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Questões de Concurso Sobre funções da linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética. em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 1.346 questões

Ano: 2022 Banca: UEG Órgão: UEG Prova: UEG - 2022 - UEG - Professor - Edital nº 1 |
Q4165958 Português

Leia os textos a seguir para responder à questão



Retrato


Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?

MEIRELES, Cecília. Viagem: poesia. Lisboa: Império, 1939. p. 21.


Não, ela não se envergonhava de seu narcisismo. Era com ele que ela compunha e recompunha toda a sua dignidade. Encarou novamente o espelho e se lembrou de um poema, em que uma mulher, contemplando a sua imagem refletida, perguntava angustiada onde é que ela deixara a sua imagem refletida, perguntava angustiada onde é que ela deixara a sua outra face, a antiga, pois não se reconhecia naquela que estava sendo apresentada.


EVARISTO, Conceição. Luamanda. Olhos d’água. Rio de Janeiro: Pallas, 2014. p. 63.

O poema e o fragmento constituem exemplos de textos literários e, dessa forma, conferem destaque a qual aspecto da língua?
Alternativas
Q4165162 Português
Se dirigir, não beba!

Essa frase passa a mensagem de que todos os motoristas devem ser
Alternativas
Q4164569 Português
Instrução: A questão refere - se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.


O papel do networking e sua importância na nossa trajetória profissional
Por Rachel Jordan

(Disponível em: https://claudia.abril.com.br/coluna/trabalho-carreira-rachel-jordan/o-papel-do-networking-e-
sua-importancia-na-nossa-trajetoria-profissional/ – texto adaptado especialmente para esta prova). 
Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir:
I. No segundo parágrafo, a autora estabelece um diálogo com o leitor, direcionando-se diretamente a ele, através do uso da segunda pessoa do singular em uma pergunta direta.
II. A autora afirma que o networking é uma estratégia de estabelecimento de relações profissionais que, na atualidade, é colocada em prática fundamentalmente com contatos presenciais.
III. Para a autora, uma das vantagens do uso da tecnologia é a possibilidade de termos que realizar viagens para cruzarmos fronteiras e conseguirmos estar em contato com a nossa rede presencialmente.
Quais estão corretas? 
Alternativas
Q4159930 Português

Leia o texto a seguir.

Uma palavra latina pode gerar mais de uma palavra portuguesa?


Tanto a palavra sino quanto a palavra signo têm o mesmo étimo: vêm de signum. Da mesma forma, tanto sina quanto senha vêm de signa. O mesmo se pode dizer de desenhar e de designar, que vêm de designare, bem como de resenhar e resignar, que vêm de resignareEsses pares são chamados de formas divergentes, isto é, uma única palavra latina pode originar duas ou mais palavras na mesma língua. [...] A palavra latina planus origina formas divergentes em português: plano, chão, piano (empréstimo do italiano, como redução da palavra pianoforte, com menção às duas dinâmicas musicais) e porão (forma semierudita, com mudança semântica, referindo-se ao chão nivelado desse aposento).

VIARO, Eduardo. História das Palavras. Disponível em: https://www.museudalinguaportuguesa.org.br/wpcontent/uploads/2017/09/Historia-das-palavras.pdf. Acesso em: 28 abr. 2022. [Fragmento].


Ao analisar a construção desse texto, constata-se que, nele, predomina a função

Alternativas
Q4159339 Português
Poema da necessidade

É preciso casar João,
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque1,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO

1 Volapuque: língua auxiliar de comunicação internacional criada em 1879 pelo alemão Johann M. Schleyer.
Leia atentamente as afirmações a seguir:

I – No verso “é preciso não assassiná-los,”, há um desvio da norma culta. Segundo a norma padrão, nas orações em que haja adverbio sem que exista pausa, o pronome deve vir antes do verbo, ou seja, o adequado seria a ênclise: “é preciso não os assassinar”.
II – No verso “É preciso casar João,”, há um desvio da norma culta da língua, pois deveria haver uma vírgula separando o vocativo “João”.
III – No último verso, a expressão FIM DO MUNDO, que finaliza o poema, é destacada pelo uso de maiúsculas. O recurso enfatiza a opinião do eu-lírico de que o mundo da forma como se apresenta, frenético, insaciável, não se sustenta, não é viável.

