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Questões de Concurso Comentadas sobre funções morfossintáticas da palavra como em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 167 questões

Q3480615 Português

Leia o texto para responder à questão.


Cinema: Quando a posse é poder e prisão


“Propriedade”, o mais recente lançamento do cinema brasileiro pelas mãos de Daniel Bandeira, encerra o ano cinematográfico de maneira marcante. O filme, caracterizado por sua intensidade, violência e representação impiedosa da disparidade social, mergulha os espectadores em um mundo conturbado desde as primeiras cenas.


A trama se desenrola em uma decadente fazenda no interior de Pernambuco, prestes a ser convertida em um hotel. O enredo intricado revela surpresas e reviravoltas, explorando as profundas contradições sociais moldadas pela complexa história brasileira.


“Propriedade” alinha-se ao melhor do cinema pernambucano contemporâneo, revelando a persistência de estruturas arcaicas de dominação em um contexto moderno, onde tecnologia e cultura global coexistem. O filme, como um teorema implacável, examina uma luta de classes multissecular em meio a dispositivos tecnológicos e carros blindados.


A narrativa, fiel ao título, amarra os conflitos em torno da ideia de propriedade, destacando a posse como garantia de poder, mas também como uma prisão. O filme é permeado por imagens poderosas, como a de um carro tecnológico sendo arrastado por um carro de bois, simbolizando o embate entre o arcaico e o moderno.


A dicotomia entre dois mundos sociais inconciliáveis é expressa na dificuldade de comunicação entre patrões e empregados. A tragédia se desenha nas dissensões dentro do grupo de trabalhadores, cada um com suas razões e perspectivas.


“Propriedade” é a segunda obra de Daniel Bandeira, lançada quinze anos após seu primeiro filme. Com um elenco vigoroso e uma cinematografia envolvente, o filme destaca-se por sua abordagem realista e a exploração profunda das tensões sociais. Em contraste com obras como “Bacurau”, o filme de Bandeira oferece sufoco e incerteza, proporcionando ao espectador a satisfação de ter experimentado uma obra marcante.


(Resumo de “Cinema: “Quando a posse é poder e prisão”. Disponível em: https://outraspalavras.net/poeticas/cinemaquando-a-posse-e-poder-e-prisao/. Acesso em: 29 dez. 2023)

Qual alternativa abaixo expressa corretamente a função da conjunção destacada no trecho: “O filme é permeado por imagens poderosas, como a de um carro tecnológico sendo arrastado por um carro de bois, simbolizando o embate entre o arcaico e o moderno.” 
Alternativas
Q3457527 Português

História do pão de queijo: do Brasil para o mundo


    A história do pão de queijo é muito rica e interessante. Como todo ícone da culinária brasileira, ele tem raízes na alimentação dos nossos povos indígenas e recebe influências africanas e portuguesas.


    Tudo começou com o polvilho, extraído da mandioca pelos nossos indígenas, passando pelas mãos dos colonizadores, que acrescentaram ovos, banha de porco, leite e, claro, os queijos das fazendas.


    Devemos aos povos indígenas a domesticação e seleção da mandioca-brava, alcançada há milhares de anos antes dos colonizadores. Eles também descobriram como extrair o veneno presente nas raízes brutas da planta, tornando-as seguras para o consumo humano após o processamento adequado. Isso originou o polvilho azedo, ingrediente básico do nosso tão apreciado pão de queijo.


    No período colonial do Brasil, durante o século XVIII, na região de Minas Gerais, os colonizadores portugueses, na ausência da farinha de trigo, que era importada da Europa e possuía um altíssimo custo, buscavam formas de criar alimentos com ingredientes locais. Foi nessa época que, das cozinhas das antigas fazendas de Minas, surgiram quitutes como biscoitos de polvilho, sequilhos, tapiocas e o pão de queijo.


    Os ingredientes do pão de queijo eram simples: polvilho azedo, queijo minas curado, banha de porco derretida, leite e ovos, ou seja, itens de subsistência nas propriedades.


    Graças a sua combinação única de sabores e texturas, o pão de queijo conquistou não apenas os brasileiros, mas pessoas ao redor de todo o mundo e hoje é considerado um patrimônio brasileiro.


    Em suma, ele é muito mais do que uma simples receita culinária. É uma herança cultural que deve ser preservada e apreciada por muitas gerações. Portanto, quando saborear essa delícia, lembre-se de que você estará degustando uma verdadeira parte da história e da cultura brasileira, um verdadeiro patrimônio nacional.


(www.tvculturamineira.com.br. Adaptado)

No primeiro parágrafo, o segmento “Como todo ícone da culinária brasileira, ele tem raízes na alimentação dos nossos povos indígenas e recebe influências africanas e portuguesas.” é iniciado com a palavra “como”, que apresenta o seguinte valor semântico: 
Alternativas
Q3449212 Português
FELIZ ANO NOVO COM A CERTEZA DE MUITO AMOR


(1º§) Este ano, quero aprender algo mais, algo que ainda nem sei o que é. Quero, em comparação com os anos anteriores, amar e me dedicar bem mais ao outro. Será um ano promissor, fértil e de realizações, mas preciso assumir uma posição, bem rápido, quão mais rápido seja possível.

(2º§) Este ano, quero ser mais, ouvir mais, saber mais, dizer mais vezes a palavra não e pensar mais vezes ao dizer a palavra sim, e vice-versa. Quero decidir minha vida, amar e amar tão intensamente, para, então, me sentir feliz!

