Questões de Concurso Sobre coesão e coerência em português

Foram encontradas 13.820 questões

Q4262870 Português
Considerando a coesão sequencial, assinale a alternativa que NÃO apresenta um mecanismo de sequenciação parafrástica.
Alternativas
Q4249459 Português
Verão com moderação

   O calor com o qual o brasileiro imagina estar aclimatado é coisa do passado. O aumento da intensidade e da frequência de ondas de temperaturas extremas é uma realidade trazida pelas mudanças climáticas, que chegou para ficar no Brasil, alertam especialistas. E elas adoecem e aumentam os índices de partos prematuros, suicídio, agressividade e criminalidade, revelam novos estudos. O calor extremo mata.
    Ninguém está acostumado com essas temperaturas. Que o digam, por exemplo, habitantes do Rio de Janeiro, que arderam no último dia 4 de fevereiro a 58 C, a maior sensação térmica já registrada na cidade. Ou os gaúchos, que têm enfrentado dias seguidos temperaturas superiores a 35 C com baixa umidade do ar, combinação insalubre, que aumenta a perda de líquido, sobrecarrega o organismo e eleva o risco para saúde.
    “O calor é uma grave ameaça à saúde. As pessoas precisam entender que ele mata. É uma ilusão pensar “estou acostumado”. Isso já não existe mais. É hora de pensar em adaptação, novas políticas públicas e cuidados pessoais. Não é mais preciso ir para o deserto para morrer de calor” adverte Paulo Saldiva, professor do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, especialista no impacto do meio ambiente sobre a saúde.

Fonte: Jornal O Globo, Edição de 11 de fevereiro de 2023.
Assinale a alternativa que apresente o referente no texto do termo em destaque no período: E elas adoecem e aumentam os índices de partos prematuros, suicídio, agressividade e criminalidade, revelam novos estudos.
Alternativas
Q4249313 Português
EUA derrubam objeto não identificado sobre o Alasca


   O Pentágono derrubou ontem um objeto não identificado sobre o Alasca por ordem do presidente Joe Biden. O incidente foi confirmado pelo porta-voz da Casa Branca, John Kirby, em entrevista coletiva. Autoridades dos EUA disseram que não foi confirmado se o objeto era um balão, mas estava viajando a uma altitude que o tornava uma ameaça potencial para aeronaves civis. Segundo o porta-voz, o objeto estava a uma altitude de cerca de 40 mil pés. Kirby disse que as autoridades o estavam descrevendo como “objeto” porque essa era a melhor descrição até o momento.

   Uma autoridade dos EUA disse que não havia “nenhuma indicação afirmativa de ameaça militar” para as pessoas no solo. Autoridades disseram que não podiam confirmar se havia algum equipamento de vigilância no objeto abatido. Um esforço de recuperação dos escombros estava sendo conduzido, disse Kirby. Ele disse que o objeto era “aproximadamente do tamanho de um carro pequeno” – muito menor do que o balão espião que tinha uma carga útil do tamanho de um ônibus.

   A ação ocorre menos de uma semana depois que um caça americano derrubou um balão espião chinês que havia atravessado os EUA. A Casa Branca foi criticada por alguns republicanos por não derrubar imediatamente o balão, mas Biden disse que estava agindo por recomendação de oficiais militares, que disseram para esperar até que o balão estivesse sobre a água antes de destruí-lo para não haver riscos para pessoas em solo. Autoridades dos EUA dizem que o balão espião fazia parte de uma frota dirigida pelos militares chineses que sobrevoou mais de 40 países em cinco continentes nos últimos anos.

  Os balões são fabricados por uma ou mais empresas administradas por civis que vendem oficialmente produtos para os militares, disseram autoridades americanas, embora o governo Biden não tenha identificado publicamente a empresa que fabricou o balão derrubado. Autoridades dizem que um balão que estava flutuando sobre a América Latina na semana passada também fazia parte do programa de vigilância chinês.


Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo, Edição de 11 de fevereiro de 2023.
Assinale a alternativa que poderia substituir o período “Segundo o porta-voz, o objeto estava a uma altitude de cerca de 40 mil pés.”, mantendo as mesmas relações de sentido no texto: 
Alternativas
Q4249308 Português
EUA derrubam objeto não identificado sobre o Alasca


   O Pentágono derrubou ontem um objeto não identificado sobre o Alasca por ordem do presidente Joe Biden. O incidente foi confirmado pelo porta-voz da Casa Branca, John Kirby, em entrevista coletiva. Autoridades dos EUA disseram que não foi confirmado se o objeto era um balão, mas estava viajando a uma altitude que o tornava uma ameaça potencial para aeronaves civis. Segundo o porta-voz, o objeto estava a uma altitude de cerca de 40 mil pés. Kirby disse que as autoridades o estavam descrevendo como “objeto” porque essa era a melhor descrição até o momento.

