Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3978716 Português
Texto para a questão.

O Dia Internacional do Trabalhador, festejado no dia 1º de maio, mobiliza trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo para uma reflexão sobre a importância do esforço humano para a economia.

“No mundo atual, o trabalho é a garantia de esperança para milhões de pessoas e deve ser comemorado todos os dias”, destacou o presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN), desembargador Eduardo Rocha.

https://www.trt21.jus.br/noticias/noticia/todo-dia-e-dia-do-trabalho-dostrabalhadores-e-da-justica-do-trabalho (adaptado)
De acordo com o texto, o que é correto afirmar?
Alternativas
Q3978687 Português
Texto para a questão

Ser sofista é insulto na filosofia. Mas você escolheria um deles ou Sócrates para te defender? 

        Ser um sofista é um insulto no meio filosófico. Por quê? Consideramos a filosofia que vale a pena como a derivada de Sócrates e de Platão, inimigos declarados dos sofistas. Assim, aprendemos sobre um time pela visão de torcedores inimigos. Sofismas/sofistas equivalem a um pensamento ardiloso, sem compromisso com a verdade. 

        Nosso termo “escola” deriva de uma palavra grega para ócio. Se você fosse um escravizado na Atenas do século 5 a.C., trabalharia o dia todo e nunca teria tempo para uma educação elaborada. Ter ócio era ter renda e bens suficientes que permitissem atividades como leitura e debates. Um bom exemplo é Platão, membro da elite ateniense que não apenas conseguiu uma excelente educação, mas ainda podia passar tempo fazendo atividades físicas que permitissem ao jovem ser chamado pelo apelido de “ombros largos”, em grego, Platão.

        E Sócrates? Não era rico, pelo que sabemos, mas vivia em banquetes ofertados por seus alunos eupátridas (os “bem-nascidos”), como Alcebíades e Platão. 

        Educados, atletas, debatedores em banquetes fartos, o grupo nunca cobraria para pensar. Nunca precisaram. Estavam acima dos boletos. Seus olivais e vinhedos eram cultivados por muitos braços e eles se dedicavam ao debate por diálogos. 

        A expansão comercial ateniense (e das outras cidades) fez crescer um grupo ligado ao comércio, manufaturas, engenharia naval e outras atividades menos tradicionais. Estes “novos ricos” tinham posses, mas careciam de tradição. Precisavam educar filhos e ter formação para os debates públicos na fervilhante política ática. Surgem os sofistas. 

        Eram “pensadores de aluguel”, advogados, professores, escritores que cobravam pelos seus serviços. Viviam deles. Não tendo terras como a família de Platão, comiam a partir do que conseguiam em troca do treino da retórica. Muitos advogados sofistas defendiam um cliente e não um “logos” supremo.

        Vejam a frase do sofista Protágoras: “o homem é a medida de todas as coisas”. Parece puro antropocentrismo helênico. Porém, ela introduz um relativismo interpretativo (hermenêutico, se preferirem) importante. Se o homem é a medida, cada homem determina uma nova medida, cada caso é um caso, cada verdade pertence ao sujeito. 

        Para a elite tradicional, eram “cérebros de aluguel”, falantes hábeis a peso de ouro. Para os sofistas, talvez, Platão tivesse uma liberdade que não vinha da sua convicção ética, todavia dos seus bens. 

        Sócrates, o amigo de gente rica, aceitou a pena capital. O quadro famoso de David mostra o velho mestre cercado por apoiadores e há treze pessoas na imagem, como Jesus na Santa Ceia. Morreu por aquilo que acreditava. Sócrates foi associado à virtude e à coerência. Foi oferecida a ele a chance de fugir e o homem mais sábio da Grécia (segundo o oráculo), disse que precisava morrer para cumprir a lei e para mostrar que suas ideias valiam mais do que sua vida. Quem, simbolicamente, teria amassado a cicuta que Sócrates bebeu? Demagogos e, claro, sofistas. 

        De vendidos e venais, os sofistas passaram a assassinos calculistas. Platão nunca os perdoou e fez um diálogo importante chamado “Sofista”. Dali em diante, com anuência do Cristianismo, sofistas eram os amigos da mentira, astutos, e, como Lúcifer, enganadores.

        É difícil imaginar quem seriam os herdeiros de Sócrates e de Jesus no mundo de hoje. Eu apontaria com mais facilidade quem seria filho do realismo sofista: é o algoritmo. Ele determina que cada usuário é a medida de todas as coisas. Ele indica produtos sem preconceito, de livros sofisticados a cremes depilatórios, tudo a partir do seu perfil de compras. Ele mostra vídeos da cena que você, há pouco, viu com atenção. 

        O algoritmo não tem valores prévios senão a sobrevivência do mercado. O internauta é a medida de todas as coisas e seu histórico de navegação determina a verdade que o algoritmo reforça. Nossa esperança é gente que pensa fora das redes, mas... como serão analisados? Aliás, seriam vistos? 

Leandro Karnal. Disponível em 
<https://www.estadao.com.br/cultura/leandro-karnal/ser-sofista-e-insulto
na-filosofia-mas-voce-escolheria-um-deles-ou-socrates-para-te
defender/>
No segmento “Dali em diante, com anuência do Cristianismo, sofistas eram os amigos da mentira...”, o termo “anuência” introduz uma ideia decisiva para a leitura do período, pois sugere uma postura institucional diante da imagem atribuída aos sofistas. Considerando o sentido assumido pela palavra no contexto, assinale a alternativa em que o vocábulo proposto pode substituí-la sem alteração relevante de significado. 
Alternativas
Q3978685 Português
Texto para a questão

Ser sofista é insulto na filosofia. Mas você escolheria um deles ou Sócrates para te defender? 

        Ser um sofista é um insulto no meio filosófico. Por quê? Consideramos a filosofia que vale a pena como a derivada de Sócrates e de Platão, inimigos declarados dos sofistas. Assim, aprendemos sobre um time pela visão de torcedores inimigos. Sofismas/sofistas equivalem a um pensamento ardiloso, sem compromisso com a verdade. 

