Questões de Concurso Comentadas sobre funções da linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética. em português

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Q4121239 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Tomar chuva faz bem?

O som relaxante


Uma chuva constante pode reduzir os níveis de cortisol, induzindo uma sensação de calma, além de mascarar ruídos incômodos.


"Os sons da água têm sido associados à ativação do sistema nervoso parassimpático, o ramo do sistema nervoso responsável pelo relaxamento e pela recuperação", afirma Amy Sarow, audiologista clínica que atua em um centro ambulatorial em Southfield, no Estado americano do Michigan.


"Quando esse sistema é ativado, podemos observar efeitos fisiológicos como a diminuição da frequência cardíaca e a redução das respostas ao estresse." Um estudo recente revelou que o som da chuva foi mais eficaz na faixa de 40 a 50 decibéis — o equivalente a uma chuva leve e suave —, reduzindo os níveis de estresse em até 65%.


Uma chuva intensa, que se situa em uma frequência ainda mais baixa do chamado "ruído marrom", pode ser mais envolvente e proporcionar uma maior sensação de acolhimento, além de mascarar ruídos incômodos e favorecer o sono, diz Sarow.


Ambos os níveis podem ser relaxantes; muitas vezes, tudo se resume à preferência pessoal, adverte Sarow.


"Se alguém escuta esses sons de forma intencional como parte de uma rotina de relaxamento, a experiência pode começar a se assemelhar a práticas de atenção plena ou meditação, nas quais o som atua como uma âncora para a atenção e o relaxamento."


Embora minha tempestade não tenha me colocado exatamente em um estado zen, ela conseguiu me fazer sentir melhor e mais conectada ao momento presente. Agora, sempre que cai um aguaceiro, procuro dedicar um pouco mais de tempo para me envolver nessa experiência.


Da próxima vez que a previsão do tempo for de chuva, pense em se sintonizar com essa experiência. Você pode se surpreender agradavelmente.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4g8jnj2139o -fragmento-adaptado

"...minha tempestade não tenha me colocado exatamente em um estado zen."
O uso da primeira pessoa no trecho contribui para:
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Q4119656 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo

A história da indústria coureiro-calçadista do Vale dos Sinos

    A indústria coureiro-calçadista do Vale dos Sinos tem sua historia ligada aos imigrantes alemães, que se estabeleceram na região ainda na primeira metade do século XIX. A pecuária já existente na região favoreceu o estabelecimento de curtumes e de uma indústria artesanal de artefatos de couro calcada na mão de obra intensiva de formação familiar.
    A característica artesanal do trabalho manteve-se praticamente durante todo o século XIX, mas logo cedeu lugar a uma industrialização crescente, inicialmente exportadora para o mercado nacional e, já na década de 1960, para o mercado internacional.
    O mercado externo adquiriu crescente importância para o calçado brasileiro e, especialmente, para o Vale dos Sinos a partir do final da década de 1970. Ao final da década de 90, o Brasll ocupava a terceira posição entre os principais produtores mundiais de calçados.
    Na primeira metade da década de 90, o complexo calçadista do Rio Grande do Sul participava com cerca de 75% da produção brasileira de calçados de couro, B0% do faturamento das exportações desse tipo de calçado e 75% do volume comercializado com o mercado exterior.
    As exportações de calçados nos últimos três anos (a partir de 1999) tiveram ainda uma grande impulsão em razáo da desvalorização da moeda frente ao dólar. Esse fator aumentou muito a competitividade do produto brasileiro perante competidores tradicionais como a Índia, aChinaealtália.
    O complexo coureiro-calçadista do Vale dos Sinos tem sido considerado, mais recentemente, um cluster, tendo em vista a concentração geográfica de indústrias e afins; a disponibilidade de mão de obra qualificada; a presenÇa de serviços de apoio tecnológico; a divisão e a especialização interfirmas na cadeia vertical de produção de calçados; a relação horizontal, especialmente sob a forma de subcontratação para a elaboração de partes da produção; a existência de pequenas e médias empresas e de associaçôes patronais.

Adaptado de: Jefferson Setubal e Yeda de Souza. Feiras setoriais e seu potencial para a aprendizagem organizacional. Teoria e Evidência Econômica, Passo Fundo, 2004. 
Considerando as características estruturais e as informações apresentadas, qual é a principal intenção comunicativa do texto?
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Q4119316 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


Saudade da coxa de catupiry


    Sou do tempo dos salgadinhos reconhecíveis.

    Você me entende: do tempo em que, diante da bandeja, a gente não tinha dúvidas ‒ o que ali estava era croquete, coxinha, empadinha. Sem chance de equívoco. Bem diferente, admita, dos dias de hoje, em que é preciso recorrer ao garçom para decifrar enigmas culinários, alguns deles tão complexos e empetecados que você se pergunta se não seriam, em vez de comida, peças decorativas. Sim, vivemos a era do salgadinho que demanda apresentação. Deveria vir com legenda.

   Nada contra a modernização do tira-gosto. Mas me dê um tempo para me adaptar. Outro dia, num casamento, estenderam na minha direção um artefato aparentemente comestível, algo como uma coxinha esférica, acoplada a um talo branco. Era, de fato, uma minicoxinha ‒ mas e o misterioso talo branco, grosso demais para ser palito? Na roda, um convidado mais ousado se aventurou a mastigá-lo, e aí se deu conta de que, naquele casamento chique, ele tinha na boca um vulgar pedaço de cana. Coxinha com cana ‒ onde vamos parar? E o que fazer com o bagaço?

