Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3556950 Português
Leia o texto para responder à questão.


'Não era a última Copa que eu sonhava', lamenta Marta após queda do Brasil


A maior de todos os tempos se despede da Copa sem um título. Hoje (2), Marta fez a última partida em Mundiais na eliminação do Brasil para a Jamaica, após o 0 a 0 na fase de grupos. No primeiro e único jogo como titular, a Rainha não conseguiu fazer a seleção avançar. Foi substituída nos minutos finais e ficou do banco de reservas sofrendo e torcendo pelo gol salvador que não veio. 


"É difícil falar num momento desses. Não era, nem nos meus piores pesadelos, a Copa que eu sonhava. É só o começo. O povo pedia renovação, e está tendo. A única velha aqui só eu. As meninas têm um caminho enorme pela frente. Eu termino, mas elas continuam", disse, com lágrimas no rosto.


Mesmo anunciando o fim de sua trajetória em Copas, Marta pede que o apoio seja mantido. "Quero que o Brasil siga com o mesmo entusiasmo, apoiando. Resultado não acontece de um dia para o outro. Isso mostra que o futebol feminino dá lucro, é produto. A Marta acaba por aqui, estou muito grata pela oportunidade que tive e estou muito contente com o que está acontecendo. Para elas é só o começo, para mim é o fim da linha", avisou. 


Marta deixa a seleção brasileira com 189 jogos e 122 gols marcados. Vinte anos depois de iniciar a trajetória com a camisa amarela, disputou a última Copa tranquila com o legado deixado.


A camisa 10 deixa o Mundial como maior artilheira da história entre homens e mulheres, com 17 gols. Pela seleção, foi medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2003 e 2007, além de campeã da Copa América em 2003, 2010 e 2018. Ela também fez parte do grupo vice-campeão da Copa em 2007 e das medalhas de prata nas Olimpíadas de 2004 e 2008.


Na prévia da partida, Marta não quis pensar que poderia ser sua última entrevista coletiva. Estava confiante de que o Brasil conseguiria a classificação. Uma das últimas mensagens, porém, foi sobre legado. 


"Sabe o que é legal? Eu não tinha uma ídola no futebol feminino. Vocês (imprensa) não mostravam o futebol feminino. Como eu ia entender que eu poderia ser uma jogadora, chegar à seleção, sem ter uma referência? Hoje a gente sai na rua e os pais falam. 'Minha filha quer ser igual a você'. Hoje temos nossas próprias referências. Não teria acontecido isso sem superar os obstáculos. É uma persistência contínua".


https://www.uol.com.br, 08/2023 
“.... Hoje a gente sai na rua e os pais falam. 'Minha filha quer ser igual a você'...”

Sobre a expressão em destaque, é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3556948 Português
Leia o texto para responder à questão.


'Não era a última Copa que eu sonhava', lamenta Marta após queda do Brasil


A maior de todos os tempos se despede da Copa sem um título. Hoje (2), Marta fez a última partida em Mundiais na eliminação do Brasil para a Jamaica, após o 0 a 0 na fase de grupos. No primeiro e único jogo como titular, a Rainha não conseguiu fazer a seleção avançar. Foi substituída nos minutos finais e ficou do banco de reservas sofrendo e torcendo pelo gol salvador que não veio. 


"É difícil falar num momento desses. Não era, nem nos meus piores pesadelos, a Copa que eu sonhava. É só o começo. O povo pedia renovação, e está tendo. A única velha aqui só eu. As meninas têm um caminho enorme pela frente. Eu termino, mas elas continuam", disse, com lágrimas no rosto.


Mesmo anunciando o fim de sua trajetória em Copas, Marta pede que o apoio seja mantido. "Quero que o Brasil siga com o mesmo entusiasmo, apoiando. Resultado não acontece de um dia para o outro. Isso mostra que o futebol feminino dá lucro, é produto. A Marta acaba por aqui, estou muito grata pela oportunidade que tive e estou muito contente com o que está acontecendo. Para elas é só o começo, para mim é o fim da linha", avisou. 


Marta deixa a seleção brasileira com 189 jogos e 122 gols marcados. Vinte anos depois de iniciar a trajetória com a camisa amarela, disputou a última Copa tranquila com o legado deixado.


A camisa 10 deixa o Mundial como maior artilheira da história entre homens e mulheres, com 17 gols. Pela seleção, foi medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2003 e 2007, além de campeã da Copa América em 2003, 2010 e 2018. Ela também fez parte do grupo vice-campeão da Copa em 2007 e das medalhas de prata nas Olimpíadas de 2004 e 2008.


Na prévia da partida, Marta não quis pensar que poderia ser sua última entrevista coletiva. Estava confiante de que o Brasil conseguiria a classificação. Uma das últimas mensagens, porém, foi sobre legado. 


"Sabe o que é legal? Eu não tinha uma ídola no futebol feminino. Vocês (imprensa) não mostravam o futebol feminino. Como eu ia entender que eu poderia ser uma jogadora, chegar à seleção, sem ter uma referência? Hoje a gente sai na rua e os pais falam. 'Minha filha quer ser igual a você'. Hoje temos nossas próprias referências. Não teria acontecido isso sem superar os obstáculos. É uma persistência contínua".


https://www.uol.com.br, 08/2023 
Mesmo anunciando o fim de sua trajetória em Copas, Marta pede que o apoio seja mantido.”

A palavra destacada expressa a ideia de:
Alternativas
Q3556945 Português
Leia o texto para responder à questão.


'Não era a última Copa que eu sonhava', lamenta Marta após queda do Brasil


A maior de todos os tempos se despede da Copa sem um título. Hoje (2), Marta fez a última partida em Mundiais na eliminação do Brasil para a Jamaica, após o 0 a 0 na fase de grupos. No primeiro e único jogo como titular, a Rainha não conseguiu fazer a seleção avançar. Foi substituída nos minutos finais e ficou do banco de reservas sofrendo e torcendo pelo gol salvador que não veio. 


"É difícil falar num momento desses. Não era, nem nos meus piores pesadelos, a Copa que eu sonhava. É só o começo. O povo pedia renovação, e está tendo. A única velha aqui só eu. As meninas têm um caminho enorme pela frente. Eu termino, mas elas continuam", disse, com lágrimas no rosto.


Mesmo anunciando o fim de sua trajetória em Copas, Marta pede que o apoio seja mantido. "Quero que o Brasil siga com o mesmo entusiasmo, apoiando. Resultado não acontece de um dia para o outro. Isso mostra que o futebol feminino dá lucro, é produto. A Marta acaba por aqui, estou muito grata pela oportunidade que tive e estou muito contente com o que está acontecendo. Para elas é só o começo, para mim é o fim da linha", avisou. 


Marta deixa a seleção brasileira com 189 jogos e 122 gols marcados. Vinte anos depois de iniciar a trajetória com a camisa amarela, disputou a última Copa tranquila com o legado deixado.


A camisa 10 deixa o Mundial como maior artilheira da história entre homens e mulheres, com 17 gols. Pela seleção, foi medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2003 e 2007, além de campeã da Copa América em 2003, 2010 e 2018. Ela também fez parte do grupo vice-campeão da Copa em 2007 e das medalhas de prata nas Olimpíadas de 2004 e 2008.


Na prévia da partida, Marta não quis pensar que poderia ser sua última entrevista coletiva. Estava confiante de que o Brasil conseguiria a classificação. Uma das últimas mensagens, porém, foi sobre legado. 


"Sabe o que é legal? Eu não tinha uma ídola no futebol feminino. Vocês (imprensa) não mostravam o futebol feminino. Como eu ia entender que eu poderia ser uma jogadora, chegar à seleção, sem ter uma referência? Hoje a gente sai na rua e os pais falam. 'Minha filha quer ser igual a você'. Hoje temos nossas próprias referências. Não teria acontecido isso sem superar os obstáculos. É uma persistência contínua".


https://www.uol.com.br, 08/2023 

“É uma persistência contínua.”


Pode ser considerado sinônimo de “persistência”, EXCETO:

Alternativas
Q3556943 Português
Leia o texto para responder à questão.


'Não era a última Copa que eu sonhava', lamenta Marta após queda do Brasil


A maior de todos os tempos se despede da Copa sem um título. Hoje (2), Marta fez a última partida em Mundiais na eliminação do Brasil para a Jamaica, após o 0 a 0 na fase de grupos. No primeiro e único jogo como titular, a Rainha não conseguiu fazer a seleção avançar. Foi substituída nos minutos finais e ficou do banco de reservas sofrendo e torcendo pelo gol salvador que não veio. 


