Questões de Concurso Sobre crase em português

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Q3455076 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão: 



O crescimento do lixo eletrônico e suas implicações globais 



        Equipamentos elétricos e eletrônicos (EEE) referem-se a uma ampla gama de produtos que possuem circuitos ou componentes elétricos com fonte de alimentação ou bateria. Presente na maioria dos lares e das empresas, esse tipo de equipamento abrange utensílios básicos de cozinha e dispositivos de tecnologias de informação e comunicação, tais como telefones celulares e laptops. Além de seu uso doméstico cotidiano, os produtos eletrônicos têm sido cada vez mais empregados no contexto de casas e cidades inteligentes, como o uso de fechadura digital para acessar uma casa, do bilhete único nos ônibus e da semaforização inteligente para privilegiar o transporte público em corredores.



        Cada produto tem um perfil de vida útil específico, o que significa que as categorias possuem diferentes quantidades de resíduos e potenciais impactos na saúde e no meio ambiente, quando os produtos são reciclados de maneira inadequada. Consequentemente, a tecnologia de reciclagem, os processos logísticos e de coleta mudam para cada categoria, da mesma forma que a atitude dos consumidores no descarte dos EEE também varia.



        Quanto ao ciclo de vida do produto elétrico e eletrônico, depois de ser vendido, ele é usado por um determinado período em residências e empresas. Esse período é chamado de “fase de estoque”, que inclui o tempo de espera em galpões, bem como a troca dos equipamentos de segunda mão entre famílias e empresas.



        Quando o tempo de vida desse produto chega ao fim, ou seja, quando ele para de funcionar e é descartado pelo proprietário, sem a intenção de reutilização, nesse momento, o EEE torna-se lixo eletrônico.


(Vanessa Forti, “O crescimento do lixo eletrônico e suas implicações globais”, Panorama setorial da Internet. Disponível em: https://cetic.br/pt/publicacoes/indice/panoramas/. Adaptado)

Leia os trechos a seguir:



•  Equipamentos elétricos e eletrônicos (EEE) referem-se _______ produtos que possuem circuitos ou componentes elétricos com fonte de alimentação ou bateria.


•  A atitude dos consumidores no descarte dos EEE deve variar conforme _______ categoria.


•  Depois de ser vendido, o produto passa _______ ser usado em residências e empresas.


•  O descarte inadequado de lixo eletrônico é prejudicial também _______ saúde.



Assinale a alternativa que preenche as lacunas, corretamente e na ordem em que aparecem, de acordo com a norma-padrão do emprego do acento indicativo de crase.

Alternativas
Q3454318 Português
Assinale a alternativa redigida em conformidade com a norma-padrão de emprego do acento indicativo de crase.
Alternativas
Q3453812 Português
As obras de arte são essenciais _____ humanidade, pois nos conectam ______ essência da nossa história e cultura. Apesar de algumas delas poderem chegar _____ custar milhões, muitas estão acessíveis ________ quem desejar vê-las nos museus ou mesmo na internet.

As lacunas do texto podem ser preenchidas, correta e respectivamente, por
Alternativas
Q3453703 Português

Leia o texto a seguir para responder a questão.



Trabalho infantil: crianças impedidas em nome da sobrevivência



        O trabalho infantil expõe a desigualdade e a indiferença ao direito de ser criança. “O trabalho infantil impede que crianças desenvolvam, em toda potência, suas habilidades e capacidades em um contexto saudável. Consiste na violação à regra constitucional de prioridade absoluta à garantia dos direitos às crianças e aos adolescentes. As consequências geram efeitos para toda a vida, alimentando o ciclo de pobreza e exclusão social”, ressalta Mariana Zan, advogada do Instituto Alana.



        Segundo relatórios, 160 milhões de crianças e adolescentes vivem atualmente em situação de trabalho infantil no mundo, sendo cerca de 2 milhões de crianças e adolescentes no Brasil. Mais da metade tem entre 5 e 11 anos. Os números reforçam a cultura de que é normal crianças trabalharem para sobreviver. Vê-se que a sociedade ignora o direito à infância. No interior do Pará, encontramos o caso de Vilciney Silva. “Com nove anos, eu ia para a feira vender coxinha de manhã e pamonha à tarde. Nos fins de semana, eu vendia amendoim nas festas. Morava com meus avós e não tinha tempo para brincar nem estudar. A gente tinha que existir e se alimentar”, conta.



        Hoje, pai de três meninos, faz questão de brincar quando estão juntos. Para ele, é o momento de alegria que descobriu já adulto. O trabalho durante a infância não era uma opção. Tinha que fazer. “Eu me questionava se ia conseguir as coisas sem a escola. Mas entre estudar e ter comida, a fome falava mais alto”, diz. Prestes a terminar o curso de licenciatura em Educação do Campo, ele quer seguir os estudos e fazer mestrado. Os sonhos do menino que trabalhava na feira foram adiados por muito tempo. “Percebi a necessidade de estudar e que, para o pobre, as dificuldades sempre acontecem, mas a gente não tem que desistir”, conclui.


(Célia Fernanda Lima. “Trabalho infantil: crianças impedidas em nome da sobrevivência”. Lunetas. 13.06.2022. Adaptado)

Assinale a alternativa em que foi empregado corretamente o sinal indicativo de crase na palavra destacada.
Alternativas
Q3453405 Português
A estrada construída para a COP30 em Belém na Amazônia

Uma nova rodovia de quatro faixas que corta dezenas de milhares de hectares de floresta amazônica protegida está sendo construída para a COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), que acontece em Belém do Pará.

O objetivo é facilitar o tráfego para a capital paraense, que receberá mais de cinquenta mil pessoas — incluindo líderes mundiais — na conferência em novembro.

O governo estadual promove a rodovia como sustentável, mas moradores e ambientalistas criticam impacto ambiental.

A Amazônia desempenha um papel vital na absorção de carbono para o planeta e na preservação da biodiversidade, e críticos dizem que esse desmatamento contradiz o próprio desígnio de uma conferência climática.

Ao longo da estrada parcialmente construída, a densa floresta tropical se ergue dos dois lados — um lembrete do que já esteve ali.

Toras de madeira estão empilhadas nas áreas desmatadas, que se estendem por mais de treze quilômetros floresta adentro até Belém.

Escavadeiras e máquinas abrem caminho pelo chão da floresta, aterrando áreas úmidas para pavimentar a estrada que cortará uma área protegida.

Claudio Verequete mora a cerca de duzentos metros de onde a estrada passará. Ele costumava ganhar a vida colhendo açaí de árvores que antes ocupavam o local.

"Tudo foi destruído", diz ele, apontando para a clareira.

"Nossa colheita já foi derrubada. Não temos mais essa renda para sustentar a família."

Ele afirma que não recebeu nenhuma compensação do governo estadual e que, atualmente, vive com suas economias. Também receia que a construção da estrada leve a mais desmatamento no futuro, agora que a área se tornou mais acessível a empresas.

