Questões de Concurso
Sobre análise sintática em português
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Corpos emancipados, mentes subjugadas
1 _____ A indústria cultural, tão bem dissecada pela Escola de Frankfurt, retarda a emancipação humana ao
2 _ introduzir a sujeição da mente no momento em que a humanidade se livrava da sujeição do corpo. É longa a
3 _ história da sujeição do corpo, a começar pela escravidão que durou séculos, inclusive no Brasil, onde foi
4 _ considerada legal e legítima por mais de 358 anos.
5 _____ Não apenas escravos tiveram seus corpos sujeitados. Também mulheres. Faz menos de um século
6 _ que elas iniciaram o processo de apropriação do próprio corpo. A dominação sofrida pelo corpo feminino era
7 _ endógena e exógena. Endógena porque a mulher não tinha nenhum controle sobre o seu organismo, encarado
8 _ como mera máquina reprodutiva e, com frequência, demonizado. Exógena pelas tantas discriminações
9 _ sofridas, da proibição de votar à castração do clitóris, da obrigação de encobrir o rosto em países
10 _ muçulmanos à exibição pública de sua nudez como isca publicitária nos países capitalistas de tradição cristã.
11 _____ No momento em que o corpo humano alcançava sua emancipação, a indústria cultural introduziu a
12 _ sujeição da mente. A multimídia é como um polvo cujos tentáculos nos prendem por todos os lados. Tente
13 _ pensar diferente da monocultura que nos é imposta via programas de entretenimento! Se a sua filha de 20
14 _ anos disser que permanece virgem, isso soará como ridículo anacronismo; se aparecer no Big Brother
15 _ transando via satélite para o onanismo visual de milhões de telespectadores, isso faz parte do show.
16 _____ O processo de sujeição da mente utiliza como chibatas o prosaico, o efêmero, o virtual, o fugidio. E
17 _ detona progressivamente os antigos valores universais. Ética? Ora, não deixe escapar as chances de ter
18 _ sucesso e ficar rico, desde que sua imagem não fique mal na foto... Agora, tudo é descartável, inclusive os
19 _ valores. E todos somos impelidos à reciclagem perpétua - na profissão, na identidade, nos relacionamentos.
20 _____Nossos pais aposentavam-se num único emprego. Hoje, coitado do profissional que, ao oferecer-se
21 _ a uma vaga, não apresentar no currículo a prova de que já trabalhou em pelo menos três ou quatro empresas
22 _ do ramo! Eis a civilização intransitiva, desistorizada, convencida de que nela se esgota a evolução do ser
23 _ humano e da sociedade. Resta apenas dilatar a expansão do mercado.
24 _____ A tecnologia multimídia sujeita-nos sem que tenhamos consciência dessa escravidão virtual. Pelo
25 _ contrário, oferece-nos a impressão de que somos “imperadores de poltrona”, na expressão cunhada por
26 _ Robert Stam. Temos tanto “poder” que, monitor à mão, pulamos velozmente de um canal de TV a outro,
27 _ configurando a nossa própria programação. Já não estamos propensos a suportar discursos racionais e
28 _ duradouros. Pauta-nos a vertiginosa velocidade tecnológica, que nos mantém atrelados às conveniências do
29 _ mercado.
30 _____ Nossa boia de salvação reside, felizmente, na observação de Jean Baudrillard, de que o excesso de
31 _ qualquer coisa gera sempre o seu contrário. É o caso da obesidade. O alimento é imprescindível à vida, mas
32 _ em excesso afeta o sistema cardiovascular e produz outros defeitos colaterais.
33 _____ Há tanta informação que preferimos não mais prestar atenção nelas. A comunicação torna-se
34 _ incomunicação. Ou comunicassão, pois cassa-nos a palavra, tornando-nos meros receptores da avassaladora
35 _ máquina publicitária.
36 _____ Essa sujeição da mente vem no bojo da crise da modernidade que, desmistificada pela barbárie -
37 _ duas guerras mundiais, a incapacidade de o capitalismo distribuir riquezas, o fracasso do socialismo
38 _ soviético etc. -, passa a rejeitar todos os “ismos”. Os espaços da expressão da cidadania, como a política e o
39 _ Estado, caem em descrédito.
40 _____ Tudo e todos prestam culto a um único soberano: o mercado. É ele a Casa Grande que nos mantém
41 _ na senzala do consumo compulsivo, do hedonismo desenfreado, da dessolidariedade e do egoísmo.
42 _____ Felizmente iniciativas como o Fórum Social Mundial rompem o monolitismo cultural e abrem
43 _ espaço à consciência crítica e novas práticas emancipatórias.
BETTO Frei. Corpos emancipados, mentes subjugadas. Correio da Cidadania. http://www.correiocidadania.com.br/antigo/ed437/betto.htm
Sobre os mecanismos linguísticos presentes no texto, identifique com V as afirmativas verdadeiras e com F, as falsas.
I. ( ) Ficam preservadas a coerência da argumentação e a correção gramatical ao se fazer a substituição de "onde foi considerada legal e legítima por mais de 358 anos." (L.3/4) por “onde se considerou legal e legítima por mais de 358 anos”.
II. ( ) Mantém-se a relação significativa entre as frases "Não apenas os escravo" tiveram seus corpos sujeitados. Também mulheres." (L.5), se forem transformadas em uma só, com a explicitação do elemento de coesão textual... mas, subentendido no contexto, contanto que sejam feitos os demais ajustes.
