Questões de Concurso Sobre crase em português

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Q1005809 Português

                                         A carteira …


      De repente, Honório olhou para o chão e viu uma carteira. Abaixar-se, apanhá-la e guardá-la foi obra de alguns instantes. Ninguém o viu, salvo um homem que estava à porta de uma loja, e que, sem o conhecer, lhe disse rindo:

      — Olhe, se não dá por ela; perdia-a de uma vez.

      — É verdade, concordou Honório envergonhado.

      Para avaliar a oportunidade desta carteira, é preciso saber que Honório tem de pagar amanhã uma dívida, quatrocentos e tantos mil-réis, e a carteira trazia o bojo recheado. A dívida não parece grande para um homem da posição de Honório, que advoga; mas todas as quantias são grandes ou pequenas, segundo as circunstâncias, e as dele não podiam ser piores. Gastos de família excessivos, a princípio por servir a parentes, e depois por agradar à mulher, que vivia aborrecida da solidão; baile daqui, jantar dali, chapéus, leques, tanta cousa mais, que não havia remédio senão ir descontando o futuro. Endividou-se. Começou pelas contas de lojas e armazéns; passou aos empréstimos, duzentos a um, trezentos a outro, quinhentos a outro, e tudo a crescer, e os bailes a darem-se, e os jantares a comerem-se, um turbilhão perpétuo, uma voragem.

      — Tu agora vais bem, não? dizia-lhe ultimamente o Gustavo C..., advogado e familiar da casa.

      — Agora vou, mentiu o Honório.

      A verdade é que ia mal. Poucas causas, de pequena monta, e constituintes remissos; por desgraça perdera ultimamente um processo, em que fundara grandes esperanças. Não só recebeu pouco, mas até parece que ele lhe tirou alguma cousa à reputação jurídica; em todo caso, andavam mofinas nos jornais.

      D. Amélia não sabia nada; ele não contava nada à mulher, bons ou maus negócios. Não contava nada a ninguém. Fingia-se tão alegre como se nadasse em um mar de prosperidades. Quando o Gustavo, que ia todas as noites à casa dele, dizia uma ou duas pilhérias, ele respondia com três e quatro; e depois ia ouvir os trechos de música alemã, que D. Amélia tocava muito bem ao piano, e que o Gustavo escutava com indizível prazer, ou jogavam cartas, ou simplesmente falavam de política. [...]

      Eram cinco horas da tarde. Tinha-se lembrado de ir a um agiota, mas voltou sem ousar pedir nada. Ao enfiar pela Rua da Assembleia é que viu a carteira no chão, apanhou-a, meteu no bolso, e foi andando.

      Durante os primeiros minutos, Honório não pensou nada; foi andando, andando, andando, até o Largo da Carioca. No Largo parou alguns instantes, – enfiou depois pela Rua da Carioca, mas voltou logo, e entrou na Rua Uruguaiana. Sem saber como, achou-se daí a pouco no Largo de S. Francisco de Paula; e ainda, sem saber como, entrou em um Café. Pediu alguma cousa e encostou-se à parede, olhando para fora. Tinha medo de abrir a carteira; podia não achar nada, apenas papéis e sem valor para ele. Ao mesmo tempo, e esta era a causa principal das reflexões, a consciência perguntava-lhe se podia utilizar-se do dinheiro que achasse. Não lhe perguntava com o ar de quem não sabe, mas antes com uma expressão irônica e de censura. Podia lançar mão do dinheiro, e ir pagar com ele a dívida? Eis o ponto. A consciência acabou por lhe dizer que não podia, que devia levar a carteira à polícia, ou anunciá-la; mas tão depressa acabava de lhe dizer isto, vinham os apuros da ocasião, e puxavam por ele, e convidavam-no a ir pagar a cocheira. Chegavam mesmo a dizer-lhe que, se fosse ele que a tivesse perdido, ninguém iria entregar-lha; insinuação que lhe deu ânimo.

      Tudo isso antes de abrir a carteira. Tirou-a do bolso, finalmente, mas com medo, quase às escondidas; abriu-a, e ficou trêmulo. Tinha dinheiro, muito dinheiro; não contou, mas viu duas notas de duzentos mil-réis, algumas de cinquenta e  vinte; calculou uns setecentos mil réis ou mais; quando menos, seiscentos. Era a dívida paga; eram menos algumas despesas urgentes. Honório teve tentações de fechar os olhos, correr à cocheira, pagar, e, depois de paga a dívida, adeus; reconciliar-se-ia consigo. Fechou a carteira, e com medo de a perder, tornou a guardá-la.

