Questões de Concurso Sobre gêneros textuais em português

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Q1964629 Português

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE CAXIAS DO SUL

Leia abaixo a redação de Larissa Freisleben, que recebeu nota mil no Enem.


Publicidade Infantil: perigoso artifício


  Uma criança imitando os sons emitidos por porcos já foi atitude considerada como falta de educação. No entanto, após a popularização do programa infantil "Peppa Pig", essa passou a ser uma cena comum no Brasil. O desenho animado sobre uma família de porcos falantes não apenas mudou o comportamento dos pequenos como também aumentou o lucro de uma série de marcas que se utilizaram do encantamento infantil para impulsionar a venda de produtos relacionados ao tema. Peppa é apenas mais um exemplo do poder que a publicidade exerce sobre as crianças.

  Os nazistas já conheciam os efeitos de uma boa publicidade: são inúmeros os casos de pais delatados pelos próprios filhos − o que mostra a facilidade com que as crianças são influenciadas. Essa vulnerabilidade é maior até os sete anos de idade, quando a personalidade ainda não está formada. Muitas redes de lanchonetes, por exemplo, valem-se disso para persuadir seus jovens clientes: seus produtos vêm acompanhados por brindes e brinquedos. Assim, muitas vezes a criança acaba se alimentando de maneira inadequada na ânsia de ganhar um brinquedo.

  A publicidade interfere no julgamento das crianças. No entanto, censurar todas as propagandas não é a solução. É preciso, sim, que haja uma regulamentação para evitar a apelação abusiva − tarefa destinada aos órgãos responsáveis. No caso da alimentação, a questão é especialmente grave, uma vez que pesquisas mostram que os hábitos alimentares mantidos até os dez anos de idade são cruciais para definir o estilo de vida que o indivíduo terá quando adulto. Uma boa solução, nesse caso, seria criar propagandas enaltecendo o consumo de frutas, verduras e legumes. Os próprios programas infantis poderiam contribuir nesse sentido, apresentando personagens com hábitos saudáveis. Assim, os pequenos iriam tentar imitar os bons comportamentos.

  Contudo, nenhum controle publicitário ou bom exemplo sob a forma de um desenho animado é suficiente sem a participação ativa da família. É essencial ensinar as crianças a diferenciar bons produtos de meros golpes publicitários. Portanto, em se tratando de propaganda infantil, assim como em tantos outros casos, a educação vinda de casa é a melhor solução.

(Texto publicado na folha de São Paulo)

O texto segue uma linha de um gênero em que o autor tece uma ideia a partir de um ponto de vista. A esse tipo de texto, denomina-se:
Alternativas
Q1962852 Português

Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão.



Devido às suas características, o texto configura-se, primordialmente, como
Alternativas
Q1962480 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão:

Câncer: Reduzir consumo de bacon, linguiças e salsichas ajuda a evitar a doença, dizem cientistas

Para especialistas, consumir regularmente carnes processadas pode levar ainda a casos de diabete e de doenças cardiovasculares

Sophie Egan, The New York Times
08 de julho de 2022 | 05h00

Cachorros-quentes, bacon e churrascos. A cultura está repleta de ocasiões alegres com carnes processadas, mas, quando essa indulgência se estende além da celebração ocasional, os especialistas dizem que você deve reduzir.

“As evidências são bastante convincentes de que o consumo regular de carnes processadas é prejudicial à saúde, incluindo câncer colorretal, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares”, disse Frank Hu, professor de nutrição e epidemiologia e presidente do departamento de nutrição da Escola de Saúde Pública de Harvard. E, no geral, acrescentou ele, a maioria dos especialistas em saúde concorda que “carnes processadas são mais prejudiciais do que carnes não processadas”. 

As carnes processadas podem incluir presunto, linguiça, bacon, frios (como mortadela, peru defumado e salame), salsichas, carne seca, calabresa e até molhos feitos com esses produtos. Quando a carne é processada, ela é transformada por meio de cura, fermentação, defumação ou salga para aumentar o sabor e a vida útil.

Em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que a carne processada era “cancerígena para humanos”, citando “evidências suficientes” de que causava câncer colorretal. O Fundo Mundial para Pesquisa em Câncer recomenda comer pouca ou nenhuma carne processada e limitar a carne vermelha a cerca de três porções por semana.

É importante limitar a ingestão de carne vermelha – mais comumente bovina e suína nos Estados Unidos –, mesmo quando não processada, porque esse tipo de carne está ligado não apenas ao câncer, mas também a doenças cardíacas, derrame e risco geral de morte.

Os especialistas não podem recomendar um tipo de carne processada em detrimento de outro devido à forma como a pesquisa é conduzida atualmente.

