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Questões de Concurso Comentadas sobre concordância verbal, concordância nominal em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 8.389 questões

Q2038937 Português

Uma das coisas mais inteligentes que um homem e uma mulher podem saber é saber que não sabem. Aliás, só é possível caminhar em direção à excelência se você souber que não sabe algumas coisas. Pior do que não saber é fingir que sabe. Quando você finge que sabe, impede um planejamento adequado, uma ação coletiva eficaz. Por isso, a expressão “não sei” é um sinal de inteligência. Gente que não tem dúvida não é capaz de inovar, de reinventar, não é capaz de fazer de outro modo; só é capaz de repetir. Claro, você não pode ser alguém que só tem dúvidas, mas não tê-las é sinal de tolice. “Será que estou fazendo do melhor modo? Da maneira mais correta? Será que estou fazendo aquilo que deve e pode ser feito?” 

    Só seres que arriscam erram. Não confunda erro com negligência, desatenção e descuido. Ser capaz de arriscar é uma das coisas mais inteligentes para mudar. Quem inventou a lâmpada elétrica de corrente contínua foi Thomas Edison, sabemos. O que nem sempre se tem ideia é que ele fez 1.430 experiências antes de chegar à lâmpada que deram errado. Ele inclusive registrou: inventei 1.430 modos de não fazer a lâmpada. Porque é muito importante também saber o que não fazer. Ele aprendeu que o fracasso não acontece quando se erra, mas quando se desiste face ao erro.

       Num mundo competitivo, para caminhar para a excelência é preciso fazer o melhor, no lugar de, vez ou outra, contentar-se com o possível. E isso exige humildade e exige que coloquemos em dúvida as práticas que já tínhamos. Só quem acha que já sabe acaba caindo na armadilha perigosa que é não dar passos adiante.

       Qual o contrário de humildade? Arrogância. Gente arrogante é gente que acha que já sabe, que não precisa aprender, que costuma dizer: “Há dois modos de fazer as coisas, o meu ou o errado. Escolha você”. Arrogância é um perigo porque ela altera inclusive a nossa capacidade de aprender com o outro, de entrar em sintonia. Bons músicos não fazem uma boa orquestra a menos que eles tenham sintonia. E essa sintonia vem quando as pessoas respeitam a atividade que o outro faz e querem atuar de forma integrada. Se há uma coisa que liquida uma orquestra é arrogância.

        Por que com empresa seria diferente?


CORTELLA, M. S. Qual é a tua obra? Inquietações propositivas sobre

gestão, liderança e ética. 11. ed. p. 28-31. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010. Adaptado.


Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ), com base no texto.
( ) Na primeira frase do texto, a forma verbal “é” pode ser substituída por “são”, em concordância verbal com o sujeito composto, de acordo com a norma culta da língua. ( ) As palavras “excelência”, “possível” e “contínua” seguem a mesma regra de acentuação gráfica: são paroxítonas terminadas em ditongo crescente. ( ) As palavras “dúvida”, “lâmpada”, “elétrica” e “tínhamos” seguem a mesma regra de acentuação gráfica: são proparoxítonas. ( ) A construção “mas não tê-las é sinal de tolice” (1º  parágrafo) pode ser reescrita, em conformidade com a norma culta da língua, como “mas não as ter é sinal de tolice”. ( ) Em “Será que estou fazendo aquilo que deve e pode ser feito?” (1º  parágrafo), as formas verbais “deve” e “pode” significam, respectivamente, possibilidade e obrigatoriedade.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q2034627 Português
Assinale a alternativa cuja palavra sublinhada está ERRADA quanto à concordância nominal ou verbal.
Alternativas
Q2034625 Português
Há palavras que mudam de significado conforme seu gênero, como se observa nestes exemplos:
- O língua (intérprete): “Pedro era o língua do grupo”. - A língua (músculo do aparelho digestivo; idioma): “Tomei café quente e queimei a língua”.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas dos períodos seguintes:
- “Hoje cedo, ___ rádio noticiou o acidente”. - “O delegado informou que prenderam ____ cabeça da quadrilha”. - “Após a derrota, o técnico precisa concentrar esforços para elevar novamente ____ moral dos jogadores”. - “A cozinheira pediu mais ____________ gramas de queijo para completar a receita”. 
Alternativas
Q2032687 Português
Como as redes sociais têm incentivado a adoção de
jovens “esquecidos” nos abrigos

