Questões de Concurso Sobre coesão e coerência em português

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Q958368 Português

                           ‘Me corrige’, pede o pronome


             Uma das principais marcas do português brasileiro

                          permanece alijada da escrita


      Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase, como o que acabo de cometer, será o último dos últimos tabus normativos a ser quebrado pelo inexorável abrasileiramento da língua que se entende e se pratica como nossa norma culta.

      É claro que me refiro à língua escrita. Sabe-se que, falando, a maior parte dos brasileiros iniciaria assim esta frase: “Se sabe que...”. Isso inclui pessoas de alta escolaridade e não exclui situações em que a comunicação prevê certa cerimônia.

      No livro “Oficina de Texto”, um guia de redação sensatamente equilibrado entre tradição e modernidade, o linguista Carlos Alberto Faraco e o romancista Cristovão Tezza, colunista da Folha, escrevem o seguinte: “Resta praticamente uma única regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono”.

      Logo em seguida reconhecem que talvez esse não seja bem o único mandamento restante. Para poupar dor de cabeça com revisores e corretores de provas, dizem, vale a pena seguir também a regra “bastante duvidosa” das tais palavras atrativas, como “que”, “quando” e “não”, que sempre puxariam o pronome átono para junto de si.

      No mais, Faraco e Tezza dão ao leitor a bússola de colocação pronominal que julgo definitiva: “Prefira a forma que soar melhor”. Se você é brasileiro, isso exclui quase certamente a mesóclise, além de limitar a lusitana ênclise. Nossa inclinação é naturalmente proclítica.

      O gramático Manuel Said Ali (1861-1953) foi um pioneiro defensor da colocação de pronomes à moda da casa, contra o lusocentrismo dominante em sua época e ainda hoje presente na gramática normativa.

      Argumentava que “a pronúncia brasileira diversifica da lusitana; daí resulta que a colocação pronominal em nosso falar espontâneo não coincide perfeitamente com a do falar dos portugueses”.

      Tudo isso é lindo, mas convém ter sempre em mente o último tabu. Me faça o favor de contrariar sua fala e escrever “Faça-me o favor”, a menos que queira marcar uma posição. Se prepare, nesse caso, para as consequências.

(Sérgio Rodrigues, “‘Me corrige’, pede o pronome”. Em: Folha de S.Paulo, 02.08.2018. Adaptado)

Considere as passagens:


•  Se você é brasileiro, isso exclui quase certamente a mesóclise, além de limitar a lusitana ênclise. (5° parágrafo)

•  Tudo isso é lindo, mas convém ter sempre em mente o último tabu. (8°parágrafo)


As expressões em destaque recuperam, correta e respectivamente, as seguintes informações textuais: 

Alternativas
Q958083 Português
Quanto ao uso do recurso linguístico utilizado, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q958082 Português

Com base nas formas verbais utilizadas no texto, considere as afirmativas a seguir.


I. Predominam verbos no Presente do Indicativo, em razão do caráter expositivo-argumentativo do texto.

II. As ocorrências de formas verbais no Pretérito Perfeito, como “começou” e “choveu”, marcam os trechos narrativos.

III. “estava colando” (linha 25) e “ter incorrido” (linha 22) são formas verbais usadas na voz passiva.

IV. Em “demos-lhe” (linha 19), o verbo “dar” está flexionado no Pretérito Perfeito.


Assinale a alternativa correta. 

Alternativas
Q958072 Português

Sobre o uso de termos para se referir a estudantes citados na notícia, considere as afirmativas a seguir.


I. O termo “estudante” (linha 1) e a expressão “primeiro estudante” (linha 21) não se referem à mesma pessoa.

II. As expressões “outro aluno” (linha 2) e “o outro colega” (linha 22) não se referem à mesma pessoa.

III. O termo “deles” (nas linhas 24 e 27) não se refere às mesmas pessoas.

IV. O termo “adolescentes” (nas linhas 4 e 16) não se refere às mesmas pessoas.


Assinale a alternativa correta. 

Alternativas
Q958038 Português

Dona Ana

Até a última batida do coração do marido, dona Ana esteve ao lado.

Não foi fácil. Seu Antônio era educado e agradável no trato social, mas intempestivo, intolerante e voluntarioso com a esposa e os dois filhos. Dava a impressão de que as interações com pessoas pouco íntimas esgotavam na rua seu estoque de tolerância.

