Questões de Concurso
Sobre fonemas e letras em português
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A questão refere-se ao texto abaixo.

(Fonte: https://super.abril.com.br/blog/como-pessoas-funcionam/por-que-alguns-desconhecidos-parecem-maisconfiaveis-que-outros/ - Texto adaptado)
Considerando a relação de letras e fonemas de palavras do texto, analise as seguintes assertivas, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas:
( ) ‘assemelhava’ tem dois dígrafos.
( ) ‘honestos’ tem mais letras do que fonemas.
( ) ‘quantia’ não apresenta nenhum dígrafo.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

I. As palavras ‘excelente’ e ‘excesso’ apresentam dois dígrafos cada. II. O vocábulo ‘reciprocidade’ apresenta o mesmo número de letras e fonemas, um encontro consonantal e nenhum encontro vocálico. III. ‘bem estar’ está grafado incorretamente, visto que é necessário emprego do hífen entre as palavras ‘bem’ e ‘estar’, sendo um substantivo masculino composto hifenizado.
Quais estão corretas?

Avalie as assertivas que seguem em relação às palavras do texto, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) No vocábulo “submeteu”, pode-se considerar a existência de 9 fonemas e um encontro consonantal.
( ) Em “expressão”, ocorre encontro consonantal e um dígrafo; a ocorrência desse dígrafo provoca a diferença numérica entre fonemas e letras.
( ) No vocábulo “reflexão” há um encontro consonantal e 9 fonemas.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Como nasce uma história
Fernando Sabino
Quando cheguei ao edifício, tomei o elevador que serve do primeiro ao décimo quarto andar. Era pelo menos o que dizia a tabuleta no alto da porta.
— Sétimo — pedi.
Eu estava sendo aguardado no auditório, onde faria uma palestra. Eram as secretárias daquela companhia que celebravam o Dia da Secretária e que, desvanecedoramente para mim, haviam-me incluído entre as celebrações.
A porta se fechou e começamos a subir. Minha atenção se fixou num aviso que dizia:
É expressamente proibido os funcionários, no ato da subida, utilizarem os elevadores para descerem.
Desde o meu tempo de ginásio sei que se trata de
problema complicado, este do infinitivo pessoal.
Prevaleciam então duas regras mestras que deveriam
ser rigorosamente obedecidas, quando se tratava do
uso deste traiçoeiro tempo de verbo. O diabo é que as
duas não se complementavam: ao contrário, em certos
casos francamente se contradiziam. Uma afirmava que
o sujeito, sendo o mesmo, impedia que o verbo se
flexionasse. Da outra infelizmente já não me lembrava.
Bastava a primeira para me assegurar de que, no caso,
havia um clamoroso erro de concordância.
Mas não foi o emprego pouco castiço do infinito pessoal que me intrigou no tal aviso: foi estar ele concebido de maneira chocante aos delicados ouvidos de um escritor que se preza.
Ah, aquela cozinheira a que se refere García Márquez, que tinha redação própria! Quantas vezes clamei, como ele, por alguém que me pudesse valer nos momentos de aperto, qual seja o de redigir um telegrama de felicitações. Ou um simples aviso como este:
É expressamente proibido os funcionários…
Eu já começaria por tropeçar na regência, teria de consultar o dicionário de verbos e regimes: não seria aos funcionários? E nem chegaria a contestar a validade de uma proibição cujo aviso se localizava dentro do elevador e não do lado de fora: só seria lido pelos funcionários que já houvessem entrado e portanto incorrido na proibição de pretender descer quando o elevador estivesse subindo. Contestaria antes a maneira ambígua pela qual isto era expresso:
… no ato da subida, utilizarem os elevadores para descerem.
Qualquer um, não sendo irremediavelmente burro,
entenderia o que se pretende dizer neste aviso. Pois
um tijolo de burrice me baixou na compreensão,
fazendo com que eu ficasse revirando a frase na
cabeça: descerem, no ato da subida? Que quer dizer
isto? E buscava uma forma simples e correta de
formular a proibição:
É proibido subir para depois descer.
É proibido subir no elevador com intenção de descer.
É proibido ficar no elevador com intenção de descer, quando ele estiver subindo.
Descer quando estiver subindo! Que coisa difícil, meu Deus. Quem quiser que experimente, para ver só. Tem de ser bem simples:
Se quiser descer, não tome o elevador que esteja subindo.
