Questões de Concurso
Comentadas sobre coesão e coerência em português
Foram encontradas 9.067 questões
Texto I
À natureza nos ensina a agir coletivamente
Clarice Cudischevitch
Por que peixes nadam em cardumes? Como pássaros voam em bando tão harmonicamente? O que motivou pessoas a não usarem máscara em uma pandemia? Um dos fenômenos mais fascinantes das ciências da vida é, justamente, o conflito entre o comportamento individual e o coletivo. Mas ele não é exclusivo do mundo biológico. O ecólogo Simon Levin o extrapola para as ciências sociais buscando entender condutas de uma espécie em particular: a humana.
Isso porque, embora a seleção natural atue nas diferenças entre indivíduos, a cooperação existe na natureza desde o nível celular até em diferentes animais. Diretor do Centro de BioComplexidade e professor de ecologia e biologia evolutiva da Universidade de Princeton (EUA), Levin aplica a matemática, sua formação original, para estudar essas duas tendências conflitantes.
Na biologia, elas já são relativamente conhecidas. Pela seleção natural, os organismos mais aptos a sobreviver têm mais chances de passar suas características para os descendentes e, assim, perpetuar seus genes. Em “O Gene Egoista”, o biólogo Richard Dawkins afirma que um comportamento coletivo, como voar em bando, é adotado por conferir maior probabilidade de sobrevivência a uma linhagem genética.
Quando falamos de interações humanas, no entanto, a conversa é mais complexa. Se peixes nadam em cardumes para benefício mútuo — lutar contra predadores, por exemplo —, adotar um comportamento coletivo que gere benefícios em maior escala para a sociedade geralmente implica restringir ações individuais. “Precisamos aprender com a natureza como alcançar a cooperação”, diz Levin.
Na matemática, é a teoria dos jogos, técnica que modula o comportamento estratégico de agentes em diferentes situações, que dá conta de entender essas relações. Um exemplo clássico: se as pessoas priorizassem o transporte público ao carro, o congestionamento diminuiria, beneficiando a todos. Nesse cenário, no entanto, indivíduos acabariam saindo de carro para aproveitar o fluxo do trânsito, voltando a sobrecarregar as vias. Para a coletividade, seria melhor a cooperação do que ações individuais egoístas.
Essa mistura de matemática com sociologia e toques de biologia é útil para entender a pandemia da Covid-19. Levin, que passou mais de 40 anos estudando a dinâmica de doenças infecciosas, explica que, no caso do coronavirus, aplicamos modelos que predizem a disseminação do vírus, as diferenças entre pacientes com e sem sintomas e outros aspectos que ajudam a pensar em estratégias. Mas falta o componente social.
“Vemos grupos que hesitaram em se vacinar. Por quê?”, questiona Levin. “Há os que se recusaram a usar máscaras. China, Japão e Ásia em geral são países mais abertos a esse tipo de proteção, enquanto outros, como a Suécia, resistiram. Entender isso é um problema das ciências sociais.”
Levin vai além: como decisões coletivas são tomadas? Como normas sociais são criadas e mantidas? Como indivíduos interagem? Um de seus estudos do momento quer entender a dinâmica das polarizações políticas. “Pessoas fazem parte de grupos diferentes, que às vezes se sobrepõem. Desenvolvemos modelos em que os indivíduos mudam suas opiniões ou migram de grupo baseados em interações com outras pessoas.”
Modelos desse tipo também são aplicados em contextos internacionais. Analisam, por exemplo, não apenas as relações entre nações, mas também as influências de organizações como ONU e OMS nas decisões e mudanças de posicionamento dos países.
Disponível em https://cienciafundamental.blogfolha.uol.com.br/ 2021/02/27/a-natureza-nos-ensina-a-agir-coletivamente/ (Adaptado)
No trecho "Mas ele não é exclusivo do mundo biológico. O ecólogo Simon Levin o extrapola para as ciências sociais buscando entender condutas..." (1º parágrafo), os pronomes ELE e O, em destaque, retomam o seguinte termo do parágrafo:
Texto l
A prata é pior do que o bronze?
