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Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 129.138 questões

Q3864676 Português

Leia o Texto II para responder a questão.



Texto II



A TERCEIRA MARGEM DO RIO (fragmentos)  


Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia e que ralhava no diário com a gente ─ minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa. 


Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a ideia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso do dia em que a canoa ficou pronta.


Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: “Cê vai, ocê fique, você nunca volte!”. Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: “Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?”. Ele só retornou o olhar em mim e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.


Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos se reuniram, tomaram juntamente conselho. [...]


Guimarães Rosa  

No enunciado: “Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais.
A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente”, o emprego de quais classes gramaticais garante a coesão textual? 
Alternativas
Q3864675 Português

Leia o Texto II para responder a questão.



Texto II



A TERCEIRA MARGEM DO RIO (fragmentos)  


Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia e que ralhava no diário com a gente ─ minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa. 


Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a ideia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso do dia em que a canoa ficou pronta.


Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: “Cê vai, ocê fique, você nunca volte!”. Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: “Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?”. Ele só retornou o olhar em mim e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.


Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos se reuniram, tomaram juntamente conselho. [...]


Guimarães Rosa  

A linguagem literária é plurissignificativa e possibilita múltiplas leituras e diferentes interpretações. A partir dessa premissa e do título do conto, que tipo de espaço é o rio desse texto? 
Alternativas
Q3864671 Português

Leia o Texto I para responder a questão.



Texto I



NO BARCO COR DE SANGUE  


Ah! a placidez das águas turvas que nada revelam e nada exigem. Para isso havia alugado o barco, para ser plácido como a água, ainda que por breve tempo. Um barco pequeno no pequeno lago do parque rodeado de cidade por todos os lados. Remou com falta de jeito, mais para ver o afundar e erguer-se dos remos do que propriamente para avançar. Os ruídos, os ruídos tantos que das ruas se alçavam escalando os canyons dos prédios, lhe chegavam abafados pela distância pouca e pelas copas das árvores. Deixavam de ser buzina, freada, alarme, sirene, para tornar-se pasta sonora amalgamada, quase uma outra natureza do ar. Um barco pequeno pintado de vermelho denso, vermelho sangue, que, descascado aqui e acolá, entregava um idêntico vermelho subjacente, como se vermelha fosse a madeira de que era feito. Um barco em que caberia exato, se deitasse. Deitou-se. Recolheu os remos. Um barco, pensou, embora desejasse tanto não pensar em nada, um barco, pensou, não fica parado, mesmo que não haja vento.


Um barco ondula. Sentia o esquife balançar de leve sob seu corpo, e a água, aquela água turva, cuja superfície pareceria intocada não estivesse ele a navegar, agia discreta por baixo do casco, como se suavemente roçando o dorso contra a quilha. Peito aberto sem a defesa dos braços cruzados, olhar afundado no infinito azul do alto, sentiu uma sombra aflorar lhe a testa, passar pelas pálpebras, a boca, lamber-lhe aos poucos o corpo até abandoná-lo pelos pés. Viu a copa de uma árvore deslizar acima e ficar para trás. O leve, levíssimo ondular repousava-lhe o corpo, devolvia-lhe a antiga segurança do berço. Indo e voltando entre palavras que nem bem escolhia, pensou que alugaria o barco no verão, quando pudesse tirar a camisa e ficar quase seminu ao sol, como se nadasse. E porque o havia pensado sentiu o súbito frio da roupa molhada nas costas, naquela mínima água que todo barco guarda ao fundo. Cochilou, talvez. Certamente fechou os olhos. Da pasta de sons, uma sirene destacou-se aguda. O barco pareceu estremecer. Abriu os olhos. Sem pressa, perguntou-se onde estaria, se próximo ou distante de onde havia embarcado. O ar passou mais fino ou mais rápido sobre o seu rosto, o fundo do barco vibrava, quem sabe, tangido pelos arrepios do seu corpo agora gelado.


O doce bambolear que o havia embalado fazia-se descompassado. Pensou que o tempo do aluguel estaria se esgotando, era hora de voltar. Ainda estendeu a mão preguiçosa para fora da borda, mas, sentindo-a molhada por respingos, retraiu-a surpreso e, agarrando-se dos dois lados, ergueu o tronco. Nada do que viu era o que esperava ver. Nenhuma serenidade mais aplanava o lago, se lago era aquele em que o barco ia à deriva, flancos apertados pela água escura que se acavalava em correnteza e espuma, estilhaçando-se contra as rochas das margens, avançando cada vez mais voraz até onde o olhar alcançava. Olhou para trás procurando o embarcadouro, os outros barcos iguais ao seu, a ponte vagamente japonesa que ligava a beira cimentada à ilhota artificial, os elementos todos que o haviam levado a alugar esse barco, a deitar-se no fundo do esquife cor de sangue em busca de placidez. Distante ou perdida estava aquela realidade. A sombra de uma copa deslizou veloz sobre o seu rosto lívido, a boca contraída não conseguiu articular as palavras do medo. Um rugido surdo havia-se acrescentado aos sons da mata que subiam entre os troncos, e o rugido lhe dizia que, à frente, ondas rápidas se faziam mais intensas, uma cachoeira o aguardava.