   Muita coisa surgiu na vida de meus maxilares tão fatigados desde a primeira dentição. Na minha infância belo-horizontina não tinha shitake, rúcula e kiwi, por exemplo. Em compensação, tinha Crush, drops Dulcora, açúcar cândi, que depois sumiram do mapa.

   Como sumiu o cajuzinho. Onde foi parar o cajuzinho? Você vai me dizer que não sei onde tem uma “dona” que faz. Coisas de Belo Horizonte: em alguma parte, tem sempre uma dona que faz o docinho, o salgadinho que desapareceu das vitrines. Não duvido de que nalgum recanto da capital haja uma dona do cajuzinho. Vai ver que é a mesma do bolinho de feijão.


(Humberto Werneck. Esse inferno vai acabar, 2011. Adaptado)
O narrador inclui o leitor no texto no seguinte trecho:
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Q4105171 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Às vezes a vida fere


Viver é tocar em frente no ritmo das marés. Nós vamos e voltamos, ao sabor do destino, que não presta a menor atenção no que achamos, nem no que fazemos, mas que se impõe com a dureza da evolução da vida, rumo a um futuro que ninguém conhece, que ninguém sabe, que ninguém controla. Viver é reencontrar alguns amigos e ver nas caras cansadas, nos olhos opacos e nos corpos curvados que a vida pode ser dura e machucar quem nós sempre achamos que não se machucaria jamais. 


Pode ser dura como criptonita batendo no Super-homem. Pode ser ríspida como vento sul entrando com força. Como as chuvas de verão se transformando em tempestade e passando por cima de tudo e de todos, sem ligar para a dor ou sofrimento, para perdas ou danos, para miséria ou riqueza. A vida é a vida e ela segue em frente como a flor que se abre, brilha e seca, deixando o pólen de herança para a abelha fecundar outra flor e gerar outra árvore.


Cada ciclo se completa no seu tempo, que não é o nosso, nem nós alcançamos suas razões. Todo dia traz as novidades do dia, no sorriso que resgata, na lágrima que cai, na mão que se nega, no olhar que perdoa, na emoção que explode e extrapola o corpо.


Nada é mais ou menos, tudo é, simplesmente. Na saudade ainda não sentida, no momento perdido, na vacilada diante do imprevisto, no medo de ser ou fazer, ou em fazer e ser, sem medo e sem remorso, porque nesta vida só perdemos o futuro.


O que é triste é ver a vida cobrar seu preço de quem a gente ama. Marcar quem nos quer bem. Levar quem de noite deixa saudades.


MENDONÇA, Antônio Penteado. Às vezes a vida fere. Crônicas da cidade. Disponível em <https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2023/01/23/as-vezes-a-vida-fere-2/>

O autor-narrador do texto "Às vezes a vida fere" apresenta-se de forma:
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Q4100936 Português
Texto III


Estrela, estrela


Estrela, estrela

Como ser assim?

Tão só, tão só

E nunca sofrer


Brilhar, brilhar

Quase sem querer

Deixar, deixar

Ser o que se é


É bom saber que és parte de mim

Assim como és parte das manhãs


Eu canto, eu canto

Por poder te ver

No céu, no céu

Como um balão


Eu canto e sei que também me vês

Aqui, aqui com essa canção


Fonte: RAMIL, Vítor [Compositor]. Estrela, estrela. Intérprete: Gal Costa.In: Fantasia . Rio de Janeiro: Polygram/Phillips, 1981.
Assinale a alternativa que indica CORRETAMENTE a função da linguagem predominante na canção.
Alternativas
Q4090550 Português

Texto 1


Quarto de Despejo: Diário de uma favelada


“20 DE JULHO

Deixei o leito as 4 horas para escrever. Abri a porta e contemplei o céu estrelado. Quando o astro-rei começou despontar eu fui buscar agua. Tive sorte! As mulheres não estavam na torneira. Enchi minha lata e zarpei. (...) Fui no Arnaldo buscar o leite e o pão. Quando retornava encontrei o senhor Ismael com uma faca de 30 centimetros mais ou menos. Disse-me que estava a espera do Binidito e do Miguel para matá-los, que eles lhe expancaram quando ele estava embriagado.


Lhe aconselhei a não brigar, que o crime não trás vantagens a ninguém, apenas deturpa a vida. Senti o cheiro de álcool, disisti. Sei que os ebrios não atende. O senhor Ismael quando não está alcoolizado demonstra sua sapiência. Já foi telegrafista. E do Circulo Exoterico. Tem conhecimentos biblicos, gosta de dar conselhos. Mas não tem valor. Deixou o álcool lhe dominar, embora seus conselho seja util para os que gostam de levar vida decente.


Preparei a refeição matinal. Cada filho prefere uma coisa. A Vera, mingau de farinha de trigo torrada. O João José, café puro. O José Carlos, leite branco. E eu, mingau de aveia. Já que não posso dar aos meus filhos uma casa decente para residir, procuro lhe dar uma refeição condigna.