(3º§) Este ano, quero prestar mais a atenção ao cheiro das coisas. Preciso ouvir tudo de coração; sentir tocar na minha pele as vibrações positivas, quero abraçar meu próximo e saborear o doce dos pequenos e grandes momentos da vida.

(4º§) Este ano, quero ser uma ave sem precisar me estipular limites. Quero me conhecer mais, olhar para o meu íntimo e ver como realmente sou eu.

(5º§) Este ano, quero tirar as máscaras que ainda restam e sem que as pessoas percebam, o meu eu vá aparecendo e conquistando, agradando, causando sutis escândalos.

(6º§) Este ano, quero continuar atenta a tudo, prestando atenção às cores dos relacionamentos que surgem e desaparecem.

(7º§) Este ano, sei que será diferente dos demais, alguns já não estão mais tão perto e outros estão apenas pensando em se aconchegar.

(8º§) Este ano, eu quero saber diferenciar o ontem do hoje, quero medir o que há de bom ou ruim, o suficiente, o bastante para eu reforçar o amor a alguém, à minha volta. Quero além de sentir o cheiro das coisas, saber lidar com todos os cheiros, enxergar as flores do jardim e tocar na mais linda e perfumada de todas elas.

(9º§) Este ano, a tendência da paixão é certa e a decepção pode ser perigosa e triste. Não que ser peregrina, preciso criar um nexo para minha vida.

(10º§) Este ano está com cara de bossa-nova. Sinto o cheiro da melodia no ar. Suave e harmonioso na minha pele, no meu peito, no meu interior.

(11º§) Este ano, eu estou começando a compor. Será um ano de tentativas e de vitórias!

(12º§) Este ano, sim, serei bela como a vida, ardente de paixão para aumentar o brilho de nossas vidas. Fixe a ideia de que o melhor virá 

(13º§) Quero sugar o mel das coisas boas da vida e com ele vou me deliciar da doçura dos meus sonhos. Nada de sombra e luzes artificiais. Somente luz natural.

(14º§) O que eu realmente quero para este ano, é morrer de amor! Simplesmente morrer de amor! Entenda agora e venha comigo!


(Por: Cláudia K. da Luz) – (Texto adaptado)


(https://www.pensador.com/textos_de_feliz_ano_novo)
A conjunção subordinativa do período: “Este ano, sim, serei bela como a vida, ardente de paixão para aumentar o brilho de nossas vidas” – enuncia a ideia de:
Alternativas
Q3421925 Português
Benefícios dos alimentos antioxidantes

    Alimentos antioxidantes são aqueles que possuem substâncias capazes de retardar ou até mesmo bloquear alguns tipos de danos às células do corpo, como o envelhecimento. Entre os que ____________ substâncias antioxidantes estão vegetais de folhas verdes, frutas cítricas e vermelhas, alguns chás, grãos integrais, chocolate amargo e legumes, como o feijão.
   Além de favorecerem a manutenção de uma dieta equilibrada, a ingestão desses alimentos também ________ outros benefícios bem específicos. Ao fazer o organismo funcionar melhor, os antioxidantes são essenciais para uma longevidade saudável e previnem doenças, entre elas as cardíacas e até o câncer. Entre os benefícios estão:

• Proteção celular: os antioxidantes neutralizam os radicais livres, que podem danificar as células e contribuir para o envelhecimento e doenças.

• Manutenção da saúde do coração: alimentos com antioxidantes _____ capacidade de reduzir a oxidação do colesterol LDL (o chamado "colesterol ruim"), que é um fator contribuinte para a formação de placas nas artérias, potencialmente levando a doenças cardíacas.

• Prevenção de doenças: alguns estudos sugerem que uma dieta rica em antioxidantes pode estar associada a um risco reduzido de doenças crônicas, como doenças cardíacas, alguns cânceres e o Mal de Alzheimer.

• Ajuda na saúde da pele: os antioxidantes também podem ajudar a proteger a pele dos danos causados pelo sol, além de promover a cicatrização de feridas.

• Favorece o sistema imunológico: os antioxidantes ajudam a manter o sistema imunológico saudável, protegendo as células imunológicas de danos oxidativos.

    Ainda que seja importante consumir alimentos ricos em substâncias antioxidantes, o equilíbrio e a variedade no que se consome diariamente são fundamentais para uma boa saúde.
(Fonte: National Geographic — adaptado.)
A palavra sublinhada no 1º parágrafo do texto estabelece, na frase, uma relação:
Alternativas
Q3414175 Português
Como as pérolas são formadas

        Um grão de areia ou um bichinho que habita os oceanos, como um camarão, entra na concha da ostra. Ele segue direto para uma região do corpo do animal conhecida como manto.
        O manto é especialista em defesa. Assim que identifica a invasão, ele gera uma irritação. A seguir, dobra-se sobre o intruso, como se fizesse um embrulho. Isso evita que a visita indesejada se mova.
        O sistema de defesa da ostra é ativado e libera uma substância brilhante, chamada de nácar ou madrepérola. O material é depositado em camadas sobre o invasor e endurece depressa, formando uma bolota – é a pérola! Ela cresce sem parar, pois a ostra nunca para de enviar madrepérola ao local.
        A reação que _____ uma pérola acontece aos poucos. Por isso, a pedra leva cerca de três anos para se _______, dependendo da espécie da ostra. Depois de tanto tempo, se o que ________ o molusco foi um bicho, ele acaba desaparecendo.
        As ostras têm um sistema muito eficiente de defesa: a própria concha. É muito difícil que algo consiga invadi-la e formar uma pérola. Na natureza, isso acontece em uma a cada 10 mil ostras. Por isso, a pedra é rara e cara.
        O formato da pérola depende do invasor e do local onde ele se instala. Quando o visitante gruda no manto, fica preso e se torna irregular. Mas, se ele se descola, o nácar o reveste por inteiro e a pedra fica redonda. As cores variam: branco, creme, rosa, cinza, preta, entre outras. Depende da espécie de ostra e de substâncias na água.