   Uma autoridade dos EUA disse que não havia “nenhuma indicação afirmativa de ameaça militar” para as pessoas no solo. Autoridades disseram que não podiam confirmar se havia algum equipamento de vigilância no objeto abatido. Um esforço de recuperação dos escombros estava sendo conduzido, disse Kirby. Ele disse que o objeto era “aproximadamente do tamanho de um carro pequeno” – muito menor do que o balão espião que tinha uma carga útil do tamanho de um ônibus.

   A ação ocorre menos de uma semana depois que um caça americano derrubou um balão espião chinês que havia atravessado os EUA. A Casa Branca foi criticada por alguns republicanos por não derrubar imediatamente o balão, mas Biden disse que estava agindo por recomendação de oficiais militares, que disseram para esperar até que o balão estivesse sobre a água antes de destruí-lo para não haver riscos para pessoas em solo. Autoridades dos EUA dizem que o balão espião fazia parte de uma frota dirigida pelos militares chineses que sobrevoou mais de 40 países em cinco continentes nos últimos anos.

  Os balões são fabricados por uma ou mais empresas administradas por civis que vendem oficialmente produtos para os militares, disseram autoridades americanas, embora o governo Biden não tenha identificado publicamente a empresa que fabricou o balão derrubado. Autoridades dizem que um balão que estava flutuando sobre a América Latina na semana passada também fazia parte do programa de vigilância chinês.


Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo, Edição de 11 de fevereiro de 2023.
Com base nas informações do texto e nas relações existentes entre as partes que o compõem, assinale a alternativa INCORRETA:
Alternativas
Q4243870 Português


Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/723109283940262353/. Acesso em: 27 abril 2023.

Em É, hoje em dia não saco nada mesmo. Mas, quando eu era jovem, sacava muito bem no vôlei. E no tênis também!, os conectivos sublinhados, enquanto manifestações de coesão textual por encadeamento, estabelecem, entre as sentenças que articulam, respectivamente, relações de
Alternativas
Q4243863 Português

LÍNGUA PORTUGUESA NO ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS FINAIS: PRÁTICAS DE LINGUAGEM, OBJETOS DE CONHECIMENTO E HABILIDADES 


[...]

“No componente Língua Portuguesa, amplia-se o contato dos estudantes com gêneros textuais relacionados a vários campos de atuação e a várias disciplinas, partindo-se de práticas de linguagem já vivenciadas pelos jovens para a ampliação dessas práticas, em direção a novas experiências.

Como consequência do trabalho realizado em etapas anteriores de escolarização, os adolescentes e jovens já conhecem e fazem uso de gêneros que circulam nos campos das práticas artístico-literárias, de estudo e pesquisa, jornalístico-midiático, de atuação na vida pública e campo da vida pessoal, cidadãs, investigativas.

[...]

No âmbito do Campo artístico-literário, trata-se de possibilitar o contato com as manifestações artísticas em geral, e, de forma particular e especial, com a arte literária e de oferecer as condições para que se possa reconhecer, valorizar e fruir essas manifestações. Está em jogo a continuidade da formação do leitor literário, com especial destaque para o desenvolvimento da fruição, de modo a evidenciar a condição estética desse tipo de leitura e de escrita. Para que a função utilitária da literatura – e da arte em geral – possa dar lugar à sua dimensão humanizadora, transformadora e mobilizadora, é preciso supor – e, portanto, garantir a formação de – um leitor-fruidor, ou seja, de um sujeito que seja capaz de se implicar na leitura dos textos, de “desvendar” suas múltiplas camadas de sentido, de responder às suas demandas e de firmar pactos de leitura. Para tanto, as habilidades, no que tange à formação literária, envolvem conhecimentos de gêneros narrativos e poéticos que podem ser desenvolvidos em função dessa apreciação e que dizem respeito, no caso da narrativa literária, a seus elementos (espaço, tempo, personagens); às escolhas que constituem o estilo nos textos, na configuração do tempo e do espaço e na construção dos personagens; aos diferentes modos de se contar uma história (em primeira ou terceira pessoa, por meio de um narrador personagem, com pleno ou parcial domínio dos acontecimentos); à polifonia própria das narrativas, que oferecem níveis de complexidade a serem explorados em cada ano da escolaridade; ao fôlego dos textos. No caso da poesia, destacam-se, inicialmente, os efeitos de sentido produzidos por recursos de diferentes naturezas, para depois se alcançar a dimensão imagética, constituída de processos metafóricos e metonímicos muito presentes na linguagem poética”.


(BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018, pp. 136 e 138. Disponível em: . Acesso em 27 abril de 2023)

No fragmento [...] é preciso supor – e, portanto, garantir a formação de – um leitor-fruidor, ou seja, de um sujeito que seja capaz de se implicar na leitura dos textos, de “desvendar” suas múltiplas camadas de sentido, de responder às suas demandas e de firmar pactos de leitura, faz-se alusão a um princípio de interpretabilidade, ligado a aspetos linguísticos, cognitivos e contextuais, responsável pela construção de sentidos nos textos, a que chamamos de 
Alternativas
Q4243413 Português
        A concepção de língua numa perspectiva discursiva, cuja gramática volta-se aos propósitos da interlocução, constitui uma alternativa para o seu ensino na escola. Um ensino de língua materna centrado nos gêneros, materializados em textos, voltando-se para os usos e práticas de linguagem que contribuam com o aumento das possibilidades de domínios dos usos da língua [...]. Isso implica necessariamente alterações na essência do ensino da leitura e da escrita, vistas a partir de então como processos de interação autor/texto/leitor.

