Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3853138 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O inventário do invisível


Como desacelerar, fazer curadorias na vida e abrir espaço para um 2026 mais leve, consciente e fiel ao que realmente importa

2/12/2025


Outro dia olhei para o calendário de dezembro e comentei com a minha mãe: seu aniversário está chegando de novo! Mais um ano que voou. Será que, à medida que envelhecemos, o tempo passa mais rápido? Pelo menos do nosso ponto de vista, com certeza. Estamos com os pés mais firmes no chão, com o senso de urgência mais apurado e a consciência de que o tempo é o nosso bem mais precioso.

Talvez, essa sensação fique ainda mais exacerbada agora, com 2026 despontando no horizonte. Há euforia no ar, mas há também um cansaço silencioso. A gente chega na linha de chegada se arrastando, devendo horas de sono, carregando o peso de 12 meses nas costas.

Nessa época , todo mundo pergunta: "E aí, qual o balanço do ano?". A contabilidade tradicional quer saber o que você conquistou, quanto ganhou, quais metas bateu. Mas, na maturidade, a métrica muda. O que importa não é mais a produtividade. É a qualidade de tudo o que nos cerca.

Por isso, mudei minha pergunta. Em vez de listar o que fiz, estou tentando entender: o que me nutriu e o que me drenou?

Pense na virada de ano como uma mala de mão. Daquelas rígidas, de avião, que não esticam. A "mala de 2025" tem limite. Não dá para levar tudo.

Quando somos mais jovens, a gente quer acumular. Dizemos sim para tudo, com medo de ficar de fora. O famoso FOMO (Fear of missing). Mas a vida adulta traz uma sabedoria mais sutil: a arte da curadoria. E curadoria nada mais é do que escolher o que fica de fora para que o essencial possa ter espaço.

Só que fazer isso exige coragem. Dizer "não" ainda é uma coisa difícil para muitas pessoas. Fomos treinadas para agradar, para ser a "mulher maravilha" que dá conta de tudo. Mas a conta não fecha. Para o "sim" ter valor, ele precisa vir acompanhado de muitos "nãos".

Convido você a fazer esse inventário do invisível comigo. Olhe para 2025. Aquela relação que você mantém por hábito, mas que te deixa exaurida a cada café? Talvez ela não precise atravessar a fronteira do ano. Aquele compromisso que você aceita só por culpa? Deixe em 2025.

A verdadeira "nova alfabetização" da vida adulta, que tanto falamos por aqui, é aprender a ler o próprio corpo antes de ler a agenda. Espaço em branco no calendário não é falha. É luxo. É respiro.

Neste dezembro , que tal praticar junto com a gente uma revolução silenciosa? O JOMO (joy of missing out). Simplesmente se entregar à alegria de não ir, se der vontade de ficar em casa. De não estar em todas. De não precisar ter opinião sobre tudo.

Que a sua lista de resoluções seja curta. Rasgue os scripts que não servem mais. O futuro não pede que sejamos mais rápidas. Ele pede que sejamos mais inteiras. E, para estar inteira lá na frente, a gente precisa soltar o excesso de bagagem agora.

Um brinde ao espaço vazio. É só nele que o novo pode acontecer.


(Disponível em: https://vidasimples.co/colunista/o-inventario-do-invisivel/.Acesso em 11 dez. 2025. Adaptado.)
A partir da leitura do texto e da mobilização de conhecimentos prévios, analise as sentenças a seguir:

I.No final do ano, especialmente quando inicia dezembro, há uma certa cobrança ou expectativa alheia em relação a nosso balanço anual. Isso, em geral, é na perspectiva das conquistas, das metas alcançadas e não de outras possibilidades.
II.O texto apresenta duas perspectivas para o dizer "sim" para tudo: uma, na juventude, e outra, na vida adulta. Esta é alcançada à medida que a pessoa amadurece, torna-se mais sábia e aprende que é possível fazer escolhas.
III.No processo de escolher o que se abraça e para o que se diz "não", a pessoa precisa aprender a ler o próprio corpo e entender quando é o momento também de pausar e ter um descanso.

É correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q3853134 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O inventário do invisível


Como desacelerar, fazer curadorias na vida e abrir espaço para um 2026 mais leve, consciente e fiel ao que realmente importa

2/12/2025


Outro dia olhei para o calendário de dezembro e comentei com a minha mãe: seu aniversário está chegando de novo! Mais um ano que voou. Será que, à medida que envelhecemos, o tempo passa mais rápido? Pelo menos do nosso ponto de vista, com certeza. Estamos com os pés mais firmes no chão, com o senso de urgência mais apurado e a consciência de que o tempo é o nosso bem mais precioso.

Talvez, essa sensação fique ainda mais exacerbada agora, com 2026 despontando no horizonte. Há euforia no ar, mas há também um cansaço silencioso. A gente chega na linha de chegada se arrastando, devendo horas de sono, carregando o peso de 12 meses nas costas.

Nessa época , todo mundo pergunta: "E aí, qual o balanço do ano?". A contabilidade tradicional quer saber o que você conquistou, quanto ganhou, quais metas bateu. Mas, na maturidade, a métrica muda. O que importa não é mais a produtividade. É a qualidade de tudo o que nos cerca.

Por isso, mudei minha pergunta. Em vez de listar o que fiz, estou tentando entender: o que me nutriu e o que me drenou?

Pense na virada de ano como uma mala de mão. Daquelas rígidas, de avião, que não esticam. A "mala de 2025" tem limite. Não dá para levar tudo.

Quando somos mais jovens, a gente quer acumular. Dizemos sim para tudo, com medo de ficar de fora. O famoso FOMO (Fear of missing). Mas a vida adulta traz uma sabedoria mais sutil: a arte da curadoria. E curadoria nada mais é do que escolher o que fica de fora para que o essencial possa ter espaço.

Só que fazer isso exige coragem. Dizer "não" ainda é uma coisa difícil para muitas pessoas. Fomos treinadas para agradar, para ser a "mulher maravilha" que dá conta de tudo. Mas a conta não fecha. Para o "sim" ter valor, ele precisa vir acompanhado de muitos "nãos".

Convido você a fazer esse inventário do invisível comigo. Olhe para 2025. Aquela relação que você mantém por hábito, mas que te deixa exaurida a cada café? Talvez ela não precise atravessar a fronteira do ano. Aquele compromisso que você aceita só por culpa? Deixe em 2025.

A verdadeira "nova alfabetização" da vida adulta, que tanto falamos por aqui, é aprender a ler o próprio corpo antes de ler a agenda. Espaço em branco no calendário não é falha. É luxo. É respiro.

Neste dezembro , que tal praticar junto com a gente uma revolução silenciosa? O JOMO (joy of missing out). Simplesmente se entregar à alegria de não ir, se der vontade de ficar em casa. De não estar em todas. De não precisar ter opinião sobre tudo.

Que a sua lista de resoluções seja curta. Rasgue os scripts que não servem mais. O futuro não pede que sejamos mais rápidas. Ele pede que sejamos mais inteiras. E, para estar inteira lá na frente, a gente precisa soltar o excesso de bagagem agora.

Um brinde ao espaço vazio. É só nele que o novo pode acontecer.


