Questões de Concurso Sobre fonologia em português

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Q2127789 Português
Outros sintomas envolvem o sistema neurológico e incluem formigamento nas extremidades.
Assinale a opção em que algumas das palavras foram separadas corretamente.
Alternativas
Q2127652 Português
Texto



Projeções sobre o impacto do clima no fluxo de rios têm sido calculadas há décadas, a maioria com base em modelos físicos, como é o caso das projeções realizadas pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). Entretanto, novas análises indicam que esses modelos subestimam a disponibilidade de água no cenário da atual emergência climática.

É o caso de uma pesquisa conduzida pelo professor Günter Blöschl, da Universidade Técnica de Viena, na Áustria, que se uniu a colegas da China, da Austrália, dos EUA e da Arábia Saudita para construir e analisar um grande banco de dados de observações de fluxos d'água em todo o mundo. A investigação incluiu mais de 9.500 bacias hidrográficas do planeta, com dados de diferentes décadas.

Os resultados foram publicados no periódico Nature Water e mostram que as consequências das mudanças climáticas ao criar crises hídricas locais têm uma extensão ainda maior do que o esperado. Isso porque, segundo o novo estudo, a conexão entre precipitação e quantidade de água nos rios é mais sensível do que se pensava.

"Na comunidade da climatologia, os efeitos das mudanças climáticas na atmosfera são muito bem compreendidos. No entanto, suas consequências locais nos rios e na disponibilidade de água caem no campo da hidrologia", explica Blöschl, em comunicado.

A crise climática altera a circulação atmosférica global, que por sua vez muda o regime de chuvas e a evaporação em boa parte do mundo. Consequentemente, a quantidade de água dos rios para ser utilizada localmente também sofre mudanças.

Daí porque, segundo os autores, os modelos de previsão dos efeitos das mudanças climáticas no abastecimento hídrico devem ser revisados, pois eles não têm as medições de escoamento que o novo modelo proporciona.

De acordo com a análise, o fluxo global de água esperado entre 2021 e 2050 pode ser menor do que o previsto pelos Modelos do Sistema Terrestre. Principalmente na África, na Austrália e na América do Norte, que têm um risco significativamente maior de crises de abastecimento de água nas próximas três décadas.


Redação Galileu. Crise global da água é mais severa do que se
pensava, conclui estudo. Disponível em:
<https://revistagalileu.globo.com/um-soplaneta/noticia/2023/02/crise-global-da-agua-e-mais-severa-doque-se-pensava-conclui-estudo.ghtml>. Último acesso em 08
fev. 2023. (Adaptado)
Assinale a alternativa em que se apresenta uma palavra que possui um dífono.
Alternativas
Q2127649 Português
Texto



Projeções sobre o impacto do clima no fluxo de rios têm sido calculadas há décadas, a maioria com base em modelos físicos, como é o caso das projeções realizadas pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). Entretanto, novas análises indicam que esses modelos subestimam a disponibilidade de água no cenário da atual emergência climática.

É o caso de uma pesquisa conduzida pelo professor Günter Blöschl, da Universidade Técnica de Viena, na Áustria, que se uniu a colegas da China, da Austrália, dos EUA e da Arábia Saudita para construir e analisar um grande banco de dados de observações de fluxos d'água em todo o mundo. A investigação incluiu mais de 9.500 bacias hidrográficas do planeta, com dados de diferentes décadas.

Os resultados foram publicados no periódico Nature Water e mostram que as consequências das mudanças climáticas ao criar crises hídricas locais têm uma extensão ainda maior do que o esperado. Isso porque, segundo o novo estudo, a conexão entre precipitação e quantidade de água nos rios é mais sensível do que se pensava.

"Na comunidade da climatologia, os efeitos das mudanças climáticas na atmosfera são muito bem compreendidos. No entanto, suas consequências locais nos rios e na disponibilidade de água caem no campo da hidrologia", explica Blöschl, em comunicado.

A crise climática altera a circulação atmosférica global, que por sua vez muda o regime de chuvas e a evaporação em boa parte do mundo. Consequentemente, a quantidade de água dos rios para ser utilizada localmente também sofre mudanças.