     “Eu olhei aquela foto, depois cliquei no vídeo e senti que ela já era a minha filha, que eu sempre fui a mãe dela e que a gente só estava separada.” A operadora de telemarketing Eliene Cristina Magalhães, de 28 anos, e o marido, o jornalista e servidor público Carlos Pierre, de 31, viam a menina se movimentar em frente ___ câmera, sorrir, abraçar e “trocar a fralda de uma bonequinha”. “Apesar das limitações que ela tem, é uma criança muito doce e pode completar sua família”, sugeriam a voz e as legendas em um vídeo de 1 minuto e 28 segundos que assistiam em casa, em Uberlândia, Minas Gerais - e que aproximariam surpreendentemente as vidas dos três.
     Eliene não esquece: seus olhos estavam fixados em Camili. Diagnosticada com deficiência mental moderada, a menina morava ___ mais de 1.000km de distância, em Viana, no Espírito Santo. Estava em meio a milhares de crianças e adolescentes brasileiros na fila de adoção, ___ espera de uma chance que parecia não chegar nunca.
     Camili tinha 12 anos. Viu os irmãos mais novos serem adotados enquanto ela continuava esperando. A foto e o vídeo da menina, postados cerca de quatro meses antes, apareciam em uma página de internet do Tribunal de Justiça do Espírito Santo e no canal do Tribunal no YouTube. “Eu vi e comecei a sonhar.”, recorda Eliene. Menos de dois meses depois, ela e o marido foram buscá-la.
     A adoção de Camili foi possível graças à aposta das Varas da Infância e Adolescência no Brasil em usar redes sociais e outras plataformas online para dar cara e “voz” a crianças e adolescentes que estavam fora do radar da maioria dos possíveis pais e mães no país. Aproximadamente 90% dos que estão no Cadastro Nacional de Adoção (CNA) em busca de um filho se mostram abertos apenas a crianças com menos de oito anos. Cerca de 60% não querem adotar irmãos, e um percentual parecido só está interessado em levar a criança para casa se ela for saudável. Esse não era o perfil de Camili e não é o de mais da metade das crianças que estão hoje no Cadastro.
     “O programa que estamos desenvolvendo é voltado para as crianças e adolescentes que estão no cadastro, todavia, sem pretendentes. Elas são de difícil colocação em uma família adotiva e suas informações não eram sequer acessadas (por potenciais adotantes do cadastro)”, diz a juíza Helia Viegas. Por meio do Projeto Família, de autoria da psicóloga Maria Tereza Vieira de Figueiredo, a Comissão estadual compartilha fotos e os anseios dos que aceitam participar da campanha (com autorização judicial para isso). O conteúdo produzido fica, por enquanto, em sua página no Facebook. Se conseguirem aparato técnico, o que tentam viabilizar por meio de parcerias, por falta de recursos, o plano é produzir vídeos e usar o Instagram para reforçar a divulgação. “Uma coisa é ter os dados frios. Outra é conhecer mais sobre eles. Aí, o mundo se transforma”.
https://g1.globo.com/olha-que-legal/noticia/... - adaptado
No título do texto, “Como as redes sociais têm incentivado a adoção de jovens ‘esquecidos’ nos abrigos”, ao se passar a palavra sublinhada para o singular, quantas outras alteração são obrigatórias nesse trecho (não se considerando o termo sublinhado) para fins de concordância?
Alternativas
Q2030383 Português
O que é Análise do Discurso?

A Análise do Discurso (ou Análise de Discursos) é uma ciência que consiste em analisar a estrutura de um texto e, a partir disto, compreender as construções ideológicas presentes no mesmo. O discurso em si é a construção linguística junto ao contexto social onde o texto se desenvolve. Ou seja, as ideologias presentes em um discurso são diretamente construídas e influenciadas pelo contexto políticosocial em que o seu autor está inserido. Mais que uma análise textual, a análise do discurso é uma análise contextual da estrutura discursiva em questão. Para Focault, um texto só pode ser assim chamado se o receptor for capaz de compreender o seu sentido, e isto cabe ao autor do texto e à atenção que o mesmo der ao contexto da construção de seu discurso. Isso tem relação direta com os princípios básicos da comunicação verbal: emissão, recepção e compreensão. Uma das vertentes da análise do Discurso é o discurso estético, que se dá através de imagens, influenciando o indivíduo através de sua sensibilidade, que também está ligada ao seu contexto. A sensibilidade do ser é definida a partir do que se considera importante pelos anos de sua vida. Além disso, o discurso estético tem a mesma capacidade ideológica que o discurso verbal, porém, devido à sensibilidade deste formato discursivo, pode-se atingir muito mais rapidamente e assertivamente o sucesso do discurso aplicado. Depois dessa análise, podemos citar o mais importante desse estudo: o sentido. O sentido do discurso não é fixo. Ele muda em função do contexto, da estética, da ordem do discurso e da sua forma de construção. O sentido do discurso é sempre determinado pela interpretação do receptor e sua finalidade é transmitir uma mensagem que alcance seu objetivo, mesmo que esse dependa da interpretação do receptor.

(Disponível em: www.editoracontexto.com.br)
Com base no texto 'O que é Análise do Discurso?', leia as afirmativas a seguir:
I. O sentido do discurso é algo construído na relação com o outro e muda em função do contexto, da estética, da ordem do discurso e da sua forma de construção. Por conseguinte, é sempre determinado pela interpretação do receptor.
II. No trecho “Uma das vertentes da análise do Discurso é o discurso estético...”, a concordância verbal foi realizada devidamente, assim como no exemplo: “Tanto o texto quanto o discurso apresenta forma e função, além de ser atravessados pelo horizonte social”.
Marque a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q2030381 Português
O que é Análise do Discurso?

