Questões de Concurso Sobre flexão verbal de número (singular, plural) em português

Foram encontradas 1.821 questões

Q4149884 Português
TEXTO I

Trabalho precário

    O trabalho precário e uma realidade do mundo laboral e, contrariamente ao que pode ser imaginado, não está presente apenas em regiões geográficas descritas como economicamente mais vulneráveis, fato que explica a recorrência de estudos oriundos de países como Estados Unidos, Canadá e Espanha, ou ainda de regiões diversas da América Latina, ou Asia.

     O objetivo número oito da agenda 2030 da ONU propõe promover o crescimento econômico de maneira inclusiva e sustentável, aliado ao trabalho decente, que deve ser inclusivo e produtivo. Isso mostra uma preocupação institucionalizada com as condições em que os trabalhadores desempenham as suas atividades. O cenário laboral atual, entretanto, e caracterizado pelo incremento da precariedade, o que revela uma contradição, e mostra a necessidade de estudar as condições atuais de trabalho e os seus diversos atributos.

     Apesar do interesse pelo tema, autores alertam sobre a falta de clareza conceitual do trabalho precário, fato que dificulta o avanço de discussões baseadas em resultados empíricos sistemáticos. Destacam, por exemplo, que a concepção pode ser diferente se analisado no nível individual (pessoas que laboram sob essas condições), daquela tida ao estudar grupos sociais (grupos que vivem em situações econômicas e sociais desvantajosas), ou da adotada nos estudos realizados no nível macro (perfil de precariedade em uma localização geográfica).

     Essas ponderações tornam evidente a necessidade de uma clara definição e descrição do que seja o trabalho precário para alicerçar adequadamente o seu estudo.


Adaptado de: PUENTE-PALACIOS, K.; FRAUSTO, C. I. G. Trabalho precário: dos atributos teoricos à proposta de um instrumento de medida. Ciência & Saúde Coletiva, v. 31, n. 2, p. 1-10,2026.


  
No Texto II, a fala Eu não durmo carrega um forte impacto semântico para a ironia da charge. Do ponto de vista da análise sintática e morfológica, assinale a alternativa que apresenta uma afirmação CORRETA sobre a estrutura dessa oração.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FAU Órgão: Prefeitura de Paula Freitas - PR Provas: FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Advogado | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Psicólogo 40H | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Professor de Tecnologia da Informação | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Professor de Inglês | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Pedagogo Social | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Odontólogo 40H | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Nutricionista | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Médico Veterinário | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Medico PSF | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Professor de Espanhol | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Professor de Educação Física | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Professor de Dança | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Professor de Arte | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Médico Ginecologista/Obstetra | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Médico Pediatra | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Médico Auditor | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Fonoaudiólogo | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Fisioterapeuta | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Fiscal de Obras e Serviços | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Farmacêutico | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Engenheiro Civil | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Motorista | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Mecânico | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Agente Comunitário de Saúde | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Enfermeiro | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Educador Físico | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Auditor Interno | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Auditor Fiscal da Receita Municipal | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Assistente Administrativo | FAU - 2026 - Prefeitura de Paula Freitas - PR - Arquiteto/Urbanista |
Q4149216 Português
Assinale a alternativa em que a concordância verbal está CORRETA:
Alternativas
Q4146652 Português
Para responder à questão, utilizar o texto a seguir:


Miséria


“Esse quarto já sentiu a energia de muita alma jovem com muita vontade de viver e pouco espaço. O sangue e as lágrimas mancharam as paredes, os gritos e risadas ecoaram pelos vértices e as paixões consumiram tudo o que viram pela frente.”


    Esse é um trecho do texto que eu escrevi quando me mudei da minha primeira casa em São Paulo. Era uma kitnet na Corifeu, com uma janela pequena lá no alto. Não ventilava, não dava pra ver a rua. Era tudo branco, novo, nunca tinha sido usado. Era oco e não tinha história. De certa forma, a única história daquela casa era a minha, eu fui mudando junto com aquele espaço.

    Vendo aquela casa vazia na mudança, um filme passou pela minha cabeça, cheio de sentimentos agridoces. Ali eu ficava sozinha com os meus pensamentos, lidando com o mundo novo que era São Paulo. O meu sonho de estudar jornalismo na USP, os treinos da atlética, as aulas de línguas, a agenda cheia, tudo isso era parte da minha rotina. Assim como a solidão, a exclusão, a ansiedade, a dependência emocional, o medo de não fazer amigos e todas as outras dores de crescer e tentar descobrir quem eu era. É, não existe amor em SP.

    Essa música aparece logo no trailer do filme “A Voz do Silêncio”, um drama de 2018 dirigido por André Ristum. O longa gira em torno da vida de sete pessoas que moram em São Paulo, convivendo com as angústias e a solidão diária de morar em uma das maiores cidades do mundo, onde todo mundo está sempre com pressa e a empatia está sempre em falta.

     Uma das histórias que mais me tocou no filme foi a da personagem Maria Cláudia, interpretada por Marieta Severo. O único orgulho que ela tinha era o filho, interpretado pelo ator Arlindo Lopes, que sempre mandava cartões postais dizendo que estava em um lugar diferente do mundo. Na verdade, o filho morava em São Paulo mesmo, e trabalhava como atendente de telemarketing para sobreviver. Morava em um canto qualquer, e nunca nem saía para se divertir. Todo dia era sempre igual. E assim era para os outros personagens: o trabalho doído, com quase nenhuma folga e absolutamente nenhum descanso da dor das próprias angústias, de não fazer nada que dê prazer, de fazer tudo no automático.