É (São) correta(s) a(s) afirmação(ões): 
Alternativas
Q4158972 Português
MARAVILHA

Lá fora está chovendo
Mas assim mesmo
Eu vou correndo
Só pra ver o meu amor
Ela vem toda de branco
Toda molhada
E despenteada
Que Maravilha
Que coisa linda
Que é o meu amor
Por entre bancários
Automóveis
Ruas e avenidas
Milhões de buzinas
Tocando sem cessar
Ela vem chegando de branco
Meiga, e muito tímida
Com a chuva molhando, seu corpo
Que eu vou abraçar
E a gente no meio da rua
Do mundo, no meio da chuva
A girar!
Que Maravilha!
A girar!
Que Maravilha!

Jorge Ben / Toquinho

Segundo a música, assinale a alternativa correta, da questão
O amor do autor está:
Alternativas
Q4158971 Português
MARAVILHA

Lá fora está chovendo
Mas assim mesmo
Eu vou correndo
Só pra ver o meu amor
Ela vem toda de branco
Toda molhada
E despenteada
Que Maravilha
Que coisa linda
Que é o meu amor
Por entre bancários
Automóveis
Ruas e avenidas
Milhões de buzinas
Tocando sem cessar
Ela vem chegando de branco
Meiga, e muito tímida
Com a chuva molhando, seu corpo
Que eu vou abraçar
E a gente no meio da rua
Do mundo, no meio da chuva
A girar!
Que Maravilha!
A girar!
Que Maravilha!

Jorge Ben / Toquinho

Segundo a música, assinale a alternativa correta, da questão
O amor do autor está:
Alternativas
Q4158970 Português
MARAVILHA

Lá fora está chovendo
Mas assim mesmo
Eu vou correndo
Só pra ver o meu amor
Ela vem toda de branco
Toda molhada
E despenteada
Que Maravilha
Que coisa linda
Que é o meu amor
Por entre bancários
Automóveis
Ruas e avenidas
Milhões de buzinas
Tocando sem cessar
Ela vem chegando de branco
Meiga, e muito tímida
Com a chuva molhando, seu corpo
Que eu vou abraçar
E a gente no meio da rua
Do mundo, no meio da chuva
A girar!
Que Maravilha!
A girar!
Que Maravilha!

Jorge Ben / Toquinho

Segundo a música, assinale a alternativa correta, da questão
O autor está:
Alternativas
Q4158462 Português

Erro de Português


Oswald de Andrade



Quando o português chegou

Debaixo de uma bruta chuva

Vestiu o índio

Que pena!

Fosse uma manhã de sol

O índio tinha despido

O português



Sobre o poema acima responda à próxima questão:

Assinale a afirmativa INCORRETA: 

Alternativas
Q4158236 Português

Leia o poema de Paulo Leminski e responda.


Bem no fundo


No fundo, no fundo,

bem lá no fundo,

a gente gostaria

de ver nossos problemas

resolvidos por decreto


a partir desta data,

aquela mágoa sem remédio

é considerada nula

e sobre ela — silêncio perpétuo


extinto por lei todo o remorso,

maldito seja quem olhar pra trás,

lá pra trás não há nada,

e nada mais


mas problemas não se resolvem,

problemas têm família grande,

e aos domingos

saem todos a passear

o problema, sua senhora

e outros pequenos probleminhas.


Assinale a alternativa incorreta: 

Alternativas
Q4157957 Português

Leia a tirinha a seguir e responda: 



Imagem associada para resolução da questão



Qual emoção a interjeição “ara!” expressa no último balão? 

Alternativas
Q4152873 Português
Texto II

Aqui está algo que acho interessante: essas imagens malucas, e algumas outras, foram criadas pelo artista francês Jean-Marc Cote entre os anos de 1899 e 1910.

A questão é que … bem, basicamente, artistas foram convidados a imaginar como seria a vida no ano 2000. Segundo a Evolution-Collective, essas obras de arte eram originalmente na forma de cartões postais ou cartões de papel colocados em caixas de cigarros e charutos.

Algumas dessas ilustrações únicas são, na verdade, uma visão bastante precisa da era atual, incluindo máquinas agrícolas, equipamentos robóticos e máquinas voadoras.


