em si, já é uma forma de exercitar as nossas vias neurais. Patologias neurodegenerativas, como o Alzheimer, afetam não só as vias cerebrais que controlam a memória, mas também as vias auditivas”, afirma a neurologista do Hospital Dia Campo Limpo, Mayra Magalhães Silva. Dessa forma, a pessoa com Alzheimer pode ter a sua função auditiva afetada de maneira precoce ou profunda. E, da mesma forma, o inverso pode acontecer, ou seja, uma pessoa com audição alterada e sem nenhum cuidado pode ter mais chances de desenvolver problemas cognitivos, como o Alzheimer, em um estágio posterior da vida.

        Recente estudo publicado pela revista The Lancet Public Health indica que pessoas entre 40 e 69 anos têm um risco 42% maior de desenvolver degeneração neurocognitiva, caso tenham perda auditiva e não usem aparelho, comparadas às que utilizam os dispositivos. Outro estudo realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, mostra ainda que, a cada dez decibéis perdidos na audição, o risco de desenvolver doenças cerebrais, como o Alzheimer, aumenta em 27%.

        Segundo a neurologista, além dessas estimativas, existem outros fatores que podem estimular ainda mais o aparecimento do quadro. “Muitas vezes, pessoas com perda auditiva não tratada têm tendência a se isolar socialmente e, consequentemente, a sentir solidão e depressão. E esses quadros, por sua vez, intensificam o risco de estagnação mental, aumentando ainda mais o risco de desenvolver demência”, explica.

(Estado de Minas, “Surdez e Alzheimer: como um quadro pode impactar o outro e como prevenir”.
Disponível em: https://www.em.com.br/saude/. Adaptado)
Segundo o texto, a relação entre surdez e Alzheimer pode ser estabelecida porque
Alternativas
Q3858759 Português
Os cavalos brancos de Napoleão

        A princípio os cavalos eram mansos. Foi só depois de certa convivência, ganhando intimidade, que começaram a tornar-se perigosos, passando da mansidão à secura e da secura à agressividade. Quando isso aconteceu, já tudo estava perdido. Na verdade talvez estivesse desde sempre, pois convenhamos, ver cavalos – e ainda por cima brancos – não é muito normal. E quem sabe a doçura do início fosse apenas um estratagema: se de imediato os cavalos tivessem se mostrado como realmente eram, é provável que Napoleão não os recebesse.

        Antes, antes de tudo, Napoleão era advogado. Carregava consigo um sobrenome tradicional e as demais condições não menos essenciais para ser um bom profissional. Sua vida se arrastava juridicamente, como se estivesse destinado à advocacia. Em sua própria casa, à hora das refeições, todos dias sempre se desenrolavam movimentadíssimos julgamentos. Dos quais ele era o réu. Acusado de não dar um anel de brilhantes para a esposa nem um fusca para o filho nem uma saia maryquantiana para a filha. Eventuais visitas faziam corpo de jurados, onde às vezes colaboravam criados mais íntimos, sempre concordando com a esposa, promotora tenaz e capciosa. Treinado desse jeito, diariamente e com a vantagem de estar na doce intimidade do dulcíssimo lar, não era de admirar que fosse advogado competente. Sobretudo, experiente. Entre papéis de defensor e acusado, dividia-se em paciência. Nome nos jornais, causas vitoriosas, vezenquando faziam-no sorrir gratificado, pensando que, enfim, nem tudo estava perdido, ora. Mas estava. Embora ele não soubesse.

       Deu-se nas férias, na praia, quando olhou para as nuvens. E o fato de ter visto exatamente cavalos – ainda mais exatamente, brancos – talvez tivesse mesmo a ver com seu nome, como mais tarde insinuaram os psiquiatras. Se se chamasse Ali ou Mustafá, provavelmente teria visto camelos? Ou touros, se seu nome fosse Juan ou Pablo? Mas na primeira visão isso não teve importância. Simplesmente viu, com a simplicidade máxima que há no primeiro movimento do ato de ver. Tão natural achou que cutucou a esposa deitada ao lado, apontando, olha só, Marta, cavalos brancos nas nuvens. Não havia espanto nem temor nas suas palavras. Apenas a reação espontânea de quem vê o belo: mostrar. Marta disse não enche, Napoleão, coisa chata cutucar com este calor.

        Como ele insistisse, afastou os óculos ray-bans e deu uma espiada. Achou que as nuvens tinham mesmo certo jeito de cavalos. Tranquilizada, passou um pouco mais de bronzeador argentino nas coxas. O que ela não percebia é que os animais estavam além (ou aquém) das nuvens. E entre elas passavam, ora galopantes, ora trotando, uma brancura, uma pureza tão grandes – equinidade absoluta nos movimentos. Tanta que Napoleão piscou, comovido. E começou a afundar. Porque ver é permitido, mas sentir já é perigoso. Sentir aos poucos vai exigindo uma série de coisas outras, até o momento em que não se pode mais prescindir do que foi simples constatação.

