Questões de Concurso
Sobre análise sintática em português
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Dados de 92 milhões de brasileiros podem estar à venda na internet
Arquivo contém 16 GB de informações pessoais que incluem nomes, datas de nascimento e números de CPF
Por Rodrigo Loureiro
9 out. 2019
São Paulo – Um banco de dados que teria informações de mais de 92 milhões de brasileiros está sendo leiloado na internet. De acordo com a empresa de segurança digital Eset, que está analisando o caso, o conjunto de dados pessoais inclui nomes dos usuários e de seus familiares, datas de nascimento e CPFs. O lance inicial é de 15 mil dólares.
Realizado em diversos fóruns clandestinos e de acesso restrito, o leilão, que só recebe lances a partir de 1.000 dólares, só pode ser acessado por membros dessas plataformas. O arquivo de 16 GB de tamanho e em formato SQL está sendo leiloado por um hacker sob o codinome X4Crow.
De acordo com o portal Bleeping Computer, que obteve uma amostra dos dados, as informações coletadas são verdadeiras e batem com registros da Receita Federal.
Como o vazamento afeta também pessoas jurídicas, já que informações do CNPJ de empresas também foram coletadas, é provável que nem todos os dados sejam únicos. Ou seja, uma mesma pessoa pode estar listada mais de uma vez no arquivo.
Para piorar, o invasor ainda afirma que pode obter números de telefone, endereços físicos, e-mails, placas de carros, histórico profissional e educacional e até mesmo o nome de vizinhos da vítima. Esses dados adicionais, contudo, estão sendo vendidos separadamente. Custam cerca de 150 dólares por pesquisa.
Seus dados estão seguros?
Infelizmente, não é possível saber quem foi vítima deste novo ataque digital. Contudo usuários mais preocupados com a segurança de suas informações pessoais disponibilizadas na internet podem verificar se já foram vítimas de outros vazamentos de dados no ambiente virtual.
Para fazer isso, é preciso acessar o site Have I Been Pwned. A página informa se o endereço de e-mail do internauta já foi listado em algum caso de vazamento de informações.
Em todos os casos, vale sempre a dica de manter suas senhas seguras, evitar usar a mesma combinação para todos os serviços e ativar um sistema de autenticação em dois fatores em plataformas que oferecem o recurso.
Adaptado de: <https://exame.abril.com.br/tecnologia/dados-de-92-milhoes-de-brasileiros-podem-estar-a-venda-na-internet/>. Acesso em: 10 out. 2019.
Tecnologia a caminho da energia infinita
Rui Salsas
Vivemos uma fase de sensibilização e redução de emissão de gases com efeito de estufa, em prol do Planeta Azul. A energia é um recurso estratégico e um elemento-chave para o desenvolvimento sociodemográfico, assumindo um papel vital nas sociedades modernas. Em pleno século XXI, assistimos a uma verdadeira transformação e reengenharia de processos, promovendo a tecnologia e as suas funcionalidades na procura de melhor rendimento, de maior produtividade e eficiência, de maior sustentabilidade, fazendo mais com menos intervenção humana e minimizando as alterações aos ecossistemas ambientais.
Nesse sentido, o setor das Utilities tem procurado introduzir a Inteligência Artificial (IA) e a Computação de Aprendizagem Automática (machine learning e/ou deep learning) como sendo os aliados de peso para o futuro próximo onde a eficiência energética será, e já mostra ser, uma das áreas com maior potencial e investimento e, consequentemente, geração de emprego.
Do ponto de vista teórico, a utilização da IA traduz-se por "ensinar" máquinas ou software a representar o ser humano na execução de tarefas. Mais, esta tecnologia está acrescentando tarefas complexas e mais elaboradas capazes de modificar o seu comportamento, ou seja, as máquinas ou software poderão deter capacidade de aprender sem que sejam explicitamente programadas para isso.
