Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3955265 Português
Texto 01


A vida em “fogo baixo”


       Os dias parecem todos iguais. Até mesmo as coisas que antes encantavam ou entristeciam, agora já não afetam mais. Acordar, trabalhar, comer e dormir. Tudo no modo automático. Você está ali, mas parece que não. Funciona, mas não sente. É como se uma névoa tivesse se instalado diante do mundo. Esse sentimento, quando prolongado, tem nome: anestesia emocional.

       Essa condição é mais discreta que outros transtornos, como a depressão. Ela não nos impede de viver, mas suga o sentido da vida. É nesse momento que muitas pessoas se veem presas em uma rotina que “dá certo”, mas não satisfaz. O relacionamento está ok. O trabalho, estável. A família, bem. Mas algo por dentro parece gritar em silêncio. Às vezes, é bom não colocar tanto peso em tudo, mas se anestesiar emocionalmente do mundo ao seu redor é um quadro sensível.

      Mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, Marcos Torati explica que um dos indicadores da anestesia emocional é a ausência do sentido de vida. “Há a sensação de que ela não vale a pena e parece uma repetição eterna”, diz. “A pessoa perde a dimensão profunda dos seus erros e acertos, então se torna funcional, vivendo em ‘fogo baixo’. Não há tanta alegria, mas também não há grande tristeza ao ponto de incapacitar a vida, como na depressão”, complementa.

       Existe uma diferença sutil, mas importante, entre uma apatia passageira e uma anestesia emocional profunda. A primeira costuma estar associada a um evento reconhecível, como o fim de relacionamento, uma demissão no trabalho ou o estresse da rotina. A segunda, por sua vez, parece surgir “do nada”. “Na apatia pontual é mais fácil identificar uma relação de causalidade. Já a anestesia prolongada tem uma base inconsciente que a pessoa não consegue reconhecer tão prontamente”, explica o psicólogo.

      Além disso, nem sempre os sinais de anestesia emocional são óbvios. Em muitos casos, esse sentimento se manifesta de forma silenciosa, disfarçado em rotinas que funcionam, mas não preenchem. Para Torati, essa sensação pode ser resultado de um mecanismo de defesa comum, mas perigoso. “A pessoa pode entrar em um estado emocional apático para se defender contra a possibilidade de se frustrar. Porém, é justamente essa defesa contra a dor que pode levar à depressão”, afirma. Ele ressalta um tipo de paradoxo dessa postura: “É como se a pessoa colocasse a vida no modo econômico para evitar o sofrimento, mas isso também a impede de viver com intensidade.”

     No fim das contas, a anestesia emocional pode ser um pedido silencioso de ajuda. Não para voltar a ser como antes, mas para descobrir um novo jeito de sentir. [...]


BRITO, Diego. A vida em “fogo baixo”. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-emocional/. Acesso em: 22 jan. 2026. Adaptado. 
Considere a passagem “’A pessoa perde a dimensão profunda dos seus erros e acertos, então se torna funcional, vivendo em ‘fogo baixo’”.
De acordo com o texto, a pessoa funcional é aquela que consegue
I- seguir uma rotina, mesmo passando por instabilidade emocional. II- realizar atividades, desde que esteja equilibrado emocionalmente. III- cumprir responsabilidades, mesmo diante de problemas emocionais. IV- enfrentar corajosamente a frustação e o sofrimento inerentes à vida. V- ter uma vida intensa, mesmo estando anestesiado emocionalmente.

Estão CORRETAS as afirmativas
Alternativas
Q3955264 Português
Texto 01


A vida em “fogo baixo”


       Os dias parecem todos iguais. Até mesmo as coisas que antes encantavam ou entristeciam, agora já não afetam mais. Acordar, trabalhar, comer e dormir. Tudo no modo automático. Você está ali, mas parece que não. Funciona, mas não sente. É como se uma névoa tivesse se instalado diante do mundo. Esse sentimento, quando prolongado, tem nome: anestesia emocional.

       Essa condição é mais discreta que outros transtornos, como a depressão. Ela não nos impede de viver, mas suga o sentido da vida. É nesse momento que muitas pessoas se veem presas em uma rotina que “dá certo”, mas não satisfaz. O relacionamento está ok. O trabalho, estável. A família, bem. Mas algo por dentro parece gritar em silêncio. Às vezes, é bom não colocar tanto peso em tudo, mas se anestesiar emocionalmente do mundo ao seu redor é um quadro sensível.

      Mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, Marcos Torati explica que um dos indicadores da anestesia emocional é a ausência do sentido de vida. “Há a sensação de que ela não vale a pena e parece uma repetição eterna”, diz. “A pessoa perde a dimensão profunda dos seus erros e acertos, então se torna funcional, vivendo em ‘fogo baixo’. Não há tanta alegria, mas também não há grande tristeza ao ponto de incapacitar a vida, como na depressão”, complementa.

       Existe uma diferença sutil, mas importante, entre uma apatia passageira e uma anestesia emocional profunda. A primeira costuma estar associada a um evento reconhecível, como o fim de relacionamento, uma demissão no trabalho ou o estresse da rotina. A segunda, por sua vez, parece surgir “do nada”. “Na apatia pontual é mais fácil identificar uma relação de causalidade. Já a anestesia prolongada tem uma base inconsciente que a pessoa não consegue reconhecer tão prontamente”, explica o psicólogo.