(Disponível em: https://vidasimples.co/colunista/o-inventario-do-invisivel/.Acesso em 11 dez. 2025. Adaptado.)
As palavras têm um ou mais significados, reconhecidos pelos estudiosos da língua. Esses significados podem ser sinônimos, mas nunca absolutos porque o sentido depende do contexto em que as palavras aparecem, das circunstâncias internas e externas ao texto.
Analise os dois excertos a seguir à luz do contexto geral em que foram postos e de seus conhecimentos:
"Talvez, essa sensação fique ainda mais exacerbada agora, com 2026 despontando no horizonte."
"Aquela relação que você mantém por hábito, mas que te deixa exaurida a cada café?"
As palavras destacadas são dois adjetivos com sentidos distintos. Considerando o sentido de cada um no contexto, analise as sentenças:

I.No primeiro excerto, a palavra "exacerbada" pode ser substituída por "intensa ou agravada", mantendo o sentido.
II.Apesar de "violenta" ser um sentido possível de "exacerbada", nesse contexto, ela compromete o sentido.
III.A palavra "exaurida" significa "esgotada, consumida, exausta". Qualquer uma dessas palavras manteria o sentido do texto.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3852714 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se referem.

Texto 01


O tempo que escolhemos não usar



    Sim, nós ganhamos superpoderes. A tecnologia nos deu velocidade, informação, alcance. Mas o que fizemos com isso? Aprendemos a nos esconder melhor. Aprendemos a chamar distração de produtividade, e improviso de prioridade. Nos tornamos mestres em justificar. Em dizer que estamos no caminho, mesmo quando estamos parados. Ou andando em círculos.

    Estamos, talvez, desperdiçando o recurso mais caro do Universo, o tempo. E o mais cruel é que sabemos disso. Sabemos que ele não volta, não pausa, não tem desconto. E, mesmo assim, trocamos o essencial pelo urgente, o profundo pelo superficial, o compromisso pelo pretexto. A produtividade virou uma ilusão vestida de reunião. A entrega, uma promessa adiada com emojis e áudios de dois minutos. Enquanto isso, do outro lado do mundo, há alguém obcecado em fazer melhor. Mais rápido. Mais barato. Mais consistente.

    E nós? Nos agarramos à ideia confortável de que somos únicos. De que temos valor só por existir. De que nossa utilidade é eterna.

    Mas a conta chega. E dói. A angústia se acumula quando percebemos que, na soma dos dias, entregamos muito menos do que prometemos. Esse ano seria diferente. Mas não foi. Segunda começamos. Terça desistimos. Quarta apareceu uma urgência. Quinta, um convite. Sexta já era. E assim seguimos, adiando nossos próprios sonhos, sabotando as conquistas que fingimos perseguir.

    A pergunta que fica tem o reflexo claro de um espelho limpo: quem estamos enganando?

    Os outros, talvez. Nós mesmos, certamente. E os nossos sonhos? Estão mais perto ou mais distantes depois de mais um dia perdido resolvendo o probleminha de alguém. Até quando? Até quando vamos usar nossos superpoderes para fugir em vez de transformar?

    Aproveite seu dia. Esse é um tempo que nem o Super-Homem, girando a Terra no sentido contrário, poderá recuperar. Pelo menos para você.



Fonte: MARCELINO, Marco. O tempo que escolhemos não usar. Disponível em: https://vocesa.abril.com.br/coluna/marco-marcelino/. Acesso em: 17 set. 2025.

Analise os itens a seguir, tendo em vista os recursos linguísticos usados na construção do texto.



I- coloquialidade.


II- conotatividade.


III- denotatividade.


IV- função fática.


V- função emotiva.



Estão CORRETOS os itens

Alternativas
Q3852712 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se referem.

Texto 01


O tempo que escolhemos não usar



    Sim, nós ganhamos superpoderes. A tecnologia nos deu velocidade, informação, alcance. Mas o que fizemos com isso? Aprendemos a nos esconder melhor. Aprendemos a chamar distração de produtividade, e improviso de prioridade. Nos tornamos mestres em justificar. Em dizer que estamos no caminho, mesmo quando estamos parados. Ou andando em círculos.

    Estamos, talvez, desperdiçando o recurso mais caro do Universo, o tempo. E o mais cruel é que sabemos disso. Sabemos que ele não volta, não pausa, não tem desconto. E, mesmo assim, trocamos o essencial pelo urgente, o profundo pelo superficial, o compromisso pelo pretexto. A produtividade virou uma ilusão vestida de reunião. A entrega, uma promessa adiada com emojis e áudios de dois minutos. Enquanto isso, do outro lado do mundo, há alguém obcecado em fazer melhor. Mais rápido. Mais barato. Mais consistente.

    E nós? Nos agarramos à ideia confortável de que somos únicos. De que temos valor só por existir. De que nossa utilidade é eterna.

    Mas a conta chega. E dói. A angústia se acumula quando percebemos que, na soma dos dias, entregamos muito menos do que prometemos. Esse ano seria diferente. Mas não foi. Segunda começamos. Terça desistimos. Quarta apareceu uma urgência. Quinta, um convite. Sexta já era. E assim seguimos, adiando nossos próprios sonhos, sabotando as conquistas que fingimos perseguir.

    A pergunta que fica tem o reflexo claro de um espelho limpo: quem estamos enganando?

    Os outros, talvez. Nós mesmos, certamente. E os nossos sonhos? Estão mais perto ou mais distantes depois de mais um dia perdido resolvendo o probleminha de alguém. Até quando? Até quando vamos usar nossos superpoderes para fugir em vez de transformar?

    Aproveite seu dia. Esse é um tempo que nem o Super-Homem, girando a Terra no sentido contrário, poderá recuperar. Pelo menos para você.



Fonte: MARCELINO, Marco. O tempo que escolhemos não usar. Disponível em: https://vocesa.abril.com.br/coluna/marco-marcelino/. Acesso em: 17 set. 2025.

Analise as afirmativas a seguir tendo em vista as ideias veiculadas pelo texto.



I- A tecnologia está sendo apropriadamente usada para proporcionar economia de tempo.


II- A tecnologia vem sendo inapropriadamente usada como distração e desperdício de tempo.


III- O tempo, recurso precioso, está sendo desperdiçado, inconscientemente, pelas pessoas.


IV- A baixa produtividade, causada pela frequente procrastinação, é geradora de sofrimento.


V- O desperdício de tempo faz com que os sonhos de vida fiquem cada vez mais distantes.



Estão CORRETAS apenas as afirmativas

Alternativas
Q3851030 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


[...]


Para quem deseja ampliar ainda mais essa vibração, Márcia recomenda combinar o vermelho com dourado. A união intensifica a energia de prosperidade, honra, reconhecimento e oportunidades financeiras.


No entanto, nem só de tons intensos vive a virada. Márcia explica que azuis suaves também podem ser usados por quem busca proteção energética com mais tranquilidade. "Esses tons funcionam como um escudo vibracional contra conflitos, equilibram a impulsividade de Marte e trazem serenidade ao novo ciclo", ensina.


Por outro lado, algumas cores devem ser evitadas. Cinza opaco e marrom escuro podem bloquear a força de iniciativa e gerar sensação de estagnação. "Ou seja, movimentos contrários ao ano de Marte, que pede ação, impulso e movimento", finaliza Márcia.


(Disponível em: https://www.uol.com.br/universa/horoscopo/noticias/redacao/2025/12/09/marte-rege-2026-marcia-sensitiva-explica-qual-cor-usar-no-ano-novo. htm. Acesso em 09 dez. 2025. Adaptado.)

