No que se refere ao uso da crase, analisar os itens abaixo: ...

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Q1993637 Português
Sotaques brasileiros

   Apesar de compartilharmos o mesmo idioma em todo o país, os sotaques brasileiros provam que não existe uniformidade quando o assunto é a língua portuguesa.
   Você sabe o que é sotaque? Bom, se você não sabe a definição exata da palavra, certamente seus ouvidos já experimentaram a sensação de ouvir um jeito de falar diferente. Chamamos de sotaque o tom, inflexão ou pronúncia particular de cada indivíduo ou de cada região.
   Se você já teve a oportunidade de viajar para diferentes regiões do país, sabe bem do que estamos falando. Aliás, nem é preciso sair de casa para perceber as variações de sotaque na língua portuguesa, já que esse jeito de falar particular pode ser percebido através de veículos como a televisão e o rádio, nos quais a oralidade é a modalidade vigente. Cada estado brasileiro apresenta peculiaridades na fala, pois apesar de compartilharmos o mesmo idioma, seria quase impossível que um país tão grande apresentasse uma uniformidade na fala.
   Os diferentes sotaques encontrados no Brasil podem ser explicados sob o ponto de vista histórico. Sabemos que nosso país foi colonizado por diferentes povos e em diferentes momentos de nossa história. Enquanto na região Sul houve uma imigração maciça de italianos, alemães e outros povos oriundos do leste europeu, no Pernambuco, por exemplo, a influência veio dos holandeses dos tempos de Maurício de Nassau. No Rio Grande do Sul, a formação do sotaque é ainda mais curiosa, pois além dos italianos e alemães, há a influência do espanhol falado nos países que fazem fronteira com o estado. No Rio de Janeiro, que foi sede da corte portuguesa entre 1808 e 1821, a influência do sotaque português pode ser percebida através do jeito de pronunciar o “S” bem chiado. No Norte, em virtude do distanciamento geográfico, a região ficou menos exposta à influência estrangeira, o que manteve o sotaque encontrado na região mais próximo à prosódia das línguas indígenas.
   Vale lembrar que os primeiros contatos linguísticos do português falado no Brasil (a distinção é importante em razão da diferença entre o português falado aqui e o português falado em Portugal) foram com as línguas indígenas e as línguas africanas. Posteriormente, a partir do século 19, os imigrantes de outras partes do mundo contribuíram para o nosso conjunto de sotaques. É importante ressaltar que cada lugar tem sua maneira de pronunciar as palavras e sua própria prosódia, portanto, não existe sotaque melhor ou mais correto que o outro, essa é uma visão preconceituosa que diminui a singularidade de nossa cultura. Nossos sotaques fazem parte de nosso patrimônio cultural e são um elemento importante para a formação da identidade do povo brasileiro.


(Fonte: Português - adaptado.)
No que se refere ao uso da crase, analisar os itens abaixo:

I. Em “Nossos sotaques fazem parte de nosso patrimônio cultural e são um elemento importante para a formação da identidade do povo brasileiro”, a expressão grifada poderia ser substituída por “à”.
II. Em “Aliás, nem é preciso sair de casa para perceber as variações de sotaque na língua portuguesa [...]”, se a forma verbal em destaque fosse substituída por “atentarse” ou por “observar”, “as” deveria receber crase.
III. Em “Os diferentes sotaques encontrados no Brasil podem ser explicados sob o ponto de vista histórico”, caso a expressão fosse substituída por “a partir do”, “a” deveria ser craseado.

IV. Em “[...] essa é uma visão preconceituosa que diminui a singularidade [...]”, “a” não recebe crase porque o verbo “diminuir” é transitivo indireto.

Está(ão) CORRETO(S):
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A crase depende da fusão entre a preposição exigida pelo termo regente e o artigo feminino que acompanha o termo regido. No trecho “para a formação da identidade do povo brasileiro”, essa fusão é possível em “para a”, o que permite a contração “à” e confirma apenas o item I.

