Questões de Concurso
Sobre gêneros textuais em português
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TEXTO II

O gênero textual do texto II é chamado de infográfico.
São características presentes nesse texto, exceto:
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder a questão.
Um acento pode mudar todo o sentido da frase?
Um acento e tudo muda.
A secretária, na secretaria, disse a Antônio, seu chefe,que estava muito gripada.
— Não me medico! Vou sim ao médico. E já! - exclamou.
Ela, sábia, sabia dos riscos da famosa automedicação.
— Meu bebê, por exemplo, seu Antônio, só bebe o que é prescrito! Só come coco do bom; por isso, nunca tem cocô fedido.
Rapidamente, Raissa (que odiava ser chamada de Raíssa) ganhou a liberação para ir ao médico. Antes da saída, proclamou o chefe:
— Não se acostume! Neste mundo é preciso que se rale para sair da ralé, menina!
— Ah! Vou avisar também seus pais! Sabe como anda a violência neste país, né?
Ao chegar ao consultório, olhou para o forro do estabelecimento e lembrou a origem dos chatos espirros:o forró agarradinho à pele com o Édson (apelidado de Pelé).
— Seu nome? - perguntou o médico.
— Raissa!
— Raíssa, ...
— Ops! É Raissa! Meu nome não tem acento, tem que pronunciar o ditongo ai. É “AI”: Raissa!
— Perdão, dona Raissa! Que houve?
— Ah! Aqui na Bahia (o senhor sabe, né?), em qualquer baia, a gente dança forró, pele com a pele. Pelé me convidou, trocamos umas palavrazinhas. De repente, eu disse que era secretária. Ele disse que eu era mesmo uma babá muito bonita. Troquei baba com ele, por longos minutos.
Para homenagear o momento, pedi à banda um fá maior e ele ficou fã.
A única coisa triste, doutor, é que, nesse ínterim, fiquei inteiramente gripada.
— Dona Raissa, venha cá! Não repare a minha cã:cabelo branco quando nasce é sempre aos montes. Vou lhe mostrar, por meio deste cartaz, nossa garganta.
— Está vendo lá? - questionou.
— Esta garganta? - perguntou a moça.
— Quando se está sob a friagem, sem a roupa de lã, lá fica inflamado, cheio de ira, como os fanáticos do Irã.
— Em meu último congresso em Roma, aprendi que romã é ótimo para tal incômodo laríngeo. Você se incomoda com essa fruta?
— Não me incomodo, doutor!
— Tome também estes comprimidos, duas vezes ao dia, e ficará curada.
Raissa, diante do tempo gasto na consulta, ficara apenas chateada por não conseguir comprar carne, tampouco quitar pontualmente a dívida, impressa no carnê. Um acento e tudo muda.
Um abraço e até a próxima!
Disponível em: <https://exame.abril.com.br/carreira/um-acento-pode-mudar-todo-o-sentido-da-frase/>.
Canção
Pus meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quando for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mão quebradas.
Cecília Meireles – A viagem
Os três pássaros do Rei Herodes
Pela triste estrada de Belém, a Virgem Maria, tendo o Menino Jesus ao colo, fugia do rei Herodes.
Aflita e triste ia em meio do caminho quando encontrou um pombo, que lhe perguntou:
- Para onde vais, Maria?
- Fugimos da maldade do rei Herodes – respondeu ela. Mas como naquele momento se ouvisse o tropel dos soldados que a perseguiam, o pombo voou assustado.
Continuou Maria a desassossegada viagem e, pouco adiante, encontrou uma codorniz que lhe fez a mesma pergunta que o pombo e, tal qual este, inteirada do perigo, tratou de fugir.
Finalmente, encontrou-se com uma cotovia que, assim que soube do perigo que assustava a Virgem, escondeu-a e ao menino, atrás de cerrado grupo de árvores que ali existia.
Os soldados de Herodes encontraram o pombo e dele souberam o caminho seguido pelos fugitivos. Mais para a frente a codorniz não hesitou em seguir o exemplo do pombo.
Ao fim de algum tempo de marcha, surgiram à frente da cotovia. Viste passar por aqui uma moça com uma criança no regaço?
