Questões de Concurso Sobre concordância verbal, concordância nominal em português

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Q2928548 Português

Assinale a frase que apresenta correta concordância nominal ou verbal.

Alternativas
Q2926774 Português

O FANTASMA DA ÓRFÃ


Atribui-se ao presidente Kennedy a observação de que a vitória tem muitos pais, mas a derrota é órfã. Melancólica verdade, sobretudo na política, que sempre a confirma sem perdão, bastando ver como as mãos políticas que hoje afagam são as mesmas que ontem apedrejavam e vice-versa. Em nosso caso, temos ainda uma tradição de adesismo por que zelar, bem como a prevalência do Sonho Brasileiro, que é descolar uma mamata vitalícia em algum lugar do governo ou do estado, porque aqui governo e estado são a mesma coisa. Entra um governo novo e declara “o estado é nosso e só faz o que queremos”. Isso torna impossível a realização do sonho sem que o sonhador abandone o inditoso derrotado e passe para o lado do futuroso vencedor. Suponho que devemos encarar essas coisas com compreensão e até caridade, pois o pessoal está apenas querendo sobreviver e subir na vida. É natural.

Vários outros princípios e paradigmas de conduta estão também envolvidos na questão, entre os quais se sobressai o “farinha pouca, meu pirão primeiro”, farol ético que parece nortear nossa formação coletiva, tal o vigor com que se evidencia no comportamento de nossos governantes. Às vezes penso que a frase deveria constar de algum emblema nacional: é muito injusto que não receba o reconhecimento merecido. No momento, a farinha ainda não está propriamente pouca, mas há sempre os previdentes, que não querem deixar seu pirão aos cuidados do acaso. Melhor tratar de farejar os ares e descortinar por onde anda a temível assombração da derrota, para ir-se afastando dela o quanto antes. Não sei se já começou a debandada, mas acho que pelo menos há alguns sinais dela, difusos nos noticiários e comentários políticos.

O moral do governo não parece andar muito alto. O saco de gatos dos ministérios é um espetáculo triste, desanimado, desarvorado. Ninguém — arrisco-me a dizer que nem mesmo a presidente — é capaz de lembrar todos os ministérios e muito menos todos os ministros. Sabe-se que muitos destes se esgueiram obscuramente pelos corredores e salas dos fundos do poder, sem sequer terem a chance de dar um bom-dia à presidente, quanto mais de despachar alguma coisa. Fica aquela pasmaceira, interrompida por momentos de falatório vago e repetitivo, que não prenunciam nada de importante. E há, seguramente, ministros que, se perguntados de surpresa, não saberão bem o que fazem suas pastas, acrescido o pormenor de que vários ministérios, ou grande parte deles, não fazem nada mesmo, a não ser dar despesa.

A reação às manifestações de rua mostrou um esforço atarantado para manter a aparência de calma, equilíbrio e controle da situação, quando era visível que não havia nada disso e estava todo mundo de olho arregalado e sem saber o que dizer ou, pior ainda, fazer.

A tal governabilidade, que tanto mal tem produzido, tão pouco bem tem causado e nunca funcionou direito, servindo basicamente para o intricado jogo das nomeações, colocações, favores e outros objetivos dos nossos homens públicos, está cada vez mais caindo pelas tabelas. Todo dia um cai fora, outro proclama dissidência e independência, formam-se alas e subalas, o rebuliço surdinado é grande.

A inflação está voltando e as negativas e bravatas das autoridades não convencem, diante da realidade dos preços. Para completar o quadro, o governo não dispõe de um Big Bang para apresentar, no encerramento destes seus quatro anos. A gente percebe que a situação tem cara de insucesso do governo e ninguém vai requerer a paternidade dela. Mas receio que não haverá dificuldade em se apontar a mãe.


O RIBEIRO, J.U. : O Globo; 21/07/13 (texto adaptado)

Desconsideradas as alterações de sentido, assinale a alternativa em que a forma verbal entre parênteses PODE SUBSTITUIR o termo destacado, sem que se incorra em erro quanto à concordância verbal.

Alternativas
Q2921239 Português
not valid statement found

Considere o período inicial do texto: Nas viradas de ano, costuma-se fazer muitos votos.

Assinale a alternativa que apresenta outra forma gramaticalmente correta de escrevê-lo, ainda que alterando um pouco o sentido.

Alternativas
Q2918265 Português

Sobre as regras de concordância, assinale o que estiver incorreto.

Alternativas
Q2912938 Português

Leia o texto, a seguir, e responda às questões de 1 a 10.


1 Agências que oferecem serviço eventual de faxineiras. Eletrodomésticos mais práticos e compactos. Co-

2 mida congelada e produtos de higiene mais eficientes e concentrados. Alta expressiva no número de

3 famílias que optam por diaristas. Vale tudo para compensar a escassez de empregadas domésticas men-

4 salistas no Brasil. Cerca de 500 mil mulheres, 10% do total, largaram a profissão entre 2009 e 2011,

5 segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As profissionais que se ocupavam dos afa-

6 zeres domésticos tiveram acesso à educação e optaram por se recolocar em postos de trabalho no setor

7 de comércio e serviços. E o mercado tem respondido com novos serviços e produtos para suprir os hábitos

8 das famílias.

