Questões de Concurso Comentadas sobre denotação e conotação em português

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Q3215976 Português
Texto para responder à questão. Leia-o atentamente.


O homem que sabia javanês 



    Em uma confeitaria, certa vez, ao meu amigo Castro, contava eu as partidas que havia pregado às convicções e às respeitabilidades, para poder viver. 

    Houve mesmo, uma dada ocasião, quando estive em Manaus, em que fui obrigado a esconder a minha qualidade de bacharel, para mais confiança obter dos clientes, que afluíam ao meu escritório de feiticeiro e adivinho. Contava eu isso. 

    O meu amigo ouvia-me calado, embevecido, gostando daquele meu Gil Blas1, vivido, até que, em uma pausa da conversa, ao esgotarmos os copos, observou a esmo:

    – Tens levado uma vida bem engraçada, Castelo!

    – Só assim se pode viver... Isto de uma ocupação única: sair de casa a certas horas, voltar a outras, aborrece, não achas? Não sei como me tenho aguentado lá, no consulado! 

    – Cansa-se; mas, não é disso que me admiro. O que me admira, é que tenhas corrido tantas aventuras aqui, neste Brasil imbecil e burocrático.

    – Qual! Aqui mesmo, meu caro Castro, se podem arranjar belas páginas de vida. Imagina tu que eu já fui professor de javanês! 

    – Quando? Aqui, depois que voltaste do consulado?

    – Não; antes. E, por sinal, fui nomeado cônsul por isso.

    – Conta lá como foi. Bebes mais cerveja? 

    – Bebo. Mandamos buscar mais outra garrafa, enchemos os copos, e continuei:

     – Eu tinha chegado havia pouco ao Rio e estava literalmente na miséria. Vivia fugido de casa de pensão em casa de pensão, sem saber onde e como ganhar dinheiro, quando li no Jornal do Comércio o anuncio seguinte: 

    “Precisa-se de um professor de língua javanesa. Cartas, etc.” Ora, disse cá comigo, está ali uma colocação que não terá muitos concorrentes; se eu capiscasse quatro palavras, ia apresentar-me. Saí do café e andei pelas ruas, sempre a imaginar-me professor de javanês, ganhando dinheiro, andando de bonde e sem encontros desagradáveis com os “cadáveres”. Insensivelmente dirigi-me à Biblioteca Nacional. Não sabia bem que livro iria pedir; mas, entrei, entreguei o chapéu ao porteiro, recebi a senha e subi. Na escada, acudiu-me pedir a Grande Encyclopédie, letra J, a fim de consultar o artigo relativo a Java e à língua javanesa. Dito e feito. Fiquei sabendo, ao fim de alguns minutos, que Java era uma grande ilha do arquipélago de Sonda, colônia holandesa, e o javanês, língua aglutinante do grupo maleo-polinésico, possuía uma literatura digna de nota e escrita em caracteres derivados do velho alfabeto hindu.

1. um romance francês do século XVIII.

(BARRETO, Lima. O homem que sabia javanês e outros contos. Curitiba: Polo Editorial do Paraná, 1997. Fragmento.)
O conto “O homem que sabia javanês”, de Lima Barreto, trata-se de uma crítica à sociedade brasileira do início do século XX. O conto denuncia o bacharelismo e o sistema que favorecia os pseudointelectuais, enquanto aqueles com verdadeiro conhecimento não tinham oportunidades. Tal fato pode ser claramente identificado através do seguinte fragmento textual:
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Q3215971 Português
Texto para responder à questão. Leia-o atentamente


A tediosa vida de um super-herói


    Super-homem estava cansado. Não, não tinha nada a ver com o típico esgotamento físico que jamais afetaria o homem de aço. No entanto, havia anos, o super-herói estava cansado da humanidade e dos caminhos tortuosos que ela seguia. Havia décadas ele tentava salvar o ser humano de tragédias incontroláveis e, principalmente, de si mesmo.

    No entanto, após tantos planos e esforços, estratégias e salvamentos, ele percebia que as pessoas sempre voltavam à estaca zero. Apático, constatou que bastava salvar alguém de um buraco para este cair em uma vala, no segundo seguinte.

    Diante disso, Clarquinho – como era conhecido desde que se mudara para o Brasil – passava seus dias deprimido, trabalhando em um portal de “notícias”, escrevendo artigos sensacionalistas e inócuos: “Este celular vai revolucionar a humanidade” ou “Finalmente, a cura da calvície”.

