Questões de Concurso Sobre figuras de linguagem em português

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Q3068277 Português

(Disponível em: exame.com/esporte/delegacao-paralimpica-do-brasil-tem-recorde-de-atletas-beneficiarios-dobolsa-atleta/ – texto adaptado especialmente para esta prova).


Assinale a alternativa que apresenta a figura de linguagem utilizada na frase abaixo:
"O coração do Brasil bate forte nas mãos dos seus atletas".
Alternativas
Q3068131 Português
Considere atentamente a crônica a seguir, escrita por Rachel de Queiroz e publicada originalmente na década de 1980, para responder à questão.

Voto nulo, a pior opção para o eleitor

        Esses meninos que se bateram tanto pelo voto aos dezesseis anos, esses outros, mais velhos, que foram às ruas nas passeatas durante as campanhas pelas eleições diretas; todos os cidadãos que exigiam nos palanques o seu direito de votar, como é que agora renunciam a tudo e se embalam com a ideia leviana do voto nulo? Ninguém entende.
        Jogam fora esse direito de votar – quer dizer, o seu direito de escolher os homens e mulheres que vão mandar em todos nós. Não sabem esses tolos que estarão cometendo um crime contra si mesmos e contra o Brasil nesse ato estúpido de votar nulo, votar em branco, votar num bicho do jardim zoológico, como o rinoceronte Cacareco, anos atrás, ou o macaco Tião agora; ou o mosquito, no Espírito Santo. Ninguém lembra (ou será que não sabem?) de quanto sangue foi derramado, quanta prisão, forca, fuzilamentos, esquartejamentos – quantos mártires tivemos na nossa história por amor desse direito de cidadania. Que agora se despreza e se quer atirar no lixo, votando em bichos brutos, em anticandidatos ou simplesmente votando em branco.
        Para que hoje você, pobre ou rico, negro, índio ou branco, moço ou velho, homem ou mulher, pudesse votar livremente, morreu muita gente. Recordo o nome do Bequimão, no Maranhão, enforcado. Felipe dos Santos, em Minas Gerais, enforcado, arrastado, esquartejado. O Tiradentes, enforcado e esquartejado, no Rio de Janeiro, com os seus membros mutilados expostos ao longo da estrada de Minas e a cabeça degolada em poste de ignomínia naquela mesma Vila Rica onde o seu “crime” fora cometido. E Frei Caneca, no Recife. E Tristão Gonçalves, Carapinima e Bolão, no Ceará, fuzilados pelos imperiais na repressão à Confederação do Equador. Isso só para recordar os mais famosos. Muito mais que esses foram os esquecidos, os sem nome, que deram vida, sangue, haveres, por amor dessa cidadania que você atira fora – como se ela não passasse de uma piada!
        Cada voto que você não dá, que você estraga e anula, para mostrar que está desenganado ou está com raiva, sim, cada voto que se perde é um voto a mais que se conta para os politiqueiros, para os caudilhos inimigos da nossa liberdade e dos nossos direitos. Voto ruim, candidato ruim, só se combate com voto bom, voto certo. É um pelo outro, não há mais opção. Se na nossa terra o candidato a prefeito ou vereador não merece confiança, não é votando em branco ou votando em bicho que você derruba esse mau candidato. Pelo contrário: o seu voto é nulo mesmo, não será contado. Mas o voto que o candidato ruim comprou ou ganhou com suas falsas promessas, esse voto será contado e acaba elegendo o sujeito. Por culpa de quem? Por culpa de você mesmo, que não se opôs, naquelas mesmas urnas, com o seu voto consciente contra o voto errado dos outros.
        Eleição é assunto muito sério. O voto é a única arma que nós temos para defender o nosso direito. Se o povo vota errado, o culpado não é o voto. O culpado é quem não soube votar.
        Em tempo de eleição o poder não está nas mãos do governo, nem dos políticos. Não veem como nessa hora eles nos bajulam, nos adulam, nos fazem promessas, tentam nos comprar, nos ameaçar, nos seduzir de qualquer modo? É porque, de voto na nossa mão, o poder somos nós. Nós é que fazemos e desfazemos. Que escolhemos ou escorraçamos. Nós é que somos o rei, em dia de eleição. Nós, com aquela cruzinha riscada junto ao nome da nossa escolha, com o voto secreto enfiado na urna, nós – só nós e mais ninguém – é que vamos decidir se o Brasil muda ou fica nesta tristeza e nesta confusão em que está, a fome nos batendo à porta, a inflação, como lobisomem, nos comendo a carne e o futuro à nossa frente fechado e preto como um dia sem sol.