A Análise do Discurso (ou Análise de Discursos) é uma ciência que consiste em analisar a estrutura de um texto e, a partir disto, compreender as construções ideológicas presentes no mesmo. O discurso em si é a construção linguística junto ao contexto social onde o texto se desenvolve. Ou seja, as ideologias presentes em um discurso são diretamente construídas e influenciadas pelo contexto políticosocial em que o seu autor está inserido. Mais que uma análise textual, a análise do discurso é uma análise contextual da estrutura discursiva em questão. Para Focault, um texto só pode ser assim chamado se o receptor for capaz de compreender o seu sentido, e isto cabe ao autor do texto e à atenção que o mesmo der ao contexto da construção de seu discurso. Isso tem relação direta com os princípios básicos da comunicação verbal: emissão, recepção e compreensão. Uma das vertentes da análise do Discurso é o discurso estético, que se dá através de imagens, influenciando o indivíduo através de sua sensibilidade, que também está ligada ao seu contexto. A sensibilidade do ser é definida a partir do que se considera importante pelos anos de sua vida. Além disso, o discurso estético tem a mesma capacidade ideológica que o discurso verbal, porém, devido à sensibilidade deste formato discursivo, pode-se atingir muito mais rapidamente e assertivamente o sucesso do discurso aplicado. Depois dessa análise, podemos citar o mais importante desse estudo: o sentido. O sentido do discurso não é fixo. Ele muda em função do contexto, da estética, da ordem do discurso e da sua forma de construção. O sentido do discurso é sempre determinado pela interpretação do receptor e sua finalidade é transmitir uma mensagem que alcance seu objetivo, mesmo que esse dependa da interpretação do receptor.

(Disponível em: www.editoracontexto.com.br)
Com base no texto 'O que é Análise do Discurso?', leia as afirmativas a seguir:
I. No trecho “Uma das vertentes da análise do Discurso é o discurso estético...”, a concordância verbal foi realizada devidamente, assim como no exemplo: “Nas enunciações existe tantos sentidos quanto os diversos contextos em que elas aparecem”.
II. A Análise do Discurso não se detém apenas ao exame de textos escritos e orais.
Marque a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q2030380 Português
O que é Análise do Discurso?

A Análise do Discurso (ou Análise de Discursos) é uma ciência que consiste em analisar a estrutura de um texto e, a partir disto, compreender as construções ideológicas presentes no mesmo. O discurso em si é a construção linguística junto ao contexto social onde o texto se desenvolve. Ou seja, as ideologias presentes em um discurso são diretamente construídas e influenciadas pelo contexto políticosocial em que o seu autor está inserido. Mais que uma análise textual, a análise do discurso é uma análise contextual da estrutura discursiva em questão. Para Focault, um texto só pode ser assim chamado se o receptor for capaz de compreender o seu sentido, e isto cabe ao autor do texto e à atenção que o mesmo der ao contexto da construção de seu discurso. Isso tem relação direta com os princípios básicos da comunicação verbal: emissão, recepção e compreensão. Uma das vertentes da análise do Discurso é o discurso estético, que se dá através de imagens, influenciando o indivíduo através de sua sensibilidade, que também está ligada ao seu contexto. A sensibilidade do ser é definida a partir do que se considera importante pelos anos de sua vida. Além disso, o discurso estético tem a mesma capacidade ideológica que o discurso verbal, porém, devido à sensibilidade deste formato discursivo, pode-se atingir muito mais rapidamente e assertivamente o sucesso do discurso aplicado. Depois dessa análise, podemos citar o mais importante desse estudo: o sentido. O sentido do discurso não é fixo. Ele muda em função do contexto, da estética, da ordem do discurso e da sua forma de construção. O sentido do discurso é sempre determinado pela interpretação do receptor e sua finalidade é transmitir uma mensagem que alcance seu objetivo, mesmo que esse dependa da interpretação do receptor.

(Disponível em: www.editoracontexto.com.br)
Com base no texto 'O que é Análise do Discurso?', leia as afirmativas a seguir:
I. No trecho “Uma das vertentes da análise do Discurso é o discurso estético...”, a concordância verbal foi realizada devidamente, assim como no exemplo: “Foi na década de 1970 do nosso século que a Análise do Discurso tomou força, mas não se podem dizer, ainda, que se constituam em um campo claro de estudos. O seu desenvolvimento significou a passagem da Linguística da ‘frase’ para a Linguística do ‘texto’”.
II. Mais que uma análise textual, a análise do discurso é um estudo contextual da estrutura discursiva em questão. Isso porque as construções linguísticas (textos) são marcadas pelo contexto político-social de seu (s) autor (es).
Marque a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q2030379 Português
O que é Análise do Discurso?