9 De 2000 a 2012, cresceu três vezes e meia o custo de manter uma funcionária na residência, informa a

10 consultoria econômica LCA, com base na inflação oficial. Em 2012, o custo do serviço aumentou 12,8%,

11 quase o dobro da inflação. Para a economista Hildete Pereira de Melo, especializada no estudo do trabalho

12 doméstico, sem a figura da mulher contratada para cuidar da casa, as relações familiares tendem a ser

13 mais igualitárias. As estatísticas, porém, mostram que essa mudança caminha em ritmo lento. “Em alguns

14 lares, filhos e homens ganham mais responsabilidades. Mas, na maioria, é a mulher que fica sobrecarre

15 gada”, afirma Alexandre Fraga, sociólogo do trabalho na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

16 Mas há transformações em curso. Na casa do professor carioca Cosme da Cunha, de 36 anos, a esposa,

17 Marta, tem horários mais apertados e ele é quem dá conta da rotina doméstica e da filha Helena, de 3 anos.

18 Cunha dá banho e alimenta a menina, que depois passa o dia na escola. Os adultos cooperam na faxina

19 pesada de acordo com suas aptidões e tempo livre. “Escolhemos preservar nossa intimidade e segurar

20 as pontas sozinhos. O lado ruim é ficar mais cansado, mas fazemos tudo aproveitando a família reunida”,

21 diz. Para poupar tempo, Cunha apela para a comida congelada e investiu em um congelador avantajado.

22 Lava-louças, aspiradores de pó e até máquinas que passam roupa entram no esforço para cortar o tempo

23 gasto com tarefas domésticas. A expectativa da indústria é de alta de até 30% nas vendas de eletrodo

24 mésticos nos próximos anos. Cresceu também a procura por produtos de limpeza menos agressivos para

25 quem vai manusear. “As donas de casa não investiam em tecnologia porque quem cuidava da limpeza era

26 a empregada. Agora, elas querem fugir das tarefas mais desagradáveis e estão dispostas a pagar mais

27 por isso”, afirma Maribel Suarez, professora do Centro de Estudos em Consumo da Coppead/UFRJ.


(Adaptado de: A CASA sem empregada, ISTOÉ. 9 jan. 2013, p.44-45.)

A palavra “cresceu” aparece duas vezes no texto: na linha 9 e na linha 24. Sobre essa palavra, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q2911542 Português
not valid statement found

Colocando-se no plural o termo àquele, no trecho do texto a seguir, a alternativa em que a concordância, o emprego e a colocação do pronome seguem a norma-padrão da língua é:

O barulho causa um incômodo àqueles que o ____________ como um entrave a seu sentimento de liberdade e se ____________ por manifestações que não ____________ e ____________ são impostas, impedindo- ____________ de repousar e desfrutar sossegadamente de seu espaço.

Alternativas
Q2908907 Português

Pedro da Silva Nava – Pedro Nava –, talvez o mais notável memorialista da literatura brasileira, dedicou-se originalmente à medicina. Graduado em 1928, em Belo Horizonte, o autor de Baú de Ossos fez brilhante carreira acadêmica. Foi Livre-Docente de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da então Universidade do Brasil (atual UFRJ), Catedrático e professor Emérito do Centro de Ciências Biológicas da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), professor Honoris Causa da Faculdade de Medicina de Barbacena. Pioneiro da Reumatologia no Brasil, Nava, certa vez, assim se definiu: “Aprendi e ensino. Para servir, aceitei por três vezes encargos de administração médica - o que é ato heróico... equivalente ao daquele que se dispuser a caminhar descalço num serpentário! Clínico da roça, fui médico, operador e parteiro.”

O texto adiante é uma adaptação de trecho da Introdução do BALANÇO DE ATIVIDADES do primeiro ano de funcionamento da COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE (CNV), criada pela Lei Federal Nº12528/2011. Leia-o, atentamente, e responda a questão proposta.

Dada a especiicidade temática, a CNV ainda têm discutido formas para potencializar as ações já desenvolvidas pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) e a Comissão de Anistia (já foram contratados, por exemplo, consultores que ajudarão a CNV a mapear e sistematizar informações importantes contidas nos processos e acervos da Comissão de Anistia). Da mesma forma, o livro-relatório “Direito à Memória e à Verdade”, publicado em 2007, da CEMDP, e o livro “Habeas Corpus”, da SDH, são referências básicas para a CNV.

No que se refere à concordância verbal, é correto airmar que:
Alternativas
Q2900891 Português

Texto


Idade da informação


Ferreira Gullar


O que move as pessoas a atuar politicamente é a opinião, que, por sua vez, nasce da informação, do conhecimento. É óbvio que, se não sei o que se passa em meu país, não posso ter opinião formada sobre o que deve ser feito para melhorar a sociedade.

Não estou dizendo nada de novo. No passado, em diferentes momentos da história, quem governava era apenas quem tinha poder econômico e, por isso mesmo, mais conhecimento da situação em que viviam. E, na medida em que a educação se ampliou e maior número de pessoas passou a ter conhecimento da realidade social, ampliou-se também a influência da população sobre a vida política. Dessa evolução nasceria a democracia.

[…]

Como explicar as manifestações que ocuparam as ruas nos últimos meses e que, em menor grau, prosseguem por todo o país?

Acredito que esse fenômeno, que a todos surpreendeu, decorre basicamente da quantidade de informações a que têm acesso hoje milhões de pessoas no país, graças à internet. Não é por acaso que manifestações semelhantes têm ocorrido em muitos países, possibilitando a mobilização de verdadeiras multidões.