Um dos recursos para dar conexão entre ideias é o uso das chamadas partículas, locuções ou expressões de transição, as quais permitem encadear de maneira coerente vários enunciados, criando sentidos. No texto, há o uso da expressão "por outro lado". A respeito dela, analise as sentenças a seguir:



I.A expressão foi usada equivocadamente, pois ela prevê, anteriormente, seu par "de um lado". Desse modo, a ideia construída no texto ficou incompleta.


II.O sentido que essa expressão cria no texto é de adição ou de continuação, possibilitando a coesão sequencial.


III.A expressão poderia ser substituída por "de outro ponto de vista" ou "sob outra perspectiva", mantendo o encadeamento das ideias e o sentido dado pela autora do texto.



É correto o que se afirma em:

Alternativas
Q3851029 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O impacto das fake news na saúde de populações vulneráveis


A desinformação na saúde segue matando, afastando populações vulneráveis do cuidado e transformando a mentira em ferramenta política.


A disseminação de informações falsas sobre saúde representa uma das ameaças mais urgentes à saúde pública dos dias atuais, especialmente quando pensamos nos grupos marginalizados que já enfrentam barreiras no acesso aos serviços de qualidade.


É a partir desse recorte que estamos enxergando que a desinformação na área médica não é apenas um problema digital abstrato: ela mata, adoece e aprofunda desigualdades históricas.


E, infelizmente, comunidades com menor letramento digital tornam-se alvos preferenciais de narrativas enganosas sobre curas milagrosas, teorias conspiratórias e campanhas antivacina, por exemplo. [...] A desinformação se transformou em arma política − e seus efeitos já se refletem diretamente na saúde coletiva.


É preciso entender o impacto das fake news na saúde dessas comunidades e porque é fundamental construir estratégias efetivas de proteção coletiva. [...]


O impacto das fake news na saúde pública


Dados já comprovaram que o celular é mais democrático do que o acesso à saúde pública. Aliado a isso, moradores de periferias urbanas e áreas rurais remotas frequentemente carecem de acesso regular a profissionais de saúde qualificados, dependendo de agentes comunitários e da internet como fontes primárias de orientação médica.


É assim que fake news acabam se infiltrando nesses canais informais e o resultado se torna verdadeiramente devastador: desde a interrupção de tratamentos essenciais até a adesão a protocolos perigosos que prometem curas rápidas para doenças crônicas.


O sistema de saúde pública brasileiro, já sobrecarregado por demandas estruturais, vê seus esforços sabotados por campanhas de desinformação coordenadas. A queda nas taxas de vacinação infantil, por exemplo, está diretamente relacionada à proliferação de mentiras sobre supostos efeitos colaterais de imunizantes.


Comunidades indígenas, quilombolas e habitantes de favelas tornam-se particularmente vulneráveis quando informações falsas circulam em grupos fechados de WhatsApp e Telegram.


A expansão da telemedicina, embora promissora para reduzir desigualdades regionais, também cria novos vetores para a desinformação. Consultas on-line sem regulamentação adequada permitem que profissionais sem qualificação ou com intenções duvidosas prescrevam tratamentos ineficazes.


No Nordeste brasileiro, onde há maiores índices de desigualdade socioeconômica e menores níveis médios de escolaridade, pacientes em situação de vulnerabilidade tendem a ter mais dificuldade em checar informações de saúde.


Algo que, na prática, os torna mais vulneráveis a acreditar em conteúdos enganosos ou em falsos especialistas nas redes. [...]


(Disponível em: https://iclnoticias.com.br/conhecimento/fake-news-na-saude/. Acesso em: 08 dez. 2025. Adaptado.)

As palavras não têm sentido único e o sentido será dado pelo contexto em que as palavras atuam. Além disso, não há sinônimo absoluto. É o que acontece com as palavras "proliferação", "colaterais" e "imunizantes" no excerto a seguir:


"A queda nas taxas de vacinação infantil, por exemplo, está diretamente relacionada à proliferação de mentiras sobre supostos efeitos colaterais de imunizantes."


Tendo isso em consideração, analise as sentenças a seguir:



I."Proliferação", no excerto, tem o sentido de "gerar prole".


II."Colaterais", apesar de significar "aquilo que está lado a lado, em posição paralela", no excerto, seu sentido é de "aquilo que vai além do esperado".


III.A palavra "imunizante", no excerto, tem sentido literal: aquilo que torna imune ou torna refratário a (agentes patogênicos, moléstias).



É correto o que se afirma em:

Alternativas
Q3851026 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O impacto das fake news na saúde de populações vulneráveis


A desinformação na saúde segue matando, afastando populações vulneráveis do cuidado e transformando a mentira em ferramenta política.


A disseminação de informações falsas sobre saúde representa uma das ameaças mais urgentes à saúde pública dos dias atuais, especialmente quando pensamos nos grupos marginalizados que já enfrentam barreiras no acesso aos serviços de qualidade.


É a partir desse recorte que estamos enxergando que a desinformação na área médica não é apenas um problema digital abstrato: ela mata, adoece e aprofunda desigualdades históricas.


E, infelizmente, comunidades com menor letramento digital tornam-se alvos preferenciais de narrativas enganosas sobre curas milagrosas, teorias conspiratórias e campanhas antivacina, por exemplo. [...] A desinformação se transformou em arma política − e seus efeitos já se refletem diretamente na saúde coletiva.


É preciso entender o impacto das fake news na saúde dessas comunidades e porque é fundamental construir estratégias efetivas de proteção coletiva. [...]


O impacto das fake news na saúde pública


Dados já comprovaram que o celular é mais democrático do que o acesso à saúde pública. Aliado a isso, moradores de periferias urbanas e áreas rurais remotas frequentemente carecem de acesso regular a profissionais de saúde qualificados, dependendo de agentes comunitários e da internet como fontes primárias de orientação médica.


É assim que fake news acabam se infiltrando nesses canais informais e o resultado se torna verdadeiramente devastador: desde a interrupção de tratamentos essenciais até a adesão a protocolos perigosos que prometem curas rápidas para doenças crônicas.


O sistema de saúde pública brasileiro, já sobrecarregado por demandas estruturais, vê seus esforços sabotados por campanhas de desinformação coordenadas. A queda nas taxas de vacinação infantil, por exemplo, está diretamente relacionada à proliferação de mentiras sobre supostos efeitos colaterais de imunizantes.


Comunidades indígenas, quilombolas e habitantes de favelas tornam-se particularmente vulneráveis quando informações falsas circulam em grupos fechados de WhatsApp e Telegram.


A expansão da telemedicina, embora promissora para reduzir desigualdades regionais, também cria novos vetores para a desinformação. Consultas on-line sem regulamentação adequada permitem que profissionais sem qualificação ou com intenções duvidosas prescrevam tratamentos ineficazes.


No Nordeste brasileiro, onde há maiores índices de desigualdade socioeconômica e menores níveis médios de escolaridade, pacientes em situação de vulnerabilidade tendem a ter mais dificuldade em checar informações de saúde.


Algo que, na prática, os torna mais vulneráveis a acreditar em conteúdos enganosos ou em falsos especialistas nas redes. [...]


(Disponível em: https://iclnoticias.com.br/conhecimento/fake-news-na-saude/. Acesso em: 08 dez. 2025. Adaptado.)

