Questões de Concurso Comentadas sobre coesão e coerência em português

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Q2243065 Português
Uma nova redação da frase “Apesar da chuva, eles foram à festa a fantasia ontem.” mostra-se CORRETA e coerente com o sentido original na seguinte formulação:
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Q2242193 Português



                                                                                                  

                                          


                                                                                           Internet: <www.abecip.org.br> (com adaptações).

Acerca da estrutura linguística do texto e do vocabulário nele empregado, julgue o item.


A expressão “esse fato” (linha 31) retoma o trecho “aumento bastante significativo do material de construção” (linha 29). 

Alternativas
Q2241127 Português
Leia com atenção o texto abaixo.

O Manual 

Dizem que filhos...................... sem manual, o que já é assustador por si só, mas pelo menos na hora do parto deveriam nos entregar um livro de expectativas da sociedade. Algo como “O que se espera de um pai”, para que os homens soubessem o que os outros querem de nós. O que esperam as mães, os avós, a sogra, as revistas de parentalidade, os programas de TV, os livros..................... , as redes sociais, os olhares de estranhos quando estamos..................... nos parques, só nós e nossos bebês?
Todo pai é um desorientado. A televisão, o carro, o liquidificador, todos acompanham manual. Um filho, muito mais importante que eletrodomésticos, vem sem. Nem bula, nem uma mísera etiqueta amarrada no pé do bebê: “Não balance, pois vomita”.
A humanidade não viveu tempo o bastante para chegar a conclusões? Não poderiam ter se reunido em algum momento histórico, assim como fizeram ao criar a ONU, o Euro, a OMS, e saído da reunião, os pediatras, psicólogos, cientistas, todos com um livro, dizendo nas entrevistas: “Conseguimos! Temos agora um manual”? Ora, um pequeno livrinho de regras simples: “O que fazer e o que não fazer”, coisas.................. que todos parecem saber, menos os pais. “Volte cedo do serviço. Não saia com amigos no primeiro ano. Não limpe o rosto da criança com pano que caiu no chão. Não tente andar de skate enquanto empurra o carrinho de bebê”.
Para ter filhos seria obrigatória a leitura do manual. Uma grande prova nacional seria feita anualmente para os candidatos a pai. Tirando notas baixas, você estaria proibido de ser pai. Para casar no cartório, apenas com a carteirinha de aprovação. Alguns saberiam o manual de cor, recitariam trechos nos bares, se mostrando para as garotas. Artigo 33, parágrafo quarto: Jamais esquente a mamadeira de plástico no........................ ”. Teriam sempre orgulhosamente o diploma na carteira. “Aprovado para paternidade”.
De tempos em tempos, o manual seria atualizado. Não estou dizendo que não erraríamos mais. Mas já seria um ótimo começo.

PIANGERS, Marcos in nscDC, Santa Catarina. Ano 37, número 12197, adaptado.





Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) de acordo com o texto.
( ) O autor sugere que cientistas, pediatras e psicólogos deveriam se reunir e elaborar um manual sobre a criação de filhos. ( ) Se houvesse um manual sobre como criar um filho, os pais nunca errariam em nenhum momento. ( ) Um manual facilitaria a vida dos pais, trazendo dicas de como agir. ( ) O manual mencionado no texto seria tão bom que não necessitaria de atualização.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q2241126 Português
Leia com atenção o texto abaixo.

O Manual 

Dizem que filhos...................... sem manual, o que já é assustador por si só, mas pelo menos na hora do parto deveriam nos entregar um livro de expectativas da sociedade. Algo como “O que se espera de um pai”, para que os homens soubessem o que os outros querem de nós. O que esperam as mães, os avós, a sogra, as revistas de parentalidade, os programas de TV, os livros..................... , as redes sociais, os olhares de estranhos quando estamos..................... nos parques, só nós e nossos bebês?
Todo pai é um desorientado. A televisão, o carro, o liquidificador, todos acompanham manual. Um filho, muito mais importante que eletrodomésticos, vem sem. Nem bula, nem uma mísera etiqueta amarrada no pé do bebê: “Não balance, pois vomita”.
A humanidade não viveu tempo o bastante para chegar a conclusões? Não poderiam ter se reunido em algum momento histórico, assim como fizeram ao criar a ONU, o Euro, a OMS, e saído da reunião, os pediatras, psicólogos, cientistas, todos com um livro, dizendo nas entrevistas: “Conseguimos! Temos agora um manual”? Ora, um pequeno livrinho de regras simples: “O que fazer e o que não fazer”, coisas.................. que todos parecem saber, menos os pais. “Volte cedo do serviço. Não saia com amigos no primeiro ano. Não limpe o rosto da criança com pano que caiu no chão. Não tente andar de skate enquanto empurra o carrinho de bebê”.
Para ter filhos seria obrigatória a leitura do manual. Uma grande prova nacional seria feita anualmente para os candidatos a pai. Tirando notas baixas, você estaria proibido de ser pai. Para casar no cartório, apenas com a carteirinha de aprovação. Alguns saberiam o manual de cor, recitariam trechos nos bares, se mostrando para as garotas. Artigo 33, parágrafo quarto: Jamais esquente a mamadeira de plástico no........................ ”. Teriam sempre orgulhosamente o diploma na carteira. “Aprovado para paternidade”.
De tempos em tempos, o manual seria atualizado. Não estou dizendo que não erraríamos mais. Mas já seria um ótimo começo.