Veja bem, as causas do descontentamento variam de país a país, os objetivos visados pelos manifestantes também, mas não resta dúvida de que em nenhum outro momento da história tanta gente teve acesso a tanta informação.

Pode ser que estejamos vivendo o início de uma nova etapa da história humana, já que nunca tantas pessoas souberam tanto acerca da sociedade em que vivem. Há que considerar, no entanto, que nem sempre essas informações são verdadeiras e, mesmo quando verdadeiras, podem levar a conclusões nem sempre corretas.

Em suma, esse fenômeno novo, que mobiliza a opinião pública, ainda que signifique um avanço, pode arrastar as pessoas a uma atuação de consequências imprevisíveis. E por quê? Por várias razões, mas uma delas será, certamente, o risco do inconformismo pelo inconformismo, sem objetivos definidos e sem lideranças responsáveis.


Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/ ferreiragullar/2013/08/1327777-idade-da-informacao.shtml, Acesso em 18/08/2013. [Adaptado]

Considere os trechos a seguir.


1. “E, na medida em que a educação se ampliou e maior número de pessoas passou a ter conhecimento da realidade social, ampliou-se também a influência da população sobre a vida política.” (2º parágrafo)

2. “Em suma, esse fenômeno novo, que mobiliza a opinião pública, ainda que signifique um avanço, pode arrastar as pessoas a uma atuação de consequências imprevisíveis.” (7o parágrafo)


Assinale a alternativa correta, considerando a norma padrão da língua portuguesa.

Alternativas
Q2900295 Português

O trecho a seguir é parte de texto publicado no Portal da Saúde do SUS. Leia-o atentamente e responda a questão proposta:

“DIREITOS DOS USUÁRIOS DA SAÚDE”

Elaborada pelo Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Saúde e Comissão Intergestora Tripartite, a Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde se baseia nos seis princípios básicos de cidadania. (…)

De acordo com o primeiro princípio da carta, todo cidadão tem direito ao acesso ordenado e organizado ao sistema de saúde. Assim, fica garantido aos usuários a facilidade de acesso aos postos de saúde, especialmente aos portadores de deiciência, gestantes e idosos.

O segundo e terceiro princípios do documento esclarecem ao cidadão sobre o direito a um tratamento adequado para seu problema de saúde. Também faz referência à necessidade de um atendimento humanizado, acolhedor e livre de qualquer discriminação (preconceito de raça, cor, idade ou orientação sexual, estado de saúde ou nível social). (…)”.

Sobre os trechos sublinhados é correto afirmar que:
Alternativas
Q2889799 Português

Considere o período e as afirmações abaixo.

A adoção de projetos bem elaborados fazem-se necessários para o bem da comunidade.

I. Há um erro de concordância nominal.

II. Há um erro de concordância verbal.

Está correto o que se afirma em

Alternativas
Ano: 2013 Banca: VUNESP Órgão: DCTA Provas: VUNESP - 2013 - DCTA - Tecnologista Pleno - Física de Plasmas | VUNESP - 2013 - DCTA - Tecnologista Júnior - Engenharia Civil | VUNESP - 2013 - CTA - Tecnologista Júnior - Eletrônica | VUNESP - 2013 - CTA - Tecnologista Pleno - Qualidade | VUNESP - 2013 - DCTA - Tecnologista Júnior - Química | VUNESP - 2013 - CTA - Tecnologista Júnior - Mecatrônica | VUNESP - 2013 - DCTA - Tecnologista Pleno - Meteorologia | VUNESP - 2013 - CTA - Tecnologista Júnior - Aeronáutica | VUNESP - 2013 - CTA - Pesquisador Assistente de Pesquisa - Propulsão Hipersônica | VUNESP - 2013 - CTA - Tecnologista Júnior - Engenharia de Telecomunicações | VUNESP - 2013 - CTA - Tecnologista Pleno - Ensaios não Destrutivos | VUNESP - 2013 - CTA - Tecnologista Júnior - Mecânica | VUNESP - 2013 - CTA - Tecnologista Pleno - Aeronáutica | VUNESP - 2013 - CTA - Tecnologista Pleno - Química | VUNESP - 2013 - CTA - Tecnologista Júnior - Qualidade | VUNESP - 2013 - CTA - Tecnologista Pleno - Proteção Radiológica | VUNESP - 2013 - CTA - Tecnologista Pleno - Mecânica | VUNESP - 2013 - CTA - Pesquisador Assistente de Pesquisa - Aerodinâmica | VUNESP - 2013 - CTA - Tecnologista Pleno - Eletrica - Eletrônica | VUNESP - 2013 - CTA - Tecnologista Júnior - Materiais | VUNESP - 2013 - CTA - Tecnologista Pleno - Gerência de Projetos | VUNESP - 2013 - CTA - Tecnologista Júnior - Meteorologia | VUNESP - 2013 - DCTA - Tecnologista Pleno - Normalização Técnica |
Q2889191 Português
    O humor deve visar à crítica, não à graça, ensinou Chico Anysio, o humorista popular. E disse isso quando lhe solicitaram considerar o estado atual do riso brasileiro. Nos últimos anos de vida, o escritor contribuía para o cômico apenas em sua porção de ator, impedido pela televisão brasileira de produzir textos. E o que ele dizia sobre a risada ajuda a entender a acomodação de muitos humoristas contemporâneos. Porque, quando eles humilham aqueles julgados inferiores, os pobres, os analfabetos, os negros, os nordestinos, todos os oprimidos que parece fácil espezinhar, não funcionam bem como humoristas. O humor deve ser o oposto disto, uma restauração do que é justo, para a qual desancar aqueles em condições piores do que as suas não vale. Rimos, isso sim, do superior, do arrogante, daquele que rouba nosso lugar social.
     O curioso é perceber como o Brasil de muito tempo atrás sabia disso, e o ensinava por meio de uma imprensa ocupada em ferir a brutal desigualdade entre os seres e as classes. Ao percorrer o extenso volume da História da Caricatura Brasileira (Gala Edições), compreendemos que tal humor primitivo não praticava um rosário de ofensas pessoais. Naqueles dias, humor parecia ser apenas, e necessariamente, a virulência em relação aos modos opressivos do poder.
    A amplitude dessa obra é inédita. Saem da obscuridade os nomes que sucederam ao mais aclamado dos artistas a produzir arte naquele Brasil, Angelo Agostini. Corcundas magros, corcundas gordos, corcovas com cabeça de burro, todos esses seres compostos em aspecto polimórfico, com expressivo valor gráfico, eram os responsáveis por ilustrar a subserviência a estender- -se pela Corte Imperial. Contra a escravidão, o comodismo dos bem-postos e dos covardes imperialistas, esses artistas operavam seu espírito crítico em jornais de todos os cantos do País.