“A maioria dos estudos se concentra em carnes processadas altamente consumidas: linguiças, bacon, salsichas”, disse Hu. Assim, como todos os tipos de carnes processadas são agrupados na maioria dos estudos, acrescentou o professor, “é difícil fazer uma declaração conclusiva sobre quais carnes processadas são melhores ou piores do que outras”. E, observou ele, as pessoas que tendem a comer um tipo de carne processada tendem a comer outros, por isso é difícil distinguir os efeitos.

“Teoricamente, você pode argumentar que aves e peixes processados não são tão ruins quanto a carne vermelha processada”, disse Hu, citando o menor teor de gordura saturada de aves e peixes e a abundância de ácidos graxos ômega-3 em certos tipos de peixes. “Mas não temos evidências para apoiar isso.” Portanto, até que mais pesquisas sejam feitas, trate os produtos processados de aves e peixes com a mesma cautela.

A questão principal parece ser o processamento em si, e não do que é feita a carne processada, disse Marji McCullough, diretora científica sênior de pesquisa epidemiológica da Sociedade Americana do Câncer. O ato de curar ou preservar com nitratos e nitritos, que podem criar substâncias químicas cancerígenas nos alimentos, pode contribuir para o risco de câncer, afirmou.

Outra possível variável, acrescentou ela, é que cozinhar carne em altas temperaturas pode formar cancerígenos adicionais. Isso inclui cozinhar carne em contato direto com uma chama ou superfície quente, como ao grelhar, assar ou fritar.


Sódio

Além dos riscos de câncer, todas as carnes processadas tendem a ser ricas em sódio, o que é “um fator importante”, disse Hu. A ingestão excessiva de sódio pode aumentar o risco de hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. [...]

Vijaya Surampudi, professora assistente de medicina do Centro de Nutrição Humana da UCLA, disse que a preocupação com a carne processada é que ela pode aumentar a inflamação no corpo, alterando o microbioma do intestino. “As bactérias intestinais interagem com nosso sistema imunológico e às vezes levam à inflamação crônica”, afirmou, o que pode afetar a pressão arterial, o açúcar no sangue e o colesterol, aumentando o risco de doenças crônicas e até morte.

“Uma dieta baseada em vegetais será muito mais preventiva na redução do risco”, disse Surampudi. “Isso não significa que você precisa ser 100% vegano ou vegetariano”, acrescentou ela, mas apenas que a maior parte de sua dieta deve vir de fontes vegetais. [...]

Fonte:
(https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,cancer-reduzir-consumo-de-bacon-linguicas-esalsichas-ajuda-a-evitar-a-doenca-dizemcientistas,70004111302.)
Com base na leitura do texto anterior, assinale a alternativa CORRETA
Alternativas
Q1962219 Português

Considere o fragmento de texto abaixo para a questão.

Galinhas

RAFAEL BARRETT

   Enquanto não possuía nada além da minha cama e dos meus livros, eu estava feliz. Agora eu possuo nove galinhas e um galo, e minha alma está perturbada. A propriedade me tornou cruel.
  Sempre que comprava uma galinha, amarrava-a por dois dias a uma árvore, para impor a minha morada, destruindo em sua memória frágil o amor a sua antiga residência. Remendei a cerca do meu quintal, a fim de evitar a evasão das minhas aves e a invasão de raposas de quatro e dois pés.
  Eu me isolei, fortifiquei a fronteira, tracei uma linha diabólica entre mim e meu vizinho. Dividi a humanidade em duas categorias: eu, dono das minhas galinhas, e os outros que podiam tirá-las de mim.
   Eu defini o crime. O mundo encheu-se para mim de alegados ladrões, e pela primeira vez eu lancei do outro lado da cerca um olhar hostil. [...]

Texto original: “Galinhas”, de Rafael Barrett (Paraguai, 1910). Texto traduzido para o português acessado em: https://viladeutopia.com.br/galinhas/ (com alterações)

Considerando o contexto de produção e circulação do texto cujo fragmento é apresentado acima, bem como suas características composicionais e estilísticas, observáveis no recorte dado, assinale a alternativa integralmente CORRETA.
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Q1961197 Português

INSTRUÇÃO: Leia o texto para responder à questão.


Spray à base de plantas promete substituir embalagens plásticas 


O objetivo da tecnologia é reduzir o impacto dos plásticos no meio ambiente – e na nossa saúde. Veja como ela funciona.


Com o objetivo de produzir alternativas ecologicamente amigáveis para embalagens de alimentos, um grupo de cientistas das universidades Rutgers e Harvard, nos EUA, desenvolveu um revestimento biodegradável à base de plantas. Ele pode ser pulverizado em alimentos, protegendo-os contra microrganismos e eventuais danos durante o transporte.