    Depois de ver esse filme e sentir todos aqueles sentimentos tão reais junto com os personagens, fiquei pensando que a miséria sobre a qual Victor Hugo escreveu não tinha nada a ver com dinheiro. Miserável. Em português, e até mesmo em francês, língua original da obra “Les Misérables”, essa palavra pode nos fazer lembrar muito mais da miséria física, falta de dinheiro, falta de comida. Mas em inglês, “miserable” se refere muito mais a um estado emocional, quando você se sente péssimo, um lixo. Gosto mais desse sentido.

    O Jean Valjean, personagem dessa célebre obra francesa, foi preso por roubar um pão, e mesmo depois de ganhar dinheiro e tentar fazer o bem, o guarda Javert só pensava em condená-lo por seu passado. Tanta foi a culpa, que Javert cometeu suicídio. Éponine morreu pelo homem que amava e que a via apenas como uma amiga e Gavroche, com apenas 12 anos, morreu lutando uma luta que não devia ser sua. A miséria deles era de dignidade, de liberdade, assim como a miséria da Maria Cláudia e do seu filho, assim como a nossa miséria diária.

     Da minha posição de previlégio, nem imagino como devem ser as misérias de tantas outras pessoas durante a pandemia. Mas eu sinto a minha miséria, quando vejo as mortes na TV, o mau caratismo dos políticos e a dor das pessoas, pensando que não posso fazer nada, ou quase nada. Penso nos dias de quarentena que passei trancada em casa, lidando com a depressão, tentando achar uma saída e um sentido nisso tudo. Sinto que estou perto, apesar de não ter ideia de quando vou chegar lá. 

    Mas de uma coisa eu sei, e peço desculpas se fui muito dura lá no início, porque existe sim amor em SP. Eu descobri isso com os amigos da minha república, fazendo fogueira na garagem de casa no meio do Butantã, tomando banho de chuva ao som de Vanessa da Mata e fazendo cinema no quintal, tudo isso em plena pandemia. Existe amor em SP, mas é uma coisa que nós precisamos buscar e construir, dia após dia. A cidade é só uma cidade. Assim como a minha kitnet era só um lugar qualquer, pintado de branco, e que eu colori com a minha história, que era ruim, mas também era boa.

    Existe poesia nessas esquinas duras, como cantou Caetano, mas é preciso procurá-la ativamente, antes que a mesmice, a rotina e a indiferença nos consumam. Se as paredes da cidade podem pintar nossa cabeça de cinza e fazer um baita estrago, talvez nós também possamos colorir as paredes, de alguma forma.


CAIADO, Marina Faleiro. Miséria. In: MALULY, Luciano Victor Barros et al. (Org.). Crônicas para ler e ouvir: volume 1. São Paulo: ECA-USP, 2021. p. 13-15. (Série Crônicas para ler e ouvir). DOI: 10.11606/9786588640579. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/730. Acesso em: 5 maio 2026. Adaptado.
Ao reescrever o período “Existe amor em SP, mas é uma coisa que nós precisamos buscar e construir, dia após dia”, de modo que o termo “amor” seja substituído pelo substantivo plural “amores genuínos”, assinale a alternativa que apresenta a concordância verbal e nominal adequada conforme a norma-padrão.
Alternativas
Q4145554 Português
Canetas emagrecedoras: sem exercício físico, pacientes recuperam peso

        Em 2044, quase metade (48%) dos brasileiros estará obesa, de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Esse é um problema de saúde pública complexo e multifatorial. Recentemente, um medicamento para diabetes tipo 2 ganhou popularidade pelo seu efeito colateral: o emagrecimento. Tendo como princípio ativo a semaglutida, o Ozempic é uma droga injetável que deve ser aplicada em doses semanais. Apesar de seguro, o tratamento deve ser indicado por médico capacitado, levando em consideração indicações, contraindicações, tolerabilidade e expectativas do paciente.

        O mau uso da semaglutida, além de colocar em risco pessoas que não teriam essa indicação, aumenta o estigma de quem já sofre com diversos preconceitos, reforçando a ideia de que a obesidade seria resultado de pouca disposição ou vontade de mudar sua condição. No entanto, trata‑se de uma doença crônica, complexa, multicausal e de difícil tratamento.

        A doutora em Ciências Biológicas Daisy Motta explica: “Quando reduzimos o peso corporal, perdemos massa muscular também. Quanto mais rápido esse peso é reduzido, maior é também a diminuição de músculos. Então, o exercício é essencial”. Portanto, caso não haja um trabalho integrado com um profissional de Educação Física, para reeducar esse paciente e inseri‑lo em um contexto de exercício, sua situação pode piorar no médio prazo.

        Para Daisy, o treino de força é protagonista nesse processo, sendo necessário durante o emagrecimento para frear a sarcopenia, ou seja, a redução da musculatura do paciente, condição comum em idosos sedentários, mas que vem acometendo também os jovens. Nesse contexto, outro ponto escancara a dificuldade do tratamento da obesidade. Trata‑se de um problema invisível para muitos, mas que jamais passa despercebido pelo profissional de Educação Física atento: o analfabetismo motor.

        Por isso, o profissional de Educação Física é um agente indispensável no tratamento da obesidade. Muitas dessas pessoas precisarão aprender a se exercitar, ativar musculaturas específicas, estimular a mobilidade e conhecer o próprio corpo. Sem passar por essa etapa, ao suspenderem a semaglutida, esses pacientes entrarão em uma estatística nada otimista, na qual voluntários recuperaram dois terços do peso perdido após um ano sem as injeções.

Internet:<www.confef.org.br>  (com adaptações).

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.


No período “Em 2044, quase metade (48%) dos brasileiros estará obesa, de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)”, a forma verbal “estará” poderia ser substituída por estarão, sem prejuízo à correção gramatical do período.