      Além disso, nem sempre os sinais de anestesia emocional são óbvios. Em muitos casos, esse sentimento se manifesta de forma silenciosa, disfarçado em rotinas que funcionam, mas não preenchem. Para Torati, essa sensação pode ser resultado de um mecanismo de defesa comum, mas perigoso. “A pessoa pode entrar em um estado emocional apático para se defender contra a possibilidade de se frustrar. Porém, é justamente essa defesa contra a dor que pode levar à depressão”, afirma. Ele ressalta um tipo de paradoxo dessa postura: “É como se a pessoa colocasse a vida no modo econômico para evitar o sofrimento, mas isso também a impede de viver com intensidade.”

     No fim das contas, a anestesia emocional pode ser um pedido silencioso de ajuda. Não para voltar a ser como antes, mas para descobrir um novo jeito de sentir. [...]


BRITO, Diego. A vida em “fogo baixo”. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-emocional/. Acesso em: 22 jan. 2026. Adaptado. 
Analise os comportamentos a seguir, tendo em vista aqueles que vão de encontro à anestesia emocional. 
I- Encontrar sentido para a vida. II- Sair dos padrões habituais. III- Proteger-se do sofrimento. IV- Viver com intensidade. V- Evitar a frustração.

Estão CORRETOS os comportamentos apresentados em
Alternativas
Q3955263 Português
Texto 01


A vida em “fogo baixo”


       Os dias parecem todos iguais. Até mesmo as coisas que antes encantavam ou entristeciam, agora já não afetam mais. Acordar, trabalhar, comer e dormir. Tudo no modo automático. Você está ali, mas parece que não. Funciona, mas não sente. É como se uma névoa tivesse se instalado diante do mundo. Esse sentimento, quando prolongado, tem nome: anestesia emocional.

       Essa condição é mais discreta que outros transtornos, como a depressão. Ela não nos impede de viver, mas suga o sentido da vida. É nesse momento que muitas pessoas se veem presas em uma rotina que “dá certo”, mas não satisfaz. O relacionamento está ok. O trabalho, estável. A família, bem. Mas algo por dentro parece gritar em silêncio. Às vezes, é bom não colocar tanto peso em tudo, mas se anestesiar emocionalmente do mundo ao seu redor é um quadro sensível.

      Mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, Marcos Torati explica que um dos indicadores da anestesia emocional é a ausência do sentido de vida. “Há a sensação de que ela não vale a pena e parece uma repetição eterna”, diz. “A pessoa perde a dimensão profunda dos seus erros e acertos, então se torna funcional, vivendo em ‘fogo baixo’. Não há tanta alegria, mas também não há grande tristeza ao ponto de incapacitar a vida, como na depressão”, complementa.

       Existe uma diferença sutil, mas importante, entre uma apatia passageira e uma anestesia emocional profunda. A primeira costuma estar associada a um evento reconhecível, como o fim de relacionamento, uma demissão no trabalho ou o estresse da rotina. A segunda, por sua vez, parece surgir “do nada”. “Na apatia pontual é mais fácil identificar uma relação de causalidade. Já a anestesia prolongada tem uma base inconsciente que a pessoa não consegue reconhecer tão prontamente”, explica o psicólogo.

      Além disso, nem sempre os sinais de anestesia emocional são óbvios. Em muitos casos, esse sentimento se manifesta de forma silenciosa, disfarçado em rotinas que funcionam, mas não preenchem. Para Torati, essa sensação pode ser resultado de um mecanismo de defesa comum, mas perigoso. “A pessoa pode entrar em um estado emocional apático para se defender contra a possibilidade de se frustrar. Porém, é justamente essa defesa contra a dor que pode levar à depressão”, afirma. Ele ressalta um tipo de paradoxo dessa postura: “É como se a pessoa colocasse a vida no modo econômico para evitar o sofrimento, mas isso também a impede de viver com intensidade.”

     No fim das contas, a anestesia emocional pode ser um pedido silencioso de ajuda. Não para voltar a ser como antes, mas para descobrir um novo jeito de sentir. [...]


BRITO, Diego. A vida em “fogo baixo”. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-emocional/. Acesso em: 22 jan. 2026. Adaptado. 
De acordo com o texto, a anestesia emocional é um transtorno que 
Alternativas
Q3955186 Português
O miado das onças-pintadas: registros inéditos mostram como mães se comunicam com filhotes sem atrair machos

O som registrado não correspondia ao que se esperava — e foi exatamente essa diferença que despertou o interesse dos pesquisadores. Câmeras instaladas no Parque Nacional do Iguaçu flagraram onças-pintadas emitindo vocalizações curtas, agudas e repetidas, muito semelhantes a miados.

O achado é inédito. Até então, predominava na literatura científica a ideia de que esses animais se comunicavam apenas por meio do esturro, vocalização grave e característica da espécie. De acordo com a bióloga Vânia Foster, do projeto Onças do Iguaçu, que monitora onças-pintadas desde a década de 1990, a bibliografia sempre indicou que as espécies do gênero Panthera não teriam capacidade de miar, em razão da conformação da traqueia e da laringe, o que restringiria sua comunicação sonora ao esturro.