      Mas daí a pouco tirou-a outra vez, e abriu-a, com vontade de contar o dinheiro. Contar para quê? era dele? Afinal venceu-se e contou: eram setecentos e trinta mil-réis. Honório teve um calafrio. Ninguém viu, ninguém soube; podia ser um lance da fortuna, a sua boa sorte, um anjo... Honório teve pena de não crer nos anjos... Mas por que não havia de crer neles? E voltava ao dinheiro, olhava, passava-o pelas mãos; depois, resolvia o contrário, não usar do achado, restituí-lo. Restituí-lo a quem? Tratou de ver se havia na carteira algum sinal.

      "Se houver um nome, uma indicação qualquer, não posso utilizar-me do dinheiro," pensou ele.

      Esquadrinhou os bolsos da carteira. Achou cartas, que não abriu, bilhetinhos dobrados, que não leu, e por fim um cartão de visita; leu o nome; era do Gustavo. Mas então, a carteira?... Examinou-a por fora, e pareceu-lhe efetivamente do amigo. Voltou ao interior; achou mais dous cartões, mais três, mais cinco. Não havia duvidar; era dele.

      A descoberta entristeceu-o. Não podia ficar com o dinheiro, sem praticar um ato ilícito, e, naquele caso, doloroso ao seu coração porque era em dano de um amigo. Todo o castelo levantado esboroou-se como se fosse de cartas. Bebeu a última gota de café, sem reparar que estava frio. Saiu, e só então reparou que era quase noite. Caminhou para casa. Parece que a necessidade ainda lhe deu uns dous empurrões, mas ele resistiu.

      "Paciência, disse ele consigo; verei amanhã o que posso fazer."

      Chegando a casa, já ali achou o Gustavo, um pouco preocupado e a própria D. Amélia o parecia também. Entrou rindo, e perguntou ao amigo se lhe faltava alguma cousa.

      — Nada.

      — Nada?

      — Por quê?

      — Mete a mão no bolso; não te falta nada?

      — Falta-me a carteira, disse o Gustavo sem meter a mão no bolso. Sabes se alguém a achou? — Achei-a eu, disse Honório entregando-lha.

      Gustavo pegou dela precipitadamente, e olhou desconfiado para o amigo. Esse olhar foi para Honório como um golpe de estilete; depois de tanta luta com a necessidade, era um triste prêmio. Sorriu amargamente; e, como o outro lhe perguntasse onde a achara, deu-lhe as explicações precisas.

      — Mas conheceste-a?

      — Não; achei os teus bilhetes de visita.

      Honório deu duas voltas, e foi mudar de toilette para o jantar. Então Gustavo sacou novamente a carteira, abriu-a, foi a um dos bolsos, tirou um dos bilhetinhos, que o outro não quis abrir nem ler, e estendeu-o a D. Amélia, que, ansiosa e trêmula, rasgou-o em trinta mil pedaços: era um bilhetinho de amor.

Fonte: adaptado de: ASSIS, Machado. Disponível em:<http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000169.pdf>  Acesso em: 6 fev. 2018.

No excerto: “Gastos de família excessivos, a princípio por servir a parentes, e depois por agradar à mulher”, justifica-se o emprego ou não da crase, pois:
Alternativas
Q1005178 Português
Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas das linhas 01, 05 e 15.
Alternativas
Q1005138 Português
Assinale, dentre as alternativas abaixo, a que preenche adequadamente as lacunas das linhas 23, 33, 36 e 43, nesta ordem.
Alternativas
Q1005100 Português

Considere as seguintes propostas de substituição de vocábulos do texto.

I - A substituição de noções (l. 01) por conceitos, no segmento que se estende da linha 01 à linha 04, implicaria outras cinco (5) alterações no parágrafo.

II - A substituição de contribuíram para (l. 07) por levaram criaria condições para o emprego da crase na frase.

III- A substituição de mais (l. 45) por tanta não provocaria alteração no sentido da frase.

Quais estão corretas?

Alternativas
Q1005098 Português
Assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas das linhas 19, 27, 44 e 48, nesta ordem.
Alternativas
Q1004825 Português

Acerca dos aspectos linguísticos do texto CG2A1AAA, julgue o próximo item.