Aos sete anos, vendia de casa em casa os pastéis que a mãe viúva fritava, enquanto os cinco filhos ainda dormiam. Aos quinze, veio sozinho para São Paulo com a obrigação de ganhar o sustento da família. Dormiu três dias na rua, antes de conseguir emprego num depósito de ferro velho.

Quando ficou doente, aos sessenta e oito anos, tinha mais de duzentos empregados, duas fazendas e uma imobiliária para administrar os imóveis de sua propriedade.

Dona Ana tinha três irmãs e um pai militar que proibia as filhas de chegar depois de escurecer e que só permitia que ela saísse com o noivo aos domingos, desde que acompanhada pela irmã caçula, rotina mantida até a semana anterior ao casamento.

Casada, aceitou sem rebeldia o autoritarismo do consorte. Deu à luz dois filhos criados com o rigor do pai e a dedicação abnegada da mãe, num ambiente doméstico que beirava a esquizofrenia: alegre e descontraído na presença dela, sisudo e silencioso à chegada do pai.

Quando nasceu o casal de netos, a avó os cobriu de carinho. Passava os dias de semana com eles para que as noras pudessem trabalhar; nos fins de semana em que ficava sem vê-los, morria de saudades.

A doença do patriarca mudou a rotina. Com o marido em casa e os filhos ocupados na condução dos negócios do pai, coube a ela cuidar e atender às solicitações do doente, que exigia sua presença dia e noite e não aceitava um copo d´água das mãos de outra pessoa.

Nas fases finais, oito quilos mais magra, abatida e sonolenta, parecia mais debilitada do que o marido.

Viúva, fez questão de permanecer no mesmo apartamento, apesar da insistência dos filhos e das noras para que fosse morar com eles.

Os familiares estranharam quando pediu que não deixassem mais os netos com ela. Acharam que a perda do marido havia causado um trauma que lhe roubara a felicidade e a disposição para a lida com os pequenos, suspeita que se agravou quando constataram que a mãe não os procurava. Nos fins de semana, era inútil convidá-la para as refeições, ir ao cinema ou viajar com eles. Quando as crianças queriam vê-la, os pais precisavam levá-las até ela.

Numa dessas ocasiões, filhos e noras tentaram convencê-la a procurar um psiquiatra, um medicamento antidepressivo a livraria daquela tristeza solitária. A resposta foi surpreendente:

― Vocês acham que mulher deprimida sai de casa para comprar este vestido lindo que estou usando?

Além do que, explicou, não se sentia nem estava solitária: descobrira no Facebook várias amigas dos tempos de solteira, viúvas como ela. Reuniam-se a cada dois ou três dias para cozinhar, tomar vinho e dar risada. Às terças e quintas, iam ao cinema; aos sábados, lotavam uma van que as levava ao teatro.

No carro, a caminho de casa, os filhos estavam desolados: 

― Como pode? Essa alegria toda, três meses depois da morte do papai?

― Deve estar em processo de negação, acrescentou a nora mais nova.

Nos meses seguintes, voltaram a insistir tantas vezes no tratamento psiquiátrico, que ela os proibiu de tocar no assunto, sob pena de não recebê-los mais.

A harmonia familiar desandou de vez num domingo de verão. Sem conseguir falar com a mãe por dois dias, os filhos decidiram procurá-la. O zelador do prédio avisou que não adiantava subir, dona Ana saíra com a mala na quinta-feira, sem revelar quando voltaria.

Segunda-feira depois do jantar, os filhos foram vê-la. Com ar consternado, revelaram estar preocupadíssimos com o comportamento materno, achavam que a perda do marido com quem havia convivido quase meio século, comprometera sua sanidade mental.

Num tom mais calmo do que o dos rapazes, a mãe contou que, na volta do enterro, abriu uma garrafa de vinho pela primeira vez na vida, sentou naquele sofá em que se achavam e pensou em voz alta:

― Vou fazer setenta anos. De hoje em diante não dou satisfação para mais ninguém.

VARELLA, Dráuzio. Dona Ana. Drauzio Varella. 4 abr. 2016. Disponível em: <https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/dona-ana/>. Acesso em: 20 abr. 2016 (Adaptação).

Assinale a alternativa em que a locução destacada não se refere, semanticamente, à palavra ou locução entre colchetes.
Alternativas
Q958037 Português

Dona Ana

Até a última batida do coração do marido, dona Ana esteve ao lado.