Então, como é que a Inteligência Artificial afeta as Utilities? A IA cumpre quatro funções principais, transversais a outros setores:
• Compreender as necessidades do consumidor – utilizar software capaz de recolher dados dos clientes e ser capaz de oferecer produtos mais adequados ao seu consumo, além de potenciar novos consumidores (por exemplo, combinar consumo energético com compras em hipermercados e usufruir de descontos associados);
• Melhorar os produtos e serviços oferecidos – recolher e analisar dados com programas inteligentes melhorará a oferta e divulgação de produtos e serviços atuais e novos;
• Identificar e gerir o risco – usar dados analíticos da organização para inferir novos padrões de comportamento e de risco dos consumidores;
• Identificar e evitar fraudes – usar sistemas de análise de aprendizagem automática, para padronizar com um grande grau de certeza cada consumidor, irá certamente ajudar na identificação de fraudes.
[…] Concluindo, os últimos anos introduziram desafios significativos no setor da Energia, relacionados com a revolução energética em curso e na eficácia, quer da sua recolha quer do seu consumo. É, portanto, necessário superar expectativas por um país mais inovador e digital e por um planeta mais sustentável e ecológico, e nesse contexto a IA tem-se revelado uma aposta séria no presente e para o futuro, para beneficiar todas as indústrias.
Adaptado de: <http://exameinformatica.sapo.pt/opiniao/2019-10-09-Tecnologia-a-caminho-da-energia-infinita>
Analise os textos I e II para responder à questão.

Texto II
Desafios para o crescimento do hábito de leitura no Brasil
O hábito da leitura tem crescido em todo o
Brasil. Pesquisa feita em 2016 pelo Instituto Pró-Livro estima que 56% da população brasileira
acima dos cinco anos se enquadra como leitores
regulares. É um dado mais animador que o do
ano de 2011, quando o percentual era de 50%. No
entanto, por mais que exista esse crescimento,
ainda não é o suficiente para enquadrar o Brasil
em um cenário relevante dos países com maior
índice de leitura.
Dados preocupantes
No início de 2018, o Banco Mundial lançou uma pesquisa apontando que os estudantes brasileiros demorarão mais de 260 anos para atingir a qualidade de leitura de países desenvolvidos. O quadro desanimador aponta um risco para o pensamento crítico dos estudantes brasileiros, pois a leitura estimula a reflexão e a interação entre ideias que fomentam discussões proveitosas para o desenvolvimento do conhecimento. Quanto menos a leitura for estimulada, menor será o pensamento crítico dos jovens, principalmente estudantes, no ambiente social.
O grande obstáculo para a leitura, segundo os próprios leitores, é a falta de tempo. Para 43% dos leitores, a falta de tempo se torna um grande inimigo. Aliado a isso, tem-se o problema do desinteresse por parte dos não leitores. Por esses dois principais motivos, faz-se necessária a construção de uma leitura interessante e de fácil acesso a todas as camadas sociais.
A busca pelo interesse
A única resposta possível a isso é incentivar massivamente a leitura, porém não de maneira forçosa. A leitura deve ser incentivada de forma gradual. Começando com obras mais simples, porém com conteúdo relevante, para que assim os novos leitores consigam desenvolver de maneira mais relevante seu pensamento crítico.
Hélio Ricardo, autor do livro ‘Quando as flores machucam’, propôs-se a desenvolver uma escrita que atenda aos requisitos de leitura criativa, crítica e de fácil acesso. Ele desenvolve em seu livro, de forma bem-humorada, pensamentos críticos voltados para a sociedade atual.
‘Quando as flores machucam’ também é fruto das próprias experiências de vida do autor, bem como de leitura. Hélio Ricardo entende que a maioria dos brasileiros tem um desinteresse real pela leitura, por isso apresentou seus pensamentos de maneira mais poética em seu livro.
Para jovens e adultos interessados em uma leitura dinâmica, que convoca à reflexão, ‘Quando as flores machucam’ é um caminho interessante. Principalmente para os que têm uma rotina mais agitada no seu dia a dia. (...)
Disponível em:<https://exame.abril.com.br/negocios/dino/desafios-para-o-crescimento-do-habito-de-leitura-no-brasil/>
Insignificâncias indomáveis
Carla Dias
Eu tenho medo de lagartixa e de atravessar rua quando o sinal está vermelho, ainda que não haja carros por perto. Meu medo é um algo estupendo, com suas pequenas armadilhas. Faz com que eu tema a alegria, enquanto me preencho de coragem ao lidar com desesperos indeléveis.
