🎯 Saiba o que estudar

Avançado com Treinador a partir de R$ 0,76/dia

Questões de Concurso Sobre figuras de linguagem em português

Foram encontradas 4.084 questões

Q4078789 Português
O pandemônio que vem por aí


Sérgio Rodrigues*

Pode ser um daqueles truques que a memória nos prega, mas me lembro que, na bolha da minha infância mineira, a palavra "pandemônio" tinha ampla circulação.

Não é que o mundo que eu habitava fosse especialmente confuso ou cacofônico. Comparado ao de hoje, tinha uma simplicidade de três acordes da “Jovem Guarda” ‒ que, aliás, lhe providenciava a maior parte da trilha sonora.

O que acontecia era que, nas asas eternas da hipérbole, do exagero, do drama, o pandemônio era invocado para qualificar desordens mínimas. Por exemplo, a de um quarto de criança com dois gibis do Pato Donald, três carrinhos Matchbox e um pé de Kichute largados no chão.

Só muitos anos depois aprendi que o pandemônio, termo tão corriqueiro, tinha uma origem não apenas literária, mas enraizada na alta cultura. Era um termo erudito, eruditíssimo, que havia caído na vida. Como?

Não é tão simples desvendar esse como porque rola no mundo dos vocábulos uma clara tendência ao pandemônio. O que podemos fazer no caso é reconstituir com relativa segurança a fonte primária da palavra – e isso não é pouco.

Os etimologistas, que não gostam muito de concordar uns com os outros, concordam que se trata de um neologismo culto, um termo inventado pelo poeta inglês John Milton (1608-1674) em sua obra-prima "Paraíso Perdido". Esse longo poema épico de inspiração religiosa, lançado em 1667, tem entre seus personagens Adão, Eva, Deus e Satã. Pandemonium vem a ser o local de trabalho deste último: o palácio,  o quartel-general onde labutam o “Rabudo” e seus demônios subordinados.

O nome traduzia justamente esse coletivo. Milton o criou juntando dois elementos gregos: "pan" (todos) e "daimónion" (demônios), este após tabelinha com o latim "daemonium". Ou seja, o Pandemonium era o local onde se reunia a diabada toda.

Sobre a bem-sucedida carreira do pandemônio na linguagem comum há pistas esparsas. O dicionário etimológico de Douglas Harper registra, para o inglês, o surgimento do sentido expandido ‒ e já atenuado, pois não diabólico ‒ de "lugar de balbúrdia e desordem" cerca de um século após a publicação de "Paraíso Perdido".

Daí até o pandemônio chegar ao meu quarto infantil bagunçado foi preciso fazer uma escala em 1877, ano do primeiro registro do vocábulo em português, no dicionário Morais.

Hoje o Houaiss tem como uma das acepções da palavra uma fórmula domesticada e próxima do sentido em que a conheci: "mistura caótica de pessoas ou coisas; confusão".

Desconfio que o pandemônio já não ocupe posição tão privilegiada na linguagem familiar brasileira. Desde aquele tempo a sensação de desordem cresceu, e com ela o número de palavras encarregadas de traduzi-la. Da chula zona ao científico caos, do cômico furdunço ao popular angu de caroço, não faltam rivais para dividir as preferências do público e desafiar a autoridade vocabular do pandemônio.

Um dos sentidos de pandemônio no Houaiss ‒ "associação de pessoas para praticar o mal ou promover desordens e balbúrdias" ‒ sugere que pode estar na hora de tirá-lo da gaveta.

* Escritor e jornalista.

Folha de São Paulo, 11 de maio de 2022. Adaptado.
Em várias passagens do texto, para esclarecer o significado do termo “pandemônio”, o autor utiliza os seguintes recursos linguístico-estilísticos:

I – jogos de palavras. II – função metalinguística. III – dados histórico-literários. IV – fenômeno da homonímia.

São recursos usados pelo autor apenas os citados em
Alternativas
Q4078335 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.


Piscar (;) e chorar (;‒;)


Mário Sérgio Conti*


O ponto e vírgula corre risco de extinção: o simpático sinal de pontuação não foi usado nos últimos três dias na Folha. Até os colchetes, mais afeitos à linguagem matemática, apareceram; ponto e vírgula que é bom, nenhunzinho. Em contrapartida, abundam os pontos de exclamação, enterrados no jornal pelo bate-estaca de colunistas fanfarrões. Adicione-se ao estrondo exclamativo o ponto final por extenso.