Marina Colasanti  

A expressão em destaque “Um rugido surdo havia-se acrescentado aos sons da mata que subiam entre os troncos”, associa-se a qual das alternativas?   
Alternativas
Q3864670 Português

Leia o Texto I para responder a questão.



Texto I



NO BARCO COR DE SANGUE  


Ah! a placidez das águas turvas que nada revelam e nada exigem. Para isso havia alugado o barco, para ser plácido como a água, ainda que por breve tempo. Um barco pequeno no pequeno lago do parque rodeado de cidade por todos os lados. Remou com falta de jeito, mais para ver o afundar e erguer-se dos remos do que propriamente para avançar. Os ruídos, os ruídos tantos que das ruas se alçavam escalando os canyons dos prédios, lhe chegavam abafados pela distância pouca e pelas copas das árvores. Deixavam de ser buzina, freada, alarme, sirene, para tornar-se pasta sonora amalgamada, quase uma outra natureza do ar. Um barco pequeno pintado de vermelho denso, vermelho sangue, que, descascado aqui e acolá, entregava um idêntico vermelho subjacente, como se vermelha fosse a madeira de que era feito. Um barco em que caberia exato, se deitasse. Deitou-se. Recolheu os remos. Um barco, pensou, embora desejasse tanto não pensar em nada, um barco, pensou, não fica parado, mesmo que não haja vento.


Um barco ondula. Sentia o esquife balançar de leve sob seu corpo, e a água, aquela água turva, cuja superfície pareceria intocada não estivesse ele a navegar, agia discreta por baixo do casco, como se suavemente roçando o dorso contra a quilha. Peito aberto sem a defesa dos braços cruzados, olhar afundado no infinito azul do alto, sentiu uma sombra aflorar lhe a testa, passar pelas pálpebras, a boca, lamber-lhe aos poucos o corpo até abandoná-lo pelos pés. Viu a copa de uma árvore deslizar acima e ficar para trás. O leve, levíssimo ondular repousava-lhe o corpo, devolvia-lhe a antiga segurança do berço. Indo e voltando entre palavras que nem bem escolhia, pensou que alugaria o barco no verão, quando pudesse tirar a camisa e ficar quase seminu ao sol, como se nadasse. E porque o havia pensado sentiu o súbito frio da roupa molhada nas costas, naquela mínima água que todo barco guarda ao fundo. Cochilou, talvez. Certamente fechou os olhos. Da pasta de sons, uma sirene destacou-se aguda. O barco pareceu estremecer. Abriu os olhos. Sem pressa, perguntou-se onde estaria, se próximo ou distante de onde havia embarcado. O ar passou mais fino ou mais rápido sobre o seu rosto, o fundo do barco vibrava, quem sabe, tangido pelos arrepios do seu corpo agora gelado.


O doce bambolear que o havia embalado fazia-se descompassado. Pensou que o tempo do aluguel estaria se esgotando, era hora de voltar. Ainda estendeu a mão preguiçosa para fora da borda, mas, sentindo-a molhada por respingos, retraiu-a surpreso e, agarrando-se dos dois lados, ergueu o tronco. Nada do que viu era o que esperava ver. Nenhuma serenidade mais aplanava o lago, se lago era aquele em que o barco ia à deriva, flancos apertados pela água escura que se acavalava em correnteza e espuma, estilhaçando-se contra as rochas das margens, avançando cada vez mais voraz até onde o olhar alcançava. Olhou para trás procurando o embarcadouro, os outros barcos iguais ao seu, a ponte vagamente japonesa que ligava a beira cimentada à ilhota artificial, os elementos todos que o haviam levado a alugar esse barco, a deitar-se no fundo do esquife cor de sangue em busca de placidez. Distante ou perdida estava aquela realidade. A sombra de uma copa deslizou veloz sobre o seu rosto lívido, a boca contraída não conseguiu articular as palavras do medo. Um rugido surdo havia-se acrescentado aos sons da mata que subiam entre os troncos, e o rugido lhe dizia que, à frente, ondas rápidas se faziam mais intensas, uma cachoeira o aguardava.


Marina Colasanti  

Qual é a representação do barco que conduz o personagem do texto?  
Alternativas
Q3864477 Português
Leia o texto a seguir.