(Fonte: Recreio — adaptado.)
O termo sublinhado no primeiro parágrafo do texto é uma conjunção: 
Alternativas
Q3392440 Português
Texto para a questão.


Uma lição de Drummond sobre a saudade

A saudade anda para a frente, não para trás, como cremos.

Por Fabrício Carpinejar | Publicado em 10 de novembro de 2023

        Fui um dos convidados do Festival Literário Internacional de Itabira, organizado pelo incansável amigo Afonso Borges. Conheci a casa da infância de Carlos Drummond de Andrade, onde dormia, suas janelas, os ângulos de suas miradas para o pico do Cauê, que terminou desmanchado, infelizmente, pela extração do minério de ferro.
        A cada entrada num novo aposento, a cada retrato doído de sua formação na parede, eu recitava baixinho seus versos como uma oração, tentando entender o que ele sentira a partir daquilo que podia enxergar de indícios sentimentais do lugar:
        “(…) nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas. E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação. A vontade de amar, que me paralisa o trabalho, vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes”.
        Entre os corredores do casarão, interrompendo meu cantochão, encontrei seu neto, o artista Pedro Augusto Graña Drummond, que é, assim como eu, filho de dois escritores, o argentino Manuel Graña Etcheverry e Maria Julieta Drummond de Andrade. Lançou-me um olhar açucarado e oceânico, que se afundava ainda mais em ondas pelo uso da boina.

O término do transe mostrou-se providencial.

        Talvez assistindo ao quanto caminhava melancólico pelas salas, pois os mensageiros sempre sabem a quem entregar as missivas do destino, Pedro Augusto me descreveu uma conversa emblemática com seu avô.
        Quando havia perdido um amigo na juventude, aos 21 anos, e chorava copiosamente, Drummond o consolou dizendo que, a partir daquele momento, ele descobriria o que é o amor verdadeiro.

O neto, então, se defendeu:
– Mas eu já amava o meu amigo.
O poeta de Itabira concordou:

        – Já o amava, porém agora vai amar ainda mais. Só a morte possibilita o amor puro, desinteressado, que continua existindo e crescendo sem receber nada em troca.

        Era uma verdade. O luto é a maior resistência da afeição. Porque você não tem direito a receber mais nada do outro – nenhum abraço, nenhuma visita, nenhum colo, nenhum favor, nenhum apoio, nenhuma recompensa, simplesmente nada – e segue amando-o infinitamente. É uma sobrevivência emocional feita exclusivamente do ato de dar, do gesto incondicional da oferta, descompromissada de segundas intenções, desvinculada de benefícios diretos, desligada de interesses egoístas.

        A saudade anda para a frente, não para trás, como cremos. A gratidão do passado empurra a saudade para o futuro, para acrescentar sensações e impressões à amizade antiga.
        Quando o contato é sincero, quando a intimidade é honesta, não se deixa de gostar de alguém após a despedida. A emoção da primeira vez não cessa de renascer.
        A perda, portanto, não traz um vazio. Traz tudo, menos um vazio. Você transborda de lembranças. Passa a apresentar uma hipersensibilidade, percebendo os mínimos tremores e arrepios do universo. Não é capaz de escolher o que sentir de tanto que sente, de tanto que está presente por dois.

O luto é isto: uma solidão a dois.

        Eu somente consegui me despedir de Itabira porque agora a carrego em mim.

CARPINEJAR, Fabrício. Uma lição de Drummond sobre a saudade. O Tempo, 10 de novembro de 2023. Disponível em: https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/uma-licao-de-drummond-sobre-a-saudade-1.3271388. Acesso em: 26 dez. 2023.
No trecho: “A cada entrada num novo aposento, a cada retrato doído de sua formação na parede, eu recitava baixinho seus versos como uma oração [...]” (2º parágrafo). Qual é o sentido veiculado pela palavra “como”? 
Alternativas
Q3382909 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.

Visão do Correio
Janeiro Branco dá a largada

Não basta apenas mobilizar a sociedade, mas sim sensibilizar as autoridades do país a respeito da importância de políticas públicas para a saúde mental
Correio Braziliense | 03/01/2024