III. ( ) Estabelece a mesma relação que o conectivo "que", em "que nos mantém atrelados às conveniências do mercado." (L.28/29), o "que", em "que preferimos não mais prestar atenção nelas” (L.33).
IV. ( ) Preserva-se a função sintática do termo "tanta informação", em "Há tanta informação" (L.33), ao se substituir o verbo HAVER por existir.
V. ( ) Estão no plural, concordando com o mesmo sujeito, as formas verbais "rompem" e "abrem", ambas na linha 42, embora se apresentem com regências diferentes.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a
Corpos emancipados, mentes subjugadas
1 _____ A indústria cultural, tão bem dissecada pela Escola de Frankfurt, retarda a emancipação humana ao
2 _ introduzir a sujeição da mente no momento em que a humanidade se livrava da sujeição do corpo. É longa a
3 _ história da sujeição do corpo, a começar pela escravidão que durou séculos, inclusive no Brasil, onde foi
4 _ considerada legal e legítima por mais de 358 anos.
5 _____ Não apenas escravos tiveram seus corpos sujeitados. Também mulheres. Faz menos de um século
6 _ que elas iniciaram o processo de apropriação do próprio corpo. A dominação sofrida pelo corpo feminino era
7 _ endógena e exógena. Endógena porque a mulher não tinha nenhum controle sobre o seu organismo, encarado
8 _ como mera máquina reprodutiva e, com frequência, demonizado. Exógena pelas tantas discriminações
9 _ sofridas, da proibição de votar à castração do clitóris, da obrigação de encobrir o rosto em países
10 _ muçulmanos à exibição pública de sua nudez como isca publicitária nos países capitalistas de tradição cristã.
11 _____ No momento em que o corpo humano alcançava sua emancipação, a indústria cultural introduziu a
12 _ sujeição da mente. A multimídia é como um polvo cujos tentáculos nos prendem por todos os lados. Tente
13 _ pensar diferente da monocultura que nos é imposta via programas de entretenimento! Se a sua filha de 20
14 _ anos disser que permanece virgem, isso soará como ridículo anacronismo; se aparecer no Big Brother
15 _ transando via satélite para o onanismo visual de milhões de telespectadores, isso faz parte do show.
16 _____ O processo de sujeição da mente utiliza como chibatas o prosaico, o efêmero, o virtual, o fugidio. E
17 _ detona progressivamente os antigos valores universais. Ética? Ora, não deixe escapar as chances de ter
18 _ sucesso e ficar rico, desde que sua imagem não fique mal na foto... Agora, tudo é descartável, inclusive os
19 _ valores. E todos somos impelidos à reciclagem perpétua - na profissão, na identidade, nos relacionamentos.
20 _____Nossos pais aposentavam-se num único emprego. Hoje, coitado do profissional que, ao oferecer-se
21 _ a uma vaga, não apresentar no currículo a prova de que já trabalhou em pelo menos três ou quatro empresas
22 _ do ramo! Eis a civilização intransitiva, desistorizada, convencida de que nela se esgota a evolução do ser
23 _ humano e da sociedade. Resta apenas dilatar a expansão do mercado.
24 _____ A tecnologia multimídia sujeita-nos sem que tenhamos consciência dessa escravidão virtual. Pelo
25 _ contrário, oferece-nos a impressão de que somos “imperadores de poltrona”, na expressão cunhada por
26 _ Robert Stam. Temos tanto “poder” que, monitor à mão, pulamos velozmente de um canal de TV a outro,
27 _ configurando a nossa própria programação. Já não estamos propensos a suportar discursos racionais e
28 _ duradouros. Pauta-nos a vertiginosa velocidade tecnológica, que nos mantém atrelados às conveniências do
29 _ mercado.
30 _____ Nossa boia de salvação reside, felizmente, na observação de Jean Baudrillard, de que o excesso de
31 _ qualquer coisa gera sempre o seu contrário. É o caso da obesidade. O alimento é imprescindível à vida, mas
32 _ em excesso afeta o sistema cardiovascular e produz outros defeitos colaterais.
33 _____ Há tanta informação que preferimos não mais prestar atenção nelas. A comunicação torna-se
34 _ incomunicação. Ou comunicassão, pois cassa-nos a palavra, tornando-nos meros receptores da avassaladora
35 _ máquina publicitária.
36 _____ Essa sujeição da mente vem no bojo da crise da modernidade que, desmistificada pela barbárie -
37 _ duas guerras mundiais, a incapacidade de o capitalismo distribuir riquezas, o fracasso do socialismo
38 _ soviético etc. -, passa a rejeitar todos os “ismos”. Os espaços da expressão da cidadania, como a política e o
39 _ Estado, caem em descrédito.
40 _____ Tudo e todos prestam culto a um único soberano: o mercado. É ele a Casa Grande que nos mantém
41 _ na senzala do consumo compulsivo, do hedonismo desenfreado, da dessolidariedade e do egoísmo.
42 _____ Felizmente iniciativas como o Fórum Social Mundial rompem o monolitismo cultural e abrem
43 _ espaço à consciência crítica e novas práticas emancipatórias.