        Nosso termo “escola” deriva de uma palavra grega para ócio. Se você fosse um escravizado na Atenas do século 5 a.C., trabalharia o dia todo e nunca teria tempo para uma educação elaborada. Ter ócio era ter renda e bens suficientes que permitissem atividades como leitura e debates. Um bom exemplo é Platão, membro da elite ateniense que não apenas conseguiu uma excelente educação, mas ainda podia passar tempo fazendo atividades físicas que permitissem ao jovem ser chamado pelo apelido de “ombros largos”, em grego, Platão.

        E Sócrates? Não era rico, pelo que sabemos, mas vivia em banquetes ofertados por seus alunos eupátridas (os “bem-nascidos”), como Alcebíades e Platão. 

        Educados, atletas, debatedores em banquetes fartos, o grupo nunca cobraria para pensar. Nunca precisaram. Estavam acima dos boletos. Seus olivais e vinhedos eram cultivados por muitos braços e eles se dedicavam ao debate por diálogos. 

        A expansão comercial ateniense (e das outras cidades) fez crescer um grupo ligado ao comércio, manufaturas, engenharia naval e outras atividades menos tradicionais. Estes “novos ricos” tinham posses, mas careciam de tradição. Precisavam educar filhos e ter formação para os debates públicos na fervilhante política ática. Surgem os sofistas. 

        Eram “pensadores de aluguel”, advogados, professores, escritores que cobravam pelos seus serviços. Viviam deles. Não tendo terras como a família de Platão, comiam a partir do que conseguiam em troca do treino da retórica. Muitos advogados sofistas defendiam um cliente e não um “logos” supremo.

        Vejam a frase do sofista Protágoras: “o homem é a medida de todas as coisas”. Parece puro antropocentrismo helênico. Porém, ela introduz um relativismo interpretativo (hermenêutico, se preferirem) importante. Se o homem é a medida, cada homem determina uma nova medida, cada caso é um caso, cada verdade pertence ao sujeito. 

        Para a elite tradicional, eram “cérebros de aluguel”, falantes hábeis a peso de ouro. Para os sofistas, talvez, Platão tivesse uma liberdade que não vinha da sua convicção ética, todavia dos seus bens. 

        Sócrates, o amigo de gente rica, aceitou a pena capital. O quadro famoso de David mostra o velho mestre cercado por apoiadores e há treze pessoas na imagem, como Jesus na Santa Ceia. Morreu por aquilo que acreditava. Sócrates foi associado à virtude e à coerência. Foi oferecida a ele a chance de fugir e o homem mais sábio da Grécia (segundo o oráculo), disse que precisava morrer para cumprir a lei e para mostrar que suas ideias valiam mais do que sua vida. Quem, simbolicamente, teria amassado a cicuta que Sócrates bebeu? Demagogos e, claro, sofistas. 

        De vendidos e venais, os sofistas passaram a assassinos calculistas. Platão nunca os perdoou e fez um diálogo importante chamado “Sofista”. Dali em diante, com anuência do Cristianismo, sofistas eram os amigos da mentira, astutos, e, como Lúcifer, enganadores.

        É difícil imaginar quem seriam os herdeiros de Sócrates e de Jesus no mundo de hoje. Eu apontaria com mais facilidade quem seria filho do realismo sofista: é o algoritmo. Ele determina que cada usuário é a medida de todas as coisas. Ele indica produtos sem preconceito, de livros sofisticados a cremes depilatórios, tudo a partir do seu perfil de compras. Ele mostra vídeos da cena que você, há pouco, viu com atenção. 

        O algoritmo não tem valores prévios senão a sobrevivência do mercado. O internauta é a medida de todas as coisas e seu histórico de navegação determina a verdade que o algoritmo reforça. Nossa esperança é gente que pensa fora das redes, mas... como serão analisados? Aliás, seriam vistos? 

Leandro Karnal. Disponível em 
<https://www.estadao.com.br/cultura/leandro-karnal/ser-sofista-e-insulto
na-filosofia-mas-voce-escolheria-um-deles-ou-socrates-para-te
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Ao comentar a etimologia de “escola” como derivada de um termo grego ligado ao ócio, o texto delineia uma relação entre condições materiais e acesso à formação intelectual. À luz dessa discussão, analise as assertivas:
I. O ócio é apresentado como disponibilidade socialmente condicionada, vinculada a renda e bens que permitem leitura e debates.
II. A condição de escravizado é descrita como rotina extenuante, incompatível com uma educação elaborada e contínua.
III. O ócio é definido como efeito do desinteresse ateniense por política, o que explica a marginalização do estudo sistemático.
Está correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q3978684 Português
Texto para a questão

Ser sofista é insulto na filosofia. Mas você escolheria um deles ou Sócrates para te defender? 

        Ser um sofista é um insulto no meio filosófico. Por quê? Consideramos a filosofia que vale a pena como a derivada de Sócrates e de Platão, inimigos declarados dos sofistas. Assim, aprendemos sobre um time pela visão de torcedores inimigos. Sofismas/sofistas equivalem a um pensamento ardiloso, sem compromisso com a verdade. 

        Nosso termo “escola” deriva de uma palavra grega para ócio. Se você fosse um escravizado na Atenas do século 5 a.C., trabalharia o dia todo e nunca teria tempo para uma educação elaborada. Ter ócio era ter renda e bens suficientes que permitissem atividades como leitura e debates. Um bom exemplo é Platão, membro da elite ateniense que não apenas conseguiu uma excelente educação, mas ainda podia passar tempo fazendo atividades físicas que permitissem ao jovem ser chamado pelo apelido de “ombros largos”, em grego, Platão.

        E Sócrates? Não era rico, pelo que sabemos, mas vivia em banquetes ofertados por seus alunos eupátridas (os “bem-nascidos”), como Alcebíades e Platão. 

        Educados, atletas, debatedores em banquetes fartos, o grupo nunca cobraria para pensar. Nunca precisaram. Estavam acima dos boletos. Seus olivais e vinhedos eram cultivados por muitos braços e eles se dedicavam ao debate por diálogos. 

        A expansão comercial ateniense (e das outras cidades) fez crescer um grupo ligado ao comércio, manufaturas, engenharia naval e outras atividades menos tradicionais. Estes “novos ricos” tinham posses, mas careciam de tradição. Precisavam educar filhos e ter formação para os debates públicos na fervilhante política ática. Surgem os sofistas. 