Terminaram a refeição. Lavei os utensílios. Depois fui lavar roupas. Eu não tenho homem em casa. E só eu e meus filhos. Mas eu não pretendo relaxar. O meu sonho era andar bem limpinha, usar roupas de alto preço, residir numa casa confortável, mas não é possível. Eu não estou descontente com a profissão que exerço. Já habituei-me andar suja. Já faz oito anos que cato papel. O desgosto que tenho é residir em favela.


...Durante o dia, os jovens de 15 e 18 anos sentam na grama e falam de roubo. E já tentaram assaltar o emporio do senhor Raymundo Guello. E um ficou carimbado com uma bala. O assalto teve inicio as 4 horas. Quando o dia clareou as crianças catava dinheiro na rua e no capinzal. Teve criança que catou vinte cruzeiros em moeda. E sorria exibindo o dinheiro. Mas o juiz foi severo. Castigou impiedosamente.


Fui no rio lavar as roupas e encontrei D. Mariana. Uma mulher agradavel e decente. [...] Estendi as roupas rapidamente e fui catar papel. Que suplicio catar papel atualmente! Tenho que levar a minha filha Vera Eunice. Ela está com dois anos, e não gosta de ficar em casa. Eu ponho o saco na cabeça e levo-a nos braços. Suporto o peso do saco na cabeça e suporto o peso da Vera Eunice nos braços. Tem hora que revolto-me. Depois domino-me. Ela não tem culpa de estar no mundo”.

[...]


Adaptado de: JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2020.

No Texto 1, a construção da voz narrativa articula subjetividade e representação de uma realidade social marcada pela pobreza e pela violência. Considerando essa característica, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: CPCON Órgão: UEPB Prova: CPCON - 2026 - UEPB - Almoxarife |
Q4088180 Português
Leia o Texto 03 para responder à questão.

Texto 03 - Especialista em computação adverte que corrida da IA ameaça sobrevivência humana

AFP - 17/02/26 - 14h31min Em Ciência

    Os diretores executivos das principais empresas de tecnologia estão envolvidos em uma corrida pelo domínio no campo da inteligência artificial que pode colocar em risco a sobrevivência da humanidade, afirmou nesta terça-feira (17) à AFP o destacado pesquisador Stuart Russell.
    Russell, professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley, disse que os líderes das maiores companhias de IA do mundo têm consciência dos perigos representados por sistemas superinteligentes, capazes um dia de superar os humanos.
    Segundo ele, a responsabilidade de salvar a espécie recai sobre os líderes mundiais, que podem agir de forma coletiva.
    “Permitir que entidades privadas joguem essencialmente roleta russa com cada ser humano na Terra é, na minha opinião, um abandono total do dever”, declarou Russell, voz proeminente na área de segurança em IA.
    Países e empresas estão investindo centenas de bilhões de dólares na construção de centros de dados de alto consumo de energia para treinar e operar ferramentas de IA generativa.
    Essa tecnologia, que se desenvolve em ritmo acelerado, promete benefícios como a descoberta de medicamentos, mas também pode provocar perda de empregos e abusos on-line.
    Além disso, existe o risco de que “os próprios sistemas de IA assumam o controle e a civilização humana seja um dano colateral nesse processo”, afirmou Russell em entrevista durante a AI Impact Summit, em Nova Délhi.
    “Acho que cada um dos presidentes das principais companhias de IA quer desarmar [interromper o progresso da IA], mas não pode fazê-lo de maneira unilateral, porque os investidores os demitiriam”, acrescentou.
    “Alguns disseram isso publicamente e outros me confessaram em privado”, afirmou, destacando que até Sam Altman, diretor da empresa criadora do ChatGPT, OpenAI, declarou publicamente que a IA pode levar à extinção humana.
    A OpenAI e a startup americana rival Anthropic registraram demissões públicas de funcionários que manifestaram preocupações éticas.
    A Anthropic também alertou na semana passada que seus modelos mais recentes de chatbot podem ser “influenciados para apoiar, de maneira consciente, mas limitada, esforços voltados ao desenvolvimento de armas químicas e outros crimes atrozes”.
    Reuniões internacionais como a cúpula de IA desta semana oferecem uma oportunidade para regulamentar a tecnologia, embora suas três edições anteriores tenham resultado apenas em acordos voluntários por parte das empresas de tecnologia.
    “Realmente ajuda que cada um dos governos compreenda esse assunto. E é por isso que estou aqui”, afirmou Russell.
[...]


Fonte: ISTOÉ DINHEIRO. Especialista em computação adverte que corrida da IA ameaça sobrevivência humana. São Paulo: Istoé Dinheiro, 17 fev. 2026. Disponível em: https://istoedinheiro.com.br/especialista-em-computacao-adverte-que-corrida-da-ia-ameaca-sobrevivencia-humana. Acesso em: 21 fev. 2026. 
Com base na leitura do Texto 03, assinale a alternativa que sinaliza CORRETAMENTE a postura do especialista Russell.
Alternativas
Q4084921 Português
Leia o poema abaixo e depois marque a única afirmação incorreta.