BETTO Frei. Corpos emancipados, mentes subjugadas. Correio da Cidadania. http://www.correiocidadania.com.br/antigo/ed437/betto.htm
Sobre a expressão transcrita está CORRETO o que se afirma em
Corpos emancipados, mentes subjugadas
1 _____ A indústria cultural, tão bem dissecada pela Escola de Frankfurt, retarda a emancipação humana ao
2 _ introduzir a sujeição da mente no momento em que a humanidade se livrava da sujeição do corpo. É longa a
3 _ história da sujeição do corpo, a começar pela escravidão que durou séculos, inclusive no Brasil, onde foi
4 _ considerada legal e legítima por mais de 358 anos.
5 _____ Não apenas escravos tiveram seus corpos sujeitados. Também mulheres. Faz menos de um século
6 _ que elas iniciaram o processo de apropriação do próprio corpo. A dominação sofrida pelo corpo feminino era
7 _ endógena e exógena. Endógena porque a mulher não tinha nenhum controle sobre o seu organismo, encarado
8 _ como mera máquina reprodutiva e, com frequência, demonizado. Exógena pelas tantas discriminações
9 _ sofridas, da proibição de votar à castração do clitóris, da obrigação de encobrir o rosto em países
10 _ muçulmanos à exibição pública de sua nudez como isca publicitária nos países capitalistas de tradição cristã.
11 _____ No momento em que o corpo humano alcançava sua emancipação, a indústria cultural introduziu a
12 _ sujeição da mente. A multimídia é como um polvo cujos tentáculos nos prendem por todos os lados. Tente
13 _ pensar diferente da monocultura que nos é imposta via programas de entretenimento! Se a sua filha de 20
14 _ anos disser que permanece virgem, isso soará como ridículo anacronismo; se aparecer no Big Brother
15 _ transando via satélite para o onanismo visual de milhões de telespectadores, isso faz parte do show.
16 _____ O processo de sujeição da mente utiliza como chibatas o prosaico, o efêmero, o virtual, o fugidio. E
17 _ detona progressivamente os antigos valores universais. Ética? Ora, não deixe escapar as chances de ter
18 _ sucesso e ficar rico, desde que sua imagem não fique mal na foto... Agora, tudo é descartável, inclusive os
19 _ valores. E todos somos impelidos à reciclagem perpétua - na profissão, na identidade, nos relacionamentos.
20 _____Nossos pais aposentavam-se num único emprego. Hoje, coitado do profissional que, ao oferecer-se
21 _ a uma vaga, não apresentar no currículo a prova de que já trabalhou em pelo menos três ou quatro empresas
22 _ do ramo! Eis a civilização intransitiva, desistorizada, convencida de que nela se esgota a evolução do ser
23 _ humano e da sociedade. Resta apenas dilatar a expansão do mercado.
24 _____ A tecnologia multimídia sujeita-nos sem que tenhamos consciência dessa escravidão virtual. Pelo
25 _ contrário, oferece-nos a impressão de que somos “imperadores de poltrona”, na expressão cunhada por
26 _ Robert Stam. Temos tanto “poder” que, monitor à mão, pulamos velozmente de um canal de TV a outro,
27 _ configurando a nossa própria programação. Já não estamos propensos a suportar discursos racionais e
28 _ duradouros. Pauta-nos a vertiginosa velocidade tecnológica, que nos mantém atrelados às conveniências do
29 _ mercado.
30 _____ Nossa boia de salvação reside, felizmente, na observação de Jean Baudrillard, de que o excesso de
31 _ qualquer coisa gera sempre o seu contrário. É o caso da obesidade. O alimento é imprescindível à vida, mas
32 _ em excesso afeta o sistema cardiovascular e produz outros defeitos colaterais.
33 _____ Há tanta informação que preferimos não mais prestar atenção nelas. A comunicação torna-se
34 _ incomunicação. Ou comunicassão, pois cassa-nos a palavra, tornando-nos meros receptores da avassaladora
35 _ máquina publicitária.
36 _____ Essa sujeição da mente vem no bojo da crise da modernidade que, desmistificada pela barbárie -
37 _ duas guerras mundiais, a incapacidade de o capitalismo distribuir riquezas, o fracasso do socialismo
38 _ soviético etc. -, passa a rejeitar todos os “ismos”. Os espaços da expressão da cidadania, como a política e o
39 _ Estado, caem em descrédito.
40 _____ Tudo e todos prestam culto a um único soberano: o mercado. É ele a Casa Grande que nos mantém
41 _ na senzala do consumo compulsivo, do hedonismo desenfreado, da dessolidariedade e do egoísmo.
42 _____ Felizmente iniciativas como o Fórum Social Mundial rompem o monolitismo cultural e abrem
43 _ espaço à consciência crítica e novas práticas emancipatórias.
BETTO Frei. Corpos emancipados, mentes subjugadas. Correio da Cidadania. http://www.correiocidadania.com.br/antigo/ed437/betto.htm
Sobre os recursos linguísticos do texto, pode-se afirmar
As questões - de 16 a 20 - referem-se ao seguinte texto:
A tecnologia e a sala de aula
Ultimamente, há muitos discursos sobre a importância de se utilizar recursos audiovisuais em sala de aula, pois os alunos estão em busca da internet, do DVD, dos jogos em rede quando estão de fora da mesma. Logo, as crianças e jovens estão habituados em um contexto em que a tecnologia computadorizada está em voga e o professor que não se adaptar ficará para trás. A consequência disso pode ser uma sala desmotivada e indisciplinada.
Contudo, devemos nos ater à tecnologia digital como uma estratégia pedagógica adicional. Portanto, não é necessário que esteja em todas as aulas.