    Na verdade, Clarquinho tinha vontade de escrever um artigo com o título “A tediosa vida de um super-herói”. Despejaria no artigo todo seu desalento, toda mágoa e angústia que o enfraquecia mais do que um quilo de kriptonita aninhado em seu colo.

    Certo dia, porém, ele abriu um perfil no Instagram. Extremamente reservado por conta da criação rigorosa que recebera dos pais, era a primeira vez que Clarquinho se enveredava pelas redes sociais. Começou a seguir velhos amigos. Sentiu-se nostálgico ao rever as fotos daqueles que, de uma forma ou outra, fizeram parte de sua vida. Sentiu-se especialmente emocionado ao entrar no perfil de Irene Lane, bisneta de Louis – ela tinha o mesmo sorriso meigo da bisavó.

    A rede social prendeu definitivamente sua atenção. Não tendo necessidade de dormir, ele varava noites e madrugadas seguindo pessoas, vasculhando fotos, postando feeds e stories.

    Certa noite, lá estava ele novamente vendo o perfil de Irene, quando houve um terrível incêndio na vizinhança – um incêndio de proporções assustadoras. Este era o momento em que ele abriria o pijama, arrebentando desnecessariamente botões – para tão somente ter que costurá-los novamente –, e exibiria o “S” colossal em seu peito. Sua chance de voar em alta velocidade, salvar a vida de inocentes e dar a eles a chance de não caírem no próximo buraco.

    No entanto, por algum motivo, Clark não ouviu as sirenes e nem sentiu o cheiro de fumaça. Estava hipnotizado, olhos presos na tela do celular.

    Naquele exato momento, Irene havia acabado de postar no Instagram uma foto em preto-e-branco de sua bisavó.

(Juliano Martins. A Tediosa vida de um super-herói. Crônicas Corrosivas. Disponível em: https://corrosiva.com.br/cronicas/tediosa-vida-de-um-super-heroi/. Acesso em: janeiro de 2025.)
No contexto, a palavra “apático” no trecho “Apático, constatou que bastava salvar alguém de um buraco para este cair em uma vala, [...]” (2º§) pode ser substituída, sem perder o sentido, por:
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Q3215967 Português
Texto para responder à questão. Leia-o atentamente


A tediosa vida de um super-herói


    Super-homem estava cansado. Não, não tinha nada a ver com o típico esgotamento físico que jamais afetaria o homem de aço. No entanto, havia anos, o super-herói estava cansado da humanidade e dos caminhos tortuosos que ela seguia. Havia décadas ele tentava salvar o ser humano de tragédias incontroláveis e, principalmente, de si mesmo.

    No entanto, após tantos planos e esforços, estratégias e salvamentos, ele percebia que as pessoas sempre voltavam à estaca zero. Apático, constatou que bastava salvar alguém de um buraco para este cair em uma vala, no segundo seguinte.

    Diante disso, Clarquinho – como era conhecido desde que se mudara para o Brasil – passava seus dias deprimido, trabalhando em um portal de “notícias”, escrevendo artigos sensacionalistas e inócuos: “Este celular vai revolucionar a humanidade” ou “Finalmente, a cura da calvície”.

    Na verdade, Clarquinho tinha vontade de escrever um artigo com o título “A tediosa vida de um super-herói”. Despejaria no artigo todo seu desalento, toda mágoa e angústia que o enfraquecia mais do que um quilo de kriptonita aninhado em seu colo.

    Certo dia, porém, ele abriu um perfil no Instagram. Extremamente reservado por conta da criação rigorosa que recebera dos pais, era a primeira vez que Clarquinho se enveredava pelas redes sociais. Começou a seguir velhos amigos. Sentiu-se nostálgico ao rever as fotos daqueles que, de uma forma ou outra, fizeram parte de sua vida. Sentiu-se especialmente emocionado ao entrar no perfil de Irene Lane, bisneta de Louis – ela tinha o mesmo sorriso meigo da bisavó.

    A rede social prendeu definitivamente sua atenção. Não tendo necessidade de dormir, ele varava noites e madrugadas seguindo pessoas, vasculhando fotos, postando feeds e stories.

    Certa noite, lá estava ele novamente vendo o perfil de Irene, quando houve um terrível incêndio na vizinhança – um incêndio de proporções assustadoras. Este era o momento em que ele abriria o pijama, arrebentando desnecessariamente botões – para tão somente ter que costurá-los novamente –, e exibiria o “S” colossal em seu peito. Sua chance de voar em alta velocidade, salvar a vida de inocentes e dar a eles a chance de não caírem no próximo buraco.

    No entanto, por algum motivo, Clark não ouviu as sirenes e nem sentiu o cheiro de fumaça. Estava hipnotizado, olhos presos na tela do celular.