Daqui a uma semana os Jogos Olímpicos de Inverno começam em Pequim. Cerca de 3.000 atletas disputarão a competição mais importante de suas vidas. Poucos serão campeões, a maioria não subirá no pódio, e isso faz parte do esporte.
Não sei se você já reparou que, na entrega de medalhas, o terceiro lugar geralmente está sorrindo, enquanto a expressão do segundo colocado às vezes é de decepção. Por que a prata é vista por muitos competidores como sendo pior do que o bronze? Há anos, especialistas tentam explicar essa questão.
A resposta pode estar na cara, literalmente. Uma das pesquisas mais relevantes foi publicada em 1995 no Journal of Personality and Social Psychology.
O professor de psicologia Thomas Gilovich e seus colegas gravaram a reação de medalhistas de prata e de bronze durante os Jogos Olímpicos de Barcelona de 1992 — quando os atletas descobriram suas colocações e na cerimônia de premiação. Depois, mostraram o vídeo a estudantes sem revelar as posições finais. A análise foi a de que, em geral, quem levou o bronze estava mais satisfeito.
Os pesquisadores também entrevistaram mais de cem medalhistas em uma competição amadora nos Estados Unidos e pediram que eles qualificassem a própria performance. Os que ficaram em terceiro pareciam mais felizes e aliviados por estarem no pódio, enquanto os vice-campeões se sentiam derrotados porque se compararam aos primeiros colocados. A sensação era a de que não ganharam a prata, mas, sim, perderam o ouro.
Outra pesquisa de 2006 na mesma publicação analisou a expressão facial de medalhistas de ouro, prata e bronze e dos que terminaram em quinto lugar na competição olímpica de judô em Atenas - 2004. Os terceiros colocados tinham um sorriso mais espontâneo, o que significa usar músculos da face que deixam os olhos apertados e geram os "pés-de-galinha". A reação dos medalhistas de prata, segundo aos autores, mostrou que eles estavam apenas sendo educados, não felizes. O famoso sorriso amarelo.
Um estudo feito pela London School of Economics após os Jogos Paraolímpicos de Londres de 2012 revelou resultados parecidos. Respostas emocionais influenciadas pelo que poderia ter acontecido, não pelo que de fato ocorreu. A margem da performance também era relevante: psicologicamente, ganhar a prata por pouco, em vez do bronze, seria menos decepcionante.
É possível ter empatia em situações cotidianas. Há quem fique feliz com o aumento de salário, mas talvez se desanime ao saber que o colega de escritório ganhou um ainda maior. Quem quer perder cinco quilos e emagrece seis comemora, mas, se a ideia era perder dez quilos e são cinco a menos na balança, a sensação pode ser de derrota.
Muitas vezes, O ser humano se diminui quando se compara, ou quando pensa no que poderia ter feito. Todos, em uma escala maior ou menor, já passaram por isso.
Em competições que envolvem disputa de terceiro lugar, o medalhista de bronze vem de uma vitória, enquanto o de prata, de uma derrota. No esporte, há várias formas de lidar com um segundo lugar. Alguns atletas transformam a decepção em combustível para treinar mais duro e tentar vencer na próxima. Outros reconhecem e apreciam o tamanho do feito que conquistaram após anos de dedicação. Mais uma lição que os Jogos Olímpicos nos ensinam sobre as emoções humanas.
Marina lIzidro
(Folha de São Paulo, 29 de janeiro de 2022)
“Alguns atletas transformam a decepção em combustível para treinar mais duro e tentar vencer na próxima. Outros reconhecem e apreciam o tamanho do feito que conquistaram após anos de dedicação” (10º parágrafo)
No trecho, a coesão se estabelece por meio do emprego, entre outros recursos, de:
Texto l
A prata é pior do que o bronze?
Daqui a uma semana os Jogos Olímpicos de Inverno começam em Pequim. Cerca de 3.000 atletas disputarão a competição mais importante de suas vidas. Poucos serão campeões, a maioria não subirá no pódio, e isso faz parte do esporte.