A Análise do Discurso (ou Análise de Discursos) é uma ciência que consiste em analisar a estrutura de um texto e, a partir disto, compreender as construções ideológicas presentes no mesmo. O discurso em si é a construção linguística junto ao contexto social onde o texto se desenvolve. Ou seja, as ideologias presentes em um discurso são diretamente construídas e influenciadas pelo contexto políticosocial em que o seu autor está inserido. Mais que uma análise textual, a análise do discurso é uma análise contextual da estrutura discursiva em questão. Para Focault, um texto só pode ser assim chamado se o receptor for capaz de compreender o seu sentido, e isto cabe ao autor do texto e à atenção que o mesmo der ao contexto da construção de seu discurso. Isso tem relação direta com os princípios básicos da comunicação verbal: emissão, recepção e compreensão. Uma das vertentes da análise do Discurso é o discurso estético, que se dá através de imagens, influenciando o indivíduo através de sua sensibilidade, que também está ligada ao seu contexto. A sensibilidade do ser é definida a partir do que se considera importante pelos anos de sua vida. Além disso, o discurso estético tem a mesma capacidade ideológica que o discurso verbal, porém, devido à sensibilidade deste formato discursivo, pode-se atingir muito mais rapidamente e assertivamente o sucesso do discurso aplicado. Depois dessa análise, podemos citar o mais importante desse estudo: o sentido. O sentido do discurso não é fixo. Ele muda em função do contexto, da estética, da ordem do discurso e da sua forma de construção. O sentido do discurso é sempre determinado pela interpretação do receptor e sua finalidade é transmitir uma mensagem que alcance seu objetivo, mesmo que esse dependa da interpretação do receptor.

(Disponível em: www.editoracontexto.com.br)
Com base no texto 'O que é Análise do Discurso?', leia as afirmativas a seguir:
I. A Análise do Discurso despreza o material linguístico apresentado na superfície do texto, pois seu objeto de estudo são as ideologias presentes no próprio discurso.
II. No trecho “Uma das vertentes da análise do Discurso é o discurso estético...”, a concordância verbal foi realizada devidamente, assim como no exemplo: “Apesar de alguns autores discordarem deste ponto vista, acredito que existe diferenças entre texto e discurso”.
Marque a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q2028961 Português

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das frases na ordem em que se apresentam conforme a seguir:


- Faremos uma nova reunião daqui ___ uma semana.

- Estas são as pessoas _______ lhe falei.

- Este é o funcionário _________ nome não me lembrava. - _________ você irá depois do trabalho? 

Alternativas
Q2013738 Português
Vida e carreira: um equilíbrio possível? (Mário Sérgio Cortella)

12, novembro, 2012. 0Em artigo, Mário Sérgio Cortella introduz o tema que apresentará na Estação de Conhecimento CBN Young Professionals.