(Caio Fernando Abreu, O essencial da década de 1970, 2017. Adaptado)
Considere os trechos:
• “… às vezes colaboravam criados mais íntimos, sempre concordando com a esposa, promotora tenaz e capciosa.” (2º parágrafo)
• “até o momento em que não se pode mais prescindir do que foi simples constatação.” (4º parágrafo)
No contexto em que foram empregadas, as palavras destacadas têm como sinônimos, respectivamente,
Alternativas
Q3858758 Português
Os cavalos brancos de Napoleão

        A princípio os cavalos eram mansos. Foi só depois de certa convivência, ganhando intimidade, que começaram a tornar-se perigosos, passando da mansidão à secura e da secura à agressividade. Quando isso aconteceu, já tudo estava perdido. Na verdade talvez estivesse desde sempre, pois convenhamos, ver cavalos – e ainda por cima brancos – não é muito normal. E quem sabe a doçura do início fosse apenas um estratagema: se de imediato os cavalos tivessem se mostrado como realmente eram, é provável que Napoleão não os recebesse.

        Antes, antes de tudo, Napoleão era advogado. Carregava consigo um sobrenome tradicional e as demais condições não menos essenciais para ser um bom profissional. Sua vida se arrastava juridicamente, como se estivesse destinado à advocacia. Em sua própria casa, à hora das refeições, todos dias sempre se desenrolavam movimentadíssimos julgamentos. Dos quais ele era o réu. Acusado de não dar um anel de brilhantes para a esposa nem um fusca para o filho nem uma saia maryquantiana para a filha. Eventuais visitas faziam corpo de jurados, onde às vezes colaboravam criados mais íntimos, sempre concordando com a esposa, promotora tenaz e capciosa. Treinado desse jeito, diariamente e com a vantagem de estar na doce intimidade do dulcíssimo lar, não era de admirar que fosse advogado competente. Sobretudo, experiente. Entre papéis de defensor e acusado, dividia-se em paciência. Nome nos jornais, causas vitoriosas, vezenquando faziam-no sorrir gratificado, pensando que, enfim, nem tudo estava perdido, ora. Mas estava. Embora ele não soubesse.

       Deu-se nas férias, na praia, quando olhou para as nuvens. E o fato de ter visto exatamente cavalos – ainda mais exatamente, brancos – talvez tivesse mesmo a ver com seu nome, como mais tarde insinuaram os psiquiatras. Se se chamasse Ali ou Mustafá, provavelmente teria visto camelos? Ou touros, se seu nome fosse Juan ou Pablo? Mas na primeira visão isso não teve importância. Simplesmente viu, com a simplicidade máxima que há no primeiro movimento do ato de ver. Tão natural achou que cutucou a esposa deitada ao lado, apontando, olha só, Marta, cavalos brancos nas nuvens. Não havia espanto nem temor nas suas palavras. Apenas a reação espontânea de quem vê o belo: mostrar. Marta disse não enche, Napoleão, coisa chata cutucar com este calor.

        Como ele insistisse, afastou os óculos ray-bans e deu uma espiada. Achou que as nuvens tinham mesmo certo jeito de cavalos. Tranquilizada, passou um pouco mais de bronzeador argentino nas coxas. O que ela não percebia é que os animais estavam além (ou aquém) das nuvens. E entre elas passavam, ora galopantes, ora trotando, uma brancura, uma pureza tão grandes – equinidade absoluta nos movimentos. Tanta que Napoleão piscou, comovido. E começou a afundar. Porque ver é permitido, mas sentir já é perigoso. Sentir aos poucos vai exigindo uma série de coisas outras, até o momento em que não se pode mais prescindir do que foi simples constatação.

(Caio Fernando Abreu, O essencial da década de 1970, 2017. Adaptado)
Assinale a alternativa em que, no trecho, o narrador se dirige diretamente ao leitor.
Alternativas
Q3858757 Português
Os cavalos brancos de Napoleão

        A princípio os cavalos eram mansos. Foi só depois de certa convivência, ganhando intimidade, que começaram a tornar-se perigosos, passando da mansidão à secura e da secura à agressividade. Quando isso aconteceu, já tudo estava perdido. Na verdade talvez estivesse desde sempre, pois convenhamos, ver cavalos – e ainda por cima brancos – não é muito normal. E quem sabe a doçura do início fosse apenas um estratagema: se de imediato os cavalos tivessem se mostrado como realmente eram, é provável que Napoleão não os recebesse.

        Antes, antes de tudo, Napoleão era advogado. Carregava consigo um sobrenome tradicional e as demais condições não menos essenciais para ser um bom profissional. Sua vida se arrastava juridicamente, como se estivesse destinado à advocacia. Em sua própria casa, à hora das refeições, todos dias sempre se desenrolavam movimentadíssimos julgamentos. Dos quais ele era o réu. Acusado de não dar um anel de brilhantes para a esposa nem um fusca para o filho nem uma saia maryquantiana para a filha. Eventuais visitas faziam corpo de jurados, onde às vezes colaboravam criados mais íntimos, sempre concordando com a esposa, promotora tenaz e capciosa. Treinado desse jeito, diariamente e com a vantagem de estar na doce intimidade do dulcíssimo lar, não era de admirar que fosse advogado competente. Sobretudo, experiente. Entre papéis de defensor e acusado, dividia-se em paciência. Nome nos jornais, causas vitoriosas, vezenquando faziam-no sorrir gratificado, pensando que, enfim, nem tudo estava perdido, ora. Mas estava. Embora ele não soubesse.