O avanço tecnológico, contudo, trouxe novos dados. O uso de câmeras com monitoramento contínuo e microfones permitiu aos pesquisadores constatar que o esturro não é a única forma de comunicação das onças. Foster relata que o primeiro registro ocorreu em 2020, quando os equipamentos captaram uma fêmea emitindo miados enquanto chamava seu filhote. Posteriormente, novos áudios da mesma fêmea foram gravados em situações em que ela parecia não saber onde o filhote estava. Já em 2023, os papéis se inverteram: foi o filhote que passou a miar para chamar a mãe.

A constatação causou estranhamento na equipe, pois esse tipo de vocalização não estava descrito na bibliografia, tampouco havia informações sobre sua variação ou sobre a possibilidade de um mesmo indivíduo emitir diferentes tipos de miado. Diante disso, os pesquisadores buscaram apoio especializado para descrever e compreender melhor esses sons.

O grupo passou a trabalhar com a pesquisadora Marina Duarte, da Universidade de Salford, no Reino Unido, especialista em bioacústica — área que estuda a comunicação sonora dos animais. Com o auxílio de ferramentas analíticas, a equipe conseguiu converter os sons gravados em dados numéricos, o que permitiu compará-los com outras vocalizações conhecidas das onças.

A análise revelou um dado surpreendente: havia pelo menos três tipos distintos de miados. Segundo Duarte, além de comprovar de forma matemática e estatística que essas vocalizações diferem daquelas já descritas na literatura, o estudo demonstrou que o repertório vocal relacionado ao miado é mais complexo do que se supunha.

Ao longo da pesquisa, os miados foram observados exclusivamente em contextos de comunicação entre mães e filhotes. Foster explica que há uma razão funcional para isso. O esturro é uma vocalização típica de onças adultas, tanto machos quanto fêmeas, enquanto os filhotes não são capazes de produzi-lo, pois ainda não possuem as cordas vocais plenamente desenvolvidas.

Para evitar chamar a atenção de machos adultos, as fêmeas utilizam os miados como forma de comunicação com os filhotes, em uma espécie de comunicação maternal. Caso a fêmea esturrasse na presença dos filhotes, poderia atrair outros machos para a região. Como esses animais apresentam comportamento de infanticídio, a aproximação representaria um risco real de morte para os filhotes.

Duarte acrescenta que essa ameaça pode ter funcionado como uma pressão seletiva, favorecendo a evolução desse tipo de comunicação específica entre mãe e filhote. Na bioacústica, esse processo é chamado de modulação: mesmo sem possuir um aparato vocal originalmente adaptado ao miado, a fêmea consegue ajustar a vocalização de modo a torná-la adequada à comunicação com os filhotes.

A pesquisadora observa que esse mecanismo se assemelha ao que ocorre entre humanos, quando adultos modulam a voz ao falar com bebês, utilizando entonação diferenciada para facilitar a interação. Essa analogia, segundo ela, torna ainda mais expressivo o significado dos registros e reforça o caráter singular da descoberta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cre208z8l80o.adaptado.
O texto descreve uma investigação científica iniciada a partir de uma observação inesperada, cuja discrepância em relação ao conhecimento previamente consolidado levou pesquisadores a reavaliar pressupostos existentes sobre o comportamento de uma espécie animal.
De acordo com essa perspectiva inicial apresentada no texto, é CORRETO afirmar que o interesse dos pesquisadores foi despertado principalmente pelo fato de:
Alternativas
Q3955185 Português
O miado das onças-pintadas: registros inéditos mostram como mães se comunicam com filhotes sem atrair machos

O som registrado não correspondia ao que se esperava — e foi exatamente essa diferença que despertou o interesse dos pesquisadores. Câmeras instaladas no Parque Nacional do Iguaçu flagraram onças-pintadas emitindo vocalizações curtas, agudas e repetidas, muito semelhantes a miados.

O achado é inédito. Até então, predominava na literatura científica a ideia de que esses animais se comunicavam apenas por meio do esturro, vocalização grave e característica da espécie. De acordo com a bióloga Vânia Foster, do projeto Onças do Iguaçu, que monitora onças-pintadas desde a década de 1990, a bibliografia sempre indicou que as espécies do gênero Panthera não teriam capacidade de miar, em razão da conformação da traqueia e da laringe, o que restringiria sua comunicação sonora ao esturro.

O avanço tecnológico, contudo, trouxe novos dados. O uso de câmeras com monitoramento contínuo e microfones permitiu aos pesquisadores constatar que o esturro não é a única forma de comunicação das onças. Foster relata que o primeiro registro ocorreu em 2020, quando os equipamentos captaram uma fêmea emitindo miados enquanto chamava seu filhote. Posteriormente, novos áudios da mesma fêmea foram gravados em situações em que ela parecia não saber onde o filhote estava. Já em 2023, os papéis se inverteram: foi o filhote que passou a miar para chamar a mãe.

A constatação causou estranhamento na equipe, pois esse tipo de vocalização não estava descrito na bibliografia, tampouco havia informações sobre sua variação ou sobre a possibilidade de um mesmo indivíduo emitir diferentes tipos de miado. Diante disso, os pesquisadores buscaram apoio especializado para descrever e compreender melhor esses sons.

O grupo passou a trabalhar com a pesquisadora Marina Duarte, da Universidade de Salford, no Reino Unido, especialista em bioacústica — área que estuda a comunicação sonora dos animais. Com o auxílio de ferramentas analíticas, a equipe conseguiu converter os sons gravados em dados numéricos, o que permitiu compará-los com outras vocalizações conhecidas das onças.