(“Voto nulo, a pior opção para o eleitor”, por Rachel de Queiroz, com adaptações)
No último parágrafo, ao afirmar que “Em tempo de eleição o poder não está nas mãos do governo”, a autora utiliza o termo “mãos” e faz uso de uma figura de linguagem. Marque a alternativa que indica essa figura de linguagem.
Alternativas
Q3067784 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Moda é política e reflete as transformações no mundo


        Se você fosse presidente do Brasil, que tipo de roupa usaria? Terninho com tênis como a Kamala Harris, vice-presidente dos Estados Unidos? As cores fortes dos blazers da ex-chanceler da Alemanha, Angela Merkel? Vestiria um jeans, de vez em quando, para mostrar conexão com as ruas? Ou biojoias e roupas nacionais, de marcas que ensaiam práticas sustentáveis, para ressaltar a consciência em relação ao meio ambiente e apoiar o design local?

        A cada eleição no Brasil, torço muito para ser surpreendida com candidatas mulheres assumindo governos, dominando o Congresso, em sintonia com os anseios contemporâneos e com as necessidades sociais do país – de preferência, usando a moda para ajudá-las a expressar suas convicções e propósitos.

        Acho triste ver políticos se vestindo de forma pasteurizada. O uso obrigatório do terno no Congresso tem a ver com isso, já que a moda autêntica expõe verdades – convenientes ou não. Enquanto estão de terno, aparentemente são todos iguais. Imponentes, trabalhando dentro das convenções e mantendo a estrutura patriarcal que, infelizmente, domina nossa sociedade e se reflete no governo.

        Como diria Costanza Pascolato, as aparências realmente não enganam. Repare que, quando alguém tenta se disfarçar usando uma roupa sem convicção, seu estilo nunca parece ajustado. Ao contrário: em geral, a pessoa acaba transmitindo uma imagem incoerente, falsa.

       É que a moda joga na cara nossas intenções e crenças, mesmo quando não nos damos conta disso. Assim, pode funcionar como armadilha para os políticos (honestos) que, seguindo orientações de seus marketeiros, repetem uma fórmula que não lhes cabe no vestuário – e, enquanto fingem ser quem não são, acabam escondendo suas verdades.

      [...]

        Difícil de escapar quando o Regimento Interno do Congresso, em vigor entre 2019 e 2023, aconselha às congressistas que usem tailleurs ou vestidos e sapatos sociais. Essa orientação ao público feminino tem origem no fato de que as mulheres só puderam começar a usar calças compridas no plenário (pasmem!) em 1997. Ainda hoje, o uso de jeans, tênis e sandálias rasteiras é estritamente proibido por lá.

       Espelho de uma época, a moda reflete as transformações do mundo, do novo movimento feminista à urgência por diversidade, da equidade racial às causas LGBTQIAP+. Na posse da vice-presidente norte- -americana, Kamala Harris, o grande destaque foi a variedade de looks – a maioria de designers negros e mulheres – em tons de roxo, alusão ao movimento sufragista, desfilados por convidadas e pela própria.

        Recentemente também, o movimento Time’s Up, criado por atrizes, diretoras e produtoras de Hollywood, denunciou abuso e assédio sexual no meio, no Globo de Ouro de 2018, com todas de preto no tapete vermelho.