(Carta Capital.13.02.2013. Adaptado)

Assinale a alternativa que reescreve, de acordo com a concordância e a pontuação, a frase – Saem da obscuridade os nomes que sucederam ao mais aclamado dos artistas a produzir arte naquele Brasil, Angelo Agostini.

Alternativas
Q2875496 Português

As questões de 01 a 10 referem-se ao texto a seguir.


Vergonha à brasileira

Matheus Pichonelli


Veio de um usuário do Twitter um dos “melhores” comentários feitos até agora sobre a gritaria

em torno da vinda dos médicos estrangeiros (leia-se cubanos) ao Brasil. “Médico estrangeiro é

3 populismo. Tem que voltar a política de deixar morrer”.

Populismo, oportunismo, escravidão (?). Enquanto médicos, fariseus e doutores da lei tentam

filtrar os mosquitos, uma fila de camelos é engolida nos rincões fora da rota turística do País.

6 Em outras palavras, as pessoas seguem morrendo, sem que mereçam um franzir de testa de

quem parece disposto a armar uma Intifada1 contra o programa Mais Médicos.

Segundo mapeamento do governo, existem hoje 701 cidades no País sem um único médico a

9 postos. Sabe quantos brasileiros demonstraram, em chamada recente, interesse em trabalhar

nesses municípios? Zero. Nesses lugares, falta o básico do básico, conforme mostrou o

repórter Gabriel Bonis em sua visita a Sítio do Quinto, município do interior baiano onde a

12 população não tem para onde correr em caso de emergência (o caso mais simbólico foi a

morte, testemunhada por uma técnica em enfermagem e um vigia, de um homem que levou

uma facada e não pôde ser atendido porque não havia médico de plantão). Não estamos

15 falando de cirurgia de alta complexidade, mas de carência humana, cuja atuação garantiria o

tratamento mínimo para problemas mínimos como diarreia, gripe ou ferimentos leves, que

neste diapasão de interesses e serviços se transformam em tragédias diárias e

18 desproporcionais.

Tragédias que parecem não comover quem, de antemão, diz se sentir envergonhado pela leva

de navios negreiros a aportar por aqui atolados de médicos dispostos a nivelar por baixo a

21 medicina brasileira. Pois Jean Marie Le-Pen, o líder ultradireitista francês, de xenofobia

desavergonhada, seria capaz de corar ao ver a reação dos médicos brasileiros, de maioria

branca, que hostilizaram, vaiaram e chamaram de “escravos” os colegas cubanos, de maioria

24 negra, durante um curso de preparação em Fortaleza. O protesto, organizado pelo Sindicato

dos Médicos do Ceará, foi talvez o estágio mais alto de uma ofensiva que já teve até

presidente de conselho regional de medicina pregando, como num culto, o boicote aos

27 camaradas estrangeiros. Os manifestantes, que provavelmente se divertem ainda hoje com a

herança colonial supostamente encerrada por uma lei - não coincidentemente - denominada

Áurea, talvez inovassem a rebelião contra o estado das coisas no período anterior a 1888. O

30 método consiste em cuspir no escravo para manifestar uma repulsa fajuta à escravatura.

Parece um método pouco inteligente para quem levou seis anos para retirar o diploma. Não

cola.

33 O episódio mostra que, até mesmo quando se trata de salvar a vida humana, a vida humana é

contagiada pela mais devastadora das doenças: a ignorância d e quem enxerga o mundo entre

o certo e o errado e nada mais entre uma ponta e outra. A ignorância, neste caso, parece

36 desnudar um resquício de desumanidade presente em um dos últimos bolsões de um elitismo

pré-colonial. Um elitismo que tolera o esquecimento e a omissão, mas esperneia ao menor

sinal de desprestígio, este galgado longe, bem longe, dos salões onde mais se precisa de

39 médicos. Onde o jaleco se suja de terra ao fim do expediente.

