Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

Foram encontradas 140.563 questões

Q3164818 Português

O TAPETE PERSA


    Comprou um tapete, colocou no imenso living e ficou olhando. Mal se podia pisar com um pouco mais de firmeza, o dono do tapete perdia logo o fio de conversa. Se por acaso um amigo acendia um cigarro, ah, isso não, meu velho, tenha santa paciência, mas vá fumar lá fora, na varanda, isso aqui é tapete pra muito luxo, me custou os tubos, da Pérsia ali no duro, se me cai uma brasinha no chão eu lhe mando a mão na cara, desculpe a franqueza, mas comigo é assim, mais vale prevenir que remediar.

    A mulher já nem podia receber em sua casa uma visita de cerimônia, porque logo de entrada ele ia avisando:

    - Vai limpar o pezinho aí no capacho, não vai? Tapete novo ali na sala, coisa pra muito luxo, a senhora compreende... Preço de automóvel!

    Quem, pelo preço de um tapete, compra um automóvel hoje em dia? Era o que ele pensava, quando se meteu no seu com toda a família e foi passar o verão em Petrópolis. Recomendara à empregada cuidados especiais com o tapete. A mulher sugeria enrolá-lo, mas onde colocar um canudinho de três metros de comprimento, quatro se enrolasse ao comprido? E poderia estragar-se, pois os tapetes, ainda que persas, foram feitos para ficar estendidos. Estava feliz: nem todos podem ter um tapete persa. Para muita gente era um ideal na vida.

    Um belo dia a empregada descobriu, com pavor, que o tapete apresentava aqui e ali pequenas manchas de mofo. Abriu todo o apartamento, mas não satisfeita, resolveu dependurar o tapete na amurada da varanda para que apanhasse sol.

    Ora, acontecia morar no apartamento de baixo um americano que invariavelmente chegava bêbado todas as noites e ainda bebia um pouco antes de dormir, mais um pouco ao levantar-se. Naquele dia, tendo o tapete obstruído por completo sua janela, cuidou ao acordar que ainda era noite e voltou para cama. Afinal, cansado de dormir, acendeu a luz e olhou o relógio: duas horas. Não poderia estar tão bêbado assim – convenhamos que às duas horas da tarde o dia já devia pelo menos

    Ter começado a clarear. Ou passara o dia todo dormindo e seriam duas horas da noite?

    Avançou pela janela e deu de cara com o tapete. Vendo que não conseguia olhar para fora, voltou-se, resignado, sem buscar explicação. Buscou antes uma faca e meteu-a no tapete como no ventre de um peixe, abrindo-o de alto a baixo. Depois enfiou a cabeça pelo rombo para ver se lá fora era noite ou dia. Infelizmente era dia. Não se conformando, puxou com violência o tapete e quando afinal acabou de recolhê-lo, deixou que tombasse no espaço e fosse cair lá embaixo, sobre as obras de um edifício em princípio de construção.

    Muitos que viram se assustaram. Houve quem pensasse que o prédio estava vindo para baixo. Caiu uma “coisa” lá de cima! – Vários gritaram, apontando. O que foi? Alguém se atirou lá de cima? Uma mulher se atirou lá de cima!

    - Nós mal começamos e este aqui já está mandando mobília – comentou um operário da construção, contemplando o tapete. 

    Enfim, não é todo dia que caem tapetes persas, das janelas dos apartamentos, pelo menos naquela rua. Alguns curiosos se ajuntaram, enquanto não se chamava a assistência. A empregada apareceu desvairada, e ao ver o tapete no chão enlameado, botou as mãos na cabeça e a boca no mundo.:

    - Nossa Senhora, meu patrãozinho me mata!

    No dia seguinte era o patrãozinho que, descendo de Petrópolis, ia ao apartamento de baixo disposto a matar o primeiro americano. No que disse yes, foi-lhe metendo o braço.

    -Just a moment! Just a moment! – berrava o americano, se defendendo. - No fala portuguese! Must be some mistake! 

    - Misteique é a mãe – dizia o dono do tapete, enfurecido. Não satisfeito, pôs-se a quebrar coisa no apartamento do outro. Pouco havia que quebrar, além de uma garrafa de “Four Roses”, já vazia.

    Afinal, mais calmo, preveniu:

    - No fala portuguese mas pegar tapete, tá bem? Olha aqui, ô gringo, to pay my tâpet, morou?

    - Let’s have a drink – propôs o americano.


(Elenco de Cronistas Modernos. Editora Sabiá, Rio de Janeiro. 1972)

