Questões de Concurso Sobre crase em português

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Q1139578 Português

O direito de ter direitos se tornou, de fato, subordinado ..I.. domínio do mercado, com o risco progressivo de se cancelar qualquer forma de respeito ..II.. pessoas. Transformando os seres humanos em mercadoria e dinheiro, esse mecanismo econômico perverso deu vida ..III.. um monstro impiedoso e apátrida, que acabará por negar ..IV.. futuras gerações qualquer forma de esperança.

(Adaptado de: ORDINE, Nuccio. A utilidade do inútil. Tradução de Luiz Carlos Bombassaro. Rio de Janeiro: Zahar, 2016, p.11)


Preenchem corretamente as lacunas I, II, III e IV, na ordem dada:

Alternativas
Q1139518 Português

1.       A World Wide Web, ou www, completou três décadas de existência. Sua invenção mudou a cara da internet. A ideia foi do físico britânico Tim Berners-Lee, quando tinha 33 anos. Naquela época, a internet já operava havia duas décadas, mas de forma bem diferente. Com recursos restritos, era usada principalmente para troca de informações entre pesquisadores da área acadêmica.

2.       “A www transformou-se em um componente fundamental da internet moderna”, afirma Fabio Kon, professor do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo. “A rede trouxe muitas coisas boas e já não conseguimos mais viver sem as comodidades que ela proporciona. Mas, por outro lado, ela amplifica alguns fenômenos negativos e indesejados que já existiam na sociedade.”

3.       Nas comemorações dos 30 anos da web, Berners-Lee expressou preocupação com o rumo que vem tomando a internet. Em carta aberta, listou três áreas que, para ele, prejudicam a web: intenções maliciosas; projetos duvidosos, entre eles modelos de negócios que recompensam cliques; e consequências negativas não intencionais da rede, com destaque para discussões agressivas e polarizadas.

4.       “Precisamos de um novo contrato para a web”, declarou Berners-Lee em uma conferência sobre tecnologia da internet. “Algumas questões de regulamentação têm que envolver governos. Outras claramente incluem as empresas. Se você for provedor de acesso, precisa se comprometer a entregar neutralidade de rede. Se for uma companhia de rede social, precisa garantir que as pessoas tenham controle sobre seus dados.”

5.       “Desde sua origem, a internet se propôs a ser plural e de acesso amplo”, ressalta a advogada Cíntia Rosa Pereira de Lima, líder do grupo de pesquisa Observatório do Marco Civil da Internet no Brasil

6.       A pesquisadora assinala também alguns problemas decorrentes das mudanças geradas pela internet. “Percebo que, com a proliferação das redes sociais, as pessoas passaram a se preocupar mais com a quantidade de relacionamentos, desconsiderando a qualidade deles”.

7.       Um dos pioneiros da internet no país, o engenheiro Demi Getschko admite que a rede enfrenta problemas, mas defende que o que vemos nela, conforme já expresso pelo matemático Vint Cerf, um de seus fundadores, é a representação daquilo que existe no mundo real. “A maioria das pessoas envolvidas com ela é bem-intencionada, mas existe uma ânsia de participar, de falar sem pensar, que com o tempo, esperamos, vai assentar. Tenho dúvidas sobre a eficiência de normatizações para corrigir os excessos na rede. Como ela não tem fronteiras, qualquer legislação local tende a falhar.”

(Adaptado de: VASCONCELOS, Yuri. Disponível em: revistapesquisa.fapesp.br

O sinal indicativo de crase está corretamente empregado em:
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Q1139313 Português

Aplicativo detecta problemas de visão em

crianças a partir de fotos


Por Guilherme Eler

Publicado em 03 out. 2019


              Graças aos smartphones, qualquer pessoa hoje carrega uma máquina fotográfica potente no bolso. [...] Pais orgulhosos vão postar até 1.300 fotos de seus pequenos nas redes sociais até que eles completem 13 anos, segundo um estudo britânico. Mas, para além de registrar os primeiros passos dos filhotes, imagens amadoras também podem revelar aspectos importantes da saúde das crianças.

         É nisso que aposta o aplicativo CRADLE (berço, em inglês, mas também a sigla para “detector de leucocoria assistido por computador”), ou White Eye Detector, desenvolvido por pesquisadores americanos. Chama-se de “leucocoria” um tipo de reflexo anormal na pupila, comumente detectado em crianças. O que os criadores da ideia acreditam é que fotos de celular podem ser uma forma simples de se captar sinais do tipo – e diagnosticar problemas de visão logo no começo da vida. [...] Um artigo científico inédito que avaliou o seu funcionamento e eficácia foi publicado na revista Science Advances na última quarta-feira (2).