Não sei se você já reparou que, na entrega de medalhas, o terceiro lugar geralmente está sorrindo, enquanto a expressão do segundo colocado às vezes é de decepção. Por que a prata é vista por muitos competidores como sendo pior do que o bronze? Há anos, especialistas tentam explicar essa questão.
A resposta pode estar na cara, literalmente. Uma das pesquisas mais relevantes foi publicada em 1995 no Journal of Personality and Social Psychology.
O professor de psicologia Thomas Gilovich e seus colegas gravaram a reação de medalhistas de prata e de bronze durante os Jogos Olímpicos de Barcelona de 1992 — quando os atletas descobriram suas colocações e na cerimônia de premiação. Depois, mostraram o vídeo a estudantes sem revelar as posições finais. A análise foi a de que, em geral, quem levou o bronze estava mais satisfeito.
Os pesquisadores também entrevistaram mais de cem medalhistas em uma competição amadora nos Estados Unidos e pediram que eles qualificassem a própria performance. Os que ficaram em terceiro pareciam mais felizes e aliviados por estarem no pódio, enquanto os vice-campeões se sentiam derrotados porque se compararam aos primeiros colocados. A sensação era a de que não ganharam a prata, mas, sim, perderam o ouro.
Outra pesquisa de 2006 na mesma publicação analisou a expressão facial de medalhistas de ouro, prata e bronze e dos que terminaram em quinto lugar na competição olímpica de judô em Atenas - 2004. Os terceiros colocados tinham um sorriso mais espontâneo, o que significa usar músculos da face que deixam os olhos apertados e geram os "pés-de-galinha". A reação dos medalhistas de prata, segundo aos autores, mostrou que eles estavam apenas sendo educados, não felizes. O famoso sorriso amarelo.
Um estudo feito pela London School of Economics após os Jogos Paraolímpicos de Londres de 2012 revelou resultados parecidos. Respostas emocionais influenciadas pelo que poderia ter acontecido, não pelo que de fato ocorreu. A margem da performance também era relevante: psicologicamente, ganhar a prata por pouco, em vez do bronze, seria menos decepcionante.
É possível ter empatia em situações cotidianas. Há quem fique feliz com o aumento de salário, mas talvez se desanime ao saber que o colega de escritório ganhou um ainda maior. Quem quer perder cinco quilos e emagrece seis comemora, mas, se a ideia era perder dez quilos e são cinco a menos na balança, a sensação pode ser de derrota.
Muitas vezes, O ser humano se diminui quando se compara, ou quando pensa no que poderia ter feito. Todos, em uma escala maior ou menor, já passaram por isso.
Em competições que envolvem disputa de terceiro lugar, o medalhista de bronze vem de uma vitória, enquanto o de prata, de uma derrota. No esporte, há várias formas de lidar com um segundo lugar. Alguns atletas transformam a decepção em combustível para treinar mais duro e tentar vencer na próxima. Outros reconhecem e apreciam o tamanho do feito que conquistaram após anos de dedicação. Mais uma lição que os Jogos Olímpicos nos ensinam sobre as emoções humanas.
Marina lIzidro
(Folha de São Paulo, 29 de janeiro de 2022)
Considerando a progressão do texto, a informação apresentada no quarto parágrafo assume, em relação ao terceiro, a função de:
Texto para as questões de 1 a 4.