Para a boa leitura e interpretação de um texto, não basta ao leitor decodificar as palavras ou ler apenas o texto escrito. Ele precisa mobilizar conhecimentos prévios para fazer leituras que não estão explícitas nas linhas do texto, a partir de reflexões sobre situações anteriores em que teve contato com os temas ali tratados. Tendo isso em consideração, analise as sentenças a seguir:



I.A parcela da população mais suscetível a ser enganada pelas informações falsas sobre saúde é a população com menor educação digital. Isso agrava pelo fato de que o acesso ao celular é mais democrático do que o acesso à saúde.


II.A discussão no texto possibilita ao leitor inferir que há uma relação entre a falta de investimento em saúde pública, o que prejudica, por exemplo, o acesso regular a profissionais de saúde, e o acesso às informações falsas.


III.Por causa de informações falsas, divulgadas nos grupos de redes sociais virtuais por exemplo, pessoas interrompem tratamentos e adotam práticas perigosas, inclusive, no que se refere à não vacinação.



É correto o que se afirma em:

Alternativas
Q3851024 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O impacto das fake news na saúde de populações vulneráveis


A desinformação na saúde segue matando, afastando populações vulneráveis do cuidado e transformando a mentira em ferramenta política.


A disseminação de informações falsas sobre saúde representa uma das ameaças mais urgentes à saúde pública dos dias atuais, especialmente quando pensamos nos grupos marginalizados que já enfrentam barreiras no acesso aos serviços de qualidade.


É a partir desse recorte que estamos enxergando que a desinformação na área médica não é apenas um problema digital abstrato: ela mata, adoece e aprofunda desigualdades históricas.


E, infelizmente, comunidades com menor letramento digital tornam-se alvos preferenciais de narrativas enganosas sobre curas milagrosas, teorias conspiratórias e campanhas antivacina, por exemplo. [...] A desinformação se transformou em arma política − e seus efeitos já se refletem diretamente na saúde coletiva.


É preciso entender o impacto das fake news na saúde dessas comunidades e porque é fundamental construir estratégias efetivas de proteção coletiva. [...]


O impacto das fake news na saúde pública


Dados já comprovaram que o celular é mais democrático do que o acesso à saúde pública. Aliado a isso, moradores de periferias urbanas e áreas rurais remotas frequentemente carecem de acesso regular a profissionais de saúde qualificados, dependendo de agentes comunitários e da internet como fontes primárias de orientação médica.


É assim que fake news acabam se infiltrando nesses canais informais e o resultado se torna verdadeiramente devastador: desde a interrupção de tratamentos essenciais até a adesão a protocolos perigosos que prometem curas rápidas para doenças crônicas.


O sistema de saúde pública brasileiro, já sobrecarregado por demandas estruturais, vê seus esforços sabotados por campanhas de desinformação coordenadas. A queda nas taxas de vacinação infantil, por exemplo, está diretamente relacionada à proliferação de mentiras sobre supostos efeitos colaterais de imunizantes.


Comunidades indígenas, quilombolas e habitantes de favelas tornam-se particularmente vulneráveis quando informações falsas circulam em grupos fechados de WhatsApp e Telegram.


A expansão da telemedicina, embora promissora para reduzir desigualdades regionais, também cria novos vetores para a desinformação. Consultas on-line sem regulamentação adequada permitem que profissionais sem qualificação ou com intenções duvidosas prescrevam tratamentos ineficazes.


No Nordeste brasileiro, onde há maiores índices de desigualdade socioeconômica e menores níveis médios de escolaridade, pacientes em situação de vulnerabilidade tendem a ter mais dificuldade em checar informações de saúde.


Algo que, na prática, os torna mais vulneráveis a acreditar em conteúdos enganosos ou em falsos especialistas nas redes. [...]


(Disponível em: https://iclnoticias.com.br/conhecimento/fake-news-na-saude/. Acesso em: 08 dez. 2025. Adaptado.)

A respeito do texto, analise as sentenças a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:



(__)O texto faz um recorte temático para desenvolver sua discussão: o impacto da disseminação de informações falsas na saúde de populações marginalizadas, mais vulneráveis.


(__)O texto apresenta um tom mais impessoal, característico de textos que não são, prioritariamente, opinativos. Uma das marcas dessa impessoalidade está na escolha por usar a 3ª pessoa ao invés da 1ª. No texto, apesar de haver dois verbos em 1ª pessoa do plural (1º e 2º parágrafos), o que predomina é a 3ª pessoa, tornando o texto mais impessoal.


(__)Ao optar por colocar um subtítulo no texto, o(a) autor(a) tem como objetivo ampliar o foco do texto, melhorando a percepção que o leitor tem sobre o conteúdo que será trabalhado. O subtítulo do texto em análise cumpre esse objetivo.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:

Alternativas
Q3850991 Português
Segundo Bakhtin e o Círculo, todo enunciado é constituído pela relação com outros enunciados e pela presença do outro na linguagem. Assim, a produção de sentido depende da interação social, da posição do sujeito na situação comunicativa e da circulação de vozes sociais no discurso. A linguagem, portanto, nunca é neutra nem individual, pois se constrói sempre na tensão entre diferentes perspectivas, discursos e respostas possíveis.
Com base nessa concepção, é correto afirmar que
Alternativas
Q3850987 Português

Leia o poema abaixo, de Manuel Bandeira, integrante da poesia modernista brasileira.


TEXTO II


Poema tirado de uma notícia de jornal [Manuel Bandeira]


João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão [sem número

Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

Bebeu

Cantou

Dançou

Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.


[Libertinagem, 1930]

No poema “Poema tirado de uma notícia de jornal”, Manuel Bandeira transforma uma informação cotidiana — a morte de João Gostoso — em uma experiência estética marcada pela seleção precisa de palavras, pelo ritmo fragmentado e pela economia linguística. Observe especialmente a sequência de versos curtos: “Bebeu / Cantou / Dançou”.
Considerando a dimensão estética da linguagem, esse recurso estilístico contribui para: 
Alternativas
Q3850986 Português

Leia o poema abaixo, de Manuel Bandeira, integrante da poesia modernista brasileira.


TEXTO II


Poema tirado de uma notícia de jornal [Manuel Bandeira]


João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão [sem número

Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

Bebeu

Cantou

Dançou

Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.


[Libertinagem, 1930]

Considerando as características estéticas presentes no poema e os traços do Modernismo brasileiro, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3850984 Português
TEXTO I

Sem enfeite nenhum


    A mãe era desse jeito: só ia em missa das cinco, por causa de os gatos no escuro serem pardos. Cinema, só uma vez, quando passou Os Milagres do padre Antônio em Urucânia. Desde aí, falava sempre, excitada nos olhos, apressada no cacoete dela de enrolar um cacho de cabelo: se eu fosse lá, quem sabe?


    Sofria palpitação e tonteira, lembro dela caindo na beira do tanque, o vulto dobrado em arco, gente afobada em volta, cheiro de alcanfor.


    Quando comecei a empinar as blusas com o estufadinho dos peitos, o pai chegou pra almoçar, estudando terreno, e anunciou com a voz que fazia nessas ocasiões, meio saliente: companheiro meu tá vendendo um relogim que é uma gracinha, pulseirinha de crom’, danado de bom pra do Carmo. Ela foi logo emendando: tristeza, relógio de pulso e vestido de bolér. Nem bolero ela falou direito de tanta antipatia. Foi água na fervura minha e do pai. Vivia repetindo que era graça de Deus se a gente fosse tudo pra um convento e várias vezes por dia era isto: meu Jesus, misericórdia… A senhora tá triste, mãe? eu falava. Não, tou só pedindo a Deus pra ter dó de nós.