Alternativas
Q4145320 Português
O paradoxo do compliance: diagnóstico claro, tratamento não

        Imagine um médico que identifica perfeitamente a doença, mas questiona a eficácia do próprio tratamento que prescreve. É isso que revela a pesquisa “Corrupção e Integridade no Mercado Brasileiro”, conduzida pela Transparência Internacional em 2025 com 96 profissionais de compliance.

        Os números são preocupantes: 96% dos especialistas concordam que práticas ilegais impactam negativamente o ambiente de negócios brasileiro. Porém, apenas 69% confiam que a due diligence das empresas é adequada para identificar e evitar essas relações perigosas.

        O problema não está na falta de consciência sobre os riscos, e sim na abordagem fragmentada. Conforme apontado pela pesquisa, 47% veem melhora nas práticas de integridade corporativa, mas isso pode refletir mais uma sofisticação dos processos do que uma mudança real na cultura organizacional.

        Quando 59% dos especialistas em compliance não veem nenhuma instituição como verdadeiramente comprometida, estamos diante de uma crise de legitimidade. Aqui reside uma oportunidade transformadora: as empresas podem liderar pelo exemplo. Isso exige coragem para ir além do compliance reativo e abraçar uma governança proativa.

        O caminho passa por três pilares fundamentais: transparência radical nos processos decisórios, accountability real (não apenas formal) e engajamento genuíno com stakeholders. Nesse sentido, estudos recentes indicam que 91% das empresas já utilizam tecnologia em seus programas de compliance, sendo que a inteligência artificial (IA) já é adotada por 42% das organizações dentro de regras de governança. A IA oferece algo que nunca tivemos antes: a capacidade de detectar padrões invisíveis ao olho humano e antecipar riscos em tempo real. 

        A verdadeira revolução acontecerá quando pararmos de ver integridade como custo de conformidade e começarmos a enxergá‑la como fonte de vantagem competitiva sustentável. O paradoxo da integridade corporativa tem solução: parar de tratar ética como obrigação e começar a vê‑la como oportunidade. Quem fizer essa transição primeiro não apenas sobreviverá aos desafios atuais, mas também prosperará no futuro que está sendo construído agora.

Internet:<www.exame.com>  (com adaptações).

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item seguinte.


No fragmento “Porém, apenas 69% confiam que a due diligence das empresas é adequada para identificar e evitar essas relações perigosas.”, a forma verbal “confiam” poderia ser flexionada no singular, visto que o seu respectivo sujeito apresenta numeral percentual sem especificador.

Alternativas
Q4145217 Português
200 milhões de Arnaldos


    No idílico passado, éramos 100 milhões de técnicos de futebol com absoluta certeza de que um jumento categórico comandava a Seleção Brasileira. E muitos outros burros menores se espalhavam no comando de nossos times – todos absolutamente ineptos. Nós, e apenas nós, sabíamos o que devia ser feito naquele gramado onde 22 indivíduos perseguiam uma esfera de couro.


    A esfera deixou de ser couro, e esse tempo passou. Hoje somos 200 milhões e continuamos treinando... mas nossa principal função mudou. Agora somos 200 milhões de árbitros, ou melhor, 200 milhões de VARs... senhores de realidades definitivas em cada mínimo lance. Temos plena convicção de que todos os juízes são horrorosos e nossa interpretação – que casualmente favorece sempre nosso time – é a correta.


    Assim o futebol ilustra e explica nossa rasteira humanidade - nosso neandertal íntimo que disfarçamos com a razão. Penso, logo existo, escreveu Descartes. Apito, logo influo, diria nosso Arnaldo profundo. Afinal somos todos Arnaldos, 200 milhões de Arnaldos Cézares, apitando em todas as direções nas redes sociais e nos grupos de discussão.


    Toda semana é um manancial de exemplos. Nesta tivemos um caso curioso –a lupa da América do Sul observando que, na partida entre Cusco e Flamengo, o árbitro de vídeo anotou impedimento a partir de uma marcação num cotovelo pixelado. Absurdo! Armação! Pensem em quão surreal é esse debate. Um cotovelo pixelado. A imperfeição humana, por graça divina, sobrevive à tecnologia.


    Em breve teremos o automático (já temos o semi nas europas da vida). Mas, na Libertadores e nas competições raiz da Conmebol, esse futuro vai demorar. Instalar equipamentos de último tipo requer estádios com um mínimo de infraestrutura. E a América do Sul convive com sua cota de pulgueiros, poleiros e arenas do século passado.


    Há quem diga que o inevitável casamento entre inteligência artificial e lei do impedimento sepultará grande parte das polêmicas. E uma visão ingênua – que subestima a capacidade humana de procurar (e encontrar) cabelo em ovo. O VAR reduziu muito a quantidade de erros nos jogos. Mas, ironicamente, temos a impressão de que se erra muito mais.


    Vemos mais o jogo. Logo, percebemos sutilezas nunca dantes imaginadas. O cotovelo pixelado poderia ser título de quadro surrealista. No GJV, famoso grupo de jornalistas de idade avançada em que essa coluna é gestada, temos inclusive um facilitador: a fantástica fábrica de GIFs. Tão logo um lance polêmico ocorre... ele já chega empacotado e reduzido para o exame dos árbitros de ocasião. A imagem é dissecada como um cadáver, e os patologistas divergem. Foi pênalti? Não foi! Vermelho? No máximo amarelo!


    Ai de ti, jornalista, que no passado crucificava o comentarista de arbitragem –dizendo que ele era como um juiz do STF e errava por último. Agora até os PCs e Sálvios perderam essa instância derradeira. Nós ganhamos. Agora somos nós que erramos por último. Em cada coletivo ecoa o Supremo Tribunal Arbitral de cada lance. É ali que erramos, erramos rude, erramos com fé. Erramos com a santa convicção de que estamos certos.