1-----------Vivo só, com um criado. A casa em que moro é
----própria; fi-la construir de propósito, levado de um desejo
----tão particular que me vexa imprimi-lo, mas vá lá. Um dia, há
4---bastantes anos, lembrou-me reproduzir no Engenho Novo a
----casa em que me criei na antiga rua de Matacavalos,
----dando-lhe o mesmo aspecto e economia daquela outra, que
7---desapareceu. Construtor e pintor entenderam bem as
----indicações que lhes fiz: é o mesmo prédio assobradado, três
----janelas de frente, varanda ao fundo, as mesmas alcovas e
10--salas. Na principal destas, a pintura do teto e das paredes é
----mais ou menos igual, umas grinaldas de flores miúdas e
----grandes pássaros que as tomam nos bicos, de espaço a
13--espaço. Nos quatro cantos do teto, as figuras das estações,
----e ao centro das paredes os medalhões de César, Augusto,
----Nero e Massinissa, com os nomes por baixo... Não alcanço a
16--razão de tais personagens. Quando fomos para a casa de
----Matacavalos, já ela estava assim decorada; vinha do
----decênio anterior. Naturalmente era gosto do tempo meter
19--sabor clássico e figuras antigas em pinturas americanas.
----O mais é também análogo e parecido. Tenho chacarinha,
----flores, legume, uma casuarina, um poço e lavadouro.
20--Uso louça velha e mobília velha. Enfim, agora, como
----outrora, há aqui o mesmo contraste da vida interior, que é
----pacata, com a exterior, que é ruidosa.
---------------------------------------Machado de Assis. Dom Casmurro.
---------------------------------------Internet: <machado.mec.gov.br>.
Cada uma das alternativas a seguir apresenta uma proposta de reescrita do último período do texto. Assinale a alternativa cuja proposta mantém a correção gramatical e o sentido original do período.
Texto para as questões de 1 a 4.
1-----------Vivo só, com um criado. A casa em que moro é
----própria; fi-la construir de propósito, levado de um desejo
----tão particular que me vexa imprimi-lo, mas vá lá. Um dia, há
4---bastantes anos, lembrou-me reproduzir no Engenho Novo a
----casa em que me criei na antiga rua de Matacavalos,
----dando-lhe o mesmo aspecto e economia daquela outra, que
7---desapareceu. Construtor e pintor entenderam bem as
----indicações que lhes fiz: é o mesmo prédio assobradado, três
----janelas de frente, varanda ao fundo, as mesmas alcovas e
10--salas. Na principal destas, a pintura do teto e das paredes é
----mais ou menos igual, umas grinaldas de flores miúdas e
----grandes pássaros que as tomam nos bicos, de espaço a
13--espaço. Nos quatro cantos do teto, as figuras das estações,
----e ao centro das paredes os medalhões de César, Augusto,
----Nero e Massinissa, com os nomes por baixo... Não alcanço a
16--razão de tais personagens. Quando fomos para a casa de
----Matacavalos, já ela estava assim decorada; vinha do
----decênio anterior. Naturalmente era gosto do tempo meter
19--sabor clássico e figuras antigas em pinturas americanas.
----O mais é também análogo e parecido. Tenho chacarinha,
----flores, legume, uma casuarina, um poço e lavadouro.
20--Uso louça velha e mobília velha. Enfim, agora, como
----outrora, há aqui o mesmo contraste da vida interior, que é
----pacata, com a exterior, que é ruidosa.
---------------------------------------Machado de Assis. Dom Casmurro.
---------------------------------------Internet: <machado.mec.gov.br>.
A palavra “que” (linha 8) retoma o termo
Para responder às questões de 2 a 5, leia o texto abaixo:
Uma das maravilhas do capitalismo industrial e da sociedade de consumo, o Fusca nunca vai acabar. Mesmo fora das linhas de montagem da Volkswagen, seu design continua pulsante e inspirando cópias. A montadora chinesa Great Wall Motors, que, há três meses, anunciou a compra de uma das fábricas da Mercedes-Benz no Brasil, desenvolveu um clone do carro, agora com motor elétrico, que se chama Ballet Cat e começa a ser vendido no mercado asiático. O modelo, apresentado no último Salão de Xangai, foi criticado pela Volkswagen devido à semelhança com seu produto mais emblemático e a empresa estuda tomar medidas judiciais para garantir os direitos sobre suas patentes. Seja como for, no Brasil, a Great Wall já registrou o carro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e deve iniciar sua comercialização em 2023. Será uma espécie de volta triunfal do Fusca, cuja última versão clássica parou de ser produzida no México há 18 anos.
