Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
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TEXTO PARA AS QUESTÕES.
Quando tudo desmorona
Sacaste apenas un naipe / Pero era el que sostenía el castillo diz a abertura da canção Derrumbe, recém-lançada por Jorge Drexler. A música é de 2020 e tinha ficado de fora de Tinta y Tiempo, por ter sido considerada, inicialmente, muito triste e destoante do tom do álbum. Anos mais tarde, o uruguaio reconsiderou e decidiu inclui-la nos shows do final da turnê e, assim, foi parar nas plataformas de streaming. Assim que ouvi, fiquei viajando na poética da letra: um dos naipes tirados era justamente o que sustentava o castelo. O final de uma relação amorosa, a partir dos olhos dos protagonistas, é narrado fazendo analogia ao desmoronamento de uma casa. Achei bem lindo.
Drexler, ao falar da música, diz que “a vida também é feita dessas dores. Não consigo deixar de pensar que, de alguma forma, também fala de um mundo que vemos desmoronar diante de nossos olhos, afundado em conflitos que parecem não ter solução. Espero que vejamos dias melhores em breve”.
Tenho certeza que todo mundo já sentiu, em maior ou menor medida, o próprio mundo desabar. Talvez seja a melhor metáfora para as perdas sucessivas que acontecem lentamente à medida em que amadurecemos. E até estruturas mais sólidas, após abalos, tendem a sucumbir.
É exatamente como na poesia: a gente raramente sabe qual é a pecinha que sustenta, de fato, nossa construção inteira. Por outro lado, a gente consegue reconhecer quem nos ampara.
Na quinta-feira, no percurso entre a redação e minha casa, encontrei um amigo queridíssimo entrando no prédio onde mora. Viu que estava perto e parou para conversar: ficamos uns 20 ou 30 minutos filosofando, sentados na mureta da portaria dele, num edifício localizado no Centro da cidade.
Falávamos sobre pequenas gentilezas, sobre o dom dele elogiar as pessoas e ser reconhecido, despretensiosamente, por isso. Confessou que não conseguia invejar ninguém: tinha sido criado para servir. Lembrei-o que era mais do que isso: uma presença luminosa capaz de transformar o instante. Nos abraçamos e voltei para casa sorrindo pelo caminho.
A gente pode até não saber qual é o naipe que sustenta nosso castelo, mas sempre sabe com quem pode contar quando ele começar a desmoronar.
Autora: Tríssia Ordovás Sartori - GZH (adaptado)
TEXTO PARA AS QUESTÕES.
Quando tudo desmorona
Sacaste apenas un naipe / Pero era el que sostenía el castillo diz a abertura da canção Derrumbe, recém-lançada por Jorge Drexler. A música é de 2020 e tinha ficado de fora de Tinta y Tiempo, por ter sido considerada, inicialmente, muito triste e destoante do tom do álbum. Anos mais tarde, o uruguaio reconsiderou e decidiu inclui-la nos shows do final da turnê e, assim, foi parar nas plataformas de streaming. Assim que ouvi, fiquei viajando na poética da letra: um dos naipes tirados era justamente o que sustentava o castelo. O final de uma relação amorosa, a partir dos olhos dos protagonistas, é narrado fazendo analogia ao desmoronamento de uma casa. Achei bem lindo.
Drexler, ao falar da música, diz que “a vida também é feita dessas dores. Não consigo deixar de pensar que, de alguma forma, também fala de um mundo que vemos desmoronar diante de nossos olhos, afundado em conflitos que parecem não ter solução. Espero que vejamos dias melhores em breve”.
Tenho certeza que todo mundo já sentiu, em maior ou menor medida, o próprio mundo desabar. Talvez seja a melhor metáfora para as perdas sucessivas que acontecem lentamente à medida em que amadurecemos. E até estruturas mais sólidas, após abalos, tendem a sucumbir.
É exatamente como na poesia: a gente raramente sabe qual é a pecinha que sustenta, de fato, nossa construção inteira. Por outro lado, a gente consegue reconhecer quem nos ampara.
Na quinta-feira, no percurso entre a redação e minha casa, encontrei um amigo queridíssimo entrando no prédio onde mora. Viu que estava perto e parou para conversar: ficamos uns 20 ou 30 minutos filosofando, sentados na mureta da portaria dele, num edifício localizado no Centro da cidade.
Falávamos sobre pequenas gentilezas, sobre o dom dele elogiar as pessoas e ser reconhecido, despretensiosamente, por isso. Confessou que não conseguia invejar ninguém: tinha sido criado para servir. Lembrei-o que era mais do que isso: uma presença luminosa capaz de transformar o instante. Nos abraçamos e voltei para casa sorrindo pelo caminho.
A gente pode até não saber qual é o naipe que sustenta nosso castelo, mas sempre sabe com quem pode contar quando ele começar a desmoronar.
Autora: Tríssia Ordovás Sartori - GZH (adaptado)
“O filme poderia ser bom. Poderia até ser ótimo.”
Assinale a alternativa em que, unindo-se os dois períodos, um significado lógico é mantido no texto.
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 04 e, a seguir, responda à questão.
Texto 04

Disponível em: https://ditador.com/cecilia-meireles/. Acesso em: 12 abr. 2024. Adaptado.
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão.
Texto 01
A solidão amiga
Rubem Alves
A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão... O que mais você deseja é não estar em solidão...
Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música... Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa... Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão... A noite estava perdida [...].
Disponível em: https://www.pensador.com/rubemalvestextos/. Acesso em: 14 abr. 2024. Adaptado.
Analise as afirmativas, tendo em vista as ideias que se podem inferir do texto.
I- É um engano pensar que a tristeza advém do fato de se estar sozinho em casa.
II- A tristeza de quem está só advém da ideia de que os outros estão se divertindo.
III- Há pessoas que se divertem e fazem aquilo de que gostam mesmo estando sós.
IV- É necessário vencer a solidão buscando sair, encontrar os amigos e ir às festas.
V- A tristeza pode ser causada pelo que se imagina ser e não pelo que, de fato, é.
Estão CORRETAS as afirmativas