      Gosto demais do que um dia escreveu o britânico Beda, o Venerável, lá no século VIII: “Há três caminhos para o fracasso: não ensinar o que se sabe; não praticar o que se ensina; não perguntar o que se ignora”.
        Por isso, uma carreira a ser “turbinada” exige a capacidade de “ensinar o que se sabe”, isto é, ter permeabilidade e ser reconhecido como alguém que reparte competências, de modo a fortalecer a equipe e demonstrar ambição (querer mais) em vez de ganância (querer só para si, a qualquer custo).
        É necessário também “praticar o que se ensina”, de forma a deixar clara a coerência de postura, o equilíbrio entre o dito e o feito, e a disposição para assumir com segurança aquilo que adota como correto.
         Por fim, o mais importante, “perguntar o que se ignora”, pois corre perigo aquele ou aquela que não demonstrar que está sempre em estado de atenção (em 4 vez de estado de tensão) para ampliar capacidades e assumir a humildade (sem subserviência) de compreender e viver aquilo que Sócrates, na Grécia clássica, nos advertiu: “Só sei que nada sei”, ou seja, só sei que nada sei por inteiro, só sei que nada sei que só eu saiba, só sei que nada sei que não possa ainda vir a saber.           
     Afinal, os projetos e metas em qualquer organização são apenas um horizonte que funciona especialmente para sinalizar quais são as possibilidades e limites de progressão; no entanto, horizontes não são obstáculos e sim fronteiras.             
       Performance e “fazer” carreira exige atitude e iniciativa e, por isso, é um “fazer” em vez de ser um “receber”. Construir o equilíbrio d'as intenções com as condições é prioritário, sempre lembrando que o equilíbrio precisa ser em movimento (como na bicicleta), sem conformar-se com o sedutor e falso equilíbrio que se imagina atingir ao se ficar imóvel.
          Em 2007, a Brasilprev pediu-me uma pequena reflexão sobre equilíbrio na vida pessoal e profissional; eu o chamei de “Ô balancê, balancê…”. e agora aqui o retomo. Balancê? Por incrível que pareça esse termo francês significa, na dança, ficar apenas alternando um pé com o outro, mexendo o corpo para lá e para cá, mas, sem sair do lugar. Quando, em 1936, Braguinha e Alberto Ribeiro compuseram essa marchinha de carnaval, não poderiam supor que mais de 70 anos depois alguns de nós usaríamos a última estrofe como uma lamentação estagnante do desequilíbrio entre vida profissional e vida pessoal: “Eu levo a vida pensando / Pensando só em você / E o tempo passa e eu vou me acabando / No balancê, balancê”.     
         “Acho que estou precisando colocar as coisas na balança e ver como consigo lidar melhor com a minha vida no trabalho e a minha vida particular.” Tem ouvido muito isso? Tem pensado muito nisso? Ainda bem; é sinal de sanidade. Qualquer perturbação que abale a integridade e autenticidade do que se vive é perniciosa. Todas as vezes nas quais se tem a sensação de se ser “dois”, isto é, de existir de forma dividida, desponta o perigo de se ter de escolher um entre ambos e relegar o outro. A questão vital não é dividir-se, mas, isso sim, repartir-se. Pode parecer óbvio: quando se divide, há uma diminuição; quando se reparte, há uma multiplicação. Em outras palavras: se me divido entre duas atividades, vem sofrimento; se me reparto, vem equilíbrio.
          Não por acaso, a palavra “equilíbrio” está ligada à ideia de pesar, avaliar, aferir e, portanto, colocar na balança. A expressão latina “aequilibrium” tem a sua origem em equ (igual) e libra (balança). Balancear as dimensões vitais favorece uma mente sadia; afinal, a vida profissional é parte da vida pessoal, e não toda  ela. Não deve pesar mais, nem menos. Terá a gravidade (em múltiplos sentidos) que for obtida pelo honesto valor que a ela for atribuído.
          O que não dá é ficar só balançando sem sair do lugar; harmonia é construção planejada e persistente, em vez de pura espera.
         Para que harmonia, então?
      Como um dia desenvolvi no meu livro Qual é a Tua Obra? (Inquietações Propositivas sobre Gestão, Liderança e Ética) publicado pela Editora Vozes: Cuidado, a vida é muito curta para ser pequena. É preciso engrandecê-la. E, para isso, é preciso tomar cuidado com duas coisas: a primeira é que tem muita gente que cuida demais do urgente e deixa de lado o importante. Cuida da carreira, do dinheiro, do patrimônio, mas deixa o importante de lado. Depois não dá tempo. A segunda grande questão é gente que se preocupa muito com o fundamental e deixa o essencial de lado.
           O essencial é tudo aquilo que não pode não ser: amizade, fraternidade, solidariedade, sexualidade, religiosidade, lealdade, integridade, liberdade, felicidade. Isso é essencial. Fundamental é tudo aquilo que te ajuda a chegar ao essencial. Fundamental é a tua ferramenta, como uma escada. Uma escada é algo que me ajuda a chegar a algum lugar. Ninguém tem uma escada para ficar nela. Dinheiro não é essencial. Dinheiro é fundamental. Sem ele, você tem problema, mas ele, em si, não resolve. Emprego é fundamental, carreira é fundamental.
           O essencial é o que não pode não ser. Essencial é aquilo que faz com que a vida não se apequene. Que faz com que a gente seja capaz de transbordar.
          Repartir vida. Repartir o essencial, a amizade, a amorosidade, a fraternidade, a lealdade. Repartir a capacidade de ter esperança e, para isso, ter coragem. Coragem não é a ausência de medo. Coragem é a capacidade de enfrentar o medo. O medo, assim como a dor, é um mecanismo de proteção que a natureza coloca para nós. Se você e eu não tivermos medo nem dor, ficamos muito vulneráveis. Porque a dor é um alerta e a dor nos prepara. É preciso coragem para que a nossa obra não se apequene. E, para isso, precisamos ter esperança.
               E, como dizia o grande Paulo Freire, “tem de ser esperança do verbo esperançar”. Tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. “Ah, eu espero que dê certo, espero que resolva, espero que funcione.” Isso não é esperança.
              Esperançar é ir atrás, é se juntar, é não desistir. Esperançar é achar, de fato, que a vida é muito curta para ser pequena. E precisamos pensar se estamos nos dedicando ao importante em vez de ao urgente. 
             Tem gente que diz: “Ah, mas eu não tenho tempo”. Atenção: tempo é uma questão de prioridade, de escolha. Quando eu digo que não tenho tempo para isso, estou dizendo que isso não é importante para mim. Cuidado, você já viu infartado que não tem tempo? Se ele sobreviver, ele arruma um tempo. O médico dizia “você não pode fazer isso, tem de andar todos os dias”. Se ele infartar e sobreviver, no outro dia você vai vê-lo, às 6 horas da manhã, andando. Se ele tinha tempo, que ele teve de arrumar agora, por que não fez isso antes? Você tem tempo? Se não tem, crie. Talvez precisemos rever as nossas prioridades.
            Será que estamos cuidando do urgente e deixando o importante de lado? Será que não estamos atrás do fundamental, em vez de ir em busca do essencial?

(Fonte: Portal HSM. Texto completo disponível em http://www.shermarketing.com.br/vidae-carreira-um-equilibrio-possivel-mario-sergio-cortella/. Acesso em 11/01/2018)

Imagem associada para resolução da questão

Alternativas
Q2010817 Português
Em qual das orações abaixo, a concordância verbal está INCORRETA? 
Alternativas
Q2009227 Português
Verifique por que a frase a seguir NÃO está correta, de acordo com a norma padrão.
Tudo as riquezas do mundo não valem um bom amigo.”
Alternativas
Q2009165 Português
Leia com atenção as afirmativas a seguir e marque a opção que indica um caso de concordância INCORRETA. 
Alternativas
Q2007191 Português

Leia o texto e responda à questão.


    Aldrovando Cantagalo veio ao mundo em virtude dum erro de gramática. Durante sessenta anos de vida terrena pererecou como um peru em cima da gramática. E morreu, afinal, vítima dum novo erro de gramática. Mártir da gramática, fique este documento da sua vida como pedra angular para uma futura e bem merecida canonização.

   Havia em Itaoca um pobre moço que definhava de tédio no fundo de um cartório. Escrevente. Vinte e três anos. Magro. Ar um tanto palerma. Ledor de versos lacrimogêneos e pai duns acrósticos dados à luz no “Itaoquense”, com bastante sucesso.