Sabíamos que precisávamos nos livrar das embalagens de alimentos à base de petróleo e substituí-las por algo mais sustentável, biodegradável e não-tóxico”, conta Philip Demokritou, um dos participantes da pesquisa, publicada na última segunda (20) na revista científica Nature Food. “E nos perguntamos ao mesmo tempo: ‘Podemos projetar embalagens que prolonguem a vida útil e reduzam o desperdício de alimentos, melhorando a segurança alimentar?”’. 

A tecnologia transforma biopolímeros – longas cadeias de moléculas produzidas por seres vivos – em fibras que podem entrar em contato com os alimentos, revestindo-os. Avaliações mostraram que o revestimento estendeu a vida útil de abacates em 50%.

A embalagem pode ser enxaguada com água e é biodegradável – se decompõe no solo em três dias, de acordo com o estudo. O material que envolve os produtos é resistente o suficiente para proteger contra choques e contém agentes antimicrobianos naturais (óleo de tomilho, ácido cítrico e nisina) que combatem o processo de deterioração e microorganismos causadores de doenças.

Revista Superinteressante. Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/spray-a-base-de-plantas-pode-substituir-embalagensplasticas/. Acesso em: 19 jul. 2022. [Fragmento]

O texto publicado no site da revista Superinteressante constitui-se como um(a)
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Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: Prefeitura de Manaus - AM Provas: FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Advogado | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Administrador Geral | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Terapeuta Ocupacional | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Arquiteto e Urbanista | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Biólogo | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Assistente Social Geral | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Analista de Suporte de Tecnologia da Informação | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Analista de Banco de Dados | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Fonoaudiólogo | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Contador | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Fiscal de Saúde Geral | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Cirurgião Dentista Geral | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Economista | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Psicólogo | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Enfermeiro Geral | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Engenheiro Civil | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Engenheiro de Segurança do Trabalho | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Profissional de Educação Física | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Nutricionista | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Médico Veterinário | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Fisioterapeuta | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Farmacêutico Geral | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Estatístico | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Comunicador Social | FGV - 2022 - Prefeitura de Manaus - AM - Engenheiro Eletricista |
Q1960969 Português
Assinale a opção que indica o texto que não representa uma publicidade (interesse comercial), mas uma propaganda (campanha de orientação pública).
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Q1960739 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.

O que pode um funk?

Ivana Bentes


  [...] Retomando essa figura meio arquetípica do Brasil, o funk feminino de Anitta incorporou as questões de gênero conjugando a malandragem com um feminino plural.

    Vai, Malandra, o clipe, traz verdadeiros memes visuais, culturais e musicais que valem por um tratado sociológico. Ainda não se escreveu, e faz falta, um tratado sobre os corpos pensantes das mulheres, para além do imaginário em torno da bunda, da raba, do bumbum, do traseiro da mulher brasileira, que virou um disparador de questões sensações! O corpo sexualizado na era da sua ressignificação pelas próprias mulheres!

    Um corpo que o funk, o samba, o biquíni de fita isolante, toda a cultura solar carioca já vem dizendo, tem tempo, que não precisa ser apenas objeto e signo de assujeitamento, toda vez que quiser se exibir.

   A bunda (e o corpo das mulheres) pode se deslocar da objetificação para a subjetivação! A bunda viva de Anitta com sua celulite sem photoshop é sujeito e não objeto. Se as mulheres fazem o que quiserem com seus corpos (a Marcha das Vadias explicou isso para a classe média), elas podem inclusive se “autoexplorarem”, ensina o funk. A bunda ostentação de Anitta no início do clipe já aponta para esse outro feminismo (de mulheres brancas, apenas? Acho que não!).


BENTES, Ivana. O que pode um funk? Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/anittavai-malandra-ivana-bentes/. Acesso em 28 abr. 2022.
Para compor seu artigo de opinião, Ivana Bentes faz uso de
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Q1960737 Português
Despertar para a realidade exige esforço e reflexão crítica.

Gabriela Lenz de Lacerda

A história do Brasil, como a própria história do mundo, é definida por uma sucessão de violências.

A subjugação das mulheres tem relação com o próprio processo de colonização, na medida em que se trata de formas de dominação e de exploração necessárias ao desenvolvimento do capitalismo. A fim de permitir a acumulação primitiva de capital, era necessário que as próprias relações sociais fossem pautadas na violência e na hierarquização dos seres humanos, com controle dos corpos que pudessem ser úteis ou prejudiciais ao sistema.

Mais de 500 anos depois, não conseguimos romper essa persistência história e, não por acaso, vivemos hoje no país mais desigual da América Latina e em um dos mais desiguais do mundo. As violências praticadas contra mulheres, contra descendentes dos africanos e indígenas escravizados e contra a natureza são a herança que recebemos. Nós, que habitamos essa porção de terra batizada de Brasil, fundada pela violência, precisamos ter em mente que o racismo, o sexismo e a desconexão com a natureza não apenas estruturam a nossa sociedade. São estruturantes também da nossa própria subjetividade.