        Moda é exatamente sobre isso. Podemos nos vestir sem pensar o que nossas escolhas significam, ou fazer das roupas uma voz para defender nossos ideais. Não só os políticos, mas cada um de nós. Vale na vida, no look de tomar vacina ou votar – mas vale mais ainda na hora de escolher as pessoas que vão representar você a partir de janeiro. E sempre.


(Texto adaptado. Maria Rita Alonso, Revista Marie Claire, 16/02/2022. Disponível em: https://revistamarieclaire.globo.com/Blogs/Maria-Rita-Alonso/noticia/2022/02/ moda-e-politica-e-reflete-transformacoes-no-mundo.html)

“É que a moda joga na cara nossas intenções e crenças, mesmo quando não nos damos conta disso”.
Assinale a alternativa que classifica CORRETAMENTE a figura de linguagem presente na afirmação acima.
Alternativas
Q3065511 Português
1ª PARTE – HINO NACIONAL BRASILEIRO


(1º§) Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heroico o brado retumbante, E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos, Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

(2º§) Se o penhor dessa igualdade Conseguimos conquistar com braço forte, Em teu seio, ó Liberdade, Desafia o nosso peito a própria morte!

(3º§) Ó Pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve! Brasil, um sonho intenso, um raio vívido De amor e de esperança à terra desce, Se em teu formoso céu, risonho e límpido,

(4º§) A imagem do Cruzeiro resplandece. Gigante pela própria natureza, És belo, és forte, impávido colosso, E o teu futuro espelha essa grandeza

(5º§) Terra adorada, Entre outras mil, És tu, Brasil, Ó Pátria amada! Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil!


(Compositores: Francisco Manuel Da Silva / Leonardo Garcia Matsumoto / Joaquim Osorio Duque-estrada Letra de Hino Nacional Brasileiro © Juice Music (uk) Ltd
”Carla, em seu relatório ao setor administrativo, faltou com a verdade, o que acarretou em punição”. Qual é a figura de linguagem empregada na oração?
Alternativas
Q3064167 Português
Na frase "O rato roeu a roupa do rei de Roma", pode-se observar: 
Alternativas
Q3064166 Português
A aliteração é uma figura de linguagem, que é também chamada de figuras de sons. Qual das frases abaixo contém um exemplo claro de aliteração?
Alternativas
Q3062049 Português
Assinale a alternativa em que ocorre um pleonasmo vicioso.
Alternativas
Q3062048 Português
Leia:

“Usei a cara da lua  As asas do vento Os braços do mar  O pé da montanha”
 (Ronaldo Tapajós e Renato Rocha)

Nos versos acima há um mesmo tipo de figura de linguagem. Identifique-a.
Alternativas
Q3062047 Português
Assinale a alternativa em que o emprego da METONÍMA se faz presente.
Alternativas
Q3061745 Português
Por que dizer “não” pode ser difícil e como isso pode fazer bem para a saúde mental

Sensação é comum e está associada a diferentes fatores, incluindo o desejo por ser aceito pelo outro, de acordo com especialistas.