Daí porque, segundo os autores, os modelos de previsão dos efeitos das mudanças climáticas no abastecimento hídrico devem ser revisados, pois eles não têm as medições de escoamento que o novo modelo proporciona.

De acordo com a análise, o fluxo global de água esperado entre 2021 e 2050 pode ser menor do que o previsto pelos Modelos do Sistema Terrestre. Principalmente na África, na Austrália e na América do Norte, que têm um risco significativamente maior de crises de abastecimento de água nas próximas três décadas.


Redação Galileu. Crise global da água é mais severa do que se
pensava, conclui estudo. Disponível em:
<https://revistagalileu.globo.com/um-soplaneta/noticia/2023/02/crise-global-da-agua-e-mais-severa-doque-se-pensava-conclui-estudo.ghtml>. Último acesso em 08
fev. 2023. (Adaptado)
Assinale a alternativa em que todos os vocábulos destacados possuem ditongo.
Alternativas
Q2127577 Português
Texto


       O Ministério da Saúde decretou situação de emergência na região da Terra Indígena Yanomami, a maior reserva indígena do Brasil, com 100 mil quilômetros quadrados distribuídos pela floresta amazônica entre os estados do Amazonas e de Roraima. O motivo? A morte de crianças por desnutrição.

       A área ocupada pelos yanomami conta com grandes reservas de ouro, o que é um atrativo enorme para a mineração. Nísia Trindade, ministra da saúde, afirmou que o garimpo ilegal (que usa mercúrio, um metal tóxico), é a principal causa da crise sanitária que afeta os yanomami.

        De 2016 a 2020, o garimpo em terras yanomami cresceu 3350%. E as consequências foram sentidas no ambiente: um laudo da Polícia Federal feito em meados de 2022 constatou que quatro rios da região tinham contaminação por mercúrio 8600% superior à concentração máxima para consumo.
 
     Líquido à temperatura ambiente, o mercúrio é um metal cuja liberação indevida na natureza vem da atividade humana: usinas elétricas a carvão, processos industriais, incineradores de resíduos e, principalmente, na mineração de ouro.

      O mercúrio é usado no garimpo para facilitar a separação. Ele se liga aos pequenos pedaços de ouro e forma uma amálgama, o que ajuda os garimpeiros a recolher o metal que interessa.

     O processo tem um preço: para cada quilo de ouro extraído, são usados até oito de mercúrio, e a maior parte desse metal tóxico é jogado nos rios. Estima-se que esse descarte represente cerca de 38% das emissões de mercúrio no mundo. E a contaminação pela substância traz fortes efeitos negativos para o meio ambiente e para a saúde dos garimpeiros e das pessoas que vivem por perto.

    Uma vez no ambiente, o mercúrio pode ser transformado por bactérias em metilmercúrio. Essa forma orgânica do metal é acumulada pelos organismos do rio – e a concentração aumenta conforme a cadeia alimentar avança.

       Imagine que muitos plânctons contaminados por mercúrio virarão jantar de um único peixe. A carga de mercúrio, então, vai se acumular nesse animal. Na sequência, um grande predador que tenha esse peixe no cardápio vai se alimentar dele e de vários outros peixes que comeram plânctons contaminados. A dose de mercúrio vai ficando cada vez mais alta.
   
       Essa é, justamente, uma das principais formas de exposição ao mercúrio. Cozinhar os peixes e mariscos não basta para se livrar do metal, e quem se alimenta desses animais torna-se mais um elo na cadeia de acúmulo da substância.

      Diversas variáveis determinam se a contaminação vai ocasionar problemas de saúde e qual será a sua gravidade. Entre elas estão a dose de mercúrio, a idade da vítima, por quanto tempo ela ficou exposta e a via de exposição (inalação, ingestão ou contato com a pele).
   
      Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), dois grupos são mais sensíveis aos efeitos do mercúrio. O primeiro são fetos que, geralmente, são expostos ao metilmercúrio no útero graças ao consumo de peixes e mariscos pela mãe. Eles podem ter o desenvolvimento neurológico prejudicado, afetando cognição, memória, atenção, linguagem e habilidades motoras da criança.
 