PIANGERS, Marcos in nscDC, Santa Catarina. Ano 37, número 12197, adaptado.





Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto segundo a norma-padrão.
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Q2240889 Português
O trabalho escravo no Brasil

          De forma mais simples, o termo trabalho escravo contemporâneo é usado no Brasil para designar a situação em que a pessoa está submetida a trabalho forçado, jornada exaustiva, servidão por dívidas e/ou condições degradantes. Não é necessário que os quatro elementos estejam presentes: apenas um deles é suficiente para configurar a exploração de trabalho escravo.

          Trabalho forçado: o trabalhador é submetido à exploração, sem possibilidade de deixar o local por causa de dívidas, violência física ou psicológica ou outros meios usados para manter a pessoa trabalhando. Em alguns casos, o trabalhador se encontra em local de difícil acesso, dezenas de quilômetros distante da cidade, isolado geograficamente e longe de sua família e de uma rede de proteção. Em outros, os salários não são pagos até que se finalize a empreitada, e o trabalhador permanece no serviço com a esperança de, um dia, receber. Há ainda os casos em que os documentos pessoais são retidos pelo empregador, e o trabalhador se vê impedido de deixar o local.

         Jornada exaustiva: não se trata somente de um excesso de horas extras não pagas. É um expediente desgastante que coloca em risco a integridade física e a saúde do trabalhador, já que o intervalo entre as jornadas é insuficiente para que possa recuperar suas forças. Há casos em que o descanso semanal não é respeitado. Assim, o trabalhador também fica impedido de manter vida social e familiar e corre mais riscos de adoecimento físico e mental. 

[...]

Disponível em: https://escravonempensar.org.br/o-trabalho-escravo-no-brasil/. Acesso em: 05 jun. 2023 (Adaptado)
Dadas as afirmativas a respeito dos mecanismos linguísticos gramaticais e semânticos,
I. Em: “... o termo trabalho escravo contemporâneo é usado no Brasil para designar a situação em que a pessoa está submetida a trabalho forçado, jornada exaustiva, servidão por dívidas e/ou condições degradantes”, os vocábulos destacados representam mecanismos de coesão semântica: emprego de repetição lexical.
II. Em: “Em alguns casos, o trabalhador se encontra em local de difícil acesso, dezenas de quilômetros distante da cidade, isolado geograficamente e longe de sua família e de uma rede de proteção. Em outros, os salários não são pagos até que se finalize a empreitada...”, as expressões grifadas são recursos de coesão gramatical: ordenadores capazes de organizar as informações dentro do texto.
III. As locuções conjuntivas “já que” e “para que” em: “É um expediente desgastante que coloca em risco a integridade física e a saúde do trabalhador, já que o intervalo entre as jornadas é insuficiente para que possa recuperar suas forças” estabelecem conexão entre as orações, representando nexos e exprimindo ideia de concessão e de finalidade, respectivamente.
IV. O advérbio “assim”, presente no último período do texto, refere-se ao período anterior: trata-se de uma referência catafórica.
verifica-se que está/ão correta/s apenas
Alternativas
Q2240479 Português
Assinale a alternativa que indica o mecanismo de coesão empregado no trecho a seguir, a partir do uso da palavra sublinhada.
Você não vai se arrepender dessa compra” 
Alternativas
Q2240478 Português
Dentre os elementos para a produção da coerência total estão as inferências, que são o estabelecimento de relações lógicas a partir do que não está explicitamente dado pelo texto. Assinale a alternativa que indica uma inferência que NÃO pode ser extraída diretamente do trecho a seguir, necessitando de elementos externos ao texto para que se chegue a tal conclusão.
“Paulo comprou uma caminhonete nova e de luxo” 
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Q2240477 Português
São fatores influentes sobre a coerência textual, EXCETO:
Alternativas
Q2238781 Português
TEXTO I

Benefícios da leitura: por que ler faz bem para a saúde?

Ao abrir um livro, abrem-se, ademais, as portas da imaginação. Engana-se, porém, quem pensa que os benefícios da leitura param por aí. Saiba qual é a importância desse hábito!