A opção de ficar nos grandes centros é, de certo modo, compreensível. Não se discute as

fragilidades de um programa de emergência. Seria pouco razoável, por exemplo, negar a

42 ausência de uma estrutura adequada para a atuação de quaisquer médicos pelo interior do

País. Seria pouco razoável também negar a dificuldade para amarrar juridicamente um

contrato de trabalho que prevê a triangulação entre países (um deles, bem pouco afeito à

45 transparência) para remunerar o trabalhador. Não se nega ainda a necessidade de se regular

a atuação desse médico conforme o tamanho de sua responsabilidade. Não se discute a

necessidade de se validar diplomas com base em um critério honesto que não tenha como

48 finalidade a reserva de mercado. Da mesma forma, seria razoável (ou deveria ser) supor que a

urgência para a garantia de atendimento básico preceda os ajustes de rota – estes facilmente

remediados com boa vontade, o que não é o caso de uma vida por um fio.

51 Mas, para boa parte dos ativistas de ocasião, cruzar os braços diante da suposta politicagem,

do suposto populismo, do suposto oportunismo e do suposto navio negreiro é mais nobre do

que atacar o problema real. Parecem a versão remodelada da conferência das aranhas do

54 conto A Sereníssima República, de Machado de Assis. É a mais perfeita alegoria de nossa

incompetência histórica: “Uns entendem que a aranha deve fazer as teias com fios retos, é o

partido retilíneo; outros pensam, ao contrário, que as teias devem ser trabalhadas com fios

57 curvos, - é o partido curvilíneo. Há ainda um terceiro partido, misto e central, com este

postulado: as teias devem ser urdidas de fios retos e fios curvos; é o partido reto-curvilíneo; e

finalmente, uma quarta divisão política, o partido anti-reto-curvilíneo, que fez tábua rasa de

60 todos os princípios litigantes, e propõe o uso de umas teias urdidas de ar, obra transparente e

leve, em que não há linhas de espécie alguma”.

Nessa conferência, a discussão gira em torno dos símbolos atribuídos a uma mesma teia. O

63 imobilismo é o único resultado da gritaria.

Como as aranhas de Machado de Assis, preferimos discutir o sexo dos anjos em vez de atingir

o cerne de uma questão urgente: o abandono de uma parte considerável da população. Seria

66 razoável que elas estivessem no centro do debate. Mas a razoabilidade é um objeto raro

quando a ala (sempre em tese) mais esclarecida do País tem como um cartão de visita a vaia,

a arrogância e a agressão.


http://www.cartacapital.com.br/saude/vergonha-a-brasileira-8881.html. [adaptado]


1. Rebelião popular palestina contra as forças de ocupação de Israel na faixa de Gaza e na Cisjordânia.

As questões 07 e 08 referem-se ao período a seguir.


Enquanto médicos, fariseus e doutores da lei tentam filtrar os mosquitos, uma fila de camelos é engolida nos rincões fora da rota turística do País.


No período, há uma relação de simultaneidade. Para essa relação manter-se, os verbos devem ser flexionados

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Q2857543 Português
Texto

Marcha noturna


Então Deus puniu a minha loucura e soberba; e quando desci ruelas escuras e desabei do castelo sobre aldeia, meus sapatos faziam nas pedras irregulares um ruído alto. Sentia-me um cavalo cego. Perto era tudo escuro; mas adivinhei o começo da praça pelo perfil indeciso dos telhados negros no céu noturno.

De repente a ladeira como que encorcovou sob meus pés, não era mais eu o cavalo, eu montava de pé um cavalo de pedras, ele galopava rápido para baixo.

Por milagre não caí, rolei vertical até desembocar no largo vazio; mas então divisei uma pequena luz além. O homem da hospedaria me olhou com o mesmo olhar de espanto e censura com que os outros me receberiam – como se eu fosse um paraquedista civil lançado no bojo da noite para inquietar o sono daquela aldeia.

– Só tenho seis quartos e estão todos cheios; eu e outro homem vamos dormir na sala; aqui o senhor não pode ficar de maneira alguma.

Disse-me que, dobrando à esquerda, além do cemitério, havia uma casa cercada de árvores; não era pensão mas às vezes colhiam alguém. Fui lá, bati palmas tímidas, gritei, passei o portão, dei murros na porta, achei uma aldraba de ferro, bati-a com força, ninguém lá dentro tugiu nem mugiu. Apenas o vento entre árvores gordas fez um sussurro grosso, como se alguns velhos defuntos aldeões, atrás do muro do cemitério, estivessem resmungando contra mim.

Havia outra esperança, e marchei entre casas fechadas; mas, ao cabo da marcha, o que me recebeu foi a cara sonolenta de um homem que me desanimou com monossílabos secos. Lugar nenhum; e só a muito custo, e já inquieto porque eu não arredava da porta que ele queria fechar, me indicou outro pouso. Fui – e esse nem me abriu a porta, apenas uma voz do buraco escuro de uma alta janela me mandou embora.

“Não há nesta aldeia de cristãos um homem honesto que me dê pouso por uma noite? Não há sequer uma mulher desonesta?” Assim bradei, em vão. Então, como longe passasse um zumbido de aeroplano, me pus a considerar que o aviador assassino que no fundo das madrugadas arrasa com uma bomba uma aldeia adormecida – faz, às vezes, uma coisa simpática. Mas reina a paz em todas estas varsóvias escuras; amanhã pela manhã toda essa gente abrirá suas casas e sairá para a rua com um ar cínico e distraído, como se fossem pessoas de bem.