      O segundo grupo são pessoas frequentemente expostas a altos níveis de mercúrio – por exemplo, populações que dependem da pesca de subsistência em regiões de garimpo. O metilmercúrio afeta os sistemas nervoso central e periférico, causando tremores, insônia, perda de memória, efeitos neuromusculares, dores de cabeça e disfunção cognitiva e motora.

     Em doses elevadas, o envenenamento por mercúrio pode causar disfunção renal, insuficiência respiratória e até morte. No século 20, no que ficou conhecido como o Desastre de Minamata, uma indústria dessa cidade japonesa descartava materiais com mercúrio próximo a uma baía. 1.700 pessoas morreram por intoxicação ao consumir a pesca da região.



CAPARROZ, Leo. Intoxicação por mercúrio: entenda como o
metal age no corpo. Disponível em:
<https://super.abril.com.br/saude/intoxicacao-por-mercurioentenda-como-o-metal-age-no-corpo/>. Último acesso em 20
fev. 2023. (Adaptado)
Assinale a alternativa que apresenta um dífono.
Alternativas
Q2127560 Português

 A deficiência de vitamina B12


A vitamina B12 é escassa na dieta, encontrada apenas em alimentos de origem animal.


Felizmente, os humanos precisam apenas de 2,4 microgramas de B12 por dia, uma quantidade muito pequena. Sem uma porção adequada dessa vitamina no corpo, contudo, a saúde geral e a qualidade de vida são afetadas negativamente.


Um dos principais sintomas da deficiência de vitamina B12 é a fadiga, um nível de cansaço ou exaustão tão profundo que afeta as atividades da vida diária.


Outros sintomas envolvem o sistema neurológico e incluem formigamento nas extremidades, confusão, perda de memória, depressão e dificuldade em manter o equilíbrio. Alguns deles podem ser permanentes se a deficiência dessa vitamina não for tratada adequadamente.


No entanto, como existem muitas causas para esses sintomas, os médicos, muitas vezes, perdem a oportunidade de avaliar uma deficiência de vitamina B12 e o problema não é detectado.


Além disso, ter uma dieta saudável descarta quaisquer deficiências vitamínicas.


https://www.bbc.com/portuguese/geral-63845435. Adaptado. 

Outros sintomas envolvem o sistema neurológico e incluem formigamento nas extremidades.
Assinale a opção em que algumas das palavras foram separadas corretamente.
Alternativas
Q2127203 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Por que terremotos na Turquia são tão devastadores


A maior parte do território turco está situada sobre a placa tectônica da Anatólia, que fica entre duas placas principais - a Euroasiática e a Africana - e outra menor, a Arábica. No caso da Turquia, segundo especialistas ouvidos pela BBC, à medida que as duas placas principais onde o país está situado se deslocam, ele é basicamente espremido, gerando os abalos.


O terremoto do dia seis de janeiro ocorreu em torno de uma região de grande instabilidade conhecida como Falha Oriental da Anatólia, que abrange uma área que vai de sudoeste a noroeste. O tremor foi sentido também na Síria, onde mais de trezentos e vinte pessoas morreram e, pelo menos, mil ficaram feridas.


A cidade turca de Istambul também está em uma zona delicada, onde as placas Anatólia e Euroasiática se encontram. Por isso mesmo, especialistas afirmam que a questão não é se um grande terremoto atingirá a cidade, mas quando.


A crosta terrestre é composta por enormes placas de rocha, chamadas de placas tectônicas, que se alinham lado a lado.


Essas placas, geralmente, tentam se mover, mas são impedidas pelo atrito gerado com as placas adjacentes. Às vezes, a pressão aumenta até que uma placa se mova repentinamente, fazendo com que a superfície também se mova. Neste caso, foi a placa Arábica que se moveu em direção ao norte e se chocou com a placa da Anatólia. A fricção dessas placas foi responsável por outros terremotos muito destrutivos no passado.