Escasseiam também as reticências, irônicas ou não; o travessão, que abre uma fala ou completa o escrito; até os parênteses, que encapsulam outro sentido, como faz Drummond em "(não cantarei o mar: que ele se vingue de meu silêncio nesta concha)".

A pontuação é uma forma histórica. Os livros de Aristóteles, Platão e da Bíblia não tinham pontuação; nem minúsculas; nem espaço entre as palavras! Deus não escrevia certo por linhas tortas; escrevia embolado. O evangelho de João começava assim:

NOPRINCÍPIOERAOVERBOEOVERBOESTAVAEMDEUSEOVERBOERADEUS.

Foi com tijolos textuais como esse que se construiu o saber ocidental. Porque, como disse Aristóteles, OHOMEMÉUMANIMALPOLÍTICO. Gregários, os homens adotam convenções para se comunicar e mudar; mudar inclusive as convenções.

Foi o que fez Aldus Manutius, o editor veneziano que, em fevereiro de 1494, inventou o ponto e vírgula.
Quem conta sua história é a professora Cecelia Watson, num livro delicioso, "Semicolon: Past, Present, and Future of a Misunderstood Mark". Renascentista, Manutius queria popularizar o conhecimento. Não havia padronização nem academias que policiassem o idioma. Era uma algazarra. Cada um pontuava como lhe desse na telha.

Ao publicar "O Etna", ensaio em forma de diálogo sobre o vulcão ‒ de autoria do cardeal Pietro Bembo, Manutius teve a divina ideia de captar a elocução do distinto prelado. Criou o símbolo gráfico que marca pausa maior que a da vírgula e menor que a do ponto. Com a obra pronta, vieram as regras: o ponto e vírgula separa orações numa mesma frase; organiza listas; economiza conectivos (e) ou adversativas (mas). Permaneceu perene, porém, o preceito básico ‒ registrar um silêncio específico, advindo da linguagem oral.

A engenhoca de Manutius ganhou o mundo. "MobyDick" tem 4.000 pontos e vírgulas, informa Cecelia Watson, "um a cada 52 palavras". Machado de Assis, mais comedido e certeiro, mereceria o título de mestre do ponto e vírgula na periferia do capitalismo. Henry James não escrevia sem ter ao lado da escrivaninha um barril de pontos e vírgulas. Chegou à inverter a ordem de importância entre pontuação e palavras. Numa rara entrevista, ao Times, insistiu para que o repórter anotasse sua "pontuação, bem como as palavras".

A coisa mudou no século passado. Orwell, Barthelme, Chandler e tantos outros desprezaram o miniponto de Manutius. Vonnegut teve o topete de dizer que pontos e vírgulas são "hermafroditas que não representam absolutamente nada".

É meio assim no Brasil. Nos seis contos exímios que Dalton Trevisan publicou e distribuiu no início do ano, num livreto de 32 páginas, não há um único ponto e vírgula. Dalton deixa que seus personagens e leitores deem uma paradinha onde bem entenderem. Em contrapartida, o ponto e vírgula virou emoji, um derivado dos signos de pontuação. Dois pontos e vírgulas, com um travessão no meio, mostram uma carinha derramando uma lágrima de cada olho ;–;. Sozinho, representa uma piscada ;.

No ensaio "Sinais de Pontuação", Adorno prefigurou esse uso figurativo. O ponto de exclamação é um dedo em riste ameaçador, disse. Os dois pontos abrem a boca, "e coitado do escritor que não souber saciá-los". "Marotas e satisfeitas", as aspas "lambem os lábios".

Para Adorno, o ponto e vírgula parece "um bigode caído" e passa "um sabor rústico". Como quase ninguém mais tem bigode, o ponto e vírgula, com tantos serviços prestados, está à beira do desuso.


* Jornalista e escritor.

Folha de São Paulo, 27 de maio de 2022. Adaptado.
Informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma acerca dos aspectos estilísticos e semânticos do texto.

( ) Na passagem “Foi com tijolos textuais como esse que se construiu o saber ocidental.”, a palavra “tijolos” está empregada no sentido próprio.
( ) No trecho “Até os colchetes, mais afeitos à linguagem matemática, apareceram.”, o vocábulo sublinhado apresenta novos significados se usado em outros contextos.
( ) No período “Para Adorno, o ponto e vírgula parece ‘um bigode caído’ e passa ‘um sabor rústico.’”, identifica-se um pleonasmo e uma antítese, respectivamente.
( ) Em “Gregários, os homens adotam convenções para se comunicar e mudar...”, o termo em destaque, sem prejuízo para o sentido, pode ser substituído por “visionários”.