"É difícil falar num momento desses. Não era, nem nos meus piores pesadelos, a Copa que eu sonhava. É só o começo. O povo pedia renovação, e está tendo. A única velha aqui só eu. As meninas têm um caminho enorme pela frente. Eu termino, mas elas continuam", disse, com lágrimas no rosto.


Mesmo anunciando o fim de sua trajetória em Copas, Marta pede que o apoio seja mantido. "Quero que o Brasil siga com o mesmo entusiasmo, apoiando. Resultado não acontece de um dia para o outro. Isso mostra que o futebol feminino dá lucro, é produto. A Marta acaba por aqui, estou muito grata pela oportunidade que tive e estou muito contente com o que está acontecendo. Para elas é só o começo, para mim é o fim da linha", avisou. 


Marta deixa a seleção brasileira com 189 jogos e 122 gols marcados. Vinte anos depois de iniciar a trajetória com a camisa amarela, disputou a última Copa tranquila com o legado deixado.


A camisa 10 deixa o Mundial como maior artilheira da história entre homens e mulheres, com 17 gols. Pela seleção, foi medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2003 e 2007, além de campeã da Copa América em 2003, 2010 e 2018. Ela também fez parte do grupo vice-campeão da Copa em 2007 e das medalhas de prata nas Olimpíadas de 2004 e 2008.


Na prévia da partida, Marta não quis pensar que poderia ser sua última entrevista coletiva. Estava confiante de que o Brasil conseguiria a classificação. Uma das últimas mensagens, porém, foi sobre legado. 


"Sabe o que é legal? Eu não tinha uma ídola no futebol feminino. Vocês (imprensa) não mostravam o futebol feminino. Como eu ia entender que eu poderia ser uma jogadora, chegar à seleção, sem ter uma referência? Hoje a gente sai na rua e os pais falam. 'Minha filha quer ser igual a você'. Hoje temos nossas próprias referências. Não teria acontecido isso sem superar os obstáculos. É uma persistência contínua".


https://www.uol.com.br, 08/2023 
De acordo com o texto, julgue os itens como VERDADEIRO (V) ou FALSO (F).

( )Marta atuou como titular em todos os jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo Feminina de 2023.
( )A Rainha brasileira reclama da ausência de exemplo a ser seguido e que sirva de inspiração para as atuais e futuras jogadoras brasileiras de futebol.
( )A maior artilheira de todos os tempos de futebol brasileiro, masculino ou feminino, acumula um título de campeã em Copa Mundial Feminina em seu currículo, juntamente com a seleção brasileira.

A sequência CORRETA é:
Alternativas
Q3556752 Português

A próxima geração de governo e o futuro do trabalho no serviço público: utopia?


Por Ana Paula Bertolin



   Estamos em uma era digital acelerada pela pandemia e a força motriz dessa engrenagem necessita de um novo uso para a tecnologia onde dados e análises avançadas possam suportar as tomadas de decisão auxiliando na validação de soluções e suas implantações. Nesse contexto, um novo perfil de servidor se desenha. Para os que estão na ativa, um processo de upskilling e reskilling1 , além da captura de conhecimento tácito, é fundamental para a próxima geração de talentos que virão a compor o quadro do governo.


   O serviço público não pode fugir à regra. Mas ao contrário das organizações do setor privado, que vem evoluindo nessa questão a passos largos, esse setor não mudou a sua forma de trabalhar em quase nada nas últimas décadas. Continua sendo um setor atrasado em inovação e baseado em políticas retrógradas, fortalecidas em um modelo de produção de linha de montagem e que preza por práticas antigas de liderança e resultados. Como atrair esta nova geração para compor um novo governo?


   Em recente pesquisa do Center Digital Government com trabalhadores americanos em início de carreira, a nova norma é a flexibilidade. A Price Waterhouse Coopers revelou que 61% dos CEOs estão focados em proporcionar o bem-estar de suas equipes para que possam reter talentos. Portanto, governos terão que reinventar sua abordagem de trabalho, expandindo a visão de como e onde o trabalho é feito para que possam atrair e reter talentos para seu quadro de servidores.

  Estabilidade já não é mais o que chama a atenção dessa nova geração, muito menos carreiras de governo – a menos que haja envolvimento político! A busca é por propósito, compreensão do seu papel, qual a causa pela qual trabalha além do equilíbrio entre vida pessoal e profissional, a motivação para o trabalho e a possibilidade de aplicar e desenvolver o pensamento criativo. Esse novo perfil também espera encontrar soluções promovidas pela tecnologia, tendo ela como facilitadora de serviços e experiências de qualidade e igualitariamente a essa força de trabalho.


   Formar uma próxima geração de governo necessita de políticas de retenção de talentos efetivas, que observam habilidades e como elas podem fazer parte do todo, compondo equipes de alta performance olhando para o ser humano como centro. Novas políticas devem ser construídas, expandindo a visão de onde e como o trabalho é e pode ser feito.


   Dexter Docherty em recente publicação afirma que um incrível futuro do trabalho no serviço público, pós-Covid, nos aguarda se tomarmos decisões políticas inteligentes e promotoras de flexibilidade agora! Afirma que, neste mundo cada vez mais digital e globalizado, o governo pode trabalhar com diferentes perspectivas de trabalho, abrindo oportunidade para novos talentos. Continua afirmando que o problema reside na compreensão limitada que os governos têm de onde um funcionário precisa morar para se tornar um servidor público. É uma nova visão onde o potencial para o trabalho seja determinado por tarefas e atividades e não por ocupações. E que seja visto pelas lentes da ética, confiança e da responsabilidade originando uma nova cultura de trabalho positiva, motivada e satisfeita.


   Outro ponto importante para o contexto é publicado em recentes estudos sobre a parada forçada neste período pandêmico. Segundo dados do Governo Federal Brasileiro, foram economizados 3 bilhões em 2020 com o home office de servidores públicos. Conforme entrevista do Secretário Nacional de Gestão e Desempenho de Pessoal, é uma economia oriunda da área meio, áreas administrativas, para que se possa investir em áreas fim. Uma economia significativa para um país que necessita se reequilibrar. Outros dados já apurados mostram que o teletrabalho facilita a entrega de resultados e aumenta a eficiência dos servidores públicos. É um novo conceito baseado na confiança e autonomia.


  As decisões políticas inteligentes neste momento, citadas por Docherty, irão promover mudanças significativas para alguns pontos obscuros na gestão de talentos dos servidores municipais, que poderão promover uma modernização na forma de trabalho podendo gerar equipes mais curiosas para a experimentação, mais engajamento pela promoção da autonomia, lideranças mais ágeis e mais confiantes em suas equipes resultando em um melhor desempenho e entrega de resultados além de uma economia significativa nos gastos públicos – elementos estes estratégicos de longo prazo.


   Diversos modelos podem ser adotados para um trabalho híbrido que combina trabalho remoto com tempo no escritório. Alguns governos, como o de São Paulo, já estão implantando essa modalidade como permanente para algumas funções que se adequam a esse modelo. A Deloitte afirma "o local de trabalho pós-covid mudará de onde as pessoas trabalham para um local onde as equipes se encontram, socializam e se conectam." The Enterprisers Project completa: "as organizações se concentrarão cada vez mais no que é mais importante: trabalho realizado em vez de horas trabalhadas e missões realizadas em vez de tarefas concluídas."


   Mas será que o modelo que perpetua nas instituições públicas está preparado para entender este novo momento? Urge movimentos e atitudes que acompanhem a evolução, hoje lenta e atrasada. É necessário que gestores públicos tomem decisões rápidas nesta área, promovendo uma mudança de cultura onde as novas necessidades do mundo do trabalho possam ser observadas. A forma como o setor público cria valor – o trabalho, a força de trabalho e o local de trabalho – está mudando. O governo não pode enfrentar os desafios complexos de hoje com modelos antigos. Novas regras para a gestão pública são necessárias. Será uma utopia?


   O potencial retido entre o corpo funcional do serviço público é enorme! Precisa ser percebido que se tem o poder de mudar para melhor. Novas ideias são necessárias para abordar a questão de como o setor público gera e agrega valor. Abraçar o poder da tecnologia para ampliar as capacidades humanas pode promover conexões sem limites geográficos. "Não podemos prever o futuro, mas podemos nos preparar para ele" – é o que o relatório de previsão estratégica da OECD (Organisation for Economic Cooperation and Development) – Exploring Implications for the Future of Global Collaboration aponta. Cita que mudanças sociais, tecnológicas, econômicas, ambientais, políticas e geopolíticas estão ocorrendo mais rápido do que nunca e que a sociedade e os governos não podem se fechar à interconexão e à possibilidade de serem globais.