       Começar o ano cuidando do corpo é uma iniciativa mais que louvável diante de números crescentes de obesidade no Brasil e no mundo. Mas a saúde mental também precisa de atenção desde já. Não foi à toa que seus organizadores escolheram este mês para iniciar a campanha Janeiro Branco.
       A data foi estrategicamente pensada ________ o primeiro mês do ano costuma promover nas pessoas maior abertura para reflexões, novas resoluções e metas para o ano que se inicia. A cor branca representa as folhas ou telas em branco, em [que]1 uma pessoa pode desenhar, escrever ou reescrever o que desejar para si e para o mundo, simbolizando o horizonte aberto e criando o sentimento de potência ilimitada que cada início de ano possibilita à humanidade.
       Não há como negar [que]2 a disseminação do coronavírus seja uma espécie de divisor de águas, quando o assunto é saúde mental, ou melhor, doença mental. Foi a partir de 2020 que as pessoas foram afetadas com a pandemia da covid-19, responsável por provocar medos, incertezas e uma crise sem precedentes na saúde mental de grande parte dos brasileiros. Em praticamente três anos de pandemia, as pessoas deixaram de ser biopsicossociais para se isolarem em seus mundos, deixando as portas abertas à solidão, à intolerância, à introspecção e a tantos outros sentimentos negativos.
       Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram [que]3 já são mais de 350 milhões de pessoas, de todas as idades, que sofrem com a doença. O Brasil assumiu a liderança do ranking da ansiedade, com 18,6 milhões de pessoas ansiosas e 11,7 milhões deprimidas. Isso demonstra o que muitos especialistas afirmam: o Brasil está vivenciando a pandemia dos transtornos mentais.
       Criada em 2014, completando, portanto, 10 anos, a campanha Janeiro Branco, [que]4 já é Lei Federal (Lei 14.556/23), foi elaborada pelo psicólogo Leonardo Abrahão, presidente do Instituto Janeiro Branco, e relaciona a saúde mental às interações humanas. O tema deste ano é "Saúde mental enquanto há tempo. O que fazer agora?" e a ideia é chamar a atenção para a saúde mental como um aspecto vital para melhorar a qualidade de vida das pessoas, promover relações sociais mais saudáveis e transformações positivas nas instituições sociais no mundo inteiro.
       Prova da amplitude do movimento é que países como Angola, Colômbia, Japão, Estados Unidos, Portugal, Espanha e Cabo Verde abraçaram e adotaram os princípios da campanha, superdimensionando seu impacto e promovendo, durante todo o mês de janeiro, a conscientização sobre o tema em escala global. 
       Não basta apenas mobilizar a sociedade em torno das doenças mentais, mas sim sensibilizar as autoridades políticas a respeito da importância de políticas públicas para a saúde da mente. "Cuidados individuais, atitudes institucionais e políticas públicas", defendem os especialistas em saúde mental.
       Que 2024 seja mesmo o ano da colheita, do aprendizado, da evolução e da maturidade, como dizem os astrólogos de plantão. E que possamos cuidar da saúde mental uns dos outros.

JANEIRO Branco dá a largada. Correio Braziliense, 03 de janeiro de 2024.

Opinião. Disponível em:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/01/6779189-janeiro-branco-da-a-largada.html. Acesso em: 03 jan. 2024. Adaptado.
Qual é a função da palavra “como” empregada no sexto parágrafo do texto? 
Alternativas
Q3380917 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:

Texto I

Jodie Foster: porque criticar os mais jovens não é coisa de "velha"

Atriz e diretora de 61 anos, duas vezes vencedora do Oscar, causou polêmica ao dizer que trabalhar com a geração Z pode ser "muito irritante”.

    Com a chegada da temporada de premiações do cinema, a atriz Jodie Foster ganhou uma longa reportagem no jornal inglês "The Guardian" recentemente. Depois de ser indicada ao Globo de Ouro, Foster é candidata a receber uma indicação ao Oscar de atriz coadjuvante por "Nyad" (Netflix). No filme, ela é Bonnie, a amiga e técnica da nadadora Diana Nyad (Annette Bening) que, aos 64 anos, realizou um feito considerado humanamente impossível: nadar por mais de 50 horas no mar, indo de Cuba à costa da Flórida, nos Estados Unidos.

    Na entrevista ao jornal inglês, Foster falou sobre carreira, sobre criar filhos feministas - ela é mãe de dois garotos na faixa dos 20 anos - e como teve que descobrir o que era ser mulher acima de 50 anos em Hollywood. Aos 61 anos, a atriz que também está à frente da nova série da HBO Max "True Detective: Terra Noturna", sente-se à vontade com ela mesma, liberta e quer ajudar a geração mais jovem a sentir o mesmo.

    Mas no meio da matéria havia um pequeno trecho que ganhou repercussão. Apesar da torcida da atriz para o sucesso dos mais jovens na indústria cinematográfica, Foster ressaltou que a chamada geração Z (nascidos entre 1997 e 2010) pode ser bem irritante quando se trata de trabalho. "Eles são assim 'hoje, não estou a fim, vou chegar às 10h30'. Ou, por exemplo, em e-mails, digo que a gramática está incorreta, pergunto se não verificaram a ortografia. E eles respondem: 'Por que faria isso, isso não é um tanto quanto limitante?'", relatou a atriz.
     Não custou muito para a atriz ser detonada com aquela tradicional carga de etarismo. "É coisa de velha", disseram os incomodados pela crítica da atriz. No entanto, para muita gente não soou como uma observação de gente ultrapassada que não aceita o novo. Ao contrário, pareceu um comportamento familiar.

     No mundo, a geração Z é vista como difícil de trabalhar por causa de uma falta de motivação e pela capacidade de se distrair e de se ofender facilmente. No Brasil, a dificuldade de se engajar no trabalho também se confirma.

[...]

     A gente tem que lembrar que essa é uma geração que começou a trabalhar e foi abatida em pleno voo por uma pandemia que bagunçou o mundo. Se antes havia uma precarização do trabalho, a pandemia ajudou a consolidar essa tendência e a aumentar as desigualdades salariais já gritantes. Qual o estímulo para trabalhar e não ter o suficiente para morar bem, comer, ter lazer, enquanto uma minúscula parcela da população fica cada vez mais endinheirada? Difícil buscar motivação que resista. 