Poética

conciso? com siso
prolixo? pro lixo

(José Paulo Paes, em Os melhores poemas de José Paulo Paes, 2003.)
Alternativas
Q4075208 Português
O que são os “cristais de memória” que desafiam as leis da física e prometem solucionar o problema do armazenamento de dados

Por Laurie Clarke

Durante uma visita ao Japão, em 1999, o pesquisador Peter Kazansky encontrou um fenômeno físico misterioso, o que o levou a acreditar que esta seja a chave para o futuro do armazenamento de dados. No laboratório de optoeletrônica da Universidade de Kyoto, os cientistas testavam como escrever em vidro usando lasers ultrarrápidos de femtossegundo, emitindo um pulso de luz a cada quadrilionésimo de segundo. Nesse momento, observou-se algo incomum na forma pela qual a luz trafegava através do vidro tratado com laser: a dispersão de Rayleigh é um efeito bem conhecido. Ela descreve como pequenas partículas refletem a luz branca em todas as direções — o que explica, entre outras coisas, por que o céu parece ser azul. Mas, nesse caso, a luz não se refletia conforme o esperado. “Foi difícil explicar”, afirmou Kazansky, que é professor de optoeletrônica da Universidade de Southampton, no Reino Unido. “Nós observamos a luz se dispersar de uma forma que parecia desafiar as leis da física”. A desconcertante observação acabou provocando “um autêntico momento Eureka”, segundo ele. Os pesquisadores descobriram nanoestruturas ocultas dentro do vidro de sílica, criadas por microexplosões geradas pelos lasers de femtossegundo. “Imagine que você sustente um grosso pedaço de cristal contra a luz e observe como a luz é refletida em muitas direções”. Com a técnica do laser, os pesquisadores de Kyoto criaram acidentalmente pequenos orifícios que tinham essa mesma propriedade. Cerca de mil vezes menores que a espessura de um cabelo humano, esses “redemoinhos” de luz são tão minúsculos que são imperceptíveis para o olho humano. No entanto, logo ficou claro para os cientistas que seu potencial era transformador. “Essa foi a primeira prova de que podemos usar a luz para imprimir padrões complexos dentro de materiais transparentes, em escala menor que o comprimento de onda da luz”, explica Kazansky. Agora, 27 anos depois, espera-se que a descoberta feita no Japão possa ajudar a resolver um dos problemas da nossa era da informação: o armazenamento massivo de dados. Na era da internet, da inteligência artificial, das casas inteligentes e do capitalismo de vigilância, existe algo que simplesmente não paramos de produzir: dados. A empresa de análises IDC prevê que, até 2028, geraremos coletivamente 394 trilhões de zettabytes de informações todos os anos (um zettabyte equivale a um trilhão de gigabytes). Toda vez que fazemos qualquer coisa na internet, como assistir a um vídeo no YouTube, enviar um e-mail ou fazer uma pergunta a um chatbot de IA, cadeias de pontos de dados saem em disparada rumo ao ciberespaço. A ideia de que os dados “pesam pouco” é enganosa. Nós imaginamos as informações viajando de forma etérea por cabos submarinos ou flutuando suavemente “na nuvem”. Mas, na verdade, elas exigem enormes recursos físicos, cuja demanda está se tornando insaciável. Os centros de dados consomem quantidades massivas de eletricidade, água e materiais, e seu crescimento exponencial nos obriga a buscar alternativas radicais. Esse dilema vem impulsionando soluções inovadoras, e uma delas é a proposta de Kazansky, que é a de gravar dados por meio de lasers. Outras opções, como a armazenagem de informações em DNA, também estão sendo exploradas por cientistas e empresas como a Microsoft. 
Ao afirmar que a ideia de que os dados “pesam pouco” é enganosa e que as informações não viajam de forma etérea (l. 30–33), a intencionalidade discursiva é:
Alternativas
Q4072392 Português

O que podemos aprender com as ‘lições’ da história?

Em quem confiar?


        O título coloca uma palavra entre aspas. O leitor esperto e a leitora atenta já intuíram que o cronista desconfia do termo. Você já viu algo sobre a história ser “mestra da vida”, mesmo não sabendo que um dos pais da ideia é o romano Cícero. “Precisamos estudar história para não repeti-la” também é conceito popular. Os positivistas diziam que os mortos governavam os vivos, analisando o peso da experiência sobre nós. Os historiadores modernos, estes estranhos seres, dizem que não se aprende algo moral com a história. Em quem confiar?

      O ser humano é randômico. Cada indivíduo é único e irrepetível. Duas turmas de alunos, dois filhos diferentes, dois namoros: tudo parece ecoar Heráclito e seu rio mutante eterno. Gostamos de padrões e generalizações. Amamos previsibilidade. O caos é mais do que uma entidade grega: é o eixo estruturante da vida.

       Quero um princípio pedagógico-moral como “lição da história”. Irritados com a crise em Atenas, os cidadãos deram todo poder ao legislador Drácon (século 7 a.C.). Ao escrever as leis, decidiu punir o roubo e o assassinato com a pena capital. A ideia sedutora: estabelecer um princípio pétreo – todos saberiam que qualquer desvio era punido com rigor extremo. O resultado esperado? Surgiria uma sociedade como a das abelhas: sem crime, com cada pessoa agindo sem prejudicar o grupo. O resultado? Desastroso. O código draconiano foi abandonado. Lição? Aparentemente, leis mais duras não resolvem o crime. Códigos pesados não instauram o paraíso na pólis.