   O desafio é ser produtivo e incitar o talento desse corpo funcional revertido em prestação de serviço de qualidade para o maior cliente: o cidadão, além de vislumbrar um futuro do trabalho mais brilhante para quem trabalha em nome do governo. O futuro é aqui e agora. Será que conseguimos trabalhar com a ideia de que a nova geração de governo será "móvel" nos próximos anos? Já pensou em como essa experiência poderia agregar valor para esse futuro do trabalho? Como novos modelos, boas práticas, novos conhecimentos e vivências poderiam ser compartilhadas? Como a tecnologia irá conectar e disseminar? É um novo mundo que se abre.... quem sairá na frente dessa experiência? Utopia?



1 Upskilling visa ensinar a um trabalhador novas competências para otimizar seu desempenho; o reskilling (também conhecido como reciclagem profissional) procura dar treinamento a um funcionário para realojá-lo num novo posto na empresa. 

 


 Disponível em: https://www.estadao.com.br/politica/blogdo-mlg/a-proxima-geracao-de-governo-e-o-futuro-do-trabalhono-servico-publico-utopia/. Acesso em: 30 ago.2023. Adaptado.





No trecho “Outros dados já apurados mostram que o teletrabalho facilita a entrega de resultados e aumenta a eficiência dos servidores públicos”, a palavra “teletrabalho” é utilizada no sentido de trabalho
Alternativas
Q3556751 Português

A próxima geração de governo e o futuro do trabalho no serviço público: utopia?


Por Ana Paula Bertolin



   Estamos em uma era digital acelerada pela pandemia e a força motriz dessa engrenagem necessita de um novo uso para a tecnologia onde dados e análises avançadas possam suportar as tomadas de decisão auxiliando na validação de soluções e suas implantações. Nesse contexto, um novo perfil de servidor se desenha. Para os que estão na ativa, um processo de upskilling e reskilling1 , além da captura de conhecimento tácito, é fundamental para a próxima geração de talentos que virão a compor o quadro do governo.


   O serviço público não pode fugir à regra. Mas ao contrário das organizações do setor privado, que vem evoluindo nessa questão a passos largos, esse setor não mudou a sua forma de trabalhar em quase nada nas últimas décadas. Continua sendo um setor atrasado em inovação e baseado em políticas retrógradas, fortalecidas em um modelo de produção de linha de montagem e que preza por práticas antigas de liderança e resultados. Como atrair esta nova geração para compor um novo governo?


   Em recente pesquisa do Center Digital Government com trabalhadores americanos em início de carreira, a nova norma é a flexibilidade. A Price Waterhouse Coopers revelou que 61% dos CEOs estão focados em proporcionar o bem-estar de suas equipes para que possam reter talentos. Portanto, governos terão que reinventar sua abordagem de trabalho, expandindo a visão de como e onde o trabalho é feito para que possam atrair e reter talentos para seu quadro de servidores.

  Estabilidade já não é mais o que chama a atenção dessa nova geração, muito menos carreiras de governo – a menos que haja envolvimento político! A busca é por propósito, compreensão do seu papel, qual a causa pela qual trabalha além do equilíbrio entre vida pessoal e profissional, a motivação para o trabalho e a possibilidade de aplicar e desenvolver o pensamento criativo. Esse novo perfil também espera encontrar soluções promovidas pela tecnologia, tendo ela como facilitadora de serviços e experiências de qualidade e igualitariamente a essa força de trabalho.


   Formar uma próxima geração de governo necessita de políticas de retenção de talentos efetivas, que observam habilidades e como elas podem fazer parte do todo, compondo equipes de alta performance olhando para o ser humano como centro. Novas políticas devem ser construídas, expandindo a visão de onde e como o trabalho é e pode ser feito.


   Dexter Docherty em recente publicação afirma que um incrível futuro do trabalho no serviço público, pós-Covid, nos aguarda se tomarmos decisões políticas inteligentes e promotoras de flexibilidade agora! Afirma que, neste mundo cada vez mais digital e globalizado, o governo pode trabalhar com diferentes perspectivas de trabalho, abrindo oportunidade para novos talentos. Continua afirmando que o problema reside na compreensão limitada que os governos têm de onde um funcionário precisa morar para se tornar um servidor público. É uma nova visão onde o potencial para o trabalho seja determinado por tarefas e atividades e não por ocupações. E que seja visto pelas lentes da ética, confiança e da responsabilidade originando uma nova cultura de trabalho positiva, motivada e satisfeita.


   Outro ponto importante para o contexto é publicado em recentes estudos sobre a parada forçada neste período pandêmico. Segundo dados do Governo Federal Brasileiro, foram economizados 3 bilhões em 2020 com o home office de servidores públicos. Conforme entrevista do Secretário Nacional de Gestão e Desempenho de Pessoal, é uma economia oriunda da área meio, áreas administrativas, para que se possa investir em áreas fim. Uma economia significativa para um país que necessita se reequilibrar. Outros dados já apurados mostram que o teletrabalho facilita a entrega de resultados e aumenta a eficiência dos servidores públicos. É um novo conceito baseado na confiança e autonomia.


  As decisões políticas inteligentes neste momento, citadas por Docherty, irão promover mudanças significativas para alguns pontos obscuros na gestão de talentos dos servidores municipais, que poderão promover uma modernização na forma de trabalho podendo gerar equipes mais curiosas para a experimentação, mais engajamento pela promoção da autonomia, lideranças mais ágeis e mais confiantes em suas equipes resultando em um melhor desempenho e entrega de resultados além de uma economia significativa nos gastos públicos – elementos estes estratégicos de longo prazo.


   Diversos modelos podem ser adotados para um trabalho híbrido que combina trabalho remoto com tempo no escritório. Alguns governos, como o de São Paulo, já estão implantando essa modalidade como permanente para algumas funções que se adequam a esse modelo. A Deloitte afirma "o local de trabalho pós-covid mudará de onde as pessoas trabalham para um local onde as equipes se encontram, socializam e se conectam." The Enterprisers Project completa: "as organizações se concentrarão cada vez mais no que é mais importante: trabalho realizado em vez de horas trabalhadas e missões realizadas em vez de tarefas concluídas."


   Mas será que o modelo que perpetua nas instituições públicas está preparado para entender este novo momento? Urge movimentos e atitudes que acompanhem a evolução, hoje lenta e atrasada. É necessário que gestores públicos tomem decisões rápidas nesta área, promovendo uma mudança de cultura onde as novas necessidades do mundo do trabalho possam ser observadas. A forma como o setor público cria valor – o trabalho, a força de trabalho e o local de trabalho – está mudando. O governo não pode enfrentar os desafios complexos de hoje com modelos antigos. Novas regras para a gestão pública são necessárias. Será uma utopia?


   O potencial retido entre o corpo funcional do serviço público é enorme! Precisa ser percebido que se tem o poder de mudar para melhor. Novas ideias são necessárias para abordar a questão de como o setor público gera e agrega valor. Abraçar o poder da tecnologia para ampliar as capacidades humanas pode promover conexões sem limites geográficos. "Não podemos prever o futuro, mas podemos nos preparar para ele" – é o que o relatório de previsão estratégica da OECD (Organisation for Economic Cooperation and Development) – Exploring Implications for the Future of Global Collaboration aponta. Cita que mudanças sociais, tecnológicas, econômicas, ambientais, políticas e geopolíticas estão ocorrendo mais rápido do que nunca e que a sociedade e os governos não podem se fechar à interconexão e à possibilidade de serem globais.


   O desafio é ser produtivo e incitar o talento desse corpo funcional revertido em prestação de serviço de qualidade para o maior cliente: o cidadão, além de vislumbrar um futuro do trabalho mais brilhante para quem trabalha em nome do governo. O futuro é aqui e agora. Será que conseguimos trabalhar com a ideia de que a nova geração de governo será "móvel" nos próximos anos? Já pensou em como essa experiência poderia agregar valor para esse futuro do trabalho? Como novos modelos, boas práticas, novos conhecimentos e vivências poderiam ser compartilhadas? Como a tecnologia irá conectar e disseminar? É um novo mundo que se abre.... quem sairá na frente dessa experiência? Utopia?