Mais simples ainda:
Se quiser descer, só tome o elevador que estiver descendo.
De tanta simplicidade, atingi a síntese perfeita do que Nelson Rodrigues chamava de óbvio ululante, ou seja, a enunciação de algo que não quer dizer absolutamente nada:
Se quiser descer, não suba.
Tinha de me reconhecer derrotado, o que era
vergonhoso para um escritor.
Foi quando me dei conta de que o elevador havia
passado do sétimo andar, a que me destinava, já
estávamos pelas alturas do décimo terceiro.
— Pedi o sétimo, o senhor não parou! — reclamei.
O ascensorista protestou:
— Fiquei parado um tempão, o senhor não desceu. Os outros passageiros riram:
— Ele parou sim. Você estava aí distraído.
— Falei três vezes, sétimo! sétimo! sétimo!, e o senhor nem se mexeu — reafirmou o ascensorista.
— Estava lendo isto aqui — respondi idiotamente, apontando o aviso. Ele abriu a porta do décimo quarto, os demais passageiros saíram.
passageiros saíram. — Convém o senhor sair também e descer noutro elevador. A não ser que queira ir até o último andar e na volta descer parando até o sétimo.
— Não é proibido descer no que está subindo? Ele riu:
— Então desce num que está descendo
— Este vai subir mais? — protestei: — Lá embaixo está escrito que este elevador vem só até o décimo quarto.
— Para subir. Para descer, sobe até o último.
— Para descer sobe?
Eu me sentia um completo mentecapto. Saltei ali mesmo, como ele sugeria. Seguindo seu conselho, pressionei o botão, passando a aguardar um elevador que estivesse descendo. Que tardou, e muito. Quando finalmente chegou, só reparei que era o mesmo pela cara do ascensorista, recebendo-me a rir:
— O senhor ainda está por aqui? E fomos descendo, com parada em andar por andar. Cheguei ao auditório com 15 minutos de atraso. Ao fim da palestra, as moças me fizeram perguntas, e uma delas quis saber como nascem as minhas histórias. Comecei a contar:
— Quando cheguei ao edifício, tomei o elevador que serve do primeiro ao décimo quarto andar. Era pelo menos o que dizia a tabuleta no alto da porta.
Texto extraído de: SABINO, Fernando. A Volta Por
Cima. Editora Record: Rio de Janeiro, 1990, p. 137
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão
Sinais de inclusão

Fonte: Adaptado de https://www.revistaplaneta.com.br/sinais-de-inclusao/
( ) A palavra ‘garantir’ apresenta o mesmo número de letras e fonemas. ( ) O vocábulo ‘Federal’ apresenta um encontro consonantal. ( ) A palavra ‘professores’ apresenta um dígrafo. ( ) O vocábulo ‘trabalho’ apresenta um encontro consonantal e um dígrafo.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Nossa bactéria interior
Hélio Schwartsman
Se a consciência já parece bastante misteriosa quando tentamos circunscrevêla a um cérebro humano, ela fica ainda mais impenetrável quando se considera que a própria noção de corpo humano pode ser inadequada.
Com efeito, já há alguns anos vem ganhando espaço na biologia e na medicina a ideia de que precisamos pensar o corpo humano não como uma entidade à parte, mas no conjunto de suas relações com o meio ambiente, em especial em relação a sua interação com espécies microscópicas com as quais vivemos em promiscuidade há dezenas de milhares de anos. Aqui, nós perdemos um pouco de nós para nos tornarmos um superorganismo, no qual outros seres vivos, notadamente aqueles que habitam nosso corpo, ganham importância.
Inicialmente, esses modelos foram utilizados para explicar com certo sucesso a obesidade (as floras intestinais de gordos e magros têm composições diferentes), doenças do intestino e moléstias cardíacas. Mas os pesquisadores foram ficando ambiciosos e agora falam no eixo cérebro-intestino, que parece desempenhar um papel em várias doenças mentais, incluindo transtornos de ansiedade, do afeto, autismo e até mesmo surtos psicóticos e Alzheimer. Não é que bactérias causem essas moléstias, mas modulam a manifestação e a severidade dos sintomas.