[...]

    O que posso afirmar é que toda geração tem suas questões para serem resolvidas. Assim como Jodie Foster, sou baby boomer (nascidos entre 1945 e 1964). Nasci no ano do golpe militar. Cresci num país onde a ditadura perdurou por mais de duas décadas, com tudo o que cerca regimes autoritários. A censura estava presente em diversas camadas da sociedade brasileira. Não poupava jornalistas, artistas, cientistas, entre outros. Sem contar que o tratamento dado às mulheres e as desigualdades de gênero eram ainda piores do que as atuais. Mesmo assim, a gente é empurrada a encontrar nosso lugar no mundo que nos faz mais feliz.

     Ter alguém mais experiente nessa caminhada nos dá uma grande vantagem. Tão bom quanto aprender com os jovens é assimilar o conhecimento das pessoas mais velhas. Pensa no tanto de lição que alguém como Jodie Foster, que entrou na indústria do entretenimento com apenas três anos de idade e construiu uma carreira sólida e premiada, tem a ensinar para quem está chegando. Quantas Jodie Foster, das mais diversas áreas, poderiam estar como mentoras influentes, com benefícios para todo mundo, independentemente da idade?

    Ouvir pessoas com mais experiência é como ter um espelho do que a gente quer buscar no futuro. É ter uma referência do que vale a pena na vida. Pode parecer óbvio, mas não custa lembrar que as gerações podem ter nomes e letras diferentes. Mas têm uma coisa em comum: todas vão envelhecer.

(Fonte: https://www.terra.com.br/nos/opiniao/lucia-soares/jodiefoster-por-que-criticar-os-mais-jovens-nao-e-coisa-develha,4554465b54dc2c821fadea3ff0ec1384lf18w8n7.html).
Releia os trechos a seguir:

I – “[..] e como teve que descobrir o que era ser mulher acima de 50 anos em Hollywood.”
II – “[...] a geração Z é vista como difícil de trabalhar por causa de uma falta de motivação...”
III – “Assim como Jodie Foster, sou baby boomer (nascidos entre 1945 e 1964).”
IV – “Ouvir pessoas com mais experiência é como ter um espelho do que a gente quer buscar no futuro.”

Sobre os sentidos produzidos pelas palavras em destaque, é possível afirmar que: 
Alternativas
Q3377534 Português
A boca, no papel


   O garoto da vizinha me pediu que o ajudasse a fazer (a fazer, não, a completar) um trabalho escolar sobre a boca. Estava preocupado porque só conseguira escrever isto: “Pra que serve a boca? A boca serve pra falar, gritar e contar. Serve também pra comer, beber, beijar e morder. Eu acho que a boca é um barato”. Queria que eu acrescentasse alguma coisa.

   – Que coisa?

   – Qualquer coisa, ué. Escrevi só quatro linhas, a professora vai bronquear.

   – Mas em quatro linhas você disse o essencial. Para mim, só faltou dizer que a boca serve também para calar. Em boca fechada não entra mosquito.

   – Isso não dá nem uma linha – e os olhos do garoto ficaram tristes.

   – Por favor, me ajude...

  Então resolvi fazer a minha redação, como aluno ausente do Colégio Esperança, e passá-la ao coleguinha, a título de assessor de emergência.

***

   A boca de que estou falando, aliás, escrevendo, pode ser alegre, amarga, ameaçadora, sensual, deprimida, fria, sei lá o quê. Uma boca pode variar muito de expressão e mesmo não ter nenhuma. Uma das bocas mais gozadas que eu já vi foi a boca- -de-chupar-ovo, uma boquinha de nada, da minha tia Zuleica. Se fosse um pouquinho mais apertada, eu queria ver ela se alimentando – por onde? Mas esta boca está fora da moda, só aparece no jornal nos retratos das melindrosas de 1928, que faziam a boca ainda menor desenhando o contorno com o batom. Os lábios ficavam de fora, de longe.

   Estou lendo escondido as poesias de Gregório de Matos. Dizem que ele tinha o apelido de Boca do Inferno por causa dos negócios que escrevia e que eram infernais. Infernais no tempo dele, pois na rua e em toda parte já escutei coisas muito mais cabeludas, xii!...

   Toquinho canta uma letra que fala em boca da noite, acho que ele queria falar no anoitecer. É bonito, mas não consigo imaginar essa boca na cara da noite. Sou mais a boca do dia, que não sei se alguém já teve ideia de falar nela, mas o amanhecer engolindo a escuridão da noite é mais legal que o anoitecer papando os restos de dia.

   Boca por boca, não ando atrás da boca-livre, que aliás nunca passou perto de mim, e só um grupo consegue, os privilegiados. Se a boca fosse livre para todos, então a vida seria melhor.

  É a tal história: quanta gente fazendo boquinha pra conseguir o quê? Nada. E com quatro ou cinco bocas em casa pra sustentar.


(DE ANDRADE, Carlos Drummond. Moça deitada na grama. Rio de Janeiro: Record, 1987. Adaptado.)
“Então resolvi fazer a minha redação, como aluno ausente do Colégio Esperança, e passá-la ao coleguinha, a título de assessor de emergência.” (7º§) A expressão em destaque tem valor semântico de:
Alternativas
Q3346675 Português

A responsabilidade dos CEOs pela cibersegurança.