         Você certamente já se deparou com uma situação em que gostaria de ter dito “não”, mas evitou dar uma resposta negativa e acabou fazendo algo que não gostaria. A sensação é comum e está associada a diferentes fatores, incluindo o desejo por ser aceito pelo outro, de acordo com especialistas em comportamento e saúde mental.
      O psicólogo Maycon Rodrigo Torres, membro do Laboratório de Psicanálise e Laço Social da Universidade Federal Fluminense (UFF) e professor de psicologia na Faculdade Maria Thereza (Famath), destaca como a recusa pode afetar as relações afetivas. “O dizer não significa, de certa maneira, negar a demanda que uma outra pessoa te faz e isso faz com que a pessoa fique preocupada sobre como ela será vista por essa pessoa. De que maneira essa recusa a fazer alguma atividade ou a responder de alguma maneira pode prejudicar a opinião que a outra pessoa tem dela. Aqui, a gente tem um pouco desse movimento de preocupação excessiva com a forma como o indivíduo é visto pelo outro”, diz.
       A psicóloga Luana Ganzert, especialista em emoções, afirma que ser aceito faz parte das necessidades básicas emocionais dos indivíduos e que recusas podem interferir nesse contexto. “Quando estamos atendendo essa necessidade básica, temos medo de sermos rejeitados, de não sermos amados e aceitos. Algumas pessoas são mais sensíveis e não suportam a possibilidade de não serem aprovadas. Outras preferem evitar conflitos. Esses são os maiores motivos para que as pessoas tenham medo de dizer não”, explica.
      Para o psicólogo e professor de psicanálise Ronaldo Coelho, evitar dizer não também é uma forma encontrada de “proteger o outro”.
     “Mas, quando ‘protegemos’ o outro da frustração, estamos criando condições para que ele fique atrofiado diante da vida. Imaginemos que quando nos frustramos é como se caísse um peso sobre a gente. Para que consigamos retirar esse peso, precisamos de musculatura. Se somos protegidos da frustração, nós não desenvolvemos essa musculatura, ficamos atrofiados, e quando o peso cai sobre nós ficamos arrebatados, não conseguimos lidar”, detalha.
     Agir o tempo todo com objetivo de agradar ao outro, sem se refletir sobre o que realmente se quer pode levar a um “apagamento” sobre os próprios limites e desejos, explica Coelho. “É comum a pessoa não saber do que ela gosta e o que ela não gosta, do que faz bem e o que faz mal a ela, do que é bom e o que não é, ela perde a capacidade de realizar julgamentos importantes para sua vida. É como se ela sempre precisasse do olhar do outro, do julgamento do outro, para decidir sobre a própria vida, as próprias vontades e desejos”, afirma.
      A avaliação é compartilhada por Torres. “O grande problema de não conseguir dizer não é que, em geral, a pessoa abre mão do que ela gostaria de fazer em nome do desejo do outro. Esse processo pode levar a uma sobrecarga. A pessoa acumula tarefas ou coisas pra fazer e essa sobrecarga tende a aumentar ainda mais a ansiedade que, a longo prazo, pode criar problemas mais crônicos.” Entre as consequências, estão o desenvolvimento de problemas para dormir, impactos para o desempenho no trabalho ou estudo e limitações relacionadas à ansiedade.
    A psicóloga Luana Ganzert afirma que pessoas que não sabem dizer não tendem a ser mais inseguras ou preferem evitar a fadiga e discussões sobre ter uma opinião contrária. “Quando você fala ‘sim’ para tudo, dificilmente você vai cuidar de você. Aceitar tudo significa sofrer emocionalmente em silêncio. Ao dizer ‘sim’, quando queriam dizer o contrário, as pessoas se sujeitam a situações que lhes causam prejuízos emocionais e, em alguns casos, até financeiro. Compram coisas que não desejam por dificuldade de se impor à insistência do vendedor, arrumam compromissos indesejáveis, arrumam relacionamentos tóxicos e muitas vezes abusivos”, acrescenta.
     A psicóloga Gislene Erbs reparou que seus pacientes tinham uma grande dificuldade em dizer “não” quando precisavam e que isso os deixava frustrados e infelizes. Ao buscar fortalecê-los emocionalmente para que pudessem estabelecer-se como prioridades para si mesmos, sentindo-se seguros para negar aquilo que não lhes interessava, Gislene entrou em contato mais profundamente com suas próprias fraquezas.
    A autora afirma que não é saudável e nem lógico sacrificar o próprio bem-estar para agradar aos outros, mas que, infelizmente, em grande parte das vezes, as pessoas fazem isso, porque não sabem dizer “não”. Além disso, segundo ela, escolher a si mesmo em primeiro lugar auxilia no sentido de aumentar a autoestima, assim como a ter clareza dos motivos do seu “não”.
    Para superar a dificuldade de dizer “não”, o indivíduo precisa trazer à consciência os fatores que influenciam sua tomada de decisão para que o indivíduo se sinta mais confortável com as escolhas que precisa fazer.
    Entre eles estão: a falta de autoconhecimento; a impulsividade; a falta de habilidade social; a ansiedade; a baixa autoestima; o sentimento de pena; a falta de inteligência emocional; o medo da rejeição; a necessidade de autoafirmação; e a realidade de querer honrar pai e mãe.
   “Um não sonoro e adequado é, na verdade, um grito de liberdade – para você e, acredite, para quem o recebe”, diz a psicóloga. Conforme a autora, para negar corretamente, não é preciso ser agressivo, mas assertivo e determinado.