Em 13 de agosto de 1822, um terremoto de magnitude 7,4 resultou em imensos danos às cidades da região, com sete mil mortes registradas apenas na cidade síria de Aleppo. Os tremores secundários ainda continuaram por quase um ano. O terremoto ocorrido recentemente já registrou tremores secundários e especialistas acreditam que deve seguir um padrão semelhante ao do século XIX.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cye89ywwkg4o. Adaptado

 O tremor foi sentido também na Síria, onde mais de trezentos e vinte pessoas morreram.
Assinale a opção CORRETA quanto à separação silábica das palavras.
Alternativas
Q2126449 Português

Disponível em:

https://www.google.com/search?q=tirinha+polui%C3%A7


Legenda:

- Socorro! Uma água-viva!

- Não é uma água-viva, Carol! É só um saco plástico!

- Socorro! Poluição!

A palavra “poluição” está separada CORRETAMENTE na seguinte alternativa: 
Alternativas
Q2125642 Português
A Canoa

Em um largo rio de difícil travessia, havia um barqueiro que atravessava as pessoas de um lado para o outro. Em uma das viagens, iam um advogado e uma professora.

O advogado pergunta ao barqueiro:
– Companheiro, você entende de leis?
– Não – respondeu o barqueiro.
E o advogado, compadecido:
– É uma pena, você perdeu metade da vida.
A professora entra na conversa:
– Seu barqueiro, você sabe ler e escrever?
– Também não – respondeu o barqueiro.
– Que pena! Você perdeu metade de sua vida.
Nesse momento chega uma onda bastante forte e vira o barco. O barqueiro, preocupado, pergunta:
– Vocês sabem nadar?
– Não! – responderam o advogado e a professora.
– Então – disse o barqueiro – é uma pena. Vocês perderam toda a vida!

(Paulo Freire. https://ejaemais.blogspot.com/2017/07/textos-para-eja.html. Adaptado).
Quanto à separação de sílabas, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q2125075 Português
Mães orcas se sacrificam pelos filhos a vida toda, revelam cientistas

    Um estudo sobre orcas no Pacífico Norte revelou que as mães fazem um "sacrifício vitalício" por seus filhotes machos, ao passo que criar um filho reduz significativamente a chance de reprodução de uma orca fêmea no futuro.
     A energia de que precisam para alimentar as crias parece comprometer sua saúde, deixando-as menos aptas a se reproduzir e criar outros filhos. “As mães sacrificam sua própria comida e sua própria energia”, diz Darren Croft, professor da Universidade de Exeter, no Reino Unido.
    As orcas permanecem muito ligadas _____ suas famílias ao longo da vida. Mas enquanto as fêmeas da prole se tornam independentes na idade adulta, os machos seguem dependendo das mães — exigindo até mesmo uma parte da comida que suas progenitoras pegam. Croft descreve isso como uma "nova visão sobre as complexas vidas sociais e familiares desses animais incríveis".
      O estudo de décadas, publicado na revista científica Current Biology, faz parte de uma missão em andamento para entender a vida familiar das chamadas baleias assassinas.
     Isso foi possível graças ao Center for Whale Research (CWR), que acompanha a vida de uma população de orcas, conhecida como Southern Residents, há mais de 40 anos. Desde 1976, o CWR produz um censo completo da população Southern Resident de orcas, o que permitiu aos biólogos realizar estudos multigeracionais como este — desvendando o comportamento social crítico e os laços familiares que afetam diretamente a sobrevivência destes animais.
       Para esta pesquisa, os cientistas analisaram _____ vidas de 40 orcas fêmeas entre 1982 e 2021. E descobriram que, para cada filho vivo, a probabilidade anual de uma mãe criar outro filhote até um ano de idade era reduzida pela metade.
      “Nossa pesquisa anterior mostrou que os filhos _____ chances maiores de sobrevivência se sua mãe estiver por perto”, diz Michael Weiss, da Universidade de Exeter e do Center for Whale Research.
      "Queríamos saber se essa ajuda tem um preço, e a resposta é sim. As mães orcas pagam um preço alto em termos de reprodução futura para manter seus filhos vivos."