- Vi sim – respondeu o pequenino pássaro. Foram por ali.
E indicou aos soldados um caminho que se via ao longe. E assim afastou da Virgem e de Jesus os seus malvados perseguidores.
Deus castigou o pombo e a codorniz.
O primeiro, que tinha uma linda voz, passou a emitir, desde então, um eterno queixume.
A segunda passou a voar tão baixo, tão baixo, que se tornou presa fácil de qualquer caçador inexperiente.
E a cotovia recebeu o prêmio de ser a esplêndida anunciadora do sol a cada dia que desponta.
Honestidade existe
Walcyr Carrasco
Um amigo carioca fez compras no Shopping Rio Sul e pegou um táxi para voltar. Quando desceu e entrou em seu prédio, descobriu que esquecera todas as sacolas no táxi. Deu um tapa na cabeça, de raiva.
– Como fiz uma besteira dessas?
Nesse instante, o taxista fez um sinal da porta.
– Ei, amigo. Acho que você esqueceu essas sacolas aqui.
Simples assim. Quando ele desceu, o taxista percebeu o lapso. Fez a volta na quadra, voltou.
Quando se conta uma história dessas, as pessoas ficam surpresas. Mas como? O taxista não ficou com as compras? Estamos tão acostumados com a falta de escrúpulos que um gesto de honestidade surpreende. Se alguém encontra dinheiro perdido e devolve, vira notícia de jornal. Como o casal de moradores de rua que espantou o país em 2012, ao devolver cerca de R$ 20 mil encontrados num saco plástico, abandonado por assaltantes de um restaurante japonês. Ou outras pequenas mas simbólicas situações, em que pessoas comuns encontraram dinheiro perdido e devolveram.
O espantoso é que a gente se espante com isso, que se torne notícia. A honestidade não deveria ser notícia, mas hábito. Crimes contra o patrimônio, corrupção, mortes violentas como a da mulher linchada em Guarujá, São Paulo, se tornaram tão habituais no noticiário que nos espantamos com a decência. E, no entanto, duas ou três gerações atrás, o homem preferia morrer a perder a honra. A palavra dada valia mais que a assinatura de um documento. Conheci gente, na minha infância, que perdeu tudo o que tinha para pagar dívidas contraídas no fio do bigode. Ter o nome sujo era uma vergonha. Para ter nome sujo, bastava não pagar uma dívida, atrasar um crediário, levar uma denúncia ou processo por inadimplência.
Sei que, hoje, ainda há muitos que se importam com isso. Cada vez mais, porém, tanto faz. O importante é se dar bem, mesmo que isso signifique dar um golpe no vizinho. Não sou especialista, mas há quem diga que a quebra de valores cresceu violentamente quando certo presidente declarou em rede pública que enormes quantias encontradas no caixa dois eram só “dinheiro não contabilizado”. Bem, meu objetivo aqui não é falar sobre o mau exemplo daqueles que elegemos e deveriam ser os guardiões da moralidade pública. Mas dizer que, sim, há esperança.
Na semana passada, estive em São José dos Ausentes, uma pequena cidade encravada no alto da serra gaúcha. É um dos poucos lugares no país onde neva. Tem pouco mais de 3 mil habitantes e uma paisagem indescritível, onde foi gravada A Casa das Sete Mulheres e os capítulos iniciais da novela O Profeta, ambos da TV Globo. Vive do gado, da plantação de batatas, da pesca de trutas e, em breve, da energia eólica – as primeiras torres já estão em instalação. Mais que com a paisagem, me espantei com o clima de honestidade, que relembra os valores antigos. Numa compra, a soma deu R$ 13. Entreguei R$ 14, já dizendo:
– Não precisa me dar o troco.
– Faço questão – respondeu a vendedora e sacou uma moeda de R$1.
Imaginava que, como sempre aqui no eixo Rio-São Paulo, não haveria troco! Lá, em São José, eles têm sim. Durante dias, a cada compra, por menor que fosse, eu recebia religiosamente as moedinhas de volta. Mais: ao chegar, percebi que nenhuma casa tinha grades, cerca eletrônica ou qualquer dispositivo de segurança. Muros baixos e jardins, uma prova de que os moradores não têm medo. A simpatia e a educação dos habitantes eram impressionantes. A dona do pequeno hotel em que fiquei, Mana, nos esperou com uma sopa quente às 2 da manhã, quando chegamos.