        Eram “pensadores de aluguel”, advogados, professores, escritores que cobravam pelos seus serviços. Viviam deles. Não tendo terras como a família de Platão, comiam a partir do que conseguiam em troca do treino da retórica. Muitos advogados sofistas defendiam um cliente e não um “logos” supremo.

        Vejam a frase do sofista Protágoras: “o homem é a medida de todas as coisas”. Parece puro antropocentrismo helênico. Porém, ela introduz um relativismo interpretativo (hermenêutico, se preferirem) importante. Se o homem é a medida, cada homem determina uma nova medida, cada caso é um caso, cada verdade pertence ao sujeito. 

        Para a elite tradicional, eram “cérebros de aluguel”, falantes hábeis a peso de ouro. Para os sofistas, talvez, Platão tivesse uma liberdade que não vinha da sua convicção ética, todavia dos seus bens. 

        Sócrates, o amigo de gente rica, aceitou a pena capital. O quadro famoso de David mostra o velho mestre cercado por apoiadores e há treze pessoas na imagem, como Jesus na Santa Ceia. Morreu por aquilo que acreditava. Sócrates foi associado à virtude e à coerência. Foi oferecida a ele a chance de fugir e o homem mais sábio da Grécia (segundo o oráculo), disse que precisava morrer para cumprir a lei e para mostrar que suas ideias valiam mais do que sua vida. Quem, simbolicamente, teria amassado a cicuta que Sócrates bebeu? Demagogos e, claro, sofistas. 

        De vendidos e venais, os sofistas passaram a assassinos calculistas. Platão nunca os perdoou e fez um diálogo importante chamado “Sofista”. Dali em diante, com anuência do Cristianismo, sofistas eram os amigos da mentira, astutos, e, como Lúcifer, enganadores.

        É difícil imaginar quem seriam os herdeiros de Sócrates e de Jesus no mundo de hoje. Eu apontaria com mais facilidade quem seria filho do realismo sofista: é o algoritmo. Ele determina que cada usuário é a medida de todas as coisas. Ele indica produtos sem preconceito, de livros sofisticados a cremes depilatórios, tudo a partir do seu perfil de compras. Ele mostra vídeos da cena que você, há pouco, viu com atenção. 

        O algoritmo não tem valores prévios senão a sobrevivência do mercado. O internauta é a medida de todas as coisas e seu histórico de navegação determina a verdade que o algoritmo reforça. Nossa esperança é gente que pensa fora das redes, mas... como serão analisados? Aliás, seriam vistos? 

Leandro Karnal. Disponível em 
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na-filosofia-mas-voce-escolheria-um-deles-ou-socrates-para-te
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No fecho do texto, após a discussão acerca da máxima “o homem é a medida de todas as coisas”, o autor descreve um mecanismo contemporâneo que personaliza conteúdos e recomendações conforme o histórico de cada usuário. À luz dessa descrição, assinale a alternativa que interpreta corretamente a relação proposta. 
Alternativas
Q3978683 Português
Texto para a questão

Ser sofista é insulto na filosofia. Mas você escolheria um deles ou Sócrates para te defender? 

        Ser um sofista é um insulto no meio filosófico. Por quê? Consideramos a filosofia que vale a pena como a derivada de Sócrates e de Platão, inimigos declarados dos sofistas. Assim, aprendemos sobre um time pela visão de torcedores inimigos. Sofismas/sofistas equivalem a um pensamento ardiloso, sem compromisso com a verdade. 

        Nosso termo “escola” deriva de uma palavra grega para ócio. Se você fosse um escravizado na Atenas do século 5 a.C., trabalharia o dia todo e nunca teria tempo para uma educação elaborada. Ter ócio era ter renda e bens suficientes que permitissem atividades como leitura e debates. Um bom exemplo é Platão, membro da elite ateniense que não apenas conseguiu uma excelente educação, mas ainda podia passar tempo fazendo atividades físicas que permitissem ao jovem ser chamado pelo apelido de “ombros largos”, em grego, Platão.

        E Sócrates? Não era rico, pelo que sabemos, mas vivia em banquetes ofertados por seus alunos eupátridas (os “bem-nascidos”), como Alcebíades e Platão. 

        Educados, atletas, debatedores em banquetes fartos, o grupo nunca cobraria para pensar. Nunca precisaram. Estavam acima dos boletos. Seus olivais e vinhedos eram cultivados por muitos braços e eles se dedicavam ao debate por diálogos. 

        A expansão comercial ateniense (e das outras cidades) fez crescer um grupo ligado ao comércio, manufaturas, engenharia naval e outras atividades menos tradicionais. Estes “novos ricos” tinham posses, mas careciam de tradição. Precisavam educar filhos e ter formação para os debates públicos na fervilhante política ática. Surgem os sofistas. 

        Eram “pensadores de aluguel”, advogados, professores, escritores que cobravam pelos seus serviços. Viviam deles. Não tendo terras como a família de Platão, comiam a partir do que conseguiam em troca do treino da retórica. Muitos advogados sofistas defendiam um cliente e não um “logos” supremo.

        Vejam a frase do sofista Protágoras: “o homem é a medida de todas as coisas”. Parece puro antropocentrismo helênico. Porém, ela introduz um relativismo interpretativo (hermenêutico, se preferirem) importante. Se o homem é a medida, cada homem determina uma nova medida, cada caso é um caso, cada verdade pertence ao sujeito. 

        Para a elite tradicional, eram “cérebros de aluguel”, falantes hábeis a peso de ouro. Para os sofistas, talvez, Platão tivesse uma liberdade que não vinha da sua convicção ética, todavia dos seus bens. 

        Sócrates, o amigo de gente rica, aceitou a pena capital. O quadro famoso de David mostra o velho mestre cercado por apoiadores e há treze pessoas na imagem, como Jesus na Santa Ceia. Morreu por aquilo que acreditava. Sócrates foi associado à virtude e à coerência. Foi oferecida a ele a chance de fugir e o homem mais sábio da Grécia (segundo o oráculo), disse que precisava morrer para cumprir a lei e para mostrar que suas ideias valiam mais do que sua vida. Quem, simbolicamente, teria amassado a cicuta que Sócrates bebeu? Demagogos e, claro, sofistas. 