"Nosso medo é que um dia alguém chegue aqui e diga: 'Toma esse dinheiro. Precisamos dessa área para construir um posto de gasolina ou um galpão.' E então, teremos que sair daqui", diz.

Sua comunidade não terá acesso à estrada, devido aos muros que a cercam em ambos os lados.

"Para nós, que moramos ao lado da rodovia, não haverá benefícios. Os benefícios serão para os caminhões que passarão por ela. Se alguém ficar doente e precisar ir até o centro de Belém, não conseguirá usar a estrada."

A via deixa duas áreas de floresta protegida desconectadas. Cientistas estão preocupados com o risco de fragmentação do ecossistema e de interrupção no deslocamento da fauna.

A professora Silvia Sardinha é veterinária especializada em vida selvagem e pesquisadora em um hospital universitário de animais que fica de frente para o local onde a nova estrada está sendo construída.

Ela e sua equipe reabilitam animais silvestres feridos, principalmente por causas humanas ou atropelamentos.

Depois de recuperados, eles são devolvidos à natureza; algo que, segundo ela, será mais difícil com uma rodovia logo ao lado.

"Animais terrestres não poderão mais atravessar para a outra direção, reduzindo as áreas onde podem viver e se reproduzir."

O governo diz que o encontro será uma oportunidade para focar nas necessidades da região, mostrar a floresta ao mundo e apresentar o que tem feito para protegê-la.

A professora Sardinha diz que, embora essas conversas aconteçam "em um nível muito alto, entre empresários e autoridades governamentais", quem vive na Amazônia "não está sendo ouvido".


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cp8v44gdjr2o.adaptado.
Sua comunidade não "terá acesso à estrada", devido aos muros que a cercam em ambos os lados.
Em relação ao sinal indicativo de crase na expressão destacada, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3451882 Português
Uso da Crase em Textos Clínicos
O uso adequado da crase é fundamental na redação médica. Qual das seguintes prescrições está gramaticalmente correta quanto ao emprego da crase?
Alternativas
Q3450743 Português

Os impactos ambientais da computação

Intensivo em uso de energia e água, o setor responde por 1,7% das emissões de carbono na atmosfera; uma nova área de pesquisa surge para lidar com o problema 

     Parte essencial da vida moderna, a computação está em todos os lugares. É difícil imaginar o cotidiano sem os recursos do mundo digital, como internet, redes sociais, streaming de vídeo, programas de inteligência artificial e os mais variados
aplicativos. Governos, organizações e empresas de diversos setores dependem cada vez mais das tecnologias da informação e comunicação (TIC). O crescente aumento da demanda computacional, contudo, gera impactos no meio ambiente. Estima-se que entre 5% e 9% da energia elétrica consumida no mundo se destine à infraestrutura de TI e comunicações em geral e ao seu uso. A Agência Internacional de Energia (IEA) alerta para uma tendência de forte aumento nessa demanda. O gasto energético de data centers, instalações com robusto poder de armazenamento e processamento de dados, e dos setores de inteligência artificial (IA) e criptomoedas, segundo a entidade, poderá dobrar no mundo em 2026 em relação a 2022, quando foi de 460 terawatts-hora (TWh) – naquele mesmo ano, o Brasil consumiu 508 TWh de energia elétrica.

     “O uso de energia é inerente à computação”, constata a cientista da computação Sarajane Marques Peres, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) e pesquisadora do Centro de Inteligência Artificial C4AI, financiado por FAPESP e IBM. [...] 

     “Todas as nossas atividades digitais, como navegar na internet, acessar redes sociais, participar de videoconferências e enviar fotos para os amigos, têm, em última instância, efeitos sobre o ambiente”, aponta a cientista da computação Thais Batista, presidente da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e professora do Departamento de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

     A energia destinada aos data centers é usada não apenas para a operação dos servidores, mas também para manter em funcionamento seu sistema de refrigeração. “Por trabalharem sem parar em processamento numérico, os computadores aquecem, emitem calor e precisam ser resfriados e mantidos em uma temperatura razoavelmente baixa”, ressalta o cientista da computação Marcelo Finger, do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP. “A depender da matriz que produz essa energia, haverá mais ou menos efeitos nocivos no ambiente”, afirma Peres, referindo-se à emissão de dióxido de carbono (CO₂) quando são queimados combustíveis fósseis para a obtenção da energia elétrica utilizada.

     Google, Microsoft, Apple, Amazon e outras grandes multinacionais de tecnologia, as chamadas big techs, comprometeram-se a zerar suas emissões de carbono até 2030 – segundo especialistas ouvidos pela reportagem, não há indícios de que esse objetivo possa ser atingido. Em 2023, último ano com dados disponíveis, as emissões dessas companhias cresceram principalmente por causa dos sistemas de inteligência artificial, que demandam grande poder de processamento – e, portanto, elevada carga energética – para serem treinados e funcionar.

     O aumento do consumo de energia e da emissão de carbono não é o único fator que preocupa. O uso intensivo de água por data centers para manter em operação seus sistemas de refrigeração, bem como a emissão de calor no ambiente, também acendem um sinal de alerta. “O consumo hídrico é uma preocupação mais recente, visto que a maioria dos grandes data centers usa refrigeração líquida para seus equipamentos de grande porte”, ressalta o bacharel em computação científica Álvaro Luiz Fazenda, do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus de São José dos Campos. Uma das soluções é usar fontes de água não potável para realizar os processos de resfriamento.

     A exploração muitas vezes insustentável de elementos terras-raras e outros minerais, como silício, cobre e lítio, usados para a produção de discos rígidos, chips e baterias, e o descarte de computadores, celulares e outros aparelhos eletrônicos que rapidamente se tornam obsoletos, também elevam a pressão da computação sobre os ecossistemas. [...] 

     Buscando enfrentar o problema, uma nova área de estudos, conhecida como computação verde ou sustentável, tem ganhado força no Brasil e no mundo. “Ela se refere ao conjunto de práticas, técnicas e procedimentos aplicados à fabricação, ao uso e ao descarte de sistemas computacionais com a finalidade de minimizar seu impacto ambiental”, explica o pesquisador da UFABC.

 A fim de alcançar esse objetivo, várias práticas têm sido propostas, como elevar a eficiência energética de hardwares e softwares, permitindo que realizem as mesmas operações consumindo menos energia. Projetar sistemas mais duradouros, reparáveis e recicláveis, que reduzam a geração de lixo eletrônico, é outra abordagem, assim como priorizar o emprego de materiais sustentáveis na produção e operação de dispositivos computacionais e o uso de energias renováveis em data centers. [...] 

     Reduzir o gasto energético dos sistemas de inteligência artificial foi o que tentaram fazer os pesquisadores da startup chinesa DeepSeek. O chatbot DeepSeek-V3, lançado no fim de janeiro, causou surpresa ao apresentar desempenho comparável ao dos modelos da OpenAI e do Google, mas com custo substancialmente menor.