    Naquele exato momento, Irene havia acabado de postar no Instagram uma foto em preto-e-branco de sua bisavó.

(Juliano Martins. A Tediosa vida de um super-herói. Crônicas Corrosivas. Disponível em: https://corrosiva.com.br/cronicas/tediosa-vida-de-um-super-heroi/. Acesso em: janeiro de 2025.)
No trecho “No entanto, após tantos planos e esforços, estratégias e salvamentos, ele percebia que as pessoas sempre voltavam à estaca zero.” (2º§), a expressão “estaca zero” sugere:
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Q3215964 Português
Texto para responder à questão. Leia-o atentamente


A tediosa vida de um super-herói


    Super-homem estava cansado. Não, não tinha nada a ver com o típico esgotamento físico que jamais afetaria o homem de aço. No entanto, havia anos, o super-herói estava cansado da humanidade e dos caminhos tortuosos que ela seguia. Havia décadas ele tentava salvar o ser humano de tragédias incontroláveis e, principalmente, de si mesmo.

    No entanto, após tantos planos e esforços, estratégias e salvamentos, ele percebia que as pessoas sempre voltavam à estaca zero. Apático, constatou que bastava salvar alguém de um buraco para este cair em uma vala, no segundo seguinte.

    Diante disso, Clarquinho – como era conhecido desde que se mudara para o Brasil – passava seus dias deprimido, trabalhando em um portal de “notícias”, escrevendo artigos sensacionalistas e inócuos: “Este celular vai revolucionar a humanidade” ou “Finalmente, a cura da calvície”.

    Na verdade, Clarquinho tinha vontade de escrever um artigo com o título “A tediosa vida de um super-herói”. Despejaria no artigo todo seu desalento, toda mágoa e angústia que o enfraquecia mais do que um quilo de kriptonita aninhado em seu colo.

    Certo dia, porém, ele abriu um perfil no Instagram. Extremamente reservado por conta da criação rigorosa que recebera dos pais, era a primeira vez que Clarquinho se enveredava pelas redes sociais. Começou a seguir velhos amigos. Sentiu-se nostálgico ao rever as fotos daqueles que, de uma forma ou outra, fizeram parte de sua vida. Sentiu-se especialmente emocionado ao entrar no perfil de Irene Lane, bisneta de Louis – ela tinha o mesmo sorriso meigo da bisavó.

    A rede social prendeu definitivamente sua atenção. Não tendo necessidade de dormir, ele varava noites e madrugadas seguindo pessoas, vasculhando fotos, postando feeds e stories.

    Certa noite, lá estava ele novamente vendo o perfil de Irene, quando houve um terrível incêndio na vizinhança – um incêndio de proporções assustadoras. Este era o momento em que ele abriria o pijama, arrebentando desnecessariamente botões – para tão somente ter que costurá-los novamente –, e exibiria o “S” colossal em seu peito. Sua chance de voar em alta velocidade, salvar a vida de inocentes e dar a eles a chance de não caírem no próximo buraco.

    No entanto, por algum motivo, Clark não ouviu as sirenes e nem sentiu o cheiro de fumaça. Estava hipnotizado, olhos presos na tela do celular.

    Naquele exato momento, Irene havia acabado de postar no Instagram uma foto em preto-e-branco de sua bisavó.

(Juliano Martins. A Tediosa vida de um super-herói. Crônicas Corrosivas. Disponível em: https://corrosiva.com.br/cronicas/tediosa-vida-de-um-super-heroi/. Acesso em: janeiro de 2025.)
A palavra “super-herói”, empregada no título e ao longo do texto, apresenta um sentido:
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Q3214633 Português
O viés da palavra câncer: combate ao estigma


         Receber um diagnóstico de câncer é uma experiência que não vem com manual de instruções. É desafiador lidar com a notícia e, mais ainda, se preparar para o que está por vir. A própria palavra câncer não é uma palavra que as pessoas gostam de pronunciar, porque carrega um estigma e um peso, decorrentes de décadas de desinformação.

       O estigma se reflete em expressões cotidianas. Quem nunca falou ou ouviu algo como “aquilo ali é um câncer para o País”? Não vamos menosprezar a doença que é, sim, complexa e pode ser o ponto final para muitas pessoas. Porém, precisamos ressaltar que os avanços em prevenção e tratamento são enormes e tornaram o diagnóstico cada vez mais promissor. É hora de reduzir a carga negativa que a palavra câncer carrega, pois, além de perpetuar desinformação, contribui para o isolamento emocional e psicológico de quem convive ou acompanha alguém nesse processo.