Assinale as afirmativas abaixo, o que significava para o dono, possuir um tapete persa:
Alternativas
Q3164439 Português
O tempo passa mais devagar para crianças?
Teresa McCormack pesquisa há muito tempo se existe algo essencialmente distinto no processamento do tempo das crianças, como um relógio interno que funciona em uma velocidade em relação à dos adultos. "É estranho que não saibamos realmente as respostas para perguntas como quando as crianças passam a fazer uma distinção adequada entre o passado e o futuro, já que isso estrutura toda a maneira como pensamos sobre nossas vidas como adultos".
Ela explica que, embora não tenhamos uma compreensão clara de quando as crianças entendem o sentido de tempo linear, sabemos que, desde cedo no desenvolvimento, as crianças são sensíveis a eventos rotineiros, como a hora das refeições e de dormir. Ela enfatiza que isso não é o mesmo que ter um senso adulto de tempo linear.
Diferente das crianças, os adultos têm a capacidade de pensar em pontos no tempo, independentemente de quando um evento acontece, devido ao seu conhecimento do sistema convencional de horário e calendário. A semântica também desempenha um papel importante nesse sistema. "Leva tempo para que as crianças se tornem usuárias competentes da linguagem temporal, usando termos como antes, depois, amanhã e ontem".
Ela acrescenta que nossa compreensão das passagens de tempo também se baseia no momento em que as pessoas são solicitadas a fazer essas avaliações em relação ao tempo. "Você faz a pergunta enquanto o evento acontece ou após ele ter acontecido?", ela questiona, dando um exemplo com o qual muita gente se identificará.
"O tempo entre o nascimento do meu filho e quando ele saiu de casa, agora parece ter passado em um piscar de olhos. Mas, durante o período em que você está realmente envolvido na tarefa de criar filhos, um único dia dura uma eternidade."
https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckg1jld22gzo.adaptado.
A professora de Psicologia Teresa McCormack, que estuda desenvolvimento cognitivo na Universidade de Belfast, na Irlanda do Norte, diz que as crianças e o tempo são um tema muito complexo.
Com base no texto, qual a principal distinção entre o conceito de tempo em crianças e adultos, conforme a pesquisa de Teresa McCormack?
Alternativas
Q3163664 Português

O alívio de um diagnóstico de TDAH na vida adulta


O TDAH é um transtorno crônico do neurodesenvolvimento cujos principais sintomas incluem hiperatividade, impulsividade e desatenção. A estimativa é de que afete cerca de três por cento dos adultos.


Há uma série de razões pelas quais o TDAH é amplamente subdiagnosticado, especialmente em adultos. O transtorno geralmente é diagnosticado na infância e a descoberta precoce leva a melhores resultados.


É comum que adultos com TDAH não diagnosticado passem a vida inteira mascarando seus comportamentos. E a maioria das pessoas com esse sintoma também apresenta outros transtornos de neurodesenvolvimento ou mentais, o que dificulta o diagnóstico.


O subdiagnóstico é provável especialmente no caso de meninas, mulheres e minorias raciais, por razões que incluem rótulos inadequados que acompanham os estereótipos.


"A maior parte das pesquisas sobre TDAH é feita em homens", diz Annette Björk, professora de ciências da saúde da Universidade de Londres, com formação em enfermagem voltada para saúde mental.


Mudanças de vida podem desencadear a consciência do TDAH em adultos. Um exemplo é a gravidez com seus desequilíbrios hormonais e estresse. Às vezes, os pais cujos filhos são diagnosticados com TDAH percebem que eles próprios apresentam sintomas do transtorno, diz Björk. No entanto, eles podem não se sentir prejudicados por isso.


Em geral, pacientes e pesquisadores enfatizam os vários benefícios de um diagnóstico preciso de TDAH na vida adulta.

 

Adultos recém-diagnosticados mencionam a retirada de um peso enorme das costas, e como o tratamento facilita as atividades cotidianas.


Björk trabalhou com pacientes que só foram diagnosticados com TDAH após os cinquenta anos. Ela afirma que até mesmo indivíduos em idade avançada obtêm um autoconhecimento valioso a partir de um diagnóstico de TDAH.


A professora observou que a compreensão e o apoio voltado a adultos com TDAH salvam vidas. Pessoas com esse transtorno têm menor expectativa de vida devido a suicídios, acidentes, uso de substâncias e outros problemas de saúde.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwyl6gzrn06o.adaptado.

No Reino Unido e em outros países, mais adultos foram diagnosticados com TDAH nos últimos anos — e a demanda excedeu o que os especialistas esperavam.


Com base no texto, quais são as dificuldades no diagnóstico do TDAH em adultos e quais os impactos desse transtorno em suas vidas?

Alternativas
Q3160932 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

https://qcon-assets-production.s3.amazonaws.com/images/provas/126037/Q_01_e_Q_02.png

Disponível em: https://tinyurl.com/3693zjkf. Acesso em 25 nov 2024

A tirinha apresentada utiliza elementos linguísticos e estilísticos que exploram aspectos humorísticos e irônicos em um diálogo entre a idosa e sua interlocutora. Com base nesse contexto, analise as alternativas a seguir e escolha a correta:
Alternativas
Q3158804 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
https://qcon-assets-production.s3.amazonaws.com/images/provas/126033/Q_01_e_02.png
Disponível em: https://tinyurl.com/3693zjkf. Acesso em 25 nov 2024
A tirinha apresentada explora aspectos humorísticos e irônicos ao relatar a interação entre uma idosa e sua interlocutora. Sobre os elementos textuais e contextuais da tirinha, analise as alternativas abaixo e assinale a correta.
Com base na tirinha e no significado contextual das expressões, é possível inferir que:
Alternativas
Q3157873 Português

Um trecho narrativo moderno diz:

“Preste atenção, meu querido leitor, a este personagem que agora apresento!”

A intervenção do narrador nessa história é do seguinte tipo:

Alternativas
Q3157872 Português

Um conto de Ziraldo começa do seguinte modo:

“O índio da Transamazônica todo dia passava pelas obras, com um menino nas mãos e uns livros debaixo do braço.”


