Questões de Concurso
Sobre coesão e coerência em português
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Julgue o item seguinte, relativos a aspectos linguísticos do texto CB1A1.
Sem prejuízo da correção gramatical e da coerência das ideias do texto, a forma verbal “foi” (segundo período do primeiro parágrafo) poderia ser substituída por era.
Conforme os estudiosos da linguística textual, a análise da língua deve ser feita com base na produção textual, pelo estudo, a partir do texto, oral ou escrito, dos seguintes elementos, entre outros:
I organização das intenções e processos pragmáticos;
II progressão temática e organização tópica;
III raciocínio e argumentação;
IV funcionamento dos processos semânticos da língua.
Assinale a opção correta.
Texto 8A1-I
Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência. (...)
Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, em que as estrelas pestanejavam, através de uma atmosfera límpida e sossegada, estavam os nossos quatro ou cinco investigadores de coisas metafísicas, resolvendo amigavelmente os mais árduos problemas do universo.
Por que quatro ou cinco? Rigorosamente eram quatro os que falavam; mas, além deles, havia na sala um quinto personagem, calado, pensando, cochilando, cuja espórtula no debate não passava de um ou outro resmungo de aprovação. Esse homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre quarenta e cinquenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico. Não discutia nunca; e defendia-se da abstenção com um paradoxo, dizendo que a discussão é a forma polida do instinto batalhador, que jaz no homem, como uma herança bestial.
Como desse esta mesma resposta naquela noite, contestou-lha um dos presentes, e desafiou-o a demonstrar o que dizia, se era capaz. Jacobina (assim se chamava ele) refletiu um instante, e respondeu:
— Pensando bem, talvez o senhor tenha razão.
Vai senão quando, no meio da noite, sucedeu que este casmurro usou da palavra, e não dois ou três minutos, mas trinta ou quarenta. A conversa, em seus meandros, veio a cair na natureza da alma, ponto que dividiu radicalmente os quatro amigos. Cada cabeça, cada sentença; não só o acordo, mas a mesma discussão tornou-se difícil... Um dos argumentadores pediu ao Jacobina alguma opinião, uma conjetura, ao menos.
— Nem conjetura, nem opinião, redarguiu ele; uma ou outra pode dar lugar a dissentimento, e, como sabem, eu não discuto. Mas, se querem ouvir-me calados, posso contar-lhes um caso de minha vida, em que ressalta a mais clara demonstração acerca da matéria de que se trata. Em primeiro lugar, não há uma só alma, há duas...
— Duas?
— Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira.
E assim outros mais casos. Eu mesmo tenho experimentado dessas trocas. Não as relato, porque iria longe; restrinjo-me ao episódio de que lhes falei.
Eis aqui como ele começou a narração:
— Tinha vinte e cinco anos, era pobre, e acabava de ser nomeado alferes da Guarda Nacional. Não imaginam o acontecimento que isto foi em nossa casa. Vai, então, uma das minhas tias, D. Marcolina, que morava a muitas léguas da vila, desejou ver-me, e pediu que fosse ter com ela e levasse a farda. Fui, acompanhado de um pajem, que daí a dias tornou à vila, porque a tia Marcolina, apenas me pilhou no sítio, escreveu a minha mãe dizendo que não me soltava antes de um mês, pelo menos. E abraçava-me! Chamava-me também o seu alferes... Se lhes disser que o entusiasmo da tia Marcolina chegou ao ponto de mandar pôr no meu quarto um grande espelho, obra rica e magnífica, que lhe dera a madrinha, e que esta herdara da mãe, que o comprara a uma das fidalgas vindas em 1808 com a corte de D. João VI. Não sei o que havia nisso de verdade; era a tradição. O espelho estava naturalmente muito velho; mas se via nele ainda o ouro, comido em parte pelo tempo, uns delfins esculpidos nos ângulos superiores da moldura, uns enfeites de madrepérola e outros caprichos do artista. Tudo velho, mas bom...
O certo é que todas essas coisas, carinhos, atenções, obséquios, fizeram em mim uma transformação, que o natural sentimento da mocidade ajudou e completou. O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias, as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade. Aconteceu, então, que a alma exterior mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente; a outra dispersou-se no ar e no passado.
Machado de Assis. O espelho. Esboço de uma nova teoria da alma humana.
In: Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994 (com adaptações).
Texto 8A1-I
Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência. (...)
Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, em que as estrelas pestanejavam, através de uma atmosfera límpida e sossegada, estavam os nossos quatro ou cinco investigadores de coisas metafísicas, resolvendo amigavelmente os mais árduos problemas do universo.
Por que quatro ou cinco? Rigorosamente eram quatro os que falavam; mas, além deles, havia na sala um quinto personagem, calado, pensando, cochilando, cuja espórtula no debate não passava de um ou outro resmungo de aprovação. Esse homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre quarenta e cinquenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico. Não discutia nunca; e defendia-se da abstenção com um paradoxo, dizendo que a discussão é a forma polida do instinto batalhador, que jaz no homem, como uma herança bestial.
Como desse esta mesma resposta naquela noite, contestou-lha um dos presentes, e desafiou-o a demonstrar o que dizia, se era capaz. Jacobina (assim se chamava ele) refletiu um instante, e respondeu:
— Pensando bem, talvez o senhor tenha razão.
Vai senão quando, no meio da noite, sucedeu que este casmurro usou da palavra, e não dois ou três minutos, mas trinta ou quarenta. A conversa, em seus meandros, veio a cair na natureza da alma, ponto que dividiu radicalmente os quatro amigos. Cada cabeça, cada sentença; não só o acordo, mas a mesma discussão tornou-se difícil... Um dos argumentadores pediu ao Jacobina alguma opinião, uma conjetura, ao menos.
— Nem conjetura, nem opinião, redarguiu ele; uma ou outra pode dar lugar a dissentimento, e, como sabem, eu não discuto. Mas, se querem ouvir-me calados, posso contar-lhes um caso de minha vida, em que ressalta a mais clara demonstração acerca da matéria de que se trata. Em primeiro lugar, não há uma só alma, há duas...
— Duas?
— Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira.
E assim outros mais casos. Eu mesmo tenho experimentado dessas trocas. Não as relato, porque iria longe; restrinjo-me ao episódio de que lhes falei.
Eis aqui como ele começou a narração:
— Tinha vinte e cinco anos, era pobre, e acabava de ser nomeado alferes da Guarda Nacional. Não imaginam o acontecimento que isto foi em nossa casa. Vai, então, uma das minhas tias, D. Marcolina, que morava a muitas léguas da vila, desejou ver-me, e pediu que fosse ter com ela e levasse a farda. Fui, acompanhado de um pajem, que daí a dias tornou à vila, porque a tia Marcolina, apenas me pilhou no sítio, escreveu a minha mãe dizendo que não me soltava antes de um mês, pelo menos. E abraçava-me! Chamava-me também o seu alferes... Se lhes disser que o entusiasmo da tia Marcolina chegou ao ponto de mandar pôr no meu quarto um grande espelho, obra rica e magnífica, que lhe dera a madrinha, e que esta herdara da mãe, que o comprara a uma das fidalgas vindas em 1808 com a corte de D. João VI. Não sei o que havia nisso de verdade; era a tradição. O espelho estava naturalmente muito velho; mas se via nele ainda o ouro, comido em parte pelo tempo, uns delfins esculpidos nos ângulos superiores da moldura, uns enfeites de madrepérola e outros caprichos do artista. Tudo velho, mas bom...
O certo é que todas essas coisas, carinhos, atenções, obséquios, fizeram em mim uma transformação, que o natural sentimento da mocidade ajudou e completou. O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias, as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade. Aconteceu, então, que a alma exterior mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente; a outra dispersou-se no ar e no passado.
Machado de Assis. O espelho. Esboço de uma nova teoria da alma humana.
In: Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994 (com adaptações).
Considerando os critérios de textualização no texto 8A1-I, julgue os itens seguintes, relacionados aos elementos de coerência.
I A seleção cuidadosa dos elementos narrativos, como a escolha dos personagens, do cenário, do tempo e da atmosfera da narrativa, contribui para a coerência temática e contextual.
II A narrativa reflete a sociedade e as preocupações da época, o que contribui para a coerência do texto com a realidade.
III A forma como os acontecimentos são apresentados, a estrutura da narrativa e a seleção de detalhes são fatores que influenciam a coerência lógica e a compreensão da história.
Assinale a opção correta.
Leia o texto para responder à questão:

(Wagner Rodrigues Silva; Andreia Cristina Fidelis e Kiahra Antonella, Laboratório virtual de pesquisa escolar com gramática: educação científica em aulas de língua materna, 2024)
Assinale a alternativa que apresenta falha gramatical na reescrita.
No trecho acima, há um elo coesivo criado por meio da nominalização entre “contribuíram” e “contribuições”. Nas alternativas a seguir, busca-se o procedimento de retomada por meio de nominalização, mas só um mostra adequação. Assinale-o.
De volta às aulas

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudio-moreno/noticia/2024/02/de-volta-as-aulas clt6ac6b900ag01471iw6smk4.html - texto adaptado especialmente para esta prova)
I. As lacunas pontilhadas devem ser preenchidas, respectivamente, por “l” e “u”.
II. “de ca...da” é uma locução adverbial por se tratar de um qualificador do substantivo “piano”.
III. Apesar de apresentarem significados diferentes, as palavras formadas a partir da completude das lacunas existem em Língua Portuguesa.
Quais estão corretas?
I." o que complica o quadro" (primeiro parágrafo) a.O corpo também perde líquidos e sais minerais. b.Líquidos e sais minerais. II."Fora dela " (segundo parágrafo) a.1 grau acima ou abaixo dos 36,5?°C. b.Faixa estreita de temperatura interna. III."Ele é maior" (último parágrafo) a.Tempo disponível para se aclimatar à mudança. b.Impacto.
Assinale a alternativa que apresenta as relações corretas:
A redação da frase acima permanecerá coerente e correta caso se substituam os elementos sublinhados, na ordem dada, por:
“Na engrenagem da sociedade moderna, a comunicação escrita senta-se em trono.”
Assinale a opção que mostra a forma de reescrever essa frase que modifica o seu sentido original.


( ) A solicitação do ETA pode ser feita por meio do site oficial do governo britânico, com a opção de utilizar um aplicativo móvel, sendo a verificação de segurança realizada automaticamente durante o preenchimento do formulário, sem a necessidade de apresentação física dos documentos.
( ) Em 2024, o ETA foi introduzido inicialmente para cidadãos do Conselho de Cooperação do Golfo, com planos de expansão para outros países não europeus, como os Estados Unidos, Canadá e Austrália, em 2025. Esse novo sistema veio para substituir o processo de visto, embora de maneira opcional para os países afetados.
( ) O ETA pode ser solicitado por meio de sites de terceiros, que podem exigir uma taxa, mas o processo é mais seguro quando realizado através dos canais oficiais.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

JANEIRO BRANCO. Disponível em: https://www.centrooftalmologicomg.com.br/blog/a-campanha-janeiro-branco/. Acesso em: 16 janeiro 2025.
A respeito das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que se segue.
A eliminação do trecho “sabem tecer teias” (terceiro período do segundo parágrafo) prejudicaria as relações de sentido e de coerência do texto.