     “O DeepSeek é um exemplo de que é possível desenvolver IA de boa qualidade usando menos recursos computacionais e energia”, ressalta o cientista da computação Daniel de Angelis Cordeiro, da EACH-USP. “Investir em pesquisa de algoritmos mais eficientes e em melhorias na gestão dos recursos computacionais usados nas etapas de treinamento e inferência pode contribuir para a criação de uma IA mais sustentável.” [...] 


Adaptado de: https://revistapesquisa.fapesp.br/os-impactosambientais-da-computacao/ Acesso em: 15 mar. 2025. 

Tendo em vista as regras de uso do sinal indicativo de crase, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3447111 Português
A questão refere-se aos textos reproduzidos a seguir.


TEXTO 1


Cinemas sofrem com público que canta, faz baderna e fuma maconha nas salas

Guilherme Luis


O caos se anunciava desde o saguão. Dezenas de pessoas bradavam que estavam na fila do cinema só para admirar Lady Gaga na telona. Quem queria mesmo ver o filme "Coringa: delírio a dois" pedia licença e, com cautela, se espremia entre os fãs para alcançar a porta.


É cada vez mais comum presenciar tumultos assim nas salas. Em maio, uma sessão da cinebiografia de Bob Marley, em Pernambuco, foi interrompida pela Polícia Militar após jovens fumarem maconha no escuro. No TikTok, vídeos mostram gente brigando em sessões de "Divertida Mente 2", filme que reuniu multidões no país e deixou sentimentos à flor da pele.


O fenômeno é global. Exibições do musical "Wicked" pelo mundo todo estão sendo atrapalhadas por espectadores que entoam as canções em voz alta. Já se multiplicam os vídeos de cenas inteiras na internet, publicadas por pessoas que não se acovardaram em fazer gravações com o celular por minutos a fio, o que caracteriza pirataria.


A revista Variety publicou uma reportagem sobre esse novo comportamento do público diante de um filme, no cinema. Um executivo de Hollywood afirmou, em condição de anonimato, que a indústria já notou que as atitudes das pessoas mudaram drasticamente desde a pandemia. É o que afirma também Marcos Barros, presidente da Abraplex, a Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex. "Não sou otimista quanto ao comportamento das pessoas. É outra cabeça. Não vamos voltar para aquilo de todos prestarem atenção no filme", disse ele, num debate de um evento do setor.


Virais, os vídeos que registram cenas como essas divertem na mesma medida em que espantam. Nas redes sociais, usuários clamam pela volta da lanterninha, funcionário que monitorava as sessões para garantir que o público mantivesse a etiqueta. Há anos, o cargo foi extinto para redução de custos. Há também, cada vez mais, relatos de gente incomodada com quem usa celular na sala ou comenta em voz alta o que vê na tela. Essa desinibição tem a ver com novos tipos de vídeos exibidos pelos cinemas, como gravações de shows, que fazem o público cantar e dançar, afirma Luiz Fernando Angi, gerente de marketing da rede Cinépolis.


Em crise, com salas esvaziadas, os exibidores precisaram lembrar ao público por que uma telona, caixas de som superpotentes e sacos de pipoca engordurados casam tão bem. Para atrair os mais inquietos, redes, como a Cinemark e a Cinépolis, passaram a exibir conteúdos que remetem a eventos ao vivo. O mais emblemático deles foi a gravação da turnê de Taylor Swift, no ano passado. As sessões, cheias de fãs fantasiados, viraram uma extensão dos palcos por onde a cantora passava. Numa sessão vista por este repórter no Cinemark do shopping Eldorado, em São Paulo, os espectadores gritavam desde o início e não ficaram sentados. Logo estavam dançando pela sala. 


Um tumulto parecido ocorreu no Cine Marquise, na avenida Paulista, mas por causa de Beyoncé, que também levou um show às telas. Os funcionários, assustados com a multidão que se levantou para dançar, tiveram de instalar barreiras que os impedissem de chegar à tela, onde o chão é mais frágil.


Para desincentivar o mau comportamento nas salas, em especial o uso de celular, o Cine Marquise decidiu não compartilhar, nas suas redes, fotos e vídeos da tela publicados pelos clientes. "Surgiu uma falta de noção. Hoje tudo é ‘instragramável’", diz Marcelo Lima, diretor da rede. “Não é novidade que o celular e as redes viciam”, lembra a psicóloga Marcelle Alfinito. "O uso abusivo é associado a uma ansiedade social, e o celular vira mecanismo de fuga da realidade", diz ela, acrescentando que isso explica a vontade de mostrar que se está em um cinema.


Exibidores procuram formas de contornar o problema, mas não apresentam medidas sólidas. "A gente tem tentado criar campanhas para constranger quem não segue a etiqueta", conta Lima, do Cine Marquise, sem detalhar como serão as ações. Angi, da Cinépolis, diz que a rede desincentiva o uso de celular com o vídeo educativo exibido antes dos filmes — o que a maioria das exibidoras já faz —, e que recompensa o cliente que se sente lesado oferecendo outra sessão. Procurada, a Cinemark não quis comentar o assunto.

Disponível em: https ://www1.folha.uol.com.br/ilustrada. Acesso em: 10 fev. 2025. [Adaptado]


TEXTO 2


Terra de ninguém e de todo mundo

Ruy Castro


E pensar que, algumas vezes, neste espaço, me queixei de que, ao ir ao cinema, a sinfonia de maxilares triturando pipoca ao meu redor me impedia de escutar os diálogos. Pipoca no cinema nunca foi novidade, claro. Vem desde os tempos da manivela. Só não era obrigatória. Imagine comer pipoca em filmes como "M, o Vampiro de Dusseldorf" (1931), de Fritz Lang, ou "O Silêncio" (1962), de Ingmar Bergman, com aquelas longas pausas silenciosas cheias de significado. O próprio roedor de pipoca ficaria sem jeito ao ouvir-se a si mesmo.


Estou ciente de que cada um come o quê, quem, quanto, quando e onde quiser, e os incomodados que se mudem. O que me intrigava era se as pessoas estavam comendo tanta pipoca fora dos cinemas — na rua, em casa, no escritório — quanto dentro. Ao saber que 90% do consumo mundial de pipoca se dá nas salas de projeção, convenci-me de que os filmes tinham se tornado só um pretexto para o consumo do principal produto dos estúdios: a pipoca.


Mas recente e assustadora reportagem de Guilherme Luis na Folha ("Sessões sofrem com público, que não sai do celular, fala alto e até canta no filme", 14/12) fez-me suspeitar que fui injusto com o pessoal que se limitava a britar grãos de milho com seus molares. De fato, não era tão incômodo assim, mesmo porque os cinemas compensavam elevando a música a volumes centibélicos, capazes de abafar até o ronco de uma betoneira no palco.


Segundo a matéria, o problema, hoje, é que, conforme os proprietários das salas, cada espectador acha que pode fazer o que quiser dentro do cinema. Gravar trechos inteiros do filme e jogá-los nas redes. Ir lá na frente e tirar selfies com os atores na tela. Participar do filme, vaiando, aplaudindo ou discutindo-o com a turma em voz alta. Se for um musical, cantar junto com o artista e dançar nos corredores ou em cima das poltronas. Fumar vape ou um baseado em certas cenas. 