         Compreender o câncer e seu significado não é mais sobre viver em função da doença, mas tratá-la para viver mais e melhor. Cada paciente, incluindo crianças e adolescentes em formação, é um indivíduo com uma história e trajetória únicas. Essa combinação é o que traz as melhores taxas de cura e sobrevida.

        Tratar o câncer como algo terminal ou como uma guerra é uma violência silenciosa que abala a autoestima de quem está em tratamento. Medo e incerteza são naturais, mas, quando amplificados pelo estigma social, tornam-se fardos cruéis.

       O primeiro passo para mudar essa realidade é disseminar informações precisas sobre o que significa viver com câncer, destacando que essa não é mais uma condição implacável. Campanhas de conscientização são essenciais, mas precisamos de uma transformação mais profunda e genuína no discurso e nas atitudes diárias.


(Victor Piana. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao. Adaptado)
A expressão destacada está empregada em sentido próprio em:
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Q3214260 Português
Leia o texto para responder à questão.


A tragédia das crianças sem saneamento


    A falta de saneamento básico no Brasil faz com que 6,6 milhões de crianças de zero a seis anos, a chamada primeira infância, afastem-se de suas atividades, de acordo com o estudo Futuro em risco: efeitos da falta de saneamento na vida de grávidas, crianças e adolescentes, divulgado recentemente pelo Instituto Trata Brasil. Esse contingente de crianças, que equivale à população do Paraguai, segue sendo negligenciado na fase da vida que é, segundo múltiplas evidências nacionais e internacionais, determinante para um futuro digno. 

    Sem acesso a esgoto tratado e a creches, ou às vezes sem poder frequentar a creche, quando esta existe, justamente porque falta saneamento na região em que vivem, parte significativa das crianças brasileiras cresce com uma herança nefasta, traduzida por uma renda 46,1% menor na idade adulta, de acordo com o estudo. Considerando-se um período de 35 anos de atuação profissional, a diferença de renda entre quem conta e quem não conta com saneamento básico é de mais de R$ 126 mil, montante nada trivial em um país tão desigual quanto o Brasil.

    O estudo do Trata Brasil radiografa uma série de efeitos nefastos que vão se acumulando na vida de quem não conta com saneamento na primeira infância. Sem água tratada ou banheiro, crianças de 11 anos têm dificuldade para identificar as horas em um relógio ou para calcular o valor de um troco, habilidades básicas e extremamente necessárias no dia a dia. E esse é apenas um exemplo do quanto a falta do mínimo trava a capacidade de aprendizado e, por consequência, de ascensão social. Crianças que viveram a primeira infância em condições precárias de saneamento chegam à segunda infância (7 a 11 anos) com sequelas no desenvolvimento e têm notas sensivelmente mais baixas em avaliações como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Não é surpresa, então, que jovens de 19 anos sem acesso a saneamento tenham, em média, atraso de 1,8 ano na escolaridade. 

    Garantir acesso à água e ao esgoto tratados, bem como à educação, é o melhor investimento que o País pode fazer em nome do bem-estar da população brasileira e de seu próprio futuro. Sem esgoto tratado, milhões de brasileiros estão expostos a enfermidades que deveriam pertencer ao passado, sobrecarregando e onerando o sistema de saúde, faltam às aulas (quando e se há escola), aprendem pouco ou quase nada, como demonstram indicadores nacionais e internacionais de educação, e tornam-se adultos despreparados e dependentes de ajuda governamental.

(https://www.estadao.com.br/opiniao, 13.10.2024. Adaptado)
O verbo destacado está empregado em sentido figurado na passagem:
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Q3213078 Português
Os divórcios motivados pelo vício em bets e jogo do tigrinho:

'Meu marido vendeu nossa casa' (Ian Alves)

Felipe ainda não decidiu se vai contar ou não para sua esposa, Valentina, seu problema com as bets, as plataformas de aposta esportiva. Ou melhor, ex-esposa: embora ainda conversem e Felipe acredite que possam reatar, ela o deixou ________ 6 meses, depois de um relacionamento de 12 anos, junto com o filho de 10 anos do casal.

O problema, segundo Felipe, não foram apenas os cerca de 40 mil reais gastos em apostas que ele perdeu sem dar explicações ________ companheira, mas também seu comportamento ausente dentro de casa: "A mente de um jogador se torna obscura. Eu não conseguia mais desempenhar meu papel em casa, meu papel como pai. Não brincava mais com meu filho e parei de conversar direito com ela”. Desconfiando que as dívidas do marido estariam ligadas a um relacionamento com outra mulher, sua esposa decidiu se separar.