De acordo com as afirmações, a sequência correta é
Alternativas
Q4078101 Português
Marcha noturna


   Então Deus puniu a minha loucura e soberba; e quando desci ruelas escuras e desabei do castelo sobre aldeia, meus sapatos faziam nas pedras irregulares um ruído alto. Sentia- -me um cavalo cego. Perto era tudo escuro; mas adivinhei o começo da praça pelo perfil indeciso dos telhados negros no céu noturno.

   De repente a ladeira como que encorcovou sob meus pés, não era mais eu o cavalo, eu montava de pé um cavalo de pedras, ele galopava rápido para baixo.

   Por milagre não caí, rolei vertical até desembocar no largo vazio; mas então divisei uma pequena luz além. O homem da hospedaria me olhou com o mesmo olhar de espanto e censura com que os outros me receberiam – como se eu fosse um paraquedista civil lançado no bojo da noite para inquietar o sono daquela aldeia.

   – Só tenho seis quartos e estão todos cheios; eu e outro homem vamos dormir na sala; aqui o senhor não pode ficar de maneira alguma.

   Disse-me que, dobrando à esquerda, além do cemitério, havia uma casa cercada de árvores; não era pensão mas às vezes colhiam alguém. Fui lá, bati palmas tímidas, gritei, passei o portão, dei murros na porta, achei uma aldraba de ferro, bati-a com força, ninguém lá dentro tugiu nem mugiu. Apenas o vento entre árvores gordas fez um sussurro grosso, como se alguns velhos defuntos aldeões, atrás do muro do cemitério, estivessem resmungando contra mim.

   Havia outra esperança, e marchei entre casas fechadas; mas, ao cabo da marcha, o que me recebeu foi a cara sonolenta de um homem que me desanimou com monossílabos secos. Lugar nenhum; e só a muito custo, e já inquieto porque eu não arredava da porta que ele queria fechar, me indicou outro pouso. Fui – e esse nem me abriu a porta, apenas uma voz do buraco escuro de uma alta janela me mandou embora.

   “Não há nesta aldeia de cristãos um homem honesto que me dê pouso por uma noite? Não há sequer uma mulher desonesta?” Assim bradei, em vão. Então, como longe passasse um zumbido de aeroplano, me pus a considerar que o aviador assassino que no fundo das madrugadas arrasa com uma bomba uma aldeia adormecida – faz, às vezes, uma coisa simpática. Mas reina a paz em todas estas varsóvias escuras; amanhã pela manhã toda essa gente abrirá suas casas e sairá para a rua com um ar cínico e distraído, como se fossem pessoas de bem.

   Não há um carro, um cavalo nem canoa que me leve a parte alguma. Ando pelo campo; mas a noite se coroou de estrelas. Então, como a noite é bela, e como de dentro de uma casinha longe vem um choro de criança, eu perdoo o povo de França. Marcho entre macieiras silvestres; depois sinto que se movem volumes brancos e escuros, são bois e vacas; ando com prazer nessa planura que parece se erguer lentamente, arfando suave, para o céu de estrelas. Passa na estrada um homem de bicicleta. Para um pouco longe de mim, meio assustado, e pergunta se preciso de alguma coisa. Digo-lhe que não achei onde dormir, estou marchando para outra aldeia. Não lhe peço nada, já não me importa dormir, posso andar por essa estrada até o sol me bater na cara.

   Ele monta na bicicleta, mas depois de alguns metros volta. Atrás daquele bosque que me aponta passa a estrada de ferro, e ele trabalha na estaçãozinha humilde: dentro de duas horas tenho um trem.

  Lá me recebe pouco depois, como um grã-senhor: no fundo do barracão das bagagens já me arrumou uma cama de ferro; não tem café, mas traz um copo de vinho.

   Já não quero mais dormir; na sala iluminada, onde o aparelho do telégrafo faz às vezes um ruído de inseto de metal, vejo trabalhar esse pequeno funcionário calvo e triste – e bebo em silêncio à saúde de um homem que não teme nem despreza outro homem.


(Rubem Braga – 200 Crônicas Escolhidas. 31ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010. Adaptado.)
Figuras de linguagem, formas de expressão que destoam da linguagem comum ou denotativa, dão ao texto um significado que vai além do sentido literal, permitindo uma plurissignificação do enunciado. O trecho “Apenas o vento entre árvores gordas fez um sussurro grosso, como se alguns velhos defuntos aldeões, atrás do muro do cemitério, estivessem resmungando contra mim.” (5º§) evidencia a seguinte figura de linguagem:
Alternativas
Q4078093 Português
Marcha noturna


   Então Deus puniu a minha loucura e soberba; e quando desci ruelas escuras e desabei do castelo sobre aldeia, meus sapatos faziam nas pedras irregulares um ruído alto. Sentia- -me um cavalo cego. Perto era tudo escuro; mas adivinhei o começo da praça pelo perfil indeciso dos telhados negros no céu noturno.