Esse conto se inicia

Alternativas
Q3157869 Português
Todas as frases abaixo mostram opiniões fundamentadas em posições individuais do enunciador. A única frase que diverge dessa estrutura, é:
Alternativas
Q3157868 Português
Todas as frases abaixo mostram um termo sublinhado que retoma um termo anterior (coesão). Assinale a frase em que esse termo anterior está mal identificado.
Alternativas
Q3157867 Português
Todos os pensamentos abaixo são compostos por duas partes. Assinale a opção em que a relação entre essas partes está corretamente identificada. 
Alternativas
Q3157866 Português
A frase abaixo em que não está presente uma oposição de termos, é:
Alternativas
Q3157864 Português
Assinale a frase abaixo que não mostra uma correta estruturação.
Alternativas
Q3157295 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Disponível em: https://tinyurl.com/2udne7mm. Acesso em 25 nov 2024.
Considerando a intenção comunicativa dos personagens, a relação entre o significado das expressões e o contexto em que estão inseridas e a coerência textual no desenvolvimento da narrativa; a partir da leitura e interpretação do texto, é possível inferir que:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFMG Órgão: UFMG Prova: UFMG - 2024 - UFMG - Assistente em Administração |
Q3154204 Português
INSTRUÇÃO: A questão deve ser respondida com base na leitura do Texto III.


Texto III

      A internet é a um só tempo espaço maravilhoso para facilitar ações positivas e tenebroso para viabilizar ações destrutivas. Invenções humanas para melhorar a qualidade de vida desviadas para prejudicar e até matar [automóveis, facas, aviões, etc.] não é um desafio novo. Nova é a sua natureza, pois trata-se de lidar com algo que sempre está presente na vida de todos: quem hoje fica a alguns metros ou a algumas horas distante do celular?


WILLIAMS. Comentário do leitor. Carta Capital, 19 set. 2024. nº 1329.
É correto afirmar que o Texto III
Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFMG Órgão: UFMG Prova: UFMG - 2024 - UFMG - Assistente em Administração |
Q3154203 Português
INSTRUÇÃO: A questão deve ser respondida com base na leitura dos Textos I e II.

Texto I

O vírus do tigrinho

        Além de favorecer o crime organizado, a epidemia das bets representa uma grave ameaça à saúde pública e à economia

Na noite de terça-feira 10, o motorista de aplicativo Níger Soares, de 38 anos, chegou um pouco mais cedo do trabalho para assistir a Seleção Brasileira jogar contra o Paraguai pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Apaixonado por futebol desde criança, o carioca, com formação em Publicidade, tinha “interesse dobrado” no resultado da partida, pois havia feito uma “fezinha” na vitória da equipe canarinho, que acabou não acontecendo. Há anos, ele luta contra a compulsão por apostas e jogos de azar. Soares não titubeia ao afirmar que a avassaladora chegada das empresas de apostas esportivas online, as chamadas bets, dificultou sua luta contra o vício: “A situação piorou. Tem muita propaganda em tudo quanto é lugar. As pessoas estão ficando endividadas, é muita gente”, afirma, embora prefira não entrar em detalhes sobre sua própria situação financeira.

        Soares é um dos 52 milhões de brasileiros que, de acordo com um levantamento feito pelo Instituto Locomotiva, fizeram ou costumam fazer apostas em sites na internet. Apesar de o governo federal ter finalizado o processo de cadastramento das empresas, primeiro passo para concretizar a regulamentação do setor no Brasil, pessoas como ele se veem especialmente vulneráveis às bets e são presas fáceis para outra praga social, os “jogos de cassino online”, que seduzem com a ilusão da riqueza imediata. Entre os apostadores, o mais popular é o caça-níqueis eletrônico Fortune Tiger, conhecido no País como “Jogo do Tigrinho”, que vem sendo letal para pessoas de baixa renda. Segundo a pesquisa, 79% dos que costumam fazer apostas na internet pertencem às classes C, D e E.

        Estudos recentes completam o quadro de desafio à saúde pública e à economia nacional. Um deles, do Banco Itaú, mostra que em um período de 12 meses os brasileiros gastaram 68,2 bilhões de reais em apostas online. Outro, encomendado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), assustada com o impacto já percebido no mercado varejista, aponta que 86% dos apostadores estão endividados e 64% deles negativados no Serasa. Em um país onde 43% da população afirma não ter segurança financeira, a consultoria PwC do Brasil mostra que hoje, para as duas classes da base da pirâmide social, as apostas já equivalem a 76% das despesas mensais com lazer e cultura e a 5% do que é destinado à alimentação. Pesquisas estão sendo realizadas para mensurar também o impacto das bets e dos tigrinhos no orçamento destinado à educação das famílias brasileiras.

        Conhecido como ludopatia, o vício nas apostas é uma enfermidade social que precisa ser prevista e tratada adequadamente no novo arcabouço regulatório. Para o psicólogo clínico Cristiano Costa, uma das cabeças à frente da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (Ebac), nessa doença é impossível adotar uma política de redução de danos como nos casos de adição às drogas. “No transtorno do jogo patológico, existe um vício diferente, que se concentra no comportamento de apostar e que não necessariamente é gerador de danos”. Melhor seria, diz o especialista, uma estratégia para diversificar os modos de obtenção de prazer associado ao risco, bem como de diversão e entretenimento: “Também é necessária muita educação psicoemocional e financeira, já que é uma doença profundamente vinculada ao endividamento”. Segundo estudos da entidade, ao menos 2 milhões de brasileiros sofrem de ludopatia severa.