1 Upskilling visa ensinar a um trabalhador novas competências para otimizar seu desempenho; o reskilling (também conhecido como reciclagem profissional) procura dar treinamento a um funcionário para realojá-lo num novo posto na empresa. 

 


 Disponível em: https://www.estadao.com.br/politica/blogdo-mlg/a-proxima-geracao-de-governo-e-o-futuro-do-trabalhono-servico-publico-utopia/. Acesso em: 30 ago.2023. Adaptado.





Com relação à tipologia textual, pode-se afirmar que o texto tem caráter predominantemente
Alternativas
Q3556750 Português

A próxima geração de governo e o futuro do trabalho no serviço público: utopia?


Por Ana Paula Bertolin



   Estamos em uma era digital acelerada pela pandemia e a força motriz dessa engrenagem necessita de um novo uso para a tecnologia onde dados e análises avançadas possam suportar as tomadas de decisão auxiliando na validação de soluções e suas implantações. Nesse contexto, um novo perfil de servidor se desenha. Para os que estão na ativa, um processo de upskilling e reskilling1 , além da captura de conhecimento tácito, é fundamental para a próxima geração de talentos que virão a compor o quadro do governo.


   O serviço público não pode fugir à regra. Mas ao contrário das organizações do setor privado, que vem evoluindo nessa questão a passos largos, esse setor não mudou a sua forma de trabalhar em quase nada nas últimas décadas. Continua sendo um setor atrasado em inovação e baseado em políticas retrógradas, fortalecidas em um modelo de produção de linha de montagem e que preza por práticas antigas de liderança e resultados. Como atrair esta nova geração para compor um novo governo?


   Em recente pesquisa do Center Digital Government com trabalhadores americanos em início de carreira, a nova norma é a flexibilidade. A Price Waterhouse Coopers revelou que 61% dos CEOs estão focados em proporcionar o bem-estar de suas equipes para que possam reter talentos. Portanto, governos terão que reinventar sua abordagem de trabalho, expandindo a visão de como e onde o trabalho é feito para que possam atrair e reter talentos para seu quadro de servidores.

  Estabilidade já não é mais o que chama a atenção dessa nova geração, muito menos carreiras de governo – a menos que haja envolvimento político! A busca é por propósito, compreensão do seu papel, qual a causa pela qual trabalha além do equilíbrio entre vida pessoal e profissional, a motivação para o trabalho e a possibilidade de aplicar e desenvolver o pensamento criativo. Esse novo perfil também espera encontrar soluções promovidas pela tecnologia, tendo ela como facilitadora de serviços e experiências de qualidade e igualitariamente a essa força de trabalho.


   Formar uma próxima geração de governo necessita de políticas de retenção de talentos efetivas, que observam habilidades e como elas podem fazer parte do todo, compondo equipes de alta performance olhando para o ser humano como centro. Novas políticas devem ser construídas, expandindo a visão de onde e como o trabalho é e pode ser feito.


   Dexter Docherty em recente publicação afirma que um incrível futuro do trabalho no serviço público, pós-Covid, nos aguarda se tomarmos decisões políticas inteligentes e promotoras de flexibilidade agora! Afirma que, neste mundo cada vez mais digital e globalizado, o governo pode trabalhar com diferentes perspectivas de trabalho, abrindo oportunidade para novos talentos. Continua afirmando que o problema reside na compreensão limitada que os governos têm de onde um funcionário precisa morar para se tornar um servidor público. É uma nova visão onde o potencial para o trabalho seja determinado por tarefas e atividades e não por ocupações. E que seja visto pelas lentes da ética, confiança e da responsabilidade originando uma nova cultura de trabalho positiva, motivada e satisfeita.


   Outro ponto importante para o contexto é publicado em recentes estudos sobre a parada forçada neste período pandêmico. Segundo dados do Governo Federal Brasileiro, foram economizados 3 bilhões em 2020 com o home office de servidores públicos. Conforme entrevista do Secretário Nacional de Gestão e Desempenho de Pessoal, é uma economia oriunda da área meio, áreas administrativas, para que se possa investir em áreas fim. Uma economia significativa para um país que necessita se reequilibrar. Outros dados já apurados mostram que o teletrabalho facilita a entrega de resultados e aumenta a eficiência dos servidores públicos. É um novo conceito baseado na confiança e autonomia.


  As decisões políticas inteligentes neste momento, citadas por Docherty, irão promover mudanças significativas para alguns pontos obscuros na gestão de talentos dos servidores municipais, que poderão promover uma modernização na forma de trabalho podendo gerar equipes mais curiosas para a experimentação, mais engajamento pela promoção da autonomia, lideranças mais ágeis e mais confiantes em suas equipes resultando em um melhor desempenho e entrega de resultados além de uma economia significativa nos gastos públicos – elementos estes estratégicos de longo prazo.


   Diversos modelos podem ser adotados para um trabalho híbrido que combina trabalho remoto com tempo no escritório. Alguns governos, como o de São Paulo, já estão implantando essa modalidade como permanente para algumas funções que se adequam a esse modelo. A Deloitte afirma "o local de trabalho pós-covid mudará de onde as pessoas trabalham para um local onde as equipes se encontram, socializam e se conectam." The Enterprisers Project completa: "as organizações se concentrarão cada vez mais no que é mais importante: trabalho realizado em vez de horas trabalhadas e missões realizadas em vez de tarefas concluídas."


   Mas será que o modelo que perpetua nas instituições públicas está preparado para entender este novo momento? Urge movimentos e atitudes que acompanhem a evolução, hoje lenta e atrasada. É necessário que gestores públicos tomem decisões rápidas nesta área, promovendo uma mudança de cultura onde as novas necessidades do mundo do trabalho possam ser observadas. A forma como o setor público cria valor – o trabalho, a força de trabalho e o local de trabalho – está mudando. O governo não pode enfrentar os desafios complexos de hoje com modelos antigos. Novas regras para a gestão pública são necessárias. Será uma utopia?


   O potencial retido entre o corpo funcional do serviço público é enorme! Precisa ser percebido que se tem o poder de mudar para melhor. Novas ideias são necessárias para abordar a questão de como o setor público gera e agrega valor. Abraçar o poder da tecnologia para ampliar as capacidades humanas pode promover conexões sem limites geográficos. "Não podemos prever o futuro, mas podemos nos preparar para ele" – é o que o relatório de previsão estratégica da OECD (Organisation for Economic Cooperation and Development) – Exploring Implications for the Future of Global Collaboration aponta. Cita que mudanças sociais, tecnológicas, econômicas, ambientais, políticas e geopolíticas estão ocorrendo mais rápido do que nunca e que a sociedade e os governos não podem se fechar à interconexão e à possibilidade de serem globais.


   O desafio é ser produtivo e incitar o talento desse corpo funcional revertido em prestação de serviço de qualidade para o maior cliente: o cidadão, além de vislumbrar um futuro do trabalho mais brilhante para quem trabalha em nome do governo. O futuro é aqui e agora. Será que conseguimos trabalhar com a ideia de que a nova geração de governo será "móvel" nos próximos anos? Já pensou em como essa experiência poderia agregar valor para esse futuro do trabalho? Como novos modelos, boas práticas, novos conhecimentos e vivências poderiam ser compartilhadas? Como a tecnologia irá conectar e disseminar? É um novo mundo que se abre.... quem sairá na frente dessa experiência? Utopia?



1 Upskilling visa ensinar a um trabalhador novas competências para otimizar seu desempenho; o reskilling (também conhecido como reciclagem profissional) procura dar treinamento a um funcionário para realojá-lo num novo posto na empresa. 

 


 Disponível em: https://www.estadao.com.br/politica/blogdo-mlg/a-proxima-geracao-de-governo-e-o-futuro-do-trabalhono-servico-publico-utopia/. Acesso em: 30 ago.2023. Adaptado.





O texto em questão é do domínio jornalístico. Trata-se de texto responsável por fomentar discussões nas redes sociais, justamente por trazer uma série de temas e assuntos polêmicos que mobilizam a sociedade. Com isso, pode-se afirmar que esse texto pertence ao gênero textual
Alternativas
Q3556541 Português

Leia o texto, para responder à questão.



A bolsa – I / O achado



    Jamais em minha vida achei na rua ou em qualquer parte do globo um objeto qualquer. Existem pessoas que acham carteiras, joias, promissórias, animais de luxo, e sei de um polonês que achou um piano na praia do Leblon, inspirando o conto célebre de Aníbal Machado. Mas este escriba, nada: nem um botão.