Despertar para a realidade pressupõe, assim, refletirmos de forma crítica e profunda sobre o nosso próprio racismo, sexismo e colonialismo.

Se queremos realmente contribuir para a construção de um mundo melhor, mais justo e igualitário, temos que retomar a lição de Paulo Freire (2014): toda ação libertadora é necessariamente acompanhada de uma profunda reflexão. Somente compreendendo a nossa própria posição na estrutura social – nossos privilégios e vulnerabilidades – e lembrando que “ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho”, podemos, juntos, nos libertar em comunhão. A revolução começa – mas não termina – dentro de nós!...


LACERDA, Gabriela Lenz de. Despertar para a realidade exige esforço e reflexão crítica. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/blogs/sororidade-em-pauta/despertar-para-a- -realidade-exige-esforco-e-reflexao-critica/. Acesso em 09 mai. 2022.
Sobre os articuladores textuais destacados no excerto de artigo de opinião, pode-se afirmar que:

I. A conjunção “como” estabelece relação de comparação entre a história do Brasil e a dos demais países do globo terrestre.
II. A locução “na medida em que” cria a relação de causalidade entre a subjugação das mulheres e as formas de dominação e de exploração próprias do capitalismo.
III. O conectivo “assim” introduz a conclusão sobre o que é necessário para o nosso despertar sobre a nossa própria realidade.
IV. O “se” estabelece a condição para recuperarmos os ensinamentos de Paulo Freire.

Estão corretas as afirmativas
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Q1960273 Português
A questão refere-se ao texto abaixo.

DIA DA EDUCAÇÃO: ter ensino superior amplia chances de crescimento salarial, revela pesquisa Mercado de trabalho busca profissionais com diploma

Hoje, 28 de abril, é o Dia da Educação. A data convida a sociedade a refletir sobre a importância do tema. Dentre as muitas formas de educar, o consenso atribui a essa palavra o ato de desenvolver um indivíduo para a formação cidadã.

A longo prazo, a educação é capaz de assegurar oportunidades e competividade na conquista e manutenção de um emprego, com melhores salários e cargos. Para a pedagoga e coordenadora do curso de Pedagogia da Anhanguera, Camila Fortuna, à medida que a taxa de escolaridade da população aumenta é natural que o mercado de trabalho também amplie seu nível de exigência na qualificação da mão de obra. “Os cargos disponíveis no mercado de trabalho exigem um diploma de nível superior. Com isso, a busca por uma carreira estável e bem-sucedida está atrelada à qualificação profissional oferecida em uma faculdade”, afirma.

Estado de Minas, Educação, 28/04/2022. Acesso em 01 mai. 2022 (adaptado).
Considerando o discurso e o tipo e gênero do texto, avalie as assertivas a seguir.
I- As aspas presentes em “Os cargos disponíveis no mercado de trabalho exigem um diploma de nível superior. Com isso, a busca por uma carreira estável e bem-sucedida está atrelada à qualificação profissional oferecida em uma faculdade” indicam o discurso de um locutor distinto do autor do texto.
II- O texto mescla, em sua composição, discurso direto e indireto.
III- A notícia publicada no jornal Estado de Minas foi escrita usando, predominantemente, o tipo textual injuntivo.
IV- O gênero notícia tem por objetivo principal refutar uma tese.
Estão corretas apenas as afirmativas
Alternativas
Q1960271 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.

Embora tenha construído uma carreira artística com obras muito mais apreciadas e debatidas por adultos, Tarsila do Amaral é ainda hoje dona de uma popularidade que a faz ser conhecida inclusive por crianças em estágios iniciais da educação. De 1928, Abaporu provavelmente é a pintura mais reproduzida pelos pequenos em suas primeiras experiências em aulas de Artes. É para este público que é feito “Tarsilinha”, animação em longa-metragem com direção da dupla Celia Catunda e Kiko Mistrorigo, a mesma de “Peixonauta: O Filme”. Ainda assim, os responsáveis adultos que acompanharão os rebentos nas sessões de cinema e futuras exibições em streaming de alguma forma serão contemplados. A premissa inclusive sinaliza para aquele que é um dos grandes temores de indivíduos em um estágio avançado da vida, sendo a perda progressiva da memória. A pequena Tarsilinha (na voz de Alice Barion) passa a maior parte do dia aos cuidados de sua mãe (voz de Maira Chasseroux), que repentinamente tem um “apagão mental” ao perder objetos pessoais de grande importância emocional. A aventura começa quando Tarsilinha parte por conta própria em uma viagem para reaver os souvenires, parando em destinos que reproduzem um sem número de cenários e personagens eternizados nas telas de Tarsila do Amaral. Apesar da ideia original e da valorização de uma matéria-prima nacional, falta a “Tarsilinha” um roteiro que fosse capaz de ir além de frases feitas e diminutivos. Além do mais, fãs da Tarsila do Amaral podem não ser conquistados em cheio pela técnica animada aqui aplicada, uma junção de 2D e 3D que não confere vivacidade e contraste à concepção minimalista.