Não sei se a sério, alguém sugeriu a volta do lanterninha, aquele antigo funcionário que passeava pelo escurinho para inibir os casais mais excitados. Hoje, ser lanterninha será uma profissão de risco.

Disponível em: https ://www1.folha.uol.com.br/colunas /ruy castro. Acesso em: 10 fev. 2025. [Adaptado]
Para responder a questão, analise o parágrafo do Texto 1 reproduzido abaixo. 

Um tumulto parecido ocorreu no Cine Marquise, na avenida Paulista, mas por causa de Beyoncé, que também levou um show às telas. Os funcionários, assustados com a multidão que se levantou para dançar, tiveram de instalar barreiras que os impedissem de chegar à tela, onde o chão é mais frágil.

Em relação às duas ocorrências do acento grave, o uso do acento é 
Alternativas
Q3447038 Português
Marque a frase em que o uso da crase está correto:
Alternativas
Q3447007 Português
Assinale a alternativa em que o uso do acento indicativo de crase está CORRETO, conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: CAESB-DF Provas: CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Advogado - Especialidade: Advogado | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Engenheiro Químico | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Biólogo | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Geógrafo | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Engenheiro Agrimensor | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Químico | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Suporte ao Negócio - Administrador | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Engenheiro Ambiental | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Engenheiro Civil | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Suporte ao Negócio - Analista de Sistemas | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Engenheiro Eletricista | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Engenheiro Eletrônico | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Florestal | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Sistemas de Saneamento - Especialidade: Engenheiro Mecânico | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Suporte ao Negócio - Contador | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Suporte ao Negócio - Economista | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Suporte ao Negócio - Estatístico | CESPE / CEBRASPE - 2025 - CAESB-DF - Analista de Suporte ao Negócio - Pedagogo |
Q3444160 Português
Texto CG1A1


       Como nasceu Brasília? A resposta é simples. Como todas as grandes iniciativas, surgiu quase de um nada. A ideia da interiorização da capital do país era antiga, remontando à época da Inconfidência Mineira. A partir daí, viera rolando pelas diferentes fases da nossa história: o fim da era colonial, os dois reinados e os sessenta e seis anos da República, até 1955. Pregada por alguns idealistas, chegou, mesmo, a se converter em dispositivo constitucional. No entanto, a despeito dessa prolongada hibernação, nunca aparecera alguém suficientemente audaz para dar-lhe vida e convertê-la em realidade.

       Coube a mim levar a efeito a audaciosa tarefa. Não só promovi a interiorização da capital, no exíguo período do meu governo, mas, para que essa mudança se processasse em bases sólidas, construí, em pouco mais de três anos, uma metrópole inteira — moderna, urbanisticamente revolucionária —, que é Brasília.

       Yuri Gagarin, o famoso astronauta, disse-me ao ver Brasília pela primeira vez: “A ideia que tenho, presidente, é a de que estou desembarcando em um planeta diferente, que não a Terra”.

        De fato, o cenário de Brasília tem aspectos realmente singulares. As cúpulas do Palácio do Congresso, uma côncava e outra convexa; a imponência da Praça dos Três Poderes, refletindo o brilho de suas sucessivas fachadas de vidro; o Palácio do Supremo Tribunal de Justiça, apoiado em alicerces tão tênues que dão a impressão de que o edifício não toca o chão, mas flutua; a beleza do Palácio da Alvorada, concebido em linhas de uma harmonia tão perfeita que o traçado de suas colunas sui generis já é motivo ornamental até de certo tipo de louça sofisticada. Tudo ali é diferente, revolucionário. Reflete uma estética urbanística única no mundo. E, sobre o acúmulo das maravilhas criadas pelo gênio humano, estende-se o infinito do horizonte rasgado do Planalto — um horizonte baixo, que lembra as vastidões marinhas e que, sendo enorme, serve de palco, pela manhã e à tarde, aos mais deslumbrantes jogos de luz de que é capaz a natureza.

       Assim é Brasília em uma visão caleidoscópica, sem se recordar o seu todo urbanístico — os blocos residenciais; o Eixo Monumental; a audaciosa torre de telecomunicações com seu restaurante panorâmico; as famosas “quadras” autossuficientes, recordando, em uma feição moderna, as comunidades medievais; e, sobretudo, o lago artificial, com 600 milhões de metros cúbicos de água, dotado de praias, iate clube, barcos a vela e toda natureza de esportes aquáticos.

        No mundo existem algumas cidades artificiais, isto é, não nascidas por imposições sociopolíticas, mas erigidas por iniciativa de reis ou de governantes. A construção de todas elas arrastou-se por anos, e algumas, apesar do tempo passado, ainda não estão de todo concluídas. Por outro lado, nenhuma delas possui uma história própria — uma história de heroísmo, audácia, determinação e espírito de pioneirismo épico, que representou sua construção, exibe uma insígnia que lhe empresta importância ímpar, quando posta em comparação com suas congêneres. A nova capital, descontada sua grandiosidade arquitetônica, permitiu que dois terços do nosso território — que eram desalentadores “espaços vazios” — fossem conquistados. Pode-se dizer assim, e com a maior segurança, que o Brasil só se tornou adulto depois da construção de Brasília.


Juscelino Kubitschek. Por que construí Brasília.
Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2000 (com adaptações).  
A respeito do emprego do sinal indicativo de crase no texto CG1A1, julgue os itens que se seguem.

I No trecho “remontando à época da Inconfidência Mineira” (quarto período do primeiro parágrafo), o emprego do acento grave no vocábulo “à” justifica-se pela regência do verbo remontar e pelo caráter definido do termo feminino “época”.
II É facultativo o emprego do acento grave no vocábulo “a” em “a mim” (primeiro período do segundo parágrafo).
III É obrigatório o uso do acento grave no vocábulo “à” em “à tarde” (último período do quarto parágrafo).

Assinale a opção correta.
Alternativas
Q3442370 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Pando, a árvore considerada um dos seres vivos mais antigos e pesados do mundo



Para o visitante desavisado, Pando nada mais é do que um belo bosque de uma espécie de álamo chamada álamo-trêmulo.


Mas há milhares de anos suas raízes guardam um segredo genético que o torna ainda mais interessante.


Localizado em uma área de quarenta e três hectares perto de Fish Lake, em Utah, nos Estados Unidos, Pando é considerado por cientistas como o maior e mais pesado organismo vivo do mundo.


O motivo? As quarenta e sete mil árvores que fazem parte dele estão conectadas por um sistema de raízes e são geneticamente idênticas.


"Todas estas árvores são, na verdade, uma só árvore", explicou o geógrafo Paul Rogers à BBC News Mundo, em 2018.


Para estudar a história evolutiva de Pando, a bióloga Rozenn Pineau e seus colegas, do Instituto de Tecnologia da Geórgia, em Atlanta, coletaram e sequenciaram mais de quinhentas amostras da árvore, assim como vários tipos de tecido, incluindo folhas, raízes e cascas.