Particularmente interessante nesses modelos é que a flora intestinal é, em princípio, algo fácil de alterar com o uso de antibióticos, pro e prebióticos e de transplantes fecais. Já há quem fale em psicobióticos. É preciso dar um desconto ao entusiasmo dos pesquisadores, mas não há dúvidas de que é um campo promissor.
Vale destacar quanto de complexidade esse modelo acrescenta a nós mesmos. Deixamos de ser um corpo composto por 10 trilhões de células comandadas por 23 mil genes para nos tornarmos um bioma ao qual se somam 100 trilhões de bactérias e 3 milhões de genes não humanos.
Adaptado de: <http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwarts-man/2017/12/ 1940148-nossa-bacteria-interior.shtml>
Funcionários de escola: educadores de fato,
educadores de direito
A luta constante em busca de reconhecimento e valorização profissional dos funcionários e funcionárias de escola, segmento importante no ambiente escolar, mas que ainda não é valorizado e tão pouco reconhecido pela sociedade, principalmente quando se trata de políticas públicas voltadas à categoria.
A escola é o lugar no qual passamos boa parte de nossas vidas, é nela que aprendemos o conteúdo curricular, além de proporcionar um convívio em grupo. Uma escola é composta por vários segmentos: professores, funcionários, pais e aluno, e todos são importantes para que a escola tenha um bom desempenho.
A importância da organização dos funcionários de escola em sindicatos foi fundamental para a construção de uma identidade profissional. À vista do exposto, promover o desenvolvimento educacional dos alunos, objetivo principal da escola, não se restringe apenas aos professores, mas a toda e qualquer aprendizagem que favoreça a formação integral da pessoa e que não precisa estar atrelada apenas aos docentes, necessitando também a participação dos demais segmentos.
Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/
academico/funcionarios-de-escola-
educadores-de-fato-educadores-de-direito/110468/>. Acesso em: 16 ago. 2018.
Releia o trecho a seguir.
“À vista do exposto, promover o desenvolvimento educacional dos alunos, objetivo principal da escola, não se restringe apenas aos professores, mas a toda e qualquer aprendizagem que favoreça a formação integral da pessoa [...]”
Assinale a alternativa que apresenta a palavra que não tem o mesmo som de “x” em “exposto”.
Considere as palavras a seguir.
Mulher / casinhas / arrumação / pequena / EUA
Assinale a alternativa em que essas palavras estão dispostas corretamente em ordem alfabética.
O que está por trás da indisciplina escolar?
Estudo busca as razões da indisciplina e
tenta entender como os professores brasileiros
gastam tempo para manter a ordem em
sala de aula
O Brasil ocupa o primeiro lugar no quesito “tempo gasto para manter a ordem na classe”. É o que indica a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizado (Talis, na sigla em inglês), respondida por professores de 32 países em 2013. Trocando em miúdos, os professores brasileiros são os que mais perdem tempo tentando combater a indisciplina escolar.
Na média, os profissionais brasileiros disseram que perdem 20% do período de aula com indisciplina, enquanto o padrão foi de 13%. É a segunda vez que a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) faz essa pesquisa com profissionais que atuam nos últimos anos do Ensino Fundamental.
Na primeira, em 2008, os educadores brasileiros também foram os que mais disseram perder aula com o assunto. O dado isolado não traz novidade para quem está em sala de aula, mas um estudo feito com cruzamento de outras respostas ao mesmo questionário ajuda a explicar por que ostentamos tal recorde.
“A partir de um conjunto de respostas, como qual a frequência com que o educador dá e recebe retorno sobre seu trabalho, observa colegas, atua em conjunto, participa de atividades com turmas diferentes, percebemos, por exemplo, quem está em ambientes colaborativos. Da mesma maneira, chegamos às escolas que têm mais espaço para participação de pais e alunos. Para cada fator, há um conjunto de respostas”, explica a pesquisadora em políticas públicas Gabriela Moriconi, da Fundação Carlos Chagas, que ganhou uma bolsa para realizar análises sobre os dados na sede da OCDE e investigar soluções adotadas por outros países.
O estudo leva para além do senso comum de que os estudantes seriam indisciplinados e parte para as razões que geram a desordem. A escolha do foco veio pela constatação, em outras investigações, de que a indisciplina é um dos principais obstáculos para o trabalho docente.
Para a análise, ela cruzou respostas a outras perguntas do questionário para entender quais fatores estão associados a professores que gastam tempo para manter a ordem no Brasil e em duas realidades consideradas próximas: Chile e México.
