Questões de Concurso
Sobre fonologia em português
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Quando é verdadeira, quando nasce da necessidade de dizer, a voz humana não encontra quem a detenha. Se lhe negam a boca, ela fala pelas mãos, ou pelos olhos, ou pelos poros, ou por onde for. Porque todos, todos, temos algo a dizer aos outros, alguma coisa, alguma palavra que merece ser celebrada ou perdoada pelos demais.
Galeano, E. Celebração da voz humana/2. In: ___. O livro dos abraços. L & PM, 1991. p. 23 (fragmento)
(Fonte: globo.com de 23/04/2010)
Analisando-se as palavras PATAS, TENDE e ATACAR e comparando-as com as palavras TAPAS, DENTE e ACATAR, pode-se afirmar que a realidade fonológica dos dois grupos comprova que, no Português,

Assinale a alternativa que apresenta a correlação CORRETA.
I. Trans-for-ma-ção
II. In-flu-ên-ci-as
III. Es-tro-pi-a-das
IV. Sim-pló-ri-a
Texto VI
Nossa Língua Portuguesa
Quando alguém fala com orgulho da garra da
agremiação por que torce, está-se utilizando, embora
já com uma derivação de significado, de um termo de
origem basca. Dos celtas herdamos as palavras carro,
5 cabana e cerveja. A brasa, que dominava a música
jovem dos anos sessenta, é de origem germânica,
assim como guerra e ganhar, o que prova que aqueles
bárbaros eram mesmo avançados. E é bem fácil
reconhecer a maioria das palavras árabes existentes
10 no nosso idioma por causa da presença, no início
delas, do artigo invariável al. Assim, alfazema, alfaiate,
alfange, azeite e açougue, onde o l do artigo foi assi-
milado pelas consoantes z e c.
A descoberta dessas influências faz parte do
15 estudo da nossa língua, hoje falada por mais de 180
milhões de pessoas.
Levada pelos conquistadores lusitanos, no
alvorecer da era moderna da história ocidental, ela
saiu da pequenina casa portuguesa e cruzou os
20 “mares nunca dantes navegados”, aportando em
terras longínquas de Ásia, África e América, onde veio
a adquirir novos matizes em contato com os idiomas
locais que iria sobrepujar. Atualmente seu domínio
abrange mais de 10.600.000 km2, ou seja, o equivalente
25 à sétima parte da Terra.
E dizer-se que tudo começou em eras
remotíssimas, numa parte da Itália, o Lácio, região
habitada por um povo de pastores, rude e prático, que
falava o Latim. Este, de simples dialeto que era então,
30 iria passar a língua principal da Península Itálica, à
medida que os romanos se expandiam e aprimoravam
sua cultura em contato com a grega. Dotados de um
agudíssimo tino político, legislativo e administrativo, os
latinos vão conquistar e governar, durante largo tempo,
35 um dos mais vastos impérios de que a História tem
notícia, no qual semearam, com mãos hábeis, seus
costumes e seu idioma. O nosso, oriundo do Latim,
começou a nascer quando, no século III a.C., levadas
pelas fúrias das Guerras Púnicas, as águias romanas
40 chegaram à Hispânia, e, dentro desta, à Lusitânia,
região correspondente à zona ocidental da Península
Ibérica e que abrangia a quase totalidade do Portugal
de hoje.
A realidade étnica e linguística da Hispânia era
45 das mais complexas antes da chegada dos romanos.
Bascos, iberos, tartéssios, lígures e celtas, como povos
que nela se fixaram em épocas e regiões distintas e
que ali terminaram por conviver, além de gregos e
fenícios que, como povos itinerantes, lá estabeleceram
50 suas colônias, eis a mistura de raças, costumes e
idiomas a que vão se sobrepor a cultura e a língua
latina. Esta era levada às regiões conquistadas não na
sua forma literária, escrita, mas pela boca do povo, na
sua forma popular.
55 À diferença do das pessoas, no registro dos
idiomas não há data precisa de nascimento, pois não
há linguista que possa fixar o momento do parto de uma
língua. Esta evolui paulatinamente com relação a um
idioma do qual se origina e do qual se diversifica em
60 sua fase originária, sem, no entanto, quebrar aquela
linha evolutiva que o mantém basicamente o mesmo,
apenas com fisionomia diversa, em cada etapa de sua
vida.
Daí o dever dizer-se, a bem da verdade
65 linguística, que a língua portuguesa é a fase atual
daquele Latim lusitânico que antes de ser Português
foi o Romanço lusitânico, nome que se dá ao idioma
falado naquela faixa de tempo em que o Latim come-
çou a diversificar-se inexoravelmente.
GUANABARA, Célia Therezinha O. Nossa Língua Portuguesa.
In: Enciclopédia Bloch, ano 1, no1, maio de 1967. (Adaptado)
Com base no Texto VI, considere as afirmações a seguir.
I - Em “...um agudíssimo tino político,” ( 32-33), o termo “agudíssimo” é formado por um pseudoprefixo.
II - Em “E dizer-se que tudo começou em eras remotíssimas,” ( 26-27), o conector “que” introduz uma oração subordinada substantiva subjetiva.
III - A troca de posição da tonicidade das palavras “influência” e “música” pode criar novo vocábulo.