    Por isso, grande foi a minha emoção ao deparar, no assento do coletivo, com uma bolsa preta de senhora. O destino me prestava esse pequeno favor: completava minha identificação com o resto da humanidade, que tem sempre para contar uma história de objeto achado; e permitia-me ser útil a alguém, devolvendo o que lhe faria falta.

    A bolsa pertencia certamente à moça morena que viajara a meu lado, e de que eu vira apenas o perfil. Sentara-se, abrira o livro e mergulhara na leitura. Eu senti vontade de dizer-lhe: “Moça, não faça isso, olhe seus olhos”, mas receei que ela visse em minhas palavras mais do que um cuidado oftalmológico, e abstive-me. Absorta na leitura, ao sair esquecera o objeto, que só me atraiu a atenção quando o lotação já ia longe.

    Assim, vi-me sozinho com a bolsa na mão. E para evitar que na saída o motorista me interpelasse: “Ei, ó distinto, deixa esse troço aí”, achei prudente envolvê-la no jornal que eu portava. Já percebe o leitor que, a essa altura, minha situação moral era pouco sólida, pois eu procurava esconder do motorista um objeto que não me pertencia, sob o fundamento de que pretendia restituí-lo à dona; como se eu conhecesse essa proprietária mais do que ele, motorista.

    Assim, embuçada convenientemente a coisa, como algo tenebroso que convinha esquivar à curiosidade pública, paguei com dignidade a passagem e saltei sem impugnação.



(Carlos Drummond de Andrade. A bolsa e a vida. Adaptado)

Considere as passagens:



•  Existem pessoas que acham carteiras, joias, promissórias, animais de luxo, e sei de um polonês que achou um piano na praia do Leblon, inspirando o conto célebre de Aníbal Machado. Mas este escriba, nada: nem um botão.


•  Já percebe o leitor que, a essa altura, minha situação moral era pouco sólida, pois eu procurava esconder do motorista um objeto que não me pertencia, sob o fundamento de que pretendia restituí-lo à dona...



Os termos destacados estabelecem relações de sentido, respectivamente, de

Alternativas
Q3556539 Português

Leia o texto, para responder à questão.



A bolsa – I / O achado



    Jamais em minha vida achei na rua ou em qualquer parte do globo um objeto qualquer. Existem pessoas que acham carteiras, joias, promissórias, animais de luxo, e sei de um polonês que achou um piano na praia do Leblon, inspirando o conto célebre de Aníbal Machado. Mas este escriba, nada: nem um botão.

    Por isso, grande foi a minha emoção ao deparar, no assento do coletivo, com uma bolsa preta de senhora. O destino me prestava esse pequeno favor: completava minha identificação com o resto da humanidade, que tem sempre para contar uma história de objeto achado; e permitia-me ser útil a alguém, devolvendo o que lhe faria falta.

    A bolsa pertencia certamente à moça morena que viajara a meu lado, e de que eu vira apenas o perfil. Sentara-se, abrira o livro e mergulhara na leitura. Eu senti vontade de dizer-lhe: “Moça, não faça isso, olhe seus olhos”, mas receei que ela visse em minhas palavras mais do que um cuidado oftalmológico, e abstive-me. Absorta na leitura, ao sair esquecera o objeto, que só me atraiu a atenção quando o lotação já ia longe.

    Assim, vi-me sozinho com a bolsa na mão. E para evitar que na saída o motorista me interpelasse: “Ei, ó distinto, deixa esse troço aí”, achei prudente envolvê-la no jornal que eu portava. Já percebe o leitor que, a essa altura, minha situação moral era pouco sólida, pois eu procurava esconder do motorista um objeto que não me pertencia, sob o fundamento de que pretendia restituí-lo à dona; como se eu conhecesse essa proprietária mais do que ele, motorista.

    Assim, embuçada convenientemente a coisa, como algo tenebroso que convinha esquivar à curiosidade pública, paguei com dignidade a passagem e saltei sem impugnação.



(Carlos Drummond de Andrade. A bolsa e a vida. Adaptado)

Na passagem do 3º parágrafo – ... mas receei que ela visse em minhas palavras mais do que um cuidado oftalmológico, e abstive-me. Absorta na leitura, ao sair esquecera o objeto... –, os termos destacados significam, correta e respectivamente:
Alternativas
Q3556537 Português

Leia o texto, para responder à questão.



A bolsa – I / O achado



    Jamais em minha vida achei na rua ou em qualquer parte do globo um objeto qualquer. Existem pessoas que acham carteiras, joias, promissórias, animais de luxo, e sei de um polonês que achou um piano na praia do Leblon, inspirando o conto célebre de Aníbal Machado. Mas este escriba, nada: nem um botão.

    Por isso, grande foi a minha emoção ao deparar, no assento do coletivo, com uma bolsa preta de senhora. O destino me prestava esse pequeno favor: completava minha identificação com o resto da humanidade, que tem sempre para contar uma história de objeto achado; e permitia-me ser útil a alguém, devolvendo o que lhe faria falta.

    A bolsa pertencia certamente à moça morena que viajara a meu lado, e de que eu vira apenas o perfil. Sentara-se, abrira o livro e mergulhara na leitura. Eu senti vontade de dizer-lhe: “Moça, não faça isso, olhe seus olhos”, mas receei que ela visse em minhas palavras mais do que um cuidado oftalmológico, e abstive-me. Absorta na leitura, ao sair esquecera o objeto, que só me atraiu a atenção quando o lotação já ia longe.

    Assim, vi-me sozinho com a bolsa na mão. E para evitar que na saída o motorista me interpelasse: “Ei, ó distinto, deixa esse troço aí”, achei prudente envolvê-la no jornal que eu portava. Já percebe o leitor que, a essa altura, minha situação moral era pouco sólida, pois eu procurava esconder do motorista um objeto que não me pertencia, sob o fundamento de que pretendia restituí-lo à dona; como se eu conhecesse essa proprietária mais do que ele, motorista.

    Assim, embuçada convenientemente a coisa, como algo tenebroso que convinha esquivar à curiosidade pública, paguei com dignidade a passagem e saltei sem impugnação.



(Carlos Drummond de Andrade. A bolsa e a vida. Adaptado)

O fato de ter encontrado a bolsa no ônibus despertou no narrador

Alternativas
Q3556532 Português
Leia o texto, para responder à questão.


    Tirar cochilos durante o dia pode ajudar a preservar a saúde do cérebro e evitar quadros de demência, como sugeriram pesquisadores britânicos e uruguaios, em estudo publicado na revista científica Sleep Health. Eles encontraram uma “ligação causal modesta” entre as sonecas e um maior volume cerebral.
    Os estudiosos compararam as medidas de saúde do cérebro e cognição de indivíduos “geneticamente programados” para tirar sonecas com aqueles que não tinham as variantes genéticas que marcam o hábito.
    A principal autora da pesquisa disse que essa é a primeira pesquisa “a tentar desvendar a relação causal entre cochilo diurno habitual e resultados cognitivos e estruturais do cérebro”. “Espero que estudos como este, mostrando os benefícios para a saúde de cochilos curtos, possam ajudar a reduzir qualquer estigma que ainda exista em relação a eles”, afirmou Victoria Garfield, autora sênior.
    No artigo, os pesquisadores explicam o declínio no volume do cérebro conforme envelhecemos. Uma metanálise anterior mostrou que, em pessoas saudáveis, após os 35 anos, o encolhimento é constante, a taxas de 2% ao ano, que aceleram aos 60. Assumindo esse declínio linear, os pesquisadores encontraram diferenças entre 2,6 e 6,5 anos entre quem estava geneticamente programado para cochilar e os que não.
    Esses “anos economizados”, escreveram, podem equivaler à diferença entre um volume do cérebro de alguém com função cognitiva normal e comprometimento cognitivo leve. Uma das limitações do estudo é que é uma amostra com apenas pessoas de ascendência europeia e branca.


(Leon Ferrari. Disponível em <estadão.com.br>. Acesso em 26.06.2023.
Adaptado)
Assinale a alternativa que identifica, correta e respectivamente, o sentido em que estão empregadas as expressões – estigma (3º parágrafo) e anos economizados (5º parágrafo).
Alternativas
Q3556531 Português
Leia o texto, para responder à questão.