(Lucas Rocha. Disponível em: https:www.cnnbrasil.com.br/saude/. Acesso em: 25/01/2023. Fragmento.)
Sobre o trecho [...]saber do que ela gosta e o que ela não gosta, do que faz bem e o que faz mal a ela, do que é bom e o que não é [...] (6º§), é correto afirmar que apresenta figura de linguagem denominada: 
Alternativas
Q3061234 Português
O texto a seguir contextualiza a questão. Leia-o atentamente.

A árvore do desconhecimento – uma fábula

    No princípio Deus criou as letras e os números. Não satisfeito, no segundo dia criou as palavras e as contas, não aquelas que chegam no fim do mês, pelo correio, mas as de somar e multiplicar, coisa simples ainda. No terceiro dia, Deus criou os verbos, os pronomes e, claro, a regra de três. No quarto dia surgiram as frases e as equações, as sentenças e os números primos. Foi só no quinto dia que Deus se lembrou do palavrão, do Pi e da taxa de juros. Já estava quase tudo pronto. No sexto dia da criação Deus pensou: que adianta tudo isso se não tenho como usar, como mostrar para os outros? Então, à sua imagem e semelhança, Deus criou o Lápis. E no sábado foi descansar. O Lápis era a pura perfeição, forjado no grafite do mais nobre carbono (o mesmo do diamante) e embalado na madeira do melhor cipreste. Apesar disso tudo, no entanto, o Lápis sentiu-se só. Então, para fazer-lhe companhia, Deus criou a Folha de Papel. [...]

(RENOVATO, Jurandir. A árvore do desconhecimento – uma fábula. Fragmento.)
As figuras de linguagem são recursos expressivos utilizados para ampliar as possibilidades de sentido e exploração criativa da língua. Sobre isso, considere o trecho a seguir: “No princípio Deus criou as letras e os números. Não satisfeito, no segundo dia criou as palavras e as contas, não aquelas que chegam no fim do mês, pelo correio, mas as de somar e multiplicar, coisa simples ainda. No terceiro dia, Deus criou os verbos, os pronomes e, claro, a regra de três. No quarto dia surgiram as frases e as equações, as sentenças e os números primos.” Na construção do trecho, predomina o uso da figura de linguagem:
Alternativas
Q3061075 Português
O mau vidraceiro