   De repente a ladeira como que encorcovou sob meus pés, não era mais eu o cavalo, eu montava de pé um cavalo de pedras, ele galopava rápido para baixo.

   Por milagre não caí, rolei vertical até desembocar no largo vazio; mas então divisei uma pequena luz além. O homem da hospedaria me olhou com o mesmo olhar de espanto e censura com que os outros me receberiam – como se eu fosse um paraquedista civil lançado no bojo da noite para inquietar o sono daquela aldeia.

   – Só tenho seis quartos e estão todos cheios; eu e outro homem vamos dormir na sala; aqui o senhor não pode ficar de maneira alguma.

   Disse-me que, dobrando à esquerda, além do cemitério, havia uma casa cercada de árvores; não era pensão mas às vezes colhiam alguém. Fui lá, bati palmas tímidas, gritei, passei o portão, dei murros na porta, achei uma aldraba de ferro, bati-a com força, ninguém lá dentro tugiu nem mugiu. Apenas o vento entre árvores gordas fez um sussurro grosso, como se alguns velhos defuntos aldeões, atrás do muro do cemitério, estivessem resmungando contra mim.

   Havia outra esperança, e marchei entre casas fechadas; mas, ao cabo da marcha, o que me recebeu foi a cara sonolenta de um homem que me desanimou com monossílabos secos. Lugar nenhum; e só a muito custo, e já inquieto porque eu não arredava da porta que ele queria fechar, me indicou outro pouso. Fui – e esse nem me abriu a porta, apenas uma voz do buraco escuro de uma alta janela me mandou embora.

   “Não há nesta aldeia de cristãos um homem honesto que me dê pouso por uma noite? Não há sequer uma mulher desonesta?” Assim bradei, em vão. Então, como longe passasse um zumbido de aeroplano, me pus a considerar que o aviador assassino que no fundo das madrugadas arrasa com uma bomba uma aldeia adormecida – faz, às vezes, uma coisa simpática. Mas reina a paz em todas estas varsóvias escuras; amanhã pela manhã toda essa gente abrirá suas casas e sairá para a rua com um ar cínico e distraído, como se fossem pessoas de bem.

   Não há um carro, um cavalo nem canoa que me leve a parte alguma. Ando pelo campo; mas a noite se coroou de estrelas. Então, como a noite é bela, e como de dentro de uma casinha longe vem um choro de criança, eu perdoo o povo de França. Marcho entre macieiras silvestres; depois sinto que se movem volumes brancos e escuros, são bois e vacas; ando com prazer nessa planura que parece se erguer lentamente, arfando suave, para o céu de estrelas. Passa na estrada um homem de bicicleta. Para um pouco longe de mim, meio assustado, e pergunta se preciso de alguma coisa. Digo-lhe que não achei onde dormir, estou marchando para outra aldeia. Não lhe peço nada, já não me importa dormir, posso andar por essa estrada até o sol me bater na cara.

   Ele monta na bicicleta, mas depois de alguns metros volta. Atrás daquele bosque que me aponta passa a estrada de ferro, e ele trabalha na estaçãozinha humilde: dentro de duas horas tenho um trem.

  Lá me recebe pouco depois, como um grã-senhor: no fundo do barracão das bagagens já me arrumou uma cama de ferro; não tem café, mas traz um copo de vinho.

   Já não quero mais dormir; na sala iluminada, onde o aparelho do telégrafo faz às vezes um ruído de inseto de metal, vejo trabalhar esse pequeno funcionário calvo e triste – e bebo em silêncio à saúde de um homem que não teme nem despreza outro homem.