    Tinha muito medo da morte repentina e pra se livrar dela, fazia as nove primeiras sextas-feiras, emendadas. De defunto não tinha medo, só de gente viva, conforme dizia. Agora, da perdição eterna, tinha horror, pra ela e pros outros.


    Quando a Ricardina começou a morrer, no beco atrás da nossa casa, ela me chamou com a voz alterada: vai lá, a Ricardina tá morrendo, coitada, que Deus perdoe ela, corre lá, quem sabe ainda dá tempo de chamar o padre, falava de arranco, querendo chorar, apavorada: que Deus perdoe ela, ficou falando sem coragem de aluir do lugar.


    Mas a Ricardina era de impressionar mesmo, imagina que falou pra mãe, uma vez, que não podia ver nem cueca de homem que ela ficava doida. Foi mais por isso que ela ficou daquele jeito, rezando pra salvação da alma da Ricardina.


    Era a mulher mais difícil a mãe. Difícil, assim, de ser agradada. Gostava que eu tirasse só dez e primeiro lugar. Pra essas coisas não poupava, era pasta de primeira, caixa com doze lápis e uniforme mandado plissar. Acho mesmo que meia razão ela teve no caso do relógio, luxo bobo, pra quem só tinha um vestido de sair.


    Rodeava a gente estudar e um dia falou abrupto, por causa do esforço de vencer a vergonha: me dá seus lápis de cor. Foi falando e colorindo laranjado, uma rosa geométrica: cê põe muita força no lápis, se eu tivesse seu tempo, ninguém na escola me passava, inteligência não é estudar, por exemplo falar você em vez de cê, é tão mais bonito, é só acostumar. Quando o coração da gente dispara e a gente fala cortado, era desse jeito que tava a voz da mãe.


    Achava estudo a coisa mais fina e inteligente era mesmo, demais até, pensava com a maior rapidez. Gostava de ler de noite, em voz alta, com tia Santa, os livros da Pia Biblioteca, e de um não esqueci, pois ela insistia com gosto no título dele, em latim: Máguina pecatrís. Falava era entusiasmo e nunca tive coragem de corrigir, porque toda vez que tava muito alegre, feito naquela hora, desenhando, feito no dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou: coitado, até essa hora no serviço pesado.


    Não estava gostando nem um pouquinho do desenho, mas nem que eu falava. Com tanta satisfação ela passava o lápis, que eu fiquei foi aflita, como sempre que uma coisa boa acontecia. Bom também era ver ela passando creme Marsílea no rosto e Antissardina nº 3, se sacudindo de rir depois, com a cara toda empolada. Sua mãe é bonita, me falaram na escola. E era mesmo, o olho meio verde.

    

    Tinha um vestido de seda branco e preto e um mantô cinzentado que ela gostava demais. Dia ruim foi quando o pai entestou de dar um par de sapato pra ela. Foi três vezes na loja e ela botando defeito, achando o modelo jeca, a cor regalada, achando aquilo uma desgraça e que o pai tinha era umas bobagens. Foi até ele enfezar e arrebentar com o trem, de tanta raiva e mágoa.


    Mas sapato é sapato, pior foi com o crucifixo. O pai, voltando de cumprir promessa em Congonhas do Campo, trouxe de presente pra ela um crucifixo torneadinho, o cordão de pendurar, com bambolim nas pontas, a maior gracinha. Ela desembrulhou e falou assim: bonito, mas eu preferia mais se fosse uma cruz simples, sem enfeite nenhum.


    Morreu sem fazer trinta e cinco anos, da morte mais agoniada, encomendando com a maior coragem: a oração dos agonizantes, reza aí pra mim, gente.


    Fiquei hipnotizada, olhando a mãe. Já no caixão, tinha a cara severa de quem sente dor forte, igualzinho no dia que o João Antônio nasceu. Entrei no quarto querendo festejar e falei sem graça: a cara da senhora, parece que tá com raiva, mãe.


O Senhor te abençoe e te guarde,


Volva a ti o Seu Rosto e se compadeça de ti,


O Senhor te dê a Paz.


    Esta é a bênção de São Francisco, que foi abrandando o rosto dela, descansando, descansando, até como ficou, quase entusiasmado.


    Era raiva não. Era marca de dor.


Adélia Prado 


Fonte: Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, organizado por Ítalo Moriconi, Editora Objetiva

No 5º parágrafo do texto, ao narrar a situação em que a mãe, aflita, diz:
“vai lá, a Ricardina tá morrendo, coitada, que Deus perdoe ela, corre lá, quem sabe ainda dá tempo de chamar o padre”, considerando a perspectiva de Bakhtin (1992) sobre a linguagem como interação entre enunciador e receptor, a função comunicativa desse trecho é: 
Alternativas
Q3850983 Português
TEXTO I

Sem enfeite nenhum


    A mãe era desse jeito: só ia em missa das cinco, por causa de os gatos no escuro serem pardos. Cinema, só uma vez, quando passou Os Milagres do padre Antônio em Urucânia. Desde aí, falava sempre, excitada nos olhos, apressada no cacoete dela de enrolar um cacho de cabelo: se eu fosse lá, quem sabe?


    Sofria palpitação e tonteira, lembro dela caindo na beira do tanque, o vulto dobrado em arco, gente afobada em volta, cheiro de alcanfor.


    Quando comecei a empinar as blusas com o estufadinho dos peitos, o pai chegou pra almoçar, estudando terreno, e anunciou com a voz que fazia nessas ocasiões, meio saliente: companheiro meu tá vendendo um relogim que é uma gracinha, pulseirinha de crom’, danado de bom pra do Carmo. Ela foi logo emendando: tristeza, relógio de pulso e vestido de bolér. Nem bolero ela falou direito de tanta antipatia. Foi água na fervura minha e do pai. Vivia repetindo que era graça de Deus se a gente fosse tudo pra um convento e várias vezes por dia era isto: meu Jesus, misericórdia… A senhora tá triste, mãe? eu falava. Não, tou só pedindo a Deus pra ter dó de nós.


    Tinha muito medo da morte repentina e pra se livrar dela, fazia as nove primeiras sextas-feiras, emendadas. De defunto não tinha medo, só de gente viva, conforme dizia. Agora, da perdição eterna, tinha horror, pra ela e pros outros.


    Quando a Ricardina começou a morrer, no beco atrás da nossa casa, ela me chamou com a voz alterada: vai lá, a Ricardina tá morrendo, coitada, que Deus perdoe ela, corre lá, quem sabe ainda dá tempo de chamar o padre, falava de arranco, querendo chorar, apavorada: que Deus perdoe ela, ficou falando sem coragem de aluir do lugar.


    Mas a Ricardina era de impressionar mesmo, imagina que falou pra mãe, uma vez, que não podia ver nem cueca de homem que ela ficava doida. Foi mais por isso que ela ficou daquele jeito, rezando pra salvação da alma da Ricardina.