      Vamos esquecer a Grécia. Avancemos ao Novo Mundo. O motorista brasileiro ultrapassa a velocidade legal nas estradas do nosso País. Nos EUA, o mesmo condutor costuma virar exemplo ao volante. Por quê? Lá ele sabe que a polícia pega, multa e prende com facilidade. Na América do Norte, o cidadão vive uma transformação. O motivo? Óbvio: a dureza da lei e dos seus agentes. Então, fracassando na Grécia, Drácon triunfa nos EUA? No nosso senso comum, um dos problemas da violência no Brasil é a impunidade. Qual a lição a aprender? A pena de morte ou a lei duríssima seriam inúteis ou eficazes?

      Meu avô materno foi um pai severo. A ascendência alemã e o luteranismo estimulavam crença em regras imutáveis. Os três filhos, por exemplo, não podiam conversar à mesa. Só os genitores falavam. Havia tarefas e horários inflexíveis. As punições eram severas. Resultado de regras “draconianas” e punições físicas? Minha mãe tornou-se uma mulher totalmente dominada pela ideia de ordem e meu tio, em contrapartida, um rebelde contumaz que enfrentava o pai mesmo diante da força explícita. Minha mãe foi  enquadrada e meu tio nunca baixou a cerviz. Mesmo sangue, mesma família, mesmo ambiente: como concluir sobre as lições pedagógicas do velho Schlusen (sobrenome de solteira da minha mãe)? A variação seria de gênero? Minha mãe, mais velha, seguiu a sina da submissão? Na Bíblia, o mais novo é candidato à rebeldia: Esaú e Jacó, por exemplo. Qual a lição real?

     Seria bom se a História funcionasse como um conto infantil moral: o mal é poderoso, mas triunfa o bem constante e resiliente. Não é assim. Há ditadores que morrem de forma terrível, como Mussolini. Há outros que chegam ao fim em pleno poder, como Stalin. Há democratas assassinados e tiranos bem-sucedidos. Canalhas também envelhecem e alguns vivem prolongada e serena aposentadoria. Princípios metafísicos como “lei do retorno” ou “carma” são explicações que emergem do nosso desejo de lógica de fundo moral. Como seria bom se houvesse esta matemática precisa: “fez o mal, sofrerá no futuro”. Gente fiel pode ser traída, generosos são esmagados, ladrões seguem firme na carreira e violentos possuem um fã-clube. Escrevendo assim, não interprete que afirmo ser o mundo um lugar ruim e incorrigível. O que digo talvez seja pior: não existe lógica moral. Exemplos? O ditador Ceaucescu (Romênia) caiu do poder e foi fuzilado. Foi acompanhado por sua esposa na tragédia final. Porém... Martin Luther King também foi assassinado. Já o nazista Mengele... nadava tranquilo no dia da morte, depois de uma vida de horrores inomináveis. Bondade não garante sucesso, tampouco maldade é salvo-conduto para a bem-aventurança sobre a Terra. Falta traço moral ao processo histórico. Claro, posso imaginar que após a vida existe a vitória moral com Paraíso e Inferno, mas, como historiador, só posso trabalhar com o mundo visível e documentado aqui e agora.

    A contingência não segue código moral. O avião cai com bons e ruins. Recompensas ou punições (como reguladores de ação humana) podem existir no plano das crenças. Geralmente, a ética é mais sustentável como projeto, mas a já citada “contingência” reina.

    No mundo real, Chapeuzinho Vermelho não é boa ou ruim: ela está cruzando uma área onde o lobo é predador. A Vovó não é vítima, é apenas proteína aos olhos da natureza lupina. O caçador é tão assassino quando o lobo: ambos sobrevivem destruindo vidas. E a vitória da bela Chapeuzinho? Bem, perguntem ao humano Andersen, que coletou a história. Se ela fosse redigida pelos lobos, teríamos um peludo mártir da violência. A esperança de justiça é um desejo, um suspiro breve na eternidade. Nossa meta é uma régua moral; a história ri da nossa pretensão


Autor: Leandro Karnal.

No trecho “Você já viu algo sobre a história ser ‘mestra da vida’”, o emprego do pronome você aproxima o cronista do leitor e cria efeito de interlocução direta. Nesse uso, você funciona como pronome ______, empregado com valor informal.
Qual alternativa preenche corretamente a lacuna? 
Alternativas
Q4063542 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.

Por que a gente precisa de escolas e universidades?

Meus 20 anos de pesquisa sobre o que nos torna humanos contradizem meus colegas. Eles, munidos de milhões de dólares investidos em seus laboratórios bem-equipados, insistem em buscar genes e moléculas e sequências que devem ter evoluído de maneira diferente exclusivamente em nossa espécie. Eu, munida de uns poucos milhares providos primeiro pela Faperj, depois pelo CNPq, e mais recentemente pela Universidade Vanderbilt, onde trabalho, insisto que não somos especiais.

Mostrei que não somos ponto fora da curva. Meus dados deixam claro que não temos um cérebro aberrantemente maior, não temos mais neurônios do que deveríamos, não vivemos mais do que o esperado para um primata com o nosso número de neurônios corticais. Destes nós temos, sim, mais do que qualquer outro animal, e com mais neurônios corticais, como mostrei em 2019, ganhamos o que realmente nos torna humanos: tempo.