Eu tenho medo de errar a palavra, de sair a outra, a mais torta, a menos a ver com o que eu, de fato, gostaria de dizer. E ainda tem o tom... sou desprovida de talento, quando dele depende o tudo do momento. Aquela coisa de a voz sair rascante, de se entregar à possibilidade de se aventurar no impossível, envergonhando-se dessa ousadia no segundo seguinte.
Envergonhamento feroz é este.
(...)
Tenho medo reverberante de nunca chegar. Não a um lugar, a um destino. Falo sobre chegar ao ser invadida pelo pertencimento. Zerar a ansiedade desconcertante de não ter sido escolhida pela sensação plena de estar onde, tornar-se quem.
Há quem diga que meus medos são banalidades travestidas de tragédias. Há os que não suportam meus dramas, de tão ridículos os tantos lhes parecem. Contudo, tenho certa dificuldade em compreender a irrelevância de se sentir deslocada no tempo e no espaço, desprovida de identidade, além daquela criada para atender à necessidade de tocar a vida, sem direito a toque que não seja o de recolher-se na própria impotência de provocar o movimento.
Estagnar-se em conluio com um adiantamento robusto de arrependimentos.
Meus dramas, essas insignificâncias indomáveis, embebidas em esperança desmilinguida de, dia desses, a vida me oferecer e entregar o oferecido.
Que susto será!
Que prazer de curar azedumes!
Que loucura eficaz!
Reviravoltas constantes me deixam com desejo aguçado de parar à porta da insanidade, para observar obsoletos santos sendo pessoas em busca de pessoas para conversar sobre seus desvios de conduta, ao se proclamarem heróis, enquanto comentem suas covardias e benevolências.
Falar mal, fazer bem, desacreditar para então identificar o que vale a pena.
Amar... odiar... amar odiar. Odiar a mando do tempo perdido com o vazio.
Mas que o ser humano é de uma incoerência que encanta, enquanto aflige.
(...)
A mente tem seus truques, e como ótima equilibrista de absurdos que é, acontece de ela projetar na nossa história uma proteção que acaba por se mostrar precipício. Então, há vezes em que ela se desapega de nós, inventando uma realidade alternativa na qual nos enveredarmos, feito o filme que assisti, sobre a mente de um homem mudando todo o enredo do ocorrido, a fim de protegê-lo do impossível que ele acabara de cometer.
Sim, ela também comete benevolência, improváveis realizações, descobertas necessárias.
Sim, ela tem seu lado sórdido.
A mente me mete medo. Ainda assim, é ela que mais me fascina. Não a minha, que dela eu nunca vou saber ao certo. A tal vai seguir os seus delírios e, talvez, eu nem me dê conta da existência deles ou venha a saber quais provocações eles lideraram.
A do outro...
A mente que para mim é mistério, que me provoca a curiosidade sobre o que não sou ou penso. Sobre as versões do que conheço. Basta um espaço que a mente injeta na certeza para se construir aquela pausa onde moram frágeis pontes que conectam improváveis, porém compatíveis buscas.
Tenho medo de viver busca que é tempo perdido disfarçado de exuberante conquista. É ali, no limiar das suas agonias, que eu me esparramo. Meu corpo vibra buscas e medos e perdas e fantasias.
Minha mente diz que não tenho saída.
Permaneço.
Meu sentimento diz que minha mente mente.
Fujo.
Meu medo, ah, meu medo...
Ele me coloca cara a cara com a vida.
Vivo.
Adaptado de: <http://www.cronicadodia.com.br/2019/10/insignificancias-indomaveis-carla-dias.html>. Acesso em: 17 nov. 2019.
Eles colocaram monitores cardíacos em funcionários de escritório e descobriram que aqueles que acessavam o e-mail constantemente, alternando entre várias janelas e aplicativos do navegador, tiveram níveis cardíacos mais altos e mais estresse.
Em relação à primeira parte do enunciado, o vocábulo sublinhado introduz uma
I. “Pois é, gente.” O termo em destaque é classificado sintaticamente como vocativo. II. “Estamos falando dos memes, uma indústria acelerada que não brinca em serviço." A expressão em destaque tem a função de complemento nominal. III. “[...] o Brasil é uma fábrica de memes”. A expressão em destaque tem a função de predicativo do sujeito.