Disponível em:<https://www.pensarcontemporaneo.com>. Acesso em: 02
mai. 2020.


Na constituição textual, o termo destacado em “Aqui está algo que acho interessante” (Texto II)
Alternativas
Q4151128 Português

Leia o Texto II a seguir para responder à questão.


Texto II


Q8_10.png (349×345)


Disponível em:< http://dragoesdegaragem.com/cientirinhas/cientirinhas-50/>.

Acesso em: 20 abr. 2020.



No Texto II, constitui uma marca intersubjetiva da expressão do grau: 
Alternativas
Q4140865 Português
Leia o texto para responder a questão. 


Q1_3.png (353×205)

Disponível em: http://www.cssp.com.br. Acesso em: 24 maio 2022 (adaptado).
Qual a função de linguagem predominante no texto?
Alternativas
Q4137897 Português
A função de linguagem predominante no texto é:
Alternativas
Q4134995 Português

Leia os textos a seguir para responder à questão.



Texto 1


Aprovada PEC da Economia Solidária; texto vai à Câmara.



Disponível em: www12.senado.leg.br/noticias/materias/2022/05/03. Acesso em: 16 ago. 2022. (Adaptado).



Texto 2


O que é economia solidária?





Disponível em: https://aventuradeconstruir.org.br/o-que-e-economia-solidaria/. Acesso em: 16 ago. 2022. (Adaptado)

É uma estratégia argumentativa que predomina no texto 1:
Alternativas
Q4116570 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


        Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcando-a um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

        Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

        – Você vai criar um cajueiro aí?

        Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena. – Mas é melhor arrancar logo, não é?

        Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso – mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isso a empregada não sabe; ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão – disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

        Hoje pela manhã ela começou a me dizer qualquer coisa – “seu Rubem, o cajueirinho...” – mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha.

        Veio me mostrar:

        – Eu comprei um vaso...

        – Ahn...

        Depois de um silêncio, eu disse:

        – Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa...

        Ela olhou a plantinha e disse com convicção:

        – Esse aqui não vai morrer, não senhor.

      Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá--lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso, e ficara aliviada com a minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

        – Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro.

        Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo com certa gravidade:

        – É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...  

       Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.


(BRAGA, Rubem. 1993-1990. 200 crônicas escolhidas – 31ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010.)

Quem sabe Deus está ouvindo



    Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcando-a um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.



    Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela: – Você vai criar um cajueiro aí?



    Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.



    – Mas é melhor arrancar logo, não é?



    Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso – mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isso a empregada não sabe; ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão – disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.



    Hoje pela manhã ela começou a me dizer qualquer coisa – “seu Rubem, o cajueirinho...” – mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha.  



    Veio me mostrar:



    – Eu comprei um vaso...



    – Ahn...



    Depois de um silêncio, eu disse:



    – Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa...



    Ela olhou a plantinha e disse com convicção:



    – Esse aqui não vai morrer, não senhor



    Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso, e ficara aliviada com a minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer: 



    – Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro.



    Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo com certa gravidade:



    – É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo... 



    Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



(BRAGA, Rubem. 1993-1990. 200 crônicas escolhidas – 31ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010.)


No excerto “– É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...” (18º§), o trecho destacado expressa ideia de: 
Alternativas
Q4115595 Português
As funções da linguagem são formas de utilização da linguagem de acordo com a situação de comunicação.
No texto, predomina a função
Alternativas
Q4115592 Português
Mesmo nossa língua oficial sendo o português é comum cada cantinho desse Brasil imenso ter seu dialeto próprio, com infinidades de gírias, como no caso da possessão dos paulistas (né, meu?), ou o “Xuxismo” dos cariocas (é bixcoito, merrrmão!).

E isso não é diferente na região nordeste do país. Na Bahia, por exemplo, o “baianês” ganhou uma página no Facebook, chamada “Baiano Fala Assim“, para explicar como funciona esse dialeto maravilhoso. Então, tire de tempo não, binho, e venha vê como é que baiano fala que esse troço é muito bala!

Aliás, binho é o apelido de todo mundo na Bahia. Quando não se sabe o nome, ou simplesmente quando a gente quer te chamar de um jeito carinhoso, o jeito é chamar de binho ou binha.