A correção gramatical do texto seria mantida se fosse inserido o acento indicativo de crase no vocábulo “a” no trecho “destinada a” (ℓ.3).

Alternativas
Ano: 2018 Banca: FAURGS Órgão: UFRGS Prova: FAURGS - 2018 - UFRGS - Administrador |
Q1003173 Português
A questão refere-se ao texto abaixo. 


Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das linhas 07, 12 e 21, nessa ordem.
Alternativas
Q998023 Português
A crase antes do substantivo "destruição" é obrigatória e está corretamente empregada na linha 05. O mesmo acontece na frase:
Alternativas
Q997870 Português
O cartaz publicitário de um evento de moda no Rio de Janeiro mostrava o seguinte: VESTE-RIO A MODA AQUI É FAZER NEGÓCIO

O evento citado na questão anterior teria seu horário de funcionamento indicado de forma correta na seguinte alternativa: 
Alternativas
Q995695 Português

“Garantir o direito à educação inclusiva...” (Texto IV, linhas 22-23)


Pode-se afirmar que na frase destacada há, respectivamente, os seguintes aspectos gramaticais envolvidos:

Alternativas
Q994962 Português
Acerca do sinal indicativo de crase em “147 anos de serviços prestados à população de Belém” (linha 10), assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q992994 Português

“(...) segundo o professor, esse registro linguístico já pertence à norma culta (...)”

Assinale a alternativa que justifica a utilização da crase:

Alternativas
Q991516 Português

Causos/3

Eduardo Galeano, em O Livro dos Abraços.

O que é a verdade? A verdade é uma mentira contada por Fernando Silva. Fernando conta com o corpo inteiro, e não apenas com palavras, e pode se transformar em outra gente ou em bicho voador ou no que for, e faz isso de tal maneira que depois a gente escuta, por exemplo, o sabiá cantando num galho, e a gente pensa: Esse passarinho está imitando Fernando quando imita o sabiá.

Ele conta causos da linda gente do povo, da gente recém-criada, que ainda tem cheiro de barro; e também causos de alguns tipos extravagantes que ele conheceu, como aquele espelheiro que fazia espelhos e se metia neles, se perdia, ou aquele apagador de vulcões que o diabo deixou zarolho, por vingança, cuspindo em seu olho.

Os causos acontecem em lugares onde Fernando esteve: o hotel que abria só para fantasmas, aquela mansão onde as bruxas morreram de chatice ou a casa de Ticuantepe, que era tão sombreada e fresca que a gente sentia vontade de ter, ali, uma namorada à nossa espera.

Além disso, Fernando trabalha como médico. Prefere as ervas aos comprimidos e cura a úlcera com plantas e ovo de pombo; mas prefere ainda a própria mão. Porque ele cura tocando. E contando, que é outra maneira de tocar.

"... uma namorada à nossa espera."

Na frase destacada, o sinal de crase é facultativo. É o que, também, ocorre em:

Alternativas
Q990949 Português

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto:


"Que a todos e todas se prefiram ____ negrinhas com tez de ébano, os pretinhos e pajenzinhos amouriscados que fazem ____ vezes de moços de companhia ____ senhoras que os tratam como periquitos, lulus e outros cãezinhos, os negros brincalhões, displicentes e bons dançarinos, os pretos bons e seus bons amos mas eternamente gratos e fiéis, cujo papel é o de validar a magnanimidade do branco - nada disso é de hoje". Crítica da Razão Negra, Achille Mbembe.

Alternativas
Ano: 2018 Banca: IF-GO Órgão: IF-GO Prova: IF-GO - 2018 - IF-GO - Técnico em Enfermagem |
Q990292 Português

TEXTO 4

Ricos 'não deveriam usar o SUS', diz Drauzio Varella

Luis Barrucho - 16/05/2018.


        O médico mais famoso do Brasil não tem papas na língua. Aos 75 anos, o paulistano Drauzio Varella é dono de opiniões fortes - e polêmicas. Em entrevista à BBC Brasil no Reino Unido, onde participou de um ciclo de palestras organizado por estudantes brasileiros, ele defendeu que os ricos deixem de usar o Sistema Único de Saúde (SUS).