Vicente Vilardaga. Revista IstoÉ. “A reinvenção do Fusca”. 26 de novembro de 2021. Edição nº 2706.
Os elementos de coesão são aqueles que ligam as frases ou palavras dentro de um texto. Dentre esses elementos, podemos citar os pronomes relativos, que substituem um termo da oração anterior. Nesse contexto, analise as seguintes frases do texto:
I. Uma das maravilhas do capitalismo industrial e da sociedade de consumo, o Fusca nunca vai acabar.
II. O modelo, apresentado no último Salão de Xangai, foi criticado pela Volkswagen.
III. Será uma espécie de volta triunfal do Fusca, cuja última versão clássica parou de ser produzida no México há 18 anos.
Pode-se afirmar que há o emprego de pronome relativo como elemento coesivo:
Texto 7 para responder às questões de 65 a 69.
---------------------A compreensão leitora
1-------------Em um primeiro nível de leitura, o leitor lida com
------elementos cuja estrutura e organização lhe permitem chegar
------à captação de significado. Nesse momento, o leitor
4-----identifica grafemas e estabelece a sua ligação com os
------fonemas correspondentes. Assim, nesse primeiro nível, os
------processos mais significantes são os gráficos e os
7-----fonológicos, embora estejam presentes também outros
------relativos ao conhecimento conceitual do leitor e aos
------esquemas organizativos do saber, em virtude das suas
10----experiências e de seu contexto vivencial. Essas
------competências são necessárias à compreensão, mas não são
------suficientes para assegurá-la. Há também os processos
13----sintático-semânticos, que se situam ao nível das proposições
------que integram o texto e das relações interconceituais
------estabelecidas.
16------------Devem ser citados, ainda, como essenciais para a
------compreensão os processos elaborativos. As seguintes tarefas
------são apontadas: formular hipóteses ou predições a respeito do
19----conteúdo do texto; deduzir e realizar inferências; separar a
------informação essencial da que é acessória; analisar a forma
------como as ideias do texto estão organizadas, analisar a própria
22----estrutura textual. Observa-se, portanto, quão complexa é a
------compreensão de textos, que requer diversas habilidades:
------decodificação, reconhecimento do vocabulário, utilização de
25----conhecimentos prévios e capacidade de usar o texto para
26----gerar novas aprendizagens.
MACHADO, Veruska Ribeiro. Compreensão leitora no PISA e práticas
---escolares de leitura. Brasília: Liber Livro; Faculdade de Educação/
-------------------Universidade de Brasília, 2012, com adaptações.
No que se refere à coesão textual e à competência leitora, assinale a alternativa correta.
Texto 6 para responder às questões de 60 a 64.
---------------------O que é gramática?
1---------Num certo sentido, gramática é algo estático – é um
-----conjunto de descrições a respeito de uma língua. É nesse
-----sentido que a palavra é usada quando dizemos “a gramática
4----do Celso Cunha”, “a gramática do Rocha Lima”. Cada uma
-----dessas gramáticas tem suas propriedades específicas. A de
-----Rocha Lima é tida em geral como a mais normativa das
7----duas. A de Celso Cunha já é não normativa, mas
-----compartilha com a de Rocha Lima o caráter taxionômico,
-----porque arrola fatos e regras de estrutura linguística. Um
10---exemplo disso é o capítulo dessas gramáticas sobre
-----conjunções e tipos de orações. São apresentadas uma lista de
-----conjunções coordenativas e subordinativas e uma lista de
13---orações coordenadas e subordinadas. De qualquer modo,
-----gramática nesse sentido é um compêndio com descrições de
-----uma língua.
16--------Num outro sentido, gramática tem caráter dinâmico e
-----corresponde a um construto mental, que cada membro da
-----espécie humana desenvolve, desde que exposto a dados da
19---língua em questão, já que se trata aqui de gramática de uma
-----língua. [...] Quando se começa a refletir quanto a fatos de
-----língua, fica claro que os seres humanos nascem com uma
22---estrutura mental organizada de tal modo que torna a
-----aquisição de língua algo inevitável, inexorável. Podemos
-----chamar essa estrutura mental inata de diferentes nomes.