Mas o que fazer quando a escola não tem recursos tecnológicos para serem utilizados? Neste caso, o professor não pode se desanimar ou se acomodar com aulas apenas de giz e quadro, a não ser que a escola exija. Há outras maneiras de introduzir as linguagens da mídia em sala, basta o educador improvisar e ser criativo.
O professor pode pedir para que os alunos pesquisem sobre a linguagem verbal e não-verbal nos telejornais e, depois, trabalhar a questão da persuasão da linguagem; pode abordar as propagandas de jornais ou revistas virtuais, ressaltando a sua linguagem persuasiva e o uso de expressões e estruturas linguísticas comuns a esse gênero; pode desenvolver um trabalho com o uso de fotografias do passado e futuro nas aulas de História; pode usufruir dos canais de notícias da rádio para trabalhar a linguagem e montar com os alunos sua própria rádio; pode propor aos alunos que desenvolvam o jornal virtual da escola ou da sala; pode orientar uma pesquisa pela internet através de sites direcionados pelo próprio professor, dentre outras ideias.
O que não pode ocorrer é o professor ignorar o fato de a tecnologia digital fazer parte do cotidiano do aluno e cobrar do pupilo interesse pelas aulas. Os recursos tecnológicos são armas fundamentais para tornar as aulas mais instigantes e apreciadas.
(Adaptação do texto de Sabrina Vilarinho, Equipe Brasil Escola - Disponível em: http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrateaias-ensino/a-tecnoloaia-sala-aula.htm. Acesso em 15/09/20171
No parágrafo, “O professor pode pedir para que os alunos pesquisem sobre a linguagem verbal e não-verbal nos teiejornais e, depois, trabalhar a questão da persuasão da linguagem; pode abordar as propagandas de jornais ou revistas virtuais, ressaltando a sua linguagem persuasiva e o uso de expressões e estruturas linguísticas comuns a esse gênero; pode desenvolver um trabalho com o uso de fotografias do passado e futuro nas aulas de História; pode usufruir dos canais de notícias da rádio para trabalhara linguagem e montar com os alunos sua própria rádio; pode propor aos alunos que desenvolvam o jornal virtual da escola ou da sala; pode orientar uma pesquisa pela internet através de sites direcionados pelo próprio professor, dentre outras idéias”, a estrutura oracional predominante é denominada período_____________________________.
Assinale a alternativa que CORRETAMENTE preenche a lacuna do texto acima.
Os verbos variam de significado a depender de sua regência. Nesse sentido, é correto afirmar que o verbo “analisar” no sentido de “investigar ou examinar minuciosamente” rege-se da seguinte forma:
O trecho abaixo adaptado é composto por, exatamente:
“Mas as recentes descobertas em Jebel Irhoud levam à crença de que, na verdade, provavelmente foram Homo sapiens que deixaram os restos de ferramentas e fogo nos locais.” (Adaptado de G1, 07/06/2017)
Nas alternativas abaixo, todas as expressões sublinhadas são classificadas sintaticamente como sujeito, exceto em (textos adaptados de G1, 07/06/2017):
Utilize os quadrinhos abaixo para responder as questões no 21 e 22 da prova:
A expressão “Ebaaa!!” utilizada pelos personagens nos quadrinhos acima é classificada morfologicamente como:
Texto para responder às questões de 01 a 10.
A ética das máquinas
[...] Imagine uma situação na qual uma máquina identifica o rosto de um terrorista internacional tentando embarcar em um voo no aeroporto de Tel Aviv. Imediatamente, um alarme soa e os embarques são suspensos. Todos os voos são, automaticamente, cancelados. Em poucos minutos, a notícia já percorre milhões de tablets e se espalha pelo mundo. O preço do barril de petróleo triplica e nas bolsas de valores há uma corrida pelas ações das empresas petrolíferas. Essa manobra faz com que o preço de outras ações desabe. A queda no valor das ações leva a uma corrida para o dólar e, em poucas horas, ele se valoriza mais de 15%. Contratos de importação e exportação são suspensos...
Essa cadeia inusitada de acontecimentos pode levar ao caos. Mas, o que significa um dia caótico na economia mundial diante da possibilidade de um ataque terrorista que poderia dizimar centenas de vidas? Os agentes da polícia portuária poderiam não ter identificado o rosto do terrorista e, nesse caso, a tragédia seria inevitável. No entanto, não é possível descartar a hipótese de que a máquina poderia ter identificado incorretamente um rosto e que, se ela não tivesse autonomia para suspender embarques e voos, um dia de caos na economia mundial poderia ter sido evitado. O que seria melhor? Tudo depende dos riscos que estamos dispostos a correr.
As máquinas estão se tornando cada vez mais autônomas. Máquinas autônomas não podem ser desligadas. Cada vez mais delegamos a elas decisões diante de situações imprevistas. Se o rosto do terrorista é identificado, o alarme soa e os embarques são automaticamente cancelados, independentemente da vontade de qualquer funcionário do aeroporto. Máquinas autônomas podem, também, alterar sua própria programação a partir de sua interação com o ambiente e, por isso, não temos controle pleno sobre elas.
Em geral, delegamos autonomia para máquinas quando, em algumas tarefas, sua performance é melhor do que a de um ser humano. Cálculos de engenharia, folhas de pagamento de grandes instituições são casos típicos nos quais a performance das máquinas ultrapassa o raciocínio e a memória humana. Em pouco tempo a identificação instantânea de rostos também integrará essa lista. [...]