          Existem naturezas puramente contemplativas e totalmente impróprias para a ação, que, no entanto, sob uma impulsão misteriosa e desconhecida, agem às vezes com uma rapidez de que elas próprias se julgariam incapazes.
          Como aquele que, temendo encontrar com o zelador uma notícia aflitiva, ronda covardemente durante uma hora frente à porta da casa sem ousar entrar, como aquele que guarda durante quinze dias uma carta sem abri-la, ou só ao fim de seis meses se conforma em efetuar um empreendimento necessário desde há um ano, elas se sentem às vezes bruscamente precipitadas para a ação por uma força irresistível, como a flecha de um arco. O moralista e o médico, que afirmam saber de tudo, não podem explicar de onde vem tão de súbito uma tão louca energia nessas almas preguiçosas e voluptuosas, e como é que elas, incapazes de cumprir as coisas mais simples e mais necessárias, encontram em dado momento uma coragem de luxo para executar os atos mais absurdos e até, muitas vezes, os mais perigosos.
         Um dos meus amigos, o mais inofensivo sonhador que já existiu, ateou fogo uma vez numa floresta, para ver, dizia, se o fogo pegava com tal facilidade como se afirma comumente. Dez vezes consecutivas a experiência falhou; mas, na décima primeira, foi por demais bem-sucedida.
           Outro irá acender um charuto ao lado de um barril de pólvora, para ver, para saber, para tentar o destino, para se forçar a si mesmo a dar provas de energia, para se fazer de jogador, para conhecer os prazeres da ansiedade, por nada, por capricho, por desocupação.
          É uma espécie de energia que jorra do tédio e do devaneio; e aqueles nos quais ela se manifesta tão inopinadamente são, geralmente, como eu disse, os mais indolentes e sonhadores dos seres.
        Fui vítima, mais de uma vez, dessas crises e desses impulsos, que nos autorizam a crer que demônios maliciosos se insinuam dentro de nós e nos fazem cumprir, à revelia, suas mais absurdas vontades.
        Certa manhã, eu me levantara aborrecido, triste, cansado de ociosidade e levado, me parecia, a fazer algo, grande, uma ação de brilho; e abri a janela, infelizmente!
         (Queiram observar, por favor, que o espírito de mistificação, que em certas pessoas não é resultado de um trabalho ou de uma combinação, mas de uma inspiração fortuita, tem parte, muito, mesmo que apenas pelo ardor do desejo, neste humor, histérico segundo os médicos, satânico segundo aqueles que pensam um pouco melhor do que os médicos, que nos empurra sem resistência para uma série de ações perigosas ou inconvenientes).
          A primeira pessoa que avistei na rua foi um vidraceiro cujo grito penetrante, dissonante, me veio através da pesada e suja atmosfera parisiense. Me seria, aliás, impossível dizer por que fui tomado, em relação a esse pobre homem, de um ódio tão repentino quanto despótico.
        “Ei, ei” e eu lhe gritei que subisse. Entretanto eu refletia, não sem certa alegria, que o quarto encontrando-se no sexto andar e sendo a escada bastante estreita, o homem deveria estar experimentando certa dificuldade em efetuar sua ascensão, e esbarrando em diversos lugares os ângulos de sua frágil mercadoria.
      Ele enfim apareceu: examinei com curiosidade todas as suas vidraças, e lhe disse: “Mas como? Você não tem vidros coloridos? Vidros cor-de-rosa, vermelhos, azuis, vidros mágicos, vidros de paraíso? Que atrevido é você! Ousa passear pelos bairros pobres e nem mesmo possui vidros que tornem a vida bela de se ver!” E o empurrei com vivacidade para a escada na qual tropeçou resmungando.
       Aproximei-me da sacada e agarrei um vasinho de flores e, quando o homem reapareceu no vão da porta, deixei cair perpendicularmente meu engenho de guerra na borda traseira de suas forquilhas; e derrubado pelo choque, ele acabou de destroçar sob suas costas toda a sua pobre fortuna inconstante, que produziu o ruído estrondoso de um palácio de cristal atingido por um raio.
         E, embriagado por minha loucura, gritei-lhe furiosamente: “A vida bela de se ver! A vida bela de se ver!”.
      Essas brincadeiras nervosas não são isentas de perigo, e pode-se às vezes pagar caro por elas. Mas o que importa a eternidade da danação a quem encontrou num segundo o infinito da fruição?

(BAUDELAIRE, Charles. Pequenos Poemas em Prosa. Editora Biblioteca Azul. 1ª edição em 2010.)
No nosso dia a dia convivemos com uma diversidade de textos. Como a língua tem uma função social, todos os textos possuem em comum uma finalidade específica: estabelecer uma situação comunicativa. A linguagem figurada tem como característica primordial a subjetividade, a qual expressa um maior envolvimento por parte de quem a produz, permitindo que haja mais de uma interpretação por parte dos interlocutores. Tendo em vista que o autor utiliza-se de uma linguagem figurada na construção das ideias do texto, assinale o trecho em que tal recurso é aplicado.
Alternativas
Q3061017 Português
É seguro comer alimentos que você deixou cair no chão se
você pegá-los rápido o suficiente?