Outro dado importante, na análise do resultado da pesquisa de Gabriela, é a formação específica. Quando o conteúdo ensinado faz parte da área de conhecimento do professor, ele perde menos tempo com indisciplina. Os educadores que afirmam terem aprendido a ensinar determinado conteúdo, perdem menos tempo ainda.
“A literatura especializada sobre engajamento mostra que a primeira coisa para manter o envolvimento é o domínio do conteúdo e saber ensinar. Então, esses achados fizeram muito sentido para mim”, diz. Para ela, a questão da colaboração profissional também cai na formação tanto de conteúdo como de gestão da sala de aula em termos de organização do tempo, divisão das atividades, espaço e estabelecimento de regras.
“Diante da realidade que temos, muito se aprende com outros colegas, tanto a prevenir maus comportamentos como a agir diante de casos de indisciplina.”
Adaptado de: <http://www.cartaeducacao.com.br/reportagens/o-que
-esta-por-tras-da-indisciplina-escolar/>. Acesso em: 27 jul. 2018.
A família, a vizinhança e o esforço pessoal contam no resultado de cada aluno. Mas pesquisa após pesquisa mostra que um fator importa muito mais que os outros: o professor
Camila Guimarães
Pode parecer óbvia, mas a ligação entre a qualidade do professor e o que se aprende em sala de aula só foi estudada e comprovada nos últimos anos. As pesquisas mais recentes mostram que não há fator mais importante para o sucesso do aluno na escola e na vida adulta. É mais decisivo que o tamanho das redes de ensino, em que região do mundo estão, as diferenças socioeconômicas entre os estudantes, os gastos com a educação de cada país, se a escola tem ou não computador, se a família ajuda na lição de casa. Por isso, para elevar o nível da educação, deve-se colocar o professor sob o microscópio. “Como a escola é o lugar onde alunos ganham conhecimento, então o professor é chave para um aprendizado de sucesso”, afirma João Batista de Oliveira, doutor em pesquisa educacional e autor do livro Repensando a educação brasileira.
As pesquisas se preocuparam em medir a influência do professor entre crianças com o mesmo nível socioeconômico, na mesma escola e até na mesma série. Pesquisadores da Faculdade de Educação da Universidade Stanford descobriram que, enquanto o estudante com professor fraco aprende metade ou menos do que deveria no ano, aquele que tem bons professores aprende o equivalente a um ano a mais, e o que tem professores considerados excelentes, um ano e meio a mais. A mais recente pesquisa sobre o assunto, da Universidade Harvard, analisou duas décadas de desempenho de alunos e professores. Chegou à conclusão de que os alunos de classes com melhores professores ganham, ao longo da vida adulta, US$ 250 mil a mais.
Para além da academia, a vida real também mostra os efeitos positivos do bom professor. “O professor é o segredo das reformas bem-sucedidas de potências educacionais, como Finlândia, Polônia e Coreia”, afirma Amanda Ripley, autora do livro As crianças mais inteligentes do mundo. Ela viajou e acompanhou estudantes em cada um desses países para compreender o que fizeram. “São diferentes países, com diferentes culturas e tamanhos, com poucas coisas em comum. Uma delas é levar mais a sério a preparação dos professores para a sala de aula”, afirma.
Como tornar os professores melhores? Por onde começar? Há um consenso entre estudiosos e educadores: um bom começo é mudar a forma como recrutamos e formamos os futuros educadores. […] Todos os países que investiram para tornar a carreira mais atraente também tinham estratégias para melhorar a qualidade de quem já estava no sistema. No caso do Brasil, são 2 milhões de professores da educação básica. Um caminho comum é fazer uma avaliação periódica do professor, descobrir suas falhas e ajudá-lo a melhorar.
Os defensores da meritocracia afirmam que tratar professores bons e ruins da mesma forma espanta os jovens talentosos e desprestigia a carreira. Quem é contra menciona programas de bonificação sem efeito nenhum no resultado do aprendizado, como em alguns Estados americanos. “Sou contra avaliar professor para premiar os melhores”, diz Maria Izabel de Noronha, presidente do Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo, o maior da América Latina. “Para valorizar a carreira docente e avançar na qualidade do ensino, é preciso pagar salários maiores e melhorar as condições de trabalho do professor.”