A história de Felipe ressoa nos relatos da advogada Audrey Cardoso Scattolin. Ela diz que, em 2022 e 2023, os divórcios motivados por vício nos jogos de azar, como o “jogo do tigrinho”, representam cerca de 80% dos casos de seu escritório. Para uma das clientes de Scattolin, a gota d’água para a decisão do divórcio foi ver o ex-marido apresentando o jogo do tigrinho para o filho de 12 anos.

A advogada também acumula histórias de clientes cujos cônjuges perderam centenas de milhares de reais, além de bens como carro e até a casa da família. Vários se envolveram com agiotas para pagar __________ dívidas e para continuar jogando. Desde a pandemia, as bets e os jogos de azar ficaram cada vez mais presentes no cotidiano dos brasileiros.

Especialistas apontam que parte do que tornou as bets tão populares no Brasil foi a exploração de uma paixão nacional, o futebol. Outro aspecto central é a ilusão de ganho de dinheiro fácil. Essa promessa atrai especialmente usuários de baixa renda, que passam a ver no jogo uma possibilidade de mudança de sua situação financeira.

(Os nomes originais das pessoas envolvidas com o vício do jogo foram alterados para preservar a identidade dos entrevistados.)


(https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy4l4p8dy3lo, com adaptações)
Em “Para uma das clientes de Scattolin, a gota d’água para a decisão do divórcio foi ver o ex-marido apresentando o jogo do tigrinho para o filho de 12 anos”, a expressão “gota d’água”:
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Q3207517 Português
Observe as frases a seguir.

I. Alguém atirou uma pedra na vidraça.
II. Você tem um coração de pedra!
III. Essa matéria é fogo.
IV. O fogo devastou a floresta.

Marque a alternativa que indica corretamente a classificação da linguagem utilizada em cada uma delas.
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Q3207249 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Acordou assustado. O sonho foi-se esfumando e ele viu apenas a tremura das estrelas no céu raso. O mundo estava parado. Nem uma folha mexia. O choro da criança esmoreceu e cessou. Fabiano respirou livremente. Sentia-se em casa. Era como se houvesse voltado à fazenda onde passara a meninice.

A noite avançava, e o silêncio era interrompido apenas pelo estalo seco da madeira ardendo nas brasas. Sinhá Vitória mexeu-se, inquieta, ajeitando os filhos sobre o pedaço de esteira que lhes servia de leito. O chão de terra batida, frio e áspero, contrastava com o calor do fogo que se espalhava pela pequena moradia de taipa. Lá fora, o vento levantava poeira e sussurrava entre as árvores secas do sertão.

Fabiano virou-se de lado, tentando ignorar o peso das preocupações que lhe atormentavam a mente. O gado estava magro, a seca persistia, e a incerteza dos dias seguintes o fazia resmungar baixinho. Sinhá Vitória percebeu sua inquietação, mas nada disse. O silêncio entre os dois era mais eloquente do que qualquer palavra. As dificuldades eram antigas e, de certa forma, já estavam entranhadas em suas vidas.

Fonte: Ramos, Graciliano. Vidas Secas. 1938. – Adaptado
No trecho: “O chão de terra batida, frio e áspero, contrastava com o calor do fogo que se espalhava pela pequena moradia de taipa.”, os adjetivos utilizados são importantes porque
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Q3207248 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Acordou assustado. O sonho foi-se esfumando e ele viu apenas a tremura das estrelas no céu raso. O mundo estava parado. Nem uma folha mexia. O choro da criança esmoreceu e cessou. Fabiano respirou livremente. Sentia-se em casa. Era como se houvesse voltado à fazenda onde passara a meninice.

A noite avançava, e o silêncio era interrompido apenas pelo estalo seco da madeira ardendo nas brasas. Sinhá Vitória mexeu-se, inquieta, ajeitando os filhos sobre o pedaço de esteira que lhes servia de leito. O chão de terra batida, frio e áspero, contrastava com o calor do fogo que se espalhava pela pequena moradia de taipa. Lá fora, o vento levantava poeira e sussurrava entre as árvores secas do sertão.

Fabiano virou-se de lado, tentando ignorar o peso das preocupações que lhe atormentavam a mente. O gado estava magro, a seca persistia, e a incerteza dos dias seguintes o fazia resmungar baixinho. Sinhá Vitória percebeu sua inquietação, mas nada disse. O silêncio entre os dois era mais eloquente do que qualquer palavra. As dificuldades eram antigas e, de certa forma, já estavam entranhadas em suas vidas.