(Fonte: BBC - adaptado.)
Em relação à divisão silábica, assinalar a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q2124541 Português
Quanto à separação de sílabas, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q2124464 Português
Assinale a alternativa, onde não temos encontro consonantal. 
Alternativas
Q2122801 Português



Se você for para a Índia
Não se esqueça de comprar
Uma passagem de Índia e volta.

Se for para o Canadá
Nem pense em beber garapa:
No Canadá nem cana dá.

Se for para o Equador
Nunca peça café expresso:
Lá só tem café de coador.

E se for para o Peru
Não espere que lhe respondam
Quando gritar "glu glu glu!"
Marque a alternativa correta, quanto ao número de sílabas, das palavras do texto (se, você, esqueça).
Alternativas
Q2122800 Português



Se você for para a Índia
Não se esqueça de comprar
Uma passagem de Índia e volta.

Se for para o Canadá
Nem pense em beber garapa:
No Canadá nem cana dá.

Se for para o Equador
Nunca peça café expresso:
Lá só tem café de coador.

E se for para o Peru
Não espere que lhe respondam
Quando gritar "glu glu glu!"
Quanto à correta separação de sílabas, nas palavras do texto (passagem, garapa, expresso), assinale a alternativa devida.
Alternativas
Q2122799 Português



Se você for para a Índia
Não se esqueça de comprar
Uma passagem de Índia e volta.

Se for para o Canadá
Nem pense em beber garapa:
No Canadá nem cana dá.

Se for para o Equador
Nunca peça café expresso:
Lá só tem café de coador.

E se for para o Peru
Não espere que lhe respondam
Quando gritar "glu glu glu!"
Em se tratando de encontros vocálicos, as palavras do texto (viagem, coador, Equador) são respectivamente:
Alternativas
Q2122366 Português
A mulher ramada