Por Equipe de Atenção à Saúde Unimed-BH

         Aventurar-se nas páginas de um livro é um hábito extremamente prazeroso que estimula a imaginação e a criatividade, melhora o vocabulário, a escrita e o senso crítico. A lista de benefícios da leitura é extensa, e o cérebro é o órgão mais exercitado durante a prática. Por tudo isso, esse é um costume que faz bem para a saúde e vale a pena incorporar na rotina, ainda que por alguns minutos por dia.
[...]
          A população brasileira se divide quase que igualmente entre leitores e não leitores. É o que apontam os dados sobre leitura no Brasil, traçados na 5ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, realizada pelo Instituto Pró-Livro. De acordo com a análise, o percentual de leitores no país era de 52% em 2019 – 4% a menos do que em 2015. Diante da importância da leitura, por que esse número não é mais expressivo? Existem inúmeras respostas a essa pergunta: a falta de tempo, falta de paciência e acesso a livros, a dificuldade na leitura e a preferência em usufruir de tecnologias durante o tempo livre e outras.
[...]
        O índice de adeptos brasileiros revela outra informação importante: muitas pessoas não aproveitam os vários benefícios da leitura por não incorporarem esse hábito no dia a dia. Além do impacto na imaginação e na comunicação, ler com frequência exercita partes importantes do cérebro, e o resultado disso é a manutenção de diversas funções cruciais para uma vida saudável. Confira os principais motivos que reforçam a importância da leitura: ajuda a exercitar a imaginação e criatividade; amplia o vocabulário e melhora a escrita; contribui para a redução da ansiedade e do estresse; exercita a memória e ativa regiões do cérebro responsáveis por funções cognitivas, ajudando a prevenir doenças neurodegenerativas; promove o relaxamento e melhora a qualidade do sono.
[...] 
               A leitura é importante para a criatividade, a memória, a escrita e a imaginação. Mas você sabia que existem inúmeros benefícios da leitura diária para cada idade? Dentre os benefícios da leitura, também está o fato de que ela pode ser crucial no desenvolvimento infantil. O estímulo à leitura deve começar ainda na infância. Ao introduzir a leitura nessa fase, o cérebro da criança, em pleno desenvolvimento, faz conexões importantíssimas relacionadas à linguagem, à concentração, à memória e à atenção. Essa bagagem adquirida na infância a acompanhará durante toda a vida.
              Mas a importância da leitura na infância não se limita a isso: a criatividade e a imaginação, que já salientamos, começam a despertar nesse momento. Ter acesso a livros para incentivá-las é uma forma de proporcionar ao pequeno uma infância mais feliz e saudável. Vale a pena oferecer livros infantis mesmo antes da alfabetização, para que a criança comece a ter contato com novas histórias. Isso auxilia a criar um indivíduo com mais empatia e menos preconceitos.
[...]
Adaptado de: https://viverbem.unimedbh.com.br/qualidade-devida/beneficios-da-leitura/. Acesso em: 9 maio 2023.

TEXTO II

Armandinho 



Foto: Reprodução Blog Alexandre Beck/Armandinho. Extraído de: https://crb6.org.br/materias/charge-armandinho-4/. Acesso em: 9 maio 2023.
Sobre os princípios de Linguística Textual, especificamente a coesão e a intencionalidade percebidas em determinados excertos dos Textos I e II, assinale a alternativa correta.
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Q2238712 Português
CADÊ O VERÃO?

Sandro Villar - 19/03/2023
     Cadê o verão? A estação já está "puxando o carro" e, para ser sincero, não percebi sua presença neste ano pelo menos no oeste paulista. Dias ensolarados, com temperaturas altas? Nada disso, Seu Dílson. Não houve verão em 2023. A estação foi marcada por temperaturas amenas, temporais assustadores e, se me permitem, parecia outono ou inverno. Um verão atípico, a meu ver. Coisa estranha. Aliás, os tempos estão estranhos, cada vez mais estranhos.
    O verão se despede hoje e amanhã começa o outono, que também deverá ser marcado por temperaturas amenas, nessas faixas de 24° a 25°, por aí. Depois, vem o inverno e dizem alguns meteorologistas que o inverno será congelante em alguns momentos. Outros apostam em temperaturas "suportáveis", como as deste atípico, para não dizer esquisito, verão.
       Falei que os tempos estão estranhos e estão mesmo no que diz respeito ao clima, cada vez mais extremo. Mudanças no mar preocupam. O mar está encolhendo – ou recuando – em vários países. Que diacho é isso? Sei lá. Só sei que esquisitice não falta, parece o feitiço do tempo. O mar já encolheu nas praias de pelo menos 15 países. Isso mesmo que vocês leram.
       O mar recuou mais de 15 metros no Egito e na Namíbia, dois países africanos. Para mencionar alguns dos 15 países, este egrégio e fidalgo cronista lembra que também foram registrados recuos na Argentina, Itália, França, Grécia e Marrocos. Na cidade de Veneza, que fica na Itália, as gôndolas deixaram de navegar porque os canais secaram. Maré baixa, mar recuado, portanto.
        Ah, sim: no nosso amado Brasil o fenômeno foi registrado em Alagoas, onde o mar, no caso o Oceano Atlântico, deu uma boa recuada, portanto, houve encolhimento.
         É a crise climática e não sei onde isso vai parar. Acho que seria o caso de o ser humano recuar em certas atitudes e dar um tempo, tempo ao tempo. Pelo jeito o tempo também precisa de um tempo para se ajustar nestes tempos desajustados.