A análise revelou um dado surpreendente: havia pelo menos três tipos distintos de miados. Segundo Duarte, além de comprovar de forma matemática e estatística que essas vocalizações diferem daquelas já descritas na literatura, o estudo demonstrou que o repertório vocal relacionado ao miado é mais complexo do que se supunha.

Ao longo da pesquisa, os miados foram observados exclusivamente em contextos de comunicação entre mães e filhotes. Foster explica que há uma razão funcional para isso. O esturro é uma vocalização típica de onças adultas, tanto machos quanto fêmeas, enquanto os filhotes não são capazes de produzi-lo, pois ainda não possuem as cordas vocais plenamente desenvolvidas.

Para evitar chamar a atenção de machos adultos, as fêmeas utilizam os miados como forma de comunicação com os filhotes, em uma espécie de comunicação maternal. Caso a fêmea esturrasse na presença dos filhotes, poderia atrair outros machos para a região. Como esses animais apresentam comportamento de infanticídio, a aproximação representaria um risco real de morte para os filhotes.

Duarte acrescenta que essa ameaça pode ter funcionado como uma pressão seletiva, favorecendo a evolução desse tipo de comunicação específica entre mãe e filhote. Na bioacústica, esse processo é chamado de modulação: mesmo sem possuir um aparato vocal originalmente adaptado ao miado, a fêmea consegue ajustar a vocalização de modo a torná-la adequada à comunicação com os filhotes.

A pesquisadora observa que esse mecanismo se assemelha ao que ocorre entre humanos, quando adultos modulam a voz ao falar com bebês, utilizando entonação diferenciada para facilitar a interação. Essa analogia, segundo ela, torna ainda mais expressivo o significado dos registros e reforça o caráter singular da descoberta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cre208z8l80o.adaptado.
O texto aborda a revisão de concepções científicas a partir da incorporação de recursos tecnológicos ao trabalho de campo, permitindo ampliar a observação de comportamentos antes não documentados.
Considerando esse recorte do texto, é CORRETO afirmar que a ampliação do conhecimento sobre a comunicação das onças-pintadas decorreu:
Alternativas
Q3955184 Português
O miado das onças-pintadas: registros inéditos mostram como mães se comunicam com filhotes sem atrair machos

O som registrado não correspondia ao que se esperava — e foi exatamente essa diferença que despertou o interesse dos pesquisadores. Câmeras instaladas no Parque Nacional do Iguaçu flagraram onças-pintadas emitindo vocalizações curtas, agudas e repetidas, muito semelhantes a miados.

O achado é inédito. Até então, predominava na literatura científica a ideia de que esses animais se comunicavam apenas por meio do esturro, vocalização grave e característica da espécie. De acordo com a bióloga Vânia Foster, do projeto Onças do Iguaçu, que monitora onças-pintadas desde a década de 1990, a bibliografia sempre indicou que as espécies do gênero Panthera não teriam capacidade de miar, em razão da conformação da traqueia e da laringe, o que restringiria sua comunicação sonora ao esturro.

O avanço tecnológico, contudo, trouxe novos dados. O uso de câmeras com monitoramento contínuo e microfones permitiu aos pesquisadores constatar que o esturro não é a única forma de comunicação das onças. Foster relata que o primeiro registro ocorreu em 2020, quando os equipamentos captaram uma fêmea emitindo miados enquanto chamava seu filhote. Posteriormente, novos áudios da mesma fêmea foram gravados em situações em que ela parecia não saber onde o filhote estava. Já em 2023, os papéis se inverteram: foi o filhote que passou a miar para chamar a mãe.

A constatação causou estranhamento na equipe, pois esse tipo de vocalização não estava descrito na bibliografia, tampouco havia informações sobre sua variação ou sobre a possibilidade de um mesmo indivíduo emitir diferentes tipos de miado. Diante disso, os pesquisadores buscaram apoio especializado para descrever e compreender melhor esses sons.

O grupo passou a trabalhar com a pesquisadora Marina Duarte, da Universidade de Salford, no Reino Unido, especialista em bioacústica — área que estuda a comunicação sonora dos animais. Com o auxílio de ferramentas analíticas, a equipe conseguiu converter os sons gravados em dados numéricos, o que permitiu compará-los com outras vocalizações conhecidas das onças.

A análise revelou um dado surpreendente: havia pelo menos três tipos distintos de miados. Segundo Duarte, além de comprovar de forma matemática e estatística que essas vocalizações diferem daquelas já descritas na literatura, o estudo demonstrou que o repertório vocal relacionado ao miado é mais complexo do que se supunha.

Ao longo da pesquisa, os miados foram observados exclusivamente em contextos de comunicação entre mães e filhotes. Foster explica que há uma razão funcional para isso. O esturro é uma vocalização típica de onças adultas, tanto machos quanto fêmeas, enquanto os filhotes não são capazes de produzi-lo, pois ainda não possuem as cordas vocais plenamente desenvolvidas.

Para evitar chamar a atenção de machos adultos, as fêmeas utilizam os miados como forma de comunicação com os filhotes, em uma espécie de comunicação maternal. Caso a fêmea esturrasse na presença dos filhotes, poderia atrair outros machos para a região. Como esses animais apresentam comportamento de infanticídio, a aproximação representaria um risco real de morte para os filhotes.