– Devem estar com frio, eu mesma fiz este capelete com galinha caipira.
Quando fui pagar a conta, a sopa estava lá. Sem nenhum custo extra por ser servida de madrugada, pela própria dona – que, soube depois, levantava às 5 horas para preparar o café da manhã dos hóspedes. E, bem... custou pouco mais de R$10 porque, de acordo com Mana, era o preço justo. A violência é raríssima. É possível sair à noite, andar a cidade toda, em paz. O que mais me surpreendeu foi descobrir que há moradores que deixam o carro com a chave no contato. O Secretário de Turismo, Alziro, certa vez perguntou a um senhor por que fazia isso. Não seria arriscado?
– É melhor, porque não esqueço onde está a chave – respondeu o proprietário.
Simples assim. Como São José dos Ausentes, em muitas cidades a honestidade ainda é a regra, não a exceção. Ainda bem.
Aplicativo detecta problemas de visão em
crianças a partir de fotos
Por Guilherme Eler
Publicado em 03 out. 2019
Graças aos smartphones, qualquer pessoa hoje carrega uma máquina fotográfica potente no bolso. [...] Pais orgulhosos vão postar até 1.300 fotos de seus pequenos nas redes sociais até que eles completem 13 anos, segundo um estudo britânico. Mas, para além de registrar os primeiros passos dos filhotes, imagens amadoras também podem revelar aspectos importantes da saúde das crianças.
É nisso que aposta o aplicativo CRADLE (berço, em inglês, mas também a sigla para “detector de leucocoria assistido por computador”), ou White Eye Detector, desenvolvido por pesquisadores americanos. Chama-se de “leucocoria” um tipo de reflexo anormal na pupila, comumente detectado em crianças. O que os criadores da ideia acreditam é que fotos de celular podem ser uma forma simples de se captar sinais do tipo – e diagnosticar problemas de visão logo no começo da vida. [...] Um artigo científico inédito que avaliou o seu funcionamento e eficácia foi publicado na revista Science Advances na última quarta-feira (2).
Assim como fotos com flash às vezes deixam quem posa de olhos vermelhos, doenças na vista (como retinoblastoma ou catarata, por exemplo) fazem os bebês saírem na foto com a pupila esbranquiçada. […] Sabendo que olhos esbranquiçados indicam problemas na visão, o algoritmo busca, então, detectar pixels de cor branca nas imagens. Quando os tais pixels aparecem na região da foto onde estão os olhos dos pequenos, a inteligência artificial acusa a chance de doenças na vista.
Mas como a ferramenta consegue entender isso? A resposta está na tecnologia de aprendizado da máquina. Ela consiste em apresentar milhares de fotos de bebês saudáveis e doentes para treinar o algoritmo – até que ele aprenda a identificar, por tentativa e erro, se há problema ou não na imagem. […] A inteligência artificial conseguiu diagnosticar problemas nos olhos de 16, uma eficácia de 80%.
[…] Ainda que o aplicativo ofereça uma análise refinada, os pesquisadores destacam que o seu trabalho não substitui um diagnóstico médico de verdade. A ferramenta serviria mais como um ponto de partida: um teste preliminar que indica que algo não está como deveria, e precisa ser alvo de uma avaliação profissional.
No Brasil, o exame mais famoso do gênero é o “teste do olhinho” – realizado ainda na maternidade e obrigatório na rede pública de saúde. Ainda que pareça simples, apontar uma lanterninha para o rosto dos bebês pode revelar um amplo espectro de problemas oftalmológicos, da catarata ao câncer.
Disponível em: <https://super.abril.com.br/saude/aplicativo-detectaproblemas-de-visao-em-criancas-usando-fotos/>. Acesso em: 05 out.2019.
( ) Trata-se de um texto de divulgação científica que usa a menção a pesquisas científicas como estratégia argumentativa e persuasiva.