    Tirar cochilos durante o dia pode ajudar a preservar a saúde do cérebro e evitar quadros de demência, como sugeriram pesquisadores britânicos e uruguaios, em estudo publicado na revista científica Sleep Health. Eles encontraram uma “ligação causal modesta” entre as sonecas e um maior volume cerebral.
    Os estudiosos compararam as medidas de saúde do cérebro e cognição de indivíduos “geneticamente programados” para tirar sonecas com aqueles que não tinham as variantes genéticas que marcam o hábito.
    A principal autora da pesquisa disse que essa é a primeira pesquisa “a tentar desvendar a relação causal entre cochilo diurno habitual e resultados cognitivos e estruturais do cérebro”. “Espero que estudos como este, mostrando os benefícios para a saúde de cochilos curtos, possam ajudar a reduzir qualquer estigma que ainda exista em relação a eles”, afirmou Victoria Garfield, autora sênior.
    No artigo, os pesquisadores explicam o declínio no volume do cérebro conforme envelhecemos. Uma metanálise anterior mostrou que, em pessoas saudáveis, após os 35 anos, o encolhimento é constante, a taxas de 2% ao ano, que aceleram aos 60. Assumindo esse declínio linear, os pesquisadores encontraram diferenças entre 2,6 e 6,5 anos entre quem estava geneticamente programado para cochilar e os que não.
    Esses “anos economizados”, escreveram, podem equivaler à diferença entre um volume do cérebro de alguém com função cognitiva normal e comprometimento cognitivo leve. Uma das limitações do estudo é que é uma amostra com apenas pessoas de ascendência europeia e branca.


(Leon Ferrari. Disponível em <estadão.com.br>. Acesso em 26.06.2023.
Adaptado)
A expressão – ligação causal modesta (1º parágrafo) – sugere que a pesquisa
Alternativas
Q3556530 Português
Leia o texto, para responder à questão.


    Tirar cochilos durante o dia pode ajudar a preservar a saúde do cérebro e evitar quadros de demência, como sugeriram pesquisadores britânicos e uruguaios, em estudo publicado na revista científica Sleep Health. Eles encontraram uma “ligação causal modesta” entre as sonecas e um maior volume cerebral.
    Os estudiosos compararam as medidas de saúde do cérebro e cognição de indivíduos “geneticamente programados” para tirar sonecas com aqueles que não tinham as variantes genéticas que marcam o hábito.
    A principal autora da pesquisa disse que essa é a primeira pesquisa “a tentar desvendar a relação causal entre cochilo diurno habitual e resultados cognitivos e estruturais do cérebro”. “Espero que estudos como este, mostrando os benefícios para a saúde de cochilos curtos, possam ajudar a reduzir qualquer estigma que ainda exista em relação a eles”, afirmou Victoria Garfield, autora sênior.
    No artigo, os pesquisadores explicam o declínio no volume do cérebro conforme envelhecemos. Uma metanálise anterior mostrou que, em pessoas saudáveis, após os 35 anos, o encolhimento é constante, a taxas de 2% ao ano, que aceleram aos 60. Assumindo esse declínio linear, os pesquisadores encontraram diferenças entre 2,6 e 6,5 anos entre quem estava geneticamente programado para cochilar e os que não.
    Esses “anos economizados”, escreveram, podem equivaler à diferença entre um volume do cérebro de alguém com função cognitiva normal e comprometimento cognitivo leve. Uma das limitações do estudo é que é uma amostra com apenas pessoas de ascendência europeia e branca.


(Leon Ferrari. Disponível em <estadão.com.br>. Acesso em 26.06.2023.
Adaptado)
De acordo com as informações do texto, pesquisa dos estudiosos britânicos e uruguaios revelou que
Alternativas
Q3556487 Português
“(...) Todos os países do Mundo, raças, grupos humanos, famílias, classes profissionais, possuem um patrimônio de tradições que se transmite oralmente e é defendido e conservado pelo costume.

Esse patrimônio é milenar e contemporâneo. Cresce com os conhecimentos diários desde que se integrem nos hábitos grupais, domésticos ou nacionais. Esse patrimônio é o FOLCLORE. Folk, povo, nação, família, parentalha. Lore, instrução, conhecimento, sabedoria, na acepção da consciência individual do saber. Saber que sabe. Contemporaneidade, atualização imediatista do conhecimento. Esse nome – Folk-Lore - foi criado por um arqueólogo inglês, William John Thoms (1803-1885), propondo a denominação num artigo com esse título publicado na revista The Athenaeum, de Londres, a 22 de agosto de 1846, com o pseudônimo de “Ambrose Merton”. FolkLore seria the lore of the people, a sabedoria do povo. Tornou-se universal e comum. Dispensável é qualquer discussão sobre a permanência do folclore no tempo e no espaço.

Haverá um folclore dos astronautas como há um folclore dos chauffeurs de automóveis e pilotos de aviões. Inútil será pensar que um desenvolvimento industrial anulará o folclore. Fará nascer outro.”

CASCUDO, Luís da Câmara. Folclore do Brasil. Editora Global, 2016. 
O autor, no livro onde se situa a citação acima, explica que, à sua época, a Sociedade Brasileira de FolkLore (1941) fixou os critérios para que um conto pudesse ser considerado folclórico. Escreve Cascudo:
“É preciso que o motivo, fato, ato, ação seja _______ na memória do povo; _______ em sua autoria; _________ em seu conhecimento, e_________ nos repertórios orais ou no hábito normal.” 
As palavras que completam corretamente as lacunas da citação de Câmara Cascudo são: 
Alternativas
Q3556464 Português
Por que temos somente as mitocôndrias das nossas mães?

Cientistas podem ter descoberto por que as mitocôndrias de origem paterna são degradadas na fertilização. 

Você consegue acordar todos os dias graças a sua mãe. E a sua avó. E a sua bisavó. E assim por diante. Não só porque elas gestaram seus antepassados, é claro; mas também porque suas mitocôndrias, as usinas de energia do corpo humano, são exclusivamente de origem materna. Dentro das células, existem duas organelas que possuem DNA. A principal delas é o núcleo, onde fica o material genético com basicamente todas as informações que formam o indivíduo. Mas ele não é o único. As mitocôndrias também possuem material genético, ainda que em uma proporção bem menor (somente 37 genes, comparado a 20 mil do genoma). O DNA nuclear, encontrado na forma de cromossomos, é uma combinação de informações vindas tanto da mãe quanto do pai. Mas no caso do mtDNA (DNA mitocondrial), a história é outra. As mitocôndrias possuem o DNA somente das mães, aquelas presentes no óvulo. Isso significa que toda mulher tem o mesmo mtDNA de sua mãe, que tem o mesmo de sua avó, e assim por diante. Dessa forma, é possível voltar na linhagem até encontrar uma mulher que foi a ancestral comum de todas as pessoas vivas hoje. Essa teoria é chamada “Eva Mitocondrial”, e supõe-se que essa mulher tenha vivido há mais ou menos 200 mil anos. 

Os espermatozoides também possuem mitocôndrias. Então por que só a do óvulo vai parar no feto? No caso dos espermatozoides, as mitocôndrias ficam na peça intermediária – uma parte que fica de fora da fecundação. O espermatozoide é dividido em três partes: a cabeça, a peça intermediária e a cauda. A cabeça é onde fica o núcleo, com o DNA nuclear, e o acrossomo, região na ponta onde ficam enzimas e pedaços do complexo de Golgi, que vão ajudar o gameta a entrar no óvulo. … na peça intermediária que ficam as mitocôndrias. Isso porque, para “correr” e chegar primeiro no óvulo, os espermatozóides gastam uma grande quantidade de energia para movimentar a cauda o mais rápido possível. E essa pode ser uma das razões pelas quais temos somente o mtDNA materno.

Nova pesquisa

Quando o espermatozóide entra no óvulo, sua cauda fica para trás, com nenhum ou poucos resquícios do mtDNA paterno após a fertilização. Um estudo publicado na Nature Genetics recentemente pode explicar o porquê. A principal hipótese é de que a alta geração de energia das mitocôndrias presentes nos espermatozóides poderiam levar a um aumento no número de mutações do mtDNA. Além disso, o mtDNA paterno não possui uma proteína responsável por proteger esse material durante a passagem para o óvulo. Dessa forma, ao entrar no óvulo, o mtDNA do espermatozóide é degradado por enzimas específicas presente no próprio gameta masculino. Em outras palavras, o mtDNA possui uma enzima que causa a sua própria destruição momentos antes da fertilização, visto que a sua alta produção de energia poderia levar a mutações em seu genoma. De acordo com um dos pesquisadores do estudo, o biólogo Shoukhrat Mitalipov do Centro de Terapia Celular e Genética Embrionária da Universidade de Ciências e Saúde do Oregon, o mesmo não acontece com o óvulo. Em 2018, um estudo publicado na PNAS revelou um caso em que foram encontrados mtDNA paternos nas células dos filhos. [...] 