           Assim como fotos com flash às vezes deixam quem posa de olhos vermelhos, doenças na vista (como retinoblastoma ou catarata, por exemplo) fazem os bebês saírem na foto com a pupila esbranquiçada. […] Sabendo que olhos esbranquiçados indicam problemas na visão, o algoritmo busca, então, detectar pixels de cor branca nas imagens. Quando os tais pixels aparecem na região da foto onde estão os olhos dos pequenos, a inteligência artificial acusa a chance de doenças na vista.

       Mas como a ferramenta consegue entender isso? A resposta está na tecnologia de aprendizado da máquina. Ela consiste em apresentar milhares de fotos de bebês saudáveis e doentes para treinar o algoritmo – até que ele aprenda a identificar, por tentativa e erro, se há problema ou não na imagem. […] A inteligência artificial conseguiu diagnosticar problemas nos olhos de 16, uma eficácia de 80%.

            […] Ainda que o aplicativo ofereça uma análise refinada, os pesquisadores destacam que o seu trabalho não substitui um diagnóstico médico de verdade. A ferramenta serviria mais como um ponto de partida: um teste preliminar que indica que algo não está como deveria, e precisa ser alvo de uma avaliação profissional.

         No Brasil, o exame mais famoso do gênero é o “teste do olhinho” – realizado ainda na maternidade e obrigatório na rede pública de saúde. Ainda que pareça simples, apontar uma lanterninha para o rosto dos bebês pode revelar um amplo espectro de problemas oftalmológicos, da catarata ao câncer.


Disponível em: <https://super.abril.com.br/saude/aplicativo-detectaproblemas-de-visao-em-criancas-usando-fotos/>. Acesso em: 05 out.2019.

Em “Graças aos smartphones, qualquer pessoa hoje carrega uma máquina fotográfica potente no bolso. [...]”, para que ocorra a crase, a expressão em destaque pode ser substituída por
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Q1139162 Português

                                     TEXTO I


Relatório aponta 53 mortes em MS de indígenas envolvendo conflitos no campo e desnutrição de crianças

Estudo do Cimi mostra tensão envolvendo índios, invasores e produtores rurais. Apesar da redução do número de homicídios, no ano passado, violência permanece alta.


      Esta semana o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou um novo relatório sobre a violência contra os povos indígenas. A maioria dos assassinatos tem como causa conflitos no campo. O estudo mostra em números a tensão envolvendo índios, invasores e produtores rurais. Apesar da redução do número de homicídios, no ano passado, a violência permanece alta.

      Segundo o Cimi, em 2017, 110 índios foram assassinados no país, 17 deles em Mato Grosso do Sul. Em 2016, 118 é o número de mortes constatadas. A principal causa é o conflito no campo. “Onde há resistência indígena, geralmente pessoas são marcadas como líderes e aí passam a sofrer todo tipo de repressão, ameaças e inclusive assassinatos”, afirmou o coordenador Roberto Liebgott.

       O relatório também destaca mortes de crianças por diarreia, desnutrição e outros problemas, que poderiam ser evitados com melhor assistência da saúde. Em 2017, 702 crianças, de até 5 anos de idade, morreram em todo o país. Deste número, 36 delas eram indígenas de Mato Grosso do Sul.

      A invasão de terras indígenas é outro problema grave. As áreas são cada vez mais cobiçadas por causa da riqueza natural. O número de invasões aumentou de forma expressiva, de 59 registros em 2016 para 96 casos no ano passado, sendo 5 deles no estado. Para o Cimi, tudo reflexo da falta de demarcação das terras e proteção às comunidades.

      “Em relação aos procedimentos de demarcação, há uma paralisia e isto potencializa e eterniza os conflitos”, finalizou Cleber Buzatto, diretor do Cimi.

Texto disponível em: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/ 2018/09/30/relatorio-aponta-53-mortes-em-ms-de-indigenas-envolvendo-conflitos-no-campo-e-desnutricao-de-criancas.ghtml Acessado em: 11 de janeiro de 2019 (com adaptações).

O sinal indicativo da ocorrência de crase está corretamente empregado somente no item:
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Q1139064 Português
Leia o texto para responder à questão.