Adaptado de: https://www.imparcial.com.br/noticias/cade-overao,57252. Acesso em: 20 maio 2023.
Sobre os mecanismos de coesão empregados no texto, assinale a alternativa correta.
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Q2237986 Português
Assinale a opção correta no que se refere às relações de coesão referencial estabelecidas no texto CG2A1-II. 
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Q2237983 Português
Estariam mantidas a correção gramatical do texto CG2A1-I e a coerência de suas ideias caso se substituísse 
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Q2237773 Português
Uma galinha

Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã. Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio. Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou  o tempo da cozinheira dar um grito — e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa, lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar, vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta, hesitante e trêmula, escolhia com urgência outro rumo. A perseguição tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida, a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar, sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E, por mais ínfima que fosse a presa, o grito de conquista havia soado. Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga, pairava ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer por um momento. E então parecia tão livre. Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se poderia contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que, morrendo uma, surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma. Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos. Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, parecia uma velha mãe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou, respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu coração, tão pequeno num prato, solevava e abaixava as penas, enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do acontecimento, despregou-se do chão e saiu aos gritos:
— Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! Ela quer o nosso bem! Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. Esquentando seu filho, esta não era nem suave nem arisca, nem alegre, nem triste, não era nada, era uma galinha. O que não sugeria nenhum sentimento especial. O pai, a mãe e a filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente um pensamento qualquer. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha.
O pai afinal decidiu-se com certa brusquidão:
— Se você mandar matar esta galinha, nunca mais comerei galinha na minha vida!
— Eu também! jurou a menina com ardor.
A mãe, cansada, deu de ombros.
Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família. A menina, de volta do colégio, jogava a pasta longe sem interromper a corrida para a cozinha. O pai de vez em quando ainda se lembrava: "E dizer que a obriguei a correr naquele estado!" A galinha tornara-se a rainha da casa. Todos, menos ela, o sabiam. Continuou entre a cozinha e o terraço dos fundos, usando suas duas capacidades: a de apatia e a do sobressalto. Mas quando todos estavam quietos na casa e pareciam tê-la esquecido, enchia-se de uma pequena coragem, resquícios da grande fuga  e circulava pelo ladrilho, o corpo avançando atrás da cabeça, pausado como num campo, embora a pequena cabeça a traísse: mexendo-se rápida e vibrátil, com o velho susto de sua espécie já mecanizado. Uma vez ou outra, sempre mais raramente, lembrava de novo a galinha que se recortara contra o ar à beira do telhado, prestes a anunciar. Nesses momentos enchia os pulmões com o ar impuro da cozinha e, se fosse dado às fêmeas cantar, ela não cantaria mas ficaria muito mais contente. Embora nem nesses instantes a expressão de sua vazia cabeça se alterasse. Na fuga, no descanso, quando deu à luz ou bicando milho  era uma cabeça de galinha, a mesma que fora desenhada no começo dos séculos. Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.

Clarice Lispector

O excerto "E então parecia tão livre. Estúpida, tímida e livre" se refere:
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Q2237543 Português
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.

Paraense de 18 anos cria tijolo de caroço de açaí

Aproximadamente 90% de todo o açaí consumido no mundo é produzido no Pará. No entanto, apenas 4% do fruto é aproveitado; o resto − principalmente o caroço − permanece sem uma utilidade definida. Isso acaba provocando a contaminação do meio ambiente regional, visto que não há uma estratégia eficiente de descarte.

Foi a partir dessa perspectiva que Francielly Rodrigues Barbosa, de 18 anos, resolveu desenvolver um projeto para amenizar o problema ambiental e ainda ajudar os moradores de sua cidade, Moju, a cerca de 120 km de Belém. "O caroço possui uma substância chamada lignina, que impede o ataque de fungos, demorando a decomposição", ela explica. "Isso causa mau cheiro, chorume e a liberação de gás metano."

Aluna da Escola Estadual Ernestina Pereira Maia, Barbosa começou o projeto no primeiro ano do Ensino Médio. A inspiração para a pesquisa veio de uma professora, que comentou com ela sobre os problemas de odor ruim e rachaduras nas casas de um bairro de Moju.

A jovem descobriu que muitas residências foram construídas em terrenos frequentemente usados como local de descarte de lixo. Como as construções foram levantadas sem regularização, a decomposição acabou afetando as estruturas − e a vida da população. "Comecei a pensar qual material de baixo custo e que não agride o meio ambiente eu poderia aproveitar para fazer a fundação de forma segura", conta Barbosa. "Não tinha como desenvolver algo que custasse muito dinheiro."

Para criar o tijolo de açaí, ela convidou jovens de Moju para ajudá-la. Eles colocaram os caroços para secar, depois carbonizaram e os trituraram em um pilão. A massa resultante foi misturada com argila e carvão para chegar ao produto final. "Foi um trabalho muito divertido", conta. "Brincar também é ciência. Foi legal para mostrar que a ciência inclui todo mundo, basta querer."