Entrevista com os diretores Célia Catunda e Kiko Mistrorigo sobre “Tarsilinha” (Disponível em: https://cineresenhas.com.br/2022/03/21/resenha-critica-tarsilinha-2021/. Acesso em 02 mai.2022)
“Apesar da ideia original e da valorização de uma matéria-prima nacional, falta a “Tarsilinha” um roteiro que fosse capaz de ir além de frases feitas e diminutivos. Além do mais, fãs da Tarsila do Amaral podem não ser conquistados em cheio pela técnica animada aqui aplicada, uma junção de 2D e 3D que não confere vivacidade e contraste à concepção minimalista”.
Considerando as características do gênero resenha, esse trecho exerce a função de: 
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Q1959764 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.

Redação do Enem anuncia que vem aí um país muito mal escrito

Ademais, eu sempre quis escrever um texto que começasse com “ademais” e faço isso agora não por um capricho, não para imitar João Ubaldo que começou outro com “Aliás”, mas porque acabou de sair o resultado das provas de redação do Enem 2021. De novo deu o mesmo pão com ovo – uma das palavras favoritas dos estudantes que tiraram a nota mil do concurso foi justo o “ademais”.

“Ademais” transpira afetação ultrapassada e todo ano, masoquista que sou, procuro por ele no vestibular que define os futuros líderes do país. O tadinho está sempre lá em seu brilhareco constrangedor, um tantinho espantado com a súbita lembrança por gente tão jovem.

O resultado é aborrecidíssimo, mas quem segue a ordem unida da introdução, do desenvolvimento e da conclusão, a marcha militar ensinada nas apostilas, é consagrado com o mil da nota mil. As redações parecem iguais, “ademais” ribombando orgulho para tudo que é lado, polissílabos gigantescos – tudo indicando para o futuro de um país muito mal escrito.

(Joaquim Ferreira dos Santos. Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em 19 abr. 2022)
Nessa crônica, os recursos linguísticos usados na apresentação da tese foram: 
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Q1959350 Português

Texto 1

Índio


        Uma das consequências das Cruzadas (séculos XI a XIII) foi a descoberta das riquezas do Oriente: tecidos, pedras e metais preciosos, especiarias.

        Tudo isso passou a ter um valor extraordinário para os europeus do século XV (a canela chegou a valer mais do que o ouro!). E assim as grandes navegações para a Ásia se tornaram financeiramente atrativas.

        O genovês Cristóvão Colombo, o que botou o ovo em pé (como se fosse uma grande coisa: as galinhas já faziam isso muito antes dele), consegue, na Espanha, em 1492, o patrocínio dos reis Fernando II e Isabel I para uma viagem à Índia.

        Para chegar lá, os portugueses desciam até o final da África e dobravam à esquerda. Colombo, que sempre adorou viver na contramão da História, sai da Espanha, no dia 3 de agosto, e dobra à direita, convencido de que a Terra era redonda.

        Acertou na forma, mas errou no cálculo do diâmetro. Colombo chega às Bahamas, em 12 de outubro, e acha que alcançou a Índia. Por isso, ao ver uns selvagens locais, Colombo os chama de índios. Pronto, o nome ficou e o erro se consagrou: a partir daí, todo selvagem, nu ou seminu, passou a ser chamado de índio.


(PIMENTA, R. Casa da Mãe Joana, curiosidade na origem das palavras, frases e marcas. Ed. Campus. Rio de Janeiro-RJ. 2002)

O texto que acabamos de analisar pertence ao gênero
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Ano: 2022 Banca: FURB Órgão: FURB - SC Prova: FURB - 2022 - FURB - SC - Bibliotecário |
Q1956169 Português

Cientistas criam tatuagem de grafeno que monitora pressão arterial


Um artigo publicado no final de junho, na revista científica Nature Nanotechnology, apresenta uma solução confortável e precisão para medições contínuas da pressão arterial em ambientes não clínicos (ambulatoriais). Desenvolvida por pesquisadores da Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos, trata-se de uma tatuagem eletrônica de grafeno, que pode permanecer no pulso por horas.


Monitorar continuamente a pressão arterial é um procedimento essencial para a compreensão de diversas condições de saúde, principalmente as doenças cardiovasculares. Essa medida pode não só fornecer subsídios para o diagnóstico médico, mas também permitir que as plataformas de monitoramento consigam estabelecer uma correlação da doença com o comportamento e hábitos do paciente.