Temos uma combinação de muitos neurônios corticais e tempo de vida que nenhuma outra espécie tem, porque com mais neurônios corticais a vida fica mais lenta e mais longa (tartarugas, tubarões, morcegos e baleias "roubam" tempo funcionando em temperaturas mais baixas, mas isso é outra história). Com tantos neurônios, nós humanos levamos mais de uma década como crianças, livres para explorar o mundo e aprender com adultos, com crianças mais velhas, com avós e até bisavós – porque humanos, cheios de neurônios corticais, ultrapassam as dez décadas de vida. Camundongos, em comparação, têm apenas dois meses para aprender a ser adultos, e só dois anos para passar adiante o que aprenderam.

É essa sobreposição de gerações, resultado do maior tempo de vida que vem com ser primata da espécie humana, que nos torna mais do que nossa biologia. Só com ela, somos o Homo sapiens da idade da pedra. Mas com a sobreposição de gerações, as descobertas e invenções de cada leva de adultos são passadas adiante para a geração seguinte, que assim não começa a vida do zero. Com a sobreposição de gerações, e somente com ela, é que a transferência e a sobrevivência do conhecimento construído por cada humano se torna possível.

A sobreposição geracional começa na família, mas é aumentada exponencialmente graças a uma dessas invenções humanas: a escola. O que acontece de tão transformador na escola é que projetos de humanos têm tempo protegido para interagir com humanos adultos e aprender com eles, de forma sistematizada e eficiente, todo o conhecimento que a humanidade já construiu de mais importante para funcionarmos no planeta.

A universidade, neste sentido, é apenas a continuação da escola – cada vez mais imprescindível –, conforme não para de aumentar o corpo de conhecimento necessário para ser um ser humano funcional numa sociedade que tornamos cada vez mais complexa. E, na universidade, a sobreposição se estende por três gerações: os alunos, seus professores, e os professores destes.

Escolas e universidades são, portanto, os centros de sobreposição geracional onde os membros da espécie têm a oportunidade de aprender a ser humanos modernos. E nas universidades, onde jovens adultos têm tempo protegido para fazer pesquisa e construir conhecimento novo, eles empurram as fronteiras do que é ser humano – e passam isso adiante.

Não deveria haver nada mais precioso para a continuidade e o progresso de um país, portanto, do que garantir acesso livre e universal de seus cidadãos a escolas e universidades. Simples assim.


Herculano-Houzel, S. Por que a gente precisa de escolas e universidades? Folha de S. Paulo, Ciência, 30 maio 2025, p. A41 (adaptado).
Leia a passagem transcrita do texto.

“Escolas e universidades são, portanto, os centros de sobreposição geracional onde os membros da espécie têm a oportunidade de aprender a ser humanos modernos. E nas universidades, onde jovens adultos têm tempo protegido para fazer pesquisa e construir conhecimento novo, eles empurram as fronteiras do que é ser humano – e passam isso adiante.”

Informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a respeito dos recursos linguísticos e dos sentidos construídos no trecho apresentado.

( ) O pronome “eles” retoma “jovens adultos”, estabelecendo coesão referencial no período.
( ) O autor emprega linguagem técnica, sem qualquer traço figurativo, na expressão “tempo protegido”.
( ) A expressão “passam isso adiante” indica predominância da função emotiva da linguagem, uma vez que revela sentimentos pessoais da autora.
( ) A expressão “centros de sobreposição geracional” constitui uma metáfora que representa o espaço em que diferentes gerações convivem e interagem.

De acordo com as afirmações, a sequência correta é:
Alternativas
Q4045155 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão


CNPq 75 anos: uma jornada estratégica para o Brasil


A criação do CNPq, em 1951, foi um dos movimentos mais visionários da história do Brasil. Em um contexto em que o sistema científico nacional ainda era incipiente, a decisão de instituir uma agência dedicada à ciência e à tecnologia revelou a compreensão de que o conhecimento seria essencial ao desenvolvimento.



Idealizado pelo almirante Álvaro Alberto, com apoio da comunidade científica, o então Conselho Nacional de Pesquisas nasceu vinculado à presidência da República, com a missão de formar recursos humanos, apoiar a pesquisa e estruturar a ciência no país.



Ao longo de 75 anos, o CNPq consolidou-se como um dos pilares do sistema nacional de ciência e tecnologia. Milhares de estudantes foram formados por meio de suas bolsas, da iniciação científica ao pós-doutorado, e gerações de pesquisadores tiveram suas trajetórias viabilizadas pela agência, contribuindo para a expansão e qualificação da produção científica brasileira.



Seu impacto ultrapassa o financiamento individual. O CNPq foi decisivo na consolidação da pós graduação, no fortalecimento de instituições estratégicas e na articulação de programas estruturantes em diversas áreas do conhecimento.



Também teve papel relevante na promoção da cooperação internacional, estabelecendo parcerias com instituições de dezenas de países e inserindo o Brasil em redes globais de pesquisa. O apoio à formação no exterior teve efeito multiplicador, com o retorno de cientistas que criaram novos grupos e ampliaram a capilaridade do sistema científico.



Programas como o Pronex, os Institutos do Milênio e os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) consolidaram redes de excelência. A Plataforma Lattes tornou-se ferramenta central para organização e avaliação da atividade científica no país.



Mesmo diante de restrições orçamentárias, o CNPq manteve sua atuação graças ao compromisso de seu corpo técnico e da comunidade científica. O sistema de avaliação por pares assegurou que mérito e relevância permanecessem critérios fundamentais na concessão de apoio.