Enquanto cursa já o último ano do Ensino Médio, Barbosa continua sua pesquisa em paralelo. A jovem conseguiu parceria com um laboratório da Universidade de São Paulo (USP), onde estão sendo testadas diferentes fórmulas da mistura com o caroço. A ideia é descobrir em quais porcentagens é possível criar outras aplicações para alvenaria, como telhas, cimento e argamassa. "É para testar a resistência do material. Agora temos um ano para fazer os testes e abranger um pedido de patente", ela informa.

Barbosa começou a se interessar por ciência aos oito anos de idade, quando participou pela primeira vez de uma feira científica em sua escola e do Clube de Ciências de Moju. "Vi tantas coisas interessantes que me apaixonei e decidi que queria fazer aquilo", comenta.

Ela pretende cursar engenharia, mas ainda não sabe em qual das áreas irá se especializar. "Mas com certeza será em uma área de STEM [ciência, tecnologia, engenharia e matemática]", conta. Barbosa ainda afirma que a participação dela em palestras, congressos e viagens ampliaram seu campo de visão para o ensino superior. "Penso que posso entrar na USP ou estudar no exterior. É tão maravilhoso. Se é possível para mim, é possível para qualquer jovem."

Para ela, ser cientista significa poder ajudar as pessoas − mas também considera essencial que os jovens cientistas tenham suporte de familiares, amigos e professores. "Peço que as pessoas orientem os alunos a não deixar os sonhos deles morrerem", ela diz. "Eu tive sorte, pois a minha família sempre me apoiou. Se não fosse isso, eu nunca teria ido para fora do país e conhecido vários cantos do Brasil."


Retirado e adaptado de: FABRO, Nathalia. Paraense de 18 anos tem mais de 15 prêmios por criar tijolo de caroço de açaí. Galileu. Disponível em: -annos-teem--mmas-dde-115-pemmio-poo-ciarrtoooood decarocoodeeacaihhmm 18-anos-tem-mais-de-15-premios-por-criar-tijolo-de-caroco-de-acai.html Acesso em: 16 jul., 2023.
Analise as relações coesivas propostas em "Paraense de 18 anos cria tijolo de caroço de açaí" e analise as afirmações a seguir:
I.Em "Isso acaba provocando a contaminação do meio ambiente regional, visto que não há uma estratégia eficiente de descarte", no primeiro parágrafo, a palavra "isso" retoma o fato de que apenas 4% do fruto do açaí é utilizado.
II.No trecho "Foi a partir dessa perspectiva que Francielly Rodrigues Barbosa, de 18 anos, resolveu desenvolver um projeto para amenizar o problema ambiental..", no segundo parágrafo, a expressão "dessa perspectiva" retoma o descarte dos restos do açaí que causam contaminação ambiental.
III.Em "Eles colocaram os caroços para secar, depois carbonizaram e os trituraram em um pilão", no quinto parágrafo, a palavra "eles" retoma apenas os jovens que Barbosa chamou para ajudar na pesquisa.

É correto o que se afirma em: 
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Q2237244 Português
Texto CG1A1-I

       No Brasil os nomes das línguas correspondem, na maioria dos casos, aos nomes atribuídos aos respectivos povos: por exemplo, o povo xavante fala a língua xavante. São raros os casos em que se fixou, na literatura especializada ou no uso geral, um nome distinto para a língua. Há o povo fulniô, cuja língua é o iatê.

          Existem, nestes primeiros anos do século XXI, vários povos bilíngues que convivem com a língua indígena e a portuguesa, mas em outros o português predomina como língua materna das crianças. Ainda se tem muito pouco conhecimento de situações específicas de bilinguismo com o português, e será muito difícil para o recenseador obter informação fidedigna: a informação será mais confiável se obtida dos pais; menos confiável quando for proveniente de líderes ou de administradores; e menos segura ainda no caso de ser obtida por amostragem.

           Há relatos de povos com população considerável distribuída por diversas aldeias. Por outro lado, a situação de uso da língua portuguesa pode variar consideravelmente de uma aldeia para outra, como no caso dos bororos, em Mato Grosso, ou dos baniuas, no Amazonas.

          Existem casos de bilinguismo ou de multilinguismo com duas ou mais línguas indígenas faladas pelas mesmas pessoas, como acontece entre os vários povos da família linguística (e cultural) tucano, a noroeste do Amazonas: atualmente estão presentes o português e(ou) o espanhol, além da língua geral amazônica. Por outro lado, conhece-se pouco acerca do grau de presença dessas diversas línguas nas respectivas comunidades.

            Uma situação única, característica hoje da região do alto rio Negro e seus afluentes, é a persistência do uso da língua geral amazônica (também conhecida como nheengatu), que se concebe hoje como língua franca de comunicação entre grande parte dos indígenas dessa comunidade com os de outra etnia. Contudo, converteu-se na língua materna do grande povo baré (com cerca de 10.300 pessoas), nos municípios de São Gabriel da Cachoeira e de Santa Isabel do Rio Negro; também o é de grande parte do povo baniua, situado no baixo rio Içana e no médio rio Negro (município de São Gabriel da Cachoeira).