Jornal O Globo - 11/04/2026
A concordância verbal é a norma gramatical que estabelece a harmonia entre o verbo e o seu respectivo sujeito. Sabendo disso, e atento à gramática da norma-padrão da língua portuguesa, indique a alternativa em que a concordância verbal se encontra correta.
Alternativas
Q4144603 Português
• Texto para a questão.


INFODEMIA E FAKE NEWS NA SAÚDE: DESAFIOS E IMPACTOS


   A disseminação de informações falsas sobre saúde nas redes sociais representa um grave problema de saúde pública, denominado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de infodemia. No Brasil, esse fenômeno ganhou proporções alarmantes durante a pandemia de COVID-19, quando mentiras sobre vacinas, tratamentos e medidas sanitárias circularam livremente em aplicativos de mensagens e plataformas digitais.

   Uma pesquisa da Avaaz, realizada em 2020, revelou que 73% dos brasileiros acreditavam em ao menos uma notícia falsa sobre o coronavírus. Dados da Fiocruz apontaram que 91% dos profissionais de saúde entrevistados consideraram as fake news um obstáculo no combate ao vírus, e 76,1% atenderam pacientes influenciados por desinformação.

   O Brasil possui atualmente cerca de 480milhões de dispositivos digitais (FGV), emais de 140milhões de pessoas se conectaram à internet entre março e agosto de 2024 (Cetic.br), o que amplia o alcance de conteúdos sem comprovação científica. Apesar dos avanços no acesso digital, apenas 52% dos usuários verificam as informações que recebem, proporção que cai para 31% entre pessoas com Ensino Fundamental.

    A CPI da Covid, instaurada pelo Senado Federal em 2021, concluiu que a desinformação contribuiu para ao menos 400 mil mortes evitáveis. Como resposta, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), o Ministério da Saúde e outras instituições lançaram plataformas digitais de combate à desinformação, como o Cofenplay e o Saúde com Ciência, buscando levar conteúdo científico verificado à população. A escolha por essas plataformas como tecnologia educacional foi estratégica, porque a geração atual está, cada vez mais, imersa em dispositivos digitais. O enfrentamento à infodemia exige educação midiática, regulação das redes sociais e valorização da ciência como instrumento de cidadania e proteção da vida.


LOPES, Iberê. Infodemia: notícias falsas sobre saúde dominam redes sociais, induzem ao erro e desafiam autoridades. Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Brasília, 27 jan. 2025. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/infodemia-noticias-falsas-sobre-saude-dominam-redes-sociais-induzem-ao-erro-edesafiam-autoridades/. Acesso em: 06 maio 2026. Texto Adaptado.
Considere o trecho: “o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), o Ministério da Saúde e outras instituições lançaram plataformas digitais de combate à desinformação”. Se o sujeito fosse modificado para “o Conselho Federal de Enfermagem, juntamente com o Ministério da Saúde”, a concordância verbal correta, segundo a norma culta, seria:
Alternativas
Q4144476 Português
Texto para a questão.


A implementação de políticas pedagógicas voltadas à literacia econômica representa um avanço estrutural na formação de cidadãos capazes de gerir recursos com parcimônia e ética. Esse processo educativo consolida-se por meio do diálogo constante entre a base curricular escolar e as vivências práticas no ambiente doméstico. O desenvolvimento de competências analíticas permite que o indivíduo compreenda a volatilidade dos mercados e proteja seu patrimônio contra as oscilações do consumo desenfreado. Portanto, a consolidação de uma cultura financeira sólida é o pilar fundamental para assegurar a estabilidade social e o bem-estar das futuras gerações no cenário global contemporâneo.
A concordância verbal e nominal é um requisito essencial para a clareza de qualquer texto. Assinale a alternativa que apresenta uma análise correta das flexões empregadas no texto estudado.
Alternativas
Q4144242 Português

Exercícios físicos contribuem

para envelhecimento saudável


Praticar atividades físicas pode ajudar em um envelhecimento mais saudável. É o que defendem especialistas neste dia de consciência e combate ao sedentarismo (10). A prática regular pode evitar doenças e garantir mais mobilidade e autonomia ao longo de toda a vida.  


Segundo a médica e professora de geriatria da pós-graduação da Afya Vitória, Karoline Fiorotti, o sedentarismo está associado ao aumento de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes tipo 2 e colesterol elevado, além de favorecer a sarcopenia, que é a perda progressiva de massa e força muscular e que compromete o equilíbrio, a marcha e a capacidade de reação, elevando o risco de quedas, fraturas e hospitalizações.


“O corpo do idoso responde muito rapidamente à inatividade. Em poucas semanas, já é possível observar perda de massa muscular, piora do equilíbrio e redução da capacidade cardiorrespiratória”, diz.


Raul Oliveira, professor da graduação de fisioterapia da Afya Centro Universitário Itaperuna, complementa que atividades simples do cotidiano, como caminhar, levantar e sentar, subir pequenos degraus, alongar ou até realizar tarefas domésticas, ajudam a preservar a força muscular, a mobilidade das articulações, o equilíbrio e a coordenação, fatores essenciais para a independência nas atividades diárias, como tomar banho, se vestir e locomover.


A atividade física desempenha ainda papel relevante na preservação da memória e do raciocínio ao longo da vida. […]


Agência Brasil Publicado em 10/03/2026 - 13:25 Rio de Janeiro.

Analise o período abaixo:


............................... nos bastidores da gestão hospitalar que não ............................... desabastecimento de insumos básicos na rede pública se a administração central  ............................... o orçamento emergencial e, ao mesmo tempo, os órgãos de controle ...............................  de forma oportuna para mediar os impasses burocráticos junto aos fornecedores.


Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.

Alternativas
Q4142698 Português

Texto 1A16

A ética climática pode ser definida como o ramo de conhecimento que examina os fundamentos morais e os princípios de justiça relacionados às mudanças climáticas e suas consequências, abrangendo questões de equidade intra e intergeracional, justiça ambiental e responsabilidade diferenciada entre nações.

Esse campo de estudo procura resolver dilemas morais complexos, como a distribuição justa dos custos e benefícios das ações climáticas, a proteção de populações vulneráveis contra desastres climáticos e a alocação de responsabilidades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Tendo em vista essa disparidade econômico-regional e a vulnerabilidade por ela gerada, em 2001 as 194 partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) decidiram criar o Fundo para os Países Menos Desenvolvidos (LDCF) — um dos únicos mecanismos dessa natureza dedicado a ajudar os países a se adaptarem às novas realidades climáticas. O LDCF, juntamente com o Fundo Especial para a Mudança do Clima (SCCF), deve servir ao Acordo de Paris. Ambos os fundos são geridos pelo Fundo Global para o Meio Ambiente.

No âmbito da hermenêutica jurídica, a ética climática pode ser instrumental na interpretação e na aplicação do direito para a resolução de casos concretos que chegam ao Poder Judiciário. Ao interpretar normas ambientais ou decidir sobre litígios que envolvem questões climáticas, os intérpretes podem, ainda, fazer a vinculação conceitual com o princípio da precaução, que sugere a adoção de medidas preventivas diante de riscos de danos graves ou irreversíveis, mesmo na ausência de certeza científica plena.

Esse princípio está alinhado com a ideia de justiça intergeracional, que busca garantir que as gerações futuras tenham acesso a um ambiente seguro e saudável. Além disso, a consideração da justiça ambiental pode levar à adoção de decisões que priorizem a proteção das populações mais vulneráveis, frequentemente as mais afetadas por eventos climáticos extremos, como secas, inundações e ondas de calor.

A hermenêutica jurídica também pode incorporar a noção de responsabilidades comuns, mas diferenciadas, reconhecendo que os países desenvolvidos, por terem historicamente contribuído mais para a emissão de gases de efeito estufa, têm uma responsabilidade maior em mitigar os efeitos das mudanças climáticas e ajudar financeiramente os países em desenvolvimento a lidar com esses desafios.

Esse também foi o expresso pensamento de Al Gore quando declarou, em 2006, que as mudanças climáticas ― não são tanto um problema político quanto o é uma questão ética‖, destacando a necessidade de que os países mais desenvolvidos economicamente assumam responsabilidade por essas demandas. Estudos apontam também que é um problema de difícil mensuração, solução e articulação, uma vez que envolve nações independentes e controvérsias de natureza científica, econômica, legal e de relações internacionais.

Não obstante o conceito de ética no âmbito das relações internacionais, é possível interpretar também a ética da vulnerabilidade de pessoas e comunidades que sejam mais suscetíveis aos efeitos climáticos. Há iniciativas, inclusive, que buscam apurar tais vulnerabilidades com base em critérios objetivos, como o índice de vulnerabilidade climática, que algumas cidades e municípios brasileiros têm adotado.

Revista CNJ, v. 8, n.º 1, jul. – dez./2024. Internet: <http://www.cnj.jus.br/> (com adaptações).

Em "Há iniciativas, inclusive, que buscam apurar tais vulnerabilidades" (último parágrafo do texto 1A16), a forma verbal "Há" poderia ser substituída, sem prejuízo da correção gramatical, por
Alternativas
Ano: 2026 Banca: CIAAR Órgão: CIAAR
Q4139937 Português
Associe as colunas abaixo, preenchendo as lacunas das orações com a forma verbal correspondente da primeira coluna. Em seguida, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dessa associação.

Formas Verbais

(1) detém
(2) mantêm
(3) intervém
(4) mantém

Orações

( ) Piloto ________ na manobra do volante.
( ) Eles tentam fugir, mas não conseguem: uma estranha força os ________ imóveis.
( ) A FAB ________ a maior esquadrilha do Brasil.
( ) A sintaxe de regência ocupa-se das relações de dependência que as palavras ________ na frase. 
Alternativas
Q4137996 Português

Para responder à questão, leia a charge abaixo.


texto_1.png (417×332)

Observe a construção sintática presente no primeiro balão de fala da charge. Considerando as regras de concordância verbal e o emprego do acento gráfico, assinale a alternativa com a justificativa gramatical CORRETA para a formulação da palavra TÊM.
Alternativas
Q4135461 Português

Conheça alguns benefícios de uma boa noite de sono


Por Vanessa Regina Berenhauser








 (Disponível em: www.tjsc.jus.br/web/servidor/dicas-de-saude/- /asset_publisher/0rjJEBzj2Oes/content/conheca-alguns-beneficios-de-uma-boa-noite-de-sono – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o trecho a seguir, retirado do texto, assinale a alternativa que indica a correta conjugação de “precisam” caso substituíssemos “Os adultos” por “Um adulto”, mantendo-se o mesmo tempo verbal.

“Os adultos precisam dormir em média oito horas por noite”. 
Alternativas
Q4135409 Português
A lição desperdiçada na crise em Ormuz

        Na história das civilizações, quando um sistema entra em colapso, a dor imediata frequentemente atua como o mais poderoso catalisador para a inovação. É exatamente sob essa lente histórica que o atual estrangulamento do Estreito de Ormuz, causado ora pelo Irã, ora pelos EUA, deve ser interpretado. A situação é a prova incontestável da dependência da humanidade em petróleo e escancara a urgência da transição energética.