        CEO da empresa galera.bet, Marcos Sabiá afirma que a certificação ajudará a separar o joio do trigo e a identificar as empresas à margem da lei: “O trigo são empresas que já se preocupam em realizar um tratamento adequado dos dados de seus jogadores, o chamado KYC (know your client)1, a fim de combater crimes como lavagem de dinheiro e manipulação de resultados, sem descuidar da publicidade adequada; tratando o jogo como diversão e não como enriquecimento, investimento ou geração de renda, ao mesmo tempo que identifica e trata eventuais casos de ludopatia”. Segundo Sabiá, essas empresas estão preocupadas com uma relação de longo prazo com o jogador e isso inclui bom atendimento através de seus SACs e compromissos formais com órgãos como o Conar.

        Professor da Unicamp e integrante do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Rafael Evangelista avalia que há várias boas propostas em debate: “Elas são necessárias e ajudariam não só na questão da publicidade relativa a jogos, pois várias dessas propostas poderiam contribuir para que houvesse maior responsabilização das plataformas pelos conteúdos que carregam”. Muito se faz referência ao Marco Civil da Internet, diz o especialista, como se ele isentasse as plataformas de responsabilidade sobre os conteúdos: “Mas, a partir do momento em que as plataformas não são intermediários neutros desses conteúdos, elas passam a ser corresponsáveis. O Brasil precisa avançar na legislação e na ação efetiva contra esses anúncios maliciosos”.

        Enquanto abundam as boas intenções, a vida para quem está sujeito à maior vulnerabilidade social e sanitária frente ao fenômeno da proliferação dos sites de apostas online segue na incerteza. Enquanto aguarda nova oportunidade para tentar recuperar o dinheiro perdido com o futebol sofrível da Seleção Brasileira e assim garantir o pagamento dos boletos no fim do mês, Níger Soares diz não acreditar nas medidas pelo tal jogo responsável: “Acho que não vai adiantar, porque vai depender muito da vontade dos próprios jogadores. E são as próprias bets que vão ajudar? Seria legal se tivesse mais ajuda, talvez uma política pública mais séria e abrangente para tratar o problema”. Fica a dica.

THUSWOHL, Maurício. O vírus do tigrinho. Carta Capital, 12 set. 2024. nº 1328. (Adaptado).


8.png (677×372)
Considerando o Texto I e o Texto II, é correto afirmar que
Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFMG Órgão: UFMG Prova: UFMG - 2024 - UFMG - Assistente em Administração |
Q3154199 Português
INSTRUÇÃO: A questão deve ser respondida com base na leitura do Texto I.

Texto I

O vírus do tigrinho

        Além de favorecer o crime organizado, a epidemia das bets representa uma grave ameaça à saúde pública e à economia

Na noite de terça-feira 10, o motorista de aplicativo Níger Soares, de 38 anos, chegou um pouco mais cedo do trabalho para assistir a Seleção Brasileira jogar contra o Paraguai pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Apaixonado por futebol desde criança, o carioca, com formação em Publicidade, tinha “interesse dobrado” no resultado da partida, pois havia feito uma “fezinha” na vitória da equipe canarinho, que acabou não acontecendo. Há anos, ele luta contra a compulsão por apostas e jogos de azar. Soares não titubeia ao afirmar que a avassaladora chegada das empresas de apostas esportivas online, as chamadas bets, dificultou sua luta contra o vício: “A situação piorou. Tem muita propaganda em tudo quanto é lugar. As pessoas estão ficando endividadas, é muita gente”, afirma, embora prefira não entrar em detalhes sobre sua própria situação financeira.

        Soares é um dos 52 milhões de brasileiros que, de acordo com um levantamento feito pelo Instituto Locomotiva, fizeram ou costumam fazer apostas em sites na internet. Apesar de o governo federal ter finalizado o processo de cadastramento das empresas, primeiro passo para concretizar a regulamentação do setor no Brasil, pessoas como ele se veem especialmente vulneráveis às bets e são presas fáceis para outra praga social, os “jogos de cassino online”, que seduzem com a ilusão da riqueza imediata. Entre os apostadores, o mais popular é o caça-níqueis eletrônico Fortune Tiger, conhecido no País como “Jogo do Tigrinho”, que vem sendo letal para pessoas de baixa renda. Segundo a pesquisa, 79% dos que costumam fazer apostas na internet pertencem às classes C, D e E.

        Estudos recentes completam o quadro de desafio à saúde pública e à economia nacional. Um deles, do Banco Itaú, mostra que em um período de 12 meses os brasileiros gastaram 68,2 bilhões de reais em apostas online. Outro, encomendado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), assustada com o impacto já percebido no mercado varejista, aponta que 86% dos apostadores estão endividados e 64% deles negativados no Serasa. Em um país onde 43% da população afirma não ter segurança financeira, a consultoria PwC do Brasil mostra que hoje, para as duas classes da base da pirâmide social, as apostas já equivalem a 76% das despesas mensais com lazer e cultura e a 5% do que é destinado à alimentação. Pesquisas estão sendo realizadas para mensurar também o impacto das bets e dos tigrinhos no orçamento destinado à educação das famílias brasileiras.

        Conhecido como ludopatia, o vício nas apostas é uma enfermidade social que precisa ser prevista e tratada adequadamente no novo arcabouço regulatório. Para o psicólogo clínico Cristiano Costa, uma das cabeças à frente da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (Ebac), nessa doença é impossível adotar uma política de redução de danos como nos casos de adição às drogas. “No transtorno do jogo patológico, existe um vício diferente, que se concentra no comportamento de apostar e que não necessariamente é gerador de danos”. Melhor seria, diz o especialista, uma estratégia para diversificar os modos de obtenção de prazer associado ao risco, bem como de diversão e entretenimento: “Também é necessária muita educação psicoemocional e financeira, já que é uma doença profundamente vinculada ao endividamento”. Segundo estudos da entidade, ao menos 2 milhões de brasileiros sofrem de ludopatia severa.

