Questões de Concurso Sobre crase em português

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Q4069959 Português
Tentação


   Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

   Na rua vazia as pedras vibravam de calor – a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo‐nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde.

  Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo.

  Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.

  A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.

   Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava‐o sob os cabelos, fascinada, séria.

   Os pelos de ambos eram curtos, vermelhos.

   Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe‐se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe‐se também que sem falar eles se pediam. Pediam‐se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.

   Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.

   Mas ambos eram comprometidos.

   Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.

   A dona esperava impaciente sob o guarda‐sol. O basset ruivo afinal despregou‐se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou‐o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê‐lo dobrar a outra esquina.

Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.


(Clarice Lispector. Felicidade Clandestina: Contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. Adaptado.)
No trecho “Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento.” (4º§), o sinal indicativo de crase foi empregado adequadamente. Tal fato NÃO ocorre em:
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Q4068959 Português
Culto do espelho

    Um dos produtos mais curiosos da indústria cultural digital é a chamada selfie, autorretrato feito com celular que virou mania geral. Em lugares públicos e privados, o usuário, como quem porta um espelho, vira a câmera do telefone para o próprio rosto e, “espelho, espelho meu”, descobre por meio das redes sociais que não existe no mundo ninguém mais bonito do que “eu”.
    O autorretrato foi prática comum na história da pintura e da fotografia. Hoje em dia ele é hábito de quem tem um celular à mão. Em qualquer dos casos, a ação de autorretratar‐se diz respeito a um exercício de autoimagem no tempo histórico em que técnicas tradicionais como o óleo, a gravura, o desenho foram a base das representações de si. Hoje ele depende das novas tecnologias que, no mundo dos dispositivos, estão ao nosso alcance de forma mais simples.
    Não se pode dizer que a invenção da fotografia digital tenha intensificado apenas quantitativamente a arte de autorretratar‐ -se. Selfie não é fotografia pura e simplesmente, não é autorretrato como os outros. A selfie põe em questão uma diferença qualitativa. Ela diz respeito a um fenômeno social relacionado à mediação da própria imagem pelas tecnologias, em específico, o telefone celular. De certo modo, o aparelho celular constitui hoje tanto a democratização quanto a banalização da máquina de fotografar; sobretudo, do gesto de fotografar.
    O celular tornou‐se, além de tudo o que ele já era, enquanto meio de comunicação e de subjetivação, um espelho. Nosso rosto é o que jamais veremos senão por meio do espelho. Mas é o rosto do outro que é nosso primeiro espelho. O conhecimento de nosso próprio rosto surge muito depois do encontro com o rosto do outro. Em nossa época, contudo, cada um compraz‐se mais com o próprio rosto do que com o alheio. O espelho, em seu sentido técnico, apenas nos dá a dimensão da imagem do que somos, não do que podemos ser. Ora, no tempo das novas tecnologias que tanto democratizam como banalizam a maior parte de nossas experiências, talvez a experiência atual com o rosto seja a de sua banalização.
    O autorretrato do tipo selfie não seria possível sem o dispositivo dos celulares e suas câmeras fotográficas capazes de inverter o foco na direção do próprio autor da foto. Celular como espelho, a prática da selfie precisa ser pensada em relação à atual experiência com a imagem de si. Ora, a autoimagem foi, desde sempre, fascinante. Daí o verdadeiro culto que temos com os espelhos. Assim é que Narciso é o personagem da autoadmiração, que em um grau de desmesura, destrói o todo da vida. Representante da vaidade como amor à máscara que todos necessariamente usamos para apresentarmo‐nos uns diante dos outros, Narciso foi frágil diante de si mesmo. Não escaparemos dessa máscara e de seus efeitos perigosos se não meditarmos no sentido do próprio fato de “aparecer” em nosso tempo. Por trás da máscara deveria haver um rosto. Mas não é esse que o espelho captura.
    Um julgamento de valor no caso da hiperexposição dos rostos seria mero moralismo se não colocasse em jogo um dos valores mais importantes de nossa época, o que Walter Benjamin chamou de “valor de exposição”. Somos vítimas e reprodutores de sua lógica. No tempo da exposição total criamos a dialética perversa entre amar a própria imagem, sermos vistos e acreditarmos que isso assegura, de algum modo, nosso existir. No tempo da existência submetida à aparência, em que falar de algo como “essência” tem algo de bizarro, talvez com a selfie fique claro que somos todos máscaras sem rosto e que este modo de aparecer seja o nosso novo modo de ser.

(Marcia Tiburi. Culto do espelho. Selfie e narcisismo contemporâneo. Revista Cult. Edição 194. Adaptad
No fragmento “Hoje em dia ele é hábito de quem tem um celular à mão.” (2º§), o sinal indicativo de crase foi aplicado adequadamente. Tal fato NÃO ocorre em:
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Q4068935 Português
Primavera

    A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
   Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
    Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
    Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
   Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
    Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação. Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim.
    Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
    Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
    Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

(MEIRELES, Cecília. Obra em Prosa. Volume 1. Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 1998. Pág. 366. Adaptado.)
No fragmento “Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade.” (9º§), o sinal indicativo de crase foi devidamente aplicado. Contudo, tal fato NÃO ocorre em:
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Q4068638 Português
Marque a alternativa em que a crase está sendo usada corretamente.  
Alternativas
Q4068583 Português
Escolha a opção que complete corretamente os espaços no parágrafo abaixo:

Novos sinais recentes de desapreço pela cultura e, em particular, ao cinema, da parte do governo federal, confirmam indicações dadas desde o início do ano de que ______ sobrevivência do cinema brasileiro está ameaçada. _______ intenção deliberada de asfixiar a atividade foi confirmada com a Proposta de Emenda ________ Constituição (PEC) que pretende reformular os fundos públicos, entregue ao Congresso Nacional há uma semana. 
Alternativas
Q4066987 Português
A questão abaixo se refere ao texto a seguir:

"___ utilização da água implica respeito ___ lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que ___ utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado".

Fonte: Declaração Universal dos Direitos da Água [adaptado]

Assinale a alternativa que completa CORRETA e respectivamente as lacunas do texto quanto ao uso ou não da crase:
Alternativas
Q4059728 Português
Marque a alternativa que completa o texto com coerência:
_____ vacinação contra a covid-19 vem avançando rapidamente no _________ país. Em outros países, como ______ Estados Unidos ou nações europeias, muitas pessoas não querem tomar _____ vacina. _______ tem provocado novos surtos de covid e preocupa ______ autoridades de saúde do mundo todo. 
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Q4055986 Português
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

‘Discurso de Ódio nas Redes Sociais’ analisa a intolerância no mundo digital

Por Murillo Otavio


(Disponível em: https://expresso.estadao.com.br/naperifa/discurso-de-odio-nas-redes-sociais-analisa-aintolerancia-no-mundo-digital/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas das linhas 10, 12 e 17. 
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Q4053854 Português
Guerra na Ucrânia trouxe ameaça de agravamento da fome no planeta


A guerra na Ucrânia criou no mercado de alimentos uma tempestade perfeita que tem contribuído para agravar a fome nas regiões mais pobres do planeta. É mais uma tragédia que deverá ir para a conta de Vladimir Putin, além de toda a destruição, das agressões aos direitos humanos e das mortes associadas à invasão.

A Rússia vende ao exterior fertilizantes e, com a Ucrânia, exporta trigo. Apesar de representarem parcela grande das exportações globais (25%), não deverá haver escassez. Não só porque outros produtores prometem safras maiores, mas também devido à pequena parcela da produção mundial que deixará de ser vendida no exterior (0,9%). Mesmo assim, o impacto da guerra nos mercados de commodities foi imediato, acelerando a elevação de cotações que já vinha ocorrendo nos últimos meses do ano passado. Comparados com os níveis do final de dezembro de 2020, o trigo estava há uma semana 63% mais caro, o milho 64% e a soja 38%.

O aumento de cotações é injetado automaticamente numa infinidade de alimentos (pães e todo produto feito à base de farinha de trigo). Milho, soja e derivados também costumam acompanhar a alta. Os aumentos de custo chegam às rações animais, feitas à base de grãos. A carestia, então, ataca a mesa do cidadão. Não há como escapar da inflação dos alimentos e, se a renda da família for baixa, ela reduz o consumo e se aproxima do limiar da fome. Para quem já passou desse ponto, a fome se agravará. Eis o encadeamento deflagrado a partir do momento em que o primeiro tanque russo entrou na Ucrânia.

No final do ano passado, a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan) foi a campo, visitou 2.180 domicílios em todo o Brasil e constatou que pelo menos 19 milhões (9% da população) enfrentavam insegurança alimentar - não tinham certeza de que repetiriam a refeição -, e 43,4 milhões (20,5%) não se alimentavam bem por não ter alimentos em quantidade suficiente. Ao todo, 116,8 milhões de brasileiros (55%) não tinham acesso pleno e permanente a alimentos. Putin piorou a situação de todos eles, como a das famílias de baixa renda em qualquer país.