    MACHADO, Veruska Ribeiro. In: Integrações: diálogos sobre o ensino
médio. Brasília: Editora IFB, 2016, p. 42.

No que concerne às ideias acerca do ensino de gramática e aos aspectos linguísticos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir

“Isso” é um pronome catafórico que tem como referente semântico “Um ensino de língua materna centrado nos gêneros”.

Alternativas
Q4243398 Português

Não é mais novidade que a literatura não abrange somente o que se apresenta por meio da palavra escrita, uma vez que a expressão poética precede o alfabeto, a escrita. Na escola, no entanto, ainda hoje o ensino de literatura (e de leitura) privilegia a produção impressa e, sobretudo, o livro impresso. Mesmo com o respaldo dos documentos oficiais, o livro ainda é o veículo de comunicação mais valorizado nas escolas. Nos livros didáticos, por exemplo, muitas editoras já possuem coleções que trazem exercícios, jogos e textos em meio digital, mas como material complementar, cujo formato normalmente reproduz modelos do livro impresso. Dessa maneira, é recorrente, nos meios virtuais utilizados pela escola, a reprodução do texto escrito, bem como a alusão à escrita por meio de imagens que representam este universo.


ALCÂNTARA, Simone Silveira de. Ensinar Literatura – histórias em quadros e quadrinhos. In: Leituras Literárias: mito, gênero e ancestralidade

São Cristóvão: Editora UFS, 2014, p. 120




No que se refere aos sentidos do texto a respeito do ensino de literatura, julgue (C ou E) o item a seguir.



Os livros didáticos trazem exercícios, jogos e textos em meio digital, afastando-se, portanto, do formato do livro impresso.
Alternativas
Q4238683 Português

Texto para a questão.






A referenciação faz parte do processo de organização coesiva de um texto, como o que se apresenta em destaque no excerto:

“Eles esquecem o que têm de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura.” (linha 2 e 3)

Portanto, o trecho destacado, trata-se de um(a)
Alternativas
Q4237339 Português
Texto IV


    A solidão não é por estar só.

    Todavia ela se faz presente quando você percebe que se tornou ausente.

    Será que é por que sou “imperfeito”?

    O que é ser perfeito?

    Fingir, talvez, morrer por dentro, mas corresponder aos interesses de outrem.

    Talvez ser um bêbado não equilibrista, ou um "marginal", contudo sem perder o padrão.

    Ser o "esquisito", o "anormal", seu abraço já não importa, seu sorriso não faz diferença, seu amor tornou-se desamor. Por quê? Simplesmente porque você deixou sua alma gritar e ecoar o seu eu distorcido pronto a sofrer o nocaute de uma sociedade hipócrita.


("Desabafo da madrugada" – Mendonça, T.)


Q35_39.png (222×177)
No texto há a predominância de modalizadores, sendo alguns desses: todavia, contudo, mas. Tais modalizadores exprimem:
Alternativas
Q4237163 Português
Texto II


"Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre".

(Paulo Freire) 
"Por isso aprendemos sempre". A palavra destacada exprime uma: 
Alternativas
Q4237067 Português
Texto I


Razão x consciência


    Os valores humanos podem ser definidos como os princípios morais e éticos que conduzem a vida humana. Eles fazem parte da formação de sua consciência e da maneira como vivem e se relacionam na sociedade. 

    Muitas vezes queremos justificar nossas condutas como se fôssemos vítimas de algo ou alguém que nos impulsiona a agir impulsivamente. Pautamos em frases que só servem para nos direcionar à margem de uma sociedade mais harmônica. Frases, estas do tipo:

    "Não levo desaforo pra casa."

    "Assim nasci, assim vou ser.

    E daí vai. Sempre buscamos razão para qualquer tipo de atitude. E a consciência, onde fica? Afinal, qual a diferença entre a consciência e a razão?

    A razão sempre ocorre como uma justificativa para nossas atitudes, boas ou ruins. Agora, já a consciência é a sensatez em discernir se realmente certas atitudes carecem de razão. Por quê?

    Conscientizar é refletir, é saber qual o melhor ato, é solucionar questões sem se prejudicar nem prejudicar o outro. É contar até dez... 100... 1000, se fizer necessário.


(Texto adaptado)
As frases exemplificadas, entre aspas, no texto, servem:
Alternativas
Q4227627 Português

Texto-base para as questão



Momento Num Café

(Manuel Bandeira)


Quando o enterro passou

Os homens que se achavam no café

Tiraram o chapéu maquinalmente

Saudavam o morto distraídos

Estavam todos voltados para a vida

Absortos na vida

Confiantes na vida.


Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado

Olhando o esquife longamente

Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade 

Que a vida é traição

E saudava a matéria que passava

Liberta para sempre da alma extinta.



