Questões de Concurso
Sobre crase em português
Foram encontradas 9.490 questões

Greve na UFRJ reúne 16 mil alunos de todas as Faculdades
Reuniões
“As Faculdades da Praia Vermelha realizaram ontem (1) a tarde assembléias para discutir (2) a política educacional do Governo, sob (3) a vigilância de um choque da PM e de diversos agentes do DOPS, sem se registrarem incidentes.(...) Os presidentes das extintas UNE e UME, Vladimir Palmeira e Luís Travassos, percorreram ontem durante o dia diversas faculdades e realizaram assembléias para permitir maior participação dos estudantes na greve. (...)”.
“O Secretário de Segurança, General França de Oliveira, afirmou ontem que não permitirá (4) a concentração programada pelos universitários para o dia 11, no pátio do MEC, ‘porque é ilegal, e os que insistirem em realizá-la serão presos e processados dentro da Lei de Segurança Nacional’. Segundo o General França de Oliveira, ‘(5) aconcentração está sendo organizada por estudantes comunistas, da linha chinesa, e, portanto, é subversiva’ ”.
Jornal do Brasil, 06 de junho de 1968.
Quanto ao emprego do acento indicativo da crase,
I. “O País ainda amarga o 55º lugar no ranking de leitura do Pisa, estando a frente somente de dez países.”
II. “Na primeira etapa da educação, voltada a alfabetização, há muito progresso.”
III. “O teatro já estava lotado a espera do início do espetáculo, mas o cancelamento de última hora da reestreia de “Crasy for You”, em São Paulo, por problemas técnicos, não fez Claudia Raia perder a majestade.”
IV. “Apenas uma ponte separa Vila Velha de Vitória, a capital do Espírito Santo. O Benefício da proximidade também parecia condenar Vila Velha a condição de cidade-dormitório.”
em quais dos períodos acima o “a”, que está sublinhado, deveria
estar com o referido acento?
Texto
Insegurança e tédio nas cidades grandes
O que tem uma cidade grande, como São Paulo, a oferecer às pessoas? Muitos falariam das opções culturais, como teatros, museus, casas de espetáculos, alguns parques e... shoppings centers. Mas como as pessoas fazem uso da “cidade”? O que quero dizer com isso é que, assim como diz Zygmunt Bauman, [...] é que a cidade grande está perdendo os atrativos da vida urbana como a espontaneidade e a exibilidade, por exemplo.
Andar nas ruas, a não ser para se locomover de um lugar a outro, parece uma ação descabida. Sentar em um banco das (poucas) praças que existem nas grandes cidades não parece ser uma opção. Ou seja, as pessoas não utilizam, não aproveitam, não ocupam as áreas externas da cidade. E parece estar instaurado no inconsciente coletivo que o natural é se prender em locais fechados. É claro que a violência e, consequentemente, a insegurança são motivos aparentes e justificáveis. A insegurança que alimenta o medo, aliás. O problema, entretanto, é a falta de consciência crítica a respeito, ou seja, não se utilizar da cidade é considerado algo normal. O resultado disso, conforme continua Bauman, muitas vezes, é o tédio, “a alternativa à insegurança não é a beatitude da tranquilidade, mas a maldição do tédio. É possível derrotar o medo e ao mesmo tempo suprimir o tédio?”. Essa é minha questão também.
E, como um dos resultados dessa ferida, vemos hoje o fenômeno dos “rolezinhos” [...]. Onde estão as opções de lazer, cultura, de uma boa educação? Por que muitas pessoas se incomodam com isso e denominam “invasão”, como se não fosse resultado de uma ferida causada também pelo desequilíbrio oriundo do capitalismo? Essa é uma importante reflexão.
(Paula Felix Palma. Filosofia, ciência & vida. Abril de 2014. Adaptado.)
O suor e a lágrima
Fazia calor no Rio, 40 graus e qualquer coisa, quase 41. No dia seguinte, os jornais diriam que fora o mais quente deste verão que inaugura o século e o milênio. Cheguei ao Santos Dumont, o voo estava atrasado, decidi engraxar os sapatos. Pelo menos aqui no Rio, são raros esses engraxates, só existem nos aeroportos e em poucos lugares avulsos.
Sentei-me naquela espécie de cadeira canônica, de coro de abadia pobre, que também pode parecer o trono de um rei desolado de um reino desolante.