       Deu-se nas férias, na praia, quando olhou para as nuvens. E o fato de ter visto exatamente cavalos – ainda mais exatamente, brancos – talvez tivesse mesmo a ver com seu nome, como mais tarde insinuaram os psiquiatras. Se se chamasse Ali ou Mustafá, provavelmente teria visto camelos? Ou touros, se seu nome fosse Juan ou Pablo? Mas na primeira visão isso não teve importância. Simplesmente viu, com a simplicidade máxima que há no primeiro movimento do ato de ver. Tão natural achou que cutucou a esposa deitada ao lado, apontando, olha só, Marta, cavalos brancos nas nuvens. Não havia espanto nem temor nas suas palavras. Apenas a reação espontânea de quem vê o belo: mostrar. Marta disse não enche, Napoleão, coisa chata cutucar com este calor.

        Como ele insistisse, afastou os óculos ray-bans e deu uma espiada. Achou que as nuvens tinham mesmo certo jeito de cavalos. Tranquilizada, passou um pouco mais de bronzeador argentino nas coxas. O que ela não percebia é que os animais estavam além (ou aquém) das nuvens. E entre elas passavam, ora galopantes, ora trotando, uma brancura, uma pureza tão grandes – equinidade absoluta nos movimentos. Tanta que Napoleão piscou, comovido. E começou a afundar. Porque ver é permitido, mas sentir já é perigoso. Sentir aos poucos vai exigindo uma série de coisas outras, até o momento em que não se pode mais prescindir do que foi simples constatação.

(Caio Fernando Abreu, O essencial da década de 1970, 2017. Adaptado)
A respeito do trecho “Treinado desse jeito, diariamente e com a vantagem de estar na doce intimidade do dulcíssimo lar, não era de admirar que fosse advogado competente” (2º parágrafo), é correto afirmar que
Alternativas
Q3858756 Português
Os cavalos brancos de Napoleão

        A princípio os cavalos eram mansos. Foi só depois de certa convivência, ganhando intimidade, que começaram a tornar-se perigosos, passando da mansidão à secura e da secura à agressividade. Quando isso aconteceu, já tudo estava perdido. Na verdade talvez estivesse desde sempre, pois convenhamos, ver cavalos – e ainda por cima brancos – não é muito normal. E quem sabe a doçura do início fosse apenas um estratagema: se de imediato os cavalos tivessem se mostrado como realmente eram, é provável que Napoleão não os recebesse.

        Antes, antes de tudo, Napoleão era advogado. Carregava consigo um sobrenome tradicional e as demais condições não menos essenciais para ser um bom profissional. Sua vida se arrastava juridicamente, como se estivesse destinado à advocacia. Em sua própria casa, à hora das refeições, todos dias sempre se desenrolavam movimentadíssimos julgamentos. Dos quais ele era o réu. Acusado de não dar um anel de brilhantes para a esposa nem um fusca para o filho nem uma saia maryquantiana para a filha. Eventuais visitas faziam corpo de jurados, onde às vezes colaboravam criados mais íntimos, sempre concordando com a esposa, promotora tenaz e capciosa. Treinado desse jeito, diariamente e com a vantagem de estar na doce intimidade do dulcíssimo lar, não era de admirar que fosse advogado competente. Sobretudo, experiente. Entre papéis de defensor e acusado, dividia-se em paciência. Nome nos jornais, causas vitoriosas, vezenquando faziam-no sorrir gratificado, pensando que, enfim, nem tudo estava perdido, ora. Mas estava. Embora ele não soubesse.

       Deu-se nas férias, na praia, quando olhou para as nuvens. E o fato de ter visto exatamente cavalos – ainda mais exatamente, brancos – talvez tivesse mesmo a ver com seu nome, como mais tarde insinuaram os psiquiatras. Se se chamasse Ali ou Mustafá, provavelmente teria visto camelos? Ou touros, se seu nome fosse Juan ou Pablo? Mas na primeira visão isso não teve importância. Simplesmente viu, com a simplicidade máxima que há no primeiro movimento do ato de ver. Tão natural achou que cutucou a esposa deitada ao lado, apontando, olha só, Marta, cavalos brancos nas nuvens. Não havia espanto nem temor nas suas palavras. Apenas a reação espontânea de quem vê o belo: mostrar. Marta disse não enche, Napoleão, coisa chata cutucar com este calor.