Celebrar os 75 anos do CNPq é reconhecer que não há desenvolvimento sustentável sem investimento contínuo em ciência, tecnologia e educação. Em um mundo cada vez mais orientado pelo conhecimento, a estabilidade do financiamento científico é condição estratégica para inovar, competir e enfrentar desafios econômicos, sociais e ambientais. A inovação, em suas diversas dimensões, nasce desse ecossistema, convertendo conhecimento em soluções e desenvolvimento.



Nós, que tivemos a honra de presidir o CNPq em diferentes momentos de sua história, testemunhamos de perto o impacto transformador dessa instituição. Sabemos que seus resultados não se constroem no curto prazo, mas ao longo de décadas, com continuidade de políticas públicas, compromisso institucional e confiança na ciência.



O CNPq foi, é e continuará sendo uma instituição essencial para o Brasil. Seu impacto se constrói ao longo do tempo, com continuidade de políticas públicas e visão de longo prazo —bases indispensáveis para que a ciência siga contribuindo para o futuro do país.

A leitura do texto permite identificar sua orientação discursiva, bem como os traços que o vinculam a determinadas práticas de linguagem. A partir dessa leitura, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3993075 Português

        Ainda antes do dia de São José, o prefeito inaugurou a escola, que teve a construção — com telhas de cerâmica que nenhuma casa de trabalhador poderia ter — concluída no verão. O prédio recebeu o nome de Antônio Peixoto, pai dos Peixoto. Homem que, diziam, foi proprietário da fazenda, mas nunca havia posto os pés ali. Todos os moradores estiveram presentes à inauguração: as mulheres de lenço na cabeça; os homens de chapéu e enxada na mão; as crianças rindo da novidade, um pequeno prédio de três salas, e sem o tal banheiro que ninguém tinha mesmo. Da família Peixoto se fez presente também a irmã mais velha, que nunca havia visto por ali. (...) Quando retiraram o papel que cobria a placa com o nome de seu pai falecido, ela quase caiu, num choro convulsivo que fez com que seus irmãos a amparassem para que não desabasse de vez no chão. Nenhuma palavra de agradecimento a meu pai, que, na noite em que celebrava o jerê de santa Bárbara, havia pedido, quase ordenado, o cumprimento da promessa de construção da escola feita à santa no passado. Mas ele estava lá, em pé, um dos primeiros da audiência, segurando a mão de Domingas, e ao lado de minha mãe, com o rosto satisfeito. Pouco importava, poderia ver em seu semblante a luta que havia travado com as forças da encantada santa Bárbara para que tivéssemos um destino diferente do seu, para que não fôssemos analfabetos. Meu pai não sabia nem mesmo assinar o nome, e fez o que estava ao seu alcance para trazer uma escola para a fazenda, para que aprendêssemos letra e matemática.


Itamar Vieira Júnior. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2018, p. 95-96. 

Julgue o item que se segue, em relação ao texto precedente. 


No texto, o foco narrativo na primeira pessoa, identificado tanto na flexão verbal quanto no sistema pronominal, evidencia a ênfase na função emotiva da linguagem, sendo o ponto de vista de um personagem interno à narrativa recurso argumentativo que confere veracidade aos acontecimentos narrados. 

Alternativas
Q3963105 Português
A organização do discurso em língua portuguesa pode privilegiar diferentes elementos do processo comunicativo, resultando em funções distintas, ao passo que a diversidade linguística reflete a riqueza sociocultural do país. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__)A função metalinguística ocorre quando o emissor utiliza o código para falar do próprio código, como se observa em um verbete de dicionário ou em um poema que discute o ato de escrever.

(__)A diversidade linguística no Brasil deve ser combatida nas escolas para garantir a pureza do idioma e impedir o uso de regionalismos, que são considerados desvios patológicos da norma padrão.

(__)A função fática foca no canal de comunicação, visando estabelecer, prolongar ou interromper o contato entre o emissor e o receptor, sendo comum em cumprimentos e saudações.

(__)A variação diastrática refere-se às mudanças na língua decorrentes da localização geográfica do falante, enquanto a variação diatópica associa-se ao nível de escolaridade e classe social.



Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q3962117 Português
Citando-se funções da linguagem, marque a alternativa incorreta.
Alternativas
Q3924689 Português
Situação hipotética: Em um poema, o autor explora a sonoridade das palavras e a organização rítmica dos versos, criando imagens sensoriais sem se preocupar com a transmissão de uma informação objetiva. Assertiva: Nesse texto, a função poética da linguagem, centrada na própria mensagem e em sua elaboração, sobrepõe-se à função referencial.
Alternativas
Q3880652 Português
ATENÇÃO: O texto a seguir se refere à questão.


'Quer adressar?', me perguntou a moça


         De início não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o etarismo a meu favor, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.

          O cenário era a loja de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que – como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui – a ficha caiu:

     “Eu posso adressar o produto?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping.

      A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões e – como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas – tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação – exibindo às vezes uma mesóclise de polainas – e já no parágrafo seguinte caio de boca – com o piercing no lábio inferior – no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.

    A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial – e me fiz up to date:


      “Sim, por favor, adressa, sim”.


(Trecho adaptado da crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, publicada em “O Globo”.)
Na crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, a função predominante é
Alternativas
Q3847149 Português
O estado do Piauí apresentou avanços expressivos no combate à criminalidade em 2024, de acordo com o Mapa da Segurança Pública, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). O levantamento, que reúne dados das Unidades da Federação sobre criminalidade e atuação das forças de segurança, mostra que o estado superou diversas médias nacionais em indicadoreschave.