O engraxate era gordo e estava com calor – o que me pareceu óbvio. Elogiou meus sapatos, cromo italiano, fabricante ilustre, os Rosseti. Uso-o pouco, em parte para poupá-lo, em parte porque quando posso estou sempre de tênis.
Ofereceu-me o jornal que eu já havia lido e começou seu ofício. Meio careca, o suor encharcou-lhe a testa e a calva. Pegou aquele paninho que dá brilho final nos sapatos e com ele enxugou o próprio suor, que era abundante.
Com o mesmo pano, executou com maestria aqueles movimentos rápidos em torno da biqueira, mas a todo instante o usava para enxugar-se – caso contrário, o suor inundaria o meu cromo italiano.
E foi assim que a testa e a calva do valente filho do povo ficaram manchadas de graxa e o meu sapato adquiriu um brilho de espelho à custa do suor alheio. Nunca tive sapatos tão brilhantes, tão dignamente suados.
Na hora de pagar, alegando não ter nota menor, deixei-lhe um troco generoso. Ele me olhou espantado, retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o que eu viesse a precisar nos restos dos meus dias.
Saí daquela cadeira com um baita sentimento de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão sujos assim; por míseros tostões, fizera um filho do povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapatos e tive vergonha daquele brilho humano, salgado como lágrima.
(CONY, Carlos Heitor. O suor e a lágrima. Folha de S. Paulo. Primeiro Caderno. Opinião.A2. 19 fev. 2001.)
São os meios de comunicação, em especial a
televisão, que divulgam, em escala mundial,
informações (fragmentadas) hoje tomadas como
conhecimento, construindo, desse modo, o mundo
que conhecemos. Trata-se, na verdade, de processo
metonímico – a parte escolhida para ser divulgada,
para ser conhecida, vale pelo todo. É como se “o
mundo todo” fosse constituído apenas por aqueles
fatos/notícias que chegam até nós.
Informação, porém, não é conhecimento, podendo até ser um passo importante. O conhecimento implica crítica. Ele se baseia na inter-relação e não na fragmentação. Todos temos observado que essa troca do conhecimento pela informação tem resultado na diminuição da criticidade.
O conhecimento é um processo que prevê a condição de reelaborar o que vem como um “dado”, possibilitando que não sejamos meros reprodutores; inclui a capacidade de elaborações novas, permitindo reconhecer, trazer à superfície o que ainda é virtual, o que, na sociedade, está ainda mal desenhado, com contornos borrados. Para tanto, o conhecimento prevê a construção de uma visão que totalize os fatos, inter-relacionando todas as esferas da sociedade, percebendo que o que está acontecendo em cada uma delas é resultado da dinâmica que faz com que todas interajam, de acordo com as possibilidades daquela formação social, naquele momento histórico; permite perceber, enfim, que os diversos fenômenos da vida social estabelecem suas relações tendo como referência a sociedade como um todo. Para tanto, podemos perceber, as informações – fragmentadas – não são suficientes.
Os meios de comunicação, sobretudo a televisão, ao produzirem essas informações, transformam em verdadeiros espetáculos os acontecimentos selecionados para se tornar notícias. Já na década de 1960, Guy Debord percebia “na vida contemporânea uma ‘sociedade de espetáculo’, em que a forma mais desenvolvida de mercadoria era antes a imagem que o produto material concreto”, e que “na segunda metade do século XX, a imagem substituiria a estrada de ferro e o automóvel como força motriz da economia”.
Por sua condição de “espetáculo”, parece que o mais importante na informação passa a ser aquilo que ela tem de atração, de entretenimento. Não podemos nos esquecer, porém, de que as coisas se passam desse modo exatamente para que o conhecimento – e, portanto, a crítica – da realidade fique bastante embaçada ou simplesmente não se dê.
O conhecimento continua a ser condição indispensável para a crítica. A informação, que parece ocupar o lugar desse conhecimento, tornou-se, ela própria, a base para a reprodução do sistema, uma mercadoria a mais em circulação nessa totalidade.
A confusão entre conhecimento e informação, entre totalidade e fragmentação, leva à concepção de que a informação veiculada pelos meios é suficiente para a formação do cidadão, de que há um pressuposto de interação entre os meios e os cidadãos e de que todas as vozes circulam igualmente na sociedade.
É a chamada posição liberal, a qual parece esquecer-se de que ideias, para circular, precisam de instrumentos, de suportes – rádio, televisão, jornal etc. – que custam caro e que, por isso, estão nas mãos daqueles que detêm o capital. [...]