        Como ele insistisse, afastou os óculos ray-bans e deu uma espiada. Achou que as nuvens tinham mesmo certo jeito de cavalos. Tranquilizada, passou um pouco mais de bronzeador argentino nas coxas. O que ela não percebia é que os animais estavam além (ou aquém) das nuvens. E entre elas passavam, ora galopantes, ora trotando, uma brancura, uma pureza tão grandes – equinidade absoluta nos movimentos. Tanta que Napoleão piscou, comovido. E começou a afundar. Porque ver é permitido, mas sentir já é perigoso. Sentir aos poucos vai exigindo uma série de coisas outras, até o momento em que não se pode mais prescindir do que foi simples constatação.

(Caio Fernando Abreu, O essencial da década de 1970, 2017. Adaptado)
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que a visão dos “cavalos brancos nas nuvens” por Napoleão 
Alternativas
Q3858754 Português

Leia a tira a seguir para responder a questão.


A partir da leitura da tira, é correto afirmar que seu efeito de humor deriva do fato de que o garoto Charlie Brown
Alternativas
Q3858642 Português
Síndrome do olho seco é mais frequente em regiões urbanas e entre as mulheres

A síndrome do olho seco (SOS) – um problema na produção ou na eficiência da lágrima – está mais associada ___ regiões urbanas, com cerca de 40% de prevalência, do que ___ regiões rurais, onde ocorre em 20% da população. A condição oftalmológica também é mais frequente entre ___ mulheres, atingindo mais de 35% delas. Os dados são de uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, publicada na revista Clinics.

O estudo avaliou as cidades de Ribeirão Preto e Cássia dos Coqueiros, que contam com aproximadamente 700 mil e 3 mil habitantes, respectivamente. Por meio de 600 visitas domiciliares aleatórias, os pesquisadores aplicaram o Questionário Breve de Doença do Olho Seco (DEDSQ) em voluntários com idades a partir dos 40 anos.

“A estratégia foi saber o que acontecia, quais eram os fatores envolvidos e se essas duas aglomerações [urbana e rural] teriam diferenças”, explica Eduardo Rocha, docente da FMRP e coautor do estudo. Além de entender a frequência em cada local, os pesquisadores buscavam mapear, a partir das respostas, possíveis fatores de risco ligados ao desenvolvimento da síndrome.

 A síndrome do olho seco provoca ressecamento na superfície do órgão devido à ausência da produção de lágrimas ou à baixa qualidade da lágrima produzida naturalmente, levando à rápida evaporação. A doença possui causas multifatoriais, estando relacionadas a aspectos geográficos, demográficos, genéticos, ambientais e outros.

As entrevistas para a identificação foram realizadas com 429 mulheres e 181 homens durante o inverno, a estação seca na região Sudeste. O material coletado identificou dados demográficos, comorbidades crônicas e hábitos e atividades diárias. Três perguntas base formavam o questionário: Você sente seus olhos secos? Você sente seus olhos irritados? Você já teve um diagnóstico de olho seco?

A pesquisa utilizou como referência trabalhos anteriores para incluir perguntas relacionadas a fatores de risco para diabetes mellitus, menopausa, doenças reumáticas, hanseníase, tracoma, quimioterapia e radioterapia, cirurgia ocular, uso de lentes de contato, doenças da tireoide, uso diário de telas eletrônicas por mais de duas horas, uso de antidepressivos e antialérgicos, dor pélvica crônica, fibromialgia, dislipidemia (elevação de colesterol e triglicerídeos no sangue) e pterígio (lesão ocular).

Apesar das diferenças entre os estilos de vida em regiões urbanas e rurais – como poluição, tempo de transporte, hábitos alimentares – Rocha aponta que os pesquisadores não esperavam resultados tão discrepantes. “Não imaginávamos que fosse dar quase o dobro na região urbana, mas é curioso, porque a frequência foi muito parecida com os números de São Paulo, com algumas metrópoles e com outros países”, explica.

O princípio básico para a síndrome do olho seco é a prevenção. O docente destaca que o objetivo dos pacientes deve ser a busca por viver em saúde, para que o tratamento não seja necessário. “Viver em saúde, nesse caso, significaria ter um ambiente com um balanço de umidade melhor, ter pausas para fazer a hidratação, alimentação de boa qualidade e o sono tranquilo e contínuo, por pelo menos oito horas”, completa.

Fonte: https://jornal.usp.br/ciencias/sindrome-do-olhoseco-e-mais-frequente-em-regioes-urbanas-e-entre-as-mulheres/ (adaptado).
Ao apresentar o perfil dos participantes da pesquisa, a notícia informa a distribuição por sexo dos entrevistados. De acordo com o texto, as entrevistas foram realizadas com: 
Alternativas
Q3858641 Português
Síndrome do olho seco é mais frequente em regiões urbanas e entre as mulheres

A síndrome do olho seco (SOS) – um problema na produção ou na eficiência da lágrima – está mais associada ___ regiões urbanas, com cerca de 40% de prevalência, do que ___ regiões rurais, onde ocorre em 20% da população. A condição oftalmológica também é mais frequente entre ___ mulheres, atingindo mais de 35% delas. Os dados são de uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, publicada na revista Clinics.