O Instituto Senai de Tecnologia em Alimentos e Bebidas, de Goiânia, foi o grande vencedor da etapa Centro-Oeste do Prêmio Finep de Inovação, na categoria Cadeias Agroindustriais Sustentáveis, com o projeto Soluções Tecnológicas para o Aproveitamento Integral do Babaçu e Pequi. [...] A Coordenadora de Projetos do Instituto, Nathália Garcia, destacou o impacto social gerado pelo projeto: “É muito gratificante ver a inovação chegando na ponta, transformando a vida de mais de 7 mil famílias de agroextrativistas e agricultores familiares. Por meio desse projeto, conseguimos desenvolver cinco novos ingredientes a partir do aproveitamento integral do pequi e do babaçu – utilizando casca, polpa e semente. O que antes era considerado resíduo agora se transforma em produtos de alto valor agregado”.

BOLETIM SEMANAL DE NOTÍCIAS DA FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE GOIÁS. Senai conquista Prêmio Finep de Inovação ao transformar frutos do Cerrado em soluções sustentáveis. Ano 7, nº 261, Goiânia, 10 de outubro de 2025, p. 2 e 3. [Adaptado].

De que forma o projeto contribuiu com as famílias mencionadas?
Alternativas
Q3864475 Português
Leia o texto a seguir.
No componente materno-infantil, a Taxa de Mortalidade Infantil, medida em óbitos de menores de um ano por mil nascidos vivos, alcançou média municipal de 16,87. Trata-se de uma média entre municípios e não da taxa estadual. Observou-se que cerca de 20% dos municípios não registraram óbitos infantis, enquanto 80% apresentaram taxas inferiores a 29,47, havendo casos extremos com 96,77 óbitos por mil nascidos vivos. A elevada variabilidade do indicador sugere que ganhos adicionais dependem de cobertura contínua e de cuidados oportunos. Nessa direção, o Acompanhamento Pré-Natal, aferido pelo percentual de gestantes com sete ou mais consultas, registrou média de 81,02%, com mínimo de 42,31% e 80% dos municípios abaixo de 88,64%, o que revela espaço para ampliar o acesso e a regularidade do cuidado durante a gestação.

Lima, J. K. E.; Matos, P. D. S.; Siqueira, R. V. Índice de Desempenho dos Municípios (IDM). Goiânia-GO: Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Econômica– IMB, 2025, p. 18. [Adaptado].


A elevada variabilidade desse indicador evidencia qual característica do Estado de Goiás?
Alternativas
Q3864469 Português
Texto 3


Anteontem

Antonio Prata


No meio da frase, ao escrever "anteontem", empaquei. "Anteontem" existe? Não tô falando de anteontem, o dia antes de ontem. O dia, tenho certeza, existiu. Estive lá e tenho inclusive testemunhas, um link do "meets" e recibos do cartão de crédito.

Voltando ao assunto, escrevi "anteontem" e senti como se tivesse escrito "memo", "tamo", "somo". Dei um google rápido e, sim, surgiram várias frases com "anteontem". Poxa, que interessante. Por que será que "antes de ontem" conseguiu dicionarizar sua versão coloquial e, por exemplo, "memo", "tamo" e "somo", não?

[...]

Li, ano passado, o belíssimo "Latim em Pó", de Caetano Galindo. O livro traça os caminhos do português, desde a cópula milenar do galego com o latim até os dias de hoje. Termina assim: "Eu aqui me despeço e te digo em bom latim clássico (saluare) mastigado pela plebe do Império Romano (salvare), estropiado pelos celtiberos, desentendido pelos germânicos, tingido pelos árabes (salvar), imposto aos indígenas da América (sarvá) e finalmente alterado pelos padrões silábicos dos idiomas negros africanos:

Saravá.

Seja bem-vinda."

Ao dar um último google atrás da citação do Galindo, me deparei com uma descrição mais precisa do "anteontem". Não nasceu de uma corruptela de "antes de ontem". É filha de uma linhagem mais nobre, irmã de "antebraço", "anteparo", "antecipar’, "antessala", "anteceder". O que me traz certa culpa por não ter, ao pesquisar melhor, "antecipado". Não importa. Sigo defendendo a mesma posição. De que a língua escrita se dobre à falada. Saravá.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2025/07/anteontempagarai.shtml. Acesso em: 18 nov. 2025. [Adaptado].
O Texto 3 apresenta o seguinte trecho: “Ao dar um último google atrás da citação do Galindo, me deparei com uma descrição mais precisa do ‘anteontem’. Não nasceu de uma corruptela de ‘antes de ontem’”. Nesse trecho, o cronista, ao usar a expressão “descrição mais precisa”, mitiga a inconsistência de uma informação que já havia dado, usando como recurso de linguagem
Alternativas
Q3864468 Português
Texto 3


Anteontem

Antonio Prata


No meio da frase, ao escrever "anteontem", empaquei. "Anteontem" existe? Não tô falando de anteontem, o dia antes de ontem. O dia, tenho certeza, existiu. Estive lá e tenho inclusive testemunhas, um link do "meets" e recibos do cartão de crédito.