O objetivo era extrair dados genéticos, procurando mutações somáticas, que são alterações no DNA que ocorrem nas células de um organismo após a concepção.


"No início, quando Pando germinou de uma semente, todas as suas células continham DNA essencialmente idêntico", explicou Pineau à revista científica New Scientist.


De acordo com o estudo, ao observar o marcador genético dessas mutações presentes em diferentes partes da árvore, os pesquisadores conseguiram reconstruir a história evolutiva de Pando e estimar sua idade.


Vale lembrar que os bosques de álamo se reproduzem de duas maneiras: uma delas é quando as árvores maduras deixam cair sementes que depois germinam; e a outra é quando elas liberam brotos de suas raízes, dos quais nascem novas árvores, chamadas de clones.


Pando não é o único bosque de clones, mas é o mais extenso. Como os especialistas o consideram um único organismo, ele tem o peso somado de todas as suas árvores, resultando em um ser vivo com peso estimado em treze milhões de toneladas.


Os pesquisadores fizeram três estimativas diferentes da idade da árvore, pois não tinham certeza se haviam deixado passar algumas mutações ou se algumas das mutações identificadas eram falsos positivos.


Supondo que os cientistas tenham identificado corretamente cada mutação na parte do genoma que sequenciaram, a primeira estimativa é que Pando tenha cerca de trinta e quatro mil anos.


Se os especialistas incluírem possíveis mutações somáticas não detectadas, a segunda estimativa — e a menos conservadora — sugere que a árvore tenha, aproximadamente, oitenta e um mil anos.


E se considerarmos que apenas seis por cento das mutações observadas pelos biólogos são de fato positivas, então Pando teria dezesseis mil anos.


 https://www.bbc.com/portuguese/articles/c33e6m7ygnjo.adaptado.

No início, quando Pando germinou de uma semente, todas as suas células continham DNA essencialmente idêntico, explicou Pineau "à" revista científica New Scientist.



Em relação ao sinal indicativo de crase, é correto afirmar que, nesta frase,         

Alternativas
Q3441474 Português

"Sem arte, a vida fica muito triste": como a prática de atividades culturais melhora a saúde mental


Por William Mansque



1.png (676×368)


(Disponivel em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2025/04/sem-arte-a-vida-fica-muito-tristecomo-a-pratica-de-atividades-culturais-melhora-a-saude-mental.html - texto adaptado especialmente para esta prova). 

Em qual das alternativas o uso da crase está correto? 
Alternativas
Q3440745 Português
Você se considera uma pessoa empática? Estudo revela que existe uma idade onde se alcança o auge da empatia


De acordo com a equipe de psicólogos do estudo, isso sugere que as respostas empáticas são desenvolvidas ao longo da vida

   Pessoas no início da vida adulta apresentam maior capacidade de empatia, isto é, de se colocarem no lugar do outro, como mostram evidências de um novo estudo publicado na revista científica Social Cognitive and Affective Neuroscience.

   Os psicólogos que estudaram o tema descobriram que os jovens adultos são especialmente sensíveis à chamada dor social, que envolve situações de constrangimento, sofrimento e tristeza. Esta faixa etária (dos 20 até os 40 anos) tem a tendência de sentir mais empatia por outras pessoas que vivenciam a dor social do que os adolescentes (10 a 19 anos) ou adultos mais velhos (mais de 60 anos).

   “Este estudo fornece insights valiosos sobre a natureza complexa das respostas empáticas a outros com dor que atingem o pico na fase adulta jovem, como visto em suas avaliações comportamentais da intensidade da dor sentida por outros”, afirma Heather Ferguson, pesquisadora principal do artigo e professora de psicologia em Kent.

   De acordo com a pesquisa, isso sugere que as respostas empáticas são desenvolvidas ao longo da vida, conforme a experiência social e a exposição a diferentes situações sociais e relacionadas à dor aumentam.

   Por outro lado, os dados mostraram que depois dos 60, as pessoas tendem a não sentir uma empatia tão forte ao observar a dor de outras pessoas.

  “No entanto, o cérebro se torna cada vez mais reativo a ver outros com dor à medida que envelhecemos, o que sugere que adultos mais velhos sentiram empatia no momento em que viram as fotografias de dor – mas foram menos precisos posteriormente ao avaliar a intensidade dessa dor”, conclui.


(Disponível em: https://oglobo.globo.com/saude/noticia. Acesso em: abril de 2025. Adaptado.)
As ocorrências de crase em “sensíveis à chamada dor social” (2º§) e “relacionadas à dor aumentam” (4º§) se justificam de acordo com:
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Q3440575 Português

Deficiência de ferro e anemia


A anemia surge quando uma pessoa não produz glóbulos vermelhos ou hemoglobina, a substância que transporta o oxigênio pelo corpo através do sangue, em quantidade suficiente.


Ela ocorre por diversos motivos, mas cerca da metade de todos os casos de anemia tem como causa a deficiência de ferro.


Adultos com anemia causada por deficiência de ferro apresentam fraqueza, fadiga extrema ou respiração curta, entre outros sintomas.


Os sintomas em bebês e crianças pequenas são parecidos, mas eles também apresentam problemas do sono, principalmente acordar à noite com frequência, agitação durante o sono e dificuldades para adormecer.


A falta de ferro é a deficiência de micronutriente mais comum no mundo hoje em dia. Ela atinge cerca de uma a cada três pessoas, principalmente crianças e mulheres em idade reprodutiva, incluindo mulheres grávidas. E pode causar diversas consequências.


A falta de estoque de ferro adequado em mulheres grávidas, por exemplo, afeta o desenvolvimento do cérebro do bebê e aumenta o risco de baixo peso ao nascer, parto prematuro, aborto espontâneo e parto de natimorto.


Para bebês e crianças menores, a falta de ferro prejudica o desenvolvimento a longo prazo.


"É um problema global importante", afirma o professor de nutrição humana Michael Zimmermann, da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Ele pesquisa há muito tempo as deficiências de micronutrientes.


"É muito comum, não irá desaparecer com grande rapidez e está associada a muitas incapacidades."


A maioria dos cientistas concorda que a deficiência de ferro é uma condição comum. Mas persistem outras condições, como qual a definição exata da deficiência de ferro ou qual a sua probabilidade de aumentar o risco de problemas de saúde, na ausência de outros sintomas. E quando nós deveríamos ou não suplementar o ferro?


Um dos pontos que sabemos ao certo é que alguns grupos de pessoas são mais suscetíveis à deficiência de ferro do que outros.


Entre as mulheres, por exemplo, uma das principais causas de incapacidade é a anemia causada por deficiência de ferro, que ocorre quando o estoque de ferro do corpo não é suficiente para produzir glóbulos vermelhos do sangue na quantidade necessária.


Um estudo realizado entre pessoas que doaram sangue pela primeira vez nos Estados Unidos concluiu que 12% das mulheres apresentaram baixos níveis de ferro, contra menos de 3% dos homens. Este resultado reflete as consequências da perda regular de sangue durante a menstruação.