Alberto Jorge | Especialista em segurança

cibernética e CEO da Trust Control |

21/05/2024


        Um estudo realizado em 2023 pela revista Forbes consultou grandes executivos norte-americanos a respeito das políticas de segurança cibernética das suas respectivas companhias. De acordo com a pesquisa, 75% dos CEOs acreditam que a falta de conscientização sobre cibersegurança entre os colaboradores é o principal risco para a empresa. Esse resultado demonstra que há uma via de mão dupla quando se pensa nas estratégias corporativas para a segurança de dados - as responsabilidades que cabem aos gestores maiores e o papel a ser desempenhado pelos demais colaboradores.

        No entanto1, pela relevância do cargo que ocupa, o CEO deve assumir a liderança na promoção da cultura de segurança cibernética, incorporando-a como parte central da estratégia de negócios.

        Além disso2, as ações e palavras do CEO têm um impacto significativo no comportamento dos demais funcionários e colaboradores. Dessa forma, o líder deve demonstrar seu compromisso com a cibersegurança, o que se traduz em ações práticas, como a alocação de recursos adequados para iniciativas de proteção, investimento em treinamentos para os colaboradores e implementação de políticas rigorosas de segurança de dados.

        Porém3, como evidencia o estudo feito pela revista Forbes, a responsabilidade pela proteção de dados da companhia não se limita aos gestores maiores na escala hierárquica: essa prática deve permear toda a organização, desde a alta gerência até os integrantes de gerências, departamentos e grupos de trabalho. Criar e participar ativamente de uma cultura de segurança cibernética é fundamental, conscientizando todos os usuários sobre os riscos e responsabilidades em relação à segurança da informação, promovendo a educação continuada e incentivando a comunicação aberta e imediata sobre possíveis incidentes.

        Com esses parâmetros em pauta, a cibersegurança jamais será vista como custo adicional, mas um investimento estratégico que protege a empresa de perdas financeiras, danos à reputação e interrupções operacionais. Ao integrar a segurança cibernética à estratégia de negócios, o CEO demonstra a importância de proteger os ativos digitais da empresa[,] e os colaboradores, por sua vez, se sentem mais motivados a ajudar a preservar a confidencialidade das informações.


Glossário:

- CEO – presidente-executivo

    JORGE, Alberto. A responsabilidade dos CEOs pela cibersegurança. Diário de Pernambuco, 21 de maio de 2024. Disponível em: https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/opiniao/ 2024/05/a-responsabilidade-dos-ceos-pelaciberseguranca.html. Acesso em: 23 mai. 2024.

Adaptado.

As três ocorrências da palavra “como” sinalizadas no texto veiculam, respectivamente, os sentidos:
Alternativas
Q3345680 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


    A Finlândia é heptacampeã em felicidade. De acordo com o Relatório Mundial de Felicidade de 2024, a Finlândia foi considerada o “país mais feliz do mundo” (aspas propositais: quem sabe explicar o que é ser feliz?) pelo sétimo ano consecutivo. Entre os 140 países que participaram do estudo, a Dinamarca ficou em segundo e a Islândia em terceiro lugar. A pesquisa mede o que eu chamaria de “Felicidade Nacional Bruta” – algo como o Produto Interno Bruto (PIB) da felicidade – e serve de termômetro para classificar um sentimento tão inexato quanto imensurável.


    Tenho minhas ressalvas. Vamos começar pelo próprio termômetro: não entendo como alguém consegue se sentir feliz vivendo em um lugar onde, durante os quatro meses de inverno, o sol nasce às 9h30 e se põe às 15h30 e a temperatura varia entre –5º e –20º. Tenho outro argumento importante: nunca vi um finlandês feliz, talvez porque eu nunca tenha conhecido nenhum finlandês, mas é fato.


    A felicidade é subjetiva, não segue uma linha reta, não é binária, não se resume a uma escala numérica, não é ser ou não ser. Comparar culturas diferentes por um critério universal não é tão simples.


    A Finlândia tem o hepta, mas só nós temos o Rio de Janeiro, água de coco, abacaxi, caipirinha, brigadeiro, pão de queijo e um pão francês que nem a França tem igual. Eles têm felicidade, mas só aqui há uma alegria sem explicação, praias e calor – não só humano. Lá não há a paixão desenfreada, a bossa nova, a vontade de rir à toa – na vida e da vida. Aqui temos esperança… de um dia nos tornarmos uma Finlândia.


    Aqui os sorrisos são gratuitos, lá custam um pouco mais caro. Na Finlândia, vangloriar-se da boa sorte é considerado deselegante (“se você está feliz, deve escondê-lo”, diz um ditado local). Não há sorrisos desnecessários, a felicidade fica confinada para dentro de casa; os sorrisos são discretos, econômicos, quase esquecidos. Já os nossos, cheios de dentes, se reproduzem se nutrindo deles mesmos.


(Becky S. Korich. O que a Finlândia tem que o Brasil não tem? Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em 25.03.2024. Adaptado)

Assinale a alternativa em que os vocábulos em destaque estabelecem, no contexto em que foram empregados, relação de sentido de modo e de restrição, respectivamente.

Alternativas
Q3312860 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.

Texto 01


A sabedoria e a fragilidade do envelhecimento


    O relógio da vida modela o corpo. As estações da natureza desenham seus ciclos. Com isso, nutrem-se de dias, semanas, meses e anos. E, quando menos esperamos, o envelhecimento se instala na pele, na altura, no peso, podendo influenciar a disposição do ser. Caminhar pela rua se confunde com perambular pelas memórias. Os passos ora pisam em nostalgias, ora em passados adormecidos.