          A “regra dos 5 segundos” tem sido tema de debates, com alguns afirmando que ela é real e outros achando que é besteira. O segredo é entender a rapidez com que as bactérias são transferidas da superfície do piso para os alimentos após a queda. Muitos erraram nessa medição, diz o cientista Donald Schaffner. Estudos amadores confundiram a questão ao se basearem em experimentos que não foram aprovados cientificamente. De fato, houve apenas outra investigação rigorosa antes de 2016: um estudo realizado pelo cientista de alimentos Paul Dawson, em 2007.

          Dawson relatou que os alimentos podem pegar bactérias imediatamente ao entrar em contato com uma superfície, mas esse estudo se concentrou mais em quanto tempo as bactérias poderiam sobreviver nas superfícies para contaminar os alimentos. Por isso, Schaffner decidiu testar uma variedade maior de alimentos em condições mais diversas. Os experimentos mostraram que a regra dos 5 segundos na verdade não é uma regra. Quanto mais tempo o alimento ficava em uma superfície com bactérias, mais bactérias se agarravam a ele, mas muitas delas eram coletadas assim que o alimento chegava ao chão. O maior culpado aqui não é o tempo, mas a umidade. Os alimentos úmidos, (como melancia), capturaram mais bactérias do que os alimentos mais secos, como pão. As superfícies como tapetes transferiram menos bactérias do que os azulejos.

       Então, se a ciência desmascarou a regra dos 5 segundos, isso significa que não é seguro comer alimentos que caíram no chão? Isso depende da superfície e do tipo de bactéria que você pode pegar. Se você estiver em um hospital e deixar algo cair, provavelmente não vai querer comê-lo — ou não deveria. Mas, na maioria dos casos, comer um biscoito que pegou um pouco de poeira e bactérias do chão provavelmente não prejudicará alguém com um sistema imunológico saudável. Praticar uma boa higiene, mantendo os pisos e as superfícies limpas, é a lição mais importante. Ainda assim, é provável que a regra dos 5 segundos perdure.


Erika Engelhaupt — National Geographic. Adaptado. 
O eufemismo é uma figura de linguagem que consiste na suavização da palavra, isto é, uma tentativa de amenizar uma expressão que, comumente, seria “agressiva”. Nesse sentido, assinalar a alternativa cuja sentença foi formulada a partir de uma linguagem eufemística. 
Alternativas
Q3060513 Português
Leia o texto para responder à questão.

Favela

Barracos
montam sentinela
na noite
Balas de sangue
derretem corpos
no ar.
Becos bêbados
sinuosos labirínticos
vela o tempo escasso
de viver.

Fonte: EVARISTO, Conceição. Favela. In: Poemas de recordação e outros movimentos. Rio de Janeiro: Malê, 2017.
A figura de linguagem constante nos versos “Barracos / montam sentinela / na noite”, do poema de Conceição Evaristo, é:
Alternativas
Q3060302 Português
O eufemismo é uma figura de linguagem que consiste na suavização da palavra, isto é, uma tentativa de amenizar uma expressão que, comumente, seria “agressiva”. Nesse sentido, assinalar a alternativa cuja sentença foi formulada a partir de uma linguagem eufemística. 
Alternativas
Q3058288 Português
A corrida de longa distância da Uber

[...]  A Uber se tornou um colosso que conecta desconhecidos planeta afora – atualmente, são 150 milhões de usuários, mais de 7 milhões de motoristas e portadores, em mais de 10 000 cidades em setenta países – e transformou essa ideia esquisita num faturamento de 37,3 bilhões de dólares em 2023. E a companhia só chegou à adolescência. Seus planos devem causar impacto mesmo para os que não têm o hábito de “chamar um Uber”.