      Verde claro, verde escuro, canteiro de flores, arbusto entalhado, e de novo verde claro, verde escuro, imenso lençol do gramado; lá longe o palácio. Assim o jardineiro via o mundo, toda vez que levantava a cabeça do trabalho.
      E via carruagens chegando, silhuetas de damas arrastando os mantos nas aleias, cavaleiros partindo para a caça.
       Mas a ele, no canto mais afastado do jardim, que a seus cuidados cabia, ninguém via. Plantando, podando, cuidando do chão, confundia-se quase com suas plantas, mimetizava-se com as estações. E se às vezes, distraído, murmurava sozinho alguma coisa, sua voz não se entrelaçava à música distante que vinha dos salões, mas se deixava ficar por entre as folhas, sem que ninguém a viesse colher.
        Já se fazia grande e frondosa a primeira árvore que havia plantado naquele jardim, quando uma dor de solidão começou a enraizar-se no seu peito. E passados dias, e passados meses, só não passando a dor, disse o jardineiro a si mesmo que era tempo de ter uma companheira.
        No dia seguinte, trazidas num saco duas belas mudas de rosa, o homem escolheu o lugar, ajoelhou-se, cavou cuidadoso a primeira cova, mediu um palmo, cavou a segunda, e com gestos sábios de amor enterrou as raízes. Ao redor afundou um pouco a terra, para que a água de chuva e rega mantivesse sempre molhados os pés da rosa.
        Foi preciso esperar. Mas ele, que há tanto esperava, não tinha pressa. E quando os primeiros, tênues galhos despontaram, carinhosamente os podou, dispondo-se a esperar novamente, até que outra brotação se fizesse mais forte.
       Durante meses trabalhou conduzindo os ramos de forma a preencher o desenho que só ele sabia, podando os espigões teimosos que escapavam à harmonia exigida. E aos poucos, entre suas mãos, o arbusto foi tomando feitio, fazendo surgir dos pés plantados no gramado duas lindas pernas, depois o ventre, os seios, os gentis braços da mulher que seria sua. Por último, cuidado maior, a cabeça levemente inclinada para o lado.
       O jardineiro ainda deu os últimos retoques com a ponta da tesoura. Ajeitou o cabelo, arredondou a curva de um joelho. Depois, afastando-se para olhar, murmurou encantado:
        – Bom dia, Rosamulher.
      Agora levantando a cabeça do trabalho, não procurava mais a distância. Voltava-se para ela, sorria, contava o longo silêncio da sua vida. E quando o vento batia no jardim, agitando os braços verdes, movendo a cintura, ele todo se sentia vergar de amor, como se o vento o agitasse por dentro.
      Acabou o verão, fez-se inverno. A neve envolveu com seu mármore a mulher ramada. Sem plantas para cuidar, agora que todas descansavam, ainda assim o jardineiro ia todos os dias visitá-la. Viu a neve fazer-se gelo. Viu o gelo desfazer-se em gotas. E um dia em que o sol parecia mais morno do que de costume, viu de repente, na ponta dos dedos esgalhados, surgir a primeira brotação na primavera.
      Em pouco, o jardim vestiu o cetim das folhas novas. Em cada tronco, em cada haste, em cada pedúnculo, a seiva empurrou para fora pétalas e pistilos. E mesmo no escuro da terra os bulbos acordaram, espreguiçando-se em pequenas pontas verdes.
    Mas enquanto todos os arbustos se enfeitavam de flores, nem uma só gota de vermelho brilhava no corpo da roseira. Nua, obedecia ao esforço de seu jardineiro que, temendo que viesse a floração a romper tanta beleza, cortava rente todos os botões.
     De tanto contrariar a primavera, adoeceu porém o jardineiro. E ardendo de amor e febre na cama, inutilmente chamou por sua amada.
    Muitos dias se passaram antes que pudesse voltar ao jardim. Quando afinal conseguiu se levantar para procurá-la, percebeu de longe a marca da sua ausência. Embaralhando- -se aos cabelos, desfazendo a curva da testa, uma rosa embabadava suas pétalas entre os olhos da mulher. E já outra no seio despontava.
      Parado diante dela, ele olhava e olhava. Perdida estava a perfeição do rosto, perdida a expressão do olhar. Mas do seu amor nada se perdia. Florida, pareceu-lhe ainda mais linda. Nunca Rosamulher fora tão rosa. E seu coração de jardineiro soube que jamais teria coragem de podá-la. Nem mesmo para mantê-la presa em seu desenho.
       Então docemente a abraçou descansando a cabeça no seu ombro. E esperou.
     E sentindo sua espera, a mulher-rosa começou a brotar, lançando galhos, abrindo folhas, envolvendo-o em botões, casulo de flores e perfumes.
    Ao longe, raras damas surpreenderam-se com o súbito esplendor da roseira. Um cavaleiro reteve seu cavalo. Por um instante pararam, atraídos. Depois voltaram a cabeça e a atenção, retomando seus caminhos. Sem perceber debaixo das flores o estreito abraço dos amantes.

(COLASANTI, Marina. A mulher ramada. In: ________. Doze reis e a moça no labirinto do vento. São Paulo: Global, 2006. p. 22-28.)
“E se às vezes, distraído, murmurava sozinho alguma coisa, [...]” (3º§). Assinale a alternativa na qual a palavra apresenta o mesmo número de letras e fonemas que “sozinho”
Alternativas
Q2121798 Português
Em se tratando da correta classificação das palavras, quanto à posição da sílaba tônica, marque a alternativa indevida. 
Alternativas
Q2121797 Português
Assinale a alternativa, onde não temos encontro consonantal. 
Alternativas
Q2121689 Português
Assim como na palavra “possibilidades”, assinale a alternativa que apresenta palavras com dígrafo. 
Alternativas
Q2121688 Português
As sílabas da palavra “cérebro” estão corretamente separadas em: 
Alternativas
Q2121685 Português
Assinale a alternativa que apresenta um encontro consonantal.
Alternativas
Respostas
3641: B
3642: D
3643: D
3644: D
3645: D
3646: D
3647: B
3648: C
3649: B
3650: C
3651: A
3652: C
3653: A
3654: D
3655: C
3656: C
3657: A
3658: E
3659: B
3660: A