    Era a mulher mais difícil a mãe. Difícil, assim, de ser agradada. Gostava que eu tirasse só dez e primeiro lugar. Pra essas coisas não poupava, era pasta de primeira, caixa com doze lápis e uniforme mandado plissar. Acho mesmo que meia razão ela teve no caso do relógio, luxo bobo, pra quem só tinha um vestido de sair.


    Rodeava a gente estudar e um dia falou abrupto, por causa do esforço de vencer a vergonha: me dá seus lápis de cor. Foi falando e colorindo laranjado, uma rosa geométrica: cê põe muita força no lápis, se eu tivesse seu tempo, ninguém na escola me passava, inteligência não é estudar, por exemplo falar você em vez de cê, é tão mais bonito, é só acostumar. Quando o coração da gente dispara e a gente fala cortado, era desse jeito que tava a voz da mãe.


    Achava estudo a coisa mais fina e inteligente era mesmo, demais até, pensava com a maior rapidez. Gostava de ler de noite, em voz alta, com tia Santa, os livros da Pia Biblioteca, e de um não esqueci, pois ela insistia com gosto no título dele, em latim: Máguina pecatrís. Falava era entusiasmo e nunca tive coragem de corrigir, porque toda vez que tava muito alegre, feito naquela hora, desenhando, feito no dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou: coitado, até essa hora no serviço pesado.


    Não estava gostando nem um pouquinho do desenho, mas nem que eu falava. Com tanta satisfação ela passava o lápis, que eu fiquei foi aflita, como sempre que uma coisa boa acontecia. Bom também era ver ela passando creme Marsílea no rosto e Antissardina nº 3, se sacudindo de rir depois, com a cara toda empolada. Sua mãe é bonita, me falaram na escola. E era mesmo, o olho meio verde.

    

    Tinha um vestido de seda branco e preto e um mantô cinzentado que ela gostava demais. Dia ruim foi quando o pai entestou de dar um par de sapato pra ela. Foi três vezes na loja e ela botando defeito, achando o modelo jeca, a cor regalada, achando aquilo uma desgraça e que o pai tinha era umas bobagens. Foi até ele enfezar e arrebentar com o trem, de tanta raiva e mágoa.


    Mas sapato é sapato, pior foi com o crucifixo. O pai, voltando de cumprir promessa em Congonhas do Campo, trouxe de presente pra ela um crucifixo torneadinho, o cordão de pendurar, com bambolim nas pontas, a maior gracinha. Ela desembrulhou e falou assim: bonito, mas eu preferia mais se fosse uma cruz simples, sem enfeite nenhum.


    Morreu sem fazer trinta e cinco anos, da morte mais agoniada, encomendando com a maior coragem: a oração dos agonizantes, reza aí pra mim, gente.


    Fiquei hipnotizada, olhando a mãe. Já no caixão, tinha a cara severa de quem sente dor forte, igualzinho no dia que o João Antônio nasceu. Entrei no quarto querendo festejar e falei sem graça: a cara da senhora, parece que tá com raiva, mãe.


O Senhor te abençoe e te guarde,


Volva a ti o Seu Rosto e se compadeça de ti,


O Senhor te dê a Paz.


    Esta é a bênção de São Francisco, que foi abrandando o rosto dela, descansando, descansando, até como ficou, quase entusiasmado.


    Era raiva não. Era marca de dor.


Adélia Prado 


Fonte: Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, organizado por Ítalo Moriconi, Editora Objetiva

No trecho do 7º parágrafo do texto:
“Era a mulher mais difícil a mãe. Difícil, assim, de ser agradada.”, a repetição da palavra “difícil” funciona como mecanismo de coesão que: 
Alternativas
Q3849275 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.


Jovens veem conhecimento em IA como diferencial para emprego


    Pesquisa divulgada nessa quarta-feira (3) mostra que 80% dos jovens acreditam que o conhecimento sobre Inteligência Artificial (IA) é fator impactante para conseguir emprego. O levantamento, feito pela Nexus e pela Demà, ouviu 2.016 pessoas, de 14 a 29 anos, nas 27 unidades da federação, entre 14 e 20 de julho. A margem de erro da amostra é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.


    A pesquisa indicou ainda que 11% dos jovens avaliam que o conhecimento em IA não faz diferença para a obtenção do emprego, 3% acham que seja até prejudicial e 2% não souberam responder.


    Quando se avalia a utilização das ferramentas de IA, 69% dos jovens acham que elas podem ajudar no processo de aprendizagem, enquanto 24% acreditam que podem prejudicar e 7% não sabem ou não souberam responder.


    Segundo a pesquisa, 83% utilizam IA para fazer pesquisas gerais ou acadêmicas; 71% acreditam que o recurso ajuda no dever de casa, em trabalhos e estudos para provas de escolas, das faculdades, universidades ou do ensino técnico. Já 70% usam IA para traduzir textos e 67%, para resumir ou corrigir publicações.


    De acordo com o levantamento, 66% dos jovens utilizam a IA para gerar novas ideias em alguma atividade, 63% criam imagens; 62% usam para escrever novos textos e 52% usam para preparar apresentações ou relatórios.


    “É muito representativo que pelo menos metade dos entrevistados confirme que usa IA de alguma forma. Sem dúvida, a Inteligência Artificial é um agente facilitador das nossas demandas diárias um aliado da eficiência e produtividade. São percepções claramente refletidas nessa pesquisa, que mostra, por exemplo, que a grande maioria dos adolescentes utiliza para ajudar no dever de casa. IA veio para ficar e transformar as nossas jornadas, principalmente, as de aprendizado”, destacou o diretor da Demà, Juan Carlos Moreno.


 Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-12/jovens-veem-conhecimento-em-ia-como-diferencial-para-emprego (adaptado).

Segundo o texto, os usos mais frequentes da Inteligência Artificial entre os jovens incluem: 
Alternativas
Q3849274 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.


Jovens veem conhecimento em IA como diferencial para emprego


    Pesquisa divulgada nessa quarta-feira (3) mostra que 80% dos jovens acreditam que o conhecimento sobre Inteligência Artificial (IA) é fator impactante para conseguir emprego. O levantamento, feito pela Nexus e pela Demà, ouviu 2.016 pessoas, de 14 a 29 anos, nas 27 unidades da federação, entre 14 e 20 de julho. A margem de erro da amostra é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.


    A pesquisa indicou ainda que 11% dos jovens avaliam que o conhecimento em IA não faz diferença para a obtenção do emprego, 3% acham que seja até prejudicial e 2% não souberam responder.


    Quando se avalia a utilização das ferramentas de IA, 69% dos jovens acham que elas podem ajudar no processo de aprendizagem, enquanto 24% acreditam que podem prejudicar e 7% não sabem ou não souberam responder.


    Segundo a pesquisa, 83% utilizam IA para fazer pesquisas gerais ou acadêmicas; 71% acreditam que o recurso ajuda no dever de casa, em trabalhos e estudos para provas de escolas, das faculdades, universidades ou do ensino técnico. Já 70% usam IA para traduzir textos e 67%, para resumir ou corrigir publicações.


    De acordo com o levantamento, 66% dos jovens utilizam a IA para gerar novas ideias em alguma atividade, 63% criam imagens; 62% usam para escrever novos textos e 52% usam para preparar apresentações ou relatórios.