Máquinas superinteligentes ainda são um sonho distante, mas não impossível. Não podemos, tampouco, descartar a possibilidade de elas serem produzidas acidentalmente. [...]
Como uma máquina autônoma não pode ser desligada, ficaríamos à mercê de seus caprichos, que poderia incluir a destruição completa da raça humana. [...]
O físico Stephen Hawking sugere que, diante desse risco, as pesquisas em inteligência artificial deveriam ser interrompidas. O filósofo Nick Bostrom, da Universidade de Oxford, defende que o aumento da inteligência se refletirá em um aprimoramento ético. Daniel Dennett, um dos pioneiros da Filosofia da Mente, afirma que a superinteligência não passa de uma lenda urbana que se baseia em atribuir às máquinas podres que elas nunca terão.
Temos de aguardar, com os dedos cruzados, os próximos capítulos da história da tecnologia. E torcer para que das inteligências sem consciência possa emergir algo mais do apenas eficiência cega, a competência sem compreensão.
(TEIXEIRA, João. Filosofia, Ciência e Vida. nº 121. Adaptado.)
Considere as afirmações a seguir acerca das construções empregadas no texto.
I. No 1º§, a palavra “automaticamente” aparece entre vírgulas que poderiam ser substituídas por travessões, de acordo com a finalidade do emprego apresentada.
II. Em “leva a uma corrida para o dólar” (1º§), caso a forma verbal fosse substituída por “conduz”, a regência seria alterada de acordo com a exigência da norma padrão da língua.
III. O segmento “As máquinas estão se tornando cada vez mais autônomas. Máquinas autônomas não podem ser desligadas.” (3º parágrafo) poderia ser transformado em um único período composto por coordenação.
Estão corretas as afirmativas
Leia as afirmativas a seguir:
I. A palavra "que" será interjeição, quando exprimir uma emoção, um estado de espírito; é sempre exclamativa e acentuada (quê).
II. Adjetivo é a classe gramatical que modifica um substantivo, atribuindo-lhe qualidade, estado ou modo de ser. Um adjetivo normalmente exerce uma dentre três funções sintáticas na oração: aposto explicativo, adjunto adnominal ou predicativo. Este é um conceito tradicionalmente atribuído àquela classe de palavras.
Marque a alternativa CORRETA:
Leia o texto e responda às questões de 1 a 10
Neste domingo, é celebrado o Dia Nacional da Mamografia.
O termo sublinhado exerce função de:
Quanto à regência verbal, nos trechos abaixo:
I – Lembrei a eles a data do exame médico.
II – Sua aprovação para o cargo implica fluência na língua inglesa.
III – Informou-lhes de que poderiam sair assim que terminassem o trabalho.
IV – Simpatizo com os apresentadores do telejornal.
V- O delegado procederá o inquérito.
Estão corretas as proposições:
Para responder a essas questões, assinale APENAS UMA ÚNICA alternativa correta e marque o número correspondente na Folha de Respostas.
Discutir o aborto por amor à vida
Leonardo Boff
AS QUESTÕES 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO:
TEXTO
1_____Custa-me crer que haja pessoas que defendam o aborto pelo aborto. Ele implica eliminar uma vida
2 ou interferir num processo vital que culmina com a emergência da vida humana. Eu pessoalmente sou contra o
3 aborto, pois amo a vida em cada uma de suas fases e em todas as suas formas.
4 ______Mas esta afirmação não me torna cego para uma realidade macabra que não pode ser ignorada e
5 que desafia o bom-senso e os poderes públicos. Por ano fazem-se no Brasil cerca de 800 mil abortos
6 clandestinos. A cada dois dias morre uma mulher vítima de um aborto clandestino mal assistido.
7 _____Essa realidade deve ser enfrentada não com a polícia, mas com uma saúde pública responsável e
8 com senso de realismo. Considero farisaica a atitude daqueles que de forma intransigente defendem a vida
9 embrionária e não adotam a mesma atitude face aos milhares de crianças nascidas e lançadas na miséria, sem
10 comida e sem carinho, perambulando pelas ruas de nossas cidades. A vida deve ser amada em todas as suas
11 formas e idades e não apenas em seu primeiro alvorecer no seio da mãe. Cabe ao Estado e a toda a sociedade
12 criar as condições para que as mães não precisem abortar.
13 _____Eu mesmo assisti, nos degraus da catedral de Fortaleza, a uma mãe famélica, pedindo esmola e
14 amamentando o filho com o sangue de seu próprio seio. Era a figura do pelicano. Perplexo e tomado de
15 compaixão, levei-a até a casa do cardeal dom Aloísio Lorscheider, e ali lhe demos toda a assistência possível.
16 _____Mesmo assim, ocorrem abortos, sempre dolorosos e que afetam profundamente a psique da mãe.
17 Narro o que escreveu um eminente psicanalista da escola junguiana de São Paulo, Léon Bonaventure, na
18 introdução que fez a um livro desafiador e instigante e não livre de questionamento: Aborto: perda e
19 renovação: Um paradoxo na busca da identidade feminina (Paulus, 2006), de Eva Pattis, uma psicanalista
20 infantil de origem suíça, reconhecida em seu meio.
21 ____Conta Léon Bonaventure, com sutileza de um fino psicanalista para quem a espiritualidade
22 constitui uma fonte de integração e de cura de feridas da alma. Uma senhora procurou um sacerdote e lhe
23 confessou que havia outrora praticado um aborto. Depois de ouvir sua confissão, o sacerdote, com profundo
24 senso humano, lhe perguntou: “Que nome deu ao seu filho”? A mulher, perplexa, ficou calada por longo
25 tempo.
26 ____Então, disse o sacerdote: ”Vamos dar-lhe um nome. E se a senhora concordar vamos também
27 batizá-lo”. A senhora anuiu com a cabeça. E simbolicamene assim o fizeram. Depois o sacerdote falou do
28 mistério da vida humana. Disse: “Há vidas que vêm a esta Terra por 10, 50 e até 100 anos; outras jamais verão
29 a luz do sol. No calendário litúrgico da Igreja há a festa dos Santos Inocentes, no dia 28 de dezembro, aqueles
30 que Herodes mandou matar no momento em que a Divina Criança veio ao mundo. Que esse dia seja também o
31 dia de aniversário de seu filho”.
32 ____“Na tradição cristã” — continuou o sacerdote — “os filhos eram sempre vistos como um presente
33 de Deus e uma bênção para a vida. No passado nossos pais iam à Igreja oferecer seus filhos a Deus. Nunca é
34 tarde para você também oferecer seu filho a Deus”.
35 _____O sacerdote terminou sua fala com as seguintes palavras consoladoras: ”Como ser humano não
36 posso julgá-la. Mas se você pecou contra a vida, o Deus da vida pode reconciliá-la com a vida e com Ele. Vá
37 em paz e viva”.
388 ____O Papa Francisco sempre recomenda misericórdia, compreensão e ternura na relação dos
39 sacerdotes para com os fiéis. Esse sacerdote viveu avant la lettre esses valores profundamente humanos e que
40 pertencem à prática do Jesus histórico. Que eles possam inspirar a outros sacerdotes a terem a mesma
41 humanidade.
Site de origem: Discutir o aborto por amor à vida, por Leonardo Boff (Jornal do Brasil).
IN:http://agenciapatriciagalvao.org.br/direitos-sexuais-e-reprodutivos/discutir-o-aborto-por amor-vida-por-leonardo-boff/
Possui predicado igual ao da oração “esta afirmação não me torna cego” (L.4) a alternativa:
Para responder a essas questões, assinale APENAS UMA ÚNICA alternativa correta e marque o número correspondente na Folha de Respostas.
Discutir o aborto por amor à vida
Leonardo Boff
AS QUESTÕES 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO:
TEXTO
1_____Custa-me crer que haja pessoas que defendam o aborto pelo aborto. Ele implica eliminar uma vida
2 ou interferir num processo vital que culmina com a emergência da vida humana. Eu pessoalmente sou contra o
3 aborto, pois amo a vida em cada uma de suas fases e em todas as suas formas.
4 ______Mas esta afirmação não me torna cego para uma realidade macabra que não pode ser ignorada e
5 que desafia o bom-senso e os poderes públicos. Por ano fazem-se no Brasil cerca de 800 mil abortos
6 clandestinos. A cada dois dias morre uma mulher vítima de um aborto clandestino mal assistido.
7 _____Essa realidade deve ser enfrentada não com a polícia, mas com uma saúde pública responsável e
8 com senso de realismo. Considero farisaica a atitude daqueles que de forma intransigente defendem a vida
9 embrionária e não adotam a mesma atitude face aos milhares de crianças nascidas e lançadas na miséria, sem
10 comida e sem carinho, perambulando pelas ruas de nossas cidades. A vida deve ser amada em todas as suas
11 formas e idades e não apenas em seu primeiro alvorecer no seio da mãe. Cabe ao Estado e a toda a sociedade
12 criar as condições para que as mães não precisem abortar.
13 _____Eu mesmo assisti, nos degraus da catedral de Fortaleza, a uma mãe famélica, pedindo esmola e
14 amamentando o filho com o sangue de seu próprio seio. Era a figura do pelicano. Perplexo e tomado de
15 compaixão, levei-a até a casa do cardeal dom Aloísio Lorscheider, e ali lhe demos toda a assistência possível.
16 _____Mesmo assim, ocorrem abortos, sempre dolorosos e que afetam profundamente a psique da mãe.
17 Narro o que escreveu um eminente psicanalista da escola junguiana de São Paulo, Léon Bonaventure, na
18 introdução que fez a um livro desafiador e instigante e não livre de questionamento: Aborto: perda e
19 renovação: Um paradoxo na busca da identidade feminina (Paulus, 2006), de Eva Pattis, uma psicanalista
20 infantil de origem suíça, reconhecida em seu meio.
21 ____Conta Léon Bonaventure, com sutileza de um fino psicanalista para quem a espiritualidade
22 constitui uma fonte de integração e de cura de feridas da alma. Uma senhora procurou um sacerdote e lhe
23 confessou que havia outrora praticado um aborto. Depois de ouvir sua confissão, o sacerdote, com profundo
24 senso humano, lhe perguntou: “Que nome deu ao seu filho”? A mulher, perplexa, ficou calada por longo
25 tempo.
26 ____Então, disse o sacerdote: ”Vamos dar-lhe um nome. E se a senhora concordar vamos também
27 batizá-lo”. A senhora anuiu com a cabeça. E simbolicamene assim o fizeram. Depois o sacerdote falou do
28 mistério da vida humana. Disse: “Há vidas que vêm a esta Terra por 10, 50 e até 100 anos; outras jamais verão
29 a luz do sol. No calendário litúrgico da Igreja há a festa dos Santos Inocentes, no dia 28 de dezembro, aqueles
30 que Herodes mandou matar no momento em que a Divina Criança veio ao mundo. Que esse dia seja também o
31 dia de aniversário de seu filho”.
32 ____“Na tradição cristã” — continuou o sacerdote — “os filhos eram sempre vistos como um presente
33 de Deus e uma bênção para a vida. No passado nossos pais iam à Igreja oferecer seus filhos a Deus. Nunca é
34 tarde para você também oferecer seu filho a Deus”.
35 _____O sacerdote terminou sua fala com as seguintes palavras consoladoras: ”Como ser humano não
36 posso julgá-la. Mas se você pecou contra a vida, o Deus da vida pode reconciliá-la com a vida e com Ele. Vá
37 em paz e viva”.
388 ____O Papa Francisco sempre recomenda misericórdia, compreensão e ternura na relação dos
39 sacerdotes para com os fiéis. Esse sacerdote viveu avant la lettre esses valores profundamente humanos e que
40 pertencem à prática do Jesus histórico. Que eles possam inspirar a outros sacerdotes a terem a mesma
41 humanidade.
Site de origem: Discutir o aborto por amor à vida, por Leonardo Boff (Jornal do Brasil).
IN:http://agenciapatriciagalvao.org.br/direitos-sexuais-e-reprodutivos/discutir-o-aborto-por amor-vida-por-leonardo-boff/
No período “Custa-me crer que haja pessoas que defendam o aborto pelo aborto” (L.1), pode-se afirmar corretamente:
Texto para responder às questões de 01 a 10.
O rapaz e ela se olharam por entre a chuva e se reconheceram como dois nordestinos, bichos da mesma espécie que se farejam. Ele a olhara enxugando o rosto molhado com as mãos. E a moça, bastou-lhe vê-lo para torná-lo imediatamente sua goiabada-com-queijo.
Ele... Ele se aproximou e com voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-lhe:
– E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?
– Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa antes que ele mudasse de ideia.
– E, se me permite, qual é mesmo a sua graça?
– Macabéa.
– Maca – o quê?
– Béa, foi ela obrigada a completar.
– Me desculpe, mas até parece doença, doença de pele.
– Eu também acho esquisito, mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora da Boa Morte se eu vingasse, até um ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome, eu preferia continuar a nunca ser chamada em vez de ter um nome que ninguém tem mas parece que deu certo – parou um instante retomando o fôlego perdido e acrescentou desanimada e com pudor – pois como o senhor vê eu vinguei... pois é...
– Também no sertão da Paraíba promessa é questão de grande dívida de honra.
Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da vitrine de uma loja de ferragem onde estavam expostos atrás do vidro canos, latas, parafusos grandes e pregos. E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao recém-namorado:
– Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?
Da segunda vez em que se encontraram caía uma chuva fininha que ensopava os ossos. Sem nem ao menos se darem as mãos caminhavam na chuva que na cara de Macabéa parecia lágrimas escorrendo.
Da terceira vez que se encontraram – pois não é que estava chovendo? – o rapaz, irritado e perdendo o leve verniz de finura que o padrasto a custo lhe ensinara, disse-lhe:
– Você também só sabe é mesmo chover!
– Desculpe.
Mas ela já o amava tanto que não sabia mais como se livrar dele, estava em desespero de amor.
Numa das vezes em que se encontraram ela afinal perguntou-lhe o nome.
– Olímpico de Jesus Moreira Chaves – mentiu ele porque tinha como sobrenome apenas o de Jesus, sobrenome dos que não têm pai. Fora criado por um padrasto que lhe ensinara o modo fino de tratar pessoas para se aproveitar delas e lhe ensinara como pegar mulher.
— Eu não entendo o seu nome — disse ela. — Olímpico?
Macabéa fingia enorme curiosidade escondendo dele que ela nunca entendia tudo muito bem e que isso era assim mesmo. Mas ele, galinho de briga que era, arrepiou-se todo com a pergunta tola e que ele não sabia responder. Disse aborrecido:
– Eu sei mas não quero dizer!
– Não faz mal, não faz mal, não faz mal... a gente não precisa entender o nome.
[...] Olímpico de Jesus trabalhava de operário numa metalúrgica e ela nem notou que ele não se chamava “operário” e sim “metalúrgico”. Macabéa ficava contente com a posição social dele porque tinha orgulho de ser datilógrafa, embora ganhasse menos que o salário mínimo. Mas ela e Olímpico eram alguém no mundo. “Metalúrgico e datilógrafa” formavam um casal de classe.
LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, 30 jan. p. 43 - 45. (Fragmento)
Sobre os elementos destacados do fragmento “– Eu também acho esquisito, mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora da Boa Morte”, leia as afirmativas.
I. O uso do pronome em BOTOU ELE atende ao padrão culto da língua.
II. O modo das formas verbais ACHO e BOTOU é determinado sobretudo pelas hipóteses que se verificam entre o conteúdo das orações.
III. Apalavra MAS é uma conjunção coordenativa.
Está correto apenas o que se afirma em
Quanto custa um pôr-de-sol?