(Rubem Braga – 200 Crônicas Escolhidas. 31ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010. Adaptado.)
O autor utiliza-se de uma linguagem figurada na construção das ideias do texto. Assinale o trecho em que tal recurso NÃO é empregado.
Alternativas
Q4075569 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão

Desmonte das bibliotecas públicas no Brasil

As políticas públicas de incentivo às bibliotecas vêm sofrendo cortes no Brasil. Segundo especialistas da Biblioteconomia e da Educação, esses espaços promovem a divulgação segura de informações, a cultura, a formação educacional das pessoas e a preservação da memória histórica. Cada tipo de biblioteca, pública, escolar ou circulante, atende a necessidades informacionais e culturais específicas da sociedade. E é o bibliotecário que deve atuar nesses locais fornecendo orientação e mediação adequadas para as pessoas.
Dados do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) sugerem que o Brasil perdeu quase 800 bibliotecas públicas entre 2015 e 2020. Especialistas da biblioteconomia alegam que o número pode ser ainda maior, devido à fragilidade do SNBP, com a extinção do Ministério da Cultura e o controle pouco efetivo dos sistemas estaduais.
Segundo Cibele Araújo, professora do curso de Biblioteconomia da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, o número de bibliotecas públicas brasileiras fechadas revela um desinvestimento na cultura e na educação: "As bibliotecas públicas em muitos municípios são um elo fundamental da cultura. Podem ter nessas bibliotecas ações culturais muito importantes para a formação do indivíduo, para o desenvolvimento da sua cidadania". Algumas das atividades promovidas são saraus literários, recitais, musicais e peças.
Há também falta de políticas públicas voltadas para o social, já que uma parte da população vulnerável não consegue ter fácil acesso às livrarias, nem renda para comprar livros. As bibliotecas públicas seriam um apoio a essas pessoas , bem como às que moram em municípios de difícil acesso e locomoção. A professora conta, ainda, que muitos alunos do curso de Biblioteconomia desenvolveram interesse por essa área ao ter contato com as bibliotecas públicas de suas cidades.
As bibliotecas públicas também são importantes para a memória brasileira por guardarem a literatura e a informação e história local a partir dos livros físicos e de projetos internos para contar e recitar histórias.
Para Cibele, é necessário garantir investimentos e legislações a favor de manter as bibliotecas públicas abertas, conservando seus espaços de união social e a cultura do País: "A gente tem que ter uma pauta de defesa perante os prefeitos, governadores, vereadores e deputados. Investimento na cultura não é custo, é benefício puro para ter uma sociedade mais desenvolvida." 
A docente completa afirmando que é uma defesa que precisa partir de várias instâncias, pelos cursos de Biblioteconomia nas universidades, pelos conselhos profissionais e associações e federações. "Um trabalho quase de formiguinha, de fazer a defesa dessas instituições, olhando a biblioteca com uma importante instituição de informação e cultura", afirma.
De acordo com o Anuário Brasileiro de Educação Básica de 2021, uma ferramenta de consulta sobre o panorama do ensino no País, infraestruturas essenciais na aprendizagem, como a biblioteca, ainda não estão presentes na maioria das escolas brasileiras. As bibliotecas escolares diferem das públicas por serem um equipamento intrinsecamente ligado à cultura e ao processo de ensino e aprendizagem por meio de recursos educativos para estudo, encontro e lazer.
Apesar da universalização das bibliotecas escolares decretada na Lei n.º 12244/10, a demora na sua efetivação preocupa o acesso a esses ambientes: "Em 2010, a gente teve que propor uma lei para exigir a existência de bibliotecas nas escolas. Isso já é uma coisa alarmante", reflete Ivete Pieruccini, professora do curso de Biblioteconomia da ECA-USP. Doze anos depois, o fechamento desses ambientes sinaliza uma falta de investimento na relação entre o aluno brasileiro e a biblioteca.
Além da quantidade, a configuração dos espaços também é tema de receio. A percepção diluída da biblioteca como uma instituição de organização, oferta e distribuição de informação não contempla a complexidade do papel cumprido por elas em contextos educativos. Segundo Ivete, no universo da comunidade escolar, as bibliotecas são responsáveis por autores dos processos de formação de pensamento da sociedade. "A responsabilidade dessas instituições não é uma responsabilidade meramente técnica. Elas têm um comprometimento social. Bibliotecas são instâncias de caráter político", comenta.
O interesse de cada população com a biblioteca determina também a abordagem das estruturas e ferramentas disponibilizadas aos sujeitos que ocupam esses espaços. A professora considera que as particularidades da sensação de pertencimento à biblioteca e à leitura devem ser interrogadas: "O que ele vai fazer com aquela leitura? Com quem ele vai conversar? Onde ele vai desenvolver ideias? Onde ele vai expandir o pensamento a partir daquela leitura?", elabora sobre o aluno que visita o ambiente.
Ao contrário de uma ótica reducionista, o papel de bibliotecas em escolas de comunidades com interesses e identidades diversificados implica repertórios locais repassados por gerações por meio da memória. "Quanto menos acesso a essa memória que está no conhecimento acumulado pela humanidade, quanto menos acesso [às bibliotecas escolares] a juventude tem, mais ela se torna desconectada do mundo que ela vive" afirma Valdir Heitor Barzotto, professor e vice-diretor da Faculdade de Educação (FE) da USP. Para ele, ao permitir o acesso a conhecimentos distantes em tempo e espaço, as bibliotecas provocam os jovens a construírem sua própria prática cotidiana.
Com o fechamento das escassas bibliotecas, a biblioteca como um espaço de acesso público, livre e gratuito é um princípio a ser defendido, na visão de Barzotto. "Não há outro espaço mais livre do que a biblioteca. A biblioteca garante que esse conhecimento seja de acesso ao público e que não vire mercadoria", reforça ele. Com o conhecimento acumulado, o jovem encontra a si mesmo na leitura e como agente na reinvenção de sua prática.
O sumiço desses espaços de educação também tem como um dos impactos a situação financeira, uma vez que, com a falta de acesso ao ambiente, o leitor vai sendo incitado a suspender ou a pagar pela prática de atividades de formação cultural. Sobre a pressuposição da qualidade ser proporcional ao preço, o professor declara: "Cada vez mais tem esse investimento do mercado em transformar um conhecimento em mercadoria e é importante fechar a biblioteca".
"Essa 'mercadorização' do conhecimento, a transformação do conhecimento em objeto de consumo mediante pagamento, faz com que o leitor, agora transformado em consumidor, não se sinta mais desafiado a entender a dimensão de uma unidade que está nele, de se comprometer em deixar um conhecimento mais avançado para as gerações que virão, a produção de novos conhecimentos ou de uma transformação da sua própria prática", conclui.