Não há um carro, um cavalo nem canoa que me leve a parte alguma. Ando pelo campo; mas a noite se coroou de estrelas. Então, como a noite é bela, e como de dentro de uma casinha longe vem um choro de criança, eu perdoo o povo de França. Marcho entre macieiras silvestres; depois sinto que se movem volumes brancos e escuros, são bois e vacas; ando com prazer nessa planura que parece se erguer lentamente, arfando suave, para o céu de estrelas. Passa na estrada um homem de bicicleta. Para um pouco longe de mim, meio assustado, e pergunta se preciso de alguma coisa. Digo-lhe que não achei onde dormir, estou marchando para outra aldeia. Não lhe peço nada, já não me importa dormir, posso andar por essa estrada até o sol me bater na cara.

Ele monta na bicicleta, mas depois de alguns metros volta. Atrás daquele bosque que me aponta passa a estrada de ferro, e ele trabalha na estaçãozinha humilde: dentro de duas horas tenho um trem.

Lá me recebe pouco depois, como um grã-senhor: no fundo do barracão das bagagens já me arrumou uma cama de ferro; não tem café, mas traz um copo de vinho.

Já não quero mais dormir; na sala iluminada, onde o aparelho do telégrafo faz às vezes um ruído de inseto de metal, vejo trabalhar esse pequeno funcionário calvo e triste – e bebo em silêncio à saúde de um homem que não teme nem despreza outro homem.


(Rubem Braga. – 200 crônicas escolhidas. 31ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010.)
As frases transcritas do texto apresentam as formas verbais flexionadas no mesmo tempo, EXCETO:
Alternativas
Q2857541 Português
Texto

Marcha noturna


Então Deus puniu a minha loucura e soberba; e quando desci ruelas escuras e desabei do castelo sobre aldeia, meus sapatos faziam nas pedras irregulares um ruído alto. Sentia-me um cavalo cego. Perto era tudo escuro; mas adivinhei o começo da praça pelo perfil indeciso dos telhados negros no céu noturno.

De repente a ladeira como que encorcovou sob meus pés, não era mais eu o cavalo, eu montava de pé um cavalo de pedras, ele galopava rápido para baixo.

Por milagre não caí, rolei vertical até desembocar no largo vazio; mas então divisei uma pequena luz além. O homem da hospedaria me olhou com o mesmo olhar de espanto e censura com que os outros me receberiam – como se eu fosse um paraquedista civil lançado no bojo da noite para inquietar o sono daquela aldeia.

– Só tenho seis quartos e estão todos cheios; eu e outro homem vamos dormir na sala; aqui o senhor não pode ficar de maneira alguma.

Disse-me que, dobrando à esquerda, além do cemitério, havia uma casa cercada de árvores; não era pensão mas às vezes colhiam alguém. Fui lá, bati palmas tímidas, gritei, passei o portão, dei murros na porta, achei uma aldraba de ferro, bati-a com força, ninguém lá dentro tugiu nem mugiu. Apenas o vento entre árvores gordas fez um sussurro grosso, como se alguns velhos defuntos aldeões, atrás do muro do cemitério, estivessem resmungando contra mim.

Havia outra esperança, e marchei entre casas fechadas; mas, ao cabo da marcha, o que me recebeu foi a cara sonolenta de um homem que me desanimou com monossílabos secos. Lugar nenhum; e só a muito custo, e já inquieto porque eu não arredava da porta que ele queria fechar, me indicou outro pouso. Fui – e esse nem me abriu a porta, apenas uma voz do buraco escuro de uma alta janela me mandou embora.

“Não há nesta aldeia de cristãos um homem honesto que me dê pouso por uma noite? Não há sequer uma mulher desonesta?” Assim bradei, em vão. Então, como longe passasse um zumbido de aeroplano, me pus a considerar que o aviador assassino que no fundo das madrugadas arrasa com uma bomba uma aldeia adormecida – faz, às vezes, uma coisa simpática. Mas reina a paz em todas estas varsóvias escuras; amanhã pela manhã toda essa gente abrirá suas casas e sairá para a rua com um ar cínico e distraído, como se fossem pessoas de bem.

Não há um carro, um cavalo nem canoa que me leve a parte alguma. Ando pelo campo; mas a noite se coroou de estrelas. Então, como a noite é bela, e como de dentro de uma casinha longe vem um choro de criança, eu perdoo o povo de França. Marcho entre macieiras silvestres; depois sinto que se movem volumes brancos e escuros, são bois e vacas; ando com prazer nessa planura que parece se erguer lentamente, arfando suave, para o céu de estrelas. Passa na estrada um homem de bicicleta. Para um pouco longe de mim, meio assustado, e pergunta se preciso de alguma coisa. Digo-lhe que não achei onde dormir, estou marchando para outra aldeia. Não lhe peço nada, já não me importa dormir, posso andar por essa estrada até o sol me bater na cara.

Ele monta na bicicleta, mas depois de alguns metros volta. Atrás daquele bosque que me aponta passa a estrada de ferro, e ele trabalha na estaçãozinha humilde: dentro de duas horas tenho um trem.

Lá me recebe pouco depois, como um grã-senhor: no fundo do barracão das bagagens já me arrumou uma cama de ferro; não tem café, mas traz um copo de vinho.

Já não quero mais dormir; na sala iluminada, onde o aparelho do telégrafo faz às vezes um ruído de inseto de metal, vejo trabalhar esse pequeno funcionário calvo e triste – e bebo em silêncio à saúde de um homem que não teme nem despreza outro homem.