Ética Médica


       Entrou em vigor no país uma nova versão do Código de Ética Médica. O novo diploma, que não traz reviravoltas dramáticas em relação ao texto anterior, de 2009, pode ser mais bem descrito como uma atualização necessária.
        Um bom exemplo de adequação ao espírito dos tempos atuais é a explicitação dos direitos dos médicos que padeçam de deficiências físicas – as quais passaram, ao lado da raça e das posições políticas, a ser elencadas como um dos motivos pelos quais o profissional de saúde não pode ser discriminado.
      Questões de cunho mais sindical, como as situações em que o médico está autorizado a recusar-se a trabalhar, seja por falta de condições, seja por objeções de consciência, também foram disciplinadas com uma dose adicional de detalhe.
      No que provavelmente constitui a novidade mais relevante, o Código autoriza médicos a realizarem pesquisas retrospectivas em prontuários, desde que autorizados por uma comissão de ética em pesquisa. Nesta era de “big data” em que vivemos, os arquivos de hospitais e clínicas escondem informações valiosíssimas na forma de correlações das quais nem suspeitamos.
       Tudo isso está enterrado nos discos de memória dos computadores ou nos mais antiquados arquivos mortos, mas pesquisadores não tinham acesso a esse conhecimento porque era, na prática, impossível obter o consentimento informado de todos os pacientes envolvidos.
    Por fim, há que lamentar pelo que os médicos deixaram de fazer nessa revisão. O disciplinamento da telemedicina, exigência dos tempos modernos, foi jogado para resoluções do Conselho Federal de Medicina. Pela amostra que tivemos no início do ano, o tema se afigura mais polêmico do que deveria.
     Pena também que não se tenha avançado mais no reconhecimento da autonomia dos pacientes maiores de idade e em pleno gozo de suas funções mentais – que deve ser plena, e não limitada.

(Editorial. Folha de S.Paulo, 06.05.2019. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o enunciado atende à norma- -padrão quanto à pontuação e ao emprego ou não do acento indicativo da crase.
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Q1139057 Português

Leia o texto para responder à questão.


A casa do tio Dagoberto


         Quando tia Eva saiu com as crianças, vovó, a sós conosco, afinal, falou. Disse que no mesmo dia ia voltar para Ibaté, porque tio Dagoberto não era um bom filho, não puxara aos pais.

            – Você é uma ovelha negra – ela acusou titio.

           – Que é que eu fiz, mamãe? – meu tio perguntou, estupefato. – Trabalho em dois hospitais, tenho meu consultório...

           – Mentiras! – declarou vovó.

           E disse mais: que ele devia ser um criminoso ou coisa pior. E eu, pobre de mim, logo estaria no mesmo caminho, desrespeitando a própria avó.

         – E não adianta mentir para mim! – afirmou, concluindo a censura: – Sou sua mãe e sei a espécie de bandido que você se tornou!

           – Mas que é que eu fiz, mamãe? – gemeu agoniado tio Dagoberto.

        – O que é que você fez, isso eu não sei! – declarou, toda pomposa, vovó. – Mas, se não tivesse feito nada de errado, não estaria escondido aqui em São Paulo, onde ninguém te conhece!         

         Tio Dagoberto abriu a boca e continuou com a boca aberta.

         Que é que ele podia dizer?

       No meio do silêncio, vovó virou as costas, saiu da sala e ficou trancada no quarto, até o dia seguinte, quando voltou para Ibaté.

        E, durante longos seis meses, não dirigiu mais a palavra a mim nem a tio Dagoberto.


(Orlando de Miranda, “A casa do tio Dagoberto” (fragmento).

Em: Sete faces do humor, 1992. Adaptado)

Considere as passagens do texto:



•  – Você é uma ovelha negra – ela acusou titio. (2º parágrafo)


•  E eu, pobre de mim, logo estaria no mesmo caminho, desrespeitando a própria avó. (5º parágrafo)


•  Que é que ele podia dizer? (10 º parágrafo)


•  E, durante longos seis meses, não dirigiu mais a palavra a mim nem a tio Dagoberto. (12º parágrafo)



De acordo com a norma-padrão, no contexto em que estão empregadas, as orações em destaque podem ser substituídas, respectivamente, por:

Alternativas
Ano: 2019 Banca: VUNESP Órgão: DAEM Prova: VUNESP - 2019 - DAEM - Mecânico II |
Q1138494 Português
Leia o texto para responder à questão.

    Arrastaram-se para lá, devagar, Sinha Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás. Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão. 
    – Anda, condenado do diabo, gritou-lhe o pai. Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. Mas o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas e esperou que ele se levantasse. Como isto não acontecesse, espiou os quatro cantos, zangado, praguejando baixo.
    A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas.
    O voo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.
    – Anda, excomungado.
    O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário – e a obstinação da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro precisava chegar, não sabia onde.
    Pelo espírito atribulado do sertanejo passou a ideia de abandonar o filho naquele descampado. Pensou nos urubus, nas ossadas, coçou a barba ruiva e suja, irresoluto, examinou os arredores. Sinha Vitória estirou o beiço indicando vagamente uma direção e afirmou com alguns sons guturais que estavam perto. Fabiano meteu a faca na bainha, guardou-a no cinturão, acocorou-se, pegou no pulso do menino, que se encolhia, os joelhos encostados no estômago, frio como um defunto. Aí a cólera desapareceu e Fabiano teve pena. Impossível abandonar o anjinho aos bichos do mato. Entregou a espingarda a Sinha Vitória, pôs o filho no cangote, levantou-se, agarrou os bracinhos que lhe caíam sobre o peito, moles, finos como cambitos. Sinha Vitória aprovou esse arranjo, lançou de novo a interjeição gutural, designou os juazeiros invisíveis.
    E a viagem prosseguiu, mais lenta, mais arrastada, num silêncio grande.
                                                             (Graciliano Ramos, Vidas Secas. Adaptado)
Quando percebeu que o filho começava _________ ficar frio como um defunto, Fabiano entregou a espingarda ______ mulher e coube_____ ele carregar a criança por entre os juazeiros invisíveis designados por Sinha Vitória.
Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
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Q1138262 Português

Programa detecta 90% de precisão se a autoria de um texto é falsa


      Pense bem antes de considerar colar no seu próximo trabalho escrito. Pesquisadores da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, combinaram uma grande base de dados com inteligência artificial para criar um sistema que determina se um texto é original ou foi copiado da internet.

     A pesquisa coletou 130 mil redações de estudantes de 10 mil escolas dinamarquesas, e o sistema adivinhou, com 90% de acerto, quais eram falsos. Já existem programas capazes de identificar se um texto foi plagiado de um artigo previamente publicado. Um exemplo é o Lectio, usado nas escolas da Dinamarca. As coisas complicaram quando os alunos começaram a contratar outras pessoas para fazer seus textos, os ghostwriters. A situação é muito expressiva principalmente no último ano do colegial, quando os alunos precisam entregar um trabalho final – como se fosse um TCC do Ensino Médio.

      No caso de a redação ter sido escrita por um ghostwriter, os programas utilizados atualmente não são tão eficientes. A técnica criada pelos cientistas identifica diferenças no estilo de escrita do aluno comparando seus textos anteriores. Alguns aspectos que o programa procura são tamanho das palavras, estrutura das frases e como as palavras são usadas. Um exemplo é a própria palavra “exemplo” — ela pode ser escrita inteira ou usando uma abreviação, como ex.

      Por enquanto, o novo programa, chamado Ghostwriter, ainda está em fase de pesquisa. Os autores do estudo acreditam que em breve ele poderá ser levado para dentro das escolas, mas antes disso é preciso existir um debate ético. O programa não deve ser o único recurso utilizado para identificar a falsidade do texto. Ele pode indicar ou suspeitar da legitimidade do autor, mas quem deve dar a palavra final são seres humanos.

        O Ghostwriter também pode ser útil em outras áreas. Ele pode analisar grandes quantidades de documentos e ajudar a polícia a identificar quais deles são falsificados. Ele também contribui para separar os tweets de usuários verdadeiros daqueles que foram pagos ou feitos por robôs. No Brasil – em que até receita de miojo recebe nota boa no Enem – a tecnologia será muito bem-vinda.


Maria Clara Rossini. Disponível em: https://super.abril.com.br. Acesso em 5/7/2019


A palavra destacada em: “os alunos começaram A contratar outras pessoas” foi corretamente empregada {sem acento] por se tratar apenas de uma preposição. Assinale a alternativa em que o A deve receber acento indicativo de crase.
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Q1137594 Português

Leia o texto para responder à questão.