   Vivia em paz com as suas certidões quando o frechou venenosa seta de Cupido. Objeto amado: a filha mais moça do coronel Triburtino, o qual tinha duas, essa Laurinha, do escrevente, então nos dezessete, e a do Carmo, encalhe da família, vesga, madurota, histérica, manca da perna esquerda e um tanto aluada.

   Triburtino não era homem de brincadeira. Esguelara um vereador oposicionista em plena sessão da câmara e desd’aí se transformou no tutu da terra. Toda gente lhe tinha um vago medo; mas o amor, que é mais forte que a morte, não receia sobrecenhos enfarruscados nem tufos de cabelos no nariz.

   Ousou o escrevente namorar-lhe a filha, apesar da distância hierárquica que os separava. Namoro à moda velha, já se vê, pois que nesse tempo não existia a gostosura dos cinemas. Encontros na igreja, à missa, troca de olhares, diálogos de flores – o que havia de inocente e puro. Depois, roupa nova, ponta de lenço de seda a entremostrar-se no bolsinho de cima e medição de passos na rua d’Ela, nos dias de folga. Depois, a serenata fatal à esquina, com o

   Acorda, donzela...

   Sapecado a medo num velho pinho de empréstimo. Depois, bilhetinho perfumado.

    Aqui se estrepou...

 Escrevera nesse bilhetinho, entretanto, apenas quatro palavras, afora pontos exclamativos e reticências:

  Anjo adorado!

   Amo-lhe!

   Para abrir o jogo bastava esse movimento de peão. Ora, aconteceu que o pai do anjo apanhou o bilhetinho celestial e, depois de três dias de sobrecenho carregado, mandou chamá-lo à sua presença, com disfarce de pretexto – para umas certidõesinhas, explicou.

    Apesar disso, o moço veio um tanto ressabiado, com a pulga atrás da orelha. Não lhe erravam os pressentimentos. Mas o pilhou portas aquém, o coronel trancou o escritório, fechou a carranca e disse:

   - A família Triburtino de Mendonça é a mais honrada desta terra, e eu, seu chefe natural, não permitirei nunca – nunca, ouviu? – que contra ela se cometa o menor deslize.

   Parou. Abriu uma gaveta. Tirou de dentro o bilhetinho cor-de-rosa, desdobrou-o.

  - É sua esta peça de flagrante delito?

  O escrevente, a tremer, balbuciou medrosa confirmação.

  - Muito bem! Continuou o coronel em tom mais sereno. Ama, então, minha filha e tem a audácia de o declarar... Pois agora…

   O escrevente, por instinto, ergueu o braço para defender a cabeça e relanceou os olhos para a rua, sondando uma retirada estratégica.

    - ... é casar! Concluiu de improviso o vingativo pai.

    O escrevente ressuscitou. Abriu os olhos e a boca, num pasmo. Depois, tornando a si, comoveu-se e, com lágrimas nos olhos disse, gaguejante:

   - Beijo-lhe as mãos, coronel! Nunca imaginei tanta generosidade em peito humano! Agora vejo com que injustiça o julgam aí fora!…

    Velhacamente o velho cortou-lhe o fio das expansões.

   - Nada de frases, moço, vamos ao que serve: declaro-o solenemente noivo de minha filha!

   E voltando-se para dentro, gritou:

  - Do Carmo! Venha abraçar o teu noivo!

  O escrevente piscou seis vezes e, enchendo-se de coragem, corrigiu o erro.

  - Laurinha, quer o coronel dizer…

  O velho fechou de novo a carranca.

  - Sei onde trago o nariz, moço. Vassuncê mandou este bilhete à Laurinha dizendo que ama- “lhe”. Se amasse a ela deveria dizer amo-“te”. Dizendo “amo-lhe” declara que ama a uma terceira pessoa, a qual não pode ser senão a Maria do Carmo. Salvo se declara amor à minha mulher (…).

              (LOBATO, Monteiro. O Colocador de Pronomes. In: PINTO, Edith Pimentel (org.). O Português do Brasil: textos críticos e teóricos II - 1920-1945 – Fontes para a teoria e a história. São Paulo: Edusp, [1924] 1981, p. 51-79.)

O texto apenas lido critica o emprego não normativo da língua portuguesa, no entanto, é flagrante o enunciado “Venha abraçar o teu noivo!”, cuja concordância:
Alternativas
Q2000904 Português
A concordância verbal é a relação estabelecida de maneira harmônica entre sujeito (número e pessoa) e verbo. Considere a frase a seguir e aponte a alternativa correta quanto à concordância verbal.
Já ________ anos, ________ neste lugar jardins e muito verde. Hoje, só _______ pedregulhos e ervas daninhas.
Alternativas
Q2000552 Português
Leia a seguir.
“Então, ______________ investimentos para reduzir o período de tempo nas investigações.”
Assinale a alternativa em que o termo preenche adequadamente a lacuna de acordo com as regras de concordância verbal. 
Alternativas
Q2000325 Português
    Capítulo II
    Entre Deus e o Diabo