Leia a tirinha a seguir, do personagem Armandinho, criado por Alexandre Beck:

Imagem associada para resolução da questão


Reflita a respeito dos sentidos criados pelas palavras na tirinha. A partir dessa reflexão, assinale a alternativa que apresenta a correta explicação da causa do efeito de humor na tirinha: 

Alternativas
Q4069957 Português
Tentação


   Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

   Na rua vazia as pedras vibravam de calor – a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo‐nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde.

  Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo.

  Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.

  A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.

   Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava‐o sob os cabelos, fascinada, séria.

   Os pelos de ambos eram curtos, vermelhos.

   Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe‐se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe‐se também que sem falar eles se pediam. Pediam‐se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.

   Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.

   Mas ambos eram comprometidos.

   Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.

   A dona esperava impaciente sob o guarda‐sol. O basset ruivo afinal despregou‐se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou‐o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê‐lo dobrar a outra esquina.

Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.


(Clarice Lispector. Felicidade Clandestina: Contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. Adaptado.)
Trata-se de um paradoxo a seguinte citação textual:
Alternativas
Q4068637 Português

Leia a tirinha e responda a questão


Qual figura de linguagem é usada no último quadrinho? 
Alternativas
Q4068630 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão


Marque a alternativa que melhor expresse o efeito de humor presente no cartum. 
Alternativas
Q4068334 Português
Receita de viver


    Viver é expandir, é iluminar. Viver é derrubar barreiras entre os homens e o mundo. Compreender. Saber que, muitas vezes, nossa jaula somos nós mesmos, que vivemos polindo as nossas grades, ao invés delas nos libertarmos.

    Procuro descobrir nos outros sua dimensão universal, única. Sou coletivo. Tenho o mundo dentro de mim. Um profundo respeito humano. Um enorme respeito à vida. Acredito nos homens. Até nos vigaristas. Procuro desenvolver um sentido de identificação com o resto da humanidade. Não nado em piscina se tenho o mar. Por respeito a cada ser humano em todos os cantos da terra, e por gostar de gente – gostar de gostar – é que encontro em cada indivíduo o reflexo do Universo. 

    As pessoas chamam de amor ao amor-próprio. Chamam de amor ao sexo. Chamam de amor a uma porção de coisas que não são amor. Enquanto a humanidade não definir o amor, enquanto não perceber que o amor é algo que independe da posse, do egocentrismo, da planificação, do medo de perder, da necessidade de ser correspondido, o amor não será amor. 

    A gente só é o que faz aos outros. Somos consequências dessa ação. Não fazer... me deixa extenuado.

    Talvez a coisa mais importante da vida seja não vencer na vida, não se realizar.

    O homem deve viver se realizando.

    O realizado botou ponto final. 

    Não podemos viver, permanentemente, grandes momentos. Mas podemos cultivar sua expectativa.