Uma breve história das cadeiras para escritório
Com a escalada da Revolução Industrial e a sociedade menos agrária, surgiu nas empresas a necessidade de ambientes de trabalho equipados com ferramentas para as novas rotinas nos escritórios. Neste cenário, era preciso acomodar em cadeiras quem trabalhava por horas sentado. Nasce uma combinação de forma e função em prol dos funcionários.
Os historiadores afirmam que a primeira cadeira de escritório pode ser rastreada até Júlio César. O imperador romano conduziria negócios oficiais sentado em uma “cadeira Curule”. Enquanto outros líderes, magistrados e sacerdotes também usavam esta cadeira, César finalmente distinguiu sua cadeira levando-a aonde quer que fosse. Sua cadeira de “escritório” dourada o acompanhava em viagens, ao lado de sua coroa e outros objetos de valor.
Ao longo do tempo, a cadeira de escritório passou a ter objetivos mais utilitários. No início de 1800, com as viagens de trem tornando-se cada vez mais comuns, os vagões foram equipados com as Poltronas Centripetais de Primavera, projetadas por Thomas E. Warren. Como estas viagens eram uma forma das empresas expandirem seus territórios, o uso de uma cadeira de trabalho adequada permitia que os funcionários completassem suas tarefas administrativas em trânsito. Diante da crescente importância, a cadeira Centripetal foi equipada com molas de assento para ajudar a absorver os solavancos das viagens e permitir que os negócios continuassem nos trilhos, no duplo sentido da frase.
Nos anos que antecederam a Revolução Industrial, as cadeiras de escritório passam a ser usadas como ferramentas de produtividade. Despertou-se o uso consciente dos ambientes de escritório e a necessidade de se trabalhar por mais horas. A cadeira de escritório foi então fundamental para acomodações mais confortáveis, para que os trabalhadores experimentassem menos cansaço ao longo do dia.
[…] No entanto, na década de 20, associava-se preguiça ao ato de sentar confortavelmente e era comum ver pessoas trabalhando em fábricas usando bancos sem encosto. Reagindo às reclamações de queda de produtividade e doença, particularmente entre as mulheres que já eram uma presença crescente na força de trabalho, uma empresa chamada Tan-Sad lançou uma cadeira giratória com encosto curvo que poderia ser ajustado à estatura de cada trabalhador.
[…] Nos anos seguintes surgiram muitas outras cadeiras emblemáticas e produtos tidos como referência de design, conforto e imponência, que fazem parte da história e ainda podem ser vistos no portfólio das empresas. No entanto, é difícil definir uma maneira acordada de medir o sucesso de uma cadeira.
Cadeiras de escritório são utilizadas para fins profissionais e as demandas das empresas devem sim ser equacionadas levando-se em conta ergonomia, durabilidade e design, mas também o peso relevante da relação custo-benefício dos produtos.
No terceiro milênio, as cadeiras continuam a evoluir, porém com uma nova característica de serem acessíveis aos orçamentos enxutos das organizações. Hoje é possível se ter produtos ergonomicamente adequados, com conforto e design, sem necessariamente ter que fazer investimentos como já vistos no rol restrito de produtos do passado.
Adaptado de: <https://funcional.com.br/uma-breve-historia-das-cadeiras-para-escritorio/>
Elogio das pequenas coisas
Há o tempo das grandes ambições e o tempo da sabedoria, quando passamos a fazer o elogio das pequenas coisas. A felicidade pode ser fazer uma viagem ao outro lado do mundo, mas é também caminhar no parque todo dia ou, se for o caso, uma vez por semana ou duas vezes por mês. Não importa. Há o tempo das atividades controladas, monitoradas por especialistas, voltadas para atingir metas corporais. Há também aquilo que se faz pela mente, a caminhada para espairecer, olhar a natureza, respirar ar puro, pensar na vida, passar o tempo, desligar-se do celular, deixar-se levar bifurcando ao som do vento.
Ser feliz, quando chega o tempo da compreensão da importância das pequenas coisas, é ir ao estádio com um velho amigo, ver jogar o time do coração, com o coração menos interessado na vitória obrigatória do que no momento compartilhado, contando o percurso, a ida e a volta, o intervalo, as lembranças, os assuntos postos em dia. Há o tempo de querer descobrir novos lugares, sempre mais longes, e o tempo de curtir velhos recantos, bastante próximos. Há quem considere a valorização das pequenas coisas como acomodação. Há quem veja na obrigação de rodar o mundo uma imposição da indústria do turismo. O que importa mesmo é que cada um encontre um passatempo, uma paixão.