Voltando ao assunto, escrevi "anteontem" e senti como se tivesse escrito "memo", "tamo", "somo". Dei um google rápido e, sim, surgiram várias frases com "anteontem". Poxa, que interessante. Por que será que "antes de ontem" conseguiu dicionarizar sua versão coloquial e, por exemplo, "memo", "tamo" e "somo", não?

[...]

Li, ano passado, o belíssimo "Latim em Pó", de Caetano Galindo. O livro traça os caminhos do português, desde a cópula milenar do galego com o latim até os dias de hoje. Termina assim: "Eu aqui me despeço e te digo em bom latim clássico (saluare) mastigado pela plebe do Império Romano (salvare), estropiado pelos celtiberos, desentendido pelos germânicos, tingido pelos árabes (salvar), imposto aos indígenas da América (sarvá) e finalmente alterado pelos padrões silábicos dos idiomas negros africanos:

Saravá.

Seja bem-vinda."

Ao dar um último google atrás da citação do Galindo, me deparei com uma descrição mais precisa do "anteontem". Não nasceu de uma corruptela de "antes de ontem". É filha de uma linhagem mais nobre, irmã de "antebraço", "anteparo", "antecipar’, "antessala", "anteceder". O que me traz certa culpa por não ter, ao pesquisar melhor, "antecipado". Não importa. Sigo defendendo a mesma posição. De que a língua escrita se dobre à falada. Saravá.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2025/07/anteontempagarai.shtml. Acesso em: 18 nov. 2025. [Adaptado].
A abertura da crônica “Anteontem” é construída a partir de um jogo de linguagem que se baseia na
Alternativas
Q3864460 Português
Texto 1


O livro, o plástico e as 700 toneladas no lixo


      O leitor entra na livraria, escolhe um título, paga, leva para casa e rasga a película transparente que o envolve. Em segundos, o plástico vai para o lixo. O gesto é banal, mas o impacto é monumental.

       Essa fina camada de filme termoencolhível – que protege o livro de poeira e umidade – se tornou um dos maiores símbolos de incoerência do mercado editorial brasileiro: um setor que vive de ideias, mas ainda insiste num hábito materialmente insustentável.

     Segundo dados disponibilizados pela Câmara Brasileira do Livro, o país imprimiu 366 milhões de exemplares no último ano. Supondo que cerca de 70% desses livros foram embalados individualmente, isso significa que 256 milhões de unidades receberam plástico antes de chegar às prateleiras. Cada invólucro pesa entre 1,4 g e 2,7 g, o que equivale a algo em torno de 360 a 700 toneladas de lixo plástico por ano – um resíduo de baixo valor comercial, raramente reciclado.

      O argumento das editoras é pragmático: o plástico protege os exemplares durante o transporte e a armazenagem. Há, porém, uma causa mais profunda para a continuidade dessa prática. Plataformas de e-commerce, que dominam o mercado de venda ao consumidor, exigem que as editoras entreguem os livros embalados individualmente em plástico. Caso contrário, recusam o recebimento do material. E, para atender a essa exigência, muitas editoras solicitam às gráficas que enviem parte ou toda a tiragem já com o plástico. Cria-se, assim, um círculo vicioso: as gráficas embalam para atender as editoras; estas embalam para atender as plataformas; e estas últimas embalam novamente para o envio ao consumidor.

         O cenário precisa mudar e já temos exemplos para seguir. Livrarias independentes já substituem o filme plástico por faixas de papel reciclado, invólucros biodegradáveis, ou simplesmente aboliram a embalagem. O debate sobre sustentabilidade no livro não pode se limitar à origem do papel: deve incluir também o material que o envolve. O livro é, por natureza, um instrumento de consciência. E não há consciência possível quando o conhecimento continua coberto por uma camada de poluição invisível.