        De vendidos e venais, os sofistas passaram a assassinos calculistas. Platão nunca os perdoou e fez um diálogo importante chamado “Sofista”. Dali em diante, com anuência do Cristianismo, sofistas eram os amigos da mentira, astutos, e, como Lúcifer, enganadores.

        É difícil imaginar quem seriam os herdeiros de Sócrates e de Jesus no mundo de hoje. Eu apontaria com mais facilidade quem seria filho do realismo sofista: é o algoritmo. Ele determina que cada usuário é a medida de todas as coisas. Ele indica produtos sem preconceito, de livros sofisticados a cremes depilatórios, tudo a partir do seu perfil de compras. Ele mostra vídeos da cena que você, há pouco, viu com atenção. 

        O algoritmo não tem valores prévios senão a sobrevivência do mercado. O internauta é a medida de todas as coisas e seu histórico de navegação determina a verdade que o algoritmo reforça. Nossa esperança é gente que pensa fora das redes, mas... como serão analisados? Aliás, seriam vistos? 

Leandro Karnal. Disponível em 
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na-filosofia-mas-voce-escolheria-um-deles-ou-socrates-para-te
defender/>
Considere o período: “Estes ‘novos ricos’ tinham posses, mas careciam de tradição.” À luz do encadeamento entre as duas informações articuladas pela conjunção, assinale a alternativa que identifica corretamente a circunstância expressa por “mas”. 
Alternativas
Q3978682 Português
Texto para a questão

Ser sofista é insulto na filosofia. Mas você escolheria um deles ou Sócrates para te defender? 

        Ser um sofista é um insulto no meio filosófico. Por quê? Consideramos a filosofia que vale a pena como a derivada de Sócrates e de Platão, inimigos declarados dos sofistas. Assim, aprendemos sobre um time pela visão de torcedores inimigos. Sofismas/sofistas equivalem a um pensamento ardiloso, sem compromisso com a verdade. 

        Nosso termo “escola” deriva de uma palavra grega para ócio. Se você fosse um escravizado na Atenas do século 5 a.C., trabalharia o dia todo e nunca teria tempo para uma educação elaborada. Ter ócio era ter renda e bens suficientes que permitissem atividades como leitura e debates. Um bom exemplo é Platão, membro da elite ateniense que não apenas conseguiu uma excelente educação, mas ainda podia passar tempo fazendo atividades físicas que permitissem ao jovem ser chamado pelo apelido de “ombros largos”, em grego, Platão.

        E Sócrates? Não era rico, pelo que sabemos, mas vivia em banquetes ofertados por seus alunos eupátridas (os “bem-nascidos”), como Alcebíades e Platão. 

        Educados, atletas, debatedores em banquetes fartos, o grupo nunca cobraria para pensar. Nunca precisaram. Estavam acima dos boletos. Seus olivais e vinhedos eram cultivados por muitos braços e eles se dedicavam ao debate por diálogos. 

        A expansão comercial ateniense (e das outras cidades) fez crescer um grupo ligado ao comércio, manufaturas, engenharia naval e outras atividades menos tradicionais. Estes “novos ricos” tinham posses, mas careciam de tradição. Precisavam educar filhos e ter formação para os debates públicos na fervilhante política ática. Surgem os sofistas. 

        Eram “pensadores de aluguel”, advogados, professores, escritores que cobravam pelos seus serviços. Viviam deles. Não tendo terras como a família de Platão, comiam a partir do que conseguiam em troca do treino da retórica. Muitos advogados sofistas defendiam um cliente e não um “logos” supremo.

        Vejam a frase do sofista Protágoras: “o homem é a medida de todas as coisas”. Parece puro antropocentrismo helênico. Porém, ela introduz um relativismo interpretativo (hermenêutico, se preferirem) importante. Se o homem é a medida, cada homem determina uma nova medida, cada caso é um caso, cada verdade pertence ao sujeito. 

        Para a elite tradicional, eram “cérebros de aluguel”, falantes hábeis a peso de ouro. Para os sofistas, talvez, Platão tivesse uma liberdade que não vinha da sua convicção ética, todavia dos seus bens. 

        Sócrates, o amigo de gente rica, aceitou a pena capital. O quadro famoso de David mostra o velho mestre cercado por apoiadores e há treze pessoas na imagem, como Jesus na Santa Ceia. Morreu por aquilo que acreditava. Sócrates foi associado à virtude e à coerência. Foi oferecida a ele a chance de fugir e o homem mais sábio da Grécia (segundo o oráculo), disse que precisava morrer para cumprir a lei e para mostrar que suas ideias valiam mais do que sua vida. Quem, simbolicamente, teria amassado a cicuta que Sócrates bebeu? Demagogos e, claro, sofistas. 

        De vendidos e venais, os sofistas passaram a assassinos calculistas. Platão nunca os perdoou e fez um diálogo importante chamado “Sofista”. Dali em diante, com anuência do Cristianismo, sofistas eram os amigos da mentira, astutos, e, como Lúcifer, enganadores.

        É difícil imaginar quem seriam os herdeiros de Sócrates e de Jesus no mundo de hoje. Eu apontaria com mais facilidade quem seria filho do realismo sofista: é o algoritmo. Ele determina que cada usuário é a medida de todas as coisas. Ele indica produtos sem preconceito, de livros sofisticados a cremes depilatórios, tudo a partir do seu perfil de compras. Ele mostra vídeos da cena que você, há pouco, viu com atenção. 

        O algoritmo não tem valores prévios senão a sobrevivência do mercado. O internauta é a medida de todas as coisas e seu histórico de navegação determina a verdade que o algoritmo reforça. Nossa esperança é gente que pensa fora das redes, mas... como serão analisados? Aliás, seriam vistos? 

Leandro Karnal. Disponível em 
<https://www.estadao.com.br/cultura/leandro-karnal/ser-sofista-e-insulto
na-filosofia-mas-voce-escolheria-um-deles-ou-socrates-para-te
defender/>
No primeiro parágrafo, o autor explica por que “sofista” se cristalizou como termo depreciativo no léxico filosófico. Considerando a argumentação explicitada, assinale a alternativa que traduz o fundamento dessa depreciação. 
Alternativas
Q3978637 Português
Assinale a opção em que o termo sublinhado foi substituído adequadamente por outra expressão com o mesmo significado original. 
Alternativas
Q3978635 Português

Assinale a frase que mostra uma oposição entre os segmentos que a compõem.