Há o tempo dos grandes voos no escuro e o tempo dos pequenos passos no clarão da manhã. Tudo vale quando o coração se agiganta para aninhar as coisas que não têm preço e por isso não podem ser compradas. Há o tempo das vaidades incontroláveis e o tempo de estender a mão, cancelar inimizades, pedir perdão, deslumbrar-se com o sol caindo sobre o rio, fazer trilhas sob a lua cheia, voltar ansioso para o Natal em família, saudar ano novo com amigos, pertencer a alguma coisa, um clube, uma confraria, uma tradição, uma roda qualquer. Há o tempo de esquecer de mandar flores, o tempo de encomendar flores pelo telefone e o tempo de andar orgulhoso pelo bairro com flores nos braços. Há o tempo de romper com o cotidiano, de acumular milhas de avião sem tempo de usá-las e o tempo de amar a sua rua, cumprimentar os vizinhos, amar a aldeia e andar mais lentamente.
Adaptado de:<https://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/ elogio-das-pequenas-coisas-1.374386>
Considere o seguinte período do texto: “Essa música só poderia mesmo vir de um país que, por um momento, parecia acreditar em sua capacidade de saltar por cima do atraso e de abraçar seu destino de espaço de hibridação contínua das formas” e, em seguida, analise as afirmações que são feitas a respeito dele, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) O período é composto por três orações.
( ) Temos nesse período duas orações adjetivas coordenadas entre si através da conjunção “e”.
( ) O período é composto por uma oração principal, uma oração assindética e uma oração coordenada sindética aditiva.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Crônica: tempo de despedida Metáforas que se impõem
Temos muitas imagens armazenadas em nosso cérebro. Metáforas guardadas em nosso imaginário. Algumas, temos de admitir, são dolorosamente evidentes. Amanhecia. Véspera de Natal. Manhã fresca de um dia que seria muito quente. Havíamos passado a noite tomando vinho, ouvindo Roberto Carlos, só as mais tristes, tipo “Jovens tardes de domingo”, comemorando nossa formatura de Segundo Grau. Então eu saí pelos trilhos, de volta para casa, sentindo uma brisa empurrar meus cabelos longos, típicos dos anos 1970, para trás. Podia haver uma imagem mais óbvia e mais certeira para uma separação, uma ruptura, uma metamorfose?
Lembro como se fosse ontem, para continuar com imagens comuns, que olhei para trás, para os lados, para cima e para baixo, como se tentasse me situar. Vi a estação, que parecia mais melancólica do que nunca, vi alguns vagões estacionados em trilhos paralelos à linha central, vi um cachorro magro saltitar em três pernas e ouvi um galo retardatário cantar. Na metade do caminho, parei de novo e contemplei o cenário no qual me achava imerso. Eu sabia que a minha vida nunca mais seria a mesma. Em breve, eu tomaria o caminho da capital. Estava na encruzilhada. Passei por uma chave de trilhos, um mecanismo usado para desviar trens para uma linha secundária. Brinquei de tentar mudar o meu destino. Eu estava pesadamente consciente de que dava os meus últimos passos no universo que me definia.
Até hoje me pergunto: por que tanto realismo na metáfora que marcou minha passagem da adolescência para o mundo adulto? Uma semana depois, em 1º de janeiro de 1980, botei o pé na estrada e nela continuo. Só tenho voltado ao ponto de partida como visitante. Retornarei algum dia em definitivo para fechar o ciclo? Éramos três naquela despedida. Continuei ligado a um dos amigos daquela noite de despedida. O outro, o anfitrião, encontrei uma única vez, por acaso, num estádio de futebol. Não deve ter passado uma semana, porém, que não tenha pensando neles e em nossa turma.