BORGES, Afonso. O livro, o plástico e as 700 toneladas no lixo. Folha de S. Paulo, 16 nov. 2025, p. A6. [Adaptado].
Usa-se, no Texto 1, a seguinte estratégia de introdução: 
Alternativas
Q3864457 Português
A interpretação de textos, em sua dimensão mais profunda, requer do leitor a capacidade de inferir informações implícitas, construir modelos mentais do que é lido e acessar seu repertório sociocultural, o que significa que o sentido de um texto é uma construção individual e subjetiva, não havendo, em última instância, uma interpretação 'correta' ou 'fiel' à intenção do autor.
Alternativas
Q3864433 Português
Em um texto com predominância de denotação, o significado das palavras é utilizado em seu sentido próprio, literal, com o objetivo de informar de maneira objetiva e precisa, o que exclui qualquer possibilidade de interpretação subjetiva por parte do leitor, garantindo uma compreensão unívoca do enunciado.
Alternativas
Q3864413 Português
EDUCAÇÃO BRASILEIRA EM FOCO: OS DESAFIOS DA INCLUSÃOE DA QUALIDADE A educação brasileira, um tema de importância inquestionável, encontra-se em umperene processo de discussões e revisões, especialmente no que tange à sua capacidade de ser equânime e de qualidade para todos. As estatísticas e os relatos do cotidiano escolar frequentemente apontam para uma realidade complexa, onde avanços coexistem com desafios estruturais persistentes. A inclusão, por exemplo, embora consolidada como um pilar legal e moral, ainda enfrenta barreiras significativas na prática. Escolas que carecem de infraestrutura adequada, formação continuada insuficiente para os educadores e a ausência de materiais didáticos adaptados são apenas alguns dos entraves que dificultam a plena participação de estudantes com necessidades educacionais especiais. A alfabetização de adultos, outro gargalo histórico, revela por sua vez a persistência de um contingente expressivo da população que não teve acesso à educação formal na idade apropriada. Programas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) são cruciais, mas a adesão e a permanência refletem não só a qualidade da oferta, mas também as condições socioeconômicas dos matriculados, que frequentemente precisam conciliar o estudo com o trabalho e as responsabilidades familiares. O abandono escolar, neste contexto, é um fenômeno multifacetado, que exige soluções integradas e políticas públicas robustas. As bibliotecas públicas, embora frequentemente subutilizadas e carentes de investimentos, desempenham um papel vital no fomento da leitura e no acesso à informação, podendo ser espaços catalisadores de aprendizado continuado, principalmente em comunidades mais vulneráveis. Contudo, a modernização de seus acervos e a ampliação de seu alcance digital e físico são imperativos para que cumpram seu potencial em um mundo cada vez mais conectado. O ensino técnico, por sua vez, é frequentemente apontado como uma rota estratégica para o desenvolvimento econômico e a inserção no mercado de trabalho. No entanto, a desarticulação entre as demandas do setor produtivo e a oferta formativa, bem como a precarização das condições de ensino, são desafios que merecem atenção urgente. Finalmente, a formação de professores emerge como a espinha dorsal de qualquer sistema educacional robusto. A valorização da carreira docente, a formação inicial e continuada de excelência, e a oferta de condições de trabalho dignas são fatores determinantes para a qualidade do ensino. Sem professores bem preparados e motivados, a implementação de currículos inovadores e a superação dos desafios educacionais permanecem uma quimera. A educação brasileira é, portanto, um organismo vivo, que demanda atenção constante e investimento estratégico em todas as suas frentes.

(Adaptado de Gazeta do Povo, nov. 2024)


Com base no texto acima, julgue o item a seguir. 
O termo 'quimera', empregado ao final do texto ('permanecem uma quimera'), denota algo que é uma realidade palpável e alcançável com os esforços atuais, indicando um objetivo pragmático para a educação.
Alternativas
Q3864411 Português
EDUCAÇÃO BRASILEIRA EM FOCO: OS DESAFIOS DA INCLUSÃOE DA QUALIDADE A educação brasileira, um tema de importância inquestionável, encontra-se em umperene processo de discussões e revisões, especialmente no que tange à sua capacidade de ser equânime e de qualidade para todos. As estatísticas e os relatos do cotidiano escolar frequentemente apontam para uma realidade complexa, onde avanços coexistem com desafios estruturais persistentes. A inclusão, por exemplo, embora consolidada como um pilar legal e moral, ainda enfrenta barreiras significativas na prática. Escolas que carecem de infraestrutura adequada, formação continuada insuficiente para os educadores e a ausência de materiais didáticos adaptados são apenas alguns dos entraves que dificultam a plena participação de estudantes com necessidades educacionais especiais. A alfabetização de adultos, outro gargalo histórico, revela por sua vez a persistência de um contingente expressivo da população que não teve acesso à educação formal na idade apropriada. Programas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) são cruciais, mas a adesão e a permanência refletem não só a qualidade da oferta, mas também as condições socioeconômicas dos matriculados, que frequentemente precisam conciliar o estudo com o trabalho e as responsabilidades familiares. O abandono escolar, neste contexto, é um fenômeno multifacetado, que exige soluções integradas e políticas públicas robustas. As bibliotecas públicas, embora frequentemente subutilizadas e carentes de investimentos, desempenham um papel vital no fomento da leitura e no acesso à informação, podendo ser espaços catalisadores de aprendizado continuado, principalmente em comunidades mais vulneráveis. Contudo, a modernização de seus acervos e a ampliação de seu alcance digital e físico são imperativos para que cumpram seu potencial em um mundo cada vez mais conectado. O ensino técnico, por sua vez, é frequentemente apontado como uma rota estratégica para o desenvolvimento econômico e a inserção no mercado de trabalho. No entanto, a desarticulação entre as demandas do setor produtivo e a oferta formativa, bem como a precarização das condições de ensino, são desafios que merecem atenção urgente. Finalmente, a formação de professores emerge como a espinha dorsal de qualquer sistema educacional robusto. A valorização da carreira docente, a formação inicial e continuada de excelência, e a oferta de condições de trabalho dignas são fatores determinantes para a qualidade do ensino. Sem professores bem preparados e motivados, a implementação de currículos inovadores e a superação dos desafios educacionais permanecem uma quimera. A educação brasileira é, portanto, um organismo vivo, que demanda atenção constante e investimento estratégico em todas as suas frentes.