        CEO da empresa galera.bet, Marcos Sabiá afirma que a certificação ajudará a separar o joio do trigo e a identificar as empresas à margem da lei: “O trigo são empresas que já se preocupam em realizar um tratamento adequado dos dados de seus jogadores, o chamado KYC (know your client)1, a fim de combater crimes como lavagem de dinheiro e manipulação de resultados, sem descuidar da publicidade adequada; tratando o jogo como diversão e não como enriquecimento, investimento ou geração de renda, ao mesmo tempo que identifica e trata eventuais casos de ludopatia”. Segundo Sabiá, essas empresas estão preocupadas com uma relação de longo prazo com o jogador e isso inclui bom atendimento através de seus SACs e compromissos formais com órgãos como o Conar.

        Professor da Unicamp e integrante do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Rafael Evangelista avalia que há várias boas propostas em debate: “Elas são necessárias e ajudariam não só na questão da publicidade relativa a jogos, pois várias dessas propostas poderiam contribuir para que houvesse maior responsabilização das plataformas pelos conteúdos que carregam”. Muito se faz referência ao Marco Civil da Internet, diz o especialista, como se ele isentasse as plataformas de responsabilidade sobre os conteúdos: “Mas, a partir do momento em que as plataformas não são intermediários neutros desses conteúdos, elas passam a ser corresponsáveis. O Brasil precisa avançar na legislação e na ação efetiva contra esses anúncios maliciosos”.

        Enquanto abundam as boas intenções, a vida para quem está sujeito à maior vulnerabilidade social e sanitária frente ao fenômeno da proliferação dos sites de apostas online segue na incerteza. Enquanto aguarda nova oportunidade para tentar recuperar o dinheiro perdido com o futebol sofrível da Seleção Brasileira e assim garantir o pagamento dos boletos no fim do mês, Níger Soares diz não acreditar nas medidas pelo tal jogo responsável: “Acho que não vai adiantar, porque vai depender muito da vontade dos próprios jogadores. E são as próprias bets que vão ajudar? Seria legal se tivesse mais ajuda, talvez uma política pública mais séria e abrangente para tratar o problema”. Fica a dica.

THUSWOHL, Maurício. O vírus do tigrinho. Carta Capital, 12 set. 2024. nº 1328. (Adaptado).
Releia o seguinte trecho do Texto I, com especial atenção às palavras em destaque.
      “Soares não titubeia ao afirmar que a avassaladora chegada das empresas de apostas esportivas online, as chamadas bets, dificultou sua luta contra o vício.”

Os termos que substituem, respectivamente, as palavras “titubeia” e “avassaladora”, mantendo-se o significado original do texto, são:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFMG Órgão: UFMG Prova: UFMG - 2024 - UFMG - Assistente em Administração |
Q3154198 Português
INSTRUÇÃO: A questão deve ser respondida com base na leitura do Texto I.

Texto I

O vírus do tigrinho

        Além de favorecer o crime organizado, a epidemia das bets representa uma grave ameaça à saúde pública e à economia

Na noite de terça-feira 10, o motorista de aplicativo Níger Soares, de 38 anos, chegou um pouco mais cedo do trabalho para assistir a Seleção Brasileira jogar contra o Paraguai pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Apaixonado por futebol desde criança, o carioca, com formação em Publicidade, tinha “interesse dobrado” no resultado da partida, pois havia feito uma “fezinha” na vitória da equipe canarinho, que acabou não acontecendo. Há anos, ele luta contra a compulsão por apostas e jogos de azar. Soares não titubeia ao afirmar que a avassaladora chegada das empresas de apostas esportivas online, as chamadas bets, dificultou sua luta contra o vício: “A situação piorou. Tem muita propaganda em tudo quanto é lugar. As pessoas estão ficando endividadas, é muita gente”, afirma, embora prefira não entrar em detalhes sobre sua própria situação financeira.

        Soares é um dos 52 milhões de brasileiros que, de acordo com um levantamento feito pelo Instituto Locomotiva, fizeram ou costumam fazer apostas em sites na internet. Apesar de o governo federal ter finalizado o processo de cadastramento das empresas, primeiro passo para concretizar a regulamentação do setor no Brasil, pessoas como ele se veem especialmente vulneráveis às bets e são presas fáceis para outra praga social, os “jogos de cassino online”, que seduzem com a ilusão da riqueza imediata. Entre os apostadores, o mais popular é o caça-níqueis eletrônico Fortune Tiger, conhecido no País como “Jogo do Tigrinho”, que vem sendo letal para pessoas de baixa renda. Segundo a pesquisa, 79% dos que costumam fazer apostas na internet pertencem às classes C, D e E.

        Estudos recentes completam o quadro de desafio à saúde pública e à economia nacional. Um deles, do Banco Itaú, mostra que em um período de 12 meses os brasileiros gastaram 68,2 bilhões de reais em apostas online. Outro, encomendado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), assustada com o impacto já percebido no mercado varejista, aponta que 86% dos apostadores estão endividados e 64% deles negativados no Serasa. Em um país onde 43% da população afirma não ter segurança financeira, a consultoria PwC do Brasil mostra que hoje, para as duas classes da base da pirâmide social, as apostas já equivalem a 76% das despesas mensais com lazer e cultura e a 5% do que é destinado à alimentação. Pesquisas estão sendo realizadas para mensurar também o impacto das bets e dos tigrinhos no orçamento destinado à educação das famílias brasileiras.