BACCEGA. Maria Aparecida. In: A TV aos 50 – Criticando a televisão brasileira no seu cinquentenário. São Paulo: PerseuAbramo, 2000, p. 106-7.
Leia o trecho, extraído do livro O Médico Doente, para responder à questão.
O ofício da enfermagem exige mais altruísmo que o nosso. Por mais atenção que dediquemos aos pacientes, quanto tempo passamos com eles? Nossas visitas duram minutos, enquanto esses profissionais ficam encarregados de administrar-lhes os medicamentos prescritos, puncionar veias invisíveis, fazer curativos, cuidar da higiene, ouvir reclamações, incitá-los a reagir e a enfrentar o desconforto, consolá-los, orientar e amparar os familiares, tarefas que requerem competência profissional, empatia e desprendimento.
INSTRUÇÃO: A questão refere-se ao texto a seguir. Leia-o com atenção antes de responder a elas.
Aula de Português: uma tragicomédia que pode ser vista na sala de aula mais próxima
Sérgio Simka
O professor chega, cumprimenta o pessoal com um sorriso, escreve na lousa seu nome, a disciplina e em letras tamanho 20:

O burburinho transforma-se em risadinhas. Um destemido, lá do fundo, solta:
- É pra mim copiar, professor?
As lembranças subitamente saem da boca de um aluno:
- Fazem quinze anos que não faço ditado.
Um engraçadinho:
- Não diga-me uma coisa dessas...
Outro resolve perguntar:
- O senhor está brincando com nós, não está?
Uma moça observa:
- Só pode ser trote. Você acha que o professor vai vim no primeiro dia de aula?
Ao que outro completa:
- Espero que você esteje certa.
Um aluno levanta a mão:
- Professor, gostaria de fazer uma colocação
O professor atento.
- Me perguntaram há dois dias atrás e eu não sube, tipo assim, responder. Em "contas a pagar", esse "a" tem crase?
- Não, o "a" não tem acento grave.
- Acento grave? Mas, professor, perguntei se o "a" tem crase...
Outro cochichou:
- Não esquenta, é só um pequeno detalhe.
- Pessoal, boa noite, para começar, gostaria de ditar apenas cinco palavras. Tudo bem?
- É pra intregá?
- Não.
- Vai valê nota?
- Não.
Ditou. Pediu que cinco alunos escrevessem as respectivas palavras na lousa, para posterior correção.
O momento da correção foi inesquecível. A cada palavra corrigida, gritos, urros, vaias, uma grande variedade de expressões, algumas das quais jamais ouvidas.
A última palavra então fez tremer o teto da classe. Só não caiu por causa da manutenção feita nas férias.
- Não acredito!
- Ele está fazendo nós de bobo.
- Estou pasmo
- O senhor anda fumando tóchico.
- Jura que é assim que nóis escreve?
O professor apenas balançou a cabeça.
- Meu Deus, é preciso ter fé demais!
Todos olharam para a voz. Um silêncio absoluto.
- Não posso crer... Será que eu aprendi errado toda a minha vida? Como vou encarar de frente a língua portuguesa daqui por diante?
A classe ia soltar aquela gargalhada, mas a palidez de seu rosto impediu.
O aluno pôs a mão no peito. Fechou os olhos. E caiu da carteira. Duro.
Todos se aproximaram. De repente, levantou-se rindo.
- Mas é um bocó mesmo!
- Só podia ser o José Chaves!
- Bem, na próxima aula, vamos estudar o período composto por subordinação. Vocês sabiam que "É necessário aprender gramática", a oração "aprender gramática" se classifica como oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo? E que...
Ouviu-se um barulho. José Chaves tinha caído de novo. E não se levantou mais.
http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramaticaortografia/25/artigo186004-1.asp [adaptado]
- Me perguntaram há dois dias atrás e eu não sube, tipo assim, responder. Em "contas a pagar", esse "a" tem crase?
- Não, o "a" não tem acento grave.
Em “contas a pagar” NÃO há acento indicador de crase porque
Preencha as lacunas com “a” ou “à”.
Ignorava _____ quem se dirigir: _____ funcionária da recepção, ou _____ da gerência.
As lacunas acima preenchem-se corretamente com
Assinale a alternativa que completa corretamente a seguinte sentença.
“Não me refiro a essas pessoas. Refiro-me...”