Para Deji Akinwande, professor da UT Austin e um dos líderes da pesquisa, "a pressão arterial é o sinal vital mais importante que você pode medir, mas os métodos para fazê-lo fora da clínica, passivamente, sem manguito, são muito limitados". Por isso, o estudo propõe um monitoramento por meio de um dispositivo vestível, baseado em bioimpedância elétrica.


Chamado de e-tattoo, a "tatuagem" de grafeno é fina, autoadesiva, leve e discreta, funcionando como uma interface bioeletrônica humana. Através dela, a aferição da pressão arterial pode ser feita em qualquer tipo de situação, de momentos de alto estresse até o sono profundo. Além medir de forma não invasiva e precisa (desempenho equivalente ao Grau A), o vestível pode ser usado por mais de 300 minutos, dez vezes mais que o relatado em estudos anteriores.


As medições são feitas através do disparo de uma corrente elétrica na pele, seguido de uma análise da resposta do corpo (bioimpedância). Existe uma correlação entre essa reação e as alterações na pressão arterial, devido a modificações ocorridas no volume sanguíneo, que são posteriormente analisadas por um modelo de aprendizado de máquina.


Mas o que é mesmo o grafeno?


Grafeno é o material mais fino do mundo. Consiste em uma camada bidimensional de átomos de carbono organizados em estruturas hexagonais, cuja altura é equivalente à de um átomo. Esse material pode ser produzido por meio da extração de camadas superficiais do grafite, um mineral abundante na Terra e um dos mais comuns alótropos do carbono.


As ligações químicas formadas entre os átomos de carbono e a espessura do grafeno tornam esse elemento recordista em algumas propriedades físicas, como resistência mecânica, condutividades térmica e elétrica. Essas características fazem do grafeno um dos mais promissores materiais, podendo ser utilizado nas mais variadas aplicações.

A respeito do gênero textual e do objetivo do texto "Cientistas criam tatuagem de grafeno que monitora pressão arterial", assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q1956145 Português
A propósito do texto literário e de sua abordagem em sala de aula, é correto o que se afirma somente em qual item?
Alternativas
Q1956121 Português
Quanto a sua organização, o texto em análise classifica-se corretamente como:
Alternativas
Q1953594 Português

Aproveitamento de águas pluviais e reúso de águas cinzas em edificações



No que se refere ao gênero textual, assinale a alternativa correta.  
Alternativas
Q1953451 Português

TEXTO II 


MORRA BEM

Um dos meus textos mais conhecidos chama-se A morte devagar, que publiquei na véspera de Finados de 2000 e que logo ganhou o mundo com o título Morre Lentamente. No início foi equivocadamente atribuído a Pablo Neruda, por isso o espalhamento e seu sucesso. Passado tanto tempo, já me devolveram a autoria e hoje esse texto virou canção na França e entrou no roteiro de um filme italiano – sem falar nas traduções para o espanhol, que alguns desconfiados ainda acreditam ser seu idioma de origem. 

Na época, aproveitando a proximidade do Dia dos Mortos, escrevi puxando as orelhas (não os pés) daqueles que morrem em vida: os que evitam o risco, a arte, a paixão, o mistério, as viagens, as perguntas - apenas atravessam os dias respirando.

Hoje, dia de Finados, 17 anos depois, reitero: não morra lentamente. Morra rápido, de uma vez só, sem delongas. Morra quantas vezes for necessário.

Quando fiz meu mapa astral, ouvi da astróloga: “Você tem dificuldade de lidar com ambivalências, gosta das coisas esclarecidas, para o bem ou para o mal”. E ela concluiu: “Morrer é algo que você faz bem. Ficar em banho-maria, não”. 

Sombrio? Soturno? Ao contrário. Entendi com clareza sobre o que ela falava. Morte é a antessala da luz. Não a morte definitiva, que encerra o assunto, mas as diversas mortes em vida, os vários falecimentos a que somos submetidos. É preciso morrer bem enquanto se vive. 

Cada final de amor é uma pequena morte, por exemplo. Morre lentamente quem fica alimentando fantasias de retorno, planejando vinganças, cultivando lembranças com naftalina. Sei que dói, mas não deixe esse amor definhando na UTI, dê logo a extrema-unção, acabe com isso, morra rápido, morra de vez, para que possa renascer ligeiro também. 

Finais de carreira, finais de amizade, finais de ciclo: mortes que acontecem aos 30, aos 40 anos, em qualquer idade. Dói, dói demais, não estou negando a dor, mas o que você prefere? As dúvidas, as ilusões, o apego? Prefere a sobrevida a uma vida nova? Confie na experiência de quem já se enterrou algumas vezes. Morra. Morra bem morrido, baby. 

