Questões de Concurso Comentadas sobre crase em português

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Ano: 2012 Banca: IF-SP Órgão: IF-SP Prova: IF-SP - 2012 - IF-SP - Assistente Administrativo |
Q836176 Português
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q832190 Português
Observadas as relações de regência e o usa (presença ou ausência) do “acento" indicativo de crase, está correta a alternativa:
Alternativas
Q832186 Português
Considere o seguinte texto: ‘Art 3°. Serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos á vida, à segurança, à saúde, a alimentação, á educação, à cultura, à moradia, ao acesso á justiça, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, á cidadania, á liberdade, á dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária." (Lei Maria da Penha Lei 11.340, de 7 de agosto de 2006. Disponível em www.planalto.gov.br). Sobre a uso (presença ou ausência) do “acento" indicativo de crase, é correto o comentário contido na alternativa: 
Alternativas
Q829677 Português

      Não posso dizer positivamente em que ano nasceu a crônica; mas há toda a probabilidade de crer que foi coletânea das primeiras duas vizinhas. Essas vizinhas, entre o jantar e a merenda, sentaram-se à porta, para debicar os sucessos do dia. Provavelmente começaram a lastimar-se do calor. Um dia que não pudera comer ao jantar, outra que tinha a camisa mais ensopando que as ervas que comera. Passar das ervas às plantações do morador fronteiro, e logo às tropelias amatórias do dito morador, e ao resto, era a coisa mais fácil, natural e possível do mundo. Eis a origem da crônica

(ASSIS, Machado de. As Cem Melhores Crônicas Brasileiras. Objetiva: Rio de Janeiro, 2007, p. 27).

Se o excerto “Passar das ervas às plantações do morador fronteiro, e logo às tropelias amatórias do dito morador” for reescrito, o uso do acento indicador de crase não fica adequadamente empregado na versão:
Alternativas
Ano: 2012 Banca: FAPEMS Órgão: UEMS Prova: FAPEMS - 2012 - UEMS - Técnico Administrativo |
Q824610 Português

                               ESTE É O MEU CORPO

      Caro leitor: você está contente com o seu corpo? Pense bem. Olhe-se bem. Os ingleses não estão. Informa* a BBC Brasil que um grupo de deputados auscultou a população nativa a respeito.

      As conclusões do estudo, intitulado "Reflections on Body Image" ("reflexões sobre a imagem do corpo”), são dramáticas: ninguém gosta da respectiva carcaça.

      Nas escolas, o cenário é particularmente aterrador: um em cada cinco meninos de 10 anos despreza a própria figura; uma em cada três meninas também.

      A situação é tão extrema que os deputados sugerem aulas de imagem e expressão corporal para combater a insatisfação com o corpo. É preciso mais "autoestima", dizem os especialistas. A saúde psíquica de uma nação depende disso.

      Boa sorte, rapazes. Mas posso explicar por que motivo o projeto educacional está destinado ao fracasso? Deixo ficar a teoria para mais tarde. Prefiro a prática por agora.

      Moro em frente a uma academia de ginástica. E todos os dias, manhã cedo, contemplo através do vidro exércitos de infelizes que marcham lá para dentro em busca das formas perfeitas.

      O cortejo é deprimente, concedo: a angústia plasmada no rosto de cada um dos peregrinos faria as delícias de Hieronymus Bosch. Mas o essencial da experiência está na propaganda da academia - duas frases escritas em inglês e com cores berrantes, logo na entrada: "One life. Live it well."

      Nem mais. Durante séculos, a civilização ocidental - corrijo: a civilização judaico-cristã que forjou o Ocidente - tinha uma singular visão do corpo que se alterou com a modernidade.

      Simplificando, o corpo tinha a sua importância como guardião da alma divina. Mas só a alma era eterna; só a alma viajava para o outro lado, o que concedia ao corpo um estatuto perecível e secundário.

      Quando existe um horizonte de eternidade pela frente, e quando a eternidade se assume como prolongamento da existência terrena e compensação de suas misérias, é normal que o olhar humano não atribua ao corpo e às suas imperfeições o lugar histérico de hoje.

      Esse horizonte de eternidade perdeu-se. Para usar as palavras de Thomas Hardy em poema célebre sobre o "funeral de Deus”, a divindade podia ser uma projeção que os homens modernos não conseguiram mais manter viva. 

      Mas existem consequências desse enterro. Se não existe nenhuma continuidade pós-terrena, se tudo que resta é esta passagem breve e incompleta que termina entre quatro tábuas, o olhar humano recentra-se sobre a matéria.

      Pior: coloca a matéria no altar das antigas divindades e troca as orações e as penitências do passado pelo calvário tangível da malhação matinal.

      Só existe uma vida. Só existe uma oportunidade para vivê-la bem. As frases promocionais da academia podem ser lidas como grito festivo e obviamente narcísico.

      Mas também são a expressão de uma angústia e terror bem profundos: a angústia e o terror de quem sabe que não terá uma segunda oportunidade.

      Todas as fichas do jogo estão cá embaixo, não íá em cima. Aliás, não existe mais "lá em cima”.

      Os deputados ingleses, sem originalidade, acreditam que a insatisfação com o corpo tem origem nas imagens de perfeição irreal que a moda ou o cinema cultivam. O clichê de um clichê. 

      Erro crasso. Essas imagens de perfeição irreal são apenas a consequência, e não a causa, de uma cultura que concedeu ao corpo uma fatídica importância.

      E "fatídica" pela razão evidente de que condena os homens a adorar um deus falível por definição. Um deus caprichoso e inconstante, sujeito às inclemências da velhice, da doença e da morte. Se existem causas perdidas, o corpo é a primeira delas. Alimentar causas perdidas é um sintoma de demência.

      É por isso que a nossa obsessão com a carcaça não se corrige com as tais aulas de imagem e expressão corporal. Não se corrige com mais "autoestima".

       Ironicamente, corrige-se com menos "autoestima". Somos pó e ao pó retornaremos. Aulas de teologia fariam mais pelas crianças inglesas do que renovadas sessões com o corpo no papel principal.

                                João Pereira Coutinho, Folha de Sao Paulo, 05/06/2012

I- Durante séculos concedeu-se ___ alma maior importância que ao corpo.

II- Os deputados atribuem__ causas do problema ___moda e ao cinema que cultivam imagens de perfeição irreal.

III- Para o autor, aulas de teologia poderiam ajudar___crianças inglesas no que se refere__ insatisfação com o corpo.

IV- Se não____esperança na vida eterna, o olhar humano recentra-se sobre a matéria.

A alternativa que preenche carretamente e na sequência as lacunas das orações acima é:

Alternativas
Q767571 Português
Atenção: A questão a seguir refere-se ao texto que abaixo.

Uma variedade de motes antigos proclama que nenhum princípio estético é capaz de especificar o belo e o feio de modo a todos contentar. “A beleza”, dizem-nos, “está nos olhos de quem a contempla.” Gosto não se discute, em suma – uma observação suficientemente antiga para possuir um original em latim e suficientemente universal para hoje contar com versões mais atualizadas no jargão popular.

A ciência, em contraste, seria supostamente um empreendimento objetivo, dotado de critérios comuns de procedimentos e padrões de evidenciação que deveriam levar todas as pessoas de boa vontade a aceitar uma conclusão documentada. Evidentemente, não nego que há uma diferença genuína entre estética e ciência nesse aspecto, pois nós descobrimos efetivamente – como um fato do mundo exterior, não como uma preferência de nosso psiquismo – que a Terra gira em torno do Sol e que a evolução ocorre, mas jamais chegaremos a um consenso acerca de Bach ou Brahms ter sido o melhor compositor (e nenhum profissional do campo da estética faria uma pergunta tão tola).

Por outro lado, também não refutaria a possibilidade de que a preferência pessoal, o cerne do juízo estético, desempenha um papel-chave na ciência. Sim, é verdade que o mundo é indiferente às nossas esperanças – o fogo arde quer queiramos ou não. Mas os nossos modos de apreender o mundo são altamente influenciados por nossos preconceitos sociais e pelas maneiras de pensar que cada ciência aplica a qualquer problema. O estereótipo do “método científico” plenamente racional e objetivo, segundo o qual os cientistas são individualmente tão lógicos (e intercambiáveis) quanto robôs, não passa de um mito criado em interesse próprio.

(Adaptado de Stephen Jay Gould. Dinossauro no palheiro. Trad. de Carlos Afonso Malferrari. S.Paulo: Cia. das Letras, 1997. p.123) 
... maneiras de pensar que cada ciência aplica a qualquer problema.
Poderia ocorrer corretamente crase depois do verbo aplica, no caso da substituição do segmento destacado por:
Alternativas
Q766740 Português

Observe, com atenção, a propaganda a seguir.

Imagem associada para resolução da questão

Em qual das alternativas a crase também é usada da maneira correta?

Alternativas
Q761796 Português

Leia a tirinha abaixo para responder à questão.


Imagem associada para resolução da questão 

Adão – Mundo Monstro – Folha de S.Paulo – 12/9/12  


Há um erro gramatical nessa tirinha. Identifique-o.

Alternativas
Q756957 Português
De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e em relação à ocorrência da crase, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q744640 Português
Assinalar a alternativa CORRETA quanto ao uso do acento indicativo de crase:
Alternativas
Q739205 Português
    A implantação de um semáforo é uma decisão que acarreta impactos consideráveis que podem vir a ser tanto positivos como negativos. Instalado corretamente, propicia a diminuição de acidentes e maior conforto para veículos e pedestres. Entretanto, se for instalado em um local em que sua presença é inadequada, causa aumento no número de paradas, no tempo de espera dos veículos e pedestres, no número de acidentes, além de __________ gastos desnecessários de instalação, operação e manutenção. Tais constatações evidenciam a importância de se contar com uma metodologia que oriente o técnico na hora de decidir se um novo semáforo deve ser implantado.
    Infelizmente, até hoje não há nenhuma metodologia suficientemente comprovada que estabeleça uma relação de critérios confiáveis em que possamos nos apoiar. É deplorável verificar que semáforos são implantados _______ de 100 anos e que até agora, em nenhum lugar do mundo, a Engenharia de Trânsito conseguiu formular critérios realmente consistentes. Resta, então, ao projetista, em cada caso, valer-se de sua experiência e de seu “bom senso” para tomar uma decisão.
    A consequência prática é uma falta de padronização _________ elementar. Não encontramos semáforos em cruzamentos onde tal sinalização seria muito mais justificada que em outros que a possuem.
    (…)
http://www.sinaldetransito.com.br – adaptado
Analisar os itens abaixo quanto à ocorrência do acento indicativo de crase:
I - Uma das piores consequências de não se ter uma padronização de critérios é que ficamos à mercê de políticos demagogos. II - Frente à frente, fiz alusão à esta pessoa. III - Os motoristas regressaram à casa depois do expediente. IV - Estas são as finalidades às quais se destina este projeto automobilístico.
Estão CORRETOS:
Alternativas
Q732683 Português

Leia o texto abaixo e responda à questão proposta.

Texto 1:

Passe adiante

    Tenho vários DVDs de shows, e houve uma época em que os assistia atenta ou simplesmente deixava rodando como um som ambiente enquanto fazia outras coisas pela casa. Até que os esqueci de vez. Conhecedor do meu acervo, meu irmão outro dia pediu:

    – Posso pegar emprestado uns shows aí da tua coleção?

    Claro! Ele escolheu quatro e levou com ele. E subitamente me deu uma vontade incontrolável de voltar a assistir aqueles shows.Aqueles quatro, não é estranho?

    Logo a vontade passou, mas fiquei com o alerta na cabeça. Me lembrei de uma amiga que uma vez disse que havia comprado um vestido que nunca usara, ele seguia pendurado no guarda-roupa. Um dia ela me mostrou o tal vestido e intimou:

    – Pega pra ti, me faz esse favor. Jamais vou usar.

    Trouxe-o para casa. Muito tempo depois ela me confidenciou, às gargalhadas, que não havia dormido aquela noite. Passou a ver o vestido com outros olhos. Por que ela não dera uma chance a ele?

    Maldita sensação de posse, que faz com que a gente continue apegada ao que deixou de ser relevante. Incluindo relacionamentos.

    Uma outra amiga vivia reclamando do namorado, dizia que eles não tinham mais nada em comum e que ela estava pronta para partir para outra. E por que não partia?

    – Porque não quero deixá-lo dando sopa por aí.

    Como é que é?

    Ela não terminava com o cara porque não queria que ele tivesse outra namorada, dizia que não suportaria. Reconhecia a mesquinhez da sua atitude, mas, depois de tantos anos juntos, ela ainda não se sentia preparada para admitir que ele não seria mais dela.

    DVDs, roupas, amores: claro que não é tudo a mesma coisa, mas o apego irracional se parece. É a velha e surrada história de só darmos valor àquilo que perdemos. Será que existe solução para essa neura? Atribuir ao nosso egoísmo latente talvez seja simplista demais, porém, não encontro outra justificativa que explique essa necessidade de “ter” o que já nem levamos mais em consideração.

    É preciso abrir espaço. Limpar a papelada das gavetas, doar sapatos e bolsas que estão mofando, passar adiante livros que jamais iremos abrir. É uma forma de perder peso e convidar a tão almejada “vida nova” para assumir o posto que lhe é devido. Fácil? Bref. Um pedaço da nossa história vai embora junto. Somos feitos – também – de ingressos de shows, recortes de jornal, fotos de formatura, bilhetes de amor.

    Sem falar no medo de não reconhecermos a nós mesmos quando o futuro chegar, de não ter lá na frente emoções tão ricas nos aguardando, de a nostalgia vir a ser mais potente do que a tal “vida nova”.

    Qual é a garantia? Um ano para geladeiras, três anos para carros 0km, cinco anos para apartamentos. Pra vida, não tem. É se desapegar e ver no que dá, ou ficar velando para sempre os cadáveres das vontades que passaram. (MEDEIROS, Martha. Revista O Globo, 20/05/2012.)

De acordo com a norma culta da língua, um dos verbos do texto é utilizado com erro de regência, embora seja empregado dessa forma na linguagem coloquial brasileira. Para que a frase fique correta, de acordo com a norma padrão, é necessário que se coloque o acento grave, indicativo de crase. Assinale a opção que foi devidamente corrigida.
Alternativas
Q720303 Português

    Certamente porque não é fácil compreender certas questões, as pessoas tendem a aceitar algumas afirmações como verdades indiscutíveis. É natural que isso aconteça, quando mais não seja porque as certezas nos dão segurança e tranquilidade. Pô-las em questão equivale a tirar o chão de sob nossos pés.

    Todavia, com o desenvolvimento do pensamento objetivo e da ciência, certezas tidas como inquestionáveis no passado distante foram colocadas em xeque, dando lugar a um novo modo de lidar com as certezas e os valores.

    Questioná-los, reavaliá-los, negá-los, propor mudanças às vezes radicais tornou-se frequente e inevitável, dando-se início a uma nova época da sociedade humana. Introduziu-se o conceito não só de evolução como de revolução.

    A certa altura desse processo, os defensores das mudanças acreditavam-se senhores de novas verdades, mais consistentes porque eram fundadas no conhecimento objetivo das leis que governam o mundo material e social.

