Questões de Concurso Sobre funções morfossintáticas da palavra que em português

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Q4258670 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quatro pesquisas científicas que pareciam absurdas, mas tiveram resultados brilhantes


Há 25 anos, no 11 de setembro de 2001, um grupo extremista transformou aviões comerciais em armas contra alvos nos Estados Unidos. Atônito, o mundo buscou informações na internet, que na época ainda não suportava um volume tão grande de acessos e praticamente parou.

Sunil Nakrani, engenheiro elétrico e doutorando em Oxford, tentou compreender o colapso. Cada site ficava hospedado em um servidor com capacidade limitada.

Quando milhares de pessoas acessavam o mesmo conteúdo ao mesmo tempo, o servidor não conseguia atender a todos, mesmo que outros servidores estivessem ociosos. A questão era como alocar servidores de maneira eficiente para acompanhar um tráfego em constante mudança.

Como viajava com frequência a Atlanta, onde a mulher trabalhava, Nakrani procurou especialistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, onde conheceu Craig Tovey, especialista em engenharia industrial. Depois de ouvir Nakrani, Tovey percebeu que a resposta estaria nas abelhas.

Para a colmeia, é essencial armazenar mel suficiente para o inverno. As abelhas precisam coletar néctar de milhões de flores que prosperam em épocas e horários diferentes, disputando recursos com outras espécies. Mesmo sem uma líder, agem com eficiência graças à sabedoria da colmeia, explica Tom Seeley, biólogo da Universidade de Cornell.

Anos antes, Tovey uniu-se a Seeley e a outros dois engenheiros para entender como as abelhas resolvem esse problema. A pesquisa envolveu transportar milhares de abelhas identificadas até fontes artificiais de néctar para observar seu comportamento. O segredo para marcá-las era imobilizá-las, reduzindo a temperatura corporal.

O estudo ajudou a compreender o comportamento das abelhas, mas até Nakrani encontrar Tovey era o tipo de pesquisa que críticos consideram inútil. Da parceria surgiu o algoritmo das abelhas aplicado a servidores, que lida com picos de acesso e evita o frustrante ícone de carregamento.

Em 2016, o estudo recebeu o Prêmio Ganso de Ouro, criado para destacar pesquisas aparentemente obscuras que resultaram em grande impacto social. A premiação foi idealizada pelo congressista Jim Cooper para contrapor o Prêmio Velocino de Ouro, que ridicularizava gastos públicos com ciência.

Segundo Joanne Padrón Carney, da Associação Americana para o Avanço da Ciência, o prêmio mostra que descobertas científicas levam tempo e que pesquisas consideradas tolas podem ter impacto duradouro. A curiosidade, disse ela, é parte da natureza humana. Quando os recursos são escassos, prioriza-se a pesquisa orientada por missão, mas é preciso equilibrá-la com a pesquisa básica, pois não se sabe de onde virão os próximos avanços. Esse investimento vem diminuindo em vários países.

Hoje, o mundo está voltado para a inteligência artificial, cujas bases vieram da neurociência, não da computação. Na década de 1970, cientistas modelaram redes neurais para compreender a cognição humana. Esse trabalho serviu de base para o aprendizado de máquina. Geoffrey Hinton, homenageado com o Ganso de Ouro, ganhou o Nobel em 2024. Ele e seus colegas James McClelland e David Rumelhart começaram movidos pela simples curiosidade de entender os processos cognitivos do cérebro.

Carney citou outro caso: uma indústria de biotecnologia surgiu porque dois cientistas queriam entender por que certas bactérias sobrevivem em fontes termais. Na década de 1960, Thomas Brock e Hudson Freeze foram a Yellowstone estudar a lama esverdeada das águas quentes. Descobriram a Thermus aquaticus, que se desenvolvia em temperaturas extremas. Brock agia por pura curiosidade.

Décadas depois, Kary Mullis percebeu que uma enzima dessa bactéria, a Taq polimerase, resistia ao calor exigido pela técnica PCR, que permite multiplicar fragmentos de DNA. A técnica viabilizou os testes de covid-19 em escala mundial e, antes da pandemia, já era essencial na medicina, na genética e na ciência forense. O estudo em Yellowstone, financiado com 80 mil dólares, gerou retorno incalculável. Mullis recebeu o Nobel; Brock e Freeze, o Ganso de Ouro.

O exemplo seguinte é ainda mais improvável. Na década de 1960, o biofísico Barnett Rosenberg e sua equipe estudavam como campos elétricos afetavam bactérias quando algo inesperado aconteceu: as bactérias pararam de se dividir. A equipe atribuiu o efeito ao campo elétrico, mas estava errada. Os eletrodos de platina liberavam compostos que impediam a multiplicação celular. Essa observação, quase descartada, levou à cisplatina, um dos quimioterápicos mais importantes, aprovado em 1978. Antes dela, a sobrevivência ao câncer de testículo era de cerca de 10%; com a cisplatina, passou de 90%. Em 2025, os três pesquisadores receberam o Prêmio Ganso de Ouro. Não buscavam a cura do câncer. Queriam apenas compreender a natureza. Muitas vezes, isso basta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c07rk5lrl38o.adaptado.
Carney citou outro caso: uma indústria de biotecnologia surgiu porque dois cientistas queriam entender "por que" certas bactérias sobrevivem em fontes termais.
Analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.

I.O emprego da expressão destacada está correto no trecho.

PORQUE

II.Nesse contexto, "por qual motivo" pode substituir a referida expressão, justificando sua grafia em duas palavras.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4251473 Português

Texto para o item.

Quando a clareza se torna lei: a linguagem simples como porta de entrada do cidadão

A Lei nº 15.263/2025 institui a Política Nacional de Linguagem Simples em toda a Administração Pública. É importante destacar que se trata de uma mudança estrutural, pois, a partir de agora, o Estado brasileiro tem o dever jurídico de falar com as pessoas de forma objetiva, direta e compreensível.

A lei parte de uma constatação óbvia, mas historicamente ignorada: se o cidadão não entende o que o Estado diz, o direito existe somente no papel. A Política Nacional de Linguagem Simples tem, dentre outros, os objetivos de permitir que qualquer pessoa consiga encontrar, entender e usar as informações públicas; reduzir a dependência de intermediários para interpretar textos oficiais; e facilitar a participação social e o controle das políticas públicas. Logo, a linguagem simples proporciona redução de burocracia, ruídos na comunicação e retrabalho.

A linguagem simples não significa a “infantilização” do discurso público. É, ao contrário, o reconhecimento de que a maturidade democrática exige que o Estado fale a mesma língua dos cidadãos.