Duarte acrescenta que essa ameaça pode ter funcionado como uma pressão seletiva, favorecendo a evolução desse tipo de comunicação específica entre mãe e filhote. Na bioacústica, esse processo é chamado de modulação: mesmo sem possuir um aparato vocal originalmente adaptado ao miado, a fêmea consegue ajustar a vocalização de modo a torná-la adequada à comunicação com os filhotes.

A pesquisadora observa que esse mecanismo se assemelha ao que ocorre entre humanos, quando adultos modulam a voz ao falar com bebês, utilizando entonação diferenciada para facilitar a interação. Essa analogia, segundo ela, torna ainda mais expressivo o significado dos registros e reforça o caráter singular da descoberta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cre208z8l80o.adaptado.
O texto discute a interpretação funcional e evolutiva das vocalizações observadas, relacionando comportamento, risco ambiental e adaptação comunicativa.
À luz desse enfoque, é CORRETO afirmar que o texto explica o uso dos miados pelas fêmeas principalmente como resultado de:
Alternativas
Q3955183 Português
O miado das onças-pintadas: registros inéditos mostram como mães se comunicam com filhotes sem atrair machos

O som registrado não correspondia ao que se esperava — e foi exatamente essa diferença que despertou o interesse dos pesquisadores. Câmeras instaladas no Parque Nacional do Iguaçu flagraram onças-pintadas emitindo vocalizações curtas, agudas e repetidas, muito semelhantes a miados.

O achado é inédito. Até então, predominava na literatura científica a ideia de que esses animais se comunicavam apenas por meio do esturro, vocalização grave e característica da espécie. De acordo com a bióloga Vânia Foster, do projeto Onças do Iguaçu, que monitora onças-pintadas desde a década de 1990, a bibliografia sempre indicou que as espécies do gênero Panthera não teriam capacidade de miar, em razão da conformação da traqueia e da laringe, o que restringiria sua comunicação sonora ao esturro.

O avanço tecnológico, contudo, trouxe novos dados. O uso de câmeras com monitoramento contínuo e microfones permitiu aos pesquisadores constatar que o esturro não é a única forma de comunicação das onças. Foster relata que o primeiro registro ocorreu em 2020, quando os equipamentos captaram uma fêmea emitindo miados enquanto chamava seu filhote. Posteriormente, novos áudios da mesma fêmea foram gravados em situações em que ela parecia não saber onde o filhote estava. Já em 2023, os papéis se inverteram: foi o filhote que passou a miar para chamar a mãe.

A constatação causou estranhamento na equipe, pois esse tipo de vocalização não estava descrito na bibliografia, tampouco havia informações sobre sua variação ou sobre a possibilidade de um mesmo indivíduo emitir diferentes tipos de miado. Diante disso, os pesquisadores buscaram apoio especializado para descrever e compreender melhor esses sons.

O grupo passou a trabalhar com a pesquisadora Marina Duarte, da Universidade de Salford, no Reino Unido, especialista em bioacústica — área que estuda a comunicação sonora dos animais. Com o auxílio de ferramentas analíticas, a equipe conseguiu converter os sons gravados em dados numéricos, o que permitiu compará-los com outras vocalizações conhecidas das onças.

A análise revelou um dado surpreendente: havia pelo menos três tipos distintos de miados. Segundo Duarte, além de comprovar de forma matemática e estatística que essas vocalizações diferem daquelas já descritas na literatura, o estudo demonstrou que o repertório vocal relacionado ao miado é mais complexo do que se supunha.

Ao longo da pesquisa, os miados foram observados exclusivamente em contextos de comunicação entre mães e filhotes. Foster explica que há uma razão funcional para isso. O esturro é uma vocalização típica de onças adultas, tanto machos quanto fêmeas, enquanto os filhotes não são capazes de produzi-lo, pois ainda não possuem as cordas vocais plenamente desenvolvidas.

Para evitar chamar a atenção de machos adultos, as fêmeas utilizam os miados como forma de comunicação com os filhotes, em uma espécie de comunicação maternal. Caso a fêmea esturrasse na presença dos filhotes, poderia atrair outros machos para a região. Como esses animais apresentam comportamento de infanticídio, a aproximação representaria um risco real de morte para os filhotes.

Duarte acrescenta que essa ameaça pode ter funcionado como uma pressão seletiva, favorecendo a evolução desse tipo de comunicação específica entre mãe e filhote. Na bioacústica, esse processo é chamado de modulação: mesmo sem possuir um aparato vocal originalmente adaptado ao miado, a fêmea consegue ajustar a vocalização de modo a torná-la adequada à comunicação com os filhotes.