(Adaptado de Gazeta do Povo, nov. 2024)


Com base no texto acima, julgue o item a seguir. 
No segmento 'A alfabetização de adultos, outro gargalo histórico, revela por sua vez a persistência de um contingente expressivo', o uso do travessão isola um aposto explicativo que poderia ser substituído por vírgulas sem prejuízo do sentido ou da correção gramatical.
Alternativas
Q3864410 Português
EDUCAÇÃO BRASILEIRA EM FOCO: OS DESAFIOS DA INCLUSÃOE DA QUALIDADE A educação brasileira, um tema de importância inquestionável, encontra-se em umperene processo de discussões e revisões, especialmente no que tange à sua capacidade de ser equânime e de qualidade para todos. As estatísticas e os relatos do cotidiano escolar frequentemente apontam para uma realidade complexa, onde avanços coexistem com desafios estruturais persistentes. A inclusão, por exemplo, embora consolidada como um pilar legal e moral, ainda enfrenta barreiras significativas na prática. Escolas que carecem de infraestrutura adequada, formação continuada insuficiente para os educadores e a ausência de materiais didáticos adaptados são apenas alguns dos entraves que dificultam a plena participação de estudantes com necessidades educacionais especiais. A alfabetização de adultos, outro gargalo histórico, revela por sua vez a persistência de um contingente expressivo da população que não teve acesso à educação formal na idade apropriada. Programas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) são cruciais, mas a adesão e a permanência refletem não só a qualidade da oferta, mas também as condições socioeconômicas dos matriculados, que frequentemente precisam conciliar o estudo com o trabalho e as responsabilidades familiares. O abandono escolar, neste contexto, é um fenômeno multifacetado, que exige soluções integradas e políticas públicas robustas. As bibliotecas públicas, embora frequentemente subutilizadas e carentes de investimentos, desempenham um papel vital no fomento da leitura e no acesso à informação, podendo ser espaços catalisadores de aprendizado continuado, principalmente em comunidades mais vulneráveis. Contudo, a modernização de seus acervos e a ampliação de seu alcance digital e físico são imperativos para que cumpram seu potencial em um mundo cada vez mais conectado. O ensino técnico, por sua vez, é frequentemente apontado como uma rota estratégica para o desenvolvimento econômico e a inserção no mercado de trabalho. No entanto, a desarticulação entre as demandas do setor produtivo e a oferta formativa, bem como a precarização das condições de ensino, são desafios que merecem atenção urgente. Finalmente, a formação de professores emerge como a espinha dorsal de qualquer sistema educacional robusto. A valorização da carreira docente, a formação inicial e continuada de excelência, e a oferta de condições de trabalho dignas são fatores determinantes para a qualidade do ensino. Sem professores bem preparados e motivados, a implementação de currículos inovadores e a superação dos desafios educacionais permanecem uma quimera. A educação brasileira é, portanto, um organismo vivo, que demanda atenção constante e investimento estratégico em todas as suas frentes.

(Adaptado de Gazeta do Povo, nov. 2024)


Com base no texto acima, julgue o item a seguir. 
O texto argumenta que a inclusão escolar, apesar de ser um pilar legal, encontra na prática óbices como a falta de infraestrutura e a formação inadequada de educadores, o que impede a plena participação de todos os estudantes.
Alternativas
Q3864303 Português
Assinale a alternativa em que a palavra “ar” está sendo empregada em seu sentido próprio, real.
Alternativas
Q3864300 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão. 


A pescaria inesquecível 


    Certa vez, um pai e seu filho de onze anos foram pescar em um lago. A temporada de pesca só começaria no dia seguinte, mas pai e filho saíram no fim da tarde para pegar apenas peixes cuja captura estava liberada. 