Há, também, incertezas sobre as próximas safras. A guerra continua, a Ucrânia está fora do mercado de trigo, a Rússia enfrenta sanções e suspendeu exportações de fertilizantes importados pelo Brasil. O Ministério da Agricultura despachou emissários ao Canadá para ter alternativa ao trigo e aos fertilizantes. Irã e Marrocos também podem suprir o país de adubos químicos.

A guerra serve para que as nações despertem para sua interdependência. Os exemplos não se esgotam nela. A redução de produção de soja no Brasil pode tornar mais cara a carne de porco na China e esvaziar o prato de comida de famílias pobres na Ásia. Daí a necessidade de o país manter uma rede global de relacionamentos capaz de resistir a choques.


Fonte: O GLOBO. Guerra na Ucrânia trouxe ameaça de agravamento da fome no planeta. Editorail. abr. 2022. Disponível em < https://tinyurl.com/2p8dh48x > Acesso em 11 abr 2022.
 O emprego do acento grave na oração reduzida de particípio, que compõe o período "Os aumentos de custo chegam às rações animais, feitas à base de grãos .", justifica-se pela mesma razão do que ocorre no seguinte exemplo:
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Q4051782 Português

O acento indicativo de crase está corretamente colocado nas sentenças abaixo, EXCETO em: 


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Q4050898 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Bonitas mesmo


Quando é que uma mulher é realmente bonita? No momento em que sai do cabeleireiro? Quando está numa festa? Quando posa para uma foto? Clic, clic, clic. Sorriso amarelo, postura artificial, desempenho para o público. Bonitas mesmo somos quando ninguém está nos vendo.

Atirada no sofá, com uma calça de ficar em casa, uma blusa faltando um botão, as pernas enroscadas uma na outra, o cabelo caindo de qualquer jeito pelo ombro, nenhuma preocupação se o batom resistiu ou não à longa passagem do dia. Um livro nas mãos, o olhar perdido dentro de tantas palavras, um ar de descoberta no rosto. Linda.

(...)

Saindo do banho, a toalha abandonada no chão, o corpo ainda úmido, as mãos desembaçando o espelho, creme hidratante nas pernas, desodorante, um último minuto de relaxamento, há um dia inteiro pra percorrer e assim que a porta do banheiro for aberta já não será mais dona de si mesma. Escovar os dentes, cuspir, enxugar a boca, respirar fundo. Espetacular.

(...)

O carro estacionado às pressas numa rua desconhecida, uma necessidade urgente de chorar por causa de uma música ou de uma lembrança, a cabeça jogada sobre o volante, as lágrimas quentes, fartas, um lenço de papel catado na bolsa, o nariz sendo assoado, os dedos limpando as pálpebras, o retrovisor acusando os olhos vermelhos e mesmo assim servindo de amparo, estou aqui com você, só eu estou te vendo. Encantadora.


Martha Medeiros. https://www.culturagenial.com/cronicas-curtas-com-interpretacao/
Na frase: " O carro estacionado às pressas numa rua desconhecida, uma necessidade urgente de chorar por causa de uma música ou de uma lembrança...", percebe-se que o acento indicativo de crase justifica-se:
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Q4049180 Português
Soluções para a sociedade


    O conceito de inovação é amplo e pode ser visto sob diferentes aspectos. Inovar é introduzir novidades ou mudanças em algo, transformando uma ideia em solução com criatividade.
    Sob o ponto de vista empresarial ou industrial, uma das melhores definições de inovação foi dada pelo escritor e professor austríaco Peter Drucker, um dos maiores pensadores sobre os efeitos da globalização na economia e nas organizações. Segundo ele, inovar é simplesmente a habilidade de transformar algo já existente em um recurso que gere riqueza.
     Numa visão mais aplicada, o superintendente de Inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Jefferson Gomes, considera que as grandes inovações que surgiram e continuam surgindo no mundo são resultado da luta do ser humano contra três problemas: a fome, as pestes [doenças] e a falta de segurança. A partir daí nasceram a biotecnologia, a inteligência artificial, a bionanotecnologia e muitas outras inovações relacionadas às necessidades da sociedade atual, que naturalmente exige mais mudanças no mundo. [...]
    Especialistas acreditam que, nos próximos anos, inteligência artificial, Big Data e 5G impulsionarão, de vez, a Internet das Coisas, seja em nossos lares, em hospitais ou em cidades inteligentes. Entretanto, com isso, surgem outras preocupações, como a necessidade de regulamentar globalmente a proteção de dados e promover tecnologias mais sustentáveis para o planeta.


(Disponível em: https://noticias.portaldaindustria.com.br/noticias/inovacao-etecnologia/a-inovacao-nossa-de-cada-dia/. Adaptado. Acesso em: 11/10/2021.) 
O emprego do acento indicativo de crase em “[...] muitas outras inovações relacionadas às necessidades da sociedade atual, [...]” (3º§):
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Q4049152 Português
Quem sabe Deus está ouvindo 

        Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcando-a um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia. 

        Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

        – Você vai criar um cajueiro aí? 

        Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

        – Mas é melhor arrancar logo, não é? 

        Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso – mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isso a empregada não sabe; ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão – disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte. 

        Hoje pela manhã ela começou a me dizer qualquer coisa – “seu Rubem, o cajueirinho...” – mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. 

        Veio me mostrar: 

        – Eu comprei um vaso...

        – Ahn...

        Depois de um silêncio, eu disse:

        – Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa...

        Ela olhou a plantinha e disse com convicção:

        – Esse aqui não vai morrer, não senhor. 

        Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá- -lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso, e ficara aliviada com a minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer: 

        – Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro.

        Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo com certa gravidade: 

        – É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo... 

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.

(BRAGA, Rubem. 1993-1990. 200 crônicas escolhidas – 31ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010.)
Em “– Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa...” (12º§), o sinal indicativo de crase foi aplicado adequadamente. Tal fato NÃO ocorre em:
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Q4046619 Português
Texto para responder à questão.

Por que a crise hídrica afeta a saúde pública?

        O ano de 2021 foi uma amostra e um aviso de que a crise hídrica não é uma “teoria da conspiração”. Regiões do Brasil sofrem com a falta de chuvas e o baixo nível de água nos reservatórios, gerando uma seca histórica no país que não afeta apenas a economia e o agronegócio. A falta de água também causa efeitos negativos na saúde da população.
    
        Em 2021, o Brasil experimentou uma mínima parcela do que é viver em uma crise hídrica. Estima-se que, pelo Planeta, 771 milhões de pessoas têm dificuldade de acessar água segura e cerca de 1 milhão foi vítima de doenças ligadas à dificuldade de acesso e à qualidade da água, como a hidratação, o saneamento básico e a higiene.
    
        A falta de água prejudica os cuidados de limpeza, tão importantes durante o combate de uma doença, por exemplo. Durante a pandemia de Covid-19, a crise hídrica afetou as condições de cuidado e de sanitização de famílias pelo mundo todo, sendo a escassez de água segura um problema no combate de outros tipos de doença também.
    
        De acordo com a Water.org, o acesso à água potável e ao sabonete poderia prevenir, anualmente, a morte de cerca de 290 mil crianças de até cinco anos de idade. A dificuldade para a higienização potencializa a contaminação de pessoas com sistema imunológico debilitado ou menos desenvolvido.
    
        Além dos efeitos gerados pela higienização da água, existem outros riscos envolvendo diretamente o crescimento das crianças e da crise hídrica, pois água potável e segura é um elemento fundamental no desenvolvimento infantil. Então, na falta dela, algumas doenças podem se tornar mais recorrentes, como a febre tifoide, a diarreia e a desidratação. Estima-se que a cada dois minutos uma criança morre por uma doença transmitida via água contaminada.
    
        Além disso, a diarreia, diretamente associada ao consumo contaminado, está entre as três doenças que mais mata crianças. De acordo com o Water.org, cerca de 160 milhões de crianças sofrem de nanismo ou má nutrição decorrente da falta de acesso à água potável e segura.

(Water.org. Jornal da USP. Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina. Engie. Agência Social de Notícias. Summit Saúde 2022. Estadão, 22 mar. 2022. Disponível em: https://summitsaude.estadao. com.br/desafios-no-brasil/por-que-a-crise-hidrica-afeta-a-saudepublica/. Fragmento.)
Sobre o acento grave, utilizado na escrita para representar a crase, analise as afirmativas a seguir.
I. No trecho “[...] cerca de 1 milhão foi vítima de doenças ligadas à dificuldade de acesso e à qualidade da água, [...]”, o acento grave indica, nas duas ocorrências, a fusão da preposição “a” com o artigo indefinido que antecede os substantivos “dificuldade” e “qualidade”, respectivamente.
II. No trecho “[...] cerca de 160 milhões de crianças sofrem de nanismo ou má nutrição decorrente da falta de acesso à água potável e segura.”, a relação entre o nome regente e seu termo regido se estabelece por meio da preposição “a”, o que implica necessidade do acento grave para indicar, na escrita, a ocorrência da crase.
III. No trecho “[...] o acesso à água potável e ao sabonete poderia prevenir, anualmente, a morte de cerca de 290 mil crianças [...]”, se o substantivo “sabonete” fosse substituído pela expressão “substâncias higienizadoras”, a reescrita correta seria: “ [...] o acesso à água potável e à substâncias higienizadoras poderia prevenir, anualmente, a morte de cerca de 290 mil crianças [...]”.
Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Q4045373 Português

Dragão de Comodo caça morcego a dois metros de altura.