Fonte: Ramos, Graciliano. Vidas Secas. 1938. – Adaptado
No trecho: “O silêncio entre os dois era mais eloquente do que qualquer palavra.”, a expressão destacada transmite a ideia de que
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Q3207246 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Acordou assustado. O sonho foi-se esfumando e ele viu apenas a tremura das estrelas no céu raso. O mundo estava parado. Nem uma folha mexia. O choro da criança esmoreceu e cessou. Fabiano respirou livremente. Sentia-se em casa. Era como se houvesse voltado à fazenda onde passara a meninice.

A noite avançava, e o silêncio era interrompido apenas pelo estalo seco da madeira ardendo nas brasas. Sinhá Vitória mexeu-se, inquieta, ajeitando os filhos sobre o pedaço de esteira que lhes servia de leito. O chão de terra batida, frio e áspero, contrastava com o calor do fogo que se espalhava pela pequena moradia de taipa. Lá fora, o vento levantava poeira e sussurrava entre as árvores secas do sertão.

Fabiano virou-se de lado, tentando ignorar o peso das preocupações que lhe atormentavam a mente. O gado estava magro, a seca persistia, e a incerteza dos dias seguintes o fazia resmungar baixinho. Sinhá Vitória percebeu sua inquietação, mas nada disse. O silêncio entre os dois era mais eloquente do que qualquer palavra. As dificuldades eram antigas e, de certa forma, já estavam entranhadas em suas vidas.

Fonte: Ramos, Graciliano. Vidas Secas. 1938. – Adaptado
No trecho: “O sonho foi-se esfumando e ele viu apenas a tremura das estrelas no céu raso”, o autor utiliza uma linguagem que transmite
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Q3204619 Português
Leia o texto a seguir e avalie a comunicação.
"Não sabia se seguia em frente ou voltava, mas a dúvida apertava o peito, e o silêncio da noite parecia lhe dar uma resposta."

Qual o tipo de linguagem predominante no texto?
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Q3203976 Português
Pesquisas indicam que a satisfação com a vida tende a começar alta, mas diminui até atingir um de seus níveis mais baixos na meia-idade. No entanto, com a chegada da velhice, sensações prazerosas como a alegria e o contentamento voltam a subir. É o que concluiu uma pesquisa da Universidade de Warwick, no Reino Unido: apesar do declínio físico – na maioria dos casos - as pessoas sentem-se mais felizes á medida que envelhecem. Internet: Internet:<www.oglobo.com>(com adaptações).
A palavra “velhice” foi empregada no trecho acima com seu sentido próprio, isto é, com o sentido que é apresentado no dicionário. Quando uma palavra, então, é empregada dessa maneira, é correto afirmar que ela foi usada de forma:
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Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: PC-MG Prova: FGV - 2025 - PC-MG - Médico Legista |
Q3203625 Português
Assinale a opção que apresenta a frase inteiramente construída em linguagem lógica (não figurada).
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Q3203470 Português
TEXTO I


As baleias (Canção de Roberto Carlos)

"Não é possível que você suporte a barra
De olhar nos olhos do que morre em suas mãos
E ver no mar se debater o sofrimento
E até sentir-se um vencedor neste momento
Não é possível que no fundo do seu peito
Seu coração não tenha lágrimas guardadas
Pra derramar sobre o vermelho derramado
No azul das águas que você deixou manchadas
Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram em velhos livros
Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão
O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à fúria louca
De uma cauda exposta aos ventos
Em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão"


Após a leitura do trecho acima da canção "As baleias" de Roberto Carlos, responda o que se pede na questão.
Quando o autor escreve "sentir-se um vencedor", ele quer dizer que esta vitória está relacionada com: 
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Q3203467 Português
TEXTO I


As baleias (Canção de Roberto Carlos)

"Não é possível que você suporte a barra
De olhar nos olhos do que morre em suas mãos
E ver no mar se debater o sofrimento
E até sentir-se um vencedor neste momento
Não é possível que no fundo do seu peito
Seu coração não tenha lágrimas guardadas
Pra derramar sobre o vermelho derramado
No azul das águas que você deixou manchadas
Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram em velhos livros
Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão
O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à fúria louca
De uma cauda exposta aos ventos
Em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão"


Após a leitura do trecho acima da canção "As baleias" de Roberto Carlos, responda o que se pede na questão.
Na música de Roberto Carlos, quando o autor escreve "vermelho derramado", provavelmente ele está se referindo:
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Q3194741 Português
Texto para responder à questão.

O açúcar


O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.


Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor que se dissolve na boca. Mas este açúcar,
não foi feito por mim.


Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,
dono da mercearia.
Este açúcar veio de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.


Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não crescem por acaso
no regaço do vale.
Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos vinte e sete anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.


Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.


(GULLAR, F. Toda poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980, p. 227-228.)
Na frase “Vejo-o puro e afável ao paladar como beijo de moça, água na pele, flor que se dissolve na boca.” (2ª estrofe), os termos estão empregados em sentido:
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Q3194534 Português

Negócio de ocasião


    Quando mandou colocar mármore no chão de seu apartamento, o vizinho de baixo veio reclamar: oito horas da manhã os operários começavam a quebrar mármore mesmo em cima de sua cabeça. Durma-se com um barulho desses! 

    – Está bem – concordou ele, acalmando o vizinho: – Vou mandar começar mais tarde.

    Mandou que os operários só começassem a trabalhar a partir das nove horas. Dois dias depois tornava o vizinho:

    – Assim não é possível. Já reclamei, o senhor prometeu, e o barulho continua!  

    – Mas é só por uns dias – argumentou ele: – o senhor vai ter paciência...

    E mandou que os trabalhos só se iniciassem a partir das dez horas. Com isso, pensava haver contentado o vizinho. Para surpresa sua, todavia, o homem voltou ainda para protestar, e desta vez furibundo, armado de revólver: 

    – Ou o senhor para com esse barulho ou faço um estrago louco.

    Olhou espantado para a arma e, cordato, convidou-o a entrar:

    – Não precisa se exaltar, que diabo. Vamos resolver a coisa como gente civilizada. Eu disse que era só por uns dias... Se o senhor quiser que eu pare, eu paro. Cuidado com esse negócio, costuma disparar. Qual é o calibre? 

    – Trinta e dois.

    – Prefiro trinta e oito. Mas esse parece ser muito bom... Que marca? 

    – Smith-Wesson.

     – Ah! Então deve ser muito bom. Cabo de madrepérola... Quanto o senhor pagou por ele? 

    – Cinco mil cruzeiros.

    – Não foi caro. Sempre tive vontade de ter um revólver desses. Quem sabe o senhor me venderia? 

    – Não vim aqui para vender revólver – explodiu o outro – mas para te avisar que esse barulho...

    – Não haverá mais barulho, esteja tranquilo. Agora, quanto ao revólver... Quer vender? 

    – O senhor está brincando...

    Não estou não: pela vida de minha mãezinha. Quer saber de uma coisa? Dou dez mil por ele. Sempre tive vontade... Vamos, aceite! Dez mil, pago na hora. 

    O homem começou a titubear. Olhou o revólver, pensativo: dez mil era um bom preço. Já pensava mesmo em vendê-lo... Olhou o dono da casa, tornou a olhar o revólver: 

    – Toma, é seu – decidiu-se.

    Antes de entrar na posse da arma, o comprador foi lá dentro, trouxe dez abobrinhas e estendeu-as ao vizinho. Depois, empurrou o revólver e chegou-lhe aos peitos:

    – Bem, agora ponha-se daqui pra fora. E fique sabendo que eu faço o barulho que quiser e quando quiser, entendeu? Venha aqui outra vez reclamar e vai ver quem é que acaba fazendo um estrago louco.


(Fernando Sabino. A mulher do vizinho. 2ª ed. RJ, Ed do Autor, 1962 p. 186.)

O uso das palavras em um contexto comunicativo pode criar diferentes relações de sentido entre elas. Em “– Ou o senhor para com esse barulho ou faço um estrago louco.” (7º§), os termos destacados denotam ideia de:
Alternativas
Q3194272 Português
Texto para responder à questão.


Era uma vez, duas, três

Não se passa no vestibular chutando as questões. Tem que se puxar, fazer valer o investimento.


         Em 2016, recebi um e-mail de um homem que eu não conhecia. Ele morava no Rio, mas estava na Patagônia, fazendo uma viagem de carro. Durante seu longo retorno para casa, fez um pit-stop em Porto Alegre e me convidou para jantar, mas não aceitei, mesmo ele tendo se esforçado. No e-mail, fez uma síntese de quem era, o que fazia, o que pensava, quais seus projetos e a razão de me escrever, além de anexar fotos da viagem, do seu carro, do seu rosto e até mesmo da sua carteira de identidade, o que me fez rir, demonstrava humor na sua intenção de provar que não era um serial killer.

       Agradeci, dei uma trelinha para compensar o tempo que ele havia perdido escrevendo aquela mensagem que mais parecia um currículo, mas não me aventurei, jantei em casa.