Disponível em:

https://mosqueteirasliterarias.comunidades.net/momento−numa− biblioteca Acesso em: 10 jan. 2023 08



“Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado / Olhando o esquife longamente”


O elemento coesivo “no entanto” carrega, com relação à estrofe anterior, uma ideia de: 

Alternativas
Q4226794 Português

Leia o texto para responder à questão.


Papel civilizatório do ensino integral


    Não existe bala de prata para resolver os problemas da educação − e os resultados, em geral, demoram a aparecer. Há, contudo, caminhos já testados e capazes de conduzir as escolas rumo a um salto de qualidade: um deles, a oferta de ensino em tempo integral. Eis uma iniciativa a ser priorizada em todo o País, ainda mais diante dos desafios inerentes à implementação do novo ensino médio. Bem, se há um ajuste que precisa ser feito, é acelerar a ampliação da carga horária.


    Chega a ser intuitivo: à medida que crianças e adolescentes passam mais horas nas salas de aula, as oportunidades de aprendizagem também aumentam. “Escola em tempo integral nos países desenvolvidos se chama escola”, destacou Nogueira Filho, diretor executivo do Todos pela Educação, em recente entrevista ao Estadão. Essa é a regra nas nações que obtêm melhor desempenho no exame internacional Pisa, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).


    A fala do diretor executivo do Todos pela Educação joga luz sobre um dos principais desafios da implementação da reforma do ensino médio. Como se sabe, a reforma flexibilizou a organização curricular das escolas: além das tradicionais aulas de formação básica, como Português, Matemática e Biologia, passaram a ser ofertadas novas disciplinas agrupadas em itinerários formativos que ocupam atualmente 40% da carga horária. O resultado é que sobra menos tempo para as aulas de formação básica, aquelas que preparam para o vestibular − e isso, claro, gera críticas.


    Ora, a solução passa por ampliar a jornada escolar − acomodando as disciplinas da parte obrigatória e da parte flexível do currículo sem prejuízo de nenhuma delas. Uma escola que se pretenda atrativa para os jovens precisa ir além dos conteúdos tradicionais, e é isso que a reforma promete. Ao romper com o modelo de currículo único e flexibilizar a oferta de disciplinas, dando aos jovens a oportunidade de escolha, a reforma acenou com avanços inequívocos. Mas esse lado inovador do novo ensino médio não deve implicar perdas para a formação básica dos estudantes.


    O Brasil está atrasado na oferta de ensino em tempo integral. À exceção de alguns Estados que perceberam a importância estratégica da medida, o País condena a imensa maioria de seus alunos a uma carga horária insuficiente. No caso das redes públicas de ensino médio, apenas 20% dos jovens frequentavam jornadas de 7 horas ou mais no ano passado; no ensino fundamental, a média nacional era ainda mais baixa: 14%. Como esperar que as escolas deem conta da sua tarefa de formar cidadãos para o século 21 nesse modelo anacrônico de um único turno de aulas?


    Não se ignora que a ampliação da jornada escolar exige mais recursos. Mas aqui vale a máxima de que mais caro é não fazer o devido investimento. Com a expansão do ensino em tempo integral, não é somente a reforma do ensino médio que ganhará uma chance de virar realidade: a educação brasileira, finalmente, terá a oportunidade de cumprir seu papel civilizatório.


(https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.04.2023. Adaptado)

Mantém-se a coerência da passagem do terceiro parágrafo – A fala do diretor executivo do Todos pela Educação joga luz sobre um dos principais desafios da implementação da reforma do ensino médio. – com a seguinte reescrita:
Alternativas
Q4226793 Português

Leia o texto para responder à questão.


Papel civilizatório do ensino integral


    Não existe bala de prata para resolver os problemas da educação − e os resultados, em geral, demoram a aparecer. Há, contudo, caminhos já testados e capazes de conduzir as escolas rumo a um salto de qualidade: um deles, a oferta de ensino em tempo integral. Eis uma iniciativa a ser priorizada em todo o País, ainda mais diante dos desafios inerentes à implementação do novo ensino médio. Bem, se há um ajuste que precisa ser feito, é acelerar a ampliação da carga horária.


    Chega a ser intuitivo: à medida que crianças e adolescentes passam mais horas nas salas de aula, as oportunidades de aprendizagem também aumentam. “Escola em tempo integral nos países desenvolvidos se chama escola”, destacou Nogueira Filho, diretor executivo do Todos pela Educação, em recente entrevista ao Estadão. Essa é a regra nas nações que obtêm melhor desempenho no exame internacional Pisa, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).


    A fala do diretor executivo do Todos pela Educação joga luz sobre um dos principais desafios da implementação da reforma do ensino médio. Como se sabe, a reforma flexibilizou a organização curricular das escolas: além das tradicionais aulas de formação básica, como Português, Matemática e Biologia, passaram a ser ofertadas novas disciplinas agrupadas em itinerários formativos que ocupam atualmente 40% da carga horária. O resultado é que sobra menos tempo para as aulas de formação básica, aquelas que preparam para o vestibular − e isso, claro, gera críticas.