Não foi fácil. Seu Antônio era educado e agradável no trato social, mas intempestivo, intolerante e voluntarioso com a esposa e os dois filhos. Dava a impressão de que as interações com pessoas pouco íntimas esgotavam na rua seu estoque de tolerância.

Aos sete anos, vendia de casa em casa os pastéis que a mãe viúva fritava, enquanto os cinco filhos ainda dormiam. Aos quinze, veio sozinho para São Paulo com a obrigação de ganhar o sustento da família. Dormiu três dias na rua, antes de conseguir emprego num depósito de ferro velho.

Quando ficou doente, aos sessenta e oito anos, tinha mais de duzentos empregados, duas fazendas e uma imobiliária para administrar os imóveis de sua propriedade.

Dona Ana tinha três irmãs e um pai militar que proibia as filhas de chegar depois de escurecer e que só permitia que ela saísse com o noivo aos domingos, desde que acompanhada pela irmã caçula, rotina mantida até a semana anterior ao casamento.

Casada, aceitou sem rebeldia o autoritarismo do consorte. Deu à luz dois filhos criados com o rigor do pai e a dedicação abnegada da mãe, num ambiente doméstico que beirava a esquizofrenia: alegre e descontraído na presença dela, sisudo e silencioso à chegada do pai.

Quando nasceu o casal de netos, a avó os cobriu de carinho. Passava os dias de semana com eles para que as noras pudessem trabalhar; nos fins de semana em que ficava sem vê-los, morria de saudades.

A doença do patriarca mudou a rotina. Com o marido em casa e os filhos ocupados na condução dos negócios do pai, coube a ela cuidar e atender às solicitações do doente, que exigia sua presença dia e noite e não aceitava um copo d´água das mãos de outra pessoa.

Nas fases finais, oito quilos mais magra, abatida e sonolenta, parecia mais debilitada do que o marido.

Viúva, fez questão de permanecer no mesmo apartamento, apesar da insistência dos filhos e das noras para que fosse morar com eles.

Os familiares estranharam quando pediu que não deixassem mais os netos com ela. Acharam que a perda do marido havia causado um trauma que lhe roubara a felicidade e a disposição para a lida com os pequenos, suspeita que se agravou quando constataram que a mãe não os procurava. Nos fins de semana, era inútil convidá-la para as refeições, ir ao cinema ou viajar com eles. Quando as crianças queriam vê-la, os pais precisavam levá-las até ela.

Numa dessas ocasiões, filhos e noras tentaram convencê-la a procurar um psiquiatra, um medicamento antidepressivo a livraria daquela tristeza solitária. A resposta foi surpreendente:

― Vocês acham que mulher deprimida sai de casa para comprar este vestido lindo que estou usando?

Além do que, explicou, não se sentia nem estava solitária: descobrira no Facebook várias amigas dos tempos de solteira, viúvas como ela. Reuniam-se a cada dois ou três dias para cozinhar, tomar vinho e dar risada. Às terças e quintas, iam ao cinema; aos sábados, lotavam uma van que as levava ao teatro.

No carro, a caminho de casa, os filhos estavam desolados: 

― Como pode? Essa alegria toda, três meses depois da morte do papai?

― Deve estar em processo de negação, acrescentou a nora mais nova.

Nos meses seguintes, voltaram a insistir tantas vezes no tratamento psiquiátrico, que ela os proibiu de tocar no assunto, sob pena de não recebê-los mais.

A harmonia familiar desandou de vez num domingo de verão. Sem conseguir falar com a mãe por dois dias, os filhos decidiram procurá-la. O zelador do prédio avisou que não adiantava subir, dona Ana saíra com a mala na quinta-feira, sem revelar quando voltaria.

Segunda-feira depois do jantar, os filhos foram vê-la. Com ar consternado, revelaram estar preocupadíssimos com o comportamento materno, achavam que a perda do marido com quem havia convivido quase meio século, comprometera sua sanidade mental.

Num tom mais calmo do que o dos rapazes, a mãe contou que, na volta do enterro, abriu uma garrafa de vinho pela primeira vez na vida, sentou naquele sofá em que se achavam e pensou em voz alta:

― Vou fazer setenta anos. De hoje em diante não dou satisfação para mais ninguém.