Existe também o impacto da gravidez, que retira nutrientes da alimentação para o bebê e faz com que as mulheres deste grupo fiquem particularmente em risco.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2kg2n8v3n1o.adaptado.

[...] principalmente acordar "à noite" com frequência, agitação durante o sono e dificuldades para adormecer.


Em relação ao sinal indicativo de crase na expressão destacada, é correto afirmar que:

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Q3440394 Português
Festa Junina: a origem da celebração pagã que virou religiosa e 'caipira' no Brasil
(Edison Veiga)


Para um brasileiro, pode ser difícil entender como as estações do ano são capazes de influenciar o imaginário e a própria organização da sociedade. Mas em países de clima temperado ou frio, onde primavera, verão, outono e inverno são mais demarcados, é contagiante a alegria com que o verão é celebrado, depois de meses de dias curtos, temperaturas frequentemente negativas e poucas possibilidades de interação social.

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É por isso que, desde os tempos mais antigos, as primeiras civilizações europeias já tinham festas específicas para celebrar tanto a chegada da primavera — a volta da vida desabrochando — quanto o solstício de verão — o ápice do sol, o dia mais longo do ano. E, segundo pesquisadores, são esses dois tipos de celebração, depois abraçados pelo catolicismo, que explicam a origem das festas juninas, que no Brasil acabariam sendo reinventadas com um sotaque próprio.           2


"As origens são mesmo as antigas festas pagãs das antigas civilizações, ligadas aos ciclos da natureza, às estações do ano. Sociedades antigas faziam grandes festividades, com durações longas, até de um mês, sobretudo nos períodos de plantio e de colheita", contextualiza o pesquisador de culturas populares Alberto Tsuyoshi Ikeda.

3

Se nessa época do ano o que se via era a explosão da natureza, a vida social espelhava isso. "Os grupos humanos realizavam grandes comemorações dedicadas à própria natureza, muitas vezes rendendo homenagens aos antigos deuses relacionados à natureza, à vida animal, à vida vegetal de um modo geral. Eram festas comunitárias com muita alegria, muita alimentação e reunião de pessoas em grande número: foi o que deu origem às festas juninas que a gente conhece no Brasil e em outras partes do mundo."

4

Ikeda lembra que as festas populares têm uma importância antropológica por serem "práticas gregárias que ciclicamente comemoram a própria constituição, a própria existência das comunidades enquanto coletividade, a reunião de grupos humanos que preservam uma história comum". (in: https://www.terra.com.br/, com adaptações)

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“Os grupos humanos realizavam grandes comemorações dedicadas à própria natureza” (4º parágrafo)
Independentemente da alteração de sentido, assinale a alternativa que, ao substituir o trecho em destaque, produz falha gramatical.
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Q3438470 Português
Os dragões não conhecem o paraíso



        Tenho um dragão que mora comigo. Não, isso não é verdade.
       Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço – seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu. Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu me encontrei, sozinho neste apartamento, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele esteve comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs áridas da ausência dele, felizmente cada vez menos frequentes (a aridez, não a ausência), pensei assim: os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma como precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor, para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo.
       Gosto de dizer tenho um dragão que mora comigo, embora não seja verdade. Como eu dizia, um dragão jamais pertence e nem mora com alguém. Mas no tempo em que vivia comigo, eu tentava – digamos – adaptá-lo às circunstâncias. Dizia por favor, tente compreender, querido, os vizinhos banais do andar de baixo já reclamaram da sua cauda batendo no chão ontem às quatro da madrugada. O bebê acordou, disseram, não deixou ninguém mais dormir. Além disso, quando você desperta na sala, as plantas ficam todas queimadas pelo seu fogo. E, quando você desperta no quarto, aquela pilha de livros vira cinzas na minha cabeceira. Ele não prometia corrigir-se.
       Ele cheirava a hortelã, a alecrim. Eu acreditava na sua existência por esse cheiro verde de ervas esmagadas dentro das duas palmas das mãos. Quando chegava, o apartamento inteiro ficava impregnado desse perfume. Até os vizinhos perguntavam se eu andava usando incenso ou defumação.
       Nos dias que antecediam a sua chegada, eu acordava no meio da noite, o coração disparado. As palmas das mãos suavam frio. Sem saber por que, nas manhãs seguintes, compulsivamente eu começava a comprar flores, limpar a casa, ir ao supermercado e à feira para encher o apartamento de rosas e palmas e morangos daqueles bem gordos e cachos de uvas reluzentes e berinjelas luzidias que eu mesmo não conseguia comer. Arrumava em pratos, pelos cantos, com flores e velas e fitas, para que o espaço ficasse mais bonito.
       Como uma fome, me dava. Mas uma fome de ver, não de comer. Sentava na sala toda arrumada, tapete escovado, cortinas lavadas, cestas de frutas, vasos de flores – acendia um cigarro e ficava mastigando com os olhos a beleza das coisas limpas, ordenadas, sem conseguir comer nada com a boca, faminto de ver. À medida que a casa ficava mais bonita, eu me tornava cada vez mais feio, mais magro, olheiras fundas, faces encovadas. Porque não conseguia dormir nem comer, à espera dele. Agora, agora vou ser feliz, pensava o tempo todo numa certeza histérica. Até que aquele cheiro de alecrim, de hortelã, começasse a ficar mais forte, para então, um dia, escorregar que nem brisa por baixo da porta e se instalar devagarinho no corredor de entrada, no sofá da sala, no banheiro, na minha cama. Ele tinha chegado.
        Nos dias seguintes repetia quando sentia saudade: alecrim-hortelã, antes ainda, o pressentimento de sua visita trazia unicamente ansiedade, taquicardias, aflição, unhas roídas. Não era bom. Eu não conseguia trabalhar, ir ao cinema, ler ou afundar em qualquer outra dessas ocupações banais que as pessoas como eu têm quando vivem. Só conseguia pensar em coisas bonitas para a casa, e em ficar bonito eu mesmo para encontrá-lo. A ansiedade era tanta que eu enfeava, à medida que os dias passavam. E, quando ele enfim chegava, eu nunca tinha estado tão feio. Os dragões não perdoam a feiura.
        Depois que ele vinha, o bonito da casa contrastando com o feio do meu corpo, tudo aos poucos começava a desabar. Feito dor, não alegria. Agora agora agora vou ser feliz, eu repetia: agora agora agora. Naqueles dias, enlouquecia cada vez mais, querendo agora já urgente ser feliz. Percebendo minha ânsia, ele tornava-se cada vez mais remoto. Ausentava-se, retirava-se, fingia partir. Rarefazia seu cheiro de ervas até que não passasse de uma suspeita verde no ar. Eu respirava mais fundo, perdia o fôlego no esforço de percebê-lo, dia após dia, enquanto flores e frutas apodreciam nos vasos, nos cestos, nos cantos. Aquelas mosquinhas negras miúdas esvoaçavam em volta delas, agourentas.
        Tudo apodrecia mais e mais, sem que eu percebesse, doído do impossível que era tê-lo. Atento somente à minha dor, que apodrecia também, cheirava mal. Então algum dos vizinhos batia à porta para saber se eu tinha morrido e sim, eu queria dizer, estou apodrecendo lentamente, cheirando mal como as pessoas banais ou não cheiram quando morrem, à espera de uma felicidade que não chega nunca.
          Os dragões, já disse, não suportam a feiura. Ele partia quando aquele cheiro de frutas e flores e, pior que tudo, de emoções apodrecidas tornava-se insuportável. Igual e confundido ao cheiro da minha felicidade que, desta e mais uma vez, ele não trouxera. Dormindo ou acordado, eu recebia sua partida como um súbito soco no peito. Então olhava para cima, para os lados, à procura de Deus ou qualquer coisa assim.
       Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte.
       Os dragões não permanecem. Os dragões não querem ser aceitos. Eles fogem do paraíso, esse paraíso que nós, as pessoas banais, inventamos – como eu inventava uma beleza de artifícios para esperá-lo e prendê-lo para sempre junto a mim. Os dragões não conhecem o paraíso, onde tudo acontece perfeito e nada dói nem cintila ou ofega, numa eterna monotonia de pacífica falsidade. Seu paraíso é o conflito, nunca a harmonia.


