Questões de Concurso
Sobre crase em português
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A ditadura do algoritmo
Recentemente, durante uma reunião com o time de marketing digital que assessora minha empresa, ouvi a expressão “o algoritmo1 não ficou feliz com esse post 2”. Por ser jurássico na área de tecnologia, tendo iniciado há quase 40 anos como programador, sei muito bem o que é um algoritmo. Desenvolvi vários, mas, até hoje, nunca esperei que algum deles ficasse feliz ou triste com algo que eu declarasse, publicasse ou apresentasse.
Provoquei, perguntando como deixar o sensível algoritmo “feliz”. Ouvi uma sequência de ações para que qualquer informação das redes sociais seja publicada para um número significativo de pessoas. Em outras palavras, é necessária uma série de ações para que o algoritmo fique “feliz” e lhe conceda, magnanimamente, um espaço no ambiente no qual é soberano.
Considerando-se que, na política, uma ditadura caracteriza-se por um governo autoritário ou totalitário, não vejo diferença entre a ditadura política e viver num mundo onde um robô ou uma inteligência artificial interpreta, aprende e provoca contínua e quase naturalmente emoções humanas a partir de um volume monstruoso de informações publicadas a cada segundo. É a ditadura do algoritmo. Por sinal, nunca a expressão “escravo do sistema” fez tanto sentido.
No caso das redes sociais, o objetivo do “ditador algoritmo” é apresentar a melhor experiência possível a quem estiver navegando, disponibilizando algum conteúdo que seja agradável à pessoa e bloqueando o que não a agrade, garantindo fidelidade ao aplicativo e a todas as suas variantes. Mas isso vai além de proporcionar uma boa experiência, pois o perfil de consumo também é mapeado, facilitando a oferta de produtos e serviços aderentes aos anseios da pessoa.
Essa ditadura do “soberano algoritmo” chega a ser até mais cruel que a ditadura política, pois é camuflada por imagens agradáveis, frases de incentivo e áudios que tornam o pensamento dos que consomem tudo isso alinhado aos anseios daqueles que criam armadilhas que levam a uma interpretação equivocada do mundo, conduzindo a decisões irracionais que atendam às expectativas do “algoz algoritmo”. Que triste estar num mundo em que tudo é feito para que se leia, ouça ou veja somente aquilo que queremos ler, ouvir e ver. A ausência do contraditório, da discrepância e do discordante infantiliza qualquer relação e impede que se mantenha a visão sobre o mundo e sobre a vida em evolução contínua.
1 Algoritmo: conjunto das regras e procedimentos lógicos que levam à solução de um problema.
2 Post: postagem, conteúdo publicado em plataformas de comunicação ou sites da internet.
(Edson S. Moraes. https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2021/08/
a-ditadura-do-algoritmo.shtml. 21.08.2021. Adaptado)
Considere o trecho redigido a partir do texto:
A ideia de que seríamos escravos do sistema remete muito significativamente _______ forma como os conteúdos veiculados na internet nos induzem _______ fazer certas escolhas, em consonância _______ propósitos com que são criados. Por trás do aparentemente despretensioso objetivo de possibilitar uma experiência agradável, está a busca _____ estimular o consumo, subsidiada pelo mapeamento de informações que permite _____ empresas oferecerem produtos compatíveis ______ perfil de cada usuário da internet.
De acordo com a norma-padrão da língua, as lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:
Contava as moedas uma ___ uma; foi quando saiu correndo _________.

“Além disso, a pandemia modificou alguns critérios estabelecidos pelos compradores.” (linha 11): À despeito de tudo isso, a pandemia alterou inúmeros critérios de que os compradores criaram.

O emprego do acento indicativo de crase em “às novas demandas sociais e econômicas” (linhas 18 e 19) justifica-se pela regência da forma verbal “adaptou-se” e pela anteposição do artigo feminino “as” a “novas demandas sociais e econômicas”.