        A asfixia imediata da economia global, causada pelo bloqueio militar da rota por onde passa um quarto do óleo consumido no planeta, deveria servir como o ultimato perfeito para forçar a transição definitiva rumo às matrizes limpas. Em vez de tratar o caos no Golfo Pérsico apenas como uma emergência bélica a ser contornada, a humanidade tem diante de si a oportunidade histórica para decretar, de uma vez por todas, o fim da era dos combustíveis fósseis.

        Em um mundo governado pela racionalidade e pelo instinto de sobrevivência, o bloqueio de Ormuz soaria como o alarme definitivo. Seria o momento em que governos e mercados decidiriam direcionar a fortuna gasta para proteger e subsidiar rotas petroleiras rumo à transição energética sustentável e definitiva.

        Ocorre que a governança global tem se mostrado míope para os perigos da crise climática e apegada a soluções de curto prazo. Longe de enxergar o gargalo no Golfo Pérsico como um ultimato para a descarbonização, a reação instintiva das superpotências ilustra o tamanho do problema.

        A prioridade absoluta nos países ocidentais e nas suas periferias — incluindo o Brasil — não é libertar a economia da dependência do petróleo, mas garantir que as bombas de combustível continuem cheias a qualquer custo. Em vez de injetar capital massivo na infraestrutura de matrizes limpas com senso de urgência, a energia política do mundo se esvai em manobras navais e manobras artificiais para conter a fúria inflacionária do eleitorado.

        O fechamento de Ormuz funciona hoje como um rascunho sombrio do futuro. A escassez de energia fóssil que a guerra impõe agora pela força bélica será provocada, logo mais, pelo próprio esgotamento climático e ambiental do planeta. A crise que virá pela escassez do petróleo deveria ser o empurrão que nos faltava para pular do barco antes que ele afunde por completo.

        Contudo, tudo indica que a humanidade deixará mais essa janela histórica se fechar. Quando a tensão militar eventualmente ceder, os acordos provisórios forem assinados e os superpetroleiros voltarem a cruzar o estreito, as bolsas de valores e as lideranças globais celebrarão com alívio o fim da crise. Mas, na prática, estaremos apenas comemorando o direito de voltar à exata mesma armadilha fóssil da qual, por um breve e doloroso momento, a humanidade teve a chance de escapar para criar um futuro mais sustentável e limpo — e que parece cada vez mais distante e impossível, para a tragédia das futuras gerações.

(Editorial. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 15.04.2026. Adaptado)
Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de concordância verbal.
Alternativas
Q4135348 Português
Ar poluído até no interior

        Uma pesquisa do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) revelou que o ar do interior paulista pode ser pior que o da capital. Isso porque, segundo o estudo conduzido pela química Aleinnys Yera, pesticidas associados ao risco de câncer foram detectados na zona agrícola de Piracicaba em concentração superior à registrada na cidade de São Paulo e no polo petroquímico de Capuava, entre Mauá e Santo André. E chama a atenção o fato de as substâncias prejudiciais à saúde terem sido encontradas tanto na zona rural como nas áreas urbana e industrial.

        O trabalho identificou em Piracicaba um nível mais alto de atrazina, um composto usado para controle de pragas nas culturas de cana-de-açúcar. Na área urbana da capital e na industrial de Capuava, o estudo mapeou o malationa e a permetrina, que são usados no combate a mosquitos transmissores de doenças, como a dengue. E nos três pontos de medição houve registro de alta exposição diária ao heptacloro, que, embora seja proibido há anos no Brasil, ainda está presente no ar.

        Um dos principais achados da pesquisa é o potencial impacto dos pesticidas para além da região onde são usados. O estudo afirma que, considerando o peso da atividade agrícola e o uso intensivo de agrotóxicos no País, é “provável” que haja a presença generalizada de pesticidas no ar. O cultivo da cana-de-açúcar, por exemplo, é o que mais recebe pulverização aérea no Estado, que, aliás, é o maior produtor de cana do Brasil. Trata-se, portanto, de uma evidência de que, transportados pelo ar, esses produtos alcançam áreas muito afastadas de onde foram aplicados.

        Para minimizar tudo isso, o governo paulista disse que capacita produtores rurais para que façam o manejo racional dos defensivos agrícolas e afirmou que fiscaliza o uso dos pesticidas e pune os infratores. Parece insuficiente. Do contrário, os resultados da pesquisa do IQ-USP não seriam tão ruins.

        O Estado de São Paulo é uma potência agrícola, o interior paulista é pujante e o agronegócio impulsiona a economia, mas nada pode colocar em risco a saúde da população. São necessárias práticas ainda mais sustentáveis.


(https://www.estadao.com.br/opiniao, 06.04.2026. Adaptado)
Na área urbana da capital e na industrial de Capuava, o malationa e a permetrina _______________ pelo estudo. E nos três pontos de medição, _________________ índices de alta exposição diária ao heptacloro, o qual, já ________________ anos, é proibido no Brasil.

De acordo com a norma-padrão, as lacunas da frase devem ser preenchidas, respectivamente, com: 
Alternativas
Q4134621 Português
Desigualdade social é o principal obstáculo à qualidade da educação no país.

A educação básica brasileira registrou avanços significativos nas últimas décadas, mas continua marcada por desigualdades profundas e por um descompasso entre o modelo de ensino e as transformações tecnológicas e sociais contemporâneas.

 A avaliação é do pesquisador Ivan Siqueira, professor titular de Interdisciplinaridade da UFBA (Universidade Federal da Bahia), durante a 2ª Conferência FAPESP 2026 − "Educação Básica no Brasil: Desafios e Oportunidades".

Segundo o conferencista, o país ampliou o acesso à escola desde a Constituição de 1988, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir qualidade compatível com os investimentos realizados. "Há muita evidência de que avançamos. Mas, quando consideramos os níveis de desigualdade, entendemos que ainda precisamos fazer muito, muito, muito mais", ressaltou.