A lei define linguagem simples como um conjunto de técnicas que envolve frases em ordem direta; períodos curtos; uma ideia por parágrafo; uso de palavras comuns; explicação de termos técnicos; necessidade de evitar estrangeirismos desnecessários; organização da informação mais importante logo no início do texto; e uso de listas, tabelas e recursos gráficos. Também exige testar a compreensão do público‑alvo e prevê cuidados específicos para a acessibilidade e para a comunicação com povos indígenas em suas línguas, sempre que for possível.

Quando o governo passa a se comunicar na “mesma língua” dos cidadãos, as regras passam a ser mais bem entendidas como parte de um contrato social ao qual nos submetemos. Por esse motivo, a linguagem simples se materializa como um recurso eficiente, pois aproxima a sociedade do governo que a representa e se torna um poderoso instrumento de cidadania.

Internet: <jornal.usp.br> (com adaptações).

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue os itens a seguir.

Na construção “A lei define linguagem simples como um conjunto de técnicas que envolve frases em ordem direta”, o vocábulo “que” atua como um pronome relativo, exercendo papel coesivo anafórico ao retomar o substantivo “conjunto”
Alternativas
Q4251466 Português

Texto para o item. 

Uso de inteligência artificial na Administração Pública já traz benefícios 

Uma entre dez prefeituras brasileiras usa inteligência artificial, e também um entre quatro órgãos públicos federais. A informação foi passada durante audiência pública da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara, que tratou dos desafios e das oportunidades do uso da inteligência artificial (IA) na Administração Pública.

O presidente do Instituto Illuminante de Inovação Tecnológica e Impacto Social, Gilberto Lima Júnior, acha que o uso ainda é pequeno, mas já trouxe benefícios. Ele citou o exemplo do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), que acelerou o trâmite de marcas e patentes por meio de uma ferramenta de IA: a Fel INPI.

Já o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) usa a IA para detectar fraudes no programa Bolsa Família. Uma inovação mais perceptível é o chatbot, programa de computador que simula conversas para facilitar o acesso a serviços essenciais, além de auxiliar internamente, como ocorre no Ministério da Gestão.

A IA promove redução de 30% nos custos de operação e aumento de 40% na produtividade, segundo a coordenadora‑geral do Laboratório de Inovação em Inteligência Artificial da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), Patrícia Baldez. Ela comentou também o caso de Pernambuco, que trabalha em regime no click, em que o estado entra em contato com o cidadão quando sabe que há a necessidade.

A respeito disso, Baldez citou um exemplo: quando uma criança faz aniversário, a mãe recebe uma mensagem pela internet caso a idade coincida com o calendário de vacinação. O aviso já informa o posto de saúde mais próximo.

“Até 2030, 80% dos empregos vão ser impactados por inteligência artificial. Até 2044, 50% dos empregos serão substituídos por inteligência artificial e, principalmente, os empregos que demandam mais intelecto. A questão braçal (mecânica) ainda vai demorar um pouco mais a chegar”, disse Baldez.

Internet: <www.camara.leg.br> (com adaptações).


Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue os itens a seguir.

Na construção “A informação foi passada durante audiência pública da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara, que tratou dos desafios e das oportunidades do uso da inteligência artificial (IA) na Administração Pública.”, caso o pronome “que” fosse substituído pela estrutura em que, a forma verbal “tratou” deveria ser, obrigatoriamente, alterada para tratou‑se.
Alternativas
Q4251199 Português

Milhões ainda vivem sem água tratada no Brasil,

apesar da abundância hídrica


No Dia Mundial da Água, Funasa apresenta soluções

em escala e mais de R$ 4 bilhões em ações para

enfrentar desigualdade no acesso


    Apesar de o Brasil concentrar uma das maiores reservas de água doce do mundo, o acesso à água tratada ainda é desigual e afeta milhões de brasileiros. Dados mais recentes do IBGE mostram que, em 2024, apenas 86,3% dos domicílios tinham acesso à rede geral de abastecimento de água, enquanto cerca de 3 em cada 10 lares ainda não estavam conectados à rede de esgoto. Em áreas rurais, o cenário é ainda mais crítico: apenas cerca de um terço das residências conta com abastecimento por rede geral.  


    No Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) chama atenção para esse desafio estrutural e destaca soluções já em andamento que vêm ampliando o acesso à água segura e reduzindo desigualdades no país, principalmente nas Regiões Norte e Nordeste, que concentram os piores índices.


Soluções práticas


   Com foco em municípios de pequeno porte, áreas rurais e populações vulneráveis, a Fundação aposta em tecnologias de baixo custo e alta replicabilidade. Uma das principais iniciativas é o Salta-Z – sistema simplificado de tratamento de água desenvolvido por técnicos da Superintendência da Funasa do Pará –, que vem sendo expandido em todo o país, com previsão de cerca de 2,6 mil novas unidades para a região Amazônica apenas este ano, levando água potável a comunidades isoladas.  


   No semiárido, a estratégia passa pelo fortalecimento do programa de cisternas, com cerca de 21 mil unidades em implantação em oito estados neste ano, ampliando a segurança hídrica e reduzindo a dependência de fontes precárias. A tecnologia tem impacto direto na vida das famílias, especialmente de mulheres, que historicamente assumem a responsabilidade pelo acesso à água. 


   Outro eixo de atuação são as Melhorias Sanitárias Domiciliares (MSD), com editais lançados em 2025 para ampliar intervenções em residências, incluindo banheiros, soluções de esgotamento sanitário e acesso à água tratada – medidas essenciais para prevenir doenças e promover ambientes mais saudáveis. 


    A Funasa também vem avançando na reativação de laboratórios de análise da qualidade da água, fortalecendo a capacidade de monitoramento da potabilidade e a vigilância em saúde ambiental em articulação com o Sistema Único de Saúde (SUS). 


R$ 4 bilhões em saneamento


    No total, a Fundação mantém atualmente mais de R$ 4 bilhões em instrumentos vigentes, voltados a obras, tecnologias e ações estruturantes de saneamento e saúde ambiental em todo o país.


    Para o presidente da Funasa, o enfrentamento da desigualdade no acesso à água exige soluções adaptadas à realidade brasileira. “Saneamento é direito, não privilégio. Levar água segura às populações mais vulneráveis é uma das formas mais eficazes de prevenir doenças, reduzir desigualdades e promover dignidade”, afirma. 


    Segundo ele, essas iniciativas concretas reforçam que o avanço do saneamento no Brasil passa não apenas por grandes obras, mas também por soluções simples, eficazes e escaláveis – capazes de transformar, de forma imediata, a vida de milhões de brasileiros. 