        "[…] Ousou dizer que saúde é um bem de todos e um dever de Estado (…). Acho que, num país com a desigualdade do Brasil, temos uma parte da população com condições econômicas bastante favoráveis que não deveria usar o SUS. Deveria deixá-lo para quem não tem outra alternativa [...]. Então, não tem sentido de eu estar ocupando o lugar do outro, tenho que me entender com a iniciativa privada", diz.

        BBC Brasil: O sr. vem atuando em penitenciárias brasileiras há muito tempo. Essa dedicação gerou três livros entre eles o best-seller Carandiru, que virou filme. Como o sr. vê a atual situação das penitenciárias brasileiras?

        Drauzio Varella: A sociedade brasileira, na qual eu me incluo, quer ver bandido na cadeia. Quando cheguei ao sistema penitenciário, em 1989, no antigo Carandiru, o Brasil tinha 90 mil prisioneiros, entre homens e mulheres. A população total de presos hoje no Brasil está na casa dos 720 mil. Encarceramos muito mais do que no passado. Sete vezes mais. Mas a população do país não aumentou sete vezes mais de 1989 para cá. E a segurança pública melhorou nas cidades brasileiras? É isso que ninguém reflete. Está na cara que isso é uma guerra perdida. Não é assim que vamos resolver o problema. Não é desse jeito. Encarcerar simplesmente não melhora a segurança nas cidades. A gente se esquece de que esses que estão sendo presos vão ser libertados em pouco tempo. Mas quando voltam, voltam mais preparados para o crime. Vão conviver com os mais velhos, que participam de facções criminosas. Vão sair da cadeia mais organizados, mais articulados, do que quando entraram. O encarceramento tem que ser repensado. Está certo prender por quatro anos uma menina que coloca droga na vagina e leva para o namorado? Quem aqui ganha com isso?

Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/brasil-44090888> 16/05/2016. Acesso em 19 maio. 2018. [Adaptado]. 

Na sequência da entrevista do Texto 4, temos o seguinte fragmento: “Durante __________ conversa, Varella também falou sobre sua experiência nos presídios brasileiros, nos quais é voluntário __________ décadas. Também discorre sobre temas que costumam gerar polêmica, como __________ descriminalização das drogas, o aborto, __________ homossexualidade e o papel da fé no processo de cura”. Marque a alternativa que completa adequadamente esse fragmento do texto 4:
Alternativas
Q988872 Português

Considerando aspectos linguísticos do texto, julgue o item que se segue.


Estaria mantida a correção gramatical do texto caso o segmento “entender a narrativa desses pacientes” (linha 24) fosse reescrita como entender à narrativa desses pacientes, dado o caráter opcional do emprego do acento grave indicativo de crase nesse caso.

Alternativas
Q986983 Português

Com base no texto, julgue o item a seguir.


No período “E lá na frente tem uma revolução à espera” (linha 36), se o sinal indicativo de crase fosse suprimido, o sentido e a correção do texto seriam prejudicados.

Alternativas
Q986752 Português

Considerando  os  aspectos  linguísticos  do  texto,  julgue  o  próximo item.  


Se o pronome possessivo sua fosse introduzido antes da  palavra  “prática”,  em  “graças  à  prática  de  exercícios”  (linha  35),  o  sinal  indicativo  de  crase  não  deveria  ser  empregado.  

Alternativas
Q985397 Português


Internet:www.planalto.gov.br3 .

Com relação aos aspectos linguísticos do texto e às ideias nele expressas, julgue o item subsequente.


O uso do sinal indicativo de crase em “à proposta pedagógica da escola” (linhas 6 e 7) é equivocado, já que uma escola pode ter mais de uma proposta pedagógica, o que obrigaria a redação do trecho à construção da ideia de indefinição, sem artigo feminino precedendo “proposta pedagógica”.

Alternativas
Q983386 Português

Leia as frases a seguir:


I. Vou ____ fazenda no final de semana para andar _____ cavalo.

II. Todo o time foi __________ entrevista.

III. Comunico _____ Vossa Senhoria ____ transferência do acordo para ____ próxima semana.


As lacunas serão preenchidas, correta e respectivamente, por:

Alternativas
Respostas
5901: A
5902: B
5903: E
5904: B
5905: E
5906: E
5907: E
5908: D
5909: D
5910: C
5911: D
5912: C
5913: E
5914: E
5915: C
5916: E
5917: C
5918: E
5919: E
5920: D