Está(ão) correta(s) APENAS a(s) afirmação(ões)
Texto I
Lisboa: aventuras
Tomei um expresso
cheguei de foguete
subi num bonde
desci de um elétrico
5 pedi cafezinho
serviram-me uma bica
quis comprar meias
só vendiam peúgas
fui dar descarga
10disparei um autoclismo
gritei “ó cara!”
responderam-me “ó pá!”
positivamente
as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá.
PAES, José Paulo. Lisboa: aventuras. A poesia está morta, mas
juro que não fui eu. São Paulo: Duas Cidades, 1988, p. 40.
Assinale a opção em que todas as palavras contêm dígrafos.
A respeito dos aspectos fonológicos e morfológicos da norma padrão da língua, assinale a opção que apresenta todas as afirmativas corretas.
I. As palavras mudanças, disciplinas e ensino (P.1) apresentam mais letras que fonemas.
II. No 1.º parágrafo há uma palavra que, se tiver mudança de sílaba tônica, sofrerá mudança de classe gramatical, isso ocorre também no 3.º parágrafo.
III. O 5.º parágrafo apresenta 3 palavras com ditongo nasal: implementem, modificações e evasão.
IV. As palavras inicial, ciências e maior apresentam hiato.
V. A palavra segundo, no final do texto, é um numeral.
Assinale a opção que apresenta o vocábulo classificado inadequadamente quanto ao número de sílabas.
Quanto à acentuação gráfica, assinale a opção em que as palavras são acentuadas pela mesma razão.
As palavras a seguir foram propositadamente escritas sem o acento gráfico. Assinale aquela em que a presença do acento gráfico não altera o significado.
Disponível em
<http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2081/artigo152
593-1.htm>. Acesso em 20 out 2009.
Disponível em
<http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2081/artigo152
593-1.htm>. Acesso em 20 out 2009.
MEUS FILHOS, MEUS BENS Rosely Sayão
Uma leitora me contou que tem o hábito de assistir a novelas, mesmo sem gostar muito, porque as considera um passatempo bom para relaxar do estresse do trabalho.
Depois de jantar com o filho de seis anos e colocá-lo para dormir, essa mãe tem o costume de sentar-se em frente à TV e acompanhar o desenrolar das tramas da novela das nove. As cenas da ficção que a afetaram violentamente foram as relacionadas à história de um casal recém-separado que briga pela guarda da filha.
O que deixou nossa leitora muito perturbada foi ter se dado conta de que ela mesma tem vivido essa história e ainda não havia percebido: só percebeu depois de se envolver e de se identificar com os personagens.
Essa mulher separou-se recentemente do pai de seu filho e, desde o rompimento do casamento, está enfrentando uma situação muito semelhante à que viu na novela. Ela e o pai do menino têm brigado, inclusive na Justiça, para obter a guarda do menino e, ao mesmo tempo, impedir que o outro desfrute da companhia da criança.
O que ela não havia pensado até então, e foi ao assistir a algumas cenas da novela é que passou a refletir a respeito, é que tudo o que tem feito pode estar prejudicando o seu filho. E é esse o tema de nossa conversa de hoje.
Casamentos, divórcios e recasamentos são acontecimentos cada vez mais comuns no tempo em que vivemos. No século 21, esses fatos não causam espanto. As novas famílias resultantes dessas uniões e desuniões fazem parte do nosso cotidiano.
Mas há ainda um número muito grande de ex-casais que, à semelhança de nossa leitora e dos personagens da novela, ainda usam o filho como um instrumento para atingir o ex-parceiro. Por que será que isso ocorre?
Talvez o fato de o filho, hoje, ser considerado um bem leve o ex-casal a disputar a posse dele. Crianças e adolescentes passam, então, a ocupar o mesmo lugar que as coisas materiais ocupam após a dissolução conturbada de um casamento.
Longas batalhas judiciais são travadas para que cada uma das partes sinta que não saiu perdendo muito após o rompimento, não é verdade?
Mas os filhos sofrem com isso porque, primeiramente, nada podem fazer para sair da situação criada por seus pais. E quando tal situação ocorre, certamente eles é que saem perdendo.
Eles perdem a confiança em um dos pais ou em ambos e perdem também a segurança e a proteção de que tanto precisam. Os filhos são levados a assumir a defesa de um dos lados e perdem, principalmente, um direito que ninguém deveria poder tirar deles: o de crescer em companhia de seus pais, mesmo que eles não estejam mais juntos.
Quem tem filhos precisa saber que assumiu um compromisso para o resto da vida. Seu casamento pode terminar, mas o vínculo com a mãe ou o pai de seus filhos não deveria terminar nunca. Além disso, é importante lembrar, também, que um filho não é um bem sobre o qual se pode obter a posse.
Parece que as crianças que nascem no mundo da diversidade têm se adaptado muito bem às mudanças pelas quais a família vem passando. Mas assistir aos pais brigando pela sua guarda não pode fazer bem a elas.
Os mais novos precisam de nossos cuidados e, para honrar esse compromisso assumido, os pais precisam, de qualquer maneira, agir com maturidade.
Folha de São Paulo, 19 fev. 2013.
divisão silábica está correta, EXCETO em