VARELLA, Dráuzio. Dona Ana. Drauzio Varella. 4 abr. 2016. Disponível em: <https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/dona-ana/>. Acesso em: 20 abr. 2016 (Adaptação).

Assinale a alternativa cuja ideia entre colchetes não está presente no respectivo trecho.
Alternativas
Q957788 Português

Considere as seguintes propostas de alterações em segmentos textuais:


I. Inserção do pronome ‘ele’ imediatamente após o verbo ‘diz’ (l. 09).

II. Supressão de ‘muitas vezes’ (l. 20).

III. Supressão da expressão ‘um fator’ na linha 21.


Quais das propostas alteram o sentido original dos respectivos contextos de ocorrência?

Alternativas
Q957614 Português

No que se refere à coesão textual, considere as seguintes afirmações:


I. A forma verbal “conseguem” (l. 03), devidamente conjugada no presente do indicativo, está retomando “Pesquisas” (l. 02).

II. O pronome “suas” (l. 06) está retomando diretamente a palavra “horas” (l. 04).

III. A forma verbal “identificam” (l. 27), devidamente conjugada no presente do indicativo, está retomando “muitos profissionais com anos de carreira e que atuam em determinada área, mudando a sua trajetória profissional” (l. 23-24).


Quais estão corretas?

Alternativas
Q954477 Português

Acerca das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.


Caso o termo “ponderada” (ℓ.27) fosse substituído por calculada, a coerência do texto seria mantida, embora seus sentidos fossem alterados.

Alternativas
Q954360 Português

Julgue o item a seguir, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente.


Sem alteração dos sentidos e da coesão do texto, o primeiro período do primeiro parágrafo poderia ser reescrito da seguinte maneira: Esta é minha declaração de amor à língua portuguesa.

Alternativas
Q954122 Português
O uso da expressão constante do título “a limpo” estabelece um paralelo com o teor do texto propriamente dito, porque:
Alternativas
Q953391 Português
De acordo com Beaugrande e Dressler (1981, apud Koch*), a coesão textual é um dos sete critérios para a construção do sentido. Desse modo, deve-se incutir na mente do aluno a importância da coesão textual, a qual é designada como:
*KOCH, I. G. V. Introdução à linguística textual. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
Alternativas
Q953389 Português
Com base neste fragmento da redação de um aluno nas séries finais do Ensino Fundamental, extraído de Santos (2015, p. 163)*, “A leitura faz agente se consentrar na hora da prova, teste e quis. A leitura faz coisas extraordinárias. A leitura faz agente ser educado, e com a leitura encina coisas novas, tipo, palavras, falar serto, a consentrar, etc.”, levando-se em consideração os objetivos das atividades voltadas para o ensino da modalidade escrita da língua portuguesa nesse contexto, marque a afirmativa correta.
*SANTOS, Priscilla. A redação nas séries finais do ensino fundamental: da análise de erros às estratégias didáticas. Tese (Doutorado – Doutorado em Linguística) – Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas, da Universidade de Brasília. 2015.
Alternativas
Q952813 Português

Leia o texto a seguir: Os gêneros textuais são fenômenos históricos e, nesse sentido, se constituem com e na vida cultural e social em que se desenvolvem. Um aspecto importante a ser considerado, é que as novas tecnologias, em especial as de uso na área de comunicação, propiciam o surgimento de novos gêneros textuais. Não propriamente as tecnologias, mas, sim, a intensidade de usos dessas tecnologias e suas interferências nas atividades diárias de comunicação. As notas iniciais vão perder sequência nos estudos vindouros sobre variados gêneros de uso relacionados a algum meio de comunicação. Como exemplo, o uso do correio eletrônico gera mensagens que têm as cartas pessoais e os bilhetes como seus antecessores. Mas as cartas eletrônicas são gêneros novos, com identidades próprias.

(Ideias contidas em: MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. Disponível em:<https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/322091/mod_resource/content/1/MARCUSCHI%20G%C3%AAneros%20 textuais.pdf> Acesso em: 20 ago. 2018).

No que se refere ao encadeamento de ideias, a frase que compromete a organização do texto é: 

Alternativas
Respostas
8041: B
8042: E
8043: A
8044: D
8045: A
8046: D
8047: B
8048: C
8049: C
8050: C
8051: E
8052: C
8053: C
8054: E
8055: E
8056: E
8057: A
8058: B
8059: A
8060: D