As discordâncias são muitas, mas é possível chegar a um acordo. É preciso ir além das políticas de inclusão na escola e estabelecer um debate sobre qualidade de ensino e dos professores. Falta só começar.
Adaptado de:<https://epoca.globo.com/ideias/noticia/2014/11/o-bprofessorb-e-o-fator-que-mais-influencia-na-educacao-das-criancas.html>
UM ANO REALMENTE NOVO OU SEGUIREMOS
NA MESMA BATIDA DA IRRACIONALIDADE?
Reinaldo Canto – 05/01/2018 16h48
Começo de ano é propício para reflexões, avaliações e promessas de todos os gêneros. As chamadas resoluções de ano novo servem para estabelecer compromissos diversos de mudanças de atitudes em relação aos outros e a si mesmo. Se depender da nossa vontade, seremos mais tolerantes, generosos, cultos, saudáveis e responsáveis, neste ano que se inicia, do que fomos em todos os anos anteriores de nossas vidas.
Certamente muitos dos nossos sinceros desejos não serão capazes de resistir ao primeiro mês, tragados pela dinâmica de nosso cotidiano. De qualquer modo, a passagem de ano possui esse efeito positivo. Não custa nada parar um momento para, quem sabe, redirecionar algumas de nossas escolhas?
Bom seria se fizéssemos também uma boa análise, mais abrangente mesmo, em dimensões globais sobre a irracional e destrutiva maneira pela qual estamos consumindo o planeta. E, isso não é maneira de dizer, literalmente estamos sugando os recursos planetários e o pior, não necessariamente para dar melhores condições de vida para todos os seres humanos. [...]
A crise no país até que segurou um pouco o consumo, mas o aumento nas vendas de Natal em relação a 2016 demonstram que comprar, independentemente das óbvias necessidades, ainda possui um forte apelo, inclusive emocional para as famílias brasileiras.
As consequências desse consumo nem sempre racional coloca em xeque a capacidade de regeneração do planeta e um esgotamento dos recursos naturais em proporções bíblicas. O nosso déficit ecológico, por assim dizer, já corresponde ao consumo de 1,5 planeta, ou seja, 50% acima do que a Terra consegue repor. Isso para manter o padrão de vida de apenas uma parcela da população mundial.
Conforme divulgado pelo Banco Mundial, se a população global chegar a 9,6 bilhões em 2050, conforme se prevê, serão necessários três planetas Terra para dar conta do consumo atual. Entre as principais consequências da excessiva exploração de recursos naturais estão a perda da biodiversidade com diminuição e extinção de espécies da flora e fauna. [...]
O que cabe a nós mortais diante desses desafios colossais e planetários?
Entre as diversas e difíceis promessas de ano novo poderia constar uma que, no meu entender, teria boas chances de sucesso, bastando apenas uma pequena reflexão do consumidor, mais ou menos como: estou consumindo o que realmente preciso? Tenho exagerado nas minhas compras e desperdiçado demais?
Quem sabe se ao pensar nisso a gente não conclua que alguns exageros poderão ser evitados daqui para frente. Uma sociedade mais consciente e informada poderá contribuir muito para frear o consumo irracional.