    Veio a noite e, de repente, a vara do garoto se envergou, indicando que havia algo enorme no anzol. O pai olhava com admiração, enquanto o filho, habilmente, erguia o peixe da água. Era o maior peixe que ele já tinha visto. Sua pesca, porém, só era permitida na temporada. O pai e o filho olhavam para o peixe bonito, suas guelras se movimentando para trás e para frente.

    O pai acendeu um fósforo e olhou para o relógio: pouco mais de vinte e duas horas. Ainda faltavam quase duas horas para a abertura da temporada. Disse ao menino: “Você tem de devolvê-lo, filho. Vai aparecer outro”. “Mas não tão grande quanto este”, disse a criança, choramingando. 

    O garoto olhou à volta do lago, não havia outros pescadores ou embarcações à vista. Voltou novamente a olhar para o pai. Mesmo sem ninguém por perto, pelo tom de voz do pai, ele sabia que a decisão era inegociável. Devagarinho, tirou o anzol da boca do peixe e o devolveu à água. O peixe movimentou-se rapidamente e desapareceu. 

    Isso aconteceu há trinta e quatro anos. Hoje o garoto é um arquiteto bem sucedido. Leva seus filhos para pescar no mesmo local. Sua intuição estava correta: nunca mais conseguiu pegar um peixe tão maravilhoso como o daquele dia. Entretanto, sempre vê o mesmo peixe, cada vez que se depara com uma questão ética. Porque, como o pai lhe ensinou, a ética é simplesmente uma questão de certo ou errado. Agir corretamente quando se está sendo observado é uma coisa. A ética, porém, está em agir corretamente quando ninguém está nos observando.

    Essa conduta correta só é possível quando, desde criança, aprendeu-se a devolver o peixe à água. A ética é como uma moeda de ouro: Tem valor em toda parte. (...) 


QUEIROZ, Antônio. A pescaria inesquecível. Histórias de vida. Disponível em . <https://www.a12.com/redacaoa12/historias-de-vida/apescaria-inesquecivel>. 
Em relação ao texto “A pescaria inesquecível”, é correto afirmar que o narrador: 
Alternativas
Q3863998 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


“Chatear” e “encher”


Um amigo meu me ensina a diferença entre “chatear” e “encher”. Chatear é assim: você telefona para um escritório qualquer na cidade:

— Alô! Quer me chamar por favor o Valdemar?

— Aqui não tem nenhum Valdemar.

Daí a alguns minutos você liga de novo:

— O Valdemar, por obséquio.

— Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Valdemar.

— Mas não é do número tal?

— É, mas aqui nunca teve nenhum Valdemar.

Mais cinco minutos, você liga o mesmo número:

— Por favor, o Valdemar já chegou?

— Vê se te manca, palhaço. Já não lhe disse que o diabo desse Valdemar nunca trabalhou aqui?

— Mas ele mesmo me disse que trabalhava aí.

— Não chateia.

Daí a dez minutos, liga de novo.

— Escute uma coisa! O Valdemar não deixou pelo menos um recado?

O outro desta vez esquece a presença da datilógrafa e diz coisas impublicáveis.

Até aqui é chatear. Para encher, espere passar mais dez minutos, faça nova ligação:

— Alô! Quem fala? Quem fala aqui é o Valdemar. Alguém telefonou para mim?


CAMPOS, Paulo Mendes. “Chatear” e “encher”. In: Para Gostar de Ler. 12 ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 35. (Volume 2 - Crônicas).  
Assinale a alternativa que apresenta um sinônimo correto para a expressão “por obséquio”, no trecho do texto:

“— O Valdemar, por obséquio.”:
Alternativas
Q3863995 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


“Chatear” e “encher”


Um amigo meu me ensina a diferença entre “chatear” e “encher”. Chatear é assim: você telefona para um escritório qualquer na cidade:

— Alô! Quer me chamar por favor o Valdemar?

— Aqui não tem nenhum Valdemar.

Daí a alguns minutos você liga de novo:

— O Valdemar, por obséquio.

— Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Valdemar.

— Mas não é do número tal?

— É, mas aqui nunca teve nenhum Valdemar.

Mais cinco minutos, você liga o mesmo número:

— Por favor, o Valdemar já chegou?

— Vê se te manca, palhaço. Já não lhe disse que o diabo desse Valdemar nunca trabalhou aqui?

— Mas ele mesmo me disse que trabalhava aí.

— Não chateia.

Daí a dez minutos, liga de novo.

— Escute uma coisa! O Valdemar não deixou pelo menos um recado?

O outro desta vez esquece a presença da datilógrafa e diz coisas impublicáveis.