    Ora, a solução passa por ampliar a jornada escolar − acomodando as disciplinas da parte obrigatória e da parte flexível do currículo sem prejuízo de nenhuma delas. Uma escola que se pretenda atrativa para os jovens precisa ir além dos conteúdos tradicionais, e é isso que a reforma promete. Ao romper com o modelo de currículo único e flexibilizar a oferta de disciplinas, dando aos jovens a oportunidade de escolha, a reforma acenou com avanços inequívocos. Mas esse lado inovador do novo ensino médio não deve implicar perdas para a formação básica dos estudantes.


    O Brasil está atrasado na oferta de ensino em tempo integral. À exceção de alguns Estados que perceberam a importância estratégica da medida, o País condena a imensa maioria de seus alunos a uma carga horária insuficiente. No caso das redes públicas de ensino médio, apenas 20% dos jovens frequentavam jornadas de 7 horas ou mais no ano passado; no ensino fundamental, a média nacional era ainda mais baixa: 14%. Como esperar que as escolas deem conta da sua tarefa de formar cidadãos para o século 21 nesse modelo anacrônico de um único turno de aulas?


    Não se ignora que a ampliação da jornada escolar exige mais recursos. Mas aqui vale a máxima de que mais caro é não fazer o devido investimento. Com a expansão do ensino em tempo integral, não é somente a reforma do ensino médio que ganhará uma chance de virar realidade: a educação brasileira, finalmente, terá a oportunidade de cumprir seu papel civilizatório.


(https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.04.2023. Adaptado)

De acordo com Koch e Elias (2011) e Marcuschi (2008), na passagem do primeiro parágrafo – Há, contudo, caminhos já testados e capazes de conduzir as escolas rumo a um salto de qualidade... –, o termo destacado estabelece entre as sequências textuais relação de sentido de
Alternativas
Q4226792 Português

Leia o texto para responder à questão.


Papel civilizatório do ensino integral


    Não existe bala de prata para resolver os problemas da educação − e os resultados, em geral, demoram a aparecer. Há, contudo, caminhos já testados e capazes de conduzir as escolas rumo a um salto de qualidade: um deles, a oferta de ensino em tempo integral. Eis uma iniciativa a ser priorizada em todo o País, ainda mais diante dos desafios inerentes à implementação do novo ensino médio. Bem, se há um ajuste que precisa ser feito, é acelerar a ampliação da carga horária.


    Chega a ser intuitivo: à medida que crianças e adolescentes passam mais horas nas salas de aula, as oportunidades de aprendizagem também aumentam. “Escola em tempo integral nos países desenvolvidos se chama escola”, destacou Nogueira Filho, diretor executivo do Todos pela Educação, em recente entrevista ao Estadão. Essa é a regra nas nações que obtêm melhor desempenho no exame internacional Pisa, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).


    A fala do diretor executivo do Todos pela Educação joga luz sobre um dos principais desafios da implementação da reforma do ensino médio. Como se sabe, a reforma flexibilizou a organização curricular das escolas: além das tradicionais aulas de formação básica, como Português, Matemática e Biologia, passaram a ser ofertadas novas disciplinas agrupadas em itinerários formativos que ocupam atualmente 40% da carga horária. O resultado é que sobra menos tempo para as aulas de formação básica, aquelas que preparam para o vestibular − e isso, claro, gera críticas.


    Ora, a solução passa por ampliar a jornada escolar − acomodando as disciplinas da parte obrigatória e da parte flexível do currículo sem prejuízo de nenhuma delas. Uma escola que se pretenda atrativa para os jovens precisa ir além dos conteúdos tradicionais, e é isso que a reforma promete. Ao romper com o modelo de currículo único e flexibilizar a oferta de disciplinas, dando aos jovens a oportunidade de escolha, a reforma acenou com avanços inequívocos. Mas esse lado inovador do novo ensino médio não deve implicar perdas para a formação básica dos estudantes.


    O Brasil está atrasado na oferta de ensino em tempo integral. À exceção de alguns Estados que perceberam a importância estratégica da medida, o País condena a imensa maioria de seus alunos a uma carga horária insuficiente. No caso das redes públicas de ensino médio, apenas 20% dos jovens frequentavam jornadas de 7 horas ou mais no ano passado; no ensino fundamental, a média nacional era ainda mais baixa: 14%. Como esperar que as escolas deem conta da sua tarefa de formar cidadãos para o século 21 nesse modelo anacrônico de um único turno de aulas?


    Não se ignora que a ampliação da jornada escolar exige mais recursos. Mas aqui vale a máxima de que mais caro é não fazer o devido investimento. Com a expansão do ensino em tempo integral, não é somente a reforma do ensino médio que ganhará uma chance de virar realidade: a educação brasileira, finalmente, terá a oportunidade de cumprir seu papel civilizatório.


(https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.04.2023. Adaptado)

Kleiman (1993) observa que “os elementos que relacionam as diversas partes do texto são também instrumentais na construção de significado global para o texto.” Com base nesse entendimento, é correto que há reforço no posicionamento defendido pelo jornal com o emprego da expressão destacada em:
Alternativas
Q4226791 Português

Leia o texto para responder à questão.