Tema central: Emprego da crase
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque somente o item I aplica corretamente o critério exigido. Em “para a formação da identidade do povo brasileiro”, há preposição seguida de artigo feminino antes de substantivo feminino, o que permite a contração normativa “à formação”, sem alteração do núcleo nominal. Os demais itens erram por atribuir crase sem base de regência ou por explicar sua ausência com fundamento sintático incorreto.
B
Errada
Está errada porque depende da correção do item II, e o item II não se sustenta. Em “perceber as variações de sotaque na língua portuguesa”, a troca por “observar” não autoriza crase, pois “observar” é transitivo direto: observa-se algo. Quanto a “atentar-se”, a base registra que a formulação do item é imprecisa e que a construção estável é “atentar para”, o que impede afirmar genericamente que “as” deveria receber crase.
C
Errada
Está errada porque tanto o item II quanto o item III são incorretos. O item II falha pela regência de “observar”, que não exige preposição. O item III também falha: a substituição de “sob o ponto de vista histórico” por “a partir do ponto de vista histórico” não cria contexto de crase, porque se trata de locução prepositiva com “do”, sem artigo feminino a fundir com a preposição inicial.
D
Errada
Está errada porque inclui o item IV como correto, mas o item IV traz justificativa gramatical falsa. Em “diminui a singularidade”, não há crase porque o verbo “diminuir” é transitivo direto e não exige preposição; assim, o “a” é apenas artigo definido feminino, sem fusão com preposição. A conclusão sobre a ausência de crase coincide com o uso do texto, mas o fundamento apresentado no item está errado, e isso invalida o item.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tratar a simples presença da preposição “a” como suficiente para haver crase, sem verificar artigo feminino, e aceitar um item cuja conclusão parece compatível com o trecho, mas cuja justificativa sintática está errada, como no item IV.
Dica para questões semelhantes
  • Em substituições, confira a regência do termo que entra, não a do termo original.
  • Só há crase se houver ao mesmo tempo preposição e artigo feminino; preposição sozinha não basta.
  • Se o item justificar ausência ou presença de crase pela transitividade verbal, verifique se a classificação do verbo está correta no trecho.
  • Quando a alternativa generaliza duas substituições diferentes, basta uma delas não exigir preposição para o item ficar incorreto.

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Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Fui eliminando uma por uma.

Comecei pela mais fácil

III. Em “Os diferentes sotaques encontrados no Brasil podem ser explicados sob o ponto de vista histórico”, caso a expressão fosse substituída por “a partir do”, “a” deveria ser craseado.

ERRADO, não há crase antes de verbos no infinitivo

outra regra é que o A é uma preposição e não artigo, o que inviabiliza a crase também.

IV. Em “[...] essa é uma visão preconceituosa que diminui a singularidade [...]”, “a” não recebe crase porque o verbo “diminuir” é transitivo indireto

ERRADO, verbo diminuir é transitivo direto e por isso exige crase para objeto direto.

II. Em “Aliás, nem é preciso sair de casa para perceber as variações de sotaque na língua portuguesa [...]”, se a forma verbal em destaque fosse substituída por “atentarse” ou por “observar”, “as” deveria receber crase.

ERRADO, vale a mesma regra para o item IV

GAB A

Vamos lá, irei explicar meu raciocínio:

I. Em “Nossos sotaques fazem parte de nosso patrimônio cultural e são um elemento importante para a formação da identidade do povo brasileiro”, a expressão grifada poderia ser substituída por “à”.

Resposta: Correto, pois preposição + a = à

II. Em “Aliás, nem é preciso sair de casa para perceber as variações de sotaque na língua portuguesa [...]”, se a forma verbal em destaque fosse substituída por “atentarse” ou por “observar”, “as” deveria receber crase.

Resposta: Poderiam pensar que quem observa, observa a alguma coisa, mas neste caso é facultativo o uso da crase, e além disso seria "a+as"

III. Em “Os diferentes sotaques encontrados no Brasil podem ser explicados sob o ponto de vista histórico”, caso a expressão fosse substituída por “a partir do”, “a” deveria ser craseado.

Resposta: A partir do ponto = masculino, não vai crase.

IV. Em “[...] essa é uma visão preconceituosa que diminui a singularidade [...]”, “a” não recebe crase porque o verbo “diminuir” é transitivo indireto.

Resposta: Diminuir é VTD, perguntamos "O que?" para ter um complemento.

Gabarito: A

Expressões cobradas que não tem crase.

  • A cerca de: Aproximadamente.
  • A partir de: Inicialmente
  • A fim de: Finalidade.

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