25---Muitos usam as expressões gramática universal, faculdade
26---de linguagem ou dispositivo de aquisição de língua.
------LOBATO, Lúcia. Linguística e Ensino de Línguas. Brasília:
-------------------------Editora UnB, 2015, com adaptações.
Assinale a alternativa em que a coesão é construída pelo emprego da elipse do sujeito.
Texto 3 para responder às questões 9 e 10.
-
1--------Um dos espaços para a transmissão de valores é a sala
de aula, desde os balbucios do jardim de infância até a
cátedra pós-universitária. Para isso, devemos ter consciência
4--da relevância da atividade diária da aula como um espaço de
vivência exemplar e habitual dos valores a que aspiramos e
que sejam definidos socialmente. O primeiro passo consiste
7--em dar-nos conta da importância de que, como professores,
praticamos esses valores em todos os momentos, já que são
eles que nos dão uma verdadeira qualidade humana. Nossa
10--sociedade necessita, portanto, reencontrar o ser humano e
sua essência como objetivo central e, partindo dessa visão,
avançar na busca de seu bem-estar e felicidade em interação
13--harmônica com a natureza.
-
PUEBLA, Eugênia. Educar com o coração: uma educação que
desenvolve a intuição. São Paulo: Petrópolis, 1997, com adaptações.
Considerando os mecanismos de coesão, em “Para isso, devemos ter consciência da relevância da atividade diária da aula como um espaço de vivência exemplar e habitual dos valores a que aspiramos e que sejam definidos socialmente.” (linhas de 3 a 6), o referente semântico do pronome sublinhado é
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 4.
Números, números, números
Há no mundo 1,35 bilhão de bois e vacas. Criamos 930 milhões de porcos, 1,7 bilhão de ovelhas e cabras, 1,4 bilhão de patos, gansos e perus, 170 milhões de búfalos. Some todos eles e temos uma população de animais quase equivalente à humana dedicando sua vida a nos alimentar – involuntariamente, é claro. E isso porque ainda não incluímos na conta a população de frangos e galinhas abastecendo a Terra de ovos e carne branca: 14,85 bilhões.
A indústria da carne é responsável por 18% das emissões de gases do efeito estufa, embora represente menos de 2% do PIB mundial. Na China o consumo anual de carne por habitante cresceu 55% em dez anos. A soja da América Latina vai na maior parte para a China. A China compra terras na África para este fim e outros alimentos.
O rendimento da produção de carne apresenta um grande desequilíbrio com relação ao dos cereais: são necessários pelo menos 7 quilos de grãos para fornecer 1 quilo de carne de vaca, 4 para 1 de carne de porco, 2 para 1 de carne de frango. As pastagens ocupam 68% das terras agrícolas (25% já degradadas) e a forragem, 35% das terras aráveis. No total, 78% das terras agrícolas são reservadas ao gado.
O Banco Mundial, aliás, informava em fevereiro de 2011 que “os preços mundiais dos alimentos estão prestes a atingir um nível perigoso e constituem uma ameaça para as dezenas de milhões de pobres em todos os continentes. Essa alta já começa a empurrar milhões de pessoas para a pobreza e a exercer pressão sobre os mais vulneráveis, que gastam pelo menos metade de seus salários com comida”.
E é na América do Sul que, ultimamente, os transtornos têm sido mais violentos. Reina no continente a pastagem em grande escala, deixando em seu rastro terras estéreis e saturadas de dejetos animais. Para adquirir mais terras, os produtores não hesitam em recorrer ao desmatamento ilegal, sobretudo no Brasil. Maior produtor e exportador de carne bovina e couro, o país domina, sozinho, 30% do mercado mundial, com 2,2 milhões de toneladas de carne exportadas por ano, principalmente para a Rússia e a União Europeia. Uma pesquisa feita pelo Greenpeace e publicada em 2009 mostra que o rebanho brasileiro – pelo menos 200 milhões de cabeças – é responsável por 80% do desmatamento da Amazônia. Isso representa10 milhões de hectares de floresta destruídos em dez anos – para enorme prejuízo dos pequenos agricultores e dos indígenas que foram e continuam sendo acossados por essas gigantescas máquinas de produção. Há quatro décadas, a ONG Survival não cessa de denunciar o massacre, pelos criadores de gado, dos índios que vivem na floresta brasileira.