    “É muito representativo que pelo menos metade dos entrevistados confirme que usa IA de alguma forma. Sem dúvida, a Inteligência Artificial é um agente facilitador das nossas demandas diárias um aliado da eficiência e produtividade. São percepções claramente refletidas nessa pesquisa, que mostra, por exemplo, que a grande maioria dos adolescentes utiliza para ajudar no dever de casa. IA veio para ficar e transformar as nossas jornadas, principalmente, as de aprendizado”, destacou o diretor da Demà, Juan Carlos Moreno.


 Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-12/jovens-veem-conhecimento-em-ia-como-diferencial-para-emprego (adaptado).

De acordo com os dados da pesquisa divulgada, o percentual de jovens que acreditam que o conhecimento sobre Inteligência Artificial (IA) impacta positivamente na obtenção de emprego corresponde a: 
Alternativas
Q3849221 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.


Aqui ou na China


    Outro dia, na fila do mercado, alguém soltou um dito antigo: “Isso não acontece nem aqui, nem na China.” A frase mal terminou quando o senhor atrás de mim completou, com aquela confiança de quem sempre começa dizendo que não entende de política: “Porque lá é tudo comunista. Daqui a pouco invadem o mundo.”


    A China dele era uma sombra enorme, parada no tempo, um mapa feito de rumores. Nada a ver com o país de hoje, onde drones entregam compras, trens cortam cidades e jovens pagam o café com a palma da mão. Mas certos discursos seguem firmes, mesmo quando o planeta já virou duas voltas sem avisar.


    O curioso é como a expressão também envelheceu. “Nem aqui, nem na China” funcionava quando a China era apenas o fim do mapa, uma lonjura quase inventada. Hoje, o mundo se comprime até virar notificação. O impossível ficou raro. A distância, menor. Mas os medos antigos seguem grandes, empoleirados nos ombros de quem repete frases herdadas.


    Enquanto isso, as pessoas, lá e aqui, seguem ocupadas com o que realmente importa: trabalhar, cuidar dos filhos, tentar dormir cedo, sonhar com um sábado de sol. A vida concreta não tem paciência para fantasmas ideológicos. Quem anda pelas ruas de Pequim ou de qualquer grande cidade do Brasil e do mundo encontra mais semelhanças do que ameaças: mercados cheios, idosos praticando alongamento na praça, adolescentes rindo alto demais, alguém olhando o celular esperando uma resposta que não chega.


    Sem pedir licença, a globalização veio, abriu as janelas e mudou tudo de lugar. Gostando ou não, estamos todos conectados. O senhor do mercado teme uma invasão imaginária, mas não percebe que ela já aconteceu: pelas telas, pelos aplicativos, pelos objetos do dia a dia que atravessaram fronteiras antes mesmo de ele perceber.


    E, no entanto, há algo que realmente não muda, nem aqui, nem na China: o gesto humano que sustenta o mundo. Um sorriso rápido, um cuidado ofertado sem cálculo, uma palavra que ameniza o peso do dia. Isso atravessa continentes sem passaporte e sem doutrina.


    Talvez o problema não seja a distância entre países, e sim a distância entre o que tememos e o que de fato acontece. Porque, no fundo, o que mais nos assusta não são comunistas invisíveis, e sim abandonar certezas antigas. É sempre mais fácil temer o longe do que olhar de perto.


    Mas, quando a gente respira fundo e desaperta os medos, percebe que o mundo é menos ameaçador do que parece. E que algumas coisas acontecem, sim. Aqui mesmo. E, quem diria, até na China.


Autora: Helô Bacichette - GZH (adaptado). 

A expressão “Nem aqui, nem na China” é ressignificada no texto a partir de uma análise crítica da realidade contemporânea. Em relação ao uso e transformação desse dito popular, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3849220 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.


Aqui ou na China


    Outro dia, na fila do mercado, alguém soltou um dito antigo: “Isso não acontece nem aqui, nem na China.” A frase mal terminou quando o senhor atrás de mim completou, com aquela confiança de quem sempre começa dizendo que não entende de política: “Porque lá é tudo comunista. Daqui a pouco invadem o mundo.”


    A China dele era uma sombra enorme, parada no tempo, um mapa feito de rumores. Nada a ver com o país de hoje, onde drones entregam compras, trens cortam cidades e jovens pagam o café com a palma da mão. Mas certos discursos seguem firmes, mesmo quando o planeta já virou duas voltas sem avisar.


    O curioso é como a expressão também envelheceu. “Nem aqui, nem na China” funcionava quando a China era apenas o fim do mapa, uma lonjura quase inventada. Hoje, o mundo se comprime até virar notificação. O impossível ficou raro. A distância, menor. Mas os medos antigos seguem grandes, empoleirados nos ombros de quem repete frases herdadas.


    Enquanto isso, as pessoas, lá e aqui, seguem ocupadas com o que realmente importa: trabalhar, cuidar dos filhos, tentar dormir cedo, sonhar com um sábado de sol. A vida concreta não tem paciência para fantasmas ideológicos. Quem anda pelas ruas de Pequim ou de qualquer grande cidade do Brasil e do mundo encontra mais semelhanças do que ameaças: mercados cheios, idosos praticando alongamento na praça, adolescentes rindo alto demais, alguém olhando o celular esperando uma resposta que não chega.


    Sem pedir licença, a globalização veio, abriu as janelas e mudou tudo de lugar. Gostando ou não, estamos todos conectados. O senhor do mercado teme uma invasão imaginária, mas não percebe que ela já aconteceu: pelas telas, pelos aplicativos, pelos objetos do dia a dia que atravessaram fronteiras antes mesmo de ele perceber.


    E, no entanto, há algo que realmente não muda, nem aqui, nem na China: o gesto humano que sustenta o mundo. Um sorriso rápido, um cuidado ofertado sem cálculo, uma palavra que ameniza o peso do dia. Isso atravessa continentes sem passaporte e sem doutrina.


    Talvez o problema não seja a distância entre países, e sim a distância entre o que tememos e o que de fato acontece. Porque, no fundo, o que mais nos assusta não são comunistas invisíveis, e sim abandonar certezas antigas. É sempre mais fácil temer o longe do que olhar de perto.


    Mas, quando a gente respira fundo e desaperta os medos, percebe que o mundo é menos ameaçador do que parece. E que algumas coisas acontecem, sim. Aqui mesmo. E, quem diria, até na China.


Autora: Helô Bacichette - GZH (adaptado). 

No artigo de Helô Bacichette, a autora constrói uma reflexão crítica sobre os discursos herdados e os receios ancorados em visões ultrapassadas. Considerando os argumentos desenvolvidos ao longo do texto, pode-se concluir que: 
Alternativas
Q3849026 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.


Sempre estamos à espera do amanhã, porém não podemos deixar de viver intensamente o hoje


    O mundo é regido pela pressa. A agitação faz parte do cotidiano da grande maioria, inclusive tem gente que se agita mesmo não tendo nada para fazer. Em meio a tudo isso, surge uma alternativa fabulosa: a meditação. Através da meditação preservamos o essencial e confirmamos a paz. Meditar é não entrar no ritmo alucinante da pressa, é viver criativamente.


    Silenciar é ir na contramão de uma pressa que cansa e esgota. O mundo se acostumou a celebrar o excesso, o acúmulo, a produtividade que não respeita o limite do corpo nem o território sagrado da mente. Meditar, nesse contexto, torna-se um gesto de coragem, pois convida a presença quando tudo ao redor insiste na distração.