(Rubem Braga. – 200 crônicas escolhidas. 31ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010.)
Observe: “Lá me recebe pouco depois, como um grã-senhor...” (10º§). A palavra em destaque faz o plural da mesma forma que
Alternativas
Q2755386 Português

Texto 2

Fisioterapia
É o conjunto de técnicas usadas no tratamento e na prevenção de doenças e lesões. O fisioterapeuta previne, diagnostica e trata disfunções do organismo humano causadas por acidentes, má- formação genética ou vício de postura. Para isso, usa métodos como massagem e ginástica, com a finalidade de restaurar e desenvolver a capacidade física e funcional do paciente. Também faz tratamentos à base de água, calor, frio e aparelhos especiais. Além de ajudar na recuperação de pacientes acidentados e portadores de distúrbios neurológicos, cardíacos ou respiratórios, trabalha com idosos, gestantes, crianças e portadores de deficiência física ou mental. Pode atuar em clubes esportivos, hospitais, centros de reabilitação e em clínicas de fisioterapia e ortopedia. Em empresas, trabalha com a prevenção de acidentes de trabalho e com a correção postural dos funcionários. Em escolas, corrige e orienta a postura de crianças, jovens e adultos.
A preocupação com a saúde e o bem-estar mantém aquecido o mercado para o fisioterapeuta. Atividades como pilates, a área estética, com tratamentos corporais, e fisioterapia esportiva abrem ainda mais chancesde trabalho. Mas o setor que mais demanda profissionais é o hospitalar. Nele, o profissional faz atendimento intensivo a pacientes. Para isso, precisa dominar conhecimentos e técnicas nas áreas respiratória, neurológica e musculoesquelética. Embora não exista obrigatoriedade, o Programa Saúde da Família, em muitos estados brasileiros, já tem um fisioterapeuta em suas equipes de atendimento, o que aumenta o número de vagas. Outros nichos, como a geriatria e saúde do trabalho, também oferecem boas oportunidades. A Região Sudeste concentra o maior número de vagas e os melhores salários, mas a concorrência é grande. Mais fácil é conseguir trabalho no Norte e Nordeste, regiões carentes de profissionais.

(www.guiadoestudante.abril.com.br)

No trecho “... A preocupação com a saúde e o bem-estar mantém aquecido o mercado para o fisioterapeuta...”, o emprego da forma verbal no singular se justifica pela concordância com o núcleo:

Alternativas
Q2755377 Português

Texto 1

A Terapia Ocupacional (TO) é uma profissão da área da saúde, mas com inserção nas áreas da educação e social, cujo foco principal é a atividade humana. Busca a promoção do desenvolvimento, o tratamento e a reabilitação de pessoas de qualquer idade que tenham o seu desempenho e/ou convivência afetados por problemas motores, cognitivos, emocionais e de inserção social.

Um dos pilares da profissão é a utilização das diferentes propriedades presentes nas atividades humanas como recurso terapêutico para desenvolver, restaurar ou ampliar as capacidades funcionais das pessoas. O objetivo de sua ação é encontrar meios para que as pessoas alcancem sua autonomia, independência e utilizem ao máximo suas potencialidades.

Para alcançar esses objetivos, muitas vezes o terapeuta ocupacional promove a adaptação de utensílios e de mobiliário, mudanças no ambiente doméstico e/ou de trabalho, treinamento funcional, treinamento das atividades da vida diária, orientação a cuidadores familiares e a prescrição e confecção de órteses.

No conjunto de ações da Terapia Ocupacional, estão ações de prevenção, promoção e reabilitação, com enfoque biopsicossocial. O mercado de trabalho dos terapeutas ocupacionais é variado e com crescimento da oferta de emprego nas diferentes áreas de atuação.

Entre as possibilidades de atuação da Terapia Ocupacional, podem-se destacar hospitais, clínicas, centros de reabilitação, ambulatórios, hospitais psiquiátricos, hospitais-dia, centros de atenção psicossocial, unidades básicas de saúde, unidades de saúde da família, escolas, creches, asilos, empresas, oficinas terapêuticas e profissionalizantes, UTIs e enfermarias, entre outras.

(www.vunesp.com.br)

Entre os trechos abaixo apresentados, aquele em que o verbo poderia ser empregado no singular é:

Alternativas
Q2747726 Português

Apenas uma, das alternativas a seguir, apresenta desvio em relação à Concordância Verbal, conforme propõe a Norma Culta. Indique tal alternativa:

Alternativas
Q2723229 Português

Leia o texto que se segue e responda às questões de 1 a 10.


Degraus da ilusão


01 Fala-se muito na ascensão das classes menos favorecidas, formando uma “nova classe média”,

02 realizada por degraus que levam a outro patamar social e econômico (cultural, não ouço falar). Em teoria, seria

03 um grande passo para reduzir a catastrófica desigualdade que aqui reina.

04 Porém receio que, do modo como está se realizando, seja uma ilusão que pode acabar em sérios

05 problemas para quem mereceria coisa melhor. Todos desejam uma vida digna para os despossuídos, boa

06 escolaridade para os iletrados, serviços públicos ótimos para a população inteira, isto é, educação, saúde,

07 transporte, energia elétrica, segurança, água, e tudo de que precisam cidadãos decentes.