O estudo avaliou as cidades de Ribeirão Preto e Cássia dos Coqueiros, que contam com aproximadamente 700 mil e 3 mil habitantes, respectivamente. Por meio de 600 visitas domiciliares aleatórias, os pesquisadores aplicaram o Questionário Breve de Doença do Olho Seco (DEDSQ) em voluntários com idades a partir dos 40 anos.

“A estratégia foi saber o que acontecia, quais eram os fatores envolvidos e se essas duas aglomerações [urbana e rural] teriam diferenças”, explica Eduardo Rocha, docente da FMRP e coautor do estudo. Além de entender a frequência em cada local, os pesquisadores buscavam mapear, a partir das respostas, possíveis fatores de risco ligados ao desenvolvimento da síndrome.

 A síndrome do olho seco provoca ressecamento na superfície do órgão devido à ausência da produção de lágrimas ou à baixa qualidade da lágrima produzida naturalmente, levando à rápida evaporação. A doença possui causas multifatoriais, estando relacionadas a aspectos geográficos, demográficos, genéticos, ambientais e outros.

As entrevistas para a identificação foram realizadas com 429 mulheres e 181 homens durante o inverno, a estação seca na região Sudeste. O material coletado identificou dados demográficos, comorbidades crônicas e hábitos e atividades diárias. Três perguntas base formavam o questionário: Você sente seus olhos secos? Você sente seus olhos irritados? Você já teve um diagnóstico de olho seco?

A pesquisa utilizou como referência trabalhos anteriores para incluir perguntas relacionadas a fatores de risco para diabetes mellitus, menopausa, doenças reumáticas, hanseníase, tracoma, quimioterapia e radioterapia, cirurgia ocular, uso de lentes de contato, doenças da tireoide, uso diário de telas eletrônicas por mais de duas horas, uso de antidepressivos e antialérgicos, dor pélvica crônica, fibromialgia, dislipidemia (elevação de colesterol e triglicerídeos no sangue) e pterígio (lesão ocular).

Apesar das diferenças entre os estilos de vida em regiões urbanas e rurais – como poluição, tempo de transporte, hábitos alimentares – Rocha aponta que os pesquisadores não esperavam resultados tão discrepantes. “Não imaginávamos que fosse dar quase o dobro na região urbana, mas é curioso, porque a frequência foi muito parecida com os números de São Paulo, com algumas metrópoles e com outros países”, explica.

O princípio básico para a síndrome do olho seco é a prevenção. O docente destaca que o objetivo dos pacientes deve ser a busca por viver em saúde, para que o tratamento não seja necessário. “Viver em saúde, nesse caso, significaria ter um ambiente com um balanço de umidade melhor, ter pausas para fazer a hidratação, alimentação de boa qualidade e o sono tranquilo e contínuo, por pelo menos oito horas”, completa.

Fonte: https://jornal.usp.br/ciencias/sindrome-do-olhoseco-e-mais-frequente-em-regioes-urbanas-e-entre-as-mulheres/ (adaptado).
O estudo mencionado na notícia baseou-se em procedimentos específicos para a coleta de dados junto à população. Conforme explicitado no texto, a pesquisa foi realizada por meio de: 
Alternativas
Q3858416 Português
Surdez e Alzheimer

        À primeira vista, a relação entre a surdez e o Alzheimer parece não fazer muito sentido. Afinal, como o fato de não escutar pode influenciar no aparecimento de um transtorno neurodegenerativo como o Alzheimer ou vice-versa? Apesar das duas condições terem características bastante diferentes, ambas podem, sim, estar diretamente ligadas.

        “Nós ouvimos com a ajuda dos nossos cérebros, portanto, o ato de ouvir, em si, já é uma forma de exercitar as nossas vias neurais. Patologias neurodegenerativas, como o Alzheimer, afetam não só as vias cerebrais que controlam a memória, mas também as vias auditivas”, afirma a neurologista do Hospital Dia Campo Limpo, Mayra Magalhães Silva. Dessa forma, a pessoa com Alzheimer pode ter a sua função auditiva afetada de maneira precoce ou profunda. E, da mesma forma, o inverso pode acontecer, ou seja, uma pessoa com audição alterada e sem nenhum cuidado pode ter mais chances de desenvolver problemas cognitivos, como o Alzheimer, em um estágio posterior da vida.

        Recente estudo publicado pela revista The Lancet Public Health indica que pessoas entre 40 e 69 anos têm um risco 42% maior de desenvolver degeneração neurocognitiva, caso tenham perda auditiva e não usem aparelho, comparadas às que utilizam os dispositivos. Outro estudo realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, mostra ainda que, a cada dez decibéis perdidos na audição, o risco de desenvolver doenças cerebrais, como o Alzheimer, aumenta em 27%.

        Segundo a neurologista, além dessas estimativas, existem outros fatores que podem estimular ainda mais o aparecimento do quadro. “Muitas vezes, pessoas com perda auditiva não tratada têm tendência a se isolar socialmente e, consequentemente, a sentir solidão e depressão. E esses quadros, por sua vez, intensificam o risco de estagnação mental, aumentando ainda mais o risco de desenvolver demência”, explica.