Até aqui é chatear. Para encher, espere passar mais dez minutos, faça nova ligação:

— Alô! Quem fala? Quem fala aqui é o Valdemar. Alguém telefonou para mim?


CAMPOS, Paulo Mendes. “Chatear” e “encher”. In: Para Gostar de Ler. 12 ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 35. (Volume 2 - Crônicas).  
No texto de Paulo Mendes Campos, uma situação é narrada para demonstrar a diferença entre chatear e encher. Assinale a alternativa correta sobre o texto. 
Alternativas
Q3863800 Português
Começa a COP30: Quais são as últimas novidades da ciência sobre o clima?


    A COP30 começou nesta segunda-feira (10) em Belém, no Pará. Delegações de mais de 160 países irão discutir as metas e medidas para combater o aquecimento global. Com o ritmo das mudanças climáticas se acelerando, eventos climáticos extremos e outros impactos estão causando danos cada vez maiores às populações e ao meio ambiente em todo o mundo. 

    As temperaturas globais não estão apenas subindo, estão subindo mais rápido do que antes, com novos recordes registrados para 2023 e 2024 e em alguns momentos de 2025. Essa descoberta fez parte de um estudo importante realizado em junho que atualizou os dados de referência usados nos relatórios científicos elaborados a cada poucos anos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

    A nova pesquisa mostra que a temperatura média global está subindo a uma taxa de 0,27 grau Celsius por década – ou quase 50% mais rápido do que nas décadas de 1990 e 2000, quando a taxa de aquecimento era de cerca de 0,2°C por década.

    O nível do mar também está subindo mais rapidamente agora – cerca de 4,5 milímetros por ano na última década, em comparação com 1,85 mm por ano medidos ao longo das décadas desde 1900. O mundo está agora a caminho de ultrapassar o limite de aquecimento de 1,5 °C por volta de 2030, após o qual os cientistas alertam que provavelmente desencadearemos impactos catastróficos e irreversíveis.

   O mundo está agora a caminho de ultrapassar o limite de aquecimento de 1,5 °C por volta de 2030, após o qual os cientistas alertam que provavelmente desencadearemos impactos catastróficos e irreversíveis. O mundo já aqueceu entre 1,3 °C e 1,4 °C desde a era pré-industrial, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial.

    Os corais de águas quentes estão sofrendo uma mortandade quase irreversível devido às sucessivas ondas de calor marinhas – marcando o que seria o primeiro chamado ponto de inflexão climática, quando um sistema ambiental começa a mudar para um estado diferente.

    Em outubro, pesquisadores também alertaram que a floresta amazônica pode começar a morrer e se transformar em um ecossistema diferente, como a savana, se o desmatamento acelerado continuar à medida que o aquecimento global ultrapassar 1,5 °C, o que está ocorrendo antes do que se estimava anteriormente.

    Disseram que o derretimento da camada de gelo da Groenlândia pode contribuir para um colapso precoce da Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC), corrente oceânica responsável pela manutenção de invernos amenos na Europa.

    Na Antártida, onde as camadas de gelo também estão ameaçadas, os cientistas estão preocupados com o declínio do gelo marinho ao redor do continente mais meridional. Assim como ocorre no Ártico, a perda de gelo expõe a água escura, que pode absorver mais radiação solar, amplificando a tendência geral de aquecimento. Isso também coloca em risco o crescimento do fitoplâncton, que consome grande parte do CO2 do planeta. Além das ondas de calor e da seca, os incêndios florestais ainda representam uma ameaça, tornando-se frequentes e severos. 

    O relatório State of Wildfires deste ano, elaborado por um grupo de agências meteorológicas e universidades, contabilizou cerca de 3,7 milhões de quilômetros quadrados (1,4 milhão de milhas quadradas) queimados entre março de 2024 e fevereiro de 2025 – uma área aproximadamente do tamanho da Índia e da Noruega juntas.

     Isso representou uma quantidade ligeiramente menor do que a média anual de incêndios florestais das últimas duas décadas. No entanto, os incêndios produziram emissões de CO2 mais elevadas do que antes, devido à queima de florestas com maior densidade de carbono.


Fonte: Começa a COP30: Quais são as últimas novidades da ciência sobre o clima? | CNN Brasil
Com base nas informações do texto e nas relações existentes entre as partes que o compõem, assinale a alternativa INCORRETA: 
Alternativas
Q3863623 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.




Disponível em: https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/27431-tiras-de-armandinho

Assinale a alternativa correta a respeito da interpretação da tirinha acima.
Alternativas
Respostas
7161: B
7162: E
7163: B
7164: D
7165: D
7166: B
7167: B
7168: C
7169: B
7170: E
7171: E
7172: E
7173: C
7174: C
7175: C
7176: A
7177: A
7178: C
7179: D
7180: C