Aryon Dall’Igna Rodrigues. Línguas indígenas brasileiras. Brasília: Laboratório de Línguas Indígenas da UnB, 2013 (com adaptações).  
No último parágrafo do texto CG1A1-I, o vocábulo “o”, em “também o é” (último período), retoma 
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Q2236495 Português
Pode-se afirmar que a expressão necessidades psicossociais, levando em consideração o vocábulo destacado, se refere a algo que: 
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Q2236090 Português
Leia:
   O preconceito é um fenômeno que se verifica quando um sujeito discrimina ou exclui outro, a partir de concepções equivocadas, oriundas de hábitos, costumes, sentimentos ou impressões. O preconceito decorre de incompatibilidades entre a pessoa e o ato que ela executa. Isso quer dizer que, se houver uma ideia favorável de uma pessoa, tudo o que ela fizer ou disser pode ser aceito, mesmo que o que disser ou fizer seja errado, falso ou impreciso. Inversamente, se houver uma ideia desfavorável sobre alguém, tudo o que essa pessoa disser ou fizer pode ser rejeitado, mesmo que diga verdades ou se comporte corretamente.     A ideia favorável ou desfavorável sobre a pessoa vem de fatos exteriores, e isso afeta, positiva ou negativamente, no caso do comportamento preconceituoso, o julgamento sobre a pessoa ou seus atos. O preconceito, portanto, pode ser positivo ou negativo. Preconceito positivo acontece quando características consideradas positivas da pessoa se estendem para seus atos, ou vice-versa, mesmo quando não são corretos. Em geral, o preconceito positivo não é percebido pela sociedade (ou pelo menos não provoca reações). O que incomoda é o preconceito negativo, acompanhado de reação discriminatória. LEITE, M. Q. Preconceito e intolerância na linguagem. São Paulo: Contexto, 2012, p. 27-9 (adaptado).
Observando os aspectos da coesão, da coerência e sua relação com as estruturas morfossintáticas do texto acima, é possível inferir que
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Q2235187 Português
O extraordinário (e esquecido) caso do sequestro do caixão de Charles Chaplin

Há 45 anos, em 25 de dezembro de 1977, o mundo se despedia do grande criador do icônico Carlitos, que com a mesma bengala com que enfrentou os caprichosos flagelos da vida transformou o novo meio de entretenimento do cinema em arte. O lendário Charles Spencer Chaplin (1889-1977), amplamente considerado o maior comediante e uma das figuras mais importantes da história do cinema, morreu no início da manhã "de velhice", segundo seu médico. Nascido na pobreza, ele se tornou um artista imortal graças à sua brilhante humanização dos conflitos tragicômicos do homem com o destino. […] Quando o som chegou à sétima arte, a estrela silenciosa mostrou que tinha muito a dizer. O discurso final do seu primeiro filme falado "O Grande Ditador" (1940) foi uma admirável e progressista defesa da democracia, que não se ouvia nos domínios do Terceiro Reich, nem na Itália nem na Espanha, pois Adolf Hitler, Benito Mussolini e Francisco Franco proibiram o filme, provando que Chaplin havia acertado em cheio. Sua vida, porém, também foi marcada por polêmicas.

Expulso dos EUA

Fazer uma comédia sobre um líder nazista foi uma delas. Mais tarde, ele escreveria que estava determinado a fazê-lo porque era essencial rir de Hitler. Mas ele havia se metido na política e, embora sua vida privada também alimentasse os tabloides, seria a política que lhe causaria mais problemas. Seus discursos durante a 2ª Guerra Mundial, pedindo uma segunda Frente Ocidental com aliados soviéticos para derrotar Hitler, irritaram muitos conservadores. Com o advento da Guerra Fria, suas amizades com figuras artísticas de destaque acusadas de simpatizar com a causa comunista o colocaram na mira das autoridades. O deputado John E. Rankin, um legislador de direita do Mississippi (Estados Unidos), estava entre os que o denunciaram e exigiram sua deportação. A vida de Chaplin “é prejudicial ao tecido moral da América”, disse Rankin, pedindo que ele fosse mantido “fora das telas americanas e que suas imagens repugnantes sejam mantidas fora dos olhos da juventude americana”. Finalmente, em 1952, o ator, súdito britânico e em 1975 nomeado cavaleiro pela rainha Elizabeth 2ª, foi praticamente expulso dos Estados Unidos. De nada valeu seu “efeito incalculável em transformar o cinema na forma de arte do século 20”, reconhecida pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas daquele país 20 anos depois com um Oscar Honorário. Embarcando em um navio com destino à Inglaterra, ele foi informado pelo Serviço de Imigração e Naturalização dos Estados Unidos que sua reentrada naquele país seria negada a menos que estivesse disposto a responder às acusações "de natureza política e torpeza moral". Indignado e farto do assédio implacável das autoridades, os Chaplins se mudaram para a Suíça. Foi lá que ele morreu aos 88 anos, poucas horas antes do início da tradicional festa de Natal de sua família. Sua quarta esposa, Oona, filha do dramaturgo Eugene O'Neill, e sete de seus 11 filhos estavam com ele. O andarilho que fez 81 filmes em uma vida cinematográfica que começou em 1914 e terminou em 1967 foi enterrado em uma cerimônia privada dois dias depois nas colinas acima do Lago de Genebra. Mas isso, como antecipamos no título, não foi o fim da história.