Um dos pontos centrais da apresentação foi a distinção entre princípios e critérios na definição das políticas públicas. Para Siqueira, a legislação brasileira possui diretrizes acertadas, mas carece de mecanismos objetivos de implementação. O pesquisador analisou especificamente o artigo 205 da Constituição da República Federativa do Brasil, que estabelece: "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".

"O maior problema do artigo 205 é ser ele uma declaração de princípio e não o estabelecimento de um critério. E o princípio não é binário: você pode dizer que está indo em determinada direção, mesmo sem nunca chegar lá", explicou. "Precisamos transformar princípios em critérios, porque critérios são objetivos e permitem cobrança."

Essa lacuna, segundo ele, afeta diretamente a governança educacional, especialmente em municípios com baixa capacidade administrativa. "Grande parte da educação básica está nas mãos das prefeituras, que têm menos recursos e menos estrutura, justamente na fase mais importante do desenvolvimento humano", disse.

O professor criticou também a formação de professores no país. Segundo ele, o sistema permite que docentes sejam formados sem experiência prática em escolas. "O Brasil autoriza a formação de pessoas que nunca pisaram em uma sala de aula. Isso não acontece em áreas como medicina", ponderou. Outro problema apontado foi a fragmentação curricular. "É ilusório imaginar que um aluno consiga aprender 13 disciplinas diferentes com menos de quatro horas de aula por dia", sublinhou. Para ele, o modelo pressupõe uma escola em tempo integral, que ainda não é realidade na maior parte do país.

Siqueira destacou que as tecnologias digitais introduziram uma mudança estrutural no processo de aprendizagem, afetando atenção, linguagem e formas de interação. "O modelo tradicional de aula expositiva está morto. Ele não serve mais para os estudantes que temos hoje", resumiu. Conforme o pesquisador, os estudantes têm dificuldade crescente de concentração e organização do pensamento: "Hoje é muito difícil manter um aluno focado por dez minutos. Para escrever, ele precisa pensar — e não está exercitando isso".

Ele relatou ainda o aumento de fenômenos como desinformação, dependência de redes sociais e problemas de saúde mental. "Na UFBA, 70% dos estudantes de medicina relatam problemas de saúde mental. Na psicologia, o percentual é ainda maior: 80%. Tanto que os professores, meus colegas, dizem que o pessoal vem para a psicologia para se tratar", contou.

A IA (inteligência artificial) foi apresentada como um dos principais vetores de transformação da educação e do mercado de trabalho. Siqueira citou demissões recentes no setor financeiro para ilustrar o impacto da adoção das novas tecnologias digitais. "Nos últimos quatro meses, os quatro maiores bancos norte-americanos demitiram 15 mil funcionários, enquanto obtinham mais de US$ 1 bilhão de lucro. Uma pessoa com IA faz o trabalho de dez. E isso muda completamente o mercado", enfatizou.

Ao mesmo tempo, ele destacou aplicações positivas no sistema educacional. "Modelos baseados na BNCC [Base Nacional Comum Curricular] conseguem gerar planos de aula adaptados para diferentes perfis de estudantes, reduzindo enormemente o trabalho do professor", disse. A BNCC é o documento normativo que define o que todos os estudantes brasileiros têm o direito de aprender ao longo da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio).

Além disso, a incorporação das novas tecnologias digitais favorece o acesso a conteúdos de qualidade, a formação de comunidades de aprendizagem e a possibilidade de integrar o currículo às realidades locais, como em comunidades indígenas e quilombolas, ampliando o potencial de uma educação mais contextualizada, colaborativa e alinhada às demandas contemporâneas.

Mas há vários gargalos a serem ultrapassados. Entre eles, o modelo de avaliação. Siqueira argumentou que exames como o do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) estão defasados e não capturam competências essenciais. E defendeu a incorporação de habilidades como pensamento crítico, metacognição e resolução de problemas complexos. "O estudante precisa saber mobilizar conhecimentos em situações reais. Não basta repetir conteúdo", disse.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/desigualdade-social-e-o-princip al-obstaculo-a-qualidade-da-educacao-no-pais/
"Na UFBA, 70% dos estudantes de medicina relatam problemas de saúde mental."
Analise as seguintes asserções e a relação proposta entre elas, tendo por referência a concordância verbal.
I.No trecho, o verbo 'relatar' está flexionado corretamente no plural.
Porque:
II.Nas expressões de porcentagem, a concordância verbal pode ocorrer, indiferentemente, tanto no singular quanto no plural.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4133761 Português
Ibama registra primeiros filhotes de Arara-vermelha-grande após extinção.


Quase 200 anos após a extinção da Arara-vermelha-grande na na Mata Atlântica, foi registrado o nascimento dos primeiros filhotes neste mês de abril.

O nascimento das novas araras foi a primeira reintrodução documentada delas no bioma.

Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), o monitoramento das araras identificou um casal passando longos períodos em ninhos projetados pelos pesquisadores do Projeto de Reintrodução da Arara-vermelha-grande na Mata Atlântica. A equipe optou por acompanhar os dois à distância para não interferir no processo.

Tempos depois, o nascimento de dois filhotes foi confirmado. Eles já foram observados voando e se alimentando.

O Ibama registrou algumas imagens durante o processo de observação e até mesmo um dos filhotes.

Como não existem populações selvagens dessas aves na Mata Atlântica, eles são criados em cativeiro, vindos de adoções ou apreensões realizadas em combate ao tráfico de animais.

Atualmente, os seres selvagens da espécie estão concentrados no interior do país, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Norte, por mais que os criados em cativeiro estejam localizados no litoral brasileiro.