Papel civilizatório do ensino integral


    Não existe bala de prata para resolver os problemas da educação − e os resultados, em geral, demoram a aparecer. Há, contudo, caminhos já testados e capazes de conduzir as escolas rumo a um salto de qualidade: um deles, a oferta de ensino em tempo integral. Eis uma iniciativa a ser priorizada em todo o País, ainda mais diante dos desafios inerentes à implementação do novo ensino médio. Bem, se há um ajuste que precisa ser feito, é acelerar a ampliação da carga horária.


    Chega a ser intuitivo: à medida que crianças e adolescentes passam mais horas nas salas de aula, as oportunidades de aprendizagem também aumentam. “Escola em tempo integral nos países desenvolvidos se chama escola”, destacou Nogueira Filho, diretor executivo do Todos pela Educação, em recente entrevista ao Estadão. Essa é a regra nas nações que obtêm melhor desempenho no exame internacional Pisa, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).


    A fala do diretor executivo do Todos pela Educação joga luz sobre um dos principais desafios da implementação da reforma do ensino médio. Como se sabe, a reforma flexibilizou a organização curricular das escolas: além das tradicionais aulas de formação básica, como Português, Matemática e Biologia, passaram a ser ofertadas novas disciplinas agrupadas em itinerários formativos que ocupam atualmente 40% da carga horária. O resultado é que sobra menos tempo para as aulas de formação básica, aquelas que preparam para o vestibular − e isso, claro, gera críticas.


    Ora, a solução passa por ampliar a jornada escolar − acomodando as disciplinas da parte obrigatória e da parte flexível do currículo sem prejuízo de nenhuma delas. Uma escola que se pretenda atrativa para os jovens precisa ir além dos conteúdos tradicionais, e é isso que a reforma promete. Ao romper com o modelo de currículo único e flexibilizar a oferta de disciplinas, dando aos jovens a oportunidade de escolha, a reforma acenou com avanços inequívocos. Mas esse lado inovador do novo ensino médio não deve implicar perdas para a formação básica dos estudantes.


    O Brasil está atrasado na oferta de ensino em tempo integral. À exceção de alguns Estados que perceberam a importância estratégica da medida, o País condena a imensa maioria de seus alunos a uma carga horária insuficiente. No caso das redes públicas de ensino médio, apenas 20% dos jovens frequentavam jornadas de 7 horas ou mais no ano passado; no ensino fundamental, a média nacional era ainda mais baixa: 14%. Como esperar que as escolas deem conta da sua tarefa de formar cidadãos para o século 21 nesse modelo anacrônico de um único turno de aulas?


    Não se ignora que a ampliação da jornada escolar exige mais recursos. Mas aqui vale a máxima de que mais caro é não fazer o devido investimento. Com a expansão do ensino em tempo integral, não é somente a reforma do ensino médio que ganhará uma chance de virar realidade: a educação brasileira, finalmente, terá a oportunidade de cumprir seu papel civilizatório.


(https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.04.2023. Adaptado)

De acordo com Antunes (2003), “o leitor, como um dos sujeitos da interação, atua participativamente, buscando recuperar, buscando interpretar e compreender o conteúdo e as intenções pretendidos pelo autor.” Desse modo, analisando os movimentos de sentido propostos no texto, os leitores identificarão que há conteúdo externando contraposições do tema tratado e que há conteúdo propositivo em relação ao tema tratado, correta e respectivamente, nas passagens:
Alternativas
Q4226782 Português

Leia o texto para responder à questão.


Uma aluna de pedagogia que trabalha de dia em uma casa lotérica me relatou isto: um cliente, já idoso, sempre a procurava para fazer o jogo e um dia lhe disse: “Moça, qual é a sua graça?”. Ela ficou sem entender e sem saber o que responder. Só mais tarde percebeu que a pergunta era: “Qual é o seu nome?”


(Bortoni Ricardo, 2004)

De acordo com Koch e Elias (2011), classificam-se os pronomes destacados, correta e respectivamente, como
Alternativas
Q4226484 Português
A partida

Osman Lins

   Hoje, revendo minhas atitudes quando vim embora, reconheço que mudei bastante. Verifico também que estava aflito e que havia um fundo de mágoa ou desespero em minha impaciência. Eu queria deixar minha casa, minha avó e seus cuidados. Estava farto de chegar a horas certas, de ouvir reclamações; de ser vigiado, contemplado, querido. Sim, também a afeição de minha avó incomodava−me. Era quase palpável, quase como um objeto, uma túnica, um paletó justo que eu não pudesse despir.

    Ela vivia a comprar−me remédios, a censurar minha falta de modos, a olhar−me, a repetir conselhos que eu já sabia de cor. Era boa demais, intoleravelmente boa e amorosa e justa.

    Na véspera da viagem, enquanto eu a ajudava a arrumar as coisas na maleta, pensava que no dia seguinte estaria livre e imaginava o amplo mundo no qual iria desafogar−me: passeios, domingos sem missa, trabalho em vez de livros, mulheres nas praias, caras novas. Como tudo era fascinante! Que viesse logo. Que as horas corressem e eu me encontrasse imediatamente na posse de todos esses bens que me aguardavam. Que as horas voassem, voassem!