O que nos faz pensar em detalhes de experiências tão distantes? Lembro-me de ter caminhado mais de um quilômetro pelos trilhos. Cada vez que parava ou olhara para trás, com os olhos apertados pela luz da manhã, sentia o coração pulando. Estava deixando tudo o que me importava. Como foi possível que eu não sentisse medo, não duvidasse, não tentasse escapar da mudança? A minha convicção era férrea como os trilhos que eu pisava. Hoje, quando encontro a gurizada de 17 anos, nunca deixo de concluir com certo paternalismo: são crianças. Eu era uma criança quando saí de casa.
Quando penso naquele momento de partida, inevitavelmente penso nos trilhos daquela manhã de verão. Venho trilhando meu caminho. Não me arrependo de não ter mudado a chave. Ainda ouço a voz de Roberto Carlos, pois “canções usavam formas simples”, ressoando na madrugada: “O que foi felicidade me mata agora de saudade, velhos tempos, belos dias”. Depois de 40 anos de separação, estamos nos reencontrando num grupo de WhatsApp.
Disponível em: <https://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/ cr%C3%B4nica-tempo-de-despedida-1.371025>
Texto 4

Com relação à sintaxe de orações do texto, assinale a
alternativa correta.
“Pra ter escolha, tem que ter escola” (verso 24)
A canção “O trono do estudar”, Texto IV, feita em ocasião das ocupações estudantis de 2015 em São Paulo, aborda o direito ao conhecimento.
A relação de sentido estabelecida entre a oração grifada e a continuação do período é de
Ilusões do mundo
Afinal, é mesmo assim: quase sempre nos iludimos. Aquelas nuvens que me pareciam tão de passagem reuniram-se em grupos compactos e prepararam um pequeno dilúvio sobre estes vales de Lindoia. Assim, os forasteiros, surpreendidos, ficaram privados de seus passeios, e as crianças, em turbilhão, começaram a aparecer por baixo de mesas. E foi por isso que os salões do hotel se viram repletos de alaridos.
Imagina-se que deva ser penoso para um turista ver-se de repente privado das alegrias do ar livre. Mas as virtudes destas águas de Lindoia são tamanhas que aqui ninguém se perturba com os contratempos. Benditas águas... Benditas não só por esse otimismo que propiciam como pelas curas reais que se lhes atribuem. Este conta que se achava repleto de cálculos e agora está livre deles. O que se amofinava com as suas alergias, já nem se lembra mais delas. Tudo graças a copinhos de água, a banhos de imersão e a não sei quantas outras modalidades de aplicações.
Aprecio essas maravilhas que me são referidas, mas na verdade o que mais me impressiona é o bom humor que observo em redor de mim. Se as pessoas esbarrarem umas nas outras, cometerem, enfim, esses pequenos desatinos que se observam no convívio dos hotéis, há uma cordialidade generalizada que arredonda as arestas da agressividade.
Acontece, porém, que encontro um sábio que anda perdido sob estas árvores. E o sábio não participa do otimismo geral. O sábio está desgostoso com os apartamentos que já se vão acumulando neste lugar de fontes privilegiadas. Ele vê as coisas em profundidade, e suas previsões são desanimadoras. A bacia destas águas está ameaçada pelas construções que vão sendo feitas indiscriminadamente. A floresta primitiva está quase desaparecida, e não está sendo recomposta, para a devida proteção dos mananciais. Os sábios são, como os artistas, quase sempre melancólicos. Porque avistam mais longe, porque antes que as coisas aconteçam já estão padecendo com as suas consequências... O sábio amava as águas miraculosas. Estava sofrendo por elas. Era a única pessoa triste, no meio de tanto bom humor. Mas era a pessoa mais esclarecida. E, por sua causa, e por sua sapiência, aquele paraíso me pareceu precário, e fiquei também inclinada sobre Lindoia, carpindo, desde já, a possibilidade do seu desaparecimento...
(Adaptado de: MEIRELES, Cecília. Ilusões do mundo. São Paulo: Global Editora, 2014, 1a edição digital)
há uma cordialidade generalizada que arredonda as arestas da agressividade (3° parágrafo).
O elemento sublinhado acima possui, no contexto, a mesma função sintática do também sublinhado em:
Texto 5

No que se refere aos aspectos linguísticos e semânticos do texto, julgue o item a seguir.
Em “É usualmente utilizado no singular, significando a
filosofia específica ou a doutrina que sustenta as estratégias
multiculturais.” (linhