Questões de Concurso Sobre conjunções: relação de causa e consequência em português

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Q2372512 Português
          Meu caro,

        Não pense que me esqueci das minhas obrigações, muito me aflige estar em dívida com você. Fiquei de lhe entregar os originais até o fim de 2015, e lá se vão três anos. Como deve ser do seu conhecimento, passei ultimamente por diversas atribulações: separação, mudança, seguro-fiança para o novo apartamento, despesas com advogados, prostatite aguda, o diabo. Não bastassem os perrengues pessoais, ficou difícil me dedicar a devaneios literários sem ser afetado pelos acontecimentos recentes no nosso país. Já gastei o adiantado que você generosamente me concedeu, e ainda me falta paz de espírito para alinhavar os escritos em que tenho trabalhado sem trégua. Sei que é impróprio incomodá-lo num momento em que a crise econômica parece não ter arrefecido conforme se esperava. Estou ciente das severas condições do mercado editorial, mas se o amigo puder me adiantar mais uma parcela dos meus royalties, tratarei de me isolar por uns meses nas montanhas, a fim de o regalar com um romance que haverá de lhe dar grandes alegrias.

     Um forte abraço.



(Adaptado de: BUARQUE, Chico. Essa gente. São Paulo: Companhia das Letras, 2019, edição digital)
Derivação imprópria é um processo em que uma palavra muda de classe gramatical sem mudar de forma. Assim, observa-se esse processo no seguinte trecho:
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Q2327193 Português
A Gravidade da Questão Indígena no Brasil

Estamos diante de um dos mais graves desafios que
se tem notícia quanto ao extermínio de povos
indígenas em nosso país. Um absurdo inominável







JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, sociólogo, mestre em sociologia, colaborador de diversas veículos de comunicação.

Disponível: https://www.ecodebate.com.br/2021/07/08/agravidade-da-questao-indigena-no-brasil/ Texto adaptado. Acesso em 05/12/2021
A palavra grifada é uma conjunção integrante em: 
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Q2281063 Português
O que é lugar de fala?

      Numa sociedade como a brasileira, de herança escravocrata, pessoas negras vão experenciar racismo do lugar de quem é objeto dessa opressão, do lugar que restringe oportunidades por conta desse sistema de opressão. Pessoas brancas vão experenciar do lugar de quem se beneficia dessa mesma opressão. Logo, ambos os grupos podem e devem discutir essas questões, mas falarão de lugares distintos. Estamos dizendo, principalmente, que queremos e reivindicamos que a história sobre a escravidão no Brasil seja contada por nossas perspectivas também e não somente pela perspectiva de quem venceu, para parafrasear Walter Benjamin, em Teses sobre o conceito de história. Estamos apontando para a importância de quebra de um sistema vigente que invisibiliza essas narrativas.


(RIBEIRO, Djamila. O que é: lugar de fala? Belo Horizonte: Letramento: Justificando, 2017, p. 48. Adaptado.)
A conjunção “Logo”, destacada no texto, pode ser substituída, sem prejuízo do sentido, por: 
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Q2258798 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão.

        Nestes dias em que a atualidade nos assusta, o desafio é encontrar uma maneira de não escrever sobre a atualidade, embora pensemos nela constantemente. Que assunto nos levaria o mais longe possível do catastrófico noticiário do dia? Já sei: a batata.
        A batata começou a existir no Peru, onde era tão importante que os incas a usavam como unidade básica de tempo, o tempo que levavam para cozinhá-la. Os franceses, a princípio, resistiram à batata, como resultado de uma crença de que ela causava lepra. Quem acabou com a crença foi Antoine-Augustin Parmentier, que adquiriu o gosto pela sopa da batata numa prisão da Prússia e, na volta à França, transformou o tubérculo num sucesso, tanto que flores da planta passaram a ser usadas na lapela, na corte de Luís XVI.
        A batata também tem uma história trágica. Na Irlanda do século 19, as várias virtudes da batata a transformaram numa virtual monocultura, cujas sucessivas colheitas fracassadas foram responsáveis pela fome que matou um milhão de pessoas.
         Batatas fritas são as batatas mais comuns e democráticas feitas no mundo desde que elas foram levadas do Peru. Nos Estados Unidos elas são chamadas de “francesas fritas”, porque lá gostam de pensar que o que é muito excitante não pode ser muito americano e, por exemplo, chamam beijo de língua de “beijos franceses”. Quando os franceses não quiseram apoiar a invasão do Iraque por tropas americanas, surgiu um movimento nos Estados Unidos para rebatizar as fritas de “batatas da liberdade”. Não pegou.
(VERÍSSIMO, Luis Fernando. Batata. O Estado de São Paulo, 08.03.2020. Adaptado).
O desafio é encontrar uma maneira de não escrever sobre a atualidade, “embora” pensemos nela constantemente.
O termo destacado desempenha a função de conjunção
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Q2255307 Português
Felicidade clandestina

        Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
       Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
       Mas que talento tinha para crueldade. Ela era toda pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia...
        Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou- -me que possuía “As reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
        No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.         

(LISPECTOR, Clarice. Os melhores contos. São Paulo, 1996. Adaptado.)
Relacione as colunas, de acordo com a classe gramatical dos vocábulos.
1. Sadismo. 2. Nenhuma. 3. Imperdoavelmente. 4. Sardenta. 5. Mas.
( ) Adjetivo. ( ) Substantivo. ( ) Pronome. ( ) Conjunção. ( ) Advérbio.
A sequência está correta em
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Q2255304 Português
Felicidade clandestina

        Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
       Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
       Mas que talento tinha para crueldade. Ela era toda pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia...
        Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou- -me que possuía “As reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
        No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.         

(LISPECTOR, Clarice. Os melhores contos. São Paulo, 1996. Adaptado.)
No excerto “Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas.” (1º§), podemos afirmar que a expressão assinalada expressa ideia de:
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Q2251658 Português

Texto III

SUJEITO DE SORTE




BELCHIOR. Disponível em: https://www.letras.mus.br. Acesso em: 04 abr. 2022 (adaptado)

“Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte” (verso 2)


Em relação ao verso acima, o conectivo destacado expressa o valor lógico-semântico de 

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Q2249143 Português
Leia o texto para responder à questão.

        Novembro de 1984. Um grupo de 14 mulheres está na estação de trem na cidade alemã de Stuttgart prestes a pegar trens para suas respectivas casas. A cena está longe de ser um acontecimento casual: é um ato incomum de libertação de pacientes que até poucas horas estavam internadas em um prestigiado centro psiquiátrico.
        Anne Kahl, alemã nascida em 1942 na cidade de Berchtesgaden e secretária da clínica, encarregava-se de enviar essas mulheres para suas casas, onde continuariam seus tratamentos longe da reclusão alienante nas instalações do excêntrico e brilhante psiquiatra Curtius Tauler.
        Embora os nomes sejam todos fictícios e os prontuários inventados, a trama central do livro publicado no Peru é real e foi contada pela própria Anne Kahl à escritora peruana Teresa Ruiz Rosas, que anos depois decidiu publicar essa história incrível em um romance, com o qual ganhou o Prêmio Nacional Peruano de Literatura 2020.
        Sobre o processo de escrita do romance, a autora explica: “o que eu inventei foram as histórias de cada uma das 14 pacientes liberadas, porque eu não tive acesso aos prontuários, e a Anne não me contou por questão de sigilo profissional. Ademais, ela já morreu há muitos anos. O que fiz foi refrescar minha memória para escrever sobre isso. Também é verdade que o psiquiatra deu às pacientes um sedativo para que pudessem voltar para casa. Ele as havia preparado para que mais tarde pudessem ficar sem ele”.
         O psiquiatra era um homem que poderia ter se aposentado oito anos antes, mas que continuou a dirigir a clínica. A certa altura, quando ele queria se aposentar, não conseguia pensar em uma maneira melhor do que fechar a clínica e mandar as pacientes para casa.
        Enquanto escrevia o romance, a autora conseguiu localizar o médico assistente-chefe. Ele já era nonagenário, mas a recebeu. Ele ficou muito animado com o fato de que alguém estava escrevendo sobre o tema e relatou que 14 mulheres foram liberadas. A escritora, até então, desconhecia o número exato.

(Almudena de Cabo. A história das 14 mulheres liberadas de uma clínica psiquiátrica na Alemanha que virou livro no Peru. www.bbc.com, 05.11.2022. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o vocábulo em destaque introduz a ideia de explicação no trecho em que se encontra.
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Q2246204 Português
Leia o texto para responder à questão.

Por que manter cotas na pós-graduação?

         Deu na Folha de São Paulo que coletivos da USP estão furibundos com o Departamento de Filosofia, cuja pós-graduação ainda não adotou ações afirmativas em seu processo seletivo.
        Não sou o maior fã das cotas raciais. Ainda estou preso a ideias como a de que as políticas públicas devem preferencialmente estar baseadas no princípio da universalidade e que, quando dirigidas a grupos específicos, devem seguir critérios objetivamente mensuráveis. Reconheço, porém, que o “Zeitgeist” (espírito da época) se enamorou da reserva de vagas para minorias e gosto do resultado que essa política produz, ainda que faça restrições ao método.
        Há, contudo, um ponto que, para mim, permanece enigmático, que é a pós-graduação. Os entusiastas das cotas celebram com razão as várias pesquisas que mostraram que, na graduação, o desempenho dos alunos cotistas é tão bom quanto o dos não cotistas, às vezes até um pouquinho melhor. Diante desse diagnóstico, tenho dificuldades para entender por que a reserva de vagas deveria se estender à pós-graduação. Se a performance dos estudantes é semelhante, então uma prova de conhecimentos específicos da disciplina, que são adquiridos na graduação, torna-se um critério muito razoável para presidir ao processo seletivo.
        Até acho que podemos e devemos discutir outros tipos de ação afirmativa, como uma reserva de bolsas de estudo. Frequentemente, a dificuldade dos alunos de famílias pobres é mais manter-se estudando, isto é, sem trabalhar para ajudar a pagar os boletos, do que o processo seletivo.
         Desconheço os motivos que levaram o pessoal da filosofia, que, afinal, é a minha “alma mater”, a não instituir cotas raciais na pós, mas gostaria de acreditar que foi o apego à lógica.

(Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo. 13.08.2022. Adaptado)
Considere a passagem do 2º parágrafo:
Não sou o maior fã das cotas raciais. Ainda estou preso a ideias como a de que as políticas públicas devem preferencialmente estar baseadas no princípio da universalidade…
Assinale a alternativa que explicita, com uma conjunção adequada, a relação de sentido de causa que há entre as duas partes da passagem.
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Q2225769 Português
Leia o texto para responder à questão.

        Alimentos que os humanos não conseguem digerir em sua forma natural − como trigo, arroz e batata – tornaram-se itens essenciais da nossa dieta graças ao cozimento. O fogo não só mudava a química dos alimentos; mudava também sua biologia. Cozinhar matava germes e parasitas que infestavam os alimentos. Também passou a ser muito mais fácil para os humanos mastigar e digerir seus alimentos favoritos, como frutas, nozes, insetos e carniça, se cozidos. Enquanto os chimpanzés passam cinco horas por dia mastigando alimentos crus, uma hora é suficiente para as pessoas comerem alimentos cozidos.

        O advento do hábito de cozinhar possibilitou aos humanos comer mais tipos de comida, dedicar menos tempo à alimentação e se virar com dentes menores e intestino mais curto. Alguns estudiosos acreditam que existe uma relação direta entre o advento do hábito de cozinhar, o encurtamento do trato intestinal e o crescimento do cérebro humano. Considerando que tanto um intestino longo quanto um cérebro grande consomem muita energia, é difícil ter os dois ao mesmo tempo. Ao encurtar o intestino e reduzir seu consumo de energia, o hábito de cozinhar inadvertidamente abriu caminho para o cérebro enorme dos neandertais e dos sapiens.

        O fogo também abriu a primeira brecha significativa entre o homem e os outros animais. O poder de quase todos os animais depende de seu corpo: a força de seus músculos, o tamanho de seus dentes, a envergadura de suas asas. Embora possam fazer uso de ventos e correntes, são incapazes de controlar essas forças da natureza e estão sempre limitados por sua estrutura física.

        Ao domesticar o fogo, os humanos ganharam controle de uma força obediente e potencialmente ilimitada. E o que é mais importante, o poder do fogo não era limitado pela forma, estrutura ou força do corpo humano. Uma única mulher com uma pedra ou vareta podia produzir fogo para queimar uma floresta inteira em uma questão de horas. A domesticação do fogo foi um sinal do que estava por vir.
(Yuval Noah Harari. Uma breve história da humanidade. Fragmento adaptado)
As expressões destacadas no trecho do 1º parágrafo − Alimentos que os humanos não conseguem digerir em sua forma natural (...) tornaram-se itens essenciais da nossa dieta graças ao cozimento – apresentam, respectivamente, circunstâncias de
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Q2212651 Português
Leia o texto para responder à questão.

        Em 1944, o poeta recifense Solano Trindade publicava “Poemas d’uma vida simples”, seu segundo livro, impregnado pela crítica social característica de sua obra. A publicação teve boa repercussão, mas não agradou todo mundo: Trindade foi perseguido e preso pela ditadura do Estado Novo e o livro, apreendido.

         A prisão teria sido motivada por “Tem Gente com Fome”, que se tornou um de seus poemas mais conhecidos. O texto poderia ser de 2022, ano em que 33 milhões passam fome e 125 milhões convivem com algum grau de insegurança alimentar no Brasil.

(Juliana Domingos de Lima. www.uol.com.br/ecoa, 23.07.2022. Adaptado) 
Na passagem “Em 1944, o poeta recifense Solano Trindade publicava ‘Poemas d’uma vida simples’, seu segundo livro, impregnado pela crítica social característica de sua obra. A publicação teve boa repercussão, mas não agradou todo mundo…”, a expressão “seu segundo livro” e a conjunção “mas” expressam, correta e respectivamente, sentido de: 
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Q2212647 Português
Leia o texto e a charge para responder à questão.

Texto

        Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas asas duras como couraça e, ao levantar um pouco a cabeça, viu seu ventre abaulado, marrom, dividido por nervuras arqueadas, no topo do qual a coberta, prestes a deslizar de vez, ainda mal se sustinha. Suas numerosas pernas, lastimavelmente finas em comparação com o volume do resto do corpo, tremulavam desamparadas diante dos seus olhos.

(Franz Kafka, A metamorfose, 1977)



Charge


(André Dahmer, “Não há nada acontecendo”. Folha de S.Paulo, 13.07.2022)
Com base na Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, é correto afirmar que, na charge, o termo
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Q2212524 Português
Leia o texto, para responder à questão.

Sobre IA, empregos e disrupção social

        De tempos em tempos, raras tecnologias surgem de forma tão avassaladora que provocam profundas mudanças na dinâmica social. São aquelas que os economistas chamam de tecnologias de propósito geral (GPTs), que alcançam diversas áreas e abrem novos campos do conhecimento. O motor a vapor do século 18 foi uma GPT, assim como a energia elétrica a partir da invenção do dínamo no século seguinte e, mais recentemente, a internet.

        Hoje testemunhamos o avanço de uma tecnologia com potencial de disrupção socioeconômica, a inteligência artificial (IA). Esse conjunto de sistemas e algoritmos que permitem a máquinas analisar, aprender e tomar decisões sozinhas se desenvolve em um mercado que deve passar dos US$ 15 trilhões até 2030, conforme previsão da PwC. E do mesmo jeito que um dia ocorreu com as GPTs citadas anteriormente, a IA levanta a questão: as máquinas inteligentes acabarão com os empregos do ser humano?

        Dois grupos dominam o debate. Um defende que previsões catastróficas para o emprego na era da IA não passam de uma falácia. Eles têm a história ao lado. Durante a Revolução Industrial, por exemplo, camponeses substituídos por máquinas na agricultura foram absorvidos nas fábricas das cidades. Do outro lado estão os que tratam a IA como uma tecnologia diferente, pois está entrando na vida das pessoas de forma muito mais rápida do que qualquer outra na história. Kai-Fu Lee, um dos maiores investidores da China em inteligência artificial, estima que, em meados da década que vem, soluções de IA poderão substituir, tecnicamente, até metade dos empregos nos EUA.

        Máquinas dotadas de IA realizarão trabalhos tanto físicos (procure pela Boston Dinamics) quanto intelectuais com velocidade e potência incrivelmente superiores a qualquer ser humano. E funcionarão 24 horas por dia, sete dias por semana, sem férias.

        Além disso, o choque da IA nos empregos deve ignorar a distinção entre trabalhadores pouco e muito qualificados. Nesse processo transformador, intenso e abrangente, muitos ficarão para trás e, dizem alguns pensadores, formarão a nova classe de seres humanos inúteis – aqueles que nunca mais conseguirão se ocupar.

        Então, se prepare, pois o pleno emprego será realidade para robôs, não para você.

(Wladimir D’Andrade. Diário da Região, 19-07-2022. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a pontuação adotada e as conjunções empregadas estão de acordo com a norma-padrão, expressando relações de sentido adequadas.
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Ano: 2022 Banca: IDIB Órgão: GOINFRA Prova: IDIB - 2022 - GOINFRA - Gestor de Engenharia |
Q2209122 Português
TEXTO I

Esperança

    Já se haviam passado cinquenta horas que Guillaumet desaparecera numa travessia dos Andes, durante o inverno. Voltando do fundo da Patagônia, fui ao encontro do piloto Deley, em Mendoza. E nós dois, durante cinco dias, esquadrinhamos aquela confusão de montanhas, sem descobrir coisa alguma. Nossos dois aparelhos não bastavam. Parecia-nos que cem esquadrilhas, navegando cem anos, não acabariam de explorar aquele enorme maciço cujos picos se erguiam até sete mil metros. Havíamos perdido toda a esperança. Quando eu e Deley descemos em Santiago, os oficiais chilenos nos aconselharam a suspender as buscas.
    "É inverno. Esse companheiro de vocês se sobreviveu à queda, não sobreviveu a noite. A noite, lá em cima, quando passa sobre o homem, transforma-o em gelo." E quando eu novamente me infiltrava entre os muros e os pilares gigantescos dos Andes já sentia que não estava mais procurando Guillaumet: velava o seu corpo, em silêncio, numa catedral de neve.
     Afinal, depois de sete dias, quando eu almoçava, no intervalo de dois voos, num restaurante de Mendoza, um homem empurrou a porta e gritou... oh, apenas isto:
     — Guillaumet... vivo!
     E todos os desconhecidos que ali estavam se abraçaram.
    Dez minutos mais tarde eu partia com dois mecânicos, Lefebvre e Abri. Quarenta minutos depois, descia ao longo de uma estrada, tendo reconhecido, não sei como, o carro que o conduzia para não sei onde, nos lados de São Rafael. Foi um belo encontro: choramos todos e esmagamos você em nossos abraços, vivo, ressuscitado, autor de seu próprio milagre. Foi então que você exprimiu, na sua primeira frase inteligível, um admirável orgulho da espécie: "O que eu fiz, palavra que nenhum bicho, só um homem, era capaz de fazer... Pensava: Minha mulher... se ela crê que estou vivo, ela crê que estou andando. Os companheiros creem que estou andando. Serei um covarde se não continuar andando. E andava. Procurei não pensar, porque sofria demais, minha situação era desesperada demais. Para ter a coragem de andar.”
    Só o desconhecido espanta os homens. Mas para quem o enfrenta, ele cessa de ser o desconhecido. Sobretudo se é olhado com essa gravidade lúcida. A coragem de Guillaumet é, antes de tudo, um efeito de sua probidade. Sua verdadeira qualidade não é essa. Sua grandeza é a de sentir-se responsável. Responsável por si, pelo seu avião, pelos companheiros que o esperam. Ele tem nas mãos a tristeza ou a alegria desses companheiros. Responsável pelo que se constrói de novo, lá, entre os vivos, construção de que ele deve participar. Responsável um pouco pelo destino dos homens, na medida de seu trabalho.

SAINT-EXUPÉRY, Antoine de, 1900-1944 Terra dos homens/ Antoine de Saint-Exupéry; tradução Rubem Braga. — 1ª Ed. especial. — Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. P. 29-30  
“Procurei não pensar, porque sofria demais...” (6º§) O emprego do termo “porque” (junto e sem acento) está justificada por se tratar de  
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Ano: 2022 Banca: IDIB Órgão: GOINFRA Prova: IDIB - 2022 - GOINFRA - Gestor de Engenharia |
Q2209120 Português
TEXTO I

Esperança

    Já se haviam passado cinquenta horas que Guillaumet desaparecera numa travessia dos Andes, durante o inverno. Voltando do fundo da Patagônia, fui ao encontro do piloto Deley, em Mendoza. E nós dois, durante cinco dias, esquadrinhamos aquela confusão de montanhas, sem descobrir coisa alguma. Nossos dois aparelhos não bastavam. Parecia-nos que cem esquadrilhas, navegando cem anos, não acabariam de explorar aquele enorme maciço cujos picos se erguiam até sete mil metros. Havíamos perdido toda a esperança. Quando eu e Deley descemos em Santiago, os oficiais chilenos nos aconselharam a suspender as buscas.
    "É inverno. Esse companheiro de vocês se sobreviveu à queda, não sobreviveu a noite. A noite, lá em cima, quando passa sobre o homem, transforma-o em gelo." E quando eu novamente me infiltrava entre os muros e os pilares gigantescos dos Andes já sentia que não estava mais procurando Guillaumet: velava o seu corpo, em silêncio, numa catedral de neve.
     Afinal, depois de sete dias, quando eu almoçava, no intervalo de dois voos, num restaurante de Mendoza, um homem empurrou a porta e gritou... oh, apenas isto:
     — Guillaumet... vivo!
     E todos os desconhecidos que ali estavam se abraçaram.
    Dez minutos mais tarde eu partia com dois mecânicos, Lefebvre e Abri. Quarenta minutos depois, descia ao longo de uma estrada, tendo reconhecido, não sei como, o carro que o conduzia para não sei onde, nos lados de São Rafael. Foi um belo encontro: choramos todos e esmagamos você em nossos abraços, vivo, ressuscitado, autor de seu próprio milagre. Foi então que você exprimiu, na sua primeira frase inteligível, um admirável orgulho da espécie: "O que eu fiz, palavra que nenhum bicho, só um homem, era capaz de fazer... Pensava: Minha mulher... se ela crê que estou vivo, ela crê que estou andando. Os companheiros creem que estou andando. Serei um covarde se não continuar andando. E andava. Procurei não pensar, porque sofria demais, minha situação era desesperada demais. Para ter a coragem de andar.”
    Só o desconhecido espanta os homens. Mas para quem o enfrenta, ele cessa de ser o desconhecido. Sobretudo se é olhado com essa gravidade lúcida. A coragem de Guillaumet é, antes de tudo, um efeito de sua probidade. Sua verdadeira qualidade não é essa. Sua grandeza é a de sentir-se responsável. Responsável por si, pelo seu avião, pelos companheiros que o esperam. Ele tem nas mãos a tristeza ou a alegria desses companheiros. Responsável pelo que se constrói de novo, lá, entre os vivos, construção de que ele deve participar. Responsável um pouco pelo destino dos homens, na medida de seu trabalho.

SAINT-EXUPÉRY, Antoine de, 1900-1944 Terra dos homens/ Antoine de Saint-Exupéry; tradução Rubem Braga. — 1ª Ed. especial. — Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. P. 29-30  
Leia os trechos a seguir:
  I. “Nossos dois aparelhos não bastavam.” (1º§)  II. “... choramos todos e esmagamos você...” (6º§) III. “...na sua primeira frase inteligível ...” (6º§) IV. “Ele tem nas mãos a tristeza ...” (7º§)
De acordo com a classe gramatical, É correto o que se afirmaa alternativa que representa a sequência correta dos termos sublinhados.  
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Q2183657 Português
Leia o texto para responder à questão.

Cobrar o passaporte

        O expressivo recrudescimento da Covid-19 registrado nesta semana no país não apenas reaviva os temores com relação à doença como deixa mais claro do que nunca a importância da vacinação geral, sem a qual o vírus prosseguirá circulando, com risco de produzir novas e mais agressivas cepas.

        Nesta sexta (28.01.2022), o Brasil contabilizou nada menos que 257.239 casos confirmados da enfermidade. Com isso, a média móvel de infecções nos últimos sete dias atingiu a marca de 183.203, a maior já registrada desde o início da pandemia.

      Nesse cenário, é essencial que se generalize no país a cobrança do passaporte vacinal, medida que a um só tempo aumenta a proteção coletiva e serve como forte incentivo para que mais pessoas se imunizem, reduzindo a transmissão comunitária do patógeno.

        Além de compulsório em eventos, estabelecimentos comerciais, repartições públicas, aeroportos e aparelhos culturais, o comprovante de imunização precisa também ser exigido, ao menos para os alunos maiores de 12 anos, nas escolas que agora iniciam o ano letivo, como já ocorre com as vacinas obrigatórias da infância.

        Afigura-se preocupante, pois, que apenas sete estados tenham, até o momento, expressado a intenção de requerer a comprovação.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 28.02.2022. Adaptado)
Considere as passagens do texto:
•  … não apenas reaviva os temores com relação à doença como deixa mais claro do que nunca a importância da vacinação geral… (1º parágrafo)
•  … nas escolas que agora iniciam o ano letivo, como já ocorre com as vacinas obrigatórias da infância. (4º parágrafo)
•  Afigura-se preocupante, pois, que apenas sete estados tenham, até o momento, expressado a intenção de requerer a comprovação. (5º parágrafo)

As conjunções destacadas estabelecem entre as orações, correta e respectivamente, relações de sentido de 
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Q2178149 Português
TEXTO

Quem tem medo da liberdade de expressão?

Alexandre Cruz

    Com o advento das redes sociais, debates sobre os limites da liberdade de expressão têm ganhado força na sociedade brasileira e, com a proximidade das eleições de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entrou no baile. Sob argumento de que notícias e opiniões falsas ou desinformativas podem causar danos a grupos sociais ou até mesmo interferir no resultado final de uma eleição, aumenta-se perigosamente o apoio à formulação de uma espécie de "index prohibitorum" digital, contendo palavras e opiniões que devem ser previamente censuradas sob o risco potencial de causar danos sociais ou eleitorais.
    O Youtube, por exemplo, já filtra palavras que não podem ser ditas, podendo gerar a desmonetização de um vídeo ou, no limite, a sua exclusão da plataforma. O resultado, no final, é o surgimento de uma variedade de neologismos cifrados utilizados por youtubers para substituir as palavras indesejadas.
    A perspectiva na qual palavras, ideias e opiniões devem ser censuradas pelo seu dano presumido não é nova. Além de ser utilizada levianamente por grupos para cercear opiniões divergentes sem ter o trabalho de argumentar, tende a focar mais nos possíveis prejuízos do que nos benefícios de uma amplíssima liberdade de expressão para a sociedade em geral.
    Entre a independência dos Estados Unidos e o fim da 1ª Guerra Mundial, por exemplo, diversos casos contestando os limites da liberdade de expressão e de imprensa tiveram curso em tribunais estaduais e na Suprema Corte daquele país. Neste período, como aponta o historiador Michael Curtis, prevaleceu no judiciário norte-americano a chamada "Doutrina da Tendência Ruim", onde opiniões consideradas com potencial para causar eventuais danos sociais deveriam ser suprimidas.
    Na esteira dessa doutrina, obras que criticavam a escravidão, por exemplo, foram censuradas em diversas cortes de estados escravagistas sob o argumento de causar danos ao direito de propriedade. Coube a jornalistas, advogados, intelectuais e ativistas contestar essa doutrina e muitas vezes promover a circulação de obras abolicionistas ilegalmente. Ou seja, enquanto setores do judiciário norte-americano impunham uma visão restritiva e racista da liberdade de expressão, coube à sociedade civil ampliar os seus limites na prática.
    Ecos de uma concepção de liberdade de expressão mais ampla, de raiz popular, chegariam à Suprema Corte dos Estados Unidos apenas na década de 1920. Anos antes, Benjamin Gitlow, membro do Partido Socialista, foi processado pelo estado de Nova Iorque pelo crime de anarquia após ter publicado no periódico "The Revolutionary Age" o texto "The Left Wing Manifesto". Embora sua defesa tenha alegado que o artigo se tratava de uma análise histórica, não de uma incitação revolucionária, Gitlow foi considerado culpado pela corte estadual, tendo sua condenação confirmada pela maioria da Suprema Corte em 1925.
    Porém, durante o julgamento, foi possível vislumbrar a penetração de uma concepção mais ampla da liberdade de expressão entre juízes da corte. Em um histórico voto dissidente, o juiz Oliver Wendell Holmes Jr. registraria que: "toda ideia é um incitamento. Ela se oferece para a crença e, se acreditada, é praticada a menos que outra crença a supere, ou a falta de empenho sufoque o movimento em seu nascimento. A única diferença entre a expressão de uma opinião e uma incitação, no sentido mais restrito, é o entusiasmo do orador pelo resultado".
    No Brasil, também a liberdade de expressão e de imprensa foram uma conquista da sociedade civil após décadas de censura ao longo do século 20, não uma concessão da burocracia estatal. Historicamente, a ampla liberdade de expressão sempre foi um instrumento popular para fustigar o poder estabelecido em prol de mudanças sociais. Não podemos deixar que contextos políticos nublados nos façam esquecer disso. Os benefícios de uma ampla liberdade de expressão e de imprensa são maiores do que os malefícios de sua utilização para o cometimento de crimes (que devem ser punidos através do devido processo legal).
    Aceitar a premissa de que uma ideia ou opinião deva ser censurada, talvez até por algoritmos, antes de alcançar o espaço público devido ao seu possível dano social ou eleitoral, sem crime determinado e comprovado, é lançar um bumerangue autoritário que mais cedo ou mais tarde voltará.

Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/>. Acesso em: 14 set. 2022.
Considere o trecho a seguir.
    Ou seja, enquanto setores do judiciário norte-americano impunham uma visão restritiva e racista da liberdade de expressão, coube à sociedade civil ampliar os seus limites na prática.
Sobre as palavras em destaque, é correto afirmar que 
Alternativas
Q2176116 Português
Como escolher o som de despertador perfeito, segundo a
ciência

Um conjunto de pesquisas da Austrália mostram a frequência
e batida mais eficazes em estimular o estado de alerta. Ouça o
que seria o “alarme perfeito”.

Por Maria Clara Rossini

    O “só mais cinco minutinhos” é o terror de quem precisa acordar cedo. Primeiro você aperta o botão “soneca” uma vez, só para curtir uns últimos minutinhos de sono. Depois duas, três vezes. E mesmo com o som do despertador no máximo, você não consegue ficar acordado. Quando vai ver, já está uma hora atrasado.
    Ter uma boa noite de sono é o melhor jeito de evitar aquela sensação “grogue” logo ao acordar. Mas escolher um bom alarme também pode ajudar. Uma pesquisa do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne, na Austrália, mostrou que alguns tipos de música e frequências podem aumentar o estado de alerta ao acordar.
    O seu cérebro não é como um interruptor, que liga e desliga totalmente na hora que quer. As regiões mais importantes para o estado de alerta, como o córtex pré-frontal, demoram mais para “ligar” do que outras áreas. Isso significa que você pode estar mais ou menos acordado, o que causa a sensação “grogue”. O fluxo de sangue para o cérebro é outro fator que influencia essa sensação.
    Sons com melodias energizantes (como a música ABC, do The Jackson 5), são boas pedidas. Mas não é só isso. O estudo também mostrou que existem volumes e frequências mais eficazes para cada faixa etária.
    Jovens entre 18 e 25 anos precisam de alarmes com sons mais altos para acordar totalmente, enquanto pessoas mais velhas já ficam de pé com barulhos mais baixos. Aos 18 anos de idade, você pode precisar de um alarme com até 20 decibéis a mais do que aos 80 anos. Os pré-adolescentes (entre 10 e 14 anos) são os que precisam dos sons mais altos.
    Um outro estudo, também do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne, mostrou que tons com frequência dominante de 500 Hz deixam as pessoas mais alertas do que aqueles com mais de 2000 Hz. Não por coincidência, essa é a frequência do alarme padrão do iPhone.
    A pesquisa também concluiu que pessoas com alarmes “cantáveis” se sentem mais alertas ao acordar. A música não precisa ter letra, necessariamente – basta uma melodia que você consiga murmurar baixinho. Um estudo de 2016 mostrou que músicas famosas são boas para acordar após um cochilo (mesmo que isso te faça odiar a canção depois).
     [...] 

Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/como-escolher-o-som-dedespertador-perfeito-segundo-a-ciencia/
No segundo período, do segundo parágrafo, a conjunção “mas” pode ser substituída por qual vocábulo sem que haja alteração no sentido da oração? 
Alternativas
Q2176008 Português
    Uma breve história da expectativa de vida
Em um século, a expectativa de vida no Brasil saltou de 33
para 77 anos. E o aumento na longevidade deixa claro qual é o próximo desafio da medicina: vencer as enfermidades mentais
associadas à idade avançada.

Por Alexandre Versignassi

    No início do século 20, quando a expectativa de vida era de 47 anos nos países industrializados e de 33 no nosso, o que mais matava eram as doenças infecciosas: pneumonia, tuberculose, gastroenterite. A pandemia, ao tirar 5,5 milhões de vidas nos últimos dois anos, trouxe as infecções de volta aos holofotes. O caminho natural, porém, é a ciência vencer essa luta novamente, como fez antes.
    O desenvolvimento de vacinas e antibióticos, além de condições mais humanas de saneamento básico, foi baixando a bola das doenças infecciosas ao longo do século passado. E em 1960 a expectativa de vida tinha saltado para 52 anos por aqui (e 69 anos nos países ricos). Foi aí que as doenças cardiovasculares e os vários tipos de câncer passaram a ser os grandes desafios de longo prazo da medicina. Mas essa é outra guerra que está sendo vencida. Nos EUA, que mantêm dados históricos precisos, o número de mortes por doenças cardiovasculares caiu de 800 para cada 100 mil habitantes na década de 1960 para 200 hoje. Um tombo de 75%.
    As batalhas contra o câncer são mais complexas, mas não faltam vitórias. Uma das principais é o sucesso das imunoterapias no combate ao melanoma (o mais agressivo dos cânceres de pele). Desde o boom na criação de novos medicamentos, a mortalidade por melanoma passou a cair 5% ao ano. Tudo isso levou a mais avanços na expectativa de vida. Hoje ela está próxima dos 80 anos, seja no Brasil, seja nos países do topo da pirâmide. Por aqui, sempre vale lembrar, boa parte disso se deve a um fato central: sermos o único país com mais de 200 milhões de habitantes a contar com um sistema universal de assistência médica gratuita, o SUS.
    E hoje há 22 milhões de pessoas com 65 anos ou mais no país. Uma vitória. Mas o aumento na longevidade traz outro desafio para a medicina: as enfermidades mentais que surgem nas fases mais avançadas da vida – principalmente o Alzheimer, que atinge 1,2 milhão de brasileiros. A FDA (Anvisa dos EUA) aprovou em junho de 2021 aquele que seria o primeiro remédio capaz de reverter o Alzheimer: o aducanumab. Seu trunfo é “limpar” as placas de proteína beta-amiloide no cérebro. O acúmulo delas ao longo dos anos seria, de acordo com a hipótese mais aceita, a causa do Alzheimer. E o aducanumab consegue mesmo exterminar essas placas. O problema: isso se mostrou ineficaz. Os doentes tratados seguiram doentes, o que só aumenta a aura de mistério em torno da doença.
     [...]

Disponível em: https://super.abril.com.br/coluna/alexandre-versignassi/uma-brevehistoria-da-expectativa-de-vida/
Analise: “Uma breve história da expectativa de vida” e assinale a alternativa incorreta. 
Alternativas
Q2170639 Português
Ossos de neandertal reforçam ideia de que espécie enterrava seus mortos

A descoberta mostra um complexo ritual fúnebre, e contraria a antiga ideia de que nossos ancestrais extintos eram burros e primitivos.