 

Alternativas
Q3978634 Português
As opções a seguir apresentam frases em que foram sublinhados elementos de coesão, relacionados a termos anteriores.

Assinale a opção que apresenta a frase em que o termo referido está corretamente identificado. 
Alternativas
Q3978633 Português
As afirmativas a seguir apresentam situações de uso da língua escrita.

Assinale afirmativa que tem a função correspondente da língua escrita incorretamente indicada. 
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FGV Órgão: TJ-RS Prova: FGV - 2026 - TJ-RS - Juiz Leigo |
Q3978606 Português
Leia com atenção o texto a seguir.

Dissemos que a grafia não é a imagem fiel da pronúncia, nem poderia sê-lo. É, na realidade, uma representação aproximada e convencional da pronúncia. Nem ambiciona fixar a pronúncia de qualquer língua, pois a pronúncia evolui com o tempo, deixando a ortografia para trás.

(Sílvio Elia, A questão ortográfica.)

Segundo o texto, é correto afirmar que  
Alternativas
Q3978532 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Podes já não lembrar, mãe, mas eu lembro



    Foi ela que me deu para ler A nova mulher, de Marina Colassanti. Também me estimulou a ler O complexo de Portnoy, meu primeiro Philip Roth, e Servidão Humana, de Somerset Maugham. Aliás, encontrei na estante da sala outro título deste autor, com a caligrafia dela na primeira folha, assinalando a propriedade da relíquia: Um gosto e seis vinténs, edição de 1941, que narra a trajetória de um corretor da bolsa que abandona a família e a profissão para se dedicar exclusivamente à pintura no Taiti - baseado na vida de Paul Gauguin. Realidade inspirando ficção. A propósito, foi ela também, minha mãe, que me indicou Truman Capote.


    Eu tinha uns 17 anos e sonhava em morar sozinha, ao contrário da garotada de hoje, mas reconhecia a sorte de ter uma biblioteca familiar à disposição. Virei uma leitora compulsiva e, anos depois, quando saí de casa, eu é que comecei a emprestar a ela minhas descobertas editorais. Nunca mais paramos de trocar livros, até meses atrás, quando ela admitiu, aos 88 anos, que estava tendo dificuldade de ler. Reagi. Entreguei a ela os livros da coleção Letras Grandes, da L&PM. Coloquei em suas mãos histórias em quadrinhos que contavam a vida de Van Gogh e de David Bowie. Estiquei a vida útil de seus olhos, até que, há poucos dias, elajogou a toalha e declarou que não dava mais. Já não conseguia acompanhar as histórias. Nem mesmo a sua própria.


    Esta semana, percebi o quanto ela estava desanimada diante das limitações da velhice - com a perda da memória, em especial. Mirava fixamente sua estante de livros, absorta em sei lá que pensamentos. Até que, do nada, fez a pergunta fatal, sem tirar os olhos da estante: "de que adiantou eu ter lido tanto?"


    Mãe, a leitura te fez uma das mulheres mais humanas com quê tenho o privilégio de conviver. Te deu um senso de humor que foi desperdiçado: tu terias brilhado como comentarista de programas de televisão como eu ria com tuas análises. A leitura te deu significância. Dignidade. Te fez diferenciar o profundo do superficial. Foi a literatura que te levou a cursar a faculdade de Letras aos 46 anos de idade. Tornou a tua conversa interessante. Fez com que não te sentisses sozinha aos 12 anos, quando mudaste de cidade sem ter uma amiga sequer. Os livros te tornaram uma apreciadora refinada do cinema. Tua conexão com gente de todas as idades: foi por causa deles, dos livros. Nunca conheci uma única pessoa que não te admirasse.


    Ler tanto, ler muito, adiantou não só a tua vida, mas também a minha. Quando fiz 13 anos, ganhei de ti e do pai uma máquina de escrever. E, a partir de então, me tornei eu mesma uma máquina de escrever. Podes já não lembrar mãe, mas eu lembro.



Autora: Martha Medeiros GZH (adaptado). 

No texto, determinadas palavras contribuem para a construção de sentidos relacionados ao estado emocional e às características da personagem. Nesse contexto, analise as assertivas a seguir quanto ao significado de termos empregados:



I. No trecho em que a mãe aparece absorta, este termo indica que ela se encontra profundamente concentrada em seus próprios pensamentos.


II. Na expressão senso de humor, o vocábulo senso refere-se à capacidade de perceber e interpretar situações de modo equilibrado ou sensível.



Das assertivas, pode-se afirmar que 

Alternativas
Q3978528 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Podes já não lembrar, mãe, mas eu lembro



    Foi ela que me deu para ler A nova mulher, de Marina Colassanti. Também me estimulou a ler O complexo de Portnoy, meu primeiro Philip Roth, e Servidão Humana, de Somerset Maugham. Aliás, encontrei na estante da sala outro título deste autor, com a caligrafia dela na primeira folha, assinalando a propriedade da relíquia: Um gosto e seis vinténs, edição de 1941, que narra a trajetória de um corretor da bolsa que abandona a família e a profissão para se dedicar exclusivamente à pintura no Taiti - baseado na vida de Paul Gauguin. Realidade inspirando ficção. A propósito, foi ela também, minha mãe, que me indicou Truman Capote.


    Eu tinha uns 17 anos e sonhava em morar sozinha, ao contrário da garotada de hoje, mas reconhecia a sorte de ter uma biblioteca familiar à disposição. Virei uma leitora compulsiva e, anos depois, quando saí de casa, eu é que comecei a emprestar a ela minhas descobertas editorais. Nunca mais paramos de trocar livros, até meses atrás, quando ela admitiu, aos 88 anos, que estava tendo dificuldade de ler. Reagi. Entreguei a ela os livros da coleção Letras Grandes, da L&PM. Coloquei em suas mãos histórias em quadrinhos que contavam a vida de Van Gogh e de David Bowie. Estiquei a vida útil de seus olhos, até que, há poucos dias, elajogou a toalha e declarou que não dava mais. Já não conseguia acompanhar as histórias. Nem mesmo a sua própria.