(Estado de Minas, “Surdez e Alzheimer: como um quadro pode impactar o outro e como prevenir”.
Disponível em: https://www.em.com.br/saude/. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a palavra destacada no trecho foi empregada em sentido figurado.
Alternativas
Q3858415 Português
Surdez e Alzheimer

        À primeira vista, a relação entre a surdez e o Alzheimer parece não fazer muito sentido. Afinal, como o fato de não escutar pode influenciar no aparecimento de um transtorno neurodegenerativo como o Alzheimer ou vice-versa? Apesar das duas condições terem características bastante diferentes, ambas podem, sim, estar diretamente ligadas.

        “Nós ouvimos com a ajuda dos nossos cérebros, portanto, o ato de ouvir, em si, já é uma forma de exercitar as nossas vias neurais. Patologias neurodegenerativas, como o Alzheimer, afetam não só as vias cerebrais que controlam a memória, mas também as vias auditivas”, afirma a neurologista do Hospital Dia Campo Limpo, Mayra Magalhães Silva. Dessa forma, a pessoa com Alzheimer pode ter a sua função auditiva afetada de maneira precoce ou profunda. E, da mesma forma, o inverso pode acontecer, ou seja, uma pessoa com audição alterada e sem nenhum cuidado pode ter mais chances de desenvolver problemas cognitivos, como o Alzheimer, em um estágio posterior da vida.

        Recente estudo publicado pela revista The Lancet Public Health indica que pessoas entre 40 e 69 anos têm um risco 42% maior de desenvolver degeneração neurocognitiva, caso tenham perda auditiva e não usem aparelho, comparadas às que utilizam os dispositivos. Outro estudo realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, mostra ainda que, a cada dez decibéis perdidos na audição, o risco de desenvolver doenças cerebrais, como o Alzheimer, aumenta em 27%.

        Segundo a neurologista, além dessas estimativas, existem outros fatores que podem estimular ainda mais o aparecimento do quadro. “Muitas vezes, pessoas com perda auditiva não tratada têm tendência a se isolar socialmente e, consequentemente, a sentir solidão e depressão. E esses quadros, por sua vez, intensificam o risco de estagnação mental, aumentando ainda mais o risco de desenvolver demência”, explica.

(Estado de Minas, “Surdez e Alzheimer: como um quadro pode impactar o outro e como prevenir”.
Disponível em: https://www.em.com.br/saude/. Adaptado)
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que a neurologista entrevistada e as pesquisas científicas citadas 
Alternativas
Q3858414 Português
Surdez e Alzheimer

        À primeira vista, a relação entre a surdez e o Alzheimer parece não fazer muito sentido. Afinal, como o fato de não escutar pode influenciar no aparecimento de um transtorno neurodegenerativo como o Alzheimer ou vice-versa? Apesar das duas condições terem características bastante diferentes, ambas podem, sim, estar diretamente ligadas.

        “Nós ouvimos com a ajuda dos nossos cérebros, portanto, o ato de ouvir, em si, já é uma forma de exercitar as nossas vias neurais. Patologias neurodegenerativas, como o Alzheimer, afetam não só as vias cerebrais que controlam a memória, mas também as vias auditivas”, afirma a neurologista do Hospital Dia Campo Limpo, Mayra Magalhães Silva. Dessa forma, a pessoa com Alzheimer pode ter a sua função auditiva afetada de maneira precoce ou profunda. E, da mesma forma, o inverso pode acontecer, ou seja, uma pessoa com audição alterada e sem nenhum cuidado pode ter mais chances de desenvolver problemas cognitivos, como o Alzheimer, em um estágio posterior da vida.

        Recente estudo publicado pela revista The Lancet Public Health indica que pessoas entre 40 e 69 anos têm um risco 42% maior de desenvolver degeneração neurocognitiva, caso tenham perda auditiva e não usem aparelho, comparadas às que utilizam os dispositivos. Outro estudo realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, mostra ainda que, a cada dez decibéis perdidos na audição, o risco de desenvolver doenças cerebrais, como o Alzheimer, aumenta em 27%.

        Segundo a neurologista, além dessas estimativas, existem outros fatores que podem estimular ainda mais o aparecimento do quadro. “Muitas vezes, pessoas com perda auditiva não tratada têm tendência a se isolar socialmente e, consequentemente, a sentir solidão e depressão. E esses quadros, por sua vez, intensificam o risco de estagnação mental, aumentando ainda mais o risco de desenvolver demência”, explica.

(Estado de Minas, “Surdez e Alzheimer: como um quadro pode impactar o outro e como prevenir”.
Disponível em: https://www.em.com.br/saude/. Adaptado)
Segundo o texto, a relação entre surdez e Alzheimer pode ser estabelecida porque 
Alternativas
Q3858412 Português
Os cavalos brancos de Napoleão

        A princípio os cavalos eram mansos. Foi só depois de certa convivência, ganhando intimidade, que começaram a tornar-se perigosos, passando da mansidão à secura e da secura à agressividade. Quando isso aconteceu, já tudo estava perdido. Na verdade talvez estivesse desde sempre, pois convenhamos, ver cavalos – e ainda por cima brancos – não é muito normal. E quem sabe a doçura do início fosse apenas um estratagema: se de imediato os cavalos tivessem se mostrado como realmente eram, é provável que Napoleão não os recebesse.

        Antes, antes de tudo, Napoleão era advogado. Carregava consigo um sobrenome tradicional e as demais condições não menos essenciais para ser um bom profissional. Sua vida se arrastava juridicamente, como se estivesse destinado à advocacia. Em sua própria casa, à hora das refeições, todos dias sempre se desenrolavam movimentadíssimos julgamentos. Dos quais ele era o réu. Acusado de não dar um anel de brilhantes para a esposa nem um fusca para o filho nem uma saia maryquantiana para a filha. Eventuais visitas faziam corpo de jurados, onde às vezes colaboravam criados mais íntimos, sempre concordando com a esposa, promotora tenaz e capciosa. Treinado desse jeito, diariamente e com a vantagem de estar na doce intimidade do dulcíssimo lar, não era de admirar que fosse advogado competente. Sobretudo, experiente. Entre papéis de defensor e acusado, dividia-se em paciência. Nome nos jornais, causas vitoriosas, vezenquando faziam-no sorrir gratificado, pensando que, enfim, nem tudo estava perdido, ora. Mas estava. Embora ele não soubesse.

       Deu-se nas férias, na praia, quando olhou para as nuvens. E o fato de ter visto exatamente cavalos – ainda mais exatamente, brancos – talvez tivesse mesmo a ver com seu nome, como mais tarde insinuaram os psiquiatras. Se se chamasse Ali ou Mustafá, provavelmente teria visto camelos? Ou touros, se seu nome fosse Juan ou Pablo? Mas na primeira visão isso não teve importância. Simplesmente viu, com a simplicidade máxima que há no primeiro movimento do ato de ver. Tão natural achou que cutucou a esposa deitada ao lado, apontando, olha só, Marta, cavalos brancos nas nuvens. Não havia espanto nem temor nas suas palavras. Apenas a reação espontânea de quem vê o belo: mostrar. Marta disse não enche, Napoleão, coisa chata cutucar com este calor.

        Como ele insistisse, afastou os óculos ray-bans e deu uma espiada. Achou que as nuvens tinham mesmo certo jeito de cavalos. Tranquilizada, passou um pouco mais de bronzeador argentino nas coxas. O que ela não percebia é que os animais estavam além (ou aquém) das nuvens. E entre elas passavam, ora galopantes, ora trotando, uma brancura, uma pureza tão grandes – equinidade absoluta nos movimentos. Tanta que Napoleão piscou, comovido. E começou a afundar. Porque ver é permitido, mas sentir já é perigoso. Sentir aos poucos vai exigindo uma série de coisas outras, até o momento em que não se pode mais prescindir do que foi simples constatação.

(Caio Fernando Abreu, O essencial da década de 1970, 2017. Adaptado)
Em “Como ele insistisse, afastou os óculos ray-bans e deu uma espiada” (4º parágrafo), a expressão destacada pode ser substituída, mantendo o sentido original, por:
Alternativas
Q3858409 Português
Os cavalos brancos de Napoleão

        A princípio os cavalos eram mansos. Foi só depois de certa convivência, ganhando intimidade, que começaram a tornar-se perigosos, passando da mansidão à secura e da secura à agressividade. Quando isso aconteceu, já tudo estava perdido. Na verdade talvez estivesse desde sempre, pois convenhamos, ver cavalos – e ainda por cima brancos – não é muito normal. E quem sabe a doçura do início fosse apenas um estratagema: se de imediato os cavalos tivessem se mostrado como realmente eram, é provável que Napoleão não os recebesse.

        Antes, antes de tudo, Napoleão era advogado. Carregava consigo um sobrenome tradicional e as demais condições não menos essenciais para ser um bom profissional. Sua vida se arrastava juridicamente, como se estivesse destinado à advocacia. Em sua própria casa, à hora das refeições, todos dias sempre se desenrolavam movimentadíssimos julgamentos. Dos quais ele era o réu. Acusado de não dar um anel de brilhantes para a esposa nem um fusca para o filho nem uma saia maryquantiana para a filha. Eventuais visitas faziam corpo de jurados, onde às vezes colaboravam criados mais íntimos, sempre concordando com a esposa, promotora tenaz e capciosa. Treinado desse jeito, diariamente e com a vantagem de estar na doce intimidade do dulcíssimo lar, não era de admirar que fosse advogado competente. Sobretudo, experiente. Entre papéis de defensor e acusado, dividia-se em paciência. Nome nos jornais, causas vitoriosas, vezenquando faziam-no sorrir gratificado, pensando que, enfim, nem tudo estava perdido, ora. Mas estava. Embora ele não soubesse.