Revista Superinteressante. Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/por-que-temos-somente-as-mitocondrias-das-nossas-maes/ 



Considere o excerto: “Isso significa que toda mulher tem o mesmo mtDNA de sua mãe, que tem o mesmo de sua avó, e assim por diante. Dessa forma, é possível voltar na linhagem até encontrar uma mulher que foi a ancestral comum de todas as pessoas vivas hoje.” Nesse contexto, a locução “dessa forma” cumpre um importante papel relacionado à coesão textual. Isso porque a expressão atua como um: 
Alternativas
Q3556426 Português
Quando alguém fala para um adulto: “Você é muito criança”, está sendo utilizada uma:
Alternativas
Q3556421 Português
Texto para a questão.


12 de Outubro – Dia das Crianças


O Dia das Crianças é comemorado anualmente em nosso país no dia 12 de outubro. Essa data comemorativa foi estabelecida por uma lei sancionada em 1924, durante a Primeira República. No dia 12 de outubro, comemora-se no Brasil o Dia das Crianças. Nosso país foi um dos primeiros a comemorar essa data e, desde 1924, o calendário brasileiro tem um dia especialmente dedicado às crianças. Somente em 1959, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estabeleceu o dia 20 de novembro como Dia Internacional das Crianças, em referência à Declaração dos Direitos da Criança.

Para entender a história da instituição desse dia no Brasil e sua popularização, é importante conhecer um pouco do conceito de infância no mundo ocidental.

Debate sobre infância na história

Muitos especialistas em história da infância, como o historiador francês Philippe Ariès, asseguram que o conceito de infância ou de criança, tal como o concebemos hoje, foi socialmente construído a partir do século XVIII. Nessa época, as primeiras teses de pedagogia moderna – como as de Jean-Jacques Rousseau – começaram a pensar a criança de acordo com suas singularidades físicas, cognitivas e sociais. Assim, pautas como desenvolvimento da estrutura corporal e aprendizado escolar de acordo com a faixa etária começaram a entrar nas discussões políticas, sobretudo após a Revolução Francesa.

As legislações dos Estados Nacionais do século XIX, apoiadas nas ideias liberais herdadas do Iluminismo e da Revolução Francesa, solidificaram essa nova concepção de infância. Os cuidados com a criança passaram a ser função não apenas de seu núcleo familiar, mas também do Estado. Com a crise social deflagrada pela Primeira Guerra Mundial – que deixou milhares de crianças órfãs e abandonadas –, as reflexões sobre a infância tornaram-se ainda mais relevantes e incisivas. Foi nesse contexto que muitos países começaram a realizar congressos direcionados ao estudo sobre a criança.

Quando surgiu o Dia da Criança no Brasil?

A cidade do Rio de Janeiro (então capital do Brasil) sediou, em 1923, o 3º Congresso Sul-Americano da Criança. Nessa época, o país era governado por Artur Bernardes. Galdino do Valle Filho, um dos deputados federais da época, aproveitando a atmosfera reflexiva que o congresso deixara na capital, elaborou, no ano seguinte (1924), um projeto que tinha como objetivo a criação de um dia nacional dedicado à criança.

A proposta do deputado era de que esse dia fosse celebrado em 12 de outubro. O projeto de Galdino foi aprovado, e o Dia da Criança foi oficializado pelo presidente Artur Bernardes por meio do decreto nº 4.867, de 5 de novembro de 1924.

O registro da lei feito na época afirmava que: “Fica instituído o dia 12 de outubro para ter lugar, em todo o território nacional, a festa da criança, revogadas as disposições em contrário”. É claro que a criação da dita “festa da criança” não teve repercussão imediata, tornando-se popular após 1950.

Como o Dia das Crianças tornou-se popular no Brasil?

Foram necessários cerca de 30 anos para que o Dia das Crianças entrasse no “gosto” do povo brasileiro. Isso aconteceu a partir de 1955, quando a marca de fabricação de brinquedos Estrela iniciou uma campanha nacional para venda de seus produtos. A campanha foi intitulada “Semana do Bebê Robusto”. A ação consistia em usar o Dia da Criança para alavancar a venda de brinquedos.

Dez anos depois, em 1965, foi a vez da empresa Johnson & Johnson dedicar-se ao mesmo tipo de projeto, com a campanha “Bebê Johnson 65”. A partir de então, o Dia da Criança, criado no Brasil em 1924, passou a ser disseminado em todo o país.


Disponível em:
https://mundoeducacao.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-dascriancas.htm#:~:text=Galdino%20do%20Valle%20Filho%2C%20um,di a%20nacional%20dedicado%20%C3%A0%20crian%C3%A7a.
Em relação à tipologia, o texto é predominantemente:
Alternativas
Q3556420 Português
Texto para a questão.


12 de Outubro – Dia das Crianças


O Dia das Crianças é comemorado anualmente em nosso país no dia 12 de outubro. Essa data comemorativa foi estabelecida por uma lei sancionada em 1924, durante a Primeira República. No dia 12 de outubro, comemora-se no Brasil o Dia das Crianças. Nosso país foi um dos primeiros a comemorar essa data e, desde 1924, o calendário brasileiro tem um dia especialmente dedicado às crianças. Somente em 1959, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estabeleceu o dia 20 de novembro como Dia Internacional das Crianças, em referência à Declaração dos Direitos da Criança.

Para entender a história da instituição desse dia no Brasil e sua popularização, é importante conhecer um pouco do conceito de infância no mundo ocidental.

Debate sobre infância na história

Muitos especialistas em história da infância, como o historiador francês Philippe Ariès, asseguram que o conceito de infância ou de criança, tal como o concebemos hoje, foi socialmente construído a partir do século XVIII. Nessa época, as primeiras teses de pedagogia moderna – como as de Jean-Jacques Rousseau – começaram a pensar a criança de acordo com suas singularidades físicas, cognitivas e sociais. Assim, pautas como desenvolvimento da estrutura corporal e aprendizado escolar de acordo com a faixa etária começaram a entrar nas discussões políticas, sobretudo após a Revolução Francesa.

As legislações dos Estados Nacionais do século XIX, apoiadas nas ideias liberais herdadas do Iluminismo e da Revolução Francesa, solidificaram essa nova concepção de infância. Os cuidados com a criança passaram a ser função não apenas de seu núcleo familiar, mas também do Estado. Com a crise social deflagrada pela Primeira Guerra Mundial – que deixou milhares de crianças órfãs e abandonadas –, as reflexões sobre a infância tornaram-se ainda mais relevantes e incisivas. Foi nesse contexto que muitos países começaram a realizar congressos direcionados ao estudo sobre a criança.

Quando surgiu o Dia da Criança no Brasil?

A cidade do Rio de Janeiro (então capital do Brasil) sediou, em 1923, o 3º Congresso Sul-Americano da Criança. Nessa época, o país era governado por Artur Bernardes. Galdino do Valle Filho, um dos deputados federais da época, aproveitando a atmosfera reflexiva que o congresso deixara na capital, elaborou, no ano seguinte (1924), um projeto que tinha como objetivo a criação de um dia nacional dedicado à criança.

A proposta do deputado era de que esse dia fosse celebrado em 12 de outubro. O projeto de Galdino foi aprovado, e o Dia da Criança foi oficializado pelo presidente Artur Bernardes por meio do decreto nº 4.867, de 5 de novembro de 1924.

O registro da lei feito na época afirmava que: “Fica instituído o dia 12 de outubro para ter lugar, em todo o território nacional, a festa da criança, revogadas as disposições em contrário”. É claro que a criação da dita “festa da criança” não teve repercussão imediata, tornando-se popular após 1950.

Como o Dia das Crianças tornou-se popular no Brasil?

Foram necessários cerca de 30 anos para que o Dia das Crianças entrasse no “gosto” do povo brasileiro. Isso aconteceu a partir de 1955, quando a marca de fabricação de brinquedos Estrela iniciou uma campanha nacional para venda de seus produtos. A campanha foi intitulada “Semana do Bebê Robusto”. A ação consistia em usar o Dia da Criança para alavancar a venda de brinquedos.