“Ridículo”

Em uma coda que parecia ter sido escrita por ele para um de seus primeiros curtas de comédia, vários meses após sua morte, seu corpo foi apreendido por uma dupla de ladrões trapalhões. Em março de 1978, eles desenterraram o caixão para forçar a viúva de Chaplin, Oona, a pagar 400 mil libras (equivalente a cerca de R$ 12 milhões em valores atuais). […] Ela se recusou a pagar dizendo "Charlie teria achado ridículo". Em ligações subsequentes, os sequestradores ameaçaram ferir seus dois filhos mais novos. A família manteve silêncio sobre os pedidos de resgate, mas isso não impediu que vários rumores circulassem sobre o caixão desaparecido. [...] Enquanto isso, a polícia suíça montou uma operação na qual 200 quiosques telefônicos foram monitorados e o telefone dos Chaplins, grampeado. Cinco semanas depois, os autores do sequestro foram localizados e presos. O caixão foi encontrado mais tarde, enterrado em um milharal no Lago de Genebra. Um porta-voz dos Chaplins disse: “A família está muito feliz e aliviada por esta provação ter acabado”. [...]

Inspiração italiana

Quase um ano após a morte de Chaplin, em seu julgamento em 11 de dezembro de 1978, um refugiado polonês confessou a um tribunal suíço que desenterrou o corpo e tentou extorquir dinheiro da família do comediante. Roman Wardas, um mecânico de automóveis de 24 anos, disse que não conseguiu um emprego e estava passando por momentos difíceis quando leu um artigo de jornal sobre um caso semelhante na Itália. […] Ele acrescentou que pediu a seu amigo Gantscho Ganev, um búlgaro de 38 anos, que o ajudasse a desenterrar o caixão em Corsier-sur-Vevey, perto da mansão onde Chaplin morou por 23 anos. […] O co-réu disse ao tribunal: “Não me importei em levantar o caixão. A morte não é tão importante de onde eu venho.” Ganev esclareceu que depois de ajudar Wardas naquela noite, não se envolveu mais no assunto. [...] O caixão de Charlie Chaplin foi reenterrado no cemitério original, desta vez em uma cova de concreto à prova de roubo.

BBC News
O pronome “seu” no excerto “De nada valeu seu “efeito incalculável em transformar o cinema na forma de arte do século 20”” se refere:
Alternativas
Q2234898 Português
     O papel fundante da memória dos mortos para o desenvolvimento da cultura teve algo de acidental, pois o mecanismo poderoso de propagação dos hábitos, das ideias e dos comportamentos dos ancestrais foi o afeto. A lembrança de quem partiu, bem visível nos chimpanzés, que se enlutam quando perdem um ente querido, tornou-se uma marca indelével de nossa espécie. Isso não aconteceu sem contradições, é claro. Com o amor pelos mortos surgiu também o medo deles. Do Egito a Papua-Nova Guiné, em distintos momentos e lugares, floresceram rituais para neutralizar, apaziguar e satisfazer aos espíritos desencarnados. Na Inglaterra medieval, temiam-se tanto os mortos que cadáveres eram mutilados e queimados para se garantir sua permanência nas covas. Entre os Yanomami, a queima dos pertences é uma parte essencial dos rituais fúnebres. A Igreja Católica até hoje considera que os restos mortais dos santos são valiosas relíquias religiosas.
      A propagação dos memes de entidades espirituais foi, portanto, impulsionada pelos afetos positivos e negativos em relação aos mortos. Foi a memória das técnicas e dos conhecimentos carregados pelos avós e pais falecidos que transformou esse processo em algo adaptativo, um verdadeiro círculo virtuoso simbólico. Não é exagero dizer que o motor essencial da nossa explosão cultural foi a saudade dos mortos. A crença na autoridade divina para orientar decisões humanas levou a um acúmulo acelerado de conhecimentos empíricos sobre o mundo, sob a forma de preceitos, mitos, dogmas, rituais e práticas. Ainda que apoiada em coincidências e superstições de todo tipo, essa crença foi o embrião de nossa racionalidade. Causas e efeitos foram sendo aprendidos pela corroboração ou não da eficácia dos símbolos religiosos. 

Sidarta Ribeiro. O oráculo da noite: a história da ciência e do sonho.
São Paulo: Companhia das Letras, 2019, p. 325 (com adaptações).
A respeito das ideias, dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que se segue. 
A expressão “o medo deles” (quarto período do primeiro parágrafo) remete ao medo causado pelos mortos. 
Alternativas
Q2234849 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.