       Deu-se nas férias, na praia, quando olhou para as nuvens. E o fato de ter visto exatamente cavalos – ainda mais exatamente, brancos – talvez tivesse mesmo a ver com seu nome, como mais tarde insinuaram os psiquiatras. Se se chamasse Ali ou Mustafá, provavelmente teria visto camelos? Ou touros, se seu nome fosse Juan ou Pablo? Mas na primeira visão isso não teve importância. Simplesmente viu, com a simplicidade máxima que há no primeiro movimento do ato de ver. Tão natural achou que cutucou a esposa deitada ao lado, apontando, olha só, Marta, cavalos brancos nas nuvens. Não havia espanto nem temor nas suas palavras. Apenas a reação espontânea de quem vê o belo: mostrar. Marta disse não enche, Napoleão, coisa chata cutucar com este calor.

        Como ele insistisse, afastou os óculos ray-bans e deu uma espiada. Achou que as nuvens tinham mesmo certo jeito de cavalos. Tranquilizada, passou um pouco mais de bronzeador argentino nas coxas. O que ela não percebia é que os animais estavam além (ou aquém) das nuvens. E entre elas passavam, ora galopantes, ora trotando, uma brancura, uma pureza tão grandes – equinidade absoluta nos movimentos. Tanta que Napoleão piscou, comovido. E começou a afundar. Porque ver é permitido, mas sentir já é perigoso. Sentir aos poucos vai exigindo uma série de coisas outras, até o momento em que não se pode mais prescindir do que foi simples constatação.

(Caio Fernando Abreu, O essencial da década de 1970, 2017. Adaptado)
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que a visão dos “cavalos brancos nas nuvens” por Napoleão
Alternativas
Q3857947 Português
ISCA DE POLÍCIA

ANGULO DE ESCONCHO... ENTRE O VOLANTE E O PARA-BRISA. De olho na área! Que em dia de branco e com gente parda atrasada pro trabalho, há sempre suspeita.

Nego correndo...? É ladrão!

— ... Mas o amplificador é meu, pô!

Dizia Itamar ao polícia, que já lhe torcia o braço enquanto caminhava rente a calçada, rua abaixo em direção a viatura...

— Cara, olha ali!? Eu vou perder o ônibus!

— Em cana, Negão! Bota ele! Gritava outro, ajeitando o lugar no camburão entre a grade e a porta.

Nego assim, enxamioso, na rua, carregando um aparelho caro desse? Até parece que tem aparência e posses pra ser dono!

— É cana, negão!

— ... Mas o amplificador e meu, pô!

Insistia o preto, enquanto, na gentileza, o polícia abaixava a cabeça dele para entrar no camburão.

Cacete! Hoje não rola ensaio de novo! E já tô e vendo o pessoal me esculachar de irresponsável! Puta merda!

De Londrina a Pitangueiras é chão... O amplificador não tinha nada que ver com lonjuras, conduções e regras de cor. Devia ter ficado guardado na casa de Chagas.

Porra! Por que que preto nunca se sai da suja?

No solavanco da Veraneio, a cabeça batendo contra o vidro. As esquinas em outras quebradas se deixando para trás. Os carros. As casas e, nas paredes, os piches.

O amplificador calado... frio e quadrado, no colo do polícia ouvia tudo. Com todos seus botões, VU’s, entradas e cabos. Sem poder falar do sacrifício que é sempre um da margem fazer um som na contramão do sistema.

— Quanto custa um bicho deste, hein? Perguntava com um riso de canto de boca pro outro enquanto percutia, com o nó dos dedos em cima do aparelho, o polícia mais magro.

O gordo:

— Na delegacia ele canta, que o plantão hoje é do Gomes!

Novo solavanco.

— Mas o amplificador é meu, pô!

Nada! Só o ronco do motor da Veraneio, indiferente e vascaína, levando mais um para amontoar. A guarda e a ordem sempre vigilantes contra os de má aparência, gente que deveria entender que não se ultrapassa a fita zebrada que separa o cá e o lá... e os constantes avisos de “proibido sonhar em som alto”.

Amplificador de segunda mão não tem nota fiscal.

Mas ladrão, arrombador, lanceiro e receptor, tudo tem cor. Pressupõem-se tingidos de preto fosco nas consciências vigilantes.

Enquanto isso, sem jeito que dar, Itamar pensava era se, no escurecer do camburão, daria para ver a lua surgir, pintando de prata a lembrança das suas orquídeas brancas.

(SOUZA, Auricélio Ferreira de. Objeto Urgente. São Paulo: Patuá, 2025. p.23, 25) 
Lá no cimo hasteado onde a luz nasce/ ergue o ninho na força da leveza...” A palavra “cimo” é usada em diversos contextos para indicar a parte mais elevada ou o ponto máximo de algo. Em qual das alternativas a seguir o uso de “cimo” apresenta seu sentido mais figurado, indicando o auge ou o grau mais elevado?  
Alternativas
Respostas
7241: C
7242: E
7243: E
7244: C
7245: C
7246: C
7247: D
7248: B
7249: B
7250: C
7251: E
7252: B
7253: E
7254: D
7255: E
7256: C
7257: D
7258: D
7259: E
7260: A