    Acredito em milagre. Nada mais miraculoso que a realidade de cada instante.

    Acredito no sobrenatural. O sobrenatural seria o natural mais explicado, se o natural tivesse explicação.

    Enquanto o homem não marcar um encontro consigo mesmo, verá o mundo com prisma deformado. E construirá um mundo em que a lua terá prioridade. Um mundo mais lua do que luar...


(Recanto das Letras. Pedro Bloch. Acesso em: 02/01/2022. Adaptado.)
A linguagem é o maior instrumento de interação entre sujeitos socialmente organizados. Isso porque ela possibilita a troca de ideias, a circulação de saberes e faz intermediação entre todas as formas de relação humana. Assinale o enunciado transcrito do texto que está no sentido conotativo, ou seja, aquele que evidencia um novo significado em situações e contextos particulares de uso.
Alternativas
Q4056556 Português
TEXTO 1

JARDIM MORTO – Federico Garcia Lorca

    Cai chuvosa a manhã sobre o jardim... No final duma ladeira lamosa e junto de uma cruz, verde e negra de umidade, está a porta de madeira carcomida que dá entrada ao recinto abandonado. Mais a frente há uma ponte de pedra cinzenta e na distância brumosa, uma montanha nevada. No fundo do vale e entre penhas corre o rio manso cantarolando sua velha canção.

    Em um nicho negro que há junto da porta, dois velhos com capas rasgadas aquecem-se ao lume de uns tições mal acesos... O interior do recinto é angustiante e desolado. A chuva acentua mais esta impressão. Escorrega-se com facilidade. No chão, há grandes troncos mortos... As paredes, altas e amareladas, estão cruzadas de gretas enormes, pelas quais saem lagartixas que passeiam formando, com seus corpos, arabescos indecifráveis. No fundo há um resto de claustro, com heras e flores secas, com as colunas inclinadas. Nas fendas das pedras desmoronadas há flores amarelas cheias de gotas de chuva; no chão há charcos de umidade entre as ervas...

    Não restam mais do que as altas paredes onde houve claustros soberbos que viram procissões com custódias de ouro entre a magnífica seriedade dos tapetes…

(Disponível em: http://alguiendira.blogspot.com/2014/09/jardim-morto.html) 
Assinale a alternativa em que a palavra destacada é usada com sentido conotativo no texto 1:
Alternativas
Q4050857 Português
Leia as frases a seguir:

I. “Ele retirou três dentes do alho”.
II. “O braço da cadeira estava danificado”.

A figura de linguagem que aparece nas frases está corretamente indicada na alternativa:
Alternativas
Q4016467 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Como a luz solar pode transformar água do mar em potável

Um verão de calor extremo e seco em todo o mundo tem sido um lembrete de que a escassez de água é uma questão urgente e que só piorará com as mudanças climáticas.

Para alguns países, as usinas de dessalinização oferecem uma solução - remover o sal da água do mar para satisfazer suas necessidades de água doce. O Oriente Médio tem a maior concentração dessas usinas no mundo.

Mas essas usinas, ainda abastecidas por combustíveis fósseis, consomem muita energia e o processo cria um efluente extremamente salgado conhecido como salmoura, que pode danificar ecossistemas marinhos e animais quando é bombeado de volta ao mar.

É por isso que algumas startups e pesquisadores atualizam a tecnologia de destilação que usa apenas a luz solar na purificação da água.

Embora a tecnologia ainda esteja longe de produzir o volume de água doce gerado pelas usinas de dessalinização, ela pode ser valiosa para comunidades costeiras. 

A startup Manhat, com sede em Abu Dhabi, fundada em 2019, desenvolve um dispositivo flutuante que destila água sem precisar de eletricidade ou criar salmoura.

Consiste em uma estrutura de estufa que flutua na superfície do oceano: a luz do sol aquece e evapora a água sob a estrutura, separando-a dos cristais de sal que são deixados para trás no mar, e à medida que as temperaturas esfriam, a água se condensa em água doce e é recolhida no seu interior.

Ao contrário dos tradicionais alambiques solares, o dispositivo de Manhat flutua no oceano, retirando água diretamente do mar. O sal não se acumula no aparelho e o ângulo do cilindro coletor evita que as gotas de água evaporem de volta ao mar. 

Disponível em:https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/como-a-luz-solar-pode -transformar-agua-do-mar-em-potavel-para-populacao-costeira/. Adaptado. 
'A startup Manhat' desenvolve um dispositivo flutuante.
O termo em destaque apresenta uma figura de linguagem denominada:
Alternativas
Q4008914 Português
Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.