Em relação ao uso ou não da crase, constata-se que:

Alternativas
Q4016153 Português
Devido 'à sua distância' orbital de milhões de quilômetros do Sol, o planeta gigante recebe menos de 4% da quantidade de luz solar em comparação 'à Terra'.
Assinale a opção CORRETA em relação às expressões 1) 'à sua distância' e 2) 'à Terra'.
Alternativas
Q4015469 Português
Quando entrei, nunca poderia imaginar isso, acrescenta, olhando para o enorme lago que se estende à sua frente.

No que se refere ao uso de crase, nesta frase, é certo afirmar que:
Alternativas
Q4013838 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Aquecimento global: Pela primeira vez, Groenlândia vê extenso derretimento em setembro 


Na Groenlândia, parece mais julho do que setembro. Depois de um verão bastante frio e úmido, uma onda de calor incomum no fim de semana causou um extenso derretimento na camada de gelo - o tipo de derretimento visto normalmente no meio do verão. Os pesquisadores dizem que é o maior evento de derretimento a ocorrer em setembro, de acordo com dados que abrangem quase quatro décadas.

"Este evento demonstra como o aquecimento global aumenta não apenas a intensidade, mas também a duração da temporada de derretimento", disse Maurice van Tiggelen, cientista polar da Universidade de Utrecht, nos Países Baixos.

O primeiro dia de setembro marca o fim da temporada de derretimento na Groenlândia, uma vez que o sol fica mais baixo no céu e as temperaturas caem. No entanto, no fim de semana, as temperaturas começaram a subir quando uma onda de ar quente abriu caminho para o norte através da Baía de Baffin e da costa oeste da ilha. Como resultado, dezenas de bilhões de toneladas de gelo se perderam - um evento que aumenta as contribuições significativas da Groenlândia para o aumento do nível do mar.

À medida que o clima muda, os pesquisadores projetam que períodos mais longos e mais fortes de calor afetem a camada de gelo, aumentando o derretimento geral.

Várias estações meteorológicas registraram sua maior temperatura atmosférica de todo o ano. Regiões a oeste ficaram até 20 graus Celsius acima do normal para esta época do ano.

"É realmente incrível ver uma onda de calor como esta cobrir a Groenlândia em setembro", disse Ted Scambos, pesquisador sênior da Universidade do Colorado.


Aquecimento global: Pela primeira vez, Groenlândia vê extenso derretimento em setembro (estadao.com.br). Adaptado. 
À medida que o clima muda, ...

A presença da crase na frase justifica-se porque
Alternativas
Q4007105 Português
Leia o fragmento abaixo, observando as lacunas deixadas.
“Era noite e a maior parte dos passageiros dormia quando, exatamente 110 anos atrás, um iceberg interrompeu aquela que seria a primeira viagem do mais impressionante navio de passageiros até então construído, o Titanic. O navio estava ___ 41 quilômetros por hora. Menos de 3 horas depois, já havia se tornado um naufrágio, afundado nos confins do Atlântico. Seus destroços foram localizados apenas em setembro de 1985. A embarcação dividiu-se em duas partes, separadas ___ 800 metros de distância, ___ 3.843 metros de profundidade, ___ 650 quilômetros do Canadá.”
Fonte: VEIGA, Edison. Titanic: curiosidades sobre o famoso naufrágio ocorrido há 110 anos. BBC News Brasil.

Completam corretamente as lacunas do texto, na ordem em que elas aparecem,
Alternativas
Q3999255 Português
A questão refere-se ao texto abaixo.

A geração Covid: o impacto da pandemia no desenvolvimento das crianças





Disponível em < https://saude.abril.com.br/familia/a-geracao-covid-o-impacto-da-pandemia-no-desenvolvimento-das-criancas/> (adaptado).
Considerando o emprego do sinal indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas das linhas 07, 08, 25 e 37.
Alternativas
Respostas
3681: D
3682: D
3683: C
3684: C
3685: A
3686: C
3687: D
3688: B
3689: B
3690: A
3691: C
3692: C
3693: D
3694: B
3695: C
3696: D
3697: C
3698: D
3699: B
3700: C