EUA confirmam implosão e morte de passageiros de submarino

A Guarda Costeira dos Estados Unidos confirmou que destroços encontrados nesta quinta-feira (22/06) no fundo do mar por um veículo operado remotamente pertencem ao submersível Titan, que havia desaparecido no domingo com cinco pessoas a bordo.
O pequeno submarino, que levava turistas aos destroços do Titanic, implodiu perto do navio naufragado, no fundo do Oceano Atlântico, sem deixar sobreviventes, informaram as autoridades americanas.
“Os destroços são consistentes com a perda catastrófica da câmara de pressão”, disse o contra-almirante John Mauger, da Guarda Costeira dos EUA. “A manifestação de apoio nessa operação de busca altamente complexa foi muito apreciada. Nossas mais sinceras condolências vão para os amigos e entes queridos da tripulação.”
Pouco antes, um comunicado da empresa americana OceanGate Expeditions, que operava o Titan, já havia informado que os cinco passageiros foram “tristemente perdidos”.
[...]
Segundo a Guarda Costeira dos EUA, os destroços encontrados nesta quinta correspondem à parte externa do submersível e estavam localizados a cerca de 488 metros do naufragado Titanic. O órgão americano garantiu que as operações continuarão no fundo do mar em busca dos demais destroços do Titan, bem como dos restos mortais das cinco vítimas.
[...]
Tragédia anunciada?
A OceanGate Expeditions cobra de seus clientes até 250 mil dólares (cerca de R$ 1,1 milhão) por uma expedição de oito dias e sete noites que inclui um lugar a bordo de seu submersível para ver o famoso naufrágio.
O mergulho até os destroços, incluindo ida e volta, dura em torno de oito horas: são cerca de duas horas de ida, duas de volta e mais o tempo para observar o Titanic, que afundou após bater em um iceberg em 14 de abril de 1912.
Apesar de se tratar de uma expedição de centenas de milhares de dólares, a tragédia com o submersível Titan foi precedida por uma série de falhas e condutas imprudentes por parte da OceanGate Expeditions. O jornalista David Pogue, da emissora americana CBS News, que participou do mergulho com o Titan no ano passado, afirmou que o submersível não possui GPS e é conduzido por meio de mensagens de texto enviadas de sua embarcação de apoio na superfície.
Na reportagem, Pogue também contou que muitas das peças do pequeno submarino são improvisadas. “Por exemplo, você pilota com um controle de videogame”, revelou o repórter.
O joystick em questão é do modelo Logitech F710, que foi lançado em 2011 e é usado principalmente para jogar no computador. Segundo a imprensa brasileira, o controle pode ser encontrado facilmente no mercado nacional, por preços de ao menos R$ 275,00.
No submersível Titan, o joystick parece ter sido modificado para facilitar o comando de um veículo subaquático, tendo seus botões alongados, segundo mostrou a reportagem da CBS.
Outro problema envolvendo o submersível seria sua janela de visualização, que, segundo um ex-funcionário da OceanGate, tinha certificação para aguentar pressões de até 1.300 metros – sendo que os destroços do Titanic estão localizados a uma profundidade de 3.800 metros.
Em 2018, uma carta assinada por 38 empresários, exploradores e oceanógrafos, já havia alertado para “os potenciais perigos para os passageiros do Titan quando o submersível atingisse profundidades extremas”. O documento, enviado ao presidente da OceanGate, Stockton Rush, que agora morreu no submarino, expressava “preocupação unânime” com a “abordagem ‘experimental’ adotada”, podendo levar a “resultados negativos (de menores a catastróficos) com sérias consequências para todos”.

(Adaptado de: «https://www.dw.com/pt-br/eua-confirmam-implos%C3%A3o-e-morte-de-passageiros-de-submarino/a-66007557». Acesso em: 23 jun. 2023.)
Leia o trecho a seguir.
“Pouco antes, um comunicado da empresa americana OceanGate Expeditions, que operava o Titan, já havia informado que os cinco passageiros foram “tristemente perdidos”.
No trecho acima verifica-se o uso da palavra “que” em dois momentos (na oração subordinada e na oração principal). Sobre esse uso da palavra “que” nesse trecho, considere as afirmativas a seguir.
I. Em “que operava o Titan”, tem a função de introduzir uma explicação, uma informação acessória, que pode ser retirada sem causar prejuízo quanto à ideia principal.
II. Em “já havia informado que os cinco passageiros foram ‘tristemente perdidos’ ”, tem função explicativa e, nessa oração, pode ser excluído sem causar prejuízo para a compreensão da ideia principal.
III. Em “que operava o Titan”, tem a função de restringir a ideia e não pode ser excluído, pois causaria prejuízo para a compreensão da informação principal.
IV. Em: “já havia informado que os cinco passageiros foram ‘tristemente perdidos’ ”, tem a função de complementar a ideia da locução verbal: “havia informado” e, nessa oração, se essa complementação for retirada, haverá prejuízo quanto à ideia principal.
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Respostas
1281: B
1282: C
1283: B
1284: D
1285: A
1286: C
1287: B
1288: D
1289: B
1290: E
1291: A
1292: B
1293: D
1294: A
1295: D
1296: C
1297: A
1298: A
1299: C
1300: B