Adaptado de: https://www.cartacapital.com.br/sustentabilidade/
um-ano-realmente-novo-ou-seguiremos-na-mesma-batida-da-irracionalidade.1
KLEE, KANDINSKI, MAGRITTE
Michel Foucault
Dois princípios reinaram, eu creio, sobre a pintura ocidental, do século quinze até o século vinte. O primeiro afirma a separação entre representação plástica (que implica a semelhança) e referência linguística (que a exclui). Faz-se ver pela semelhança, fala-se através da diferença. De modo que os dois sistemas não podem se cruzar ou fundir. É preciso que haja, de um modo ou de outro, subordinação: ou o texto é regrado pela imagem (como nesses quadros em que são representados um livro, uma inscrição, uma letra, o nome de um personagem), ou a imagem é regrada pelo texto (como nos livros em que o desenho vem completar, como se ele seguisse apenas um caminho mais curto, o que as palavras estão encarregadas de representar). É verdade, só muito raramente essa subordinação permanece estável: pois acontece ao texto de o livro ser apenas um comentário da imagem, e o percurso sucessivo, pelas palavras, de suas formas simultâneas; e acontece ao quadro ser dominado por um texto, do qual ele efetua, plasticamente, todas as significações. Mas pouco importa o sentido da subordinação ou a maneira pela qual ela se prolonga, multiplica e inverte: o essencial é que o signo verbal e a representação visual não são jamais dados de uma vez só. Sempre uma ordem os hierarquiza, indo da forma ao discurso ou do discurso à forma. É esse princípio cuja soberania foi abolida por Klee, ao colocar em destaque, num espaço incerto, reversível, flutuante (ao mesmo tempo tela e folha, toalha e volume, quadriculado do caderno e cadastro da terra, história e mapa), a justaposição das figuras e a sintaxe dos signos. Barcos, casas, gente, são ao mesmo tempo formas reconhecíveis e elementos de escrita. Estão postos, avançam por caminhos ou canais que são também linhas para serem lidas. As árvores das florestas desfilam sobre pautas musicais. E o olhar encontra, como se estivessem perdidas em meio às coisas, palavras que lhe indicam o caminho a seguir, que lhe dão nome à paisagem que está sendo percorrida. E no ponto de junção dessas figuras e desses signos, a flecha que retorna tão frequentemente (a flecha, signo que traz consigo uma semelhança de origem, como se fosse uma onomatopeia gráfica, e figura que formula uma ordem), a flecha indica em que direção o barco está se deslocando, mostra que se trata de um sol se pondo, prescreve a direção que o olhar deve seguir, ou antes a linha segundo a qual é preciso deslocar imaginariamente a figura aqui colocada de um modo provisório e um pouco arbitrário. Não se trata absolutamente aí de um desses caligramas que jogam com o rodízio da subordinação do signo à forma (nuvem das letras e das palavras tomando a figura daquilo de que falam), depois da forma ao signo (figura se anatomizando em elementos alfabéticos): não se trata também dessas colagens ou reproduções que captam a forma recortada das letras em fragmentos de objetos; mas do cruzamento num mesmo tecido do sistema da representação por semelhança e da referência pelos signos. O que supõe que eles se encontrem num espaço completamente diverso do do quadro.
O segundo princípio que durante muito tempo regeu a pintura coloca a equivalência entre o fato da semelhança e a afirmação de um laço representativo. Basta que uma figura pareça com uma coisa (ou com qualquer outra figura), para que se insira no jogo da pintura um enunciado evidente, banal, mil vezes repetido e entretanto quase sempre silencioso (ele é como um murmúrio infinito, obsidiante, que envolve o silêncio das figuras, o investe, se apodera dele, obriga-o a sair de si próprio, e torna a despejá-lo finalmente no domínio das coisas que se pode nomear): “O que vocês estão vendo, é isto”. Pouco importa, ainda aqui, o sentido em que está colocada a relação de representação, se a pintura é remetida ao visível que a envolve ou se ela cria, sozinha, um invisível que se lhe assemelha. [...]
Adaptado de: FOU-CAULT. M. Klee, Kandinski, Magritte.In: FOUCAULT. M. Isto não é um cachimbo. Tradução de Jorge Coli. Rio
de Janeiro, Paz e Terra, 1988. Disponível em: https://ayrtonbe-calle.files.wordpress.com/2015/07/foucault-m-isto-nc3a3o-c3a-9-um-cachimbo.pdf.
Um texto sobre a gentileza
Por Martina Sarzi Neubüser Gentileza.
Gentileza. Palavrinha leve, soa fresca como brisa de verão. Alimenta a boca de quem fala e aquece os ouvidos de quem escuta. Quatro sílabas de humanidade genuína, na sua mais pura forma. Gentileza, ao contrário do que pode nos parecer hoje em dia, não é ato de outro mundo: é aquilo que nos faz mais irmãos, mais iguais, mais humanos. Gentileza não é puxar o saco. Não é dar mais importância ao outro do que a si mesmo. Não confunda. Gentileza é se doar para se sentir completo. É amar para se sentir, simplesmente, capaz de doar seu amor sem esperar coisa em troca. É estender a mão e, quando nos for estendida, é não pedir o braço. É olhar o mundo com bons olhos e incentivar que outros também façam isso.