Por Bruno Carbinatto

A prática de enterrar mortos é inerentemente humana. Nenhuma outra espécie conhecida pratica esse costume - apesar de algumas possuírem comportamentos equivalentes a um velório. Mas talvez nem sempre tenha sido assim. Alguns pesquisadores acreditam que os neandertais, um tipo de hominídeo ancestral já extinto, também realizavam enterros. E, agora, novos restos de um neandertal, encontrados em 2019, parecem fortalecer essa ideia.

É a primeira vez em 10 anos em que uma ossada de neandertal é encontrada - e o primeiro achado do século em que o esqueleto está articulado, ou seja, os ossos ainda estão nas suas posições originais. Eles foram escavados na Caverna de Shanidar, que fica na região do Curdistão no Iraque, e consistem em um tronco, um crânio amassado e ossos de uma mão esquerda. Técnicas de datação iniciais apontam que o indivíduo, cujo sexo ainda não foi definido, viveu há cerca de 70 mil anos e morreu como um adulto de meia-idade, ou talvez até mais velho. Os resultados foram publicados na revista Antiquity.

Algumas pistas indicam que o corpo foi enterrado propositalmente: havia uma pedra triangular perto do crânio, que poderia ter sido um apoio de cabeça ou um marcador do local da cova; sua mão estava colocada debaixo da cabeça, como se fosse um travesseiro, e os sedimentos que cobriam seu corpo tinham características a aparência diferentes dos que estavam embaixo dele.

Não é a primeira vez que uma descoberta indica que os neandertais provavelmente enterravam seus mortos. Na verdade, as pesquisas que moldaram essa ideia aconteceram exatamente no mesmo local décadas atrás. Nos anos 1950 e 1960, o arqueólogo Ralph Solecki realizou uma série de escavações na Caverna de Shanidar e encontrou dez ossadas de homens, mulheres e crianças neandertais.

Na época, Solecki afirmou que havia várias informações na caverna que podiam mudar a forma que pensávamos sobre os costumes dos nossos extintos parentes. Primeiro: quatro corpos encontrados pareciam ter sido enterrados juntos e propositalmente próximos, como se houvesse algum tipo de padrão ou organização - características típicas de um ritual fúnebre. Segundo, os restos de um dos homens neandertais indicavam que, em vida, ele havia sobrevivido à várias lesões, era surdo e parcialmente cego. Mesmo assim, ele havia vivido até a vida adulta - provavelmente com a ajuda de outros neandertais, um sinal de compaixão e cooperação.

Mas talvez a descoberta mais polêmica foi a de indícios de pólen ao redor do corpo de um deles. Segundo a equipe de Solecki, isso indicava que flores haviam sido colocadas junto com o corpo na hora do enterro - um comportamento muito parecido com o de humanos modernos.

Um estudo posterior, no entanto, sugeriu que a presença de pólen na região poderia ser fruto de contaminação de animais que levaram as flores para lá. O mistério ainda permanece.

As ideias de Solecki causaram bastante polêmica na época em que foram publicadas. Isso porque, por muito tempo, neandertais foram considerados por cientistas como inferior aos humanos, mais burros e primitivos - "sub-humanos". Argumentar que a espécie possuía rituais de luto complexos e relações sofisticadas ia contra essa ideia dominante. Hoje em dia, a ciência já trabalha com a hipótese de neandertais sendo tão inteligentes quantos os Homo sapiens.

Desde as descobertas de Solecki, a caverna se tornou um sítio icônico para a arqueologia. Mas passaram-se décadas até que ela fosse estudada novamente. Em 2011, o governo curdo da região convidou arqueólogos britânicos para escavar o local. A pesquisa iria começar em 2014, mas foi adiada por conta da ação do grupo terrorista ISIS na região. Em 2016, os pesquisadores Graeme Barker e Emma Pomeroy, da Universidade de Cambridge, finalmente começaram as novas escavações. A equipe não procurava por mais restos mortais - eles só pensavam em estudar os sedimentos da caverna. Mas, nos três anos de escavação, os restos do Shanizar-Z, como foi apelidado o neandertal, apareceram de surpresa.

Os restos estavam abaixo do nível em que os neandertais do século 20 foram encontrados, mas os pesquisadores não conseguiram determinar ainda se eles tinham alguma relação ou estavam separados pelo tempo, possivelmente até por séculos. Agora, a equipe pretende fazer análises extras em laboratório, incluindo exames de DNA, para responder essa e outras dúvidas sobre o Shanizar-Z.

Não se sabe se os neandertais desenvolveram o hábito de enterrar mortos por si só ou se aprenderam com os humanos, que já realizam essa prática há, pelo menos, 100 mil anos, segundo algumas estimativas. A segunda opção é uma boa possibilidade, porque sabemos que Homo sapiens e Homo neanderthalensis já ocuparam os mesmos locais e até procriaram entre si.
"Na época, Solecki afirmou que havia várias informações na caverna que podiam mudar a forma que pensávamos sobre os costumes dos nossos extintos parentes." As palavras destacadas são, respectivamente:
Alternativas
Respostas
1221: A
1222: A
1223: E
1224: B
1225: A
1226: D
1227: A
1228: B
1229: D
1230: E
1231: B
1232: B
1233: C
1234: D
1235: E
1236: A
1237: B
1238: C
1239: C
1240: A