Revista Manuelzão/UFMG – 2018.
Releia o seguinte trecho.
“A indústria da carne é responsável por 18% das emissões de gases do efeito estufa, embora represente menos de 2% do PIB mundial”.
Assinale a alternativa em que esse trecho foi reescrito de forma coerente e coesa, de acordo com o sentido que ele tem no texto.
As questões (10) e (11) referem-se ao texto a seguir.
O aprendizado da angústia
Marcia Tiburi
Acha-se num dos contos de Grimm uma narrativa sobre um moço que saiu a aventurar-se pelo mundo para aprender a angustiar-se. Deixemos esse aventureiro seguir o seu caminho, sem nos preocuparmos em saber se encontrou ou não o terrível. Ao invés disso, quero afirmar que essa é uma aventura pela qual todos têm de passar: a de aprender a angustiar-se, para que não venham a perder, nem por jamais terem estado angustiados nem por afundarem na angústia; por isso, aquele que aprender a angustiar-se corretamente, aprendeu o que há de mais elevado.
Soren Kierkegaard – O conceito de Angústia
A angústia nos coloca [...] a questão de nossa presença no mundo. Não se trata apenas da pergunta pelo que somos, ou o que fazemos, mas o que estamos experimentando. O que recebemos, damos e “levamos” dessa vida? O que é realmente importante? O que realmente pode ou deve ser vivido? Como vivemos diante do fato de que estamos necessariamente relacionados a nós mesmos, além de estarmos relacionados aos outros e à alteridade como lugar da diferença?
Bem vivida, a angústia é a chance de estabelecer uma relação autêntica com a gente mesmo. Com o que somos. Ela envolve uma autopedagogia pessoal. Nela é que podemos nos perguntar “como me relaciono comigo mesmo?”, que é algo bem mais complexo do que a crença em um “autoconhecimento”. É a angústia que pode nos dar as condições de fazer a pergunta “como me torno quem eu sou?”.
E me faz saber que não posso responder a ela se não avaliar as demandas, as imposições, as ordens e os modismos que me afastam de mim. É a angústia, portanto, que me devolve a mim mesmo. Que evita a alienação à qual nos convida o nosso tempo sombrio.
TIBURI, Marcia. O aprendizado da angústia. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/oaprendizado-da-angustia/. Acesso em 28 abr. 2022.
A epígrafe do texto se relaciona com a tese defendida pela autora por
Analise as frases abaixo para responder à questão.
“Favelado” era um termo ‘pejorativo’ e é ‘compreensível’ que os moradores dessas áreas não quisessem ser chamados assim, mas mudar para “morador de comunidade”.
“Não, não estará se não nos indignarmos com a ‘indigência’, e agirmos”.
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 10, leia a crônica abaixo.
-
1.----------Um jornal é lido por muita gente, em muitos lugares; o que ele diz precisa interessar, senão a todos, pelo menos a um certo número de pessoas. Mas o que me brota espontaneamente da máquina, hoje, não interessa a ninguém, salvo a mim mesmo. O leitor, portanto, faça o obséquio de mudar de coluna. Trata-se de um gato.
2.----------Não é a primeira vez que o tomo para objeto de escrita. Há tempos, contei de Inácio e de sua convivência. Inácio estava na graça do crescimento, e suas atitudes faziam descobrir um encanto novo no encanto imemorial dos gatos. Mas Inácio desapareceu − e sua falta é mais importante para mim do que as reformas do ministério.