Vaca não dá leite

        Mario Sergio Cortella, filósofo, escritor, educador, palestrante e professor brasileiro, costumava dizer aos filhos quando crianças: “Quando completarem 12 anos, vou contar o segredo da vida a vocês”.

      Quando o mais velho completou 12 anos, acordou o pai todo ansioso para saber o segredo da vida. Disse o pai:

     “Contarei, mas você não poderá revelar aos seus irmãos. Eis o segredo: Vaca não dá leite. Você tem de tirar. Você precisa acordar às quatro da manhã, ir ao pasto, entrar no curral cheio de fezes, amarrar rabo e pernas da vaca, sentar no banquinho e fazer o movimento certo!”

       Esse é o segredo da vida. Vaca, búfala, cabra não dão leite. Ou você tira ou não tem leite.


(Cacau Menezes, “Vaca não dá leite”. Em:

https://www.nsctotal.com.br. Adaptado)

Assinale a alternativa em que o uso do sinal indicativo da crase está em conformidade com a norma-padrão.
Alternativas
Q1137586 Português

Leia a tira para responder à questão.


No contexto de comunicação apresentado, em conformidade com a norma-padrão, a fala do segundo quadrinho pode ser substituída por:
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Q1137213 Português

CIDADE DE MESENTÉRICOS [OLAVO BILAC, 1899]


      Há casas vastas e belas que ficam longo tempo fechadas, num silêncio de morte, num sono de aniquilamento.

        Conhecem os senhores cousa mais triste do que um palácio desabitado? Enquanto os outros prédios, em torno, abrem o seio, durante o dia, ao sol, e à noite, despejam para fora, pelas janelas rasgadas, o pairar da alegria, da música e das conversas — a casa vazia fica fechada e triste como um túmulo.

      O Rio de Janeiro está, quase sempre, assim... Cidade macambúzia, cidade de dispépticos e de mesentéricos, Sebastianópolis parece estar sempre carregando o luto de uma grande catástrofe. Já alguém notou que o carioca anda sempre olhando para o chão, como quem procura o lugar em que há de cavar a própria sepultura. E quem escreve estas linhas já viu, uma noite, a polícia prender três rapazes que, havendo ceado bem, se recolhiam à casa de amigos cantando um coro de uma opereta qualquer. E prendê-los por quê? Porque cantavam... Triste cidade!

       Santo Deus! que sejam tristes, soturnas e embezerradas as cidades do extremo Norte da Europa, que uma névoa perpétua amortalha — cousa é que se compreende. A tristeza do céu entristece as almas... Mas que seja melancólica uma cidade como esta, metida no eterno banho da luz do sol — luz que se desfaz em beijos e sorrisos pelas copas das árvores, pelas fachadas das casas, pelos buracos das ruas —, isso é cousa que não se entende!

       Felizmente, agora, o Rio de Janeiro parece sair do seu letargo.

       Voltemos à imagem da casa desabitada. Que alegria, quando, depois de longo luto, abrem-se as janelas do prédio à luz e ao ar, e espanam-se os móveis, e sacodem-se as cortinas, e o piano acorda cantando uma valsa leve, e as crianças se espalham pelos corredores, correndo e chalrando!

      Assim, o Rio de Janeiro, atualmente, nestes dias de festa. Antes da chegada do presidente Rocca,1 a chegada do governador Viana...

       Passeatas, banquetes, espetáculos de gala, corridas — as costureiras trabalhando sem descanso, todo o comércio rejubilando —, uma delícia para todo mundo!

        Ah! quem dera que fosse sempre assim, Sebastianópolis!

      E por que não és tu sempre assim, uma feira franca do riso e do pagode? Talvez porque o nosso temperamento seja realmente mais sujeito à melancolia do que à jovialidade? Não! há quem diga que a nossa tristeza depende exclusivamente da nossa imundície.

       Diz-se que, certa vez, um homem, pouco dado ao uso do banho, sentiu-se atolar no pântano de uma melancolia sem tréguas. Foi consultar um médico, que lhe aconselhou o uso de banhos diários. E logo ao segundo banho o sujeito ficou tão curado, que morreu... de um frouxo de riso.

       O remédio é fácil de experimentar. Mal não fará, com certeza: e é mais que provável que faça bem, e grande bem...

        Ah! quem poderá viver bastante para te ver saneada, ó cidade do Rio de Janeiro? 