    Percebi que minha avó não me olhava. A princípio, achei inexplicável ela fizesse isso, pois costumava fitar−me, longamente, com uma ternura que incomodava. Tive raiva do que me parecia um capricho e, como represália, fui para a cama. 

   Deixei a luz acesa. Sentia não sei que prazer em contar as vigas do teto, em olhar para a lâmpada. Desejava que nenhuma dessas coisas me afetasse e irritava−me por começar a entender que não conseguiria afastar−me delassem emoção.

    Minha avó fechara a maleta e agora se movia, devagar, calada, fiel ao seu hábito de fazer arrumações tardias. A quietude da casa parecia triste e ficava mais nítida com os poucos ruídos aos quais me fixava: manso arrastar de chinelos, cuidadoso abrir e lento fechar de gavetas, o tique−taque do relógio, tilintar de talheres, de xícaras.

    Por fim, ela veio ao meu quarto, curvou−se:

    — Acordado?

    Apanhou o lençol e ia cobrir−me (gostava disto, ainda hoje o faz quando a visito); mas pretextei calor, beijei sua mão enrugada e, antes que ela saísse, dei−lhe as costas.
Não consegui dormir. Continuava preso a outros rumores. E quando estes se esvaíam, indistintas imagens me acossavam. Edifícios imensos, opressivos, barulho de trens, luzes, tudo a afligir−me, persistente, desagradável — imagens de febre.

   Sentei−me na cama, as têmporas batendo, o coração inchado, retendo uma alegria dolorosa, que mais parecia um anúncio de morte. As horas passavam, cantavam grilos, minha avó tossia e voltava−se no leito, as molas duras rangiam ao peso de seu corpo. A tosse passou, emudeceram as molas; ficaram só os grilos e os relógios. Deitei−me.

    Passava de meia−noite quando a velha cama gemeu: minha avó levantava−se. Abriu de leve a porta de seu quarto, sempre de leve entrou no meu, veio chegando e ficou de pé junto a mim. Com que finalidade? — perguntava eu. Cobrir−me ainda? Repetir−me conselhos? Ouvi−a então soluçar e quase fui sacudido por um acesso de raiva. Ela estava olhando para mim e chorando como se eu fosse um cadáver — pensei. Mas eu não me parecia em nada com um morto, senão no estar deitado. Estava vivo, bem vivo, não ia morrer. Sentia−me a ponto de gritar. Que me deixasse em paz e fosse chorar longe, na sala, na cozinha, no quintal, mas longe de mim. Eu não estava morto.

    Afinal, ela beijou−me a fronte e se afastou, abafando os soluços. Eu crispei as mãos nas grades de ferro da cama, sobre as quais apoiei a testa ardente. E adormeci.

   Acordei pela madrugada. A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir. Inútil, o sono esgotara−se. Com precaução, acendi um fósforo: passava das três. Restavam−me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco. Veio−me então o desejo de não passar nem uma hora mais naquela casa. Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e de amor.

    Com receio de fazer barulho, dirigi−me à cozinha, lavei o rosto, os dentes, penteei−me e, voltando ao meu quarto, vesti− me. Calcei os sapatos, sentei−me um instante à beira da cama. Minha avó continuava dormindo. Deveria fugir ou falar com ela? Ora, algumas palavras… Que me custava acordá−la, dizer− lhe adeus?

    Ela estava encolhida, pequenina, envolta numa coberta escura. Toquei−lhe no ombro, ela se moveu, descobriu−se. Quis levantar−se e eu procurei detê−la. Não era preciso, eu tomaria um café na estação. Esquecera de falar com um colega e, se fosse esperar, talvez não houvesse mais tempo. Ainda assim, levantou−se. Ralhava comigo por não tê−la despertado antes, acusava−se de ter dormido muito. Tentava sorrir.

   Não sei por que motivo, retardei ainda a partida. Andei pela casa, cabisbaixo, à procura de objetos imaginários enquanto ela me seguia, abrigada em sua coberta. Eu sabia que desejava beijar−me, prender−se a mim, e à simples ideia desses gestos, estremeci. Como seria se, na hora do adeus, ela chorasse?

    Enfim, beijei sua mão, bati−lhe de leve na cabeça. Creio mesmo que lhe surpreendi um gesto de aproximação, decerto na esperança de um abraço final. Esquivei−me, apanhei a maleta e, ao fazê−lo, lancei um rápido olhar para a mesa (cuidadosamente posta para dois, com a humilde louça dos grandes dias e a velha toalha branca, bordada, que só se usava em nossos aniversários).

Fonte: Moriconi, Italo. * Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p.190−192. * título omitido propositalmente
“na posse de todos esses bens que me aguardavam” (3º parágrafo)

No contexto acima, o elemento coesivo “esses” se refere a (ao):
Alternativas
Q4226420 Português
Leituras têm impacto especial quando estamos doentes

Ficar acamado nunca é divertido,mas a companhia de um bom livro é sempre bem−vinda

10 jan.2023 às 8h00

    Longos períodos de convalescença são ideais para quem deseja colocar a leitura em dia. Sempre que estou doente, busco a companhia de um livro. Agora mesmo, enquanto me recuperava de uma infecção por Covid em plena temporada de festas, a primeira coisa que fiz foi encher uma mochila com material de leitura e carregá−la comigo para a cama.

    Este é um hábito que me acompanha desde menina, quando os meus pais procuravam algo para me entreter nos momentos em que eu não estava bem. Assim, lembro de receber muitos livros e revistas de quadrinhos quando precisava ficar de molho, me recuperando de algum processo alérgico, de uma gripe ou mesmo de um acidente.

    A leitura, nessas circunstâncias, nos ajuda a combater o tédio e a inquietação. Não sei se isto também acontece com vocês, mas é justamente quando estou doente que paro para questionar a vida e refletir sobre o que preciso fazer para ser uma pessoa minimamente satisfeita.

    Não sou, nem nunca fui uma doente fácil. Bastam dois dias de cama para me deixar angustiada. Sou inquieta, gosto de trabalhar e de me mexer, e fico de mau humor quando percebo que o meu corpo pede arrego.
    
    A impossibilidade de realizar tarefas simples e corriqueiras como tomar banho de cabeça, cozinhar ou ir ao supermercado para comprar frutas faz com que a minha imaginação antecipe cenários em que não terei mais condições de viver sozinha e de fazer as minhas coisas por conta própria.

    Assim, ao constatar a fragilidade e o desconforto causados pela doença, é bastante comum que eu me pergunte se estou levando uma boa vida, se realmente estou a fazer o melhor para mim e para as pessoas que, de alguma forma, contam comigo e apostam na minha felicidade. Nesses momentos, a leitura me resgata e ajuda a superar a angústia.

    A convalescença, como toda quebra de rotina, faz com que a nossa relação com o tempo seja alterada. Quando estamos acamados, perdemos a noção da hora. Acordamos tarde, dormimos cedo e passamos as noites entre o sono e a vigília, a querer adiantar os ponteiros do relógio.

    Toda essa confusão faz com que acabemos voltando a nossa atenção para nós mesmos, em uma tentativa de mantermos a ilusão de que temos controle sobre algo. Assim, doentes, achamos que não nos resta outra coisa a não ser pensar compulsivamente sobre as nossas vidas.

    Ler — o ato de tomar um livro nas mãos e virar as suas páginas uma por uma, em uma sequência crescente e determinada, pacientemente acompanhando o desenrolar de uma história e me esforçando para entender as implicações do que está no papel — é algo que sempre me ajuda a sair de um estado de obsessiva preocupação comigo mesma.

     [...]

    Tenho para mim que a disciplina inspirada pela leitura, ao permitir com que nos tornemos mais atenciosos e pacientes para acompanharmos uma trama do começo ao fim, também seja capaz de restaurar certa impressão de rotina na vida de quem está acamado, ajudando−o mais uma vez a emprestar ordem, ritmo e propósito às suas reflexões.

    Talvez seja por isso, não tenho certeza, que as leituras feitas durante os nossos períodos de convalescença acabam se tornando tão determinantes para nós, como se elas possuíssem uma dimensão transformadora. Consultando a memória, identifico alguns dos livros que me marcaram ao longo dos anos e percebo que muitos foram lidos justamente quando eu estive de cama. Mas será que eles teriam tido o mesmo impacto em minha vida caso eu os tivesse encontrado em outro momento?

    Penso que não. Ao menos no meu caso, os longos períodos de convalescença têm o efeito de suavizar algumas das minhas resistências, fazendo com que eu me sinta um pouco mais disposta a conhecer a obra de autores que normalmente não encontrariam lugar entre as minhas preferências.

   Essa é provavelmente uma dasrazões pelas quais a gente tenha a impressão de que essas leituras de alguma maneira operam uma transformação em nossas vidas. Pois, se estamos lendo algo interessante, porém diferente de quase tudo aquilo a que geralmente temos acesso, então, realmente faz sentido achar que algo em nós esteja mudando graças àquela leitura.

    [...]

   Ficar doente nunca é divertido, mas a companhia de um bom livro é sempre bem−vinda, principalmente quando ela nos empresta novas ferramentas para enfrentar os desafios que nos são impostos pela vida.


Albuquerque, Juliana de. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/juliana−de− albuquerque/2023/01/leituras−tem−impacto−especial−quando− estamos−doentes.shtml Acesso em 12 jan. 2023.
“mas a companhia de um bom livro é sempre bem−vinda” Em qual das opções abaixo o elemento coesivo sublinhado NÃO apresenta a mesma significação do conectivo “mas”? 
Alternativas
Respostas
2401: B
2402: A
2403: B
2404: B
2405: C
2406: D
2407: E
2408: E
2409: D
2410: C
2411: C
2412: C
2413: A
2414: C
2415: C
2416: D
2417: A
2418: B
2419: A
2420: D