Leonardo Boff
1 Um grande empresário americano, estando em Roma, quis mostrar ao filho a beleza de um pôr-
2 de-sol nas colinas de Castelgandolfo. Antes de se postarem num bom ângulo, o filho perguntou ao pai:
3 "pai, onde se paga?" Esta pergunta revela a estrutura da sociedade dominante, assentada sobre a economia
4 e o mercado. Nela para tudo se paga - também um pôr-de-sol - tudo se vende e tudo se compra.
5 Ela operou, segundo notou ainda em 1944 o economista norte-americano Polanyi, a grande
6 transformação ao conferir valor econômico a tudo. As relações humanas se transformaram em transações
7 comerciais e tudo, tudo mesmo, do sexo à Santíssima Trindade, vira mercadoria e chance de lucro.
8 Se quisermos qualificá-la, diríamos que esta é uma sociedade produtivista, consumista e
9 materialista. É produtivista porque explora todos os recursos e serviços naturais visando o lucro e não a
10 preservação da natureza. É consumista porque se não houver consumo cada vez maior não há também
11 produção nem lucro. É materialista, pois sua centralidade é produzir e consumir coisas materiais e não
12 espirituais como a cooperação e o cuidado. Está mais interessada no crescimento quantitativo – como
13 ganhar mais – do que no desenvolvimento qualitativo – como viver melhor com menos – em harmonia
14 com a natureza, com equidade social e sustentabilidade sócio-ecológica.
15 Cabe insistir no óbvio: não há dinheiro que pague um pôr-de-sol. Não se compra na bolsa a lua
16 cheia “que sabe de mi largo caminar.” A felicidade, a amizade, a lealdade e o amor não estão à venda nos
17 shoppings. Quem pode viver sem esses intangíveis? Aqui não funciona a lógica do interesse, mas da
18 gratuidade, não a utilidade prática, mas o valor intrínseco da natureza, da ridente paisagem, do carinho
19 entre dois enamorados. Nisso reside a felicidade humana.
20 O insuspeito Daniel Soros, o grande especulador das bolsas mundiais, confessa em seu livro A
21 crise do capitalismo (1999): ”uma sociedade baseada em transações solapa os valores sociais; estes
22 expressam um interesse pelos outros; pressupõem que o indivíduo pertence a uma comunidade, seja uma
23 família, uma tribo, uma nação ou a humanidade, cujos interesses têm preferência em relação aos
24 interesses individuais. Mas uma economia de mercado é tudo menos uma comunidade. Todos devem
25 cuidar dos seus próprios interesses... e maximizar seus lucros, com exclusão de qualquer outra
26 consideração” (p. 120 e 87).
27 Uma sociedade que decide organizar-se sem uma ética mínima, altruísta e respeitosa da
28 natureza, está traçando o caminho de sua própria autodestruição. Então, não causa admiração o fato de
29 termos chegado aonde chegamos, ao aquecimento global e à aterradora devastação da natureza, com
30 ameaças de extinção de vastas porções da biosfera e, no termo, até da espécie humana.
31 Suspeito que, se não quebrarmos o paradigma produtivista/consumista/materialista, poderemos
32 encontrar pela frente a escuridão. Devemos tentar ser, pelo menos um pouco, como a rosa, cantada pelo
33 místico poeta Angelus Silesius (+1677): “a rosa é sem porquê: floresce por florescer, não cuida de si
34 mesma nem pede para ser olhada” (aforismo 289). Essa gratuidade é uma das pilastras do novo
35 paradigma.
IN: http://correio.rac.com.br/_conteudo/2013/11/blogs/leonardo_boff/
"Devemos tentar ser, pelo menos um pouco, como a rosa, cantada pelo místico poeta Angelus Silesius" (L.32/33)
Quanto às funções sintático-semânticas dos elementos que compõem o período acima, pode-se afirmar:
Leia o texto e responda o que se pede no comando das questões.
"Todos estamos deitados na sarjeta, só que alguns estão
olhando para as estrelas."
Esta citação foi tirada de O leque de lady Windermere, uma obra de teatro de Oscar Wilde que estreou em Londres em 1892. Ela nos faz lembrar que, independentemente de nossa situação, o que importa é a perspectiva que mantemos.
Há pessoas que aparentemente têm tudo na vida - saúde, beleza, dinheiro, liberdade - e são infelizes. Isso acontece porque elas fixam a atenção naquilo que lhes falta ou simplesmente não sabem o que querem da vida.
Outras, ao contrário, vivem situações penosas, mas são capazes de enxergar um cantinho do jardim onde bate um raio de sol.
A escritora, filósofa e conferencista norte-americana Helen Keller, que ficou cega e surda ainda muito jovem, explicava assim seu segredo para nunca deixar de ver as estrelas:
Abro as portas do meu ser a tudo o que é bom e as fecho cuidadosamente diante do que é ruim. Essa força tão bela e persistente me permite enfrentar qualquer obstáculo. Nunca me sinto desanimada, pensando que me faltam coisas boas. A dúvida e a insegurança são apenas o pânico gerado por uma mente fraca. Com um coração firme e uma mente aberta, tudo se torna possível.
(Fonte: PERCY,Allan. OscarWilde para inquietos. p.10.)
Marque a alternativa que apresente, respectivamente, a classificação correta dos termos do seguinte excerto retirado do segundo parágrafo do texto:"( ... ) que lhes falta( ... )":
Assinale a alternativa em que a regência verbal foi respeitada de acordo com as regras da gramática normativa.
De acordo com a norma culta, assinale a alternativa CORRETA quanto à regência verbal.