(ABREU, Caio Fernando. Contos Completos. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 520-527. Adaptado.)

Relacione adequadamente o motivo do uso da crase ao trecho correspondente. 


1. Pronome possessivo.

2. Locução conjuntiva.

3. Palavra feminina.

4. Verbo que indica destino.



( ) “Então algum dos vizinhos batia à porta [...]” (9º§) ( ) “Atento somente à minha dor, que apodrecia também, cheirava mal.” (9º§) ( ) “[...] ir ao supermercado e à feira para encher o apartamento de rosas e palmas e morangos [...]” (5º§) ( ) “A ansiedade era tanta que eu enfeava, à medida que os dias passavam.” (7º§)

A sequência está correta em
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Q3437654 Português
A borboleta amarela


        Era uma borboleta. Passou roçando em meus cabelos, e no primeiro instante pensei que fosse uma bruxa ou qualquer outro desses insetos que fazem vida urbana; mas, como olhasse, vi que era uma borboleta amarela.

        Era na esquina de Graça Aranha com Araújo Porto Alegre; ela borboleteava junto ao mármore negro do Grande Ponto; depois desceu, passando em face das vitrinas de conservas e uísques; eu vinha na mesma direção; logo estávamos defronte da A.B.I.. Entrou um instante no hall, entre duas colunas; seria uma jornalista? – pensei com certo tédio.

      Mas logo saiu. E subiu mais alto, acima das colunas, até o travertino encardido. Na rua México eu tive de esperar que o sinal abrisse: ela tocou, fagueira, para o outro lado, indiferente aos carros que passavam roncando sob suas leves asas. Fiquei a olhá-la. Tão amarela e tão contente da vida, de onde vinha, aonde iria? Fora trazida pelo vento das ilhas – ou descera no seu voo sassaricante e leve da floresta da Tijuca ou de algum morro – talvez o de São Bento. Onde estaria uma hora antes, qual sua idade? Nada sei de borboletas. Nascera, acaso, no jardim do Ministério da Educação? Não; o Burle Marx faz bons jardins, mas creio que ainda não os fez com borboletas – o que, aliás, é uma boa ideia. Quando eu o mandar fazer os jardins de meu palácio, direi: Burle, aqui sobre esses manacás, quero uma borboleta amare... Mas o sinal abriu e atravessei a rua correndo, pois já ia perdendo de vista a minha borboleta.

        A minha borboleta! Isso, que agora eu disse sem querer, era o que eu sentia naquele instante: a borboleta era minha – como se fosse meu cão ou minha amada de vestido amarelo que tivesse atravessado a rua na minha frente, e eu devesse segui- -la. Reparei que nenhum transeunte olhava a borboleta; eles passavam, devagar ou depressa, vendo vagamente outras coisas – as casas, os veículos ou se vendo –, só eu vira a borboleta, e a seguia, com meu passo fiel. Naquele ângulo há um jardinzinho, atrás da Biblioteca Nacional. Ela passou entre os ramos de uma acácia e de uma árvore sem folhas, talvez um “flamboyant”; havia, naquela hora, um casal de namorados pobres em um banco, e dois ou três sujeitos espalhados pelos outros bancos, dos quais uns são de pedra, outros de madeira, sendo que estes são pintados de azul e branco. Notei isso pela primeira vez, aliás, naquele instante, eu que sempre passo por ali; é que a minha borboleta amarela se tornava sensível às cores.

      Ela borboleteou um instante sobre o casal de namorados; depois passou quase junto da cabeça de um mulato magro, sem gravata, que descansava num banco; e seguiu em direção à Avenida. Amanhã eu conto mais.




(BRAGA, Rubem. A Borboleta Amarela. Rio de Janeiro: Editora Sabiá, 1963. p. 170-176. Adaptado.)
Segundo Celso Cunha, a crase é a contração (fusão) da preposição “a” com o artigo definido feminino “a”. Esse fenômeno é indicado na escrita pelo acento grave sobre a vogal “a”. Em “[…] é que a minha borboleta amarela se tornava sensível às cores.” (4º§), a crase foi empregada corretamente tal como em: 
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Q3437483 Português
O preconceito linguístico disfarçado de elegância nas redes sociais


   É comum que figuras carismáticas e articuladas ganhem destaque ao abordar temas relacionados à língua portuguesa, conquistando milhões de seguidores nas redes sociais. Muitas vezes, essas personalidades são mencionadas em conversas com amigos e familiares, o que me coloca em uma posição desconfortável.

   Afinal, suas abordagens não me representam, e explicar, em poucas palavras, os motivos dessa incompatibilidade pode ser um desafio. Enxergo aqui, portanto, a oportunidade de detalhar as razões pelas quais esse tipo de discurso me causa certa inquietação.

   Sob o manto de uma oratória sofisticada, promovida como um “jeito chique de viver e se comunicar, aliado a um humor ácido e inteligente”, muitas vezes se esconde um discurso impregnado de preconceito linguístico.

   A elegância, quando usada para desqualificar o outro, não é uma virtude; ao contrário, torna-se um instrumento de exclusão. Utilizar o domínio da norma-padrão para menosprezar dialetos marginalizados reforça uma postura segregacionista e violenta.

   Há quem defenda que certos discursos sejam apenas personagens criados para entreter. Mesmo que fosse o caso, o problema permanece.

   Esse tipo de abordagem é abertamente antidemocrático e carrega uma série de preconceitos, refletindo uma caricatura do que há de mais nocivo na educação: arrogância e descompromisso acadêmico, que reforçam estereótipos excludentes.

   Oferecer dicas sobre o português padrão pode ser útil e contribuir para a disseminação do conhecimento da língua monitorada. O problema está na forma como esse conteúdo é apresentado.