    Deus recolhia um ancião, quando o Diabo chegou ao céu.
    Os serafins que engrinaldavam o recém-chegado, detiveram-se logo, e o Diabo deixou-se estar à entrada com os olhos no Senhor.
     — Que me queres tu? perguntou este.
    — Não venho pelo vosso servo Fausto, respondeu o Diabo rindo, mas por todos os Faustos do século e dos séculos.
     — Explica-te.
    — Senhor, a explicação é fácil; mas permiti que vos diga: recolhei primeiro esse bom velho; dai-lhe o melhor lugar, mandai que as mais afinadas cítaras e alaúdes o recebam com os mais divinos coros...
     — Sabes o que ele fez? perguntou o Senhor, com os olhos cheios de doçura.
   — Não, mas provavelmente é dos últimos que virão ter convosco. Não tarda muito que o céu fique semelhante a uma casa vazia, por causa do preço, que é alto. Vou edificar uma hospedaria barata; em duas palavras, vou fundar uma igreja. Estou cansado da minha desorganização, do meu reinado casual e adventício. É tempo de obter a vitória final e completa. E então vim dizer-vos isto, com lealdade, para que me não considereis dissimulado... Boa ideia, não vos parece?
     — Vieste dizê-la, não legitimá-la, advertiu o Senhor.
    — Tendes razão, acudiu o Diabo; mas o amor-próprio gosta de ouvir o aplauso dos mestres. Verdade é que neste caso seria o aplauso de um mestre vencido, e uma tal exigência... Senhor, desço à terra; vou lançar a minha pedra fundamental.
    — Vai.
    — Quereis que venha anunciar-vos o remate da obra?
    — Não é preciso; basta que me digas desde já por que motivo, cansado há tanto da tua desorganização, só agora pensaste em fundar uma igreja.
    O Diabo sorriu com certo ar de escárnio e triunfo. Tinha alguma ideia cruel no espírito, algum reparo picante no alforje de memória, qualquer coisa que, nesse breve instante de eternidade, o fazia crer superior ao próprio Deus. Mas recolheu o riso, e disse:
     — Só agora concluí uma observação, começada desde alguns séculos, e é que as virtudes, filhas do céu, são em grande  número comparáveis a rainhas, cujo manto de veludo rematasse em franjas de algodão. Ora, eu proponho-me a puxá-las por essa franja, e trazê-las todas para minha igreja; atrás delas virão as de
seda pura…
    (...)
ASSIS, Machado de. “A Igreja do Diabo” (fragmento). Disponível em:
<http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000195.pdf>.
Acesso em 25 mar. 2018.

Releia este trecho:


“mas permiti que vos diga: recolhei primeiro esse bom velho; dai-lhe o melhor lugar” Se os verbos nele destacados forem transpostos para o singular, mas mantidos na mesma pessoa, teremos: 

Alternativas
Q2000316 Português

Texto I 


          A entrada em pauta, no Supremo Tribunal Federal (STF), do caso que discute a validade do foro por prerrogativa de função nos faz lembrar que está parada no Congresso a proposta de emenda à Constituição que pretende, justamente, acabar com esse instituto popularmente conhecido como foro privilegiado.


              Trata-se de uma demanda urgente e necessária. Afinal de contas, já se passaram 128 anos da proclamação da República e 32 anos do fim da ditadura militar. Não faz mais sentido mantermos no arcabouço legal alguns privilégios típicos de impérios e ditaduras.


         É desejável e salutar que o Congresso retome a discussão porque, no processo legislativo, diferentemente do que ocorre no tribunal, é possível ampliar o foco e incluir no debate, por exemplo, o fato de o foro não ser o único instituto usado de forma distorcida em nosso arcabouço jurídico.


            A questão não deveria ser, pura e simplesmente, colocar abaixo o instrumento do foro por prerrogativa de função, que foi criado originalmente para proteger os cargos e as instituições — não os seus ocupantes. O alvo da investida deve ser todo o sistema de privilégios.


           Mudar o texto constitucional é um movimento muito sério, que deve servir ao aperfeiçoamento do sistema normativo.


              Por isso, precisa ser precedido de um debate igualmente sério e aprofundado — o que, infelizmente, é raramente feito no Brasil. Tanto é assim que, desde 1988, quando foi promulgada nossa atual Constituição, já foram feitas 96 emendas. Nos Estados Unidos, cuja Constituição data de 1787, foram feitas só 27 emendas — a última, de 1992, proibiu deputados e senadores de aumentarem o próprio salário.


            Mergulhado em profunda crise política e institucional, o país tem grande demanda por valores éticos mais rígidos, sobretudo com relação ao trato da coisa pública e à aplicação dos princípios da equidade perante a lei. Nesse sentido, o foro privilegiado não é a única afronta à igualdade de todos perante a lei. 


           É preciso inserir nesse debate a concessão indiscriminada de carros oficiais, de escoltas armadas, de viagens de avião, de auxílio-moradia, de jantares, de festas pagas com dinheiro público e diversos outros exemplos.


             (...)

             Para retomar os rumos definidos na Constituição, é preciso banir as regalias e definir quais são as pouquíssimas funções que realmente requerem atenção do Judiciário contra as oscilações de adversários políticos e do mercado. Isso é proteger as instituições, não seus ocupantes.