        Conhecido como ludopatia, o vício nas apostas é uma enfermidade social que precisa ser prevista e tratada adequadamente no novo arcabouço regulatório. Para o psicólogo clínico Cristiano Costa, uma das cabeças à frente da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (Ebac), nessa doença é impossível adotar uma política de redução de danos como nos casos de adição às drogas. “No transtorno do jogo patológico, existe um vício diferente, que se concentra no comportamento de apostar e que não necessariamente é gerador de danos”. Melhor seria, diz o especialista, uma estratégia para diversificar os modos de obtenção de prazer associado ao risco, bem como de diversão e entretenimento: “Também é necessária muita educação psicoemocional e financeira, já que é uma doença profundamente vinculada ao endividamento”. Segundo estudos da entidade, ao menos 2 milhões de brasileiros sofrem de ludopatia severa.

        CEO da empresa galera.bet, Marcos Sabiá afirma que a certificação ajudará a separar o joio do trigo e a identificar as empresas à margem da lei: “O trigo são empresas que já se preocupam em realizar um tratamento adequado dos dados de seus jogadores, o chamado KYC (know your client)1, a fim de combater crimes como lavagem de dinheiro e manipulação de resultados, sem descuidar da publicidade adequada; tratando o jogo como diversão e não como enriquecimento, investimento ou geração de renda, ao mesmo tempo que identifica e trata eventuais casos de ludopatia”. Segundo Sabiá, essas empresas estão preocupadas com uma relação de longo prazo com o jogador e isso inclui bom atendimento através de seus SACs e compromissos formais com órgãos como o Conar.

        Professor da Unicamp e integrante do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Rafael Evangelista avalia que há várias boas propostas em debate: “Elas são necessárias e ajudariam não só na questão da publicidade relativa a jogos, pois várias dessas propostas poderiam contribuir para que houvesse maior responsabilização das plataformas pelos conteúdos que carregam”. Muito se faz referência ao Marco Civil da Internet, diz o especialista, como se ele isentasse as plataformas de responsabilidade sobre os conteúdos: “Mas, a partir do momento em que as plataformas não são intermediários neutros desses conteúdos, elas passam a ser corresponsáveis. O Brasil precisa avançar na legislação e na ação efetiva contra esses anúncios maliciosos”.

        Enquanto abundam as boas intenções, a vida para quem está sujeito à maior vulnerabilidade social e sanitária frente ao fenômeno da proliferação dos sites de apostas online segue na incerteza. Enquanto aguarda nova oportunidade para tentar recuperar o dinheiro perdido com o futebol sofrível da Seleção Brasileira e assim garantir o pagamento dos boletos no fim do mês, Níger Soares diz não acreditar nas medidas pelo tal jogo responsável: “Acho que não vai adiantar, porque vai depender muito da vontade dos próprios jogadores. E são as próprias bets que vão ajudar? Seria legal se tivesse mais ajuda, talvez uma política pública mais séria e abrangente para tratar o problema”. Fica a dica.

THUSWOHL, Maurício. O vírus do tigrinho. Carta Capital, 12 set. 2024. nº 1328. (Adaptado).
Considerando os tipos textuais presentes no Texto I, é incorreto afirmar que, nele, apresentam-se trechos da tipologia
Alternativas
Ano: 2024 Banca: UFMG Órgão: UFMG Prova: UFMG - 2024 - UFMG - Assistente em Administração |
Q3154196 Português
INSTRUÇÃO: A questão deve ser respondida com base na leitura do Texto I.

Texto I

O vírus do tigrinho

        Além de favorecer o crime organizado, a epidemia das bets representa uma grave ameaça à saúde pública e à economia

Na noite de terça-feira 10, o motorista de aplicativo Níger Soares, de 38 anos, chegou um pouco mais cedo do trabalho para assistir a Seleção Brasileira jogar contra o Paraguai pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Apaixonado por futebol desde criança, o carioca, com formação em Publicidade, tinha “interesse dobrado” no resultado da partida, pois havia feito uma “fezinha” na vitória da equipe canarinho, que acabou não acontecendo. Há anos, ele luta contra a compulsão por apostas e jogos de azar. Soares não titubeia ao afirmar que a avassaladora chegada das empresas de apostas esportivas online, as chamadas bets, dificultou sua luta contra o vício: “A situação piorou. Tem muita propaganda em tudo quanto é lugar. As pessoas estão ficando endividadas, é muita gente”, afirma, embora prefira não entrar em detalhes sobre sua própria situação financeira.

        Soares é um dos 52 milhões de brasileiros que, de acordo com um levantamento feito pelo Instituto Locomotiva, fizeram ou costumam fazer apostas em sites na internet. Apesar de o governo federal ter finalizado o processo de cadastramento das empresas, primeiro passo para concretizar a regulamentação do setor no Brasil, pessoas como ele se veem especialmente vulneráveis às bets e são presas fáceis para outra praga social, os “jogos de cassino online”, que seduzem com a ilusão da riqueza imediata. Entre os apostadores, o mais popular é o caça-níqueis eletrônico Fortune Tiger, conhecido no País como “Jogo do Tigrinho”, que vem sendo letal para pessoas de baixa renda. Segundo a pesquisa, 79% dos que costumam fazer apostas na internet pertencem às classes C, D e E.