A pesquisadora observa que esse mecanismo se assemelha ao que ocorre entre humanos, quando adultos modulam a voz ao falar com bebês, utilizando entonação diferenciada para facilitar a interação. Essa analogia, segundo ela, torna ainda mais expressivo o significado dos registros e reforça o caráter singular da descoberta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cre208z8l80o.adaptado.
O texto apresenta resultados obtidos após a análise técnica dos sons registrados, evidenciando avanços na compreensão do repertório vocal da espécie estudada.
A partir desse enfoque, é CORRETO afirmar que a contribuição da análise bioacústica para a pesquisa consistiu em: 
Alternativas
Q3955105 Português
Pesquisas afirmam que, até o momento, não há evidências sólidas de que mudanças hormonais ao longo do ciclo mensal afetem a frequência do choro, dada a diferença entre os sexos e fatores como gravidez e envelhecimento.
(Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c74wxnw1gxeo. adaptado.adaptado)
Considerando os mecanismos de coesão textual empregados no período, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3955065 Português
Pesquisas afirmam que, até o momento, não há evidências sólidas de que mudanças hormonais ao longo do ciclo mensal afetem a frequência do choro, dada a diferença entre os sexos e fatores como gravidez e envelhecimento.
(Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c74wxnw1gxeo. adaptado.adaptado)
Considerando os mecanismos de coesão textual empregados no período, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3955061 Português
Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna.
Como professor, tanto lido com minha liberdade quanto com minha autoridade em exercício, mas também diretamente com a liberdade dos educandos, que devo respeitar, e com a criação de sua _________ bem como com os ensaios de construção da autoridade dos educandos.
Alternativas
Q3955040 Português
Observe o enunciado abaixo e assinale a alternativa que apresenta o termo que preenche corretamente a lacuna:
O curso de noções básicas de primeiros socorros deverá ser ofertado anualmente e destinar-se-á à __________ e/ou à reciclagem de parte dos professores e funcionários dos estabelecimentos de ensino e recreação, sem prejuízo de suas atividades ordinárias. 
Alternativas
Q3955016 Português
Assinale a alternativa cujo enunciado apresenta a figura de linguagem denominada prosopopeia ou personificação.
Alternativas
Q3955014 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

O que é ser feliz?

 

Se você pensa que serei capaz de dar essa resposta, não se iluda. Mas, deve estar se perguntando: por que o título, então? Simples! Acordei e encontrei a crônica da Danuza Leão na Folha de S. Paulo falando sobre o tema. Fiquei alguns minutos pensando sobre isso e decidi me jogar no assunto, mesmo que ninguém, muito menos eu, seja capaz de esgotar tal questão.

Danuza defende que ser feliz é um verbo a ser julgado no passado, nunca saberemos se somos felizes no momento presente. Sempre o saberemos depois de algumas horas, meses ou anos. Quando estamos em “o momento de felicidade” nossa preocupação é viver e ao voltarmos os olhos para trás pensamos ou concluímos: como fomos felizes ou infelizes ali. Naquele amor correspondido, no nascimento do filho, na brincadeira da infância, no livro lido, no sorriso dado...

Hoje, por exemplo, estou com aquela sensação de felicidade. Acordei, folheei o jornal – um dos maiores prazeres que tenho aos domingos –, li de cabo a rabo, em seguida tomei um ótimo café da manhã preparado às escondidas, com carinho, e com pão de queijo quente. E para tudo ficar mais perfeito, deu aquela preguiça e cochilei antes que pensasse no almoço. Foi o dia de descanso perfeito. Foi: terceira pessoa do pretérito perfeito.

Por outro lado, alguns autores afirmam que não existe a felicidade e sim momentos de alegria. Logo, não discordando de Danuza, é uma outra forma de vê-la. Mesmo que seja no passado, é feita de início, meio e fim. Acaba! Não é um estado de espírito. Ninguém é feliz o tempo todo, apenas existem momentos assim.

Daí fico pensando, enquanto escrevo aqui, não estou feliz? Após tantos momentos anteriores de prazer? Talvez, daqui a meia hora conclua: sim, enquanto escrevia eu era! Já que ninguém é feliz, foi! (...)

 

FARIA, Celso. O que é ser feliz? Blog e-urbanidade. Disponível em <https://eurbanidade.com.br/o-que-e-ser-feliz-cronica-blog-e-urbanidade/>.

“Danuza defende que ser feliz é um verbo a ser julgado no passado, nunca saberemos se somos felizes no momento presente. Sempre o saberemos depois de algumas horas, meses ou anos.”
No trecho acima, a palavra destacada substitui corretamente o termo:
Alternativas
Q3955013 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

O que é ser feliz?

 

Se você pensa que serei capaz de dar essa resposta, não se iluda. Mas, deve estar se perguntando: por que o título, então? Simples! Acordei e encontrei a crônica da Danuza Leão na Folha de S. Paulo falando sobre o tema. Fiquei alguns minutos pensando sobre isso e decidi me jogar no assunto, mesmo que ninguém, muito menos eu, seja capaz de esgotar tal questão.

Danuza defende que ser feliz é um verbo a ser julgado no passado, nunca saberemos se somos felizes no momento presente. Sempre o saberemos depois de algumas horas, meses ou anos. Quando estamos em “o momento de felicidade” nossa preocupação é viver e ao voltarmos os olhos para trás pensamos ou concluímos: como fomos felizes ou infelizes ali. Naquele amor correspondido, no nascimento do filho, na brincadeira da infância, no livro lido, no sorriso dado...

Hoje, por exemplo, estou com aquela sensação de felicidade. Acordei, folheei o jornal – um dos maiores prazeres que tenho aos domingos –, li de cabo a rabo, em seguida tomei um ótimo café da manhã preparado às escondidas, com carinho, e com pão de queijo quente. E para tudo ficar mais perfeito, deu aquela preguiça e cochilei antes que pensasse no almoço. Foi o dia de descanso perfeito. Foi: terceira pessoa do pretérito perfeito.

Por outro lado, alguns autores afirmam que não existe a felicidade e sim momentos de alegria. Logo, não discordando de Danuza, é uma outra forma de vê-la. Mesmo que seja no passado, é feita de início, meio e fim. Acaba! Não é um estado de espírito. Ninguém é feliz o tempo todo, apenas existem momentos assim.