08 Porém, o que vejo são multidões consumindo, estimuladas a consumir como se isso constituísse um bem

09 em si e promovesse real crescimento do país. Compramos com os juros mais altos do mundo, pagamos os

10 impostos mais altos do mundo e temos os serviços (saúde, comunicação, energia, transportes e outros) entre

11 os piores do mundo. Mas palavras de ordem nos impelem a comprar, autoridades nos pedem para consumir,

12 somos convocados a adquirir o supérfluo, até o danoso, como botar mais carros em nossas ruas atravancadas

13 ou em nossas péssimas estradas.

14 Além disso, a inadimplência cresce de maneira preocupante, levando famílias que compraram seu carrinho

15 a não ter como pagar a gasolina para tirar seu novo tesouro do pátio no fim de semana. Tesouro esse que logo

16 vão perder, pois há meses não conseguem pagar as prestações, que ainda se estendem por anos.

17 Estamos enforcados em dívidas impagáveis, mas nos convidam a gastar ainda mais, de maneira

18 impiedosa, até cruel. Em lugar de instruírem, esclarecerem, formarem uma opinião sensata e positiva, tomam

19 novas medidas para que esse consumo insensato continue crescendo – e, como somos alienados e pouco

20 informados, tocamos a comprar.

21 Sou de uma classe média em que a gente crescia com quatro ensinamentos básicos: ter seu diploma, ter

22 sua casinha, ter sua poupança e trabalhar firme para manter e, quem sabe, expandir isso. Para garantir uma

23 velhice independentemente de ajuda de filhos ou de estranhos; para deixar aos filhos algo com que pudessem

24 começar a própria vida com dignidade.

25 Tais ensinamentos parecem abolidos, ultrapassadas a prudência e a cautela, pouco estimulados o desejo

26 de crescimento firme e a construção de uma vida mais segura. Pois tudo é uma construção: a vida pessoal, a

27 profissão, os ganhos, as relações de amor e amizade, a família, a velhice (naturalmente tudo isso sujeito a

28 fatalidades como doença e outras, que ninguém controla). Mas, mesmo em tempos de fatalidade, ter um pouco

29 de economia, ter uma casinha, ter um diploma, ter objetivos certamente ajuda a enfrentar seja o que for.

30 Podemos ser derrotados, mas não estaremos jogados na cova dos leões do destino, totalmente desarmados.

31 Somos uma sociedade alçada na maré do consumo compulsivo, interessada em “aproveitar a vida”, seja o

32 que isso for, e em adquirir mais e mais coisas, mesmo que inúteis, quando deveríamos estar cuidando, com

33 muito afinco e seriedade, de melhores escolas e universidades, tecnologia mais avançada, transportes muito

34 mais eficientes, saúde excelente, e verdadeiro crescimento do país. Mas corremos atrás de tanta conversa vã,

35 não protegidos, mas embaixo de peneiras com grandes furos, que só um cego ou um grande tolo não vê.

36 A mais forte raiz de tantos dos nossos males é a falta de informação e orientação, isto é, de educação. E o

37 melhor remédio é investir fortemente, abundantemente, decididamente, em educação: impossível repetir isso

38 em demasia. Mas não vejo isso como nossa prioridade.

39 Fosse o contrário, estaríamos atentos aos nossos gastos e aquisições, mais interessados num crescimento

40 real e sensato do que em itens desnecessários em tempos de crise. Isso não é subir de classe social: é

41 saracotear diante de uma perigosa ladeira. Não tenho ilusão de que algo mude, mas deixo aqui meu quase

42 solitário (e antiquado) protesto.


LUFT, Lya. Degraus da ilusão. Disponível em http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/lya-luft-vejo-multidoes-consumindo-estimuladas-a-consumircomo-se-isso-constituisse-um-bem-em-si-e-promovesse-real-crescimento-do-pais-isso-nao-e-subir-de-classe-social/. Acesso em 01 de setembro de 2013.

Quanto à concordância do vocábulo ‘estimuladas’ em “são multidões consumindo, estimuladas a consumir como se isso constituísse um bem em si e promovesse real crescimento do país” (linhas 08 e 09), é CORRETO afirmar que se trata de

Alternativas
Q1665699 Português


Francisco Rüdiger. As teorias da comunicação. Porto

Alegre: Penso, 2011, p. 122-3 (com adaptações).

Julgue o item subsecutivo, relativo às ideias e estruturas linguísticas do texto acima.


Se a frase “tornando-a solitária, técnica, fria e impessoal” (l.13-14) fosse substituída por tornando-o solitário, técnico, frio e impessoal, a correção gramatical do texto seria mantida, e a alteração facultaria ao leitor atribuir ao “mundo” (l.13) ou ao “homem” (l.12) as qualidades relacionadas a solidão, tecnicidade, frieza e impessoalidade.

Alternativas
Q1665696 Português


Francisco Rüdiger. As teorias da comunicação. Porto

Alegre: Penso, 2011, p. 122-3 (com adaptações).

Julgue o item subsecutivo, relativo às ideias e estruturas linguísticas do texto acima.


O texto permaneceria gramaticalmente correto se a forma verbal “teve” (l.10) fosse flexionada no plural — tiveram —, caso em que estaria concordando com os segmentos “da escrita” (l.9) e “das técnicas de impressão” (R.10).

Alternativas
Respostas
8601: E
8602: C
8603: A
8604: D
8605: B
8606: B
8607: B
8608: A
8609: B
8610: C
8611: C
8612: C
8613: B
8614: A
8615: C
8616: A
8617: C
8618: C
8619: C
8620: E