    A pausa permite que a alma se reencontre. No silêncio, aquilo que estava disperso começa a se alinhar, pensamentos se acalmam, emoções encontram um nome, a respiração se torna ponte entre o que sentimos e o que realmente somos. Meditar não é fugir da vida, é voltar para dentro dela com mais consciência.


    É o momento em que retiramos as máscaras e percebemos o próprio ritmo, mais lento, mais profundo, mais honesto. O silêncio revela o que a pressa esconde. Ao desacelerar, percebemos que muito do que parecia urgente era apenas barulho. E que grande parte das inquietações nasce da tentativa de acompanhar expectativas que nunca foram nossas.


    A pausa devolve liberdade. A mente que respira com calma deixa de ser tempestade e volta a ser céu. E, nesse céu interior, escolhas ganham clareza, dores encontram acolhida, decisões se iluminam. A quietude se torna refúgio e, ao mesmo tempo, força para caminhar. Quem aprende a meditar aprende também a viver com mais profundidade.


    A pressa se dissolve, o olhar se torna mais amplo, a palavra mais leve, o coração mais sereno. O mundo continuará acelerado, mas dentro de quem medita existe uma morada segura onde o tempo corre de outro modo. E é dessa fonte silenciosa que surge uma coragem nova, mais estável e fecunda, capaz de sustentar os dias com paz.


 Autor: Jaime Bettega - Pioneiro (adaptado).

No trecho “A pressa se dissolve, o olhar se torna mais amplo, a palavra mais leve, o coração mais sereno”, o verbo “dissolve” carrega um valor metafórico, sugerindo o desaparecimento gradual de algo prejudicial. Considerando o contexto e o efeito de sentido, uma palavra que poderia substituir “dissolve” sem prejuízo ao significado global da frase é: 
Alternativas
Q3849025 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.


Sempre estamos à espera do amanhã, porém não podemos deixar de viver intensamente o hoje


    O mundo é regido pela pressa. A agitação faz parte do cotidiano da grande maioria, inclusive tem gente que se agita mesmo não tendo nada para fazer. Em meio a tudo isso, surge uma alternativa fabulosa: a meditação. Através da meditação preservamos o essencial e confirmamos a paz. Meditar é não entrar no ritmo alucinante da pressa, é viver criativamente.


    Silenciar é ir na contramão de uma pressa que cansa e esgota. O mundo se acostumou a celebrar o excesso, o acúmulo, a produtividade que não respeita o limite do corpo nem o território sagrado da mente. Meditar, nesse contexto, torna-se um gesto de coragem, pois convida a presença quando tudo ao redor insiste na distração.


    A pausa permite que a alma se reencontre. No silêncio, aquilo que estava disperso começa a se alinhar, pensamentos se acalmam, emoções encontram um nome, a respiração se torna ponte entre o que sentimos e o que realmente somos. Meditar não é fugir da vida, é voltar para dentro dela com mais consciência.


    É o momento em que retiramos as máscaras e percebemos o próprio ritmo, mais lento, mais profundo, mais honesto. O silêncio revela o que a pressa esconde. Ao desacelerar, percebemos que muito do que parecia urgente era apenas barulho. E que grande parte das inquietações nasce da tentativa de acompanhar expectativas que nunca foram nossas.


    A pausa devolve liberdade. A mente que respira com calma deixa de ser tempestade e volta a ser céu. E, nesse céu interior, escolhas ganham clareza, dores encontram acolhida, decisões se iluminam. A quietude se torna refúgio e, ao mesmo tempo, força para caminhar. Quem aprende a meditar aprende também a viver com mais profundidade.


    A pressa se dissolve, o olhar se torna mais amplo, a palavra mais leve, o coração mais sereno. O mundo continuará acelerado, mas dentro de quem medita existe uma morada segura onde o tempo corre de outro modo. E é dessa fonte silenciosa que surge uma coragem nova, mais estável e fecunda, capaz de sustentar os dias com paz.


 Autor: Jaime Bettega - Pioneiro (adaptado).

A proposta argumentativa do texto gira em torno da valorização da pausa, do silêncio e da consciência plena como antídotos à aceleração contemporânea. Nesse sentido, de acordo com os sentidos construídos pelo autor, enquanto o mundo insiste em celebrar o acúmulo e a velocidade, a meditação se apresenta como caminho para _______________, possibilitando decisões mais lúcidas, sentimentos mais acolhidos e uma reconexão com o que realmente importa.


Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, a lacuna? 

Alternativas
Q3849024 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.


Sempre estamos à espera do amanhã, porém não podemos deixar de viver intensamente o hoje


    O mundo é regido pela pressa. A agitação faz parte do cotidiano da grande maioria, inclusive tem gente que se agita mesmo não tendo nada para fazer. Em meio a tudo isso, surge uma alternativa fabulosa: a meditação. Através da meditação preservamos o essencial e confirmamos a paz. Meditar é não entrar no ritmo alucinante da pressa, é viver criativamente.


    Silenciar é ir na contramão de uma pressa que cansa e esgota. O mundo se acostumou a celebrar o excesso, o acúmulo, a produtividade que não respeita o limite do corpo nem o território sagrado da mente. Meditar, nesse contexto, torna-se um gesto de coragem, pois convida a presença quando tudo ao redor insiste na distração.


    A pausa permite que a alma se reencontre. No silêncio, aquilo que estava disperso começa a se alinhar, pensamentos se acalmam, emoções encontram um nome, a respiração se torna ponte entre o que sentimos e o que realmente somos. Meditar não é fugir da vida, é voltar para dentro dela com mais consciência.


    É o momento em que retiramos as máscaras e percebemos o próprio ritmo, mais lento, mais profundo, mais honesto. O silêncio revela o que a pressa esconde. Ao desacelerar, percebemos que muito do que parecia urgente era apenas barulho. E que grande parte das inquietações nasce da tentativa de acompanhar expectativas que nunca foram nossas.


    A pausa devolve liberdade. A mente que respira com calma deixa de ser tempestade e volta a ser céu. E, nesse céu interior, escolhas ganham clareza, dores encontram acolhida, decisões se iluminam. A quietude se torna refúgio e, ao mesmo tempo, força para caminhar. Quem aprende a meditar aprende também a viver com mais profundidade.


    A pressa se dissolve, o olhar se torna mais amplo, a palavra mais leve, o coração mais sereno. O mundo continuará acelerado, mas dentro de quem medita existe uma morada segura onde o tempo corre de outro modo. E é dessa fonte silenciosa que surge uma coragem nova, mais estável e fecunda, capaz de sustentar os dias com paz.


 Autor: Jaime Bettega - Pioneiro (adaptado).

No texto de Jaime Bettega, a meditação é apresentada como um contraponto ao ritmo caótico e à cultura da produtividade desenfreada. Com base nessa abordagem, pode se afirmar que:



I. A prática meditativa é retratada como ato de resistência à lógica do excesso e da aceleração cotidiana.


II. Meditar equivale a buscar isolamento e se desconectar dos acontecimentos do mundo exterior.


III. O silêncio, no texto, é interpretado como fonte de equilíbrio interior e de reencontro com a própria essência.



Das assertivas, pode-se afirmar que: 

Alternativas
Respostas
6601: A
6602: C
6603: B
6604: C
6605: A
6606: E
6607: D
6608: D
6609: B
6610: A
6611: B
6612: C
6613: D
6614: D
6615: C
6616: A
6617: C
6618: B
6619: C
6620: B