    Esta semana, percebi o quanto ela estava desanimada diante das limitações da velhice - com a perda da memória, em especial. Mirava fixamente sua estante de livros, absorta em sei lá que pensamentos. Até que, do nada, fez a pergunta fatal, sem tirar os olhos da estante: "de que adiantou eu ter lido tanto?"


    Mãe, a leitura te fez uma das mulheres mais humanas com quê tenho o privilégio de conviver. Te deu um senso de humor que foi desperdiçado: tu terias brilhado como comentarista de programas de televisão como eu ria com tuas análises. A leitura te deu significância. Dignidade. Te fez diferenciar o profundo do superficial. Foi a literatura que te levou a cursar a faculdade de Letras aos 46 anos de idade. Tornou a tua conversa interessante. Fez com que não te sentisses sozinha aos 12 anos, quando mudaste de cidade sem ter uma amiga sequer. Os livros te tornaram uma apreciadora refinada do cinema. Tua conexão com gente de todas as idades: foi por causa deles, dos livros. Nunca conheci uma única pessoa que não te admirasse.


    Ler tanto, ler muito, adiantou não só a tua vida, mas também a minha. Quando fiz 13 anos, ganhei de ti e do pai uma máquina de escrever. E, a partir de então, me tornei eu mesma uma máquina de escrever. Podes já não lembrar mãe, mas eu lembro.



Autora: Martha Medeiros GZH (adaptado). 

O texto articula memória, afetividade e formação leitora ao refletir sobre a trajetória da mãe e o impacto da literatura em suas vidas. A partir dessa perspectiva, analise as assertivas a seguir:



I. A rememoração de títulos e autores funciona como recurso de construção da memória afetiva e intelectual compartilhada entre mãe e filha.


II. A interrogação formulada pela mãe introduz um momento de tensão que permite à narradora reafirmar o valor formativo e existencial da leitura.


III. A narrativa estabelece oposição entre experiência intelectual e experiência emocional, sugerindo que a leitura se limita ao plano cognitivo.



Estão CORRETAS: 

Alternativas
Q3978527 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Podes já não lembrar, mãe, mas eu lembro



    Foi ela que me deu para ler A nova mulher, de Marina Colassanti. Também me estimulou a ler O complexo de Portnoy, meu primeiro Philip Roth, e Servidão Humana, de Somerset Maugham. Aliás, encontrei na estante da sala outro título deste autor, com a caligrafia dela na primeira folha, assinalando a propriedade da relíquia: Um gosto e seis vinténs, edição de 1941, que narra a trajetória de um corretor da bolsa que abandona a família e a profissão para se dedicar exclusivamente à pintura no Taiti - baseado na vida de Paul Gauguin. Realidade inspirando ficção. A propósito, foi ela também, minha mãe, que me indicou Truman Capote.


    Eu tinha uns 17 anos e sonhava em morar sozinha, ao contrário da garotada de hoje, mas reconhecia a sorte de ter uma biblioteca familiar à disposição. Virei uma leitora compulsiva e, anos depois, quando saí de casa, eu é que comecei a emprestar a ela minhas descobertas editorais. Nunca mais paramos de trocar livros, até meses atrás, quando ela admitiu, aos 88 anos, que estava tendo dificuldade de ler. Reagi. Entreguei a ela os livros da coleção Letras Grandes, da L&PM. Coloquei em suas mãos histórias em quadrinhos que contavam a vida de Van Gogh e de David Bowie. Estiquei a vida útil de seus olhos, até que, há poucos dias, elajogou a toalha e declarou que não dava mais. Já não conseguia acompanhar as histórias. Nem mesmo a sua própria.


    Esta semana, percebi o quanto ela estava desanimada diante das limitações da velhice - com a perda da memória, em especial. Mirava fixamente sua estante de livros, absorta em sei lá que pensamentos. Até que, do nada, fez a pergunta fatal, sem tirar os olhos da estante: "de que adiantou eu ter lido tanto?"


    Mãe, a leitura te fez uma das mulheres mais humanas com quê tenho o privilégio de conviver. Te deu um senso de humor que foi desperdiçado: tu terias brilhado como comentarista de programas de televisão como eu ria com tuas análises. A leitura te deu significância. Dignidade. Te fez diferenciar o profundo do superficial. Foi a literatura que te levou a cursar a faculdade de Letras aos 46 anos de idade. Tornou a tua conversa interessante. Fez com que não te sentisses sozinha aos 12 anos, quando mudaste de cidade sem ter uma amiga sequer. Os livros te tornaram uma apreciadora refinada do cinema. Tua conexão com gente de todas as idades: foi por causa deles, dos livros. Nunca conheci uma única pessoa que não te admirasse.


    Ler tanto, ler muito, adiantou não só a tua vida, mas também a minha. Quando fiz 13 anos, ganhei de ti e do pai uma máquina de escrever. E, a partir de então, me tornei eu mesma uma máquina de escrever. Podes já não lembrar mãe, mas eu lembro.



Autora: Martha Medeiros GZH (adaptado). 

O texto apresenta uma reflexão da narradora sobre a relação com a mãe e o papel da leitura ao longo da vida. Considerando a construção temática e os sentidos produzidos, é INCORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3977808 Português
Sabendo-se que uma mesma palavra pode assumir mais de um significado, observe a frase: “Havia uma lima sobre a mesa”. Quais são os sentidos que podem ser atribuídos à palavra lima?
Alternativas
Q3976695 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


[Luzia e a linguagem]


   O nome dela pode ser Luzia. Nasceu agora mesmo, no Brasil. Um peso, mas também uma alegria. Se tudo estiver bem com ela, com sua saúde e seu desenvolvimento, a menina vai realizar um pequeno milagre. A partir de dados desorganizados, fragmentados e muitas vezes contraditórios, Luzia vai aprender a falar.

   Quando, na vida adulta, ou mesmo ainda na escola, ela for tentar aprender um novo idioma, vai entender que não foi à toa que useia palavra "milagre" agora há pouco. Aquilo que para uma pessoa adulta, instruída, com acesso a todo tipo de recursos e métodos é uma tarefa complicadissima, uma criança pequena resolve por conta própria, quase sem dar por isso.