Final de juventude, final da faculdade, final de uma viagem de intercâmbio: vai ficar agindo como se tivesse 18 anos para sempre? Mate o garoto, renasça adulto. 

A morte daqueles que amamos é trágica, mas nossa própria morte, não. Ela é uma contingência de nossa longa existência, e essa não é uma frase cínica, simplesmente é assim. Nossos sonhos morrem. Nosso passado morre. Nossas crenças, nossas fases. Fazer o quê? Morra bem. Morra com categoria. Com dignidade. O menos lentamente possível. Morra de morte bem arrematada, uma, duas, três mil vezes, morra em definitivo sempre que for exigido, para sobrar tempo. 

Tempo para a vida em frente. 

(O GLOBO, Marta Medeiros)

O Texto II é classificado como uma/um:
Alternativas
Q1953443 Português

TEXTO I


Mestre Camisa: dedicação à capoeira

Baiano radicado no Rio, Mestre Camisa levou a capoeira a mais de 60 países

RIO - “Não tem erro. É só dirigir até Itaboraí e pegar a estrada para Cachoeiras de Macacu. Me liga quando estiver chegando que eu espero vocês na segunda queijaria”, diz o Mestre Camisa, pelo telefone, informando as coordenadas do sítio onde ele mora e organiza encontros nacionais e internacionais e aulas de capoeira. O sotaque é a mistura equilibrada de um baiano radicado no Rio que, há 16 anos, foi morar no interior do estado. Encontramos o capoeirista na RJ-116 e seguimos sua picape numa estradinha de barro espremida entre uma encosta e um charco. Logo depois de um enorme pé de açaí, fica a entrada do sítio, um lugar idílico, onde pavões, araras, gansos e papagaios ficam soltos o tempo todo. Voam embora, mas voltam. Há uma capelinha de São Jorge no pé de um pequeno morro e, espalhados num imenso gramado, amplos quiosques construídos para o treino da arte que, como define Camisa, “engravidou na África e nasceu no Brasil”. 

— Este lugar é um quilombo moderno, de resistência contra o estresse da cidade grande — explica José Tadeu Carneiro Cardoso, de 58 anos, que batizou o local de Centro Educacional Mestre Bimba, em homenagem ao criador da chamada capoeira regional e seu mentor na adolescência em Salvador. — Luto para preservar a memória dele. A capoeira é patrimônio imaterial do Brasil. A melhor forma de manter sua história é cuidar do legado dos mestres.

Camisa deixa seu pequeno paraíso e vem ao Rio pelo menos duas vezes por semana, para acompanhar aulas e participar de reuniões. Está sempre confabulando algo. No momento, organiza o recém-criado Instituto Mestre Camisa e trabalha na produção do festival que, em agosto, vai comemorar os 25 anos da Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte-Capoeira (Abadá-Capoeira), criada por ele. Mais de cinco mil “seguidores” estarão na Fundição Progresso, na Lapa, para três dias de shows e atividades envolvendo as artes da capoeira (dança, luta, música, artesanato etc.).

Vai ser uma celebração da própria vida de Camisa. Ele tinha 16 anos quando veio parar no Rio ao final de uma turnê que costurou o país com apresentações de capoeira e música baiana. Antes de criar seu próprio método de ensino e filosofia, o nordestino integrou o Grupo Senzala durante anos. O primeiro aluno foi um gaúcho que tinha visto o show do “Furacões da Bahia”. Na época, Camisa ainda morava num quartinho da academia em Laranjeiras onde dava aulas. Hoje, ele bate no peito ao dizer que ensinou capoeira a milhares de pessoas no mundo. 

O capoeirista já esteve em mais de 60 países para ministrar palestras e cursos. Este ano, foi inaugurado o Complexo Residencial Mestre Camisa, conjunto habitacional na cidade de Romilly-sur-Seine, na França. Por causa do seu trabalho de pesquisa e divulgação da cultura brasileira, recebeu até título de doutor honoris causa da Universidade Federal de Uberlândia. Além disso, a Abadá-Capoeira está envolvida em mais de 150 projetos sociais. São cerca de 15 mil pessoas beneficiadas com aulas gratuitas. Há ainda campanhas sociais, com nomes como “Capoeirista sangue bom”, de doação de sangue para o Hemorio, e “Meu berimbau pede paz”, contra a violência. Mestre Camisa virou uma espécie de diplomata da cultura nacional. 

— Pessoas de vários países aprendem a jogar e querem saber como surgiu nossa arte. A história da capoeira é mais importante que o jogo. O que é mais bonito que o homem lutar pela liberdade? — argumenta Camisa, referindo-se ao nascimento da luta, criada por escravos para se defender dos feitores dos engenhos. — Como eu só falo português nas aulas, os gringos aprendem até o idioma. Não tem tradução para palavras como ginga e manha.  