( ) O texto caracteriza-se como um artigo de opinião em que a função emotiva da linguagem sobressai por meio de adjetivos com função qualificadora, como em “olhos esbranquiçados” e “bebês saudáveis”.
( ) No excerto “CRADLE (berço, em inglês, mas também a sigla para “detector de leucocoria assistido por computador”)”, o elemento da comunicação evidenciado é o código, estratégia comum a textos que buscam a precisão informativa.
Leia atentamente a notícia a seguir para responder à questão.
Depressão deve ser prevenida a partir da infância, dizem especialistas (ALISSON, Elton - Revista Exame).
(texto adaptado)
Considerada o mal do século pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão já desponta como a terceira maior doença entre adolescentes e é a segunda principal causa de morte de jovens entre 15 e 25 anos no mundo.
A fim de prevenir o desenvolvimento desse transtorno mental nessa fase da vida é preciso dotar as crianças de habilidades socioemocionais para que sejam capazes, desde cedo, de lidar melhor com emoções e situações de estresse que possam desencadear a doença no futuro. (...)
“Se desde crianças as pessoas forem capazes de processar, entender e compreender melhor emoções, como tristeza, raiva e medo, elas terão muito mais clareza e condições para lidar com elas e, provavelmente, serão menos afetadas pelo estresse e outros sentimentos”, disse Adriana Fóz, pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo. (...)
Em adolescentes, os sintomas de depressão mais comuns são alteração de humor, caracterizada por predomínio de tristeza, melancolia e irritabilidade, juntamente com a perda de entusiasmo por atividades que despertavam interesse e prazer, além de mudanças nos padrões de sono e de apetite, maior sensação de cansaço e a persistência de pensamentos negativos sobre si e em relação ao futuro. (...)
O desconhecimento sobre saúde mental, a fantasia de que adolescência e juventude são períodos excelentes da vida e, portanto, não é possível estar deprimido nelas, além da opinião deturpada de que a depressão é sinônimo de fraqueza, dificultam o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento da doença, apontaram os participantes.(...)
Alguns fatores de risco para o desenvolvimento de depressão e outros transtornos mentais em adolescentes são a exposição ao bullying – atos reiterados de intimidação e violência física ou psicológica –, a exposição a maus-tratos e situações de violência na comunidade, além do uso de drogas.
Um dos fatores mais importantes, contudo, é a sensação
de rejeição ou exclusão social, ressaltaram os pesquisadores.
(...)
TEXTO 4
Já vem a primavera, desfraldando
Pelos ares as roupas perfumadas,
E os rios vão, nas águas jaspeadas,
Os frondíferos troncos retratando;
Vão-se as neves dos montes debruçando
Em tortuosas serpes argentadas;
Pelas veigas, o gado, alcatifadas,
A esmeraldina felpa vai tostando.
Riem-se os céus, revestem-se as campinas;
E a natureza as melindrosas cores
Esmera na pintura das boninas.
Ah! Se assim como brotam novas flores,
Se remoça todo o orbe...das ruínas
Dos zelos renascessem meus amores!
Fonte: ELÍSIO, Filinto. Poesias. Lisboa: Sá da costa, 1941.
TEXTO 3
Faz um bom tempo já que se firmou entre os pesquisadores da área da educação linguística a convicção de que a função primordial da escola, no que diz respeito à pedagogia de língua materna, é promover letramento de seus aprendizes. E para essa promoção do letramento, as atividades fundamentais são a leitura e a escrita, com foco na diversidade dos gêneros textuais que circulam na sociedade. Além da leitura e da escrita, também tem espaço em sala de aula para a reflexão sobre a língua e a linguagem. Essa reflexão deve ser feita primordialmente através das chamadas atividades epilinguísticas [...], de modo a permitir o percurso uso-reflexão-uso.
Fonte: Adaptado de: BAGNO, M. Gramática pedagógica do português
brasileiro. São Paulo: Parábola, 2011.
As autoridades têm liberdade de expressão?