   A linguagem é algo absolutamente central para a nossa espécie, e somos muitissimo competentes em pegar esse bastão de uma geração anterior. Caso seja estritamente necessário, chegamos até a desenvolver um idioma que atenda às necessidades do nosso grupo, como já aconteceu com crianças surdas que, reunidas, desenvolveram como que do zero uma linguagem de sinais todinha delas.

   As exigências para este milagre da aquisição de linguagem são até menores do que as relativas a outros campos: nossa menina Luzia pode nascer em condições de violenta pobreza e privação, e, mesmo assim, seu desenvolvimento linguístico vai acontecer. Pode demorar um pouco mais, porém val acontecer. E se tudo estiver razoavelmente bem, ela vai acabar ganhando o domínio completo do idioma dos seus pais, da sua comunidade, do seu país. Ou, na verdade, sua nova versão dessa lingua. Sim, mesmo que Luzia não tenha acesso à educação formal. Nesse caso, é essa variedade do idioma que ela não vai ter no bolso. Mas apenas essa.

 Como nasceu no Brasil, é quase certo que esse idioma venha a ser o português. Ele vai ter um papel central na existência de Luzia: será o instrumento que ela vai utilizar para aprendera tomar decisões, conquistar o amor de alguém, alertar um amigo, pedir carinho à mãe, dizer bobagens para um filho... Tudo vai se dar nesse idioma. Nessa coisa variada, colorida, esquisita e maravilhosa que chamamos de lingua portuguesa.


(Adaptado de: GALINDO, Caetano W. Latim em pó. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 11-13)
A transmissibilidade de uma lingua entre seus falantes nativos e a sua adaptabilidade às necessidades que surgem estão referidas, respectivamente, nestes segmentos:
Alternativas
Q3976694 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


[Luzia e a linguagem]


   O nome dela pode ser Luzia. Nasceu agora mesmo, no Brasil. Um peso, mas também uma alegria. Se tudo estiver bem com ela, com sua saúde e seu desenvolvimento, a menina vai realizar um pequeno milagre. A partir de dados desorganizados, fragmentados e muitas vezes contraditórios, Luzia vai aprender a falar.

   Quando, na vida adulta, ou mesmo ainda na escola, ela for tentar aprender um novo idioma, vai entender que não foi à toa que useia palavra "milagre" agora há pouco. Aquilo que para uma pessoa adulta, instruída, com acesso a todo tipo de recursos e métodos é uma tarefa complicadissima, uma criança pequena resolve por conta própria, quase sem dar por isso.

   A linguagem é algo absolutamente central para a nossa espécie, e somos muitissimo competentes em pegar esse bastão de uma geração anterior. Caso seja estritamente necessário, chegamos até a desenvolver um idioma que atenda às necessidades do nosso grupo, como já aconteceu com crianças surdas que, reunidas, desenvolveram como que do zero uma linguagem de sinais todinha delas.

   As exigências para este milagre da aquisição de linguagem são até menores do que as relativas a outros campos: nossa menina Luzia pode nascer em condições de violenta pobreza e privação, e, mesmo assim, seu desenvolvimento linguístico vai acontecer. Pode demorar um pouco mais, porém val acontecer. E se tudo estiver razoavelmente bem, ela vai acabar ganhando o domínio completo do idioma dos seus pais, da sua comunidade, do seu país. Ou, na verdade, sua nova versão dessa lingua. Sim, mesmo que Luzia não tenha acesso à educação formal. Nesse caso, é essa variedade do idioma que ela não vai ter no bolso. Mas apenas essa.

 Como nasceu no Brasil, é quase certo que esse idioma venha a ser o português. Ele vai ter um papel central na existência de Luzia: será o instrumento que ela vai utilizar para aprendera tomar decisões, conquistar o amor de alguém, alertar um amigo, pedir carinho à mãe, dizer bobagens para um filho... Tudo vai se dar nesse idioma. Nessa coisa variada, colorida, esquisita e maravilhosa que chamamos de lingua portuguesa.


(Adaptado de: GALINDO, Caetano W. Latim em pó. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 11-13)
O milagre a que se refere o autor no primeiro e no segundo parágrafos do texto consiste em admitir que
Alternativas
Q3976692 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.



A favor do tédio



   Alguns livros recentes tratam dos malefícios de nossa constante vontade de encontrar diversões. Como sugere o titulo de um deles (O vício da distração), de Alex Pange, a vontade de se distrair seria uma forma de dependência. Também já li artigos de revista sobre "os surpreendentes benefícios do tédio".


  Os livros não me pareceram imperdíveis. E os artigos nas revistas de grande circulação citam pesquisas por ouvir dizer. Mas tanto faz. O conjunto manifesta um novo clima segundo o qual a necessidade de sermos entretidos e estimulados continuamente não tornaria nossa vida mais rica e variada; ao contrário, é possível que essa disparidade empobreça nossa experiência.


   Já foi dito por evolucionistas que a sorte de nossa espécie foi sua fraqueza: enquanto passávamos horas a fio escondidos e calados nos arbustos, esperando as feras passarem, a imobilidade e o tédio forçados produziriam o surgimento da consciência, do pensamento e da fantasia. Que tal aplicar essa hipótese no campo da educação? O que é mais "educativo" para as crianças? A diversão? Ou a chance de se entediar?


  Umberto Eco atribui ao filósofo Benedetto Croce uma frase que ele cita com frequência: "O primeiro dever dos jovens é o de se tornar velhos". Esse slogan não tem como ser muito popular numa época em que o primeiro dever dos velhos é o de parecerem jovens. De fato, em nossa época os adultos não ajudam os jovens a envelhecer; eles preferem mantê-los na mesma criancice que eles desejam para si.


  Certo, é preciso estimular as crianças para que elas se desenvolvam na interação com o mundo. Mas o problema é que, sem tédio maçante, ninguém, criança ou adulto, consegue inventar para si uma vida interior. E para que serve uma vida interior? Se forem pensamentos aos quais recorremos quando não temos nada para fazer, não é mais simples a gente se manter ocupado e não precisar da tal vida interior?