      A gente, desde que se entende, ouve dizer que o Brasil só não está hoje inteiramente povoado por causa do flagelo periódico da febre amarela. Sabem isto os governos, sabe isto o povo. Todos os médicos que há sessenta anos saem das nossas faculdades, dizem e escrevem que a causa da febre amarela é a falta de saneamento das cidades. Ninguém ignora que o vômito-negro, por anos e anos, devastou as populações de Galveston, de Filadélfia, de Memphis, de New Orleans, e que dessas cidades desapareceu para sempre — assim que, saneadas e acostumadas à limpeza, elas deixaram de oferecer ao desenvolvimento da epidemia um meio favorável. Torres Homem, Ferreira de Abreu, todos os grandes clínicos do Brasil se têm esbofado em pedir o saneamento — declarando terminantemente que ele é o único meio de combater e aniquilar a pirexia assassina.

      Mas nada se tem feito. Os dias passam, e a gente continua a esperar que as redes aperfeiçoadas de esgotos, as drenagens do solo e os abastecimentos d'água caiam do céu por descuido — como se o céu tivesse algum interesse nisso.

        Agora, parece que o sr. prefeito municipal resolveu meter uma lança em África, pedindo ao conselho que o autorize a abrir largamente os cofres do município em favor da ideia.

       Claro está que isso só pode merecer aplauso. Mas... — forte desgraça é esta! Sempre há de aparecer este mas cruel, esta abominável adversativa que atrapalha tudo! Mas... que ideia é esta de pedir a uma corporação médica que estude mais uma vez o saneamento?

      Ninguém se cansaria ainda em reeditar a bolorenta série dos injustos epigramas com que tem sido crivada a classe dos médicos — desde a prosa de Molière até as desaforadas redondilhas de Bocage. Já se sabe que há no Brasil médicos que são glórias legítimas e incontestáveis desta terra. Mas sabe-se também que entre os médicos brasileiros, e principalmente entre os médicos do Rio de Janeiro, há uma rivalidade feroz, uma luta sem tréguas, uma guerra de morte. 

      Passam-se meses sem que venham a público manifestações desse desacordo profundo: de repente, porém, um alarido cresce nos ares, e, pelas colunas pagas ou não pagas dos jornais, começa a ferver o escândalo, e começam a chocar-se as injúrias, e é um nunca mais acabar de acusações, de doestos, de denúncias, de revelações escabrosas.

       Agora mesmo estamos assistindo a uma dessas batalhas edificantes. A galeria baba-se de gosto, e as empresas dos jornais apanham o melhor do combate, que é o dinheiro dos combatentes. Se à cabeceira de um doente, por causa de uma talha malfeita, ou de um tifo mal combatido, há tão ásperas lutas, que não haverá à cabeceira da cidade, por causa do saneamento?

       Enfim, o que devemos todos fazer é pedir a Deus que ilumine o Concílio, mantendo sobre ele a sua infinita Graça — e pedir aos médicos que economizem palavras, porque não há de ser com elas que a municipalidade saneará o Rio de Janeiro. 

                                                                         (Gazeta de Notícias, 30/7/1899)


“Se à cabeceira de um doente, por causa de uma talha malfeita, ou de um tifo mal combatido,(...)”. Em todas as opçoes o fenômeno da crase se dá pela mesma razão, EXCETO em:
Alternativas
Q1137104 Português

Considerando as regras de emprego do sinal indicativo de crase, assinale a alternativa que completa a frase a seguir conforme a norma-padrão da língua.


Quando estou sozinha, posso dedicar tempo à

Alternativas
Q1135944 Português

Leia o texto para responder à questão.


Planejamento


         Ele chegou na hora certa. Aluno da Unicamp, me pedira uma entrevista. Eu não sabia o que ele queria saber de mim. Assentados, ele com prancheta e caneta na mão fez a grande pergunta: “Eu queria saber como foi que o senhor planejou a sua vida para chegar aonde chegou...”. Compreendi imediatamente. Ele gostava de mim. Me admirava. Queria ser como eu. E queria que eu lhe revelasse o segredo, o mapa... Fiquei triste por ter de desapontá-lo. Minha resposta, absolutamente verdadeira, foi: “Eu estou onde estou porque tudo que planejei deu errado...”. 