Agora, barulho de unha arranhando no quadro negro, faca quando risca o prato, barulho de isopor esfregando, lixa passando na unha dá uma ginge lascada!


Disponível em: < https://catracalivre.com.br/criatividade/pagina-baianofala-assim-explica-significado-de-girias-baianas/>. Adaptado.
O termo “baianês” é um exemplo de 
Alternativas
Q4114989 Português

Leia o texto e responda o que se pede no comando da questão:



E a vida continua



    Chegou a hora de enfrentar os preconceitos com a velhice.



   Tive bons anos, produtivos e confortáveis. Até pouco tempo, eu acreditava quando diziam que não parecia ter mais de 50. Embora minha vaidade estranhasse não me acharem com 40. Fui tomando consciência e não foi uma coisa rápida. Eu achava ótimo ter direito a filas prioritárias. Vaga garantida em shopping. E mais uma série de vantagens que chegam com a idade. Tudo isso eu achava legal, porque também não acreditava ter a aparência dos prioritários. Até que um dia vi a fila do avião. E lá estavam os idosos. Iguais a mim. Descobri para o mundo, eu tinha me transformado em um senhor de idade. Os mais velhos são discriminados, e a gente nem percebe imediatamente o tamanho do preconceito. Mas quando se fala que alguém é "velho", é como pertencesse a uma categoria menor na sociedade. E a dimensão da velhice muda com a idade de quem olha. Lembro-me de que, aos 20 anos, uma amiga namorava um homem de 40. Diziam que era "velho". Eu hoje tenho saudade dos meus 40 anos. Amar alguém de mais idade pode ser inconcebível para quem tem o corpo em cima e a beleza da juventude. Empregos privilegiam os mais novos. Juventude é associada com dinamismo, energia. Há empresas que aposentam obrigatoriamente quem tem 60 ou pouco mais. Quanto mais envelhece, mais a pessoa fica descartável, embora talvez seja seu momento mais pleno de experiência levo em consideração e criatividade. Agora, na pandemia da Covid-19, houve quem perguntasse se valia a pena manter nos aparelhos os mais velhos. O preconceito da idade já recebeu até nomes: ageísmo e etarismo entre outros.


   Nem levo em consideração piadas com minha idade. A gente não envelhece. Mas se recria.


  A rotina da vida se transforma. Outro dia li na internet que depois dos 30 ressaca parece uma dengue. E 30 é tão pouquinho. De repente, quando viajo, há tanto remédio pra levar. Não estou falando de nada grave. Mas de "por via das dúvidas". Vai que eu tenha um não sei quê... Tudo começou com um necessaire, mas agora é uma malinha inteira, tentando abarcar todas as situações de emergência. Mas claro, se tenho alguma coisa... Precisa-se justamente do remédio em que ninguém pensou. Tenho minhas obrigações: 3 litros de água por dia, no mínimo; caminhadas... Dizem que para manter o cérebro ativo é bom aprender línguas. Outro dia estava procurando aulas de aramaico!


   A paisagem em torno da gente vai sumindo. Perdem-se pessoas, de algumas não se ouve mais falar e um dia vem a notícia: "Você soube do fulano?". O preconceito não é só dos mais jovens. Os próprios idosos se discriminam. Difícil ver o dono de uma empresa contratar alguém de sua própria idade. Muitos se atiram em procedimentos estéticos como se envelhecer não fosse parte de um processo da vida. Eu, você, todos nós estamos envelhecendo neste momento.


   As pessoas continuam lá com sua genialidade. Seu fascínio. Portanto, se me insinuam "você não tem mais idade para isso", só sorrio. Nem levo em consideração piadas com minha idade. Não vou enfrentar essa discriminação. A gente não envelhece. Mas se recria. A vida é linda, e continua.



(Walcyr Carrasco. Revista VEJA. 26 de janeiro, 2022. ed. 2773)

A oração interrogativa: "Você soube do fulano?" Sugere:
Alternativas
Respostas
601: C
602: B
603: A
604: D
605: C
606: A
607: D
608: A
609: A
610: A
611: B
612: C
613: D
614: B
615: C
616: B
617: D
618: C
619: B
620: D