  O problema é que há uma boa parte da vida exterior que, sem vida interior, é totalmente insossa. Se não acredita, tente se envolver com as artes, com as amizades ou com o sentimento amoroso levando apenas o ser que você tenha esvaziado. Mesmo entre outras espécies, há lições a observar. Os gatos, por exemplo, são ótimos administradores de seu tédio. Eles sabem se divertir muito bem, quando a ocasião se apresenta, mas também sabem não fazer nada com muita categoria. Nisso, eles batem os cachorros, que sempre parecem aliviados quando finalmente têm algo para fazer.



(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveltar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta, 2025, p. 159-162)

Numa nova redação da frase há uma boa parte da vida exterior que, sem vida interior, é totalmente insossa, agora iniciada por é totalmente insossa, uma complementação coerente e correta será:
Alternativas
Q3976690 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.



A favor do tédio



   Alguns livros recentes tratam dos malefícios de nossa constante vontade de encontrar diversões. Como sugere o titulo de um deles (O vício da distração), de Alex Pange, a vontade de se distrair seria uma forma de dependência. Também já li artigos de revista sobre "os surpreendentes benefícios do tédio".


  Os livros não me pareceram imperdíveis. E os artigos nas revistas de grande circulação citam pesquisas por ouvir dizer. Mas tanto faz. O conjunto manifesta um novo clima segundo o qual a necessidade de sermos entretidos e estimulados continuamente não tornaria nossa vida mais rica e variada; ao contrário, é possível que essa disparidade empobreça nossa experiência.


   Já foi dito por evolucionistas que a sorte de nossa espécie foi sua fraqueza: enquanto passávamos horas a fio escondidos e calados nos arbustos, esperando as feras passarem, a imobilidade e o tédio forçados produziriam o surgimento da consciência, do pensamento e da fantasia. Que tal aplicar essa hipótese no campo da educação? O que é mais "educativo" para as crianças? A diversão? Ou a chance de se entediar?


  Umberto Eco atribui ao filósofo Benedetto Croce uma frase que ele cita com frequência: "O primeiro dever dos jovens é o de se tornar velhos". Esse slogan não tem como ser muito popular numa época em que o primeiro dever dos velhos é o de parecerem jovens. De fato, em nossa época os adultos não ajudam os jovens a envelhecer; eles preferem mantê-los na mesma criancice que eles desejam para si.


  Certo, é preciso estimular as crianças para que elas se desenvolvam na interação com o mundo. Mas o problema é que, sem tédio maçante, ninguém, criança ou adulto, consegue inventar para si uma vida interior. E para que serve uma vida interior? Se forem pensamentos aos quais recorremos quando não temos nada para fazer, não é mais simples a gente se manter ocupado e não precisar da tal vida interior?


  O problema é que há uma boa parte da vida exterior que, sem vida interior, é totalmente insossa. Se não acredita, tente se envolver com as artes, com as amizades ou com o sentimento amoroso levando apenas o ser que você tenha esvaziado. Mesmo entre outras espécies, há lições a observar. Os gatos, por exemplo, são ótimos administradores de seu tédio. Eles sabem se divertir muito bem, quando a ocasião se apresenta, mas também sabem não fazer nada com muita categoria. Nisso, eles batem os cachorros, que sempre parecem aliviados quando finalmente têm algo para fazer.



(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveltar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta, 2025, p. 159-162)

Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
Alternativas
Q3976688 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.



A favor do tédio



   Alguns livros recentes tratam dos malefícios de nossa constante vontade de encontrar diversões. Como sugere o titulo de um deles (O vício da distração), de Alex Pange, a vontade de se distrair seria uma forma de dependência. Também já li artigos de revista sobre "os surpreendentes benefícios do tédio".


  Os livros não me pareceram imperdíveis. E os artigos nas revistas de grande circulação citam pesquisas por ouvir dizer. Mas tanto faz. O conjunto manifesta um novo clima segundo o qual a necessidade de sermos entretidos e estimulados continuamente não tornaria nossa vida mais rica e variada; ao contrário, é possível que essa disparidade empobreça nossa experiência.


   Já foi dito por evolucionistas que a sorte de nossa espécie foi sua fraqueza: enquanto passávamos horas a fio escondidos e calados nos arbustos, esperando as feras passarem, a imobilidade e o tédio forçados produziriam o surgimento da consciência, do pensamento e da fantasia. Que tal aplicar essa hipótese no campo da educação? O que é mais "educativo" para as crianças? A diversão? Ou a chance de se entediar?


  Umberto Eco atribui ao filósofo Benedetto Croce uma frase que ele cita com frequência: "O primeiro dever dos jovens é o de se tornar velhos". Esse slogan não tem como ser muito popular numa época em que o primeiro dever dos velhos é o de parecerem jovens. De fato, em nossa época os adultos não ajudam os jovens a envelhecer; eles preferem mantê-los na mesma criancice que eles desejam para si.


  Certo, é preciso estimular as crianças para que elas se desenvolvam na interação com o mundo. Mas o problema é que, sem tédio maçante, ninguém, criança ou adulto, consegue inventar para si uma vida interior. E para que serve uma vida interior? Se forem pensamentos aos quais recorremos quando não temos nada para fazer, não é mais simples a gente se manter ocupado e não precisar da tal vida interior?


  O problema é que há uma boa parte da vida exterior que, sem vida interior, é totalmente insossa. Se não acredita, tente se envolver com as artes, com as amizades ou com o sentimento amoroso levando apenas o ser que você tenha esvaziado. Mesmo entre outras espécies, há lições a observar. Os gatos, por exemplo, são ótimos administradores de seu tédio. Eles sabem se divertir muito bem, quando a ocasião se apresenta, mas também sabem não fazer nada com muita categoria. Nisso, eles batem os cachorros, que sempre parecem aliviados quando finalmente têm algo para fazer.



(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveltar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta, 2025, p. 159-162)

Referindo-se à nossa vida exterior e à nossa vida interior (6º parágrafo), o autor estabelece entre elas uma relação de
Alternativas
Respostas
7161: C
7162: A
7163: C
7164: B
7165: D
7166: D
7167: E
7168: B
7169: D
7170: E
7171: E
7172: D
7173: C
7174: B
7175: A
7176: E
7177: A
7178: C
7179: E
7180: C