   Muitas pessoas desconhecem a sociolinguística e, por isso, acreditam que sua forma de falar seja um “português ruim”. Não percebem as diferenças entre oralidade e escrita, entre formalidade e informalidade ou entre fala espontânea e língua monitorada.

   Para a maioria dos brasileiros, as noções de dialeto ou de variedade linguística não são percebidas como algo concreto. O que existe, como valor cultural profundamente arraigado, é a noção de “erro gramatical” e o estigma de algumas pronúncias regionais.

   A sociolinguística, campo que se consolidou nos anos 1960, estuda a língua em seu contexto social, considerando aspectos funcionais e interacionais.

   A variabilidade linguística é um fenômeno inerente a qualquer língua natural, em qualquer comunidade linguística. A sociolinguística vê essa variabilidade como evidência sincrônica de mudanças linguísticas em andamento ou como reflexo de fatores socioeconômicos que afetam a língua.

   Para o senso comum, no entanto, qualquer variedade que se afaste da morfossintaxe ou do léxico do português padrão é considerada “ruim” e “indesejável”, independentemente do contexto. Muitos veem a língua como um conjunto rígido de “regrinhas de português” e nada mais.

   No entanto, a língua é, antes de tudo, uma instituição social. Falamos português porque fomos colonizados por Portugal. Nos dois primeiros séculos, conviviam a língua tupinambá e o português das elites administrativas e do clero, num bilinguismo instável.

   Dando um salto histórico, foi apenas no final do século XX, em 1996, com a publicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que a escola se universalizou e o perfil da população estudantil se diversificou.

   Como explica Stella Maris, PhD em Linguística, na obra “Nós cheguemu na escola, e agora?”, recomenda-se que a norma culta seja ensinada nas escolas, mas que, ao mesmo tempo, sejam preservados os conhecimentos sociolinguísticos e os valores culturais que os alunos trazem de seu ambiente social.

   Aprender a norma culta deve significar uma ampliação da competência linguística e comunicativa do aluno, capacitando-o a usar uma variedade ou outra, conforme a situação discursiva.

   Cada enunciado é um ato de identidade, que marca diversas dimensões sociais, como gênero, faixa etária, grupo religioso ou étnico. Considerar alguém inferior pela forma como fala tem nome: preconceito linguístico.

   Mas o mais curioso é: por que tanta gente se interessa por conteúdos que reforçam o preconceito linguístico?

   Paradoxalmente, grande parte do público que consome esse tipo de discurso pertence justamente às camadas sociais cujas formas de falar são mais criticadas. Parece haver um desejo de pertencimento, uma busca por validação através da adesão a padrões ditos “superiores”.

   A questão é que essa postura pedante simplesmente não serve para nós, professores. Como poderíamos ensinar menosprezando, desautorizando e humilhando nossos próprios alunos? Não somos contrários às regras, nem defensores de um “vale- -tudo” linguístico.

   Na verdade, apreciamos ensinar as normas do português padrão e promover uma boa escrita. No entanto, isso é muito diferente de diminuir alguém por sua forma de se expressar. 

   Quando se mistura vaidade com ensino, o resultado é sempre desastroso. Infelizmente, há quem ensine português desconsiderando décadas de estudos acadêmicos, ignorando a história e as desigualdades brasileiras.

   Entendo o fascínio que muitos sentem por quem domina as regras da norma culta. Mas usar esse conhecimento para segregar e reforçar diferenças de classe é, sem dúvida, um dos usos mais nocivos da língua. Humilhar outra pessoa por sua forma de falar, não apenas silencia uma voz, mas também perpetua um ciclo de opressão.


(O’HARA, Larissa. O preconceito linguístico disfarçado de elegância nas redes sociais. Folha Vitória, 2025. Disponível em: https://www.folhavitoria.com.br/educacao/. Acesso em: abril de 2025. Adaptado.)
Ainda sobre o enunciado “Nós cheguemu na escola”, assinale a alternativa cuja reescrita obedece à prescrição gramatical tradicional.
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Q3437198 Português
    O atual modelo de estrutura previdenciária brasileira teve sua origem no fim do século XIX. Quando o chanceler alemão, Otto Von Bismarck, sob a necessidade de gerar um aumento na produtividade no país e ao mesmo tempo sofrendo pressão da classe trabalhadora por uma maior política de seguridade, ordenou a criação de um programa de seguridade social para que os trabalhadores com mais de 70 anos se retirassem de suas funções e fossem substituídos por trabalhadores mais jovens. Os trabalhadores retirados de suas funções, para que pudessem ter renda, receberiam uma pensão do estado como gratificação pelos serviços prestados(Felix, 2012).

    O modelo alemão, no entanto, não foi aceito pelos países de imediato. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, houve uma maior atenção direcionada aos idosos e pessoas que possuíam invalidez. Mesmo havendo características únicas em cada país, o modelo predominante nos países desenvolvidos era o de uma contribuição do trabalhador para um fundo de previdência durante sua carreira trabalhista para que na terceira idade o próprio trabalhador recebesse a bonificação vitalícia (Ferreira, 2007).

    Atualmente, destacam-se dois modelos de regimes previdenciários. No sistema de repartição existe o chamado princípio de solidariedade. Nesse modelo, a classe trabalhadora ativa contribui para os beneficiados que estão atualmente aposentados na esperança de que, quando estiver com mais idade, obterá o mesmo benefício de aposentadoria. Já no modelo de Capitalização, o trabalhador acumula recursos para sua própria aposentadoria (Rocha, 2008). [...]

   O modelo de repartição é amplamente utilizado em previdências públicas pelo mundo e principalmente nas últimas décadas vem sofrendo mudanças constantemente para se adequar aos novos conformes demográficos (Najberg e Ikeda, 1999). [...]

   Segundo a Constituição Federal de 1988, cap. II, art. 201, p. 120, “a previdência social será organizada sob a forma do Regime Geral de Previdência Social, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial [...]” (Brasil, 1988). Em 1900, o Brasil possuía uma expectativa de vida de apenas 30 anos. Enquanto em 2000 a expectativa era de 73 anos. Significando que em 100 anos o tempo médio de vida mais que dobrou no país e ainda não se atingiu a fase final do processo de transição demográfica (Alves, 2014). [...]

(DANTAS, Fabiano da Costa et al. Estrutura e Sustentabilidade do Sistema Previdenciário Brasileiro: uma avaliação sistemática a partir da transição demográfica. Revista Brasileira de Previdência, [S.l.], v. 16, n. 1, p. 74-101, fev. 2025. Fragmento.)
Considere o trecho “O modelo de repartição é amplamente utilizado em previdências públicas pelo mundo e principalmente nas últimas décadas vem sofrendo mudanças constantemente para se adequar aos novos conformes demográficos(Najberg e Ikeda, 1999).” (4º§) e assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Respostas
1261: D
1262: C
1263: E
1264: D
1265: A
1266: C
1267: E
1268: B
1269: C
1270: A
1271: C
1272: B
1273: E
1274: D
1275: C
1276: D
1277: C
1278: A
1279: B
1280: D