(Rubem Alves. Do universo à jabuticaba. São Paulo: Planeta do Brasil, 2010)

Quanto à ocorrência da crase, a expressão destacada em – … para chegar aonde chegou… – pode ser corretamente substituída por:
Alternativas
Ano: 2019 Banca: IBFC Órgão: MGS Prova: IBFC - 2019 - MGS - Porteiro - Vigia |
Q1135914 Português
Quanto às normas para o uso do sinal indicativo de crase, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q1135869 Português

    Drauzio - Por que algumas pessoas estão mais sujeitas a formar divertículos?

    Aytan Sipahi - É provável que fatores dietéticos expliquem a frequência maior dessa doença no mundo ocidental. Quando se manifesta no Oriente, ela acomete mais o cólon ascendente que se situa no lado direito do abdômen. Já no Ocidente, o cólon descendente e o sigmoide são os mais afetados.

    Dado interessante foi constatado no que se refere à incidência da diverticulose na população japonesa. Apenas 18% dos japoneses que vivem no Japão apresentam a doença, enquanto esse número sobe a 50% entre os japoneses que se mudaram para o Havaí e adotaram hábitos alimentares ocidentalizados.

    Drauzio - Você disse que a partir dos 50 anos aumenta muito a incidência de diverticulose e que, aos 85 anos, mais ou menos 85% das pessoas formaram divertículos. Não se poderia dizer, então, que não se trata de uma doença, mas que a diverticulose faz parte do envelhecimento normal como as rugas e os cabelos brancos?

    Aytan Sipahi - Pode-se dizer que os divertículos fazem parte da evolução da história natural da saúde do homem, uma vez que somente 20% deles se tornam sintomáticos. No entanto, como existe discussão a respeito da dieta, a pergunta é se não seria possível modificar essa história do cólon humano, ou seja, alterar sua fisiopatologia por meio da mudança dos hábitos alimentares.

    É preciso saber com certeza se essa hipótese é verdadeira ou se não tem importância. Se bem que, para tanto, seria necessário comparar a resposta de duas comunidades ao tipo de alimentação. Uma delas receberia, desde a infância, alimentos ricos em fibra e a outra manteria os hábitos dietéticos conservadores de seu grupo social. Talvez, só assim se pudesse concluir que a introdução de fibra na dieta humana é realmente tão benéfica quanto se acredita, porque facilita uma série de processos que ocorrem no intestino e se sua ingestão sistemática iria mudar a história natural da doença diverticular.


(Diverticulite. Dráuzio Varella entrevista Aytan Sipahi (excerto adaptado) In https://drauziovarella.uol.com.br/entrevistas-2/diverticulite-entrevista/)

Quanto à ocorrência do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas da frase a seguir, de acordo com a norma-padrão da língua. O primeiro procedimento no que concerne_____ identificação da diverticulite passa por exames como tomografia computadorizada e ultrassom, de menor sensibilidade em relação_____ tomografia, mas também bastante útil. Sintomas de peritonismo orientam_____ necessidade de internação em hospital, onde o paciente permanecerá em tratamento_____ base de antibióticos de largo espetro.
Alternativas
Q1135278 Português
Todas as frases a seguir apresentam correto emprego da crase, EXCETO qual delas?
Alternativas
Q1135194 Português

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto a seguir, de acordo com a norma-padrão.


Os entraves __________ aprovação de uma reforma tributária fatiada estão principalmente associados _______ obtenção de soluções imediatistas, ________ efeitos se limitem a situações de momento. Sem saber _________ se vai chegar, de pouco adianta mudar.

Alternativas
Q1135152 Português

                                                  Texto


      Com a premissa de que todo o poder emana do povo prevista na Constituição Federal de 1988, a nação brasileira enquadra-se na categoria de Estado Democrático de Direito. Suas principais características são soberania popular; da democracia representativa e participativa; um Estado Constitucional, ou seja, que possui uma constituição que emanou da vontade do povo; e um sistema de garantia dos direitos humanos.

      Como o nome sugere, a principal ideia da categoria é a democracia. Esse conceito está explícito e explicado no primeiro artigo da Constituição Federal de 1988. Está na Carta Magna: “Todo o poder emana do povo (isso significa que vivemos em uma República), que o exerce por meio de representantes eleitos (esses são os termos de uma democracia indireta, por meio das eleições de vereadores, prefeitos, governadores, deputados, senadores e presidentes) ou diretamente, nos termos desta Constituição (este trecho estabelece que, no Brasil, também funciona a democracia direta, em que o povo é o responsável direto pela tomada de decisões)”


Conceitos


      Para entender o conceito, é necessário compreender o que significa “democrático”, segundo o professor e mestre em direito constitucional Edgard Leite. Ele explica que essa palavra por si só concentra todo o significado da expressão. É justamente por isso que um Estado de Direito é totalmente diferente do Estado Democrático de Direito.