Um agente de Estado não tem o direito de sair por aí falando
o que lhe dá na veneta
Eugênio Bucci
A cultura política brasileira lida mal com a liberdade de expressão. A imensa maioria das lideranças – sejam de esquerda, sejam de direita, bem como as lideranças que se declaram “nem de esquerda nem de direita” – não se pauta pelo apreço ao direito que homens e mulheres têm de dizer o que pensam. Podemos generalizar, sem medo de errar: no Brasil, com pouquíssimas exceções, os políticos não compreendem – isso quando não hostilizam abertamente – o que a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, em 1789, na França, classificou como “um dos direitos mais preciosos do homem”: a livre comunicação das ideias e das opiniões.
Quase diariamente, chefes partidários, dos mais medíocres aos mais ilustres, bradam agressões contra a instituição da imprensa. Semana sim, semana não, um jornalista é vítima de ofensas morais ou intimidações físicas. Deputados que jamais alcançaram o sentido da palavra news (em inglês ou português) querem legislar contra as fake news. Quiseram proibir as notícias “prejudicialmente incompletas”, como se houvesse na face da Terra alguma notícia que não prejudicasse nenhum interesse – ou alguma notícia que não fosse, de algum modo, incompleta.
Atenção! Sob pretexto de conter as notícias fraudulentas, existem autoridades que planejam banir do território nacional não as reportagens falsificadas, mas o noticiário crítico e verdadeiro. Não fazem ideia de que a liberdade de expressão é parte necessária do direito que tem a sociedade de fiscalizar e contestar as ações dos governantes; acham que a crítica só atrapalha e que a comunicação social deveria cumprir a função precípua de adestrar os governados.
Ese déficit da cultura política nacional costuma manifestar-se em episódios tristes, opressivos, que asfixiam os espaços democráticos. Mas de vez em quando há lances cômicos, lances de pastelão, como se a cena política no Brasil fosse uma paródia que faz troça dos ideais iluministas. Vez por outra aparece uma autoridade que, depois de praticar abusos verbais incompatíveis com sua função de Estado, vai buscar abrigo na desculpa de que disparou seus disparates exercendo sua “liberdade de expressão”. Aí, o legado iluminista é virado de pernas para o ar: a liberdade de expressão deixa de ser um direito do cidadão para questionar o Estado e se rebaixa a uma prerrogativa do Estado para intimidar a sociedade.
Há poucos dias tivemos um exemplo dessa desviante cômica, quando um general resolveu “tuitar” barbaridades. No dia 3 de abril, às vésperas do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que negaria o habeas corpus ao ex-presidente , ele postou nas redes sociais a seguinte declaração: “Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”.
Muita gente se assustou, é óbvio, e no dia seguinte não se falava de outra coisa. Até mesmo no plenário do STF as admoestações do militar repercutiram. De modo elegante, mas vigoroso, o ministro decano da Corte advertiu: “O respeito indeclinável à Constituição e às leis da República representa o limite intransponível a que se devem submeter os agentes do Estado, quaisquer que sejam os estamentos a que eles pertencem”.
Mais claro, impossível. Um agente de Estado tem a sua liberdade de expressão, por certo, mas isso não significa que ele tenha o direito de sair por aí falando (ou “postando”) o que lhe dá na veneta. As leis da República o limitam. Sem essas leis não teríamos ordem pública, muito menos ordem democrática.
[...]
Não, a liberdade de expressão não pode abrigar a autoridade que comete abusos, assim como o direito à privacidade não protege esconderijos da corrupção. Quando vamos aprender uma lição tão elementar?
Disponível em:<https://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,as-autoridades-tem-liberdade-de-expressao,70002264828>
Relacione as colunas 1 e 2 abaixo:
Coluna 1 Gêneros textuais
1. Texto Narrativo
2. Texto Descritivo
3. Texto Dissertativo
4. Texto Injuntivo
Coluna 2 Descrições
( ) Texto que deve instruir o leitor acerca de um procedimento. Um manual de instruções é um bom exemplo.
( ) Este tipo de texto leva o leitor a criar uma imagem mental do objeto ou ser relatado.
( ) Texto que traz sequência de ações reais ou imaginárias.
( ) Texto que visa persuadir o leitor a concordar com a tese defendida.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Leia o texto a seguir.