    Mas esse conhecimento era ainda precário e limitado. Basta dizer que, até começos do século XX, ignorava-se a existência de microrganismos − como vírus e bactérias −, o que inviabilizava o tratamento de doenças como a tuberculose.

    Esses fatos − que são apenas uns poucos exemplos do que tem ocorrido − tornam indiscutível a tese de que a mudança é inerente à realidade tanto material quanto espiritual, e que, portanto, o conceito de imutabilidade é destituído de fundamento.

(Adaptado de Ferreira Gullar. Folha de S.Paulo, Ilustrada, 06/05/2012) 

Pode-se apontar como positivo o fato de que as novas gerações são menos resistentes ...... mudanças. Mas seria um erro supor que os que defendem valores estabelecidos, em oposição ...... outros valores considerados inovadores, estejam invariavelmente errados. Por outro lado, como a mudança é intrínseca ...... vida em sociedade, tentar impedi-la torna-se impossível.

Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem dada:

Alternativas
Q705629 Português

Assinale a opção que corresponde a erro gramatical inserido na transcrição do texto.

A existência de um grande número de candidaturas pendentes de julgamento às(1) vésperas da eleição gera(2) insegurança nos dois lados em que o voto está em questão. Da parte dos candidatos, obedecidos(3) o princípio da presunção de inocência até que a Justiça se pronuncie, criam-se(4) dificuldades de campanha; no que diz respeito aos eleitores, fica o receio de desperdiçar o voto sufragando(5) alguém que, vitorioso nas urnas, venha a ter sua eleição indeferida após o pleito.

(Adaptado de O Globo, Editorial, 7/9/2012)

Alternativas
Q694190 Português

Leia a oração abaixo e, em seguida, assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente as lacunas.


Agora __ pouco, eu __ vi __ esquerda daquela esquina.

Alternativas
Q694187 Português
De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e em relação à ocorrência ou não do acento indicativo da crase, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q694177 Português

    Leia o texto abaixo para responder à questão.

    Você reconhece quem teve uma festa de criança em casa no dia anterior. Alguma coisa no rosto. A expressão de quem chegou à terrível conclusão de que Herodes talvez tivesse razão.

    – Que respiração ofegante o senhor tem!

    – Foi de tanto encher balão.

     – Que dificuldade o senhor tem para caminhar!

    – Foi de tanto levar canelada tentando apartar briga.

    – Como suas mãos estão trêmulas!

    – Foi de tanto me controlar para não esgoelar ninguém!

    Respeito e consideração para quem teve uma festa de criança em casa no dia anterior.

    O pai e a mãe estão atirados num sofá, um para cada lado. Semiconscientes. Já é noite, mas a festa ainda não acabou. Sobram três crianças que não param de correr pela casa.

    – Tenho uma ideia – diz o pai.

    – Qual é?

    – Vamos mandar eles brincarem no meio da rua. Esta hora tem bastante movimento.

    – Não seja malvado. Daqui a pouco eles vão embora.

    – Quando? Essas três foram as primeiras a chegar. Acho que os pais deixaram elas aqui e fugiram para o exterior. 

    Uma menina cruza a sala na corrida. Quando chegou, tinha o vestido mais engomado da festa. Depois de três banhos de guaraná e uma batalha de brigadeiro, parece uma veterana das trincheiras.

    – Essa aí é a pior – diz o pai, num sussurro dramático.

    – Essa baixinha! É um terror!

    – Coitadinha. É a Cândida.

    – Cândida?! É uma terrorista!

    – Sshhh. – De onde é que saiu essa figura?

    – É uma colega do Paulinho.

    – E aquele ranhento que não para de comer?

    – É o Chico. Também é colega.

    – Será que não alimentam ele em casa? E o outro, o que está pulando de cima da mesa?

    – É o Paulinho! Você não reconhece o seu próprio filho?

    – Ele está coberto de chocolate.

    – É que ele teve uma luta de brigadeiros com a Cândida...