O Ibama aponta que, para além da reintrodução das Araras-vermelhas-grandes, a experiência também mostra que aves inicialmente mantidas em cativeiro podem retornar à natureza.

A instituição tem registros anteriores da reprodução de papagaios-do-mangue e periquitos-rei na natureza, mesmo sendo oriundos de cativeiro.



https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/ibama-registra-primeiros-filhotes-d e-arara-vermelha-grande-apos-extincao/
"Como não existem populações selvagens dessas aves na Mata Atlântica, eles são criados em cativeiro, vindos de adoções ou apreensões realizadas em combate ao tráfico de animais." Considerando a concordância verbal e nominal, marque com V as afirmativas verdadeiras ou com F as falsas.

(__)O verbo 'existir' pode ser substituído pelo verbo 'haver' desde que a construção resultante mantenha o verbo flexionado no singular, uma vez que ambos os verbos compartilham o caráter impessoal quando empregados no sentido de 'existência'.

(__)O particípio 'criados' concorda em gênero e número com o pronome 'eles', sujeito da oração, seguindo a regra geral de concordância nominal do particípio em construções passivas, em que o particípio funciona como predicativo do sujeito.

(__)O adjetivo 'selvagens' concorda em gênero e número com o núcleo do sintagma nominal 'populações', no plural, seguindo a regra geral de concordância nominal, em que o adjetivo flexiona de acordo com o substantivo a que se refere.

(__)O verbo 'existir', verbo pessoal, concorda com o núcleo do sujeito 'populações' no plural, sendo incorreta a flexão no singular, uma vez que, diferentemente do verbo 'haver', não possui caráter impessoal e invariável.


Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo. 
Alternativas
Q4132826 Português

Atentando para as regras da gramática normativa da língua portuguesa, quanto a concordância verbal, analise as frases abaixo.



I. Já fazem duas horas que chamei você.


II. Havia muitos livros na estante.


III. Elas foram obrigadas a passarem frio no acampamento.



Após análise, conclui-se que está(ão) correta(s): 

Alternativas
Q4132722 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O que é a leitura profunda e por que ela faz bem para o cérebro.


Não há nada menos natural do que ler" para os seres humanos. É o que aponta a pesquisa da neurocientista Maryanne Wolf — e isso não é, de forma alguma, algo ruim.

"A alfabetização é uma das maiores invenções da espécie humana", diz a especialista americana. Além de útil, é tão poderosa que transforma nossas mentes. "Ler literalmente muda o cérebro."

Mas o avanço da tecnologia e a proliferação das mídias digitais têm modificado profundamente a forma como lemos.

Apesar de estarmos lendo mais palavras do que nunca — uma média estimada de cerca de 100 mil por dia —, a maioria vem em pequenas pílulas nas telas de celulares e computadores, e muita coisa é lida "por alto".

Essas mudanças de hábito têm preocupado cientistas porque, entre outros motivos, a transformação de novas informações em conhecimento consolidado nos circuitos cerebrais requer múltiplas conexões com habilidades de raciocínio abstrato que muitas vezes faltam na leitura digital.

Ao contrário da linguagem oral, da visão ou da cognição, não existe uma programação genética nos humanos para aprender a ler.

Se uma criança, em qualquer parte do mundo, estiver em um ambiente em que as pessoas a seu redor conversam umas com as outras, sua linguagem será naturalmente ativada.

O mesmo não acontece com a leitura, que implica a aquisição de um código simbólico completo, visual e verbal.

É uma invenção relativamente recente — "é uma piscadela em nosso relógio evolutivo: mal tem 6 mil anos", diz Wolf.

"Começou de forma simples, para marcar quantas taças de vinho ou ovelhas tínhamos. E, com o nascimento dos sistemas alfabéticos, passamos a ter um meio eficiente de armazenar e compartilhar conhecimento", ressalta a neurocientista.

"Ler é um conjunto adquirido de habilidades que literalmente muda o cérebro. Permite fazer novas conexões entre regiões visuais, regiões da linguagem, regiões de pensamento e emoção", completa.

Essa transformação começa com cada novo leitor.

"A habilidade de ler não existe dentro de nossa cabeça. Cada pessoa que aprende a ler tem que criar um novo circuito em seu cérebro."

E isso abre portas para um novo mundo.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgk00njgeevo
Considerando as regras de concordância de acordo com a norma-padrão, analise as afirmativas a seguir:

I.No trecho 'estamos lendo mais palavras do que nunca', o verbo 'estar' apresenta sujeito implícito, indicando que o enunciador se inclui entre os leitores, o que determina a flexão verbal na primeira pessoa do plural como única forma de concordância possível nesse contexto.
II.Em 'a maioria vem em pequenas pílulas', o verbo 'vir' concorda adequadamente com o núcleo do sujeito 'maioria', devendo obrigatoriamente permanecer no singular.
III.No trecho 'as pessoas a seu redor conversam umas com as outras', o verbo 'conversar' concorda com o núcleo do sujeito 'pessoas', no plural, seguindo a regra geral de concordância verbal, em que o verbo flexiona em número e pessoa de acordo com o sujeito.
IV.Em 'não existe uma programação genética nos humanos para aprender a ler', o verbo 'existir' está no singular, pois pertence a uma oração sem sujeito, devendo permanecer na terceira pessoa do singular.

Assinale a alternativa que apresenta as proposições corretas.
Alternativas
Q4132324 Português
Texto para a questão.

A correção gramatical e as relações de coesão e coerência textuais seriam mantidas caso houvesse a substituição de  
Alternativas
Respostas
121: C
122: E
123: C
124: E
125: E
126: A
127: B
128: C
129: A
130: B
131: D
132: D
133: A
134: E
135: B
136: A
137: B
138: B
139: C
140: B