Entre os destaques está a redução de 10,02% nos homicídios dolosos, índice superior à média nacional, que ficou em 6,33%. Houve também queda de 23,08% nos casos de lesão corporal seguida de morte, enquanto o país registrou um aumento de 22,93% nesse tipo de crime.

Nos casos de latrocínio — roubo seguido de morte —, o estado registrou uma redução de 9,52%, desempenho mais expressivo do que o observado no restante do país, onde a queda foi de apenas 1,65%. Também foram registrados avanços em crimes contra o patrimônio. Os roubos de veículos caíram 21,76%, e os furtos de veículos recuaram 11,01%. Considerando a geografia desse tipo de crime em âmbito nacional, as quedas foram de 6,10% e 2,64%, respectivamente.

O Piauí também obteve destaque no enfrentamento a práticas criminosas do crime organizado. As apreensões de maconha cresceram 561,34% — o maior aumento do Nordeste — e os casos de investigação de tráfico de drogas subiram 10,20%. Outro dado relevante aponta que o estado está entre os que apresentam as menores taxas de desaparecimento do Brasil, com um crescimento de 25,71% no número de pessoas localizadas.

Na área da justiça criminal, o número de prisões por mandado judicial aumentou 19,04%. Já as mortes a esclarecer sem indícios de crime tiveram uma queda expressiva de 75%, em contraste com o aumento de 10,46% registrado no cenário nacional.


https://pensarpiaui.com/noticias/piaui-lidera-avancos-em-seguranca-publica-esupera-a-media-nacional/44485 - adaptado.
A função da linguagem que predomina nesse texto se caracteriza por
Alternativas
Q3826079 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Ordem na Casa

Você é uma pessoa boa. Do tipo que se esforça para agradar todo mundo, releva deslizes alheios, se culpa quando comete os próprios deslizes, elogia, consola, dá conselhos. Tem autocontrole e engole sapos. Como boa menina, aprendeu que não é legitimo sentir raiva e, de tanto reprimi-la, vive com a barriga estufada e o intestino preso.
Vocé não percebe, mas quem te comanda é um gigante, um Super Gigante. Um tirano que te olha de cima, aponta o dedo, não aceita notas baixas.
Ele te faz de refém, te mantém em cativeiro, e vocé se submete a isso.
Permite que ele dé as cartas porque tem medo. Medo de ser excluida, ser alvo de criticas e desamor.
Mas chega uma hora em que tem que pôr ordem na casa. Pois, por tás de toda docilidade e condescendéncia, também existe uma fera.
Uma fera que não quer acatar as ordens do Gigante e deseja mostrar sua autenticidade, seus gostos, seus acertos e desacertos.
Uma fera que deseja revelar que nao é perfeita, que não tem que provar nada a ninguém, que quer ser amada mesmo que fuja do combinado; que é capaz de falar alto, de impor limites, de se proteger.
A fera é seu lado mais irreverente, transgressor, auténtico. E as vezes vocé precisa escuta-la. As vezes tem que abrir a jaula e deixa-la sair.
Porque ninguém é de ferro.
E vocé tem que aprender a se aceitar.
A entender que a culpa te paralisa e não permite que vocé seja quem é. Simplesmente quem é...
Mas quem te faz se sentir culpada? Quem aponta o dedo para vocé?
Seus fantasmas, seu passado, sua educagao rigida?
Ou vocé mesma?O Super que ha em vocé?
Coloque ordem na casa.
Não seja a primeira a se esconder por tras de um véu de justificativas quando o que vocé quer é assumir que não sabe cozinhar, que se apavora quando tem que dirigir, que esta cansada para ir a balada, estressada com as visitas em casa, que prefere recusar um convite "irrecusavel", que nao da pra quebrar um galho pro seu irmão hoje, que ndo pode emprestar uma grana, que não consegue gostar do perfume que ganhou do namorado, que tem medo de expor um deslize do passado.
Nem tudo são imperfeições. E se for, faz parte também.
Vocé também erra, também se atrasa, também se irrita, também tem vontade de mandar tudo praquele lugar. E nem por isso será menos digna.
Nem por isso terá menos amor.
Só por isso será mais feliz. Só por isso será mais leve. Por dentro e por fora.

(Fabiola Simões. A Soma de todos os afetos.)

Sobre o uso de frases interrogativas, no texto, é correto afirmar: 
Alternativas
Q4202241 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:



    No exemplo a seguir, dois conhecidos conversam sobre o serviço de ônibus da cidade:


   L1 – mas como ∅ tá demorando hoje… hein?


  L2 – só: … e quando ∅ chega… ainda vem todo sujo… fedorento…


  L1 – isso sem falar no preço… que sobe todo mês… sem nenhuma vantagem prá gente…


(Ataliba T. de Castilho.

A Língua falada no Ensino de Português, 1998. Adaptado)

No contexto da conversa, o termo “gente”, presente na fala de L1, está empregado com valor
Alternativas
Respostas
41: A
42: A
43: B
44: C
45: D
46: A
47: A
48: D
49: B
50: B
51: A
52: A
53: E
54: D
55: D
56: C
57: A
58: E
59: B
60: C