É levar flores em um momento difícil ou, simplesmente, levar companhia. É servir uma xícara de café de bom grado. Gentileza de verdade não é obrigação, é virtude, é colher de chá. Na gentileza não pode haver cobrança, isso desvirtua seu sentido. Gentileza é dar e não esperar o troco, muito menos devolução. Vai além de ajudar; gentileza é cativar. Faz válida a nossa existência ao produzir frutos que não apodrecem, mas se multiplicam. É falar, mas é também calar. E, muitas vezes, o silêncio é mais gentil que qualquer palavra amiga. Quem é gentil cultiva um jardim dentro de si, não edifica castelos. Castelos são feitos de tijolos, tijolos trazem peso. Flores purificam, embelezam, trazem felicidade. E o jardim permanece ali: gentil. Com uma nova muda a cada gentileza. Depois de um tempo, ele cresce sem que percebamos. Os atos gentis tornam-se involuntários e, nesse momento, estamos floridos da cabeça aos pés.
Seja gentil, o mundo precisa da sua gentileza. Doe-se e verá que, mesmo parecendo contraditório, se sentirá mais completo.
Disponível em: <https://www.contioutra.com/um-texto-sobre-a-gentileza/>
TEXTO 1
A vida é muito curta para ser pequena
Por Mario Sergio Cortella
Cuidado, a vida é muito curta para ser pequena. É preciso engrandecê-la. E, para isso, é preciso tomar cuidado com duas coisas: a primeira é que tem muita gente que cuida demais do urgente e deixa de lado o importante. Cuida da carreira, do dinheiro, do patrimônio, mas deixa o importante de lado. Depois não dá tempo.
A segunda grande questão é gente que se preocupa muito com o fundamental e deixa o essencial de lado. O essencial é tudo aquilo que não pode não ser: amizade, fraternidade, solidariedade, sexualidade, religiosidade, lealdade, integridade, liberdade, felicidade. Isso é essencial. Fundamental é tudo aquilo que te ajuda a chegar ao essencial. Fundamental é a tua ferramenta, como uma escada.
Uma escada é algo que me ajuda a chegar a algum lugar. Ninguém tem uma escada para ficar nela. Dinheiro não é essencial. Dinheiro é fundamental. Sem ele, você tem problema, mas ele, em si, não resolve. Emprego é fundamental, carreira é fundamental. O essencial é o que não pode não ser. Essencial é aquilo que faz com que a vida não se apequene. Que faz com que a gente seja capaz de transbordar. Repartir vida. Repartir o essencial, a amizade, a amorosidade, a fraternidade, a lealdade. Repartir a capacidade de ter esperança e, para isso, ter coragem. Coragem não é a ausência de medo.
Coragem é a capacidade de enfrentar o medo. O medo, assim como a dor, é um mecanismo de proteção que a natureza coloca para nós. Se você e eu não tivermos medo nem dor, ficamos muito vulneráveis. Porque a dor é um alerta e a dor nos prepara. É preciso coragem para que a nossa obra não se apequene. E, para isso, precisamos ter esperança.
E, como dizia o grande Paulo Freire, “tem de ser esperança do verbo esperançar”. Tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. “Ah, eu espero que dê certo, espero que resolva, espero que funcione.” Isso não é esperança. Esperançar é ir atrás, é se juntar, é não desistir. Esperançar é achar, de fato, que a vida é muito curta para ser pequena. E precisamos pensar se estamos nos dedicando ao importante em vez de ao urgente. Tem gente que diz: “Ah, mas eu não tenho tempo”. Atenção: tempo é uma questão de prioridade, de escolha.
Quando eu digo que não tenho tempo para isso, estou dizendo que isso não é importante para mim. Cuidado, você já viu infartado que não tem tempo? Se ele sobreviver, ele arruma um tempo. O médico dizia “você não pode fazer isso, tem de andar todos os dias”. Se ele infartar e sobreviver, no outro dia você vai vê-lo, às 6 horas da manhã, andando. Se ele tinha tempo, que ele teve de arrumar agora, por que não fez isso antes? Você tem tempo? Se não tem, crie. Talvez precisemos rever as nossas prioridades. Será que estamos cuidando do urgente e deixando o importante de lado? Será que não estamos atrás do fundamental, em vez de ir em busca do essencial? E assim, contribuir com meu verso!
Disponível em:<https://www.asomadetodosafetos.com/2016/07/a-vida-e-muito-curta-para-ser-pequena-mario-sergio-cor.html>