Q31_35.png (344×338)

(Camões. Os Lusíadas)
Os versos 5 e 6 apresentam exemplo de
Alternativas
Q4000813 Português
TEXTO I

LUZ DO SOL

Luz do sol,
Que a folha traga e traduz
Em verde novo em folha,
Em graça, em vida, em força, em luz...

Céu azul
E vem onde os pés
Tocam na terra
E a terra inspira e exala seus azuis...

(VELOSO Caetano.A arte maior de Caetano Veloso.Polygram,1985
Observe atentamente os versos extraídos do texto,em análise: "[...] Em verde novo em folha, / em graça, em vida, em força, em luz..." O Autor, nesses versos, empregou um recursos estilístico, a partir de variações da estrutura sintática das frases.
Marque a alternativa que apresenta a figura presente nos versos:
Alternativas
Q3998279 Português

Leia o poema “Igreja”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão.



Tijolo

areia

andaime

água

tijolo.

O canto dos homens trabalhando trabalhando

mais perto do céu

cada vez mais perto

mais

— a torre.


E nos domingos a litania dos perdões, o murmúrio das invocações.

O padre que fala do inferno

sem nunca ter ido lá.

Pernas de seda ajoelham mostrando geolhos.

Um sino canta a saudade de qualquer coisa sabida e já esquecida.

A manhã pintou-se de azul.

No adro ficou o ateu,

no alto fica Deus.

Domingo...

Bem bão! Bem bão!

Os serafins, no meio, entoam quii ieleisão.



Após ler o poema modernista de Carlos Drummond de Andrade, observe que o poeta empregou um arcaísmo – “geolhos” – no quarto verso da segunda estrofe, o qual resultaria hoje na palavra joelhos. Identifique o processo de mudança ocorrida nesse vocábulo, marcando a opção que considera correta:

Alternativas
Q3994473 Português

Leia o texto a seguir:


VIBRAÇÕES


Vibrar, viver. Vibra o abismo etéreo à musica das esferas; vibra a convulsão do verme, no segredo subterrâneo dos túmulos. Vive a luz, vive o perfume, vive o som, vive a putrefação. Vivem à semelhança os ânimos. A harpa do sentimento canta no peito, ora o entusiasmo, um hino, ora o adágio oscilante da cisma. A cada nota, uma cor, tal qual nas vibrações da luz. O conjunto é a sinfonia das paixões. Eleva-se a gradação cromática até à suprema intensidade rutilante; baixa à profunda e escura vibração das elegias. 


Sonoridade, colorido: eis o sentimento.

Dai o simbolismo popular das cores.


(POMPEIA, Raul. Canções sem metro. Campinas, SP: Editora Unicamp, 2013. 303 p.)  

Na frase “Vibrar, viver. Vibra o abismo etéreo a música das esferas. ” Há uma ocorrência de: 
Alternativas
Q3378466 Português

Texto 1


 A importância do ato de ler

Paulo Freire


Fragmento. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler em três artigos que se completam. 21.ed. São Paulo: Cortez Editora, s/d. p. 5 – 8. Disponível em: https://nepegeo.paginas.ufsc.br/files/2018/11/AImportancia-do-Ato-de-Ler-Paulo-:Freire.pdf) Acesso em: 03 nov. 2021.

No enunciado “O chão foi o meu quadro-negro; gravetos, o meu giz.” (linha 29), evidencia-se a figura de linguagem 
Alternativas
Q3286841 Português
Escravidão e o mito da benevolência



Considere os trechos a seguir, recortados do texto:


Trecho 1: Certa vez um etnologista disse que "o caminho do progresso é cheio de aventuras, rupturas e escândalos".

Trecho 2: A chamada "descoberta" do Brasil pelos portugueses, em 1500, nos assinala o ponto de partida.


Nos trechos 1 e 2, o emprego das aspas marca, respectivamente, 

Alternativas
Q3286840 Português
Escravidão e o mito da benevolência



O trecho “o aparecimento da raça negra fertilizando o solo brasileiro com suas lágrimas, seu sangue, seu suor e seu martírio na escravidão” (linhas 9-10) é construído a partir do seguinte recurso estilístico: 
Alternativas
Respostas
1641: A
1642: D
1643: B
1644: E
1645: D
1646: D
1647: D
1648: A
1649: D
1650: B
1651: D
1652: C
1653: B
1654: C
1655: C
1656: D
1657: B
1658: A
1659: D
1660: A