Daí fico pensando, enquanto escrevo aqui, não estou feliz? Após tantos momentos anteriores de prazer? Talvez, daqui a meia hora conclua: sim, enquanto escrevia eu era! Já que ninguém é feliz, foi! (...)

 

FARIA, Celso. O que é ser feliz? Blog e-urbanidade. Disponível em <https://eurbanidade.com.br/o-que-e-ser-feliz-cronica-blog-e-urbanidade/>.

Em relação à estrutura do texto “O que é ser feliz?”, é correto afirmar que o autor:
Alternativas
Q3954911 Português
Segundo Boaventura Leite (1987), em seu livro “Morro da Garça: no centenário da Paróquia e da Matriz”, Curvelo (MG) foi elevada à Vila e, portanto, a município, em 1831, e, em 1833, aprovou-se o plano da divisão dos distritos. Pautado em Boaventura Leite (1987), marque a alternativa CORRETA sobre a história do distrito. 
Alternativas
Q3954908 Português
Boaventura Leite (1987), em seu livro “Morro da Garça: no centenário da Paróquia e da Matriz”, afirma que Morro da Garça entrou na literatura devido a João Guimarães Rosa. De acordo com Boaventura Leite (1987), na obra de Guimarães Rosa, qual o significado de Morro?
Alternativas
Q3954905 Português
Boaventura Leite (1987), em seu livro “Morro da Garça: no centenário da Paróquia e da Matriz”, relata os meios de comunicação da época. Considerando os meios de comunicação abordados na obra de Boaventura Leite (1987), analise o seguinte fragmento de texto.

Os ____________, as tropas menos em uso, abriram os pequenos caminhos da região no transporte de produtos e, mesmo ocasionalmente, de pessoas. Em 1930, construiu-se a primeira estrada de rodagem regular, que foi bem conservada, através da cobrança de _____________, além das numerosas estradas municipais e _____________, que fazem as ligações com as propriedades rurais.

As palavras que completam corretamente as lacunas do fragmento de texto apresentado, na ordem, são: 
Alternativas
Q3954886 Português
O vício da aprovação


         Por muito tempo, eu nutri a necessidade de ser aprovada em tudo, até nas mínimas coisas. E isso vem lá de trás. Meus pais foram muito rígidos, exigentes e preocupados com a minha criação. Sem perceber, com frequência eles me fizeram olhar para mim mesma com os olhos dos outros ou com a ideia de como os outros estavam me vendo. Faziam comparações para ditar como eu deveria ou não ser. Por isso, além do desejo por aprovação, eu desenvolvi também um olhar julgador sobre mim.

         Desse jeito, fui deixando de ser a pequena Jack espontânea e autêntica, achando que, assim, seria aceita e aprovada. No fundo, eu era só uma menina em busca do amor e do afeto deles. Entretanto, hoje sei que esse foi o melhor jeito que encontraram para me criar.

         Quando paramos de nos ouvir, de nos sentir e de nos expressar de acordo com a nossa verdade, nos desconectamos da nossa essência. E somos tomados pelo medo, ficamos mais acuados, reféns de elogios, gestos, olhares e reconhecimentos alheios.

        Colocamos nossa felicidade, nosso senso de valor nas mãos dos outros, desejando receber de volta o que nunca aprendemos a nos dar. Contudo, a busca por aprovação é como um vício, potencializado pela vergonha de ser quem somos e pelas mentiras que dizem a nosso respeito: você é insuficiente, inadequada e desinteressante.

         Aos poucos, acreditamos em tudo isso e, quando não recebemos o que desejamos, entramos no ciclo de nos movimentar para sermos aprovados novamente. O vício faz isso: nos alimenta, nos sacia, mas essa sensação não dura muito e logo traz a solidão, a dúvida, além de um grande sofrimento.

       Quando entendi tal dinâmica, concluí que precisava perdoar e acolher a Jack criança, para então quebrar os ciclos e sair do meu próprio vício por aprovação. Percorri um longo caminho de volta para mim, para viver a liberdade do meu próprio voo, e, hoje, enfim, escolho atravessar o medo da desaprovação: prefiro ser julgada a trair a minha própria alma. [...] 


Fonte: PEREIRA, Jacqueline. O vício da aprovação. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-emocional/.

Acesso em: 23 jan. 2026. Adaptado. 
Analise os trechos a seguir, tendo em vista o uso da linguagem conotativa como recurso de expressão.

I- “O vício faz isso: nos alimenta, nos sacia, mas essa sensação não dura muito e logo traz a solidão, a dúvida [...]”.

II- “Sem perceber com frequência eles me fizeram olhar para mim mesma com os olhos dos outros [...]”.
III- “Percorri um longo caminho de volta para mim, para viver a liberdade do meu próprio voo [...]”.
IV- “E somos tomados pelo medo, ficamos mais acuados, reféns de elogios, gestos, olhares e reconhecimentos alheios.”
V- “Colocamos nossa felicidade, nosso senso de valor nas mãos dos outros, desejando receber de volta o que nunca aprendemos a nos dar.”