Dez anos depois, em 1965, foi a vez da empresa Johnson & Johnson dedicar-se ao mesmo tipo de projeto, com a campanha “Bebê Johnson 65”. A partir de então, o Dia da Criança, criado no Brasil em 1924, passou a ser disseminado em todo o país.


Disponível em:
https://mundoeducacao.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-dascriancas.htm#:~:text=Galdino%20do%20Valle%20Filho%2C%20um,di a%20nacional%20dedicado%20%C3%A0%20crian%C3%A7a.
Ainda segundo o texto: 
Alternativas
Q3556419 Português
Texto para a questão.


12 de Outubro – Dia das Crianças


O Dia das Crianças é comemorado anualmente em nosso país no dia 12 de outubro. Essa data comemorativa foi estabelecida por uma lei sancionada em 1924, durante a Primeira República. No dia 12 de outubro, comemora-se no Brasil o Dia das Crianças. Nosso país foi um dos primeiros a comemorar essa data e, desde 1924, o calendário brasileiro tem um dia especialmente dedicado às crianças. Somente em 1959, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estabeleceu o dia 20 de novembro como Dia Internacional das Crianças, em referência à Declaração dos Direitos da Criança.

Para entender a história da instituição desse dia no Brasil e sua popularização, é importante conhecer um pouco do conceito de infância no mundo ocidental.

Debate sobre infância na história

Muitos especialistas em história da infância, como o historiador francês Philippe Ariès, asseguram que o conceito de infância ou de criança, tal como o concebemos hoje, foi socialmente construído a partir do século XVIII. Nessa época, as primeiras teses de pedagogia moderna – como as de Jean-Jacques Rousseau – começaram a pensar a criança de acordo com suas singularidades físicas, cognitivas e sociais. Assim, pautas como desenvolvimento da estrutura corporal e aprendizado escolar de acordo com a faixa etária começaram a entrar nas discussões políticas, sobretudo após a Revolução Francesa.

As legislações dos Estados Nacionais do século XIX, apoiadas nas ideias liberais herdadas do Iluminismo e da Revolução Francesa, solidificaram essa nova concepção de infância. Os cuidados com a criança passaram a ser função não apenas de seu núcleo familiar, mas também do Estado. Com a crise social deflagrada pela Primeira Guerra Mundial – que deixou milhares de crianças órfãs e abandonadas –, as reflexões sobre a infância tornaram-se ainda mais relevantes e incisivas. Foi nesse contexto que muitos países começaram a realizar congressos direcionados ao estudo sobre a criança.

Quando surgiu o Dia da Criança no Brasil?

A cidade do Rio de Janeiro (então capital do Brasil) sediou, em 1923, o 3º Congresso Sul-Americano da Criança. Nessa época, o país era governado por Artur Bernardes. Galdino do Valle Filho, um dos deputados federais da época, aproveitando a atmosfera reflexiva que o congresso deixara na capital, elaborou, no ano seguinte (1924), um projeto que tinha como objetivo a criação de um dia nacional dedicado à criança.

A proposta do deputado era de que esse dia fosse celebrado em 12 de outubro. O projeto de Galdino foi aprovado, e o Dia da Criança foi oficializado pelo presidente Artur Bernardes por meio do decreto nº 4.867, de 5 de novembro de 1924.

O registro da lei feito na época afirmava que: “Fica instituído o dia 12 de outubro para ter lugar, em todo o território nacional, a festa da criança, revogadas as disposições em contrário”. É claro que a criação da dita “festa da criança” não teve repercussão imediata, tornando-se popular após 1950.

Como o Dia das Crianças tornou-se popular no Brasil?

Foram necessários cerca de 30 anos para que o Dia das Crianças entrasse no “gosto” do povo brasileiro. Isso aconteceu a partir de 1955, quando a marca de fabricação de brinquedos Estrela iniciou uma campanha nacional para venda de seus produtos. A campanha foi intitulada “Semana do Bebê Robusto”. A ação consistia em usar o Dia da Criança para alavancar a venda de brinquedos.

Dez anos depois, em 1965, foi a vez da empresa Johnson & Johnson dedicar-se ao mesmo tipo de projeto, com a campanha “Bebê Johnson 65”. A partir de então, o Dia da Criança, criado no Brasil em 1924, passou a ser disseminado em todo o país.


Disponível em:
https://mundoeducacao.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-dascriancas.htm#:~:text=Galdino%20do%20Valle%20Filho%2C%20um,di a%20nacional%20dedicado%20%C3%A0%20crian%C3%A7a.
Segundo informações do texto:
Alternativas
Q3556418 Português
Texto para a questão.


12 de Outubro – Dia das Crianças


O Dia das Crianças é comemorado anualmente em nosso país no dia 12 de outubro. Essa data comemorativa foi estabelecida por uma lei sancionada em 1924, durante a Primeira República. No dia 12 de outubro, comemora-se no Brasil o Dia das Crianças. Nosso país foi um dos primeiros a comemorar essa data e, desde 1924, o calendário brasileiro tem um dia especialmente dedicado às crianças. Somente em 1959, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estabeleceu o dia 20 de novembro como Dia Internacional das Crianças, em referência à Declaração dos Direitos da Criança.

Para entender a história da instituição desse dia no Brasil e sua popularização, é importante conhecer um pouco do conceito de infância no mundo ocidental.

Debate sobre infância na história

Muitos especialistas em história da infância, como o historiador francês Philippe Ariès, asseguram que o conceito de infância ou de criança, tal como o concebemos hoje, foi socialmente construído a partir do século XVIII. Nessa época, as primeiras teses de pedagogia moderna – como as de Jean-Jacques Rousseau – começaram a pensar a criança de acordo com suas singularidades físicas, cognitivas e sociais. Assim, pautas como desenvolvimento da estrutura corporal e aprendizado escolar de acordo com a faixa etária começaram a entrar nas discussões políticas, sobretudo após a Revolução Francesa.

As legislações dos Estados Nacionais do século XIX, apoiadas nas ideias liberais herdadas do Iluminismo e da Revolução Francesa, solidificaram essa nova concepção de infância. Os cuidados com a criança passaram a ser função não apenas de seu núcleo familiar, mas também do Estado. Com a crise social deflagrada pela Primeira Guerra Mundial – que deixou milhares de crianças órfãs e abandonadas –, as reflexões sobre a infância tornaram-se ainda mais relevantes e incisivas. Foi nesse contexto que muitos países começaram a realizar congressos direcionados ao estudo sobre a criança.

Quando surgiu o Dia da Criança no Brasil?

A cidade do Rio de Janeiro (então capital do Brasil) sediou, em 1923, o 3º Congresso Sul-Americano da Criança. Nessa época, o país era governado por Artur Bernardes. Galdino do Valle Filho, um dos deputados federais da época, aproveitando a atmosfera reflexiva que o congresso deixara na capital, elaborou, no ano seguinte (1924), um projeto que tinha como objetivo a criação de um dia nacional dedicado à criança.

A proposta do deputado era de que esse dia fosse celebrado em 12 de outubro. O projeto de Galdino foi aprovado, e o Dia da Criança foi oficializado pelo presidente Artur Bernardes por meio do decreto nº 4.867, de 5 de novembro de 1924.

O registro da lei feito na época afirmava que: “Fica instituído o dia 12 de outubro para ter lugar, em todo o território nacional, a festa da criança, revogadas as disposições em contrário”. É claro que a criação da dita “festa da criança” não teve repercussão imediata, tornando-se popular após 1950.

Como o Dia das Crianças tornou-se popular no Brasil?

Foram necessários cerca de 30 anos para que o Dia das Crianças entrasse no “gosto” do povo brasileiro. Isso aconteceu a partir de 1955, quando a marca de fabricação de brinquedos Estrela iniciou uma campanha nacional para venda de seus produtos. A campanha foi intitulada “Semana do Bebê Robusto”. A ação consistia em usar o Dia da Criança para alavancar a venda de brinquedos.

Dez anos depois, em 1965, foi a vez da empresa Johnson & Johnson dedicar-se ao mesmo tipo de projeto, com a campanha “Bebê Johnson 65”. A partir de então, o Dia da Criança, criado no Brasil em 1924, passou a ser disseminado em todo o país.


Disponível em:
https://mundoeducacao.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-dascriancas.htm#:~:text=Galdino%20do%20Valle%20Filho%2C%20um,di a%20nacional%20dedicado%20%C3%A0%20crian%C3%A7a.
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