    O envelhecimento traz consigo um misto de sabedoria e fragilidade. As linhas no rosto são como marcas de batalhas vencidas, histórias contadas e vivências acumuladas. No entanto, junto com a experiência, vêm os problemas físicos e emocionais. A artrite, que dificulta o movimento, a memória, que falha em momentos cruciais, a visão, que já não é a mesma. E sobretudo o isolamento, que abate, numa sociedade que relega os velhos para segundo plano. Tudo isso nos lembra que, apesar de termos vivido tanto, o corpo humano é finito e frágil. [...]


Disponível em: https://vidasimples.co/longevidade/. Acesso em: 15 set. 2024. Adaptado.

Considere a passagem do texto “As linhas no rosto são como marcas de batalhas vencidas, histórias contadas e vivências acumuladas.”


A conjunção “como” compõe, na passagem, uma

Alternativas
Ano: 2024 Banca: FGV Órgão: MinC Prova: FGV - 2024 - MinC - Atividades Técnicas de Suporte |
Q3277356 Português
Observe as frases a seguir:
I. Como as pessoas estão intolerantes hoje! II. Atingiu os objetivos esperados, como previam os especialistas. III. Sempre foi alegre como seus colegas de classe.

Sobre os elementos destacados, é correto afirmar que
Alternativas
Q3250415 Português
Atenção: use o texto a seguir para responder a questão.

Texto 1

A Geografia da Fome

Não é somente agindo sobre o corpo dos flagelados, roendo-lhes as vísceras e abrindo chagas e buracos na sua pele, que a fome aniquila a vida dos sertanejos, mas também atuando sobre o seu espírito, sobre sua estrutura mental, sobre sua conduta social. Nenhuma calamidade é capaz de desagregar tão profundamente e num sentido tão nocivo à personalidade humana quando alcança os limites da verdadeira inanição. Fustigados pela imperiosa necessidade de alimentar-se, os instintos primários se exaltam e o homem, como qualquer animal esfomeado, apresenta uma conduta mental que pode parecer a mais desconcertante. Muda o seu comportamento como muda o de todos os seres vivos alcançados pelo flagelo nesta mesma área geográfica.
Josué de Castro – A Geografia da Fome
Fustigados pela imperiosa necessidade de alimentar-se, os instintos primários se exaltam e o homem, como qualquer animal esfomeado...
Assinale a frase em que a palavra “como” mostra o mesmo sentido que nessa frase do texto.
Alternativas
Q3128218 Português
       Então Deus puniu a minha loucura e soberba; e quando desci ruelas escuras e desabei sobre a aldeia, meus sapatos faziam irregulares um ruído alto. Sentia-me um cavalo cego. Perto era tudo escuro; mas adivinhei o começo da praça pelo perfil indeciso dos telhados negros no céu noturno.

       De repente a ladeira como que encorcovou sob meus pés, não era mais eu o cavalo, eu montava de pé um cavalo de pedras, ele galopava rápido para baixo.

         Por milagre não caí, rolei vertical até desembocar no largo vazio: mas então divisei uma pequena luz além. O homem da hospedaria me olhou com o mesmo olhar de espanto e censura com que outros me receberiam – como se eu fosse um paraquedista civil lançado no bojo da noite para inquietar o sono daquela aldeia.

      Disse-me que, dobrando à esquerda, além do cemitério, havia casa cercada de árvore; não era pensão, mas às vezes acolhiam alguém. Fui lá, bati palmas tímidas, gritei, dei murros na porta, ninguém lá dentro murmurou nem mugiu.

       “Não há nesta aldeia de cristão um homem honesto que me dê pouso por uma noite?” Assim bradei, em vão. Então, como longe passasse um zumbido de aeroplano, me pus a considerar que o aviador assassino que no fundo das madrugadas arrasa com uma bomba uma aldeia adormecida – faz, às vezes, uma coisa simpática. Mas reina a paz em todas estas varsóvias escuras; amanhã pela manhã toda essa gente abrirá suas casas e sairá para a rua com um ar cínico e distraído, como se fossem pessoas de bem.

       Passa na estrada um homem de bicicleta. Para um pouco longe de mim, meio assustado, e pergunta se preciso de alguma coisa. Digo-lhe que não achei onde dormir, estou marchando para outra aldeia. Não lhe peço nada, já não me importa dormir, posso andar por essa estrada até o sol me bater na cara.

       Ele monta na bicicleta, mas depois de alguns metros volta. Atrás daquele bosque que me aponta passa a estrada de ferro, e ele trabalha na estaçãozinha humilde: dentro de duas horas tenho um trem.

     Lá me recebe pouco depois, como um grão-senhor: no fundo do barracão das bagagens já me arrumou uma cama de ferro; não tem café, mas traz um copo de vinho.

       Já não quero mais dormir: sala iluminada, onde o aparelho do telégrafo faz às vezes um ruído de inseto de metal, vejo trabalhar esse pequeno funcionário calvo e triste – e bebo em silêncio à saúde de um homem que não teme nem despreza outro homem.



(Rubem Braga. Marcha noturna.
https://cronicabrasileira.org.br, 04.02.1951. Adaptado)
No trecho “De repente a ladeira como que encorcovou sob meus pés…”, o vocábulo destacado foi empregado com o mesmo valor de sentido que na frase:
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Q3086873 Português

Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos


    País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.

     Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?

     Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.

     Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis?

     Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado.

     É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.

     Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.

    Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.


(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)

Releia esta passagem: “É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida [...] (6º§). O termo anteriormente destacado apresenta o mesmo valor semântico daquele empregado em:
Alternativas
Q3032218 Português

A conjunção sublinhada no enunciado abaixo tem valor de:


Como fiquei doente, não pude participar dos eventos do trabalho.

Alternativas
Q3028388 Português
Todas as frases abaixo mostram comparações introduzidas por “como”; a única opção em que a comparação NÃO está explicada é:
Alternativas
Q3026166 Português
Desigualdade urbana

O texto a seguir foi construído a partir da colaboração de Amiria Bezerra Brasil (professora de Arquitetura e Urbanismo e coordenadora adjunta do Fórum Direito à Cidade Natal UFRN).


A desigualdade urbana refere-se a desigualdades de acesso a bens, serviços e infraestrutura nas cidades pelos diversos grupos da sociedade, impactando especialmente os mais pobres. Refere-se, assim, à privatização dos direitos de parte da sociedade na cidade.

A cidade é um produto de uma condição coletiva, que envolve diversos atores, como o poder público, a prefeitura, o governo do estado e os grupos da sociedade civil; quem constrói formalmente, quem constrói informalmente, quem produz outros bens de consumo que não as construções, quem oferece serviços etc.

Cada um desses atores tem interesses específicos na produção da cidade. Como nos fala Roberto Lobato Corrêa em seu livro "Espaço urbano". As ações desses atores produzem os espaços nas cidades de forma desigual, com mais investimentos em determinadas áreas, e menos em outras, e isso provoca uma valorização diferente pela cidade, como consequência quem pode pagar mais pelos bens e serviços da cidade escolhe onde se localizar, e quem não pode pagar caro localiza onde consegue, ou se seja, onde sobra.

Assim, existem nas cidades áreas desiguais: algumas onde moram grupos sociais de alta renda com mais infraestrutura e serviços, e outras, onde moram grupos de baixa renda, em geral com muitas precariedades. Essa separação dos grupos sociais no espaço urbano é definida por Flávio Villaça como segregação das classes sociais, em um processo segundo o qual diferentes classes ou camadas sociais tendem a se concentrar cada vez mais em diferentes regiões ou conjuntos de bairros.

As desigualdades destes espaços privam ou limitam grande parte da população de acesso aos bens, em especial, moradia, ou seja, aos serviços e equipamentos públicos, a infraestrutura urbana, como, água, esgoto e energia, e aos locais onde se encontram as ofertas de trabalho, que estão concentradas nas áreas mais valorizadas da cidade.

Essa população precisa muitas vezes construir cidade, construir os espaços para desenvolver as necessidades básicas e improvisar esses serviços que não estão disponíveis. Assim, como resistência e luta para reversão da desigualdade urbana, alguns autores trabalham com conceito de direito à o cidade, que vai além do direito a acessar o que a cidade oferece. Este conceito foi utilizado pela primeira vez pelo sociólogo francês Henri Lefebvre, e tem como objetivo fazer prevalecer o valor de uso, ao invés do valor de troca, nas cidades. Ou seja, que os direitos coletivos da maioria prevaleçam sobre os grupos individuais. O geógrafo britânico David Harvey complementa que o direito à cidade é o direito de mudar reinventar a e cidade de acordo com os nossos mais profundos desejos.

O direito à cidade está presente na legislação brasileira, principalmente a partir da Constituição Federal de 1988, que prevê, dentre os direitos sociais (art. 6º) o trabalho, a moradia, o esporte e o lazer. E, ainda, que define, nos artigos 182 e 183 (posteriormente detalhados pelo Estatuto da Cidade) como deve ser estabelecida a política urbana municipal, prevalecendo os direitos coletivos aos interesses individuais. A partir do pensamento desses dois autores, e de outros que trabalham na mesma linha, considerando o marco regulatório brasileiro e a experiência do Fórum Direito à Cidade, acredita-se que a evolução da igualdade urbana se só dará com a construção coletiva da cidade, a partir da garantia dos direitos e interesses da maioria prevalecendo a vida, ao invés da mercantilização do espaço urbano.
O partindo do pressuposto de que cada contexto incide diretamente em tal aspecto, bem como as relações exercidas entre os termos das orações. Ao verificar as orações a seguir e o emprego do vocábulo "como", indique a classificação correta em cada ocorrência. "

1. "Como nos fala Roberto Lobato Corrêa em seu livro "Espaço urbano"."
2. "...e tem como objetivo fazer prevalecer o valor de uso, ao invés do valor de troca, nas cidades."
3. "A cidade é um produto de uma condição coletiva, que envolve diversos atores, como o poder público, a prefeitura, o governo do estado..."
Alternativas
Q3022487 Português
Leia as frases a seguir, atentando para a função das palavras “que”, “se” e “como”, destacadas em negrito:

I. Que vida boa que esse gato leva! É só comer, dormir e vadiar.
II. No arraial de Santo Antônio, venderam-se muitas cartelas de bingo.
III. Os músicos que contratei animarão a festa com músicas da atualidade.
IV. Como algumas pessoas conseguem viver com o salário-mínimo?

Assinale a alternativa que expressa, de modo CORRETO, a função das palavras destacadas em negrito
Alternativas
Respostas
61: D
62: B
63: B
64: B
65: A
66: C
67: C
68: C
69: B
70: D
71: C
72: E
73: B
74: C
75: D
76: C
77: C
78: A
79: D
80: A