Estão CORRETOS os trechos 
Alternativas
Q3954885 Português
O vício da aprovação


         Por muito tempo, eu nutri a necessidade de ser aprovada em tudo, até nas mínimas coisas. E isso vem lá de trás. Meus pais foram muito rígidos, exigentes e preocupados com a minha criação. Sem perceber, com frequência eles me fizeram olhar para mim mesma com os olhos dos outros ou com a ideia de como os outros estavam me vendo. Faziam comparações para ditar como eu deveria ou não ser. Por isso, além do desejo por aprovação, eu desenvolvi também um olhar julgador sobre mim.

         Desse jeito, fui deixando de ser a pequena Jack espontânea e autêntica, achando que, assim, seria aceita e aprovada. No fundo, eu era só uma menina em busca do amor e do afeto deles. Entretanto, hoje sei que esse foi o melhor jeito que encontraram para me criar.

         Quando paramos de nos ouvir, de nos sentir e de nos expressar de acordo com a nossa verdade, nos desconectamos da nossa essência. E somos tomados pelo medo, ficamos mais acuados, reféns de elogios, gestos, olhares e reconhecimentos alheios.

        Colocamos nossa felicidade, nosso senso de valor nas mãos dos outros, desejando receber de volta o que nunca aprendemos a nos dar. Contudo, a busca por aprovação é como um vício, potencializado pela vergonha de ser quem somos e pelas mentiras que dizem a nosso respeito: você é insuficiente, inadequada e desinteressante.

         Aos poucos, acreditamos em tudo isso e, quando não recebemos o que desejamos, entramos no ciclo de nos movimentar para sermos aprovados novamente. O vício faz isso: nos alimenta, nos sacia, mas essa sensação não dura muito e logo traz a solidão, a dúvida, além de um grande sofrimento.

       Quando entendi tal dinâmica, concluí que precisava perdoar e acolher a Jack criança, para então quebrar os ciclos e sair do meu próprio vício por aprovação. Percorri um longo caminho de volta para mim, para viver a liberdade do meu próprio voo, e, hoje, enfim, escolho atravessar o medo da desaprovação: prefiro ser julgada a trair a minha própria alma. [...] 


Fonte: PEREIRA, Jacqueline. O vício da aprovação. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-emocional/.

Acesso em: 23 jan. 2026. Adaptado. 
De acordo com a autora, na sua criação, seus pais

I- ensinaram-na a enxergar a si mesma com os olhos dos outros.
II- fizeram comparações para lhe mostrar como ela deveria ser.
III- permitiram que ela fosse sempre espontânea, autêntica e livre.
IV- compreenderam que ela esperava deles, principalmente, afeto.
V- mostraram-lhe a importância do respeito à própria essência.

Estão CORRETAS apenas as afirmativas 
Alternativas
Q3954884 Português
O vício da aprovação


         Por muito tempo, eu nutri a necessidade de ser aprovada em tudo, até nas mínimas coisas. E isso vem lá de trás. Meus pais foram muito rígidos, exigentes e preocupados com a minha criação. Sem perceber, com frequência eles me fizeram olhar para mim mesma com os olhos dos outros ou com a ideia de como os outros estavam me vendo. Faziam comparações para ditar como eu deveria ou não ser. Por isso, além do desejo por aprovação, eu desenvolvi também um olhar julgador sobre mim.

         Desse jeito, fui deixando de ser a pequena Jack espontânea e autêntica, achando que, assim, seria aceita e aprovada. No fundo, eu era só uma menina em busca do amor e do afeto deles. Entretanto, hoje sei que esse foi o melhor jeito que encontraram para me criar.

         Quando paramos de nos ouvir, de nos sentir e de nos expressar de acordo com a nossa verdade, nos desconectamos da nossa essência. E somos tomados pelo medo, ficamos mais acuados, reféns de elogios, gestos, olhares e reconhecimentos alheios.

        Colocamos nossa felicidade, nosso senso de valor nas mãos dos outros, desejando receber de volta o que nunca aprendemos a nos dar. Contudo, a busca por aprovação é como um vício, potencializado pela vergonha de ser quem somos e pelas mentiras que dizem a nosso respeito: você é insuficiente, inadequada e desinteressante.

         Aos poucos, acreditamos em tudo isso e, quando não recebemos o que desejamos, entramos no ciclo de nos movimentar para sermos aprovados novamente. O vício faz isso: nos alimenta, nos sacia, mas essa sensação não dura muito e logo traz a solidão, a dúvida, além de um grande sofrimento.

       Quando entendi tal dinâmica, concluí que precisava perdoar e acolher a Jack criança, para então quebrar os ciclos e sair do meu próprio vício por aprovação. Percorri um longo caminho de volta para mim, para viver a liberdade do meu próprio voo, e, hoje, enfim, escolho atravessar o medo da desaprovação: prefiro ser julgada a trair a minha própria alma. [...] 


Fonte: PEREIRA, Jacqueline. O vício da aprovação. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-emocional/.

Acesso em: 23 jan. 2026. Adaptado. 
Segundo a autora, para vencer o vício em aprovação, é necessário

I- deixar de temer a desaprovação.
II- evitar o julgamento alheio.
III- ser exigente consigo mesma.
IV- viver com liberdade.
V- ser fiel a si mesma.

Estão CORRETAS apenas as afirmativas 
Alternativas
Respostas
5401: B
5402: B
5403: D
5404: C
5405: C
5406: C
5407: A
5408: C
5409: B
5410: B
5411: D
5412: D
5413: A
5414: D
5415: C
5416: B
5417: A
5418: B
5419: A
5420: B