       Lembrei desta história quando, semana passada, recebi um e-mail de outro desconhecido. Vou trocar seu nome, mas a mensagem era a seguinte: Meu nome é Giba, há muito tempo desejo te conhecer pessoalmente ou trocar algumas “palabras” no celular.

      Escreveu apenas isso – no cabeçalho, não no corpo do e-mail, que veio vazio. O retrato da penúria, a síntese desses tempos. Ele preferiu matar o assunto rapidinho. Se apresentar para quê? Revelou apenas o apelido e não se preocupou em explicar se o uso do estrangeirismo era erro de digitação ou resquício do idioma natal. Eu que lutasse.

     É comum as pessoas reclamarem que tudo dá errado para elas, culpando as conspirações cósmicas, que nunca alinham com seus planos. O Giba ficou sem uma resposta privada, mas inspirou essa crônica de utilidade pública: não se passa no vestibular chutando as questões, não se vai bem numa entrevista de emprego sendo monossilábico. Tem que se puxar. Fazer valer o investimento.     

      Quem teve um poema publicado em uma revista, enviou uns 25. O turista que conseguiu uma passagem de avião barata ficou a madrugada inteira pesquisando promoções. Lembra quando dependíamos de ligações telefônicas para empresas que só davam ocupado? Quantas horas tentando, tentando, até ser atendido? Que bets, que nada: a melhor aposta é em si mesmo.

       Não somos prêmios para ninguém, não estamos em promoção, mas o exemplo do Giba serve de alerta: quem almeja algo, seja o que for, não pode ser tão preguiçoso. Que se dedique um pouquinho, até para demonstrar que tem alguma noção sobre as dificuldades da vida. Eu imagino o Giba deitado numa cama às quatro da tarde, abatido, entediado, escrevendo aquelas duas linhas entre uma soneca e outra. Já o carioca que perambulou pela Patagônia voltou a me escrever mais uma, duas, três vezes, e acabamos namorando. Não durou para sempre, mas foi divertido. Quando a persistência encontra a confiança, dá match.


(MEDEIROS, Martha. Era uma vez, duas, três. Jornal O Globo. Em: dezembro de 2024.)
Assinale a passagem em que predomina a linguagem conotativa, figurada ou metafórica.
Alternativas
Q3187621 Português
Guerras, desastres climáticos e tecnomilionários: 2025 inaugura uma nova ordem mundial


O regresso de Donald Trump à Casa Branca ameaça revolucionar as relações internacionais já abaladas pela invasão russa da Ucrânia. Tudo aponta para mudanças profundas nos conflitos, nas alianças, no comércio, na luta contra as alterações climáticas e no futuro da democracia.

O ano que acaba de começar parece ser um poderoso acelerador no caminho para uma nova ordem mundial, na qual o multilateralismo está em colapso, as velhas alianças estão se deteriorando – e as novas estão se consolidando –, o protecionismo está galopando, a democracia enfrenta ameaças sem precedentes.

A China vem buscando há algum tempo reformular o acordo entre as nações que melhor acomode seus interesses. A Rússia perturbou os equilíbrios pós-Guerra Fria em 2022, quando Vladimir Putin catapultou o mundo para uma nova fase geopolítica com a invasão em grande escala da Ucrânia, que é o desafio violento da ordem anterior. A partir de 20 de janeiro, dia da tomada de posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, o mundo terá de assumir que a grande potência que construiu a ordem atual também vai querer uma ordem diferente.

É a confluência destes fatores que faz com que 2025 tenha o potencial para mudanças extraordinárias. Como observou um relatório recente do grupo de reflexão International Crisis Group, “o mundo parece caminhar para uma mudança de paradigma. A questão é se isso acontecerá nas mesas de negociação ou nos campos de batalha”.

É claro que, sempre que lhe convinha, os Estados Unidos quebraram princípios e pisotearam as instituições da ordem que construíram e que agora estão se desfazendo. Mas, mesmo que fosse por interesses egoístas, foi um motor na construção de um quadro com acordos e instituições internacionais que teve alguns efeitos benéficos. Trump não parece acreditar nisso nem por princípios nem por interesses. Ele demonstrou isso no seu primeiro mandato e tudo indica que este segundo mandato será muito mais conturbado.


(Andrea Rizzi, publicada por El País, 05-01-2025, com adaptações)
[Questão Inédita] Assinale a alternativa em que NÃO se identifica o sentido conotativo.
Alternativas
Respostas
81: E
82: D
83: D
84: D
85: E
86: C
87: A
88: C
89: B
90: A
91: B
92: E
93: A
94: C
95: C
96: B
97: D
98: A
99: D
100: D