Sob a perspectiva da divulgação da capoeira, o sociólogo e professor Muniz Sodré atribui ao baiano lutador a sucessão do Mestre Bimba, de quem também foi pupilo.

— Camisa tem uma cabeça universitária sem nunca ter passado por faculdade. Sabe misturar a prática do jogo com o sentido de preservar a cultura. Além disso, é um “poliartista”, que luta, canta, compõe e toca bem o berimbau — elogia Sodré. — A capoeira faz mais pela cultura brasileira no exterior do que adidos culturais em embaixadas. 

Em suas viagens, sempre como convidado para eventos, Camisa viveu de tudo. Terremotos no Japão a bombardeios em Israel. Durante um voo doméstico em Angola, ficou sabendo que o aeroporto da cidade de Benguela, para onde estava indo, havia sido atacado (o país africano estava em guerra civil). Hoje, a frequência das viagens diminuiu bastante. O mestre prefere ficar perto da mulher e dos três filhos, com idades de 33, 23 e 13 anos, todos de casamentos diferentes. 

— Eles moram no Rio, mas passam o fim de semana comigo. Chega de viajar tanto. Sem gastar um centavo do meu bolso, percorri o mundo. Agora, deixo as pessoas virem ao meu quilombo respirar ar puro.

(O Globo, 2013) 

De acordo com o gênero textual, o texto I é classificado como uma/um:
Alternativas
Q1953423 Português

TEXTO I


A NOVA JUVENTUDE


O que não falta é frase satirizando a primeira etapa da vida. Exemplo: A juventude é um defeito facilmente superável com a idade. Outro: A juventude é uma coisa maravilhosa, pena desperdiçá-la em jovens. Quem ultrapassou essa fase dourada hoje olha para ela com certo desprezo - Não de todo equivocado: a maturidade, de fato, se não é nosso período mais fértil, certamente é o mais sabido. Algum benefício tinha que haver nessa tal passagem do tempo.


No entanto, em vez de fazer coro com a soberba habitual dos maduros, vale dar uma espiada mais generosa para a garotada. Afora os neorretardados que proliferam nas redes esbanjando pobreza de espírito, a geração atual tem uma postura mais humanizada em relação a questões importantes da vida. Vale a pena escutá-los.


O tema da homossexualidade, ainda debatido à exaustão na mídia, já saiu de pauta entre os adolescentes. Nada mais natural do que meninos e meninas namorarem parceiros do mesmo sexo. Ser favorável ou desfavorável à causa gay? Concordo com eles: chega a ser constrangedor a gente se declarar a favor ou contra o que não nos diz respeito. É muita arrogância. 


Quanto à busca por uma profissão, mudanças visíveis também. O dinheiro continua sendo uma preocupação, mas já não ocupa o topo das paradas. O que se deseja é fazer diferença para a sociedade, trabalhar no que se gosta, personalizar sua atuação, deixar marcada uma ideia, uma consciência, um caminho diferente, um novo olhar. Nem que para isso se invente uma profissão que nunca existiu, que se formalizem atividades que antes não eram consideradas. O estudar segue fundamental, mas a sequência colégio-vestibular-faculdade vem ganhando bifurcações. Se a felicidade não estiver na vida sólida e estável que os pais sonharam, paciência. Os sonhos dos velhos terão que se adaptar a uma realidade menos regrada.


Sim, ainda existem os adolescentes convencionais, que sonham com casamentos convencionais e empregos convencionais e que querem enriquecer, consumir e ser “alguém”. A diferença é que esse “alguém” padrão, que se amparava em hierarquias para estabelecer juízos de valor, não representa o jovem moderno que quer construir uma sociedade mais horizontalizada. A noção de riqueza está mudando de foco: ir para o trabalho de bicicleta pode dar mais status a um profissional do que conquistar uma vaga no estacionamento reservado aos patrões.


Outro dia falava sobre tatuagens com duas garotas e me peguei aplicando o velho discurso a respeito do cuidado que elas deveriam ter antes de tomar decisões definitivas. Foi quando me dei conta de que até o definitivo mudou de configuração. Elas não veneram o “pra sempre” – o que acho ótimo, mas então por que fazer uma tatuagem? Simplesmente para homenagear uma etapa da vida. Não haverá arrependimento se o assunto não for levado com tanto drama. Tatuagem deixou de ser uma condecoração vitalícia. Nada mais é vitalício.


Basta que seja sustentável.

(O GLOBO, Marta Medeiros, 2013)

De acordo com o gênero textual, o texto I é classificado como uma / um:
Alternativas
Respostas
1221: A
1222: C
1223: D
1224: C
1225: E
1226: A
1227: D
1228: A
1229: A
1230: E
1231: C
1232: A
1233: E
1234: D
1235: D
1236: A
1237: E
1238: B
1239: C
1240: D