No inverno, as formigas estavam fazendo secar o grão molhado, quando uma cigarra, faminta, lhes pediu algo para comer. As formigas lhe disseram: “Por que, no verão, não reservaste também o teu alimento?”. A cigarra respondeu: “Não tinha tempo, pois cantava melodiosamente”. E as formigas, rindo, disseram: “Pois bem, se cantavas no verão, dança agora no inverno”.
______________ mostra que não se deve negligenciar em nenhum trabalho, para evitar tristezas e perigos.
O gênero textual que preenche a lacuna e apresenta as características CORRETAS, está representado(a) na alternativa:
Poema de Sete Faces
Carlos Drummond de Andrade
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Analise as afirmações sobre o poema:
1. O poema é dividido em 7 estrofes. Há dois tercetos, dois quartetos e três quintilhas.
2. Todas as estrofes têm o mesmo número de versos.
3. O poema pode ser classificado como soneto.
Está CORRETO o que se afirma:
Analise os textos I e II para responder à questão.

Texto II
Desafios para o crescimento do hábito de leitura no Brasil
O hábito da leitura tem crescido em todo o
Brasil. Pesquisa feita em 2016 pelo Instituto Pró-Livro estima que 56% da população brasileira
acima dos cinco anos se enquadra como leitores
regulares. É um dado mais animador que o do
ano de 2011, quando o percentual era de 50%. No
entanto, por mais que exista esse crescimento,
ainda não é o suficiente para enquadrar o Brasil
em um cenário relevante dos países com maior
índice de leitura.
Dados preocupantes
No início de 2018, o Banco Mundial lançou uma pesquisa apontando que os estudantes brasileiros demorarão mais de 260 anos para atingir a qualidade de leitura de países desenvolvidos. O quadro desanimador aponta um risco para o pensamento crítico dos estudantes brasileiros, pois a leitura estimula a reflexão e a interação entre ideias que fomentam discussões proveitosas para o desenvolvimento do conhecimento. Quanto menos a leitura for estimulada, menor será o pensamento crítico dos jovens, principalmente estudantes, no ambiente social.
O grande obstáculo para a leitura, segundo os próprios leitores, é a falta de tempo. Para 43% dos leitores, a falta de tempo se torna um grande inimigo. Aliado a isso, tem-se o problema do desinteresse por parte dos não leitores. Por esses dois principais motivos, faz-se necessária a construção de uma leitura interessante e de fácil acesso a todas as camadas sociais.
A busca pelo interesse
A única resposta possível a isso é incentivar massivamente a leitura, porém não de maneira forçosa. A leitura deve ser incentivada de forma gradual. Começando com obras mais simples, porém com conteúdo relevante, para que assim os novos leitores consigam desenvolver de maneira mais relevante seu pensamento crítico.
Hélio Ricardo, autor do livro ‘Quando as flores machucam’, propôs-se a desenvolver uma escrita que atenda aos requisitos de leitura criativa, crítica e de fácil acesso. Ele desenvolve em seu livro, de forma bem-humorada, pensamentos críticos voltados para a sociedade atual.
‘Quando as flores machucam’ também é fruto das próprias experiências de vida do autor, bem como de leitura. Hélio Ricardo entende que a maioria dos brasileiros tem um desinteresse real pela leitura, por isso apresentou seus pensamentos de maneira mais poética em seu livro.
Para jovens e adultos interessados em uma leitura dinâmica, que convoca à reflexão, ‘Quando as flores machucam’ é um caminho interessante. Principalmente para os que têm uma rotina mais agitada no seu dia a dia. (...)
Disponível em:<https://exame.abril.com.br/negocios/dino/desafios-para-o-crescimento-do-habito-de-leitura-no-brasil/>
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
Julgamento apressado
— Querida, você poderia dar uma de suas maçãs para a mamãe?
A menina levanta os olhos para sua mãe durante alguns segundos, e morde subitamente uma das maçãs e logo em seguida a outra.
A mãe sente seu rosto se esfriar e perde o sorriso. Ela tenta não mostrar sua decepção quando sua filha lhe dá uma de suas maçãs mordidas. A pequena olha sua mãe com um sorriso de anjo e diz:
— A mais doce é essa!