No Brasil, a empresa vai atrás dos 20% de adultos que nunca usaram nenhum de seus serviços. A principal tática hoje é por meio do serviço Moto – que oferece corridas mais baratas em garupa de motocicleta, o veículo de preferência em bairros pobres e nas zonas rurais. “Para nós, acessibilidade financeira é incrivelmente importante. Queremos que Uber seja acessível para todo mundo”, disse Dara Khosrowshahi, presidente global da empresa desde 2017, a VEJA NEGÓCIOS, durante uma visita recente a São Paulo.

Disponível em: https://veja.abril.com.br/economia/a-corrida-de-longa-distancia-da-uber. Acesso em: 27 jun. 2024.
A expressão “chamar um Uber” é um exemplo da seguinte figura de linguagem:
Alternativas
Q3057774 Português

Identifique a figura de linguagem que se sobressai no texto a seguir


Imagem associada para resolução da questão

Alternativas
Ano: 2024 Banca: CONSULPAM Órgão: Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE Provas: CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Enfermeiro 100H - Hospital | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Odontólogo Especialista em Endodontia CEO | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Nutricionista | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Assistente Social | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Fisioterapeuta | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Farmacêutico | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Fonoaudiólogo | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Psicólogo | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Médico Veterinário | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Enfermeiro PSF | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Engenheiro Civil | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Terapeuta Ocupacional | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Psicopedagogo | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Intérprete de Libras | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Professor da Educação Básica II - Língua Portuguesa | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Professor da Educação Básica II - Artes | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Professor da Educação Básica II - Língua Inglesa | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Professor da Educação Básica II - Matemática | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Professor da Educação Básica II - Educação Física | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Professor da Educação Básica II - História | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Professor da Educação Básica II - Geografia | CONSULPAM - 2024 - Prefeitura de Guaraciaba do Norte - CE - Professor da Educação Básica II - Ciências |
Q3057535 Português
A postagem da usuária na rede social, “Tô dentro do salão, mas olha meu carro! Rezem pra chuva parar!”, evidencia uma mistura de níveis de linguagem que revela informações sobre o contexto comunicativo e a identidade da falante. A esse respeito, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3056845 Português

Leia o texto e, a seguir, responda à questão.


A beleza total Carlos


Drummond de Andrade



    A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços.

    A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes, por sua vez, perdiam toda capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa.

    O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça vivia confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma foto de Gertrudes sobre o peito.

    Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu destino fatal: a extrema beleza. E era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou sem condições de vida, e um dia cerrou os olhos para sempre. Sua beleza saiu do corpo e ficou pairando, imortal. O corpo já então enfezado de Gertrudes foi recolhido ao jazigo, e a beleza de Gertrudes continuou cintilando no salão fechado a sete chaves.


Disponível em: <http://www.companhiadasletras.com.br/trechos/13274.pdf>. Acesso em: 12 set. 2024.

No trecho, “Os espelhos pasmavam diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas.”, na expressão “os espelhos pasmavam” pode ser reconhecida qual figura de linguagem?
Alternativas
Ano: 2024 Banca: FEPESE Órgão: Prefeitura de Mafra - SC Provas: FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Advogado II | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Advogado | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Administrador | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Agente de Controle Interno | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Arquiteto | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Biólogo | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Bioquímico/Farmacêutico | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Contador | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Enfermeiro | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Fiscal Sanitarista | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Engenheiro Agrimensor | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Engenheiro Sanitarista | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Engenheiro em Segurança do Trabalho | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Engenheiro Civil | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Gestor Ambiental | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Médico do Trabalho | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Controlador Interno | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Médico Veterinário | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Nutricionista | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Pedagogo Social | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Psicólogo | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Engenheiro Agrônomo | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Mafra - SC - Assistente Social |
Q3056795 Português
Assinale a alternativa que indica corretamente a figura de linguagem presente na oração: Decidida a deixar seu país de origem, embarcou no avião imediatamente.
Alternativas
Respostas
741: D
742: C
743: A
744: B
745: C
746: B
747: B
748: B
749: A
750: A
751: A
752: D
753: A
754: B
755: A
756: B
757: A
758: C
759: A
760: B