A tecnologia finalmente está derrubando os muros do tradicionalismo que envolve o mundo do direito. Cercado de costumes e hábitos por todos os lados, o direito e seus operadores têm a fama de serem apegados a formalismos, praxes e arcaísmos resistentes a mudanças mais radicais. São práticas persistentes, passadas adiante por gerações e cultivadas como se necessárias para manter a integridade e a operacionalidade costumeira do sistema.
Nem mesmo o hermético universo do direito resistiu às mudanças tecnológicas trazidas pela rede mundial de computadores e pela possibilidade do uso de softwares de inteligência artificial para análise de grandes volumes de dados. Novidades cuja aplicação foi impulsionada pelo incessante crescimento de demandas judiciais e pela necessidade de implementar e efetivar o sistema de precedentes qualificados. Todas essas inovações, sem dúvida nenhuma, transformaram o sistema de justiça como o conhecíamos e o cotidiano dos operadores do direito.
O direito, o processo decisório e os julgamentos são eminentemente de natureza humana e dependem do ser humano para serem bem realizados. Assim, mesmo que os avanços tecnológicos sejam inevitáveis, todas as inovações eletrônicas e virtuais devem sempre ser implementadas com parcimônia e vistas com muito cuidado, não apenas para sempre permitirem o exercício de direitos e garantias, mas também para não restringirem — e, sim, ampliarem — o acesso à justiça e, sobretudo, para manterem a insubstituível humanidade da justiça.
Rafael Muneratti. Justiça virtual e acesso à justiça. In: Revista da Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul, ano 12, v. 1, n.º 28, 2021 (com adaptações).
Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item a seguir.
A supressão do sinal indicativo de crase no vocábulo “às”,
em “às mudanças tecnológicas” (segundo parágrafo),
prejudicaria a correção gramatical do texto.


I. Na linha 09, a lacuna pontilhada deve ser preenchida pela preposição ‘a’ contraída com o artigo feminino ‘a’, assumindo, portanto, a forma ‘à’.
II. Na linha 24, a lacuna pontilhada deveria ser obrigatoriamente preenchida por ‘à’, visto estarem presentes as condições para uso da crase.
III. Nas três lacunas pontilhadas das linhas 40 e 41, observa-se apenas a necessidade de uso da preposição ‘a’.
Quais estão corretas?
Assinale a alternativa cujos termos preenchem, CORRETA e respectivamente, as lacunas existentes no texto abaixo:
" ___ vezes, buscava solidão para repensar ___ vida, ___ pessoas, coisas. A vida parecia ___ estar deriva, e isso ameaçava ___ saúde, ___ paz interior. Precisava restaurar as energias, a vitalidade para seguir em frente. E, assim, prosseguir com firmeza e muita determinação.
( ) “A ideia dele é resultado da sua volta à pratica de caminhar pela cidade.” — nesse contexto. a crase é facultativa.
( ) “Quando voltei a andar a pé...” — a ausência do acento grave nos termos destacados se justifica pelo fato de a primeira estar diante de um verbo é a segunda, diante de um termo masculino.
( ) “Também constatei a situação das calçadas...” — substituindo o verbo destacado por “referir-se”, estaria correta a construção: Também me referi a situação das calçadas.
( ) “Foi ai que ele começou a levantar uma discussão...” — a ausência da crase se justifica por estar diante de verbo.
( ) “uma discussão sobre a situação das calcadas junto ao poder publico...” — nesse contexto, a crase ¢ facultativa.
Assinale a alternativa que indica a sequência CORRETA.

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.
Filmes que vão abalar seus nervos, mas que o deixarão mais inteligente
Por Giancarlo Galdino

(Disponível em: https://www.revistabula.com/44437-9-filmes/ – texto adaptado
especialmente para esta prova).
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
O médico cantor que toca músicas escolhidas pelos pacientes em UTI de hospital de Porto Alegre