Disponível em: <encurtador.com.br/dhGL2>. Acesso em: 12 jun. 2019.
A raposa e as uvas
“Morta de fome, uma raposa foi até um vinhedo sabendo que ia encontrar muita uva. A safra tinha sido excelente. Ao ver a parreira carregada de cachos enormes, a raposa lambeu os beiços. Só que sua alegria durou pouco: por mais que tentasse, não conseguia alcançar as uvas. Por fim, cansada de tantos esforços inúteis, resolveu ir embora, dizendo:
– Por mim, quem quiser essas uvas pode levar. Estão verdes, estão azedas, não me servem. Se alguém me desse essas uvas eu não comeria.
Moral: Desprezar o que não se consegue conquistar é fácil.” Disponível em: <https://tinyurl.com/y3t3ojgb>. Acesso em: 17 jun. 2019.
A respeito da classificação desse texto, analise as afirmativas a seguir.
I. O texto em questão pertence ao gênero textual fábula,
PORQUE
II. classificando-se como uma narração, o texto conta um evento protagonizado por um animal (a raposa), com o objetivo de apresentar ao final uma lição de moral que levaria o leitor à reflexão.
Assinale a alternativa correta.
Analise os textos I e II para responder a questão.
Texto I

Disponível em: <http://coisasdamiroca.centerblog.net/8058->. Acesso em:10 nov. 2019.
Texto II
Ter um cachorro pode te ajudar a viver mais, aponta estudo
Gabriela Glette
Nos últimos anos, diversas pesquisas apontaram as vantagens de se ter um cachorro em casa. Nossos fiéis amigos de quatro patas são muito mais do que companheiros e podem nos ajudar a viver mais. É o que aponta um recente estudo feito por pesquisadores da American Heart Association.
O resultado veio após diversas análises em banco de dados, constatando que, de modo geral, donos de cães diminuem o risco de morte prematura em pelo menos 24%. Além disto, os cachorros podem ser ótimos para quem já sofreu uma doença cardiovascular, como infartos e derrames, reduzindo em cerca de um terço os riscos dessas pessoas voltarem a apresentar esses problemas.
A pesquisa foi realizada com 300 mil suecos – com idades entre 40 e 85 anos – e que já sofreram um infarto ou ataque isquêmico. Entre os sobreviventes de ataques isquêmicos que viviam com cachorros, o risco de morte era 33% menor em comparação com quem vivia sozinho. Já para os donos de cães que já tiveram derrames, o risco de morrer era 27% menor.
Em uma segunda pesquisa, foram analisados dados de cerca de 3,8 milhões de pessoas maiores de 18 anos. O resultado é que, entre os donos de cães, o risco de morte precoce era 24% inferior em relação ao resto da população, e as chances de se ter um ataque cardíaco caíam em 65%.
Outras pesquisas já comprovaram que ter um cachorro em casa pode melhorar nossa saúde cardiovascular. Se ter uma boa saúde é o resultado de um conjunto de fatores associados – como uma boa alimentação e a prática frequente de exercícios, a resposta para o bem que um cachorro pode nos oferecer pode estar diretamente ligada com a questão da companhia. Diversos outros estudos mostraram que a solidão pode ser extremamente prejudicial à saúde. Você ainda tem dúvidas quanto a adotar um cachorro?
A estreita ligação entre solidão e saúde
Existe uma diferença enorme entre solitude e solidão. O ser humano precisa de momentos em que esteja sozinho, porém aquela sensação de desamparo e angústia que acompanha a solidão é prejudicial à saúde.
Um estudo do Departamento de Ciências da Saúde da Universidade de Nova York, inclusive, comprovou que pessoas mais solitárias eram as que mais possuíam problemas cardíacos. Proteção, afeto, segurança e relacionamento com o próximo são essenciais para a saúde mental – e física também do ser humano. Infelizmente, algumas pessoas não possuem familiares próximos ou moram em um país distante. E é aí que os cachorros podem desempenhar um papel fundamental em nossas vidas.
Adaptado de: <https://www.hypeness.com.br/2019/10/ter-um-cachorro-pode-te-ajudar-a-viver-mais-aponta-estudo/>. Acesso em: 15 out. 2019.