    “Resumidamente, no Estado Democrático de Direito, as leis são criadas pelo povo e para o povo, respeitando-se a dignidade da pessoa humana”, afirmou Leite.

     Já o Estado de Direito é pautado por leis criadas e cumpridas pelo próprio Estado. Um exemplo, segundo o professor, é o Código Penal Brasileiro, um decreto-lei de 1940.

      “Isso ocorre em uma ditadura militar, por exemplo, quando o governante dispõe de instrumentos como o decreto-lei, por meio do qual ele governa ainda que sem a aprovação do Congresso Nacional.”


      Origem do conceito


      A ideia de democracia surgiu na Grécia antiga junto ao conceito de cidadão ativo. “Foi quando surgiu a democracia direta. O cidadão ativo ateniense era aquele que poderia exercer poderes políticos. Naquela época, eram apenas homens livres com posses, que se reuniam em praça pública e decidiam os rumos da cidade-estado”, explicou o especialista.


(Disponível em:<http://www2.planalto.gov.br/mandatomicheltemer/acompanhe-planalto/noticias/2018/10/entenda-o-que-e-o-estado-democratico-de-direito>  Acessado em: 13 de mar. de 2019 - com adaptações)

O sinal indicativo da ocorrência de crase está corretamente empregado somente no item:
Alternativas
Q1134908 Português

Analise a tirinha a seguir.


Imagem associada para resolução da questão


Sobre o emprego da crase no segundo quadrinho, é correto afirmar:

Alternativas
Q1133902 Português

COMO COMECEI A ESCREVER


Já contei em uma crônica a primeira vez que vi meu nome em letra de forma: foi no jornalzinho "O ltapemirim", órgão oficial do Grêmio Domingos Martins, dos alunos do colégio Pedro Palácios, de Cachoeiro de Itapemirim. O professor de Português passara uma composição "A Lágrima" — e meu trabalho foi julgado tão bom que mereceu a honra de ser publicado.

Eu ainda estava no curso secundário quando um de meus irmãos mais velhos — Armando — fundou em Cachoeiro um jornal que existe até hoje — o "Correio do Sul". Fui convidado a escrever alguma coisa, o que também aconteceu com meu irmão Newton, que fazia principalmente poemas. Eu escrevia artigos e crônicas sobre assuntos os mais variados; no verão mandava da praia de Marataízes uma crônica regular, chamada "Correio Maratimba".

Quando fui para o Rio (na verdade para Niterói) por volta dos 15 anos, mandava correspondência para o “Correio”. Continuei a fazer o mesmo em 1931, quando mudei para Belo Horizonte. A essa altura meu irmão Newton trabalhava na redação do "Diário da Tarde" de Minas. No começo de 1932 ele deixou o emprego e voltou para Cachoeiro; herdei seu lugar no jornal. Passei então a escrever diária e efetivamente, e fui aprendendo a redigir com os profissionais como Octavio Xavier Ferreira e Newton Prates.

Quando terminei meu curso de Direito, resolvi continuar trabalhando em jornal. Fazia crônicas, reportagens e serviços de redação. Ainda em 1932 tive uma experiência bastante séria: fui fazer reportagem na frente de guerra da Mantiqueira, missão aventurosa porque a direção de meu jornal era favorável à Revolução Constitucionalista dos paulistas, e eu estava na frente getulista. Acabei preso e mandado de volta.

A essa altura eu já era um profissional de imprensa, e nunca mais deixei de ser.

CONY, C. Heitor.Inhttps://cronicasbrasil.blogspot.com/search/label/Cony

Na oração: “a direção de meu jornal era favorável à Revolução Constitucionalista dos paulistas” (4º §), o acento da crase foi empregado corretamente. Das alterações feitas na referida oração, o emprego do acento da crase está INCORRETO em:
Alternativas
Respostas
5801: E
5802: E
5803: D
5804: D
5805: E
5806: E
5807: E
5808: D
5809: A
5810: B
5811: D
5812: C
5813: D
5814: D
5815: C
5816: C
5817: E
5818: B
5819: B
5820: D