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2021/10/ – Texto adaptado especialmente para esta prova).
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A vida e a alegria retornam ao Museu de Arte de Blumenau (MAB). Na quarta e quinta-feira desta semana, dias 10 e 11 de novembro, setenta crianças com idades entre 4 e 6 anos, dos CEIs Alberto Stein e Teresa Raquel de Araújo, prestigiaram ____ obras em exposição na segunda temporada do ano. Acompanhados pelas professoras, os alunos tiveram a oportunidade de conhecer a Exposição TransformAção, da artista Belíria Boni.
As visitas foram planejadas pelas professoras que desenvolveram projeto onde as crianças tiveram oportunidade de acompanhar a metamorfose da borboleta. Conheceram o desenvolvimento do processo desde a fase dos ovos até chegar ____ final, com o aparecimento das borboletas. A aula prática foi possível com a utilização do "borboletário".
Antes da visita, as crianças assistiram ____ vídeo tour da exposição "TransformAção. A mediação foi conduzida pela equipe do MAB com a participação da artista Belíria Boni. "As 7 mil borboletas instaladas na Galeria Municipal de Arte/Sala Alberto Luz serviram de inspiração para abordar temas como meio ambiente, biodiversidade e cuidados com a natureza", comentou a gerente do museu, Mia Ávila. "Além dessa roda de conversa, as crianças participaram de atividades de pintura de dobraduras de borboletas e dançaram ouvindo a música Lagarta Comilona, do professor Shauan Bencks, que narra a trajetória da lagarta até se tornar a borboleta, de forma lúdica e animada. Todos foram presenteados com dobraduras de borboletas feitas pela artista Belíria Boni."
Na próxima segunda-feira, dia 15 de novembro, [...] o MAB abrirá no horário das 10h ____ 16h. [...]
Disponível em: caas-noo-mueeu-deare665.gov.br/secretarias/fundacao-cultural/fcblu/borboletas-encantam-crianacas-no-museu-de-arte65. Acesso em 12/nov/2021. [adaptado]
I. O termo “certas”, na frase, é um pronome; sua consideração como adjetivo implicaria alteração do sentido.
II. A ocorrência de crase antes de “sociedade” deve-se à regência do verbo “pertencem”, que requer a preposição “a”, combinada com o artigo feminino.
III. A partícula “se” antecede o verbo “pertencem”, como decorrência do emprego do advérbio “não”.
IV. O termo “onde” seria adequadamente substituído por “nas quais”, segundo a norma culta.
Assinale a alternativa correta.
Leia o texto para responder à questão.
Mais home office para bem formados traz destruição do emprego de baixa qualificação
A adoção definitiva de home office após a pandemia deve acelerar mudanças estruturais no mercado de trabalho, com potencial para aprofundar as desigualdades entre trabalhadores mais escolarizados e aqueles com menor qualificação. É uma transformação que já vinha ocorrendo de forma gradual, a partir da adoção de novas tecnologias de comunicação e automação, mas que ganha velocidade durante a pandemia, forçando assim as empresas a buscarem alternativas para manter o funcionamento mesmo com a restrição à circulação de pessoas.
A perspectiva é que as empresas passem a adotar o teletrabalho de forma permanente, de modo que a tendência seja um espaço cada vez mais estreito para menos qualificados no mercado formal. Uma pesquisa do FGV-Ibre mostrou que mais da metade das empresas disseram que vão incorporar, parcial ou totalmente, mudanças no sistema de trabalho adotadas durante a pandemia.
Um exemplo de modificação permanente já foi anunciado pela Petrobras, a maior empresa do Brasil, que quer manter metade de seu pessoal administrativo em trabalho remoto por ao menos três dias por semana. Com isso, pretende reduzir de 17 para 8 o número de prédios que ocupa. Com uma estrutura menor, demandará menos pessoal de apoio e conservação para atividades como segurança, manutenção ou limpeza. A queda na demanda por esse tipo de serviço já foi sentida também pelo IBGE: em maio, as atividades de limpeza de prédios e agenciamento de mão de obra estiveram entre as que impulsionaram o tombo do setor de serviços.
Diante do cenário, os especialistas pregam um debate mais profundo de políticas para minimizar os efeitos econômicos da mudança sobre a desigualdade do mercado de trabalho brasileiro, que já vinha crescendo com os efeitos da recessão iniciada em 2014.
Pesquisa Datafolha mostrou que, entre os trabalhadores que ganham até dois salários mínimos, apenas 19% conseguiram trabalhar de casa durante a pandemia. Acima dos dez salários, o índice sobe para 71%.
(Nicola Pamplona e Diego Garcia. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/. 06.08.2020. Adaptado)
A partir de então, o médico aconselhou que se usassem máscaras para tratar pacientes infectados, protocolo que se estendeu a todos os profissionais de saúde, estivessem ou não às voltas com essa praga. (linhas 11 e 12)
Assinale a alternativa que, alterando-se o segmento sublinhado acima, independentemente da mudança de sentido, NÃO esteja de acordo com a norma culta.