        A existência de milhares de detentores de foro e de outros privilégios, como ocorre hoje, é uma distorção cruel da lei.


LAMACHIA, Claudio. “Acabar com privilégios e proteger a República”. Disponível em:

<http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2017/11/1937454-acabar-com-privilegios-e-proteger-a-republica.shtml>Acesso em: 25/03/2018.

Analise as seguintes alterações realizadas em algumas construções do segundo parágrafo:


I. Tratam-se de demandas urgentes e necessárias. I


I. Já fazem 128 anos da proclamação da República.


III. Não faz mais sentido que se mantenham no arcabouço legal alguns privilégios típicos de impérios e ditaduras.


Atende(m) às orientações da prescrição gramatical no que se refere a textos escritos na modalidade padrão da Língua Portuguesa, a(s) construção(ões) presente(s) em

Alternativas
Q2000186 Português

A carteira (fragmento)


       De repente, Honório olhou para o chão e viu uma carteira. Abaixar-se, apanhá-la e guardá-la foi obra de alguns instantes. Ninguém o viu, salvo um homem que estava à porta de uma loja, e que, sem o conhecer, lhe disse rindo:


        – Olhe, se não dá por ela, perdia-a de uma vez.

        – É verdade, concordou Honório envergonhado.


      Para avaliar a oportunidade desta carteira, é preciso saber que Honório tem de pagar amanhã uma dívida, quatrocentos e tantos mil-réis, e a carteira trazia o bojo recheado. A dívida não parece grande para um homem da posição de Honório, que advoga; mas todas as quantias são grandes ou pequenas, segundo as circunstâncias, e as dele não podiam ser piores. Gastos de família excessivos, a princípio por servir a parentes, e depois por agradar à mulher, que vivia aborrecida da solidão; baile daqui, jantar dali, chapéus, leques, tanta cousa mais, que não havia remédio senão ir descontando o futuro. Endividou-se. Começou pelas contas de lojas e armazéns; passou aos empréstimos, duzentos a um, trezentos a outro, quinhentos a outro, e tudo a crescer, e os bailes a darem-se, e os jantares a comerem-se, um turbilhão perpétuo, uma voragem.


        – Tu agora vais bem, não? dizia-lhe ultimamente o Gustavo C..., advogado e familiar da casa.

        – Agora vou, dizia o Honório. 

       A verdade é que ia mal. Poucas causas, de pequena monta, e constituintes remissos; por desgraça perdera ultimamente um processo, em que fundara grandes esperanças. Não só recebeu pouco, mas até parece que ele lhe tirou alguma cousa à reputação jurídica; em todo caso, andavam mofinas nos jornais.

         D. Amélia não sabia nada; ele não contava nada à mulher, bons ou maus negócios. Não contava nada a ninguém. Fingia-se tão alegre como se nadasse em um mar de prosperidades. Quando o Gustavo, que ia todas as noites à casa dele, dizia uma ou duas pilhérias, ele respondia com três e quatro; e depois iam ouvir os trechos de música alemã, que D. Amélia tocava muito bem ao piano, e que o Gustavo escutava com indizível prazer, ou jogavam cartas, ou simplesmente falavam de política.

        Um dia, a mulher foi achá-lo dando muitos beijos à filha, criança de quatro anos, e viu-lhe os olhos molhados; ficou espantada, e perguntou-lhe o que era.

       – Nada, nada.

    Compreende-se que era o medo do futuro e o horror da miséria. Mas as esperanças voltavam com facilidade. A ideia de que os dias melhores tinham de vir dava-lhe conforto para a luta. Estava com trinta e quatro anos; era o princípio da carreira: todos os princípios são difíceis. E toca a trabalhar, a esperar, a gastar, pedir fiado ou: emprestado, para pagar mal e a más horas. 


ASSIS, Machado de. “A carteira” (fragmento). Disponível em:ASSIS, Machado de. “A carteira” (fragmento). Disponível em:

<http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000169.pdf> . Acesso em 03/04/2018 

Analise as seguintes afirmações sobre o segundo período do texto (“Abaixar-se, apanhá-la e guardá-la foi obra de alguns instantes”):

I. Os três primeiros verbos utilizados no período estão na forma nominal chamada infinitivo.
II. O fato de haver três orações constituindo-se como sujeito da forma verbal “foi” faculta a flexão desta no plural.
III. Em uma eventual reformulação da frase com os verbos flexionados no pretérito perfeito do indicativo, dois dos três pronomes oblíquos utilizados sofreriam alteração em sua grafia.

Considerando as orientações da prescrição gramatical no que se refere a textos escritos na modalidade padrão da Língua Portuguesa, está correto o que se afirma em 
Alternativas
Q1896147 Português

Elas são as amigas que sempre se _________ muito ________  livros e cinema. Por isso nós ______ convidamos para ir conosco ver esse novo filme.

As lacunas do enunciado devem ser preenchidas, correta e respectivamente, conforme a norma-padrão da língua portuguesa, por:

Alternativas
Respostas
4301: D
4302: B
4303: C
4304: C
4305: B
4306: C
4307: C
4308: D
4309: A
4310: B
4311: A
4312: B
4313: A
4314: D
4315: B
4316: A
4317: B
4318: D
4319: B
4320: B