        Estudos recentes completam o quadro de desafio à saúde pública e à economia nacional. Um deles, do Banco Itaú, mostra que em um período de 12 meses os brasileiros gastaram 68,2 bilhões de reais em apostas online. Outro, encomendado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), assustada com o impacto já percebido no mercado varejista, aponta que 86% dos apostadores estão endividados e 64% deles negativados no Serasa. Em um país onde 43% da população afirma não ter segurança financeira, a consultoria PwC do Brasil mostra que hoje, para as duas classes da base da pirâmide social, as apostas já equivalem a 76% das despesas mensais com lazer e cultura e a 5% do que é destinado à alimentação. Pesquisas estão sendo realizadas para mensurar também o impacto das bets e dos tigrinhos no orçamento destinado à educação das famílias brasileiras.

        Conhecido como ludopatia, o vício nas apostas é uma enfermidade social que precisa ser prevista e tratada adequadamente no novo arcabouço regulatório. Para o psicólogo clínico Cristiano Costa, uma das cabeças à frente da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (Ebac), nessa doença é impossível adotar uma política de redução de danos como nos casos de adição às drogas. “No transtorno do jogo patológico, existe um vício diferente, que se concentra no comportamento de apostar e que não necessariamente é gerador de danos”. Melhor seria, diz o especialista, uma estratégia para diversificar os modos de obtenção de prazer associado ao risco, bem como de diversão e entretenimento: “Também é necessária muita educação psicoemocional e financeira, já que é uma doença profundamente vinculada ao endividamento”. Segundo estudos da entidade, ao menos 2 milhões de brasileiros sofrem de ludopatia severa.

        CEO da empresa galera.bet, Marcos Sabiá afirma que a certificação ajudará a separar o joio do trigo e a identificar as empresas à margem da lei: “O trigo são empresas que já se preocupam em realizar um tratamento adequado dos dados de seus jogadores, o chamado KYC (know your client)1, a fim de combater crimes como lavagem de dinheiro e manipulação de resultados, sem descuidar da publicidade adequada; tratando o jogo como diversão e não como enriquecimento, investimento ou geração de renda, ao mesmo tempo que identifica e trata eventuais casos de ludopatia”. Segundo Sabiá, essas empresas estão preocupadas com uma relação de longo prazo com o jogador e isso inclui bom atendimento através de seus SACs e compromissos formais com órgãos como o Conar.

        Professor da Unicamp e integrante do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Rafael Evangelista avalia que há várias boas propostas em debate: “Elas são necessárias e ajudariam não só na questão da publicidade relativa a jogos, pois várias dessas propostas poderiam contribuir para que houvesse maior responsabilização das plataformas pelos conteúdos que carregam”. Muito se faz referência ao Marco Civil da Internet, diz o especialista, como se ele isentasse as plataformas de responsabilidade sobre os conteúdos: “Mas, a partir do momento em que as plataformas não são intermediários neutros desses conteúdos, elas passam a ser corresponsáveis. O Brasil precisa avançar na legislação e na ação efetiva contra esses anúncios maliciosos”.

        Enquanto abundam as boas intenções, a vida para quem está sujeito à maior vulnerabilidade social e sanitária frente ao fenômeno da proliferação dos sites de apostas online segue na incerteza. Enquanto aguarda nova oportunidade para tentar recuperar o dinheiro perdido com o futebol sofrível da Seleção Brasileira e assim garantir o pagamento dos boletos no fim do mês, Níger Soares diz não acreditar nas medidas pelo tal jogo responsável: “Acho que não vai adiantar, porque vai depender muito da vontade dos próprios jogadores. E são as próprias bets que vão ajudar? Seria legal se tivesse mais ajuda, talvez uma política pública mais séria e abrangente para tratar o problema”. Fica a dica.

THUSWOHL, Maurício. O vírus do tigrinho. Carta Capital, 12 set. 2024. nº 1328. (Adaptado).
São afirmativas corretas acerca do Texto I, exceto.
Alternativas
Q3154123 Português

 Leia o texto a seguir para responder à questão.



Carmim de cochonilha: a história do pigmento feito de insetos moídos



      A palavra “vermelho” vem do latim vermiculus, que significa “verme”. O motivo é que, por muito tempo, um pigmento vermelho comum na Europa vinha de um inseto minúsculo de nome científico Kermes vermilio. Esse bichinho excreta um composto químico batizado de ácido quermésico, que já dava cor a roupas, cerâmicas e quadros em Roma. Civilizações antigas das Américas, como astecas e maias, eram fãs de um ácido colorido similar – o ácido carmínico, presente no inseto Dactylopius coccus, a cochonilha.


    No século 15, por exemplo, Montezuma, o imperador asteca, exigiu tributo na forma de cochonilha de onze cidades conquistadas. Até hoje, o Peru e o México estão entre os maiores produtores desse pigmento. Os insetos são criados em cactos, que eles adoram parasitar.


     Para obter meio quilo de pó de carmim, é necessário pulverizar 70 mil cochonilhas secas. Até 20% do corpo do inseto de 0,5 cm consiste nesse ácido de cor vibrante, mas elas pesam frações de grama cada uma. Não rende.


     O pó escarlate se tornaria um dos produtos mais importantes da balança comercial do México colonial: só não movimentava mais dinheiro que a prata. Sua importância era tamanha que essa substância era negociada em bolsas de valores na Europa – como soja e minério de ferro são hoje, por exemplo –, e foi essencial para que a Espanha se tornasse uma potência econômica.