    – E perdeu, claro. A Cândida é imbatível. Guerra de brigadeiros, jiu-jítsu, vôlei com balão, hipismo com cachorro. Ela foi a única que conseguiu montar no Atlas.

    – Por falar nisso, onde é que anda o Atlas?

     – Fugiu de casa, lógico. Era o que eu devia ter feito.

    – Ora, é só uma vez por ano...

    – Você precisava me lembrar? Pensar que daqui a um ano tem outra...

    – Você não pode falar. Você também gosta de fazer festa no seu aniversário.

    – Mas nós somos finos. Nenhuma festa teve guerra de chocolate. Nos embebedamos como pessoas civilizadas.

    – Ah é? E o anão com o trombone?

    – Essa história você inventou. Não havia nenhum anão com um trombone.

    – Ah, não? A Araci é que sabe dessa história. Só que ela foi embora no mesmo dia. O Chico se aproxima.

    – Tem mais cachorro, quente?

    – Não, meu filho. Acabou.

    – Brigadeiro?

    – Também acabou, Chico. 

    – Dá uma lambida na cabeça do Paulinho

    – sugere o pai, sob um olhar de reprimenda da mãe.

    – Puxa, não tem mais nada?

    – diz Chico. E se afasta, desconsolado.

    – E ainda reclama, o filho da mãe!

    – Shhh.

    – Bom, você eu não sei, mas eu...

    – Você o quê?

    – Vou tomar meu banho, se é que ainda tenho forças para ligar um chuveiro, e ver televisão na cama.

    – E quando chegarem os pais?

    – Que pais?

    – Os pais da Cândida e dos outros, ora.

    – O que é que eu tenho com eles?

    – Quando eles chegarem, você tem que receber.

    – Ah, não.

    – Ah, sim!

    – Mais essa? 

    Batem na porta. O pai vai abrir, esbravejando sem palavras. É um casal que se identifica como os pais da Cândida.

    – Entrem, entrem.

    – Nós só viemos buscar a...

    – Não, entrem. A Cândida não vai querer sair agora. Ela é um encanto. Meu bem, os pais da Cândida. Sentem, sentem.

    O pai esfrega as mãos, subitamente reanimado.

    – Quem sabe uma cervejinha? Querida, vá buscar.

    Como Araci se foi, a própria mãe – que se ocupou com a festa desde de manhã cedo, que mal se aguenta em pé, que podia matar o marido – vai buscar a cerveja. Pisando nos embrulhos de doces, nos copos de papelão e nos balões estourados que cobrem o chão e que ela mesma terá que limpar no dia seguinte. Respeito e comiseração para as mães que tiveram festa de criança em casa, no dia seguinte.

    Enquanto isso o pai acaba de abrir a porta para os pais do Chico e os manda entrar, entusiasmado com a ideia de começar sua própria festa.

    – Querida, mais cerveja!

Luis Fernando Veríssimo. In: comédias da vida privada – 101 crônicas escolhidas. P. 223-225. 

Em relação ao texto e de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2012 Banca: IF-SP Órgão: IF-SP Prova: IF-SP - 2012 - IF-SP - Auxiliar de Biblioteca |
Q688935 Português

Assinale a alternativa correta que preenche as lacunas, respectivamente.

Compareci __ reuniões e __ festas.

É obrigatório o comparecimento __ aulas.

Ensino __ distância.

Alternativas
Q667359 Português
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas da frase: “Em virtude dos inquéritos policiais _______que me referi, nota-se que é preciso por fim _____ inação que temos presenciado na ação penal pública. Desta forma, comunico ____ V. S.ª que envio _____ petição _____17ª Delegacia”.
Alternativas
Q662922 Português
Assinale a alternativa em que a ocorrência da crase está incorreta.
Alternativas
Respostas
6481: B
6482: C
6483: A
6484: D
6485: E
6486: D
6487: E
6488: A
6489: C
6490: A
6491: D
6492: A
6493: A
6494: C
6495: A
6496: E
6497: D
6498: B
6499: C
6500: A