Disponível em: https://www.gov.br/funasa/pt-

br/assuntos/noticias/2026/marco/milhoes-ainda-vivem-sem-agua-

tratada-no-brasil-apesar-da-abundancia-hidrica. Acesso em: 01 jun.

2026. 

Assinale a alternativa na qual a palavra “que” tem função diferente da desempenhada no seguinte trecho: “A tecnologia tem impacto direto na vida das famílias, especialmente de mulheres, que historicamente assumem a responsabilidade pelo acesso à água.”.  
Alternativas
Q4250223 Português
        O campo da administração pública tem avançado na reflexão sobre como a existência de uma maior diversidade (gênero, raça, etnia, idade e classe social) nos quadros profissionais do setor público pode contribuir para a formulação e a implementação de políticas públicas inclusivas e democráticas, incorporando os interesses de diferentes grupos sociais presentes na sociedade.

        Estudos recentes sobre burocracia representativa têm demonstrado como a representação de gênero e raça, por exemplo, pode gerar confiança e legitimidade na ação pública, contribuindo para que cidadãs e cidadãos se sintam motivados a cooperar e a coproduzir políticas públicas mais equânimes e inclusivas.

        Do ponto de vista do recorte de gênero, estudos apontam, por exemplo, que a maior presença de mulheres nas forças policiais pode acarretar o aumento de denúncias de violência doméstica sofridas por esse grupo, uma vez que há um maior compartilhamento de valores e experiências entre elas e, consequentemente, maior confiança entre a burocrata de linha de frente e a usuária. Na área educacional, outros estudos já demonstraram que a presença de mulheres professoras nas ciências exatas teve impacto positivo no desempenho de alunas, observado em notas nos testes de nivelamento avançado e em exames de faculdades.

        No que se refere ao recorte racial, por sua vez, estudos recentes sugerem que a presença de policiais negras e policiais negros aumenta a confiança das cidadãs negras e dos cidadãos negros na polícia, resultando em maior legitimidade para que essa organização estatal possa atuar dentro da comunidade e, por sua vez, em maior cooperação e cumprimento da lei. Há uma percepção de que a representação passiva é indicativa de valores e experiências compartilhadas, promovendo efeitos reais de maior confiança na cidadania. No campo educacional, alguns estudos trazem evidências de que, em escolas com maior presença de professoras negras e professores negros, alunas negras e alunos negros possuem melhor desempenho escolar, observando-se, ainda, menor punição por comportamento, melhor desempenho nas disciplinas curriculares e o desenvolvimento de altas habilidades.

        Dessa forma, uma burocracia cada vez mais representativa pode promover a colaboração com cidadãs e cidadãos, bem como a coprodução de serviços públicos, o que, além de garantir maior legitimidade à ação pública, também pode assegurar que a ação estatal seja mais responsiva e inclusiva, especialmente aos grupos vulneráveis e aos invisibilizados da sociedade.

Internet:<https://repositorio.enap.gov.br>  (com adaptações). 

Julgue o item que se segue, a respeito do texto apresentado, das ideias nele veiculadas e de seus aspectos linguísticos. 


No trecho "estudos recentes sugerem que a presença de policiais negras e policiais negros aumenta a confiança das cidadãs negras e dos cidadãos negros na polícia (quarto parágrafo), o vocábulo "que" introduz oração que desempenha, em relação à oração anterior, função adjetiva explicativa. 

Alternativas
Q4247836 Português

Copa 2026: SP tem alunos na rede estadual de 43 países classificados


Rede pública estadual tem mais de 5 mil alunos que nasceram em países classificados para a Copa


Em clima de Copa do Mundo, a rede pública estadual de São Paulo concentra alunos nascidos em 43 dos 48 países convocados para o campeonato mundial, segundo informações reunidas pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc).


Dentre os 48 países convocados, o estado de São Paulo tem 5.366 estudantes nascidos em 43 deles, incluindo o Brasil. Só não há estudantes nascidos em Curaçao, Noruega, Uzbequistão, República Tcheca e Suécia.


https://www.metropoles.com/sao-paulo/copa-do-mundo-sp-alunos-estadual


conectivo segundo poderia ser substituído, sem prejuízo de sentido, no contexto do 1o parágrafo por 

Alternativas
Q4247426 Português

Transbordando memórias

Maria Luiza Glovacki


        Cercando a cidade há um rio. Um rio que pode ser pacífico mas também agressivo. Um rio que pode continuar sereno e calmo mas também em confusão, destruindo casas, rotinas, e, em alguns casos mais graves, a vida.


        O rio enche, e enchendo, leva tudo. Enchendo, entra nas casas e força pessoas a saírem. O rio subiu. Encheu tanto que transbordou. Tanto que me tirou da minha infância, das brincadeiras, memórias e da dor de sair toda vez que o rio enche. E, dessa vez, o rio encheu e eu não volto mais.


        Não volto mais. Tudo muda. Não mais sentirei a espuma velha daquele sofá confortável onde tomava chocolate quente quando fazia frio, não irei sentir o cheiro daquele jardim florido em que minhas cachorras insistiam em cavar buracos, ou até mesmo não ouvirei as pessoas andando de madrugada nas ruas em minhas noites mal dormidas, ou o gosto do suco dos morangos lá plantados. Nada disso eu consegui segurar. Nada disso o rio me deixou segurar. Tudo mudou.


        E eu não volto mais, porque o rio, entre todas as coisas que podiam transbordar, transbordou. E ele decidiu que sair daquele lar foi preciso. Inevitavelmente, hora ou outra sairia, sonho de gerações ao deixar isso para trás. Mas o rio decide. E decidiu que a escolha deveria ser tomada agora.


        Esse rio transbordado me tirou de muitas coisas. Tudo desapareceu como uma onda inundando meu ser, fluindo minha vida como uma pequena nascente, na poesia ardente que é viver. Pois agora não mais voltarei. Não mais terei que passar pelo sofrimento do rio transbordado.


    O rio transbordou. E eu também transbordei.



Adaptado de: https://ifpr.edu.br/uniao-da vitoria/wpcontent/uploads/sites/27/2023/12/Cronicas-Submersas4_compressed.pdf Acesso em: 27 maio 2026. 

Em “[…] entre todas as coisas que podiam transbordar, transbordou.”, o termo em destaque retoma “todas as coisas”, expressão mencionada anteriormente. Nesse sentido, assinale a alternativa na qual o “que” em destaque NÃO retoma um termo ou uma expressão já mencionado(a). 
Alternativas
Q4247210 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão.