   Essa commodity fez muito sucesso nos retratos e cenas cristãs dramáticas do barroco. Caravaggio, o pintor italiano, utilizava frequentemente sua tonalidade cor de sangue. Quando os tintureiros europeus começaram a experimentar com o pigmento americano em tecidos, ficaram deslumbrados com sua vivacidade e concentração: o vermelho era muito mais bonito que o gerado pelos insetos do Velho Mundo.


    A Revolução Industrial e a ascensão dos corantes sintéticos no século 19, como a alizarina, mudaram o cenário. A indústria da cochonilha entrou em crise, e muitas fábricas fecharam: criar e triturar insetos aos milhões não era uma solução tão lucrativa ou escalável quanto usar pigmentos artificiais.


    O carmim de cochonilha só voltou a ser viável economicamente nas últimas décadas: embora tenha saído de cena nas artes, na construção civil e na indústria têxtil, ele ainda é uma opção biologicamente inofensiva para colorir comida e cosméticos, aprovada por agências de vigilância sanitária mundo afora. Aparece em iogurtes, balas e outras coisas sabor morango, bem como no bolo red velvet e em quase todo batom.


   No futuro, é possível que o corante passe a ser secretado por microrganismos geneticamente modificados, eliminando a preocupação dos veganos com a matança de artrópodes.



MOURÃO, M. Carmim de cochonilha: a história do pigmento feito de insetos moídos. Revista Superinteressante. (Adaptado). Disponível em

<https://super.abril.com.br/historia/carmim-de- cochonilha-a-historia-do-pigmento-feito-de-insetos- moidos>.

Considere o seguinte trecho: “Sua importância era tamanha que essa substância era negociada em bolsas de valores na Europa”. A relação de sentido que se estabelece entre as orações do período apresentado é:
Alternativas
Q3154122 Português

 Leia o texto a seguir para responder à questão.



Carmim de cochonilha: a história do pigmento feito de insetos moídos



      A palavra “vermelho” vem do latim vermiculus, que significa “verme”. O motivo é que, por muito tempo, um pigmento vermelho comum na Europa vinha de um inseto minúsculo de nome científico Kermes vermilio. Esse bichinho excreta um composto químico batizado de ácido quermésico, que já dava cor a roupas, cerâmicas e quadros em Roma. Civilizações antigas das Américas, como astecas e maias, eram fãs de um ácido colorido similar – o ácido carmínico, presente no inseto Dactylopius coccus, a cochonilha.


    No século 15, por exemplo, Montezuma, o imperador asteca, exigiu tributo na forma de cochonilha de onze cidades conquistadas. Até hoje, o Peru e o México estão entre os maiores produtores desse pigmento. Os insetos são criados em cactos, que eles adoram parasitar.


     Para obter meio quilo de pó de carmim, é necessário pulverizar 70 mil cochonilhas secas. Até 20% do corpo do inseto de 0,5 cm consiste nesse ácido de cor vibrante, mas elas pesam frações de grama cada uma. Não rende.


     O pó escarlate se tornaria um dos produtos mais importantes da balança comercial do México colonial: só não movimentava mais dinheiro que a prata. Sua importância era tamanha que essa substância era negociada em bolsas de valores na Europa – como soja e minério de ferro são hoje, por exemplo –, e foi essencial para que a Espanha se tornasse uma potência econômica.


   Essa commodity fez muito sucesso nos retratos e cenas cristãs dramáticas do barroco. Caravaggio, o pintor italiano, utilizava frequentemente sua tonalidade cor de sangue. Quando os tintureiros europeus começaram a experimentar com o pigmento americano em tecidos, ficaram deslumbrados com sua vivacidade e concentração: o vermelho era muito mais bonito que o gerado pelos insetos do Velho Mundo.


    A Revolução Industrial e a ascensão dos corantes sintéticos no século 19, como a alizarina, mudaram o cenário. A indústria da cochonilha entrou em crise, e muitas fábricas fecharam: criar e triturar insetos aos milhões não era uma solução tão lucrativa ou escalável quanto usar pigmentos artificiais.


    O carmim de cochonilha só voltou a ser viável economicamente nas últimas décadas: embora tenha saído de cena nas artes, na construção civil e na indústria têxtil, ele ainda é uma opção biologicamente inofensiva para colorir comida e cosméticos, aprovada por agências de vigilância sanitária mundo afora. Aparece em iogurtes, balas e outras coisas sabor morango, bem como no bolo red velvet e em quase todo batom.


   No futuro, é possível que o corante passe a ser secretado por microrganismos geneticamente modificados, eliminando a preocupação dos veganos com a matança de artrópodes.



MOURÃO, M. Carmim de cochonilha: a história do pigmento feito de insetos moídos. Revista Superinteressante. (Adaptado). Disponível em

<https://super.abril.com.br/historia/carmim-de- cochonilha-a-historia-do-pigmento-feito-de-insetos- moidos>.

Observe o excerto a seguir, com especial atenção às expressões em destaque:

“A palavra “vermelho” vem do latim vermiculus, que significa “verme”. O motivo é que, por muito tempo, um pigmento vermelho comum na Europa vinha de um inseto minúsculo de nome científico Kermes vermilio. Esse bichinho excreta um composto químico batizado de ácido quermésico [...]”.

Enquanto recursos de coesão textual, as expressões em destaque são empregadas para:
Alternativas
Respostas
29681: D
29682: A
29683: B
29684: D
29685: B
29686: C
29687: B
29688: E
29689: D
29690: B
29691: C
29692: A
29693: B
29694: B
29695: A
29696: C
29697: A
29698: C
29699: C
29700: C