3.----------Gatos somem no Rio de Janeiro. Dizia-se que o fenômeno se relacionava com a indústria doméstica das cuícas, localizada nos morros. Agora ouço dizer que se relaciona com a vida cara e a escassez de alimentos. À falta de uma fatia de vitela, há indivíduos que se consolam comendo carne de gato, caça tão esquiva quanto a outra.
4.----------O fato sociológico ou econômico me escapa. Não é a sorte geral dos gatos que me preocupa. Concentro-me em Inácio, em seu destino não sabido.
5.----------Eram duas da madrugada quando o pintor Reis Júnior, que passeia a essa hora com o seu cachimbo e o seu cão, me bateu à porta, noticioso. Em suas andanças, vira um gato cor de ouro como Inácio − cor incomum em gatos comuns − e se dispunha a ajudar-me na captura. Lá fomos sob o vento da praia, em seu encalço. E no lugar indicado, pequeno jardim fronteiro a um edifício, estava o gato. A luz não dava para identificá-lo, e ele se recusou à intimidade. Chamados afetuosos não o comoveram; tentativas de aproximação se frustraram. Ele fugia sempre, para voltar se nos via distantes. Amava.
6.----------Seria iníquo apartá-lo do alvo de sua obstinada contemplação, a poucos metros. Desistimos. Se for Inácio, pensei, dentro de um ou dois dias estará de volta. Não voltou.
7.----------Um gato vive um pouco nas poltronas, no cimento ao sol, no telhado sob a lua. Vive também sobre a mesa do escritório, e o salto preciso que ele dá para atingi-la é mais do que impulso para a cultura. É o movimento civilizado de um organismo plenamente ajustado às leis físicas, e que não carece de suplemento de informação. Livros e papéis, sim, beneficiam-se com a sua presteza austera. Mais do que a coruja, o gato é símbolo e guardião da vida intelectual.
8.----------Depois que sumiu Inácio, esses pedaços da casa se desvalorizaram. Falta-lhes a nota grave e macia de Inácio. É extraordinário como o gato “funciona” em uma casa: em silêncio, indiferente, mas adesivo e cheio de personalidade. Se se agravar a mediocridade destas crônicas, os senhores estão avisados: é falta de Inácio. Se tinham alguma coisa aproveitável era a presença de Inácio a meu lado, sua crítica muda, através dos olhos de topázio que longamente me fitavam, aprovando algum trecho feliz, ou através do sono profundo, que antecipava a reação provável dos leitores.
9.----------Poderia botar anúncio no jornal. Para quê? Ninguém está pensando em achar gatos. Se Inácio estiver vivo e não sequestrado, voltará sem explicações. É próprio do gato sair sem pedir licença, voltar sem dar satisfação. Se o roubaram, é homenagem a seu charme pessoal, misto de circunspeção e leveza; tratem-no bem, nesse caso, para justificar o roubo, e ainda porque maltratar animais é uma forma de desonestidade. Finalmente, se tiver de voltar, gostaria que o fizesse por conta própria, com suas patas; com a altivez, a serenidade e a elegância dos gatos.
-
(ANDRADE, Carlos Drummond. Cadeira de balanço. São Paulo: Companhia das Letras, 2020)
Retoma um termo mencionado anteriormente no texto a palavra sublinhada em:
• Pode-se argumentar que a Ucrânia esteja se militarizando mais rapidamente, apesar de a enxurrada de armas ocidentais parecer distante de deter os russos.
A oração iniciada pela expressão em destaque está corretamente reescrita, preservando a relação estabelecida no texto original, em:
Leia a tira, para responder à questão.

(André Dahmer@malvados)
Para responder à questão, considere a passagem:
Há quem vá mais longe e diga que a dispersão no mundo digital pode ser mesmo um modo de vida.
Sou dos que desconfiam que há um problema bastante grave aí, que em geral costumamos empurrar para debaixo do tapete.
Assinale a alternativa em que a redação do 3º
parágrafo permanece em conformidade com a norma-padrão de
pontuação após o acréscimo de vírgulas ao texto original
para isolar uma expressão.