A motivação dos atos administrativos e a proteção do interesse público

        A Administração Pública exerce suas competências por meio de atos administrativos destinados à consecução do interesse público e à concretização das finalidades estabelecidas pelo ordenamento jurídico. Todavia, o exercício dessas prerrogativas não se reveste de caráter absoluto, visto que toda atuação estatal encontra limites nos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, previstos no caput do artigo 37 da nossa Constituição Federal. Nesse contexto, a motivação dos atos administrativos constitui requisito essencial de legitimidade, por permitir o controle da atuação administrativa tanto pela própria Administração quanto pelos órgãos de controle e pelo Poder Judiciário. 

        A motivação consiste na exposição clara, coerente e suficiente das razões de fato e de direito que justificam a prática do ato administrativo. Não se trata de mera formalidade burocrática, mas de verdadeiro instrumento de transparência, de controle e de garantia dos direitos fundamentais dos administrados. A ausência de fundamentação adequada, ou a apresentação de justificativas genéricas e incompatíveis com a realidade dos fatos, pode comprometer a validade do ato, especialmente quando impedir o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa pelos interessados.

        Não por outra razão, a doutrina contemporânea reconhece que a discricionariedade administrativa não autoriza decisões arbitrárias. Ainda que a lei confira margem de liberdade ao administrador para escolher a solução mais conveniente e oportuna, essa escolha permanece vinculada aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da finalidade pública e da motivação suficiente. Em consequência, o controle jurisdicional não alcança o mérito administrativo propriamente dito, salvo quando evidenciado desvio de finalidade, abuso de poder, erro de fato, manifesta desproporcionalidade ou violação aos princípios que regem a Administração Pública.

        Cumpre destacar, ademais, que a teoria dos motivos determinantes estabelece que a validade do ato administrativo se encontra vinculada aos motivos expressamente indicados pela autoridade competente. Assim, se a Administração declara determinada justificativa para a prática do ato e posteriormente se verifica que os fatos alegados não existiam ou eram juridicamente inadequados, o ato poderá ser invalidado, ainda que outra fundamentação eventualmente pudesse sustentá-lo. Essa compreensão fortalece a segurança jurídica, reforça a confiança legítima dos administrados e prestigia o dever de boa-fé objetiva nas relações entre o Estado e os particulares.

        Sob outra perspectiva, a eficiência administrativa não pode ser interpretada como autorização para relativizar direitos fundamentais ou afastar procedimentos legalmente previstos. Ao contrário, a busca por maior celeridade deve coexistir com o respeito às garantias processuais, ao devido processo legal e à observância das formas essenciais previstas em lei. A simplificação procedimental somente se revela legítima quando compatível com o sistema normativo e incapaz de comprometer a lisura, a transparência ou a imparcialidade da atuação estatal.

        Por fim, importa reconhecer que a legitimidade da atuação administrativa não decorre exclusivamente da conformidade formal com a lei, mas também da observância dos valores constitucionais que orientam a Administração Pública. Um ato aparentemente regular poderá revelar-se inválido caso afronta princípios constitucionais ou produza efeitos incompatíveis com a finalidade pública que lhe deu origem. Nessa perspectiva, o controle dos atos administrativos representa importante mecanismo de preservação do Estado Democrático de Direito, assegurando que o exercício da função administrativa permaneça permanentemente submetido à Constituição, às leis e aos direitos fundamentais. (Gilberto Manso – Texto adaptado)
Considere o último parágrafo do texto, e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4247206 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão.

A motivação dos atos administrativos e a proteção do interesse público

        A Administração Pública exerce suas competências por meio de atos administrativos destinados à consecução do interesse público e à concretização das finalidades estabelecidas pelo ordenamento jurídico. Todavia, o exercício dessas prerrogativas não se reveste de caráter absoluto, visto que toda atuação estatal encontra limites nos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, previstos no caput do artigo 37 da nossa Constituição Federal. Nesse contexto, a motivação dos atos administrativos constitui requisito essencial de legitimidade, por permitir o controle da atuação administrativa tanto pela própria Administração quanto pelos órgãos de controle e pelo Poder Judiciário. 

        A motivação consiste na exposição clara, coerente e suficiente das razões de fato e de direito que justificam a prática do ato administrativo. Não se trata de mera formalidade burocrática, mas de verdadeiro instrumento de transparência, de controle e de garantia dos direitos fundamentais dos administrados. A ausência de fundamentação adequada, ou a apresentação de justificativas genéricas e incompatíveis com a realidade dos fatos, pode comprometer a validade do ato, especialmente quando impedir o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa pelos interessados.

        Não por outra razão, a doutrina contemporânea reconhece que a discricionariedade administrativa não autoriza decisões arbitrárias. Ainda que a lei confira margem de liberdade ao administrador para escolher a solução mais conveniente e oportuna, essa escolha permanece vinculada aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da finalidade pública e da motivação suficiente. Em consequência, o controle jurisdicional não alcança o mérito administrativo propriamente dito, salvo quando evidenciado desvio de finalidade, abuso de poder, erro de fato, manifesta desproporcionalidade ou violação aos princípios que regem a Administração Pública.

        Cumpre destacar, ademais, que a teoria dos motivos determinantes estabelece que a validade do ato administrativo se encontra vinculada aos motivos expressamente indicados pela autoridade competente. Assim, se a Administração declara determinada justificativa para a prática do ato e posteriormente se verifica que os fatos alegados não existiam ou eram juridicamente inadequados, o ato poderá ser invalidado, ainda que outra fundamentação eventualmente pudesse sustentá-lo. Essa compreensão fortalece a segurança jurídica, reforça a confiança legítima dos administrados e prestigia o dever de boa-fé objetiva nas relações entre o Estado e os particulares.

        Sob outra perspectiva, a eficiência administrativa não pode ser interpretada como autorização para relativizar direitos fundamentais ou afastar procedimentos legalmente previstos. Ao contrário, a busca por maior celeridade deve coexistir com o respeito às garantias processuais, ao devido processo legal e à observância das formas essenciais previstas em lei. A simplificação procedimental somente se revela legítima quando compatível com o sistema normativo e incapaz de comprometer a lisura, a transparência ou a imparcialidade da atuação estatal.

        Por fim, importa reconhecer que a legitimidade da atuação administrativa não decorre exclusivamente da conformidade formal com a lei, mas também da observância dos valores constitucionais que orientam a Administração Pública. Um ato aparentemente regular poderá revelar-se inválido caso afronta princípios constitucionais ou produza efeitos incompatíveis com a finalidade pública que lhe deu origem. Nessa perspectiva, o controle dos atos administrativos representa importante mecanismo de preservação do Estado Democrático de Direito, assegurando que o exercício da função administrativa permaneça permanentemente submetido à Constituição, às leis e aos direitos fundamentais. (Gilberto Manso – Texto adaptado)
No período "A motivação consiste na exposição clara, coerente e suficiente das razões de fato e de direito que justificam a prática do ato administrativo", assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4247191 Português
Assinale a alternativa cujo termo destacado introduz uma oração com o sentido de consequência.
Alternativas
Q4246322 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

A ilusão da eficiência

    Em tempos de intensa digitalização dos serviços públicos, tornou-se comum associar o avanço tecnológico à ideia de eficiência administrativa. Entretanto, a mera incorporação de ferramentas digitais não assegura, por si só, a melhoria dos serviços prestados ao cidadão. A tecnologia, quando desacompanhada de planejamento, de capacitação permanente dos servidores e de mecanismos de controle, converte-se em instrumento estéril, incapaz de produzir os resultados que dela se esperam.
    Não raro, administrações públicas investem vultosos recursos em sistemas informatizados sem previamente redefinir seus processos internos. Cria-se, então, a falsa impressão de modernização, quando, em verdade, apenas se transferem para o ambiente digital as mesmas deficiências que já comprometiam os procedimentos tradicionais.
     A eficiência administrativa exige mais do que equipamentos sofisticados ou plataformas eletrônicas de última geração. Requer, sobretudo, a construção de uma cultura institucional baseada no planejamento, na transparência e na avaliação contínua dos resultados. Sem esses pilares, a tecnologia deixa de ser instrumento de transformação para tornar-se mero ornamento burocrático.
    Por isso, a verdadeira inovação na Administração Pública não reside simplesmente na aquisição de novos sistemas, mas na capacidade de repensar práticas, corrigir distorções e colocar o interesse público acima do fascínio pelas soluções tecnológicas.

(Celso Magalhães – Texto adaptado)
Considere os trechos: "... as mesmas deficiências que já comprometiam ..." e "A eficiência administrativa exige mais do que equipamentos sofisticados...". Assinale a alternativa em que a análise morfossintática e semântica dos elementos destacados está CORRETA.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: IDECAN Órgão: AL-CE Prova: IDECAN - 2026 - AL-CE - Técnico Legislativo |
Q4246136 Português
Justiça e vingança

        No escritor romano Tácito, nós encontramos a possível origem de uma ideia que seria repetida por muitos pensadores moralistas e pessimistas: Os homens apressam-se mais a retribuir um dano do que um benefício, porque a gratidão é um peso e a vingança, um prazer. Ofensas perdoadas (como em Os Miseráveis, de Victor Hugo) ou causadoras de toda a trama (como na telenovela Avenida Brasil) trazem à tona nosso melhor e nosso pior. Em qualquer enredo, o momento em que a sofrida mocinha, que vinha suportando barbaridades desde o primeiro capítulo da novela, finalmente ergue um olhar de rebeldia e esbofeteia a vilã registra pico máximo de audiência. Sim, da Roma de Tácito à França de La Rochefoucauld, vingar-se é um prazer. Se o deleite puder ser envolvido na sua máscara mais frequente, a justiça, chegamos ao nirvana absoluto das delícias humanas. Buscar justiça é mais edificante do que buscar vingança. Nosso demônio interno adora usar a espada do anjo da justiça. A lei de Talião está nas fibras profundas da nossa existência. A vendeta épica, como no filme argentino O Segredo dos Seus Olhos (Juan Jose Campanella, 2009), é pouco acessível aos mortais como nós. O custo de uma vingança tão extraordinária como a descrita no filme é o uso de todo o tempo de vida. Tal obsessão implica um ódio e uma memória muito especiais. Poucas pessoas querem pagar o preço enorme da vingança total. Quando conseguem, formam a narrativa de O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas.

        Como não somos santos generosos e extraordinários com o poder de perdão do Monsenhor Bienvenu da já citada obra romântica francesa, também não teremos vinganças dignas de enredos comoventes. Quase todos somos medíocres no amor e nos ódios. Restam-nos as pequenas vinganças... Não tendo acesso ao elenco principal, nosso papel coadjuvante tem sido bem elaborado. Nosso dia a dia é tomado por microprazeres do “olho por olho e dente por dente”.

Recordo-me de uma história narrada por uma grande amiga. Casada com um homem muito incisivo (amo eufemismos), descreveu um episódio de vida turística com o consorte. Estando em Nova York, ela presenciou a compra, e como ele pagou in cash. A responsável, zelosa e cumpridora de uma norma superior, pegou cada nota e a examinou com um pudor único. Olhou contra a luz uma a uma, apalpou, passou o dedo exigente sobre as microrranhuras do meio circulante para, enfim, encerrar o ritual da probidade com uma caneta capaz de eliminar as últimas dúvidas.

        O marido em questão, em vez de reclamar imediatamente como estava habituado, assumiu uma posição cordata e silenciosa que trouxe estranheza à esposa, sabedora do seu gênio querelante. Ele sorria. Por que um homem demarcador rígido de espaços sorria diante da desconfiança indireta que lhe era imputada? Obviamente porque já antecipava sua vingança, sua pequena guerrilha de contra-ataque ao ato indigno de pública dúvida sobre sua honestidade.

        A quantidade de fregueses à espera era grande na loja no coração de Manhattan. A fila, como muitos sabem, é um valor superior a Deus e à pátria nos Estados Unidos. Terminado o exame inquisitivo, aprovadas todas as cédulas entregues, a mulher deu a ele algumas pequenas notas de dólar como troco. Ele agradeceu, educado como uma moça pudica do velho Sacré-Coeur, e, de maneira teatral, passou a realizar exames no troco que excediam, largamente, o procedimento da funcionária. Cada nota foi apalpada, cheirada e sentida como se nelas residissem as verdades mais sublimes do Altíssimo. Depois, com o ar tranquilo de um monge do Himalaia, pediu a caneta verificadora e passou dezenas de traços em cada nota, exarando com vagar o veredicto final sobre a reta procedência do valor. Checou as imagens, colocou contra a luz e olhou com ponderação minuciosa.

        Durante o angustiante procedimento, ele ficava elogiando o cuidado da caixa, dizendo que, de fato, nunca se pode confiar, que ela fazia bem, que era assim mesmo que se evitavam fraudes. Falava em voz alta e louvava a atenção extrema do estabelecimento, paralisando uma possível reação dela com profusos elogios. Finda a liturgia da vingança, agradeceu, bradou mais uma vez para toda a loja que a ação dela era exemplar e que ela e todos da fila deveriam continuar fazendo isso, com arengas contra o estelionato insidioso. Retirou-se, sorridente. A ação tivera efeito similar ao já indicado tapa no rosto da vilã no último capítulo. Catarse completa. Vingança, a doce figura de Tácito, estava impetrada!

        Já foi dito que somos bons quando somos bons e somos ainda melhores quando somos maus. Mesmo os mais abnegados professores ocultam pouco um sorriso interno quando o aluno que atenazou sua vida o ano inteiro fica retido no conselho de classe. A mais zelosa das mães que adverte com insistência um filho que leve casaco e recebe um muxoxo em troca talvez exulte internamente quando o birrento reclama que passou muito frio. O castigo é a alma da lei e do sistema da autoridade. Tudo em pais, policiais e professores indica que nossos valorosos conselhos só se tornam importantes quando, ignorados, se transformam em desastres aos que fazem ouvidos de mercador.

        Saramago, no diálogo do barco em O Evangelho Segundo Jesus Cristo, coloca na boca de Deus-Pai que o demônio é fundamental para a obra celestial. Sem o risco da punição, toda regra amorosa ficaria vazia. E se os fumantes morressem com pulmões de crianças no bosque? E se o consumo de gorduras e doces emagrecesse? E se os medíocres triunfassem? Se os adúlteros tivessem prazeres multiplicados e nenhum ônus decorrente do seu gesto infrator? O que seria da virtude sem o inferno ou o colesterol? Para isso existe a vingança, quero dizer, a justiça... Uma semana amorosa para todos nós, incapazes de pequenas ou de grandes maldades.

KARNAL, Leandro. O Coração das Coisas. São Paulo: Contexto, 2019.
No contexto do excerto a seguir, as orações subordinadas transcritas em I e em II apresentam função sintática, respectivamente, de:
“Em qualquer enredo, o momento em que a sofrida mocinha, que vinha suportando barbaridades desde o primeiro capítulo da novela, finalmente ergue um olhar de rebeldia e esbofeteia a vilã registra pico máximo de audiência.”
I. “[...] em que a sofrida mocinha finalmente ergue um olhar de rebeldia [...]”
II. “[...] que vinha suportando barbaridades desde o primeiro capítulo da novela [...]”
Alternativas
Q4245993 Português
Texto para o item.

Césio‑137: acidente em Goiânia deixou lições que continuam orientando a proteção a trabalhadores expostos à radiação

    O acidente ocorreu em setembro de 1987, quando uma cápsula contendo Césio‑137 foi retirada de um aparelho de radioterapia abandonado em uma clínica desativada. Sem conhecimento dos riscos envolvidos, pessoas manusearam o material radioativo, que se espalhou por diversos locais, provocando uma emergência sanitária de grandes proporções.
    Para o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Amaury Rodrigues Pinto Junior, o episódio evidenciou falhas institucionais e desconhecimento dos riscos. “O caso foi emblemático e gerou modificações na legislação nacional”, afirma. Uma delas é a Lei 10.308/2001, que passou a disciplinar o destino final e as responsabilidades sobre os rejeitos radioativos no país. Na avaliação do diretor‑presidente da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), Alessandro Facure, o principal legado do acidente foi uma mudança profunda na cultura de segurança radiológica. “Consolidou‑se o entendimento de que a segurança depende de mecanismos permanentes de controle ao longo de todo o ciclo de vida das fontes radioativas”, explica.
    Desde então, foram ampliadas as exigências relacionadas ao licenciamento de instalações, rastreabilidade de fontes radioativas, armazenamento, transporte, monitoramento individual de trabalhadores, qualificação profissional e preparação para emergências.
    A evolução da segurança radiológica também foi influenciada por acidentes internacionais, como os de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, e Fukushima, no Japão, em 2011. Segundo a ANSN, esses episódios reforçaram a importância da cultura de segurança, da transparência institucional, da preparação para emergências e da revisão contínua dos sistemas de proteção. De acordo com Facure, a principal lição desses acidentes é que a segurança não é uma condição permanente. Quase 40 anos após o Césio‑137, o consenso técnico e jurídico é que mitigar os riscos da radiação exige atenção contínua. Segundo Amaury Rodrigues, a experiência nacional demonstra que a eficácia das regras depende dessa postura coletiva. “A aplicação das normas de segurança e saúde no trabalho exige vigilância permanente dos atores sociais envolvidos e uma postura bastante rigorosa por parte da Justiça do Trabalho”, conclui. 

Internet: <tst.jus.br> (com adaptações).
A respeito dos aspectos linguísticos e do vocabulário empregado no texto, julgue o item seguinte.

No trecho “Sem conhecimento dos riscos envolvidos, pessoas manusearam o material radioativo, que se espalhou por diversos locais, provocando uma emergência sanitária de grandes proporções.”, o pronome “que” poderia ser substituído por onde, uma vez que introduz uma construção que denota sentido de lugar.
Alternativas
Q4243130 Português
A Cara de Pau do Brasileiro


A honestidade do brasileiro é muito questionável. Claro que não podemos generalizar, mas faz parte do povo ter esse jeito malandro.

Outro dia, quando eu estava conversando com uma amiga minha ela me contou que adorava viajar com a avó dela. Diferente do que você imagina, ela não gostava de ter uma companhia materna, mas sim de não ter que encarar esperas durante a viagem. “A melhor parte é no embarque, quando vemos aquela fila gigantesca, típica de Guarulhos, mas, como ela é idosa, podemos entrar na frente. ”

Acho que todos nós já nos deparamos com alguém assim, não é? Alguém que pagou pela carteira de motorista ou por um diploma, a mulher que fingiu estar grávida, etc. Eu, pelo menos, sempre me deparo com esse tipo de situação no Shopping Paulista, por exemplo, naquelas vagas preferenciais pintadas perto do elevador. Ali é um fingimento e oportunismo só. Na minha escola, também era comum que os estudantes se fizessem de doentes para utilizar o único elevador.

Eu acredito que deve haver privilégios para idosos, gestantes e deficientes, claro, mas também acho que faz parte do brasileiro tirar proveito dessas situações e que, muitas vezes, nos falta integridade e honestidade. Lá fora, em alguns outros países, é muito difícil ver alguém fingindo estar com o pé quebrado, por exemplo, mas aqui não. Aqui as pessoas mentem e se aproveitam das situações. Olhe só a corrupção escancarada no Brasil, que é criticada quando acontece no alto escalão, mas que, quando se trata de um exame de direção, poucos veem o problema.

Você agora deve estar pensando que eu sou uma daquelas que só vê defeito nos brasileiros, não é mesmo? Mas não, eu sinceramente acho que nós temos muitas qualidades também, mas, infelizmente, já nascemos com um jeito malandro e cara de pau. Aposto que você sabe muito bem do que estou falando.


Disponível em: https://colband.net.br/linguagens-e-codigos/cronica-argumentativa/
No trecho:
"Você agora deve estar pensando que eu sou uma daquelas que só vê defeito nos brasileiros..."
a palavra "que", na segunda ocorrência, exerce a função de
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Q4241266 Português
 A informação, um bem precioso: por que cuidar dos dados pessoais

A informação continua sendo um bem muito precioso. Mas você sabia que a forma de lidar com a informação, principalmente a que diz respeito ao indivíduo, tem exigido bastante transformações, mundo afora e aqui no Brasil? Pois é, as pessoas estão, cada vez mais, buscando maior controle sobre seus dados. Preservar conteúdos privados não é mais uma opção, tornou-se um compromisso inadiável: tanto do cidadão consigo mesmo, como do governo e das empresas que se relacionam com esses dados e que precisam escutar o clamor das pessoas, se não quiserem ficar para trás.

Provavelmente você concorda que é indispensável cuidar dos seus dados e dos dados das demais pessoas. Então é hora de conhecer ainda mais sobre a LGPD: a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais é a mudança mais importante no que se refere à privacidade de dados no Brasil. Aprovada em agosto de 2018, a lei já circula por aí e, como se pode perceber, não veio "para inglês ver", mas para auxiliar o Brasil a evoluir, de fato, no tema, gerando impactos positivos na vida de milhões de brasileiros.

Mas, afinal, o que é um dado pessoal? É simples: se uma informação permite identificar, direta ou indiretamente, um indivíduo que esteja vivo, então ela é considerada um dado pessoal, como nome, RG, CPF, gênero, data e local de nascimento, telefone, endereço residencial, localização via GPS, retrato em fotografia, prontuário de saúde, cartão bancário, renda, histórico de pagamentos, hábitos de consumo, preferências de lazer, endereço de IP e cookies, entre outros.



SERPRO. O que são dados pessoais? Portal LGPD. Brasília, DF: Serpro, [2023]. Disponível em: https://www.serpro.gov.br/lgpd/menu/protecao-de-dados/dados-pessoais-lgpd. Acesso em: 9 jul. 2026. (Texto adaptado.)
Analise o valor gramatical do vocábulo "que" em três ocorrências do texto: em "a que diz respeito ao indivíduo"; em "as empresas que se relacionam com esses dados"; em "no que se refere à privacidade". É correto afirmar que:
Alternativas
Q4231198 Português

As instituições e políticas de propriedade industrial (PI) têm implicações significativas para o desenvolvimento nacional em áreas distintas, como: os investimentos estrangeiros diretos, a produção e a disseminação de tecnologias digitais de informação e comunicação, a produção agrícola, a segurança alimentar, o acesso a medicamentos e à saúde pública, e a proteção da biodiversidade e dos conhecimentos tradicionais. Contudo, a autonomia do Estado brasileiro e sua gama de opções para a proteção da PI é em grande medida limitada por compromissos firmados em acordos internacionais, sobretudo pelo Acordo sobre Aspectos dos Direitos de PI Relacionados ao Comércio (TRIPS, em inglês), em vigor desde janeiro de 1995.

Embora a proteção dos direitos de PI ocorra em âmbito nacional, o TRIPS estende e especifica obrigações relativas ao escopo, ao objeto e à duração desta proteção. Ao integrar o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT, em inglês), o acordo assegura que os mecanismos de resolução de controvérsias e sanções da Organização Mundial do Comércio (OMC) sejam aplicados à proteção da PI. Apesar de ser o principal acordo internacional sobre os direitos de PI, o TRIPS não é o único. Pelo contrário, diversos outros acordos sobre a PI compõem um arcabouço jurídico internacional altamente complexo e fragmentado. Notadamente, tais acordos foram criados com finalidades e em períodos históricos distintos e muitas vezes não abordam prioritariamente a governança da PI, mas, por exemplo, a do comércio ou a da biodiversidade.

O Brasil, como outros países em desenvolvimento, vê inconsistências entre o TRIPS e a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), com implicações importantes para o combate à biopirataria e a proteção do patrimônio biológico. A principal apreensão dos países em desenvolvimento é que o TRIPS não exige que requerentes de patentes incorporem material genético ou conhecimentos tradicionais ao cumprimento das obrigações acordadas na CDB. Exigências de consentimento prévio da parte provedora e dos conhecimentos associados, bem como da repartição justa e equitativa, estão ausentes em TRIPS. Ademais, o TRIPS torna obrigatória a patenteabilidade de micro‑organismos, enquanto a CDB estipula que os países são soberanos para decidir sobre a proteção dos recursos genéticos presentes em seu território, incluindo micro‑organismos.



Internet: (com adaptações).

A respeito dos aspectos linguísticos e do vocabulário empregado no texto, julgue o item seguinte.
Em “não exige que requerentes de patentes incorporem material genético” e em “a CDB estipula que os países são soberanos”, o termo “que” é classificado como conjunção integrante.
Alternativas
Q4231076 Português
Estudo aponta os comportamentos mais ligados ao equilíbrio emocional


Por Arthur Almeida









(Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/05/ciencia-da-felicidade-estudo-apontaos-comportamentos-mais-ligados-ao-bem-estar.ghtml – texto adaptado especialmente para esta prova).
Analise as seguintes ocorrências da palavra “que” em trechos retirados do texto e assinale a alternativa correta sobre elas:

1. “Uma possível lição para governos e empresas seria promover iniciativas que fortaleçam essas preferências comportamentais para aumentar o estado de satisfação geral”.
2. “Os autores citam pesquisas anteriores indicando que gastos pró-sociais e atitudes cooperativas podem gerar ganhos emocionais relevantes”.
Alternativas
Q4230396 Português

Leia-o atentamente antes de respondê-la.




No trecho “A expectativa das organizações envolvidas é que a resolução impulsione novos investimentos...” (linhas 32 a 34), a palavra destacada exerce função morfológica de:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FUNDATEC Órgão: Polícia Penal - RS Provas: FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Administração | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Odontologia | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Pedagogia | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Psicologia | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Serviço Social | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Terapia Ocupacional | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Arquitetura | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Ciência da Computação | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Ciências Contábeis | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Engenharia Elétrica | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Ciências Sociais | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Estatística | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Direito | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Fisioterapia | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Farmácia | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Educação Física | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Enfermagem | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Engenharia Agronômica | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Engenharia Ambiental | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Engenharia Civil | FUNDATEC - 2026 - Polícia Penal - RS - Analista da Polícia Penal - Nutrição |
Q4230149 Português

O espetáculo do hermetismo* : a retórica oracular contra a generosidade intelectual


Por Marco Aurélio Werle


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(Disponível em: https://jornal.usp.br/?p=1024676 – texto adaptado especialmente para esta prova).

Para responder à questão, considere o seguinte fragmento, retirado do texto:

“Esse movimento teórico resvala em um determinismo absoluto e conspiratório que apaga as contradições internas das elites e as contingências imprevisíveis do cotidiano”.

No fragmento supracitado, o vocábulo “que” classifica-se como _____________ e exerce a função de _____________ da oração que introduz.

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
Alternativas
Q4229680 Português
Texto para a questão:


“David da Vinci”, o menino gênio mexicano com QI superior ao de Einstein

Com 10 anos de idade, David Camacho oferece conferências em universidades e para organismos internacionais, irá em breve publicar um livro e criou um aplicativo para combater o bullying que sofreu na escola.


David Camacho provavelmente não irá gostar do título desta reportagem.

Primeiramente, porque não se identifica com a descrição de "menino gênio", embora seu quociente de inteligência (QI) de 162 esteja muito acima dos 130 fixados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como mínimo para considerar uma pessoa com altas habilidades ou intelectualmente superdotado.

"Os gênios já estão no túmulo e, se foram gênios, é porque fizeram coisas geniais", explica ele, modestamente.

Em segundo lugar, porque ele admite que não lhe agrada muito ser comparado com outras mentes brilhantes, como a dos físicos Stephen Hawking (1942- 2018) ou Albert Einstein (1879-1955), que tinham QI estimado de 160.

"Tenho 10 anos e estou apenas começando", prossegue ele. "Talvez eu seja um gênio quando tiver 70 anos, mas quando tiver feito coisas geniais na vida, certo?"

Mas existe, sim, um gênio que serve de inspiração para o menino. Ele chegou a adotar seu sobrenome nas redes sociais, onde é conhecido como "David da Vinci".

"Minha professora do jardim da infância me ensinava muito sobre Leonardo da Vinci [1452-1519] e como ele era polímata: alguém que combina as ciências, tecnologia, engenharia, matemática, artes, ciências humanas... de tudo um pouco", recorda ele.

"Fiquei impressionado com a sua história, até que disse: 'Quero ser como ele', para fazer grandes coisas."

E, por enquanto, David parece estar bem encaminhado rumo a este sonho.

Eloquente, sempre sorrindo e com um discurso articulado e surpreendente para sua pouca idade, este menino de Querétaro, na região central do México, conta casualmente que oferece conferências em universidades e para organismos internacionais. E está a ponto de publicar um livro.

Atualmente, David Camacho estuda em uma escola internacional online, que o certificará para poder entrar na universidade. Ele fala espanhol, inglês, francês e alemão e começou a estudar russo, português e italiano.

Ele garante que é "um orgulho" ter um quociente de inteligência tão alto e o que ele mais aprecia em ser uma criança com altas habilidades é poder entender tudo rápido e aprender de forma acelerada.

"Não são muitas as pessoas que nascem assim, de forma que eu gostaria de usar isso em favor das crianças e do bem-estar da humanidade, deixar a minha marca", afirma ele.

Mas ele acredita que nem todos entendem o que é ser um menino gênio.

"Muitas pessoas pensam que devemos saber tudo, mas não somos adivinhos, é preciso que nos ensinem. Não significa que temos todas as respostas do universo."

Sua mãe, Claudia Flores, recorda as primeiras indicações que a fizeram pensar que havia algo especial com David.

"Fazíamos uma longa viagem na estrada e ele sabia cerca de 40 canções infantis", relembra ela.

"Nós o mandamos para a escola e ele ficou feliz por 15 dias. Mas, depois, começou a pedir: 'Me passe para as crianças maiores, quero aprender mais'."

"Aquilo me entediava muito", confirma ele.

Mas o momento decisivo chegou com a pandemia de covid-19. Sua mãe se sentou ao seu lado enquanto ele fazia as aulas online e percebeu que era verdade que ele aprendia muito rapidamente, em comparação com as outras crianças.

Mas, apesar de todas as suas conquistas, chegar até aqui não foi fácil para David. Ele conta que sofreu muito naquela que era a escola dos seus sonhos.

"As outras crianças não entendiam por que alguém que acabava de entrar na escola conseguia saber mais coisas do que eles, nem como podia fazer tantas coisas", explica ele. "E a sua forma de demonstrar isso era me fazendo bullying."

Ele decidiu recentemente aproveitar esta má experiência para dar a volta por cima e empregá-la para desenvolver o aplicativo Macayos, que estará disponível ao longo deste ano. Ele o define como "a primeira plataforma digital mexicana criada com inteligência artificial, que ensina às crianças, de forma divertida, capacidades para saber gerenciar suas emoções". David Camacho pede a todos os que praticam bullying com crianças como ele que sejam empáticos e inclusivos.

Durante toda a entrevista, David Camacho fala com muita rapidez. Ele pula de um tema para outro com facilidade e retorna, se achar que se esqueceu de mencionar algo importante.

Claudia Flores reconhece que ser mãe de um menino como ele é um grande desafio. "Ser a mãe de Edgar David Camacho Flores é muito fácil, pois ele é um menino tranquilo, nobre e amoroso. Mas ser mãe de David da Vinci é o desafio, pois ele é acelerado, anda correndo..."

"Eu digo que ele tem dois esquilos naquela cabecinha. Mas ele responde que não, que tem um computador quântico", conclui a mãe, sorrindo.


Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/05/04/david-da-vinci-o-menino-genio-mexicano-com-qisuperior-ao-de-einstein.ghtml [adaptado]
Dado o excerto:

“Sua mãe, Claudia Flores, recorda as primeiras indicações que a fizeram pensar que havia algo especial com David.”

Sobre o excerto, afirma-se:

I. O termo “Claudia Flores” exerce a função sintática de aposto do substantivo que o antecede.
II. O primeiro “que” é um pronome relativo que introduz uma oração subordinada adjetiva.
III. O verbo “haver”, no contexto, é um verbo impessoal.

Está(ão) correta(s):
Alternativas
Respostas
61: C
62: C
63: E
64: A
65: E
66: E
67: B
68: B
69: D
70: B
71: B
72: A
73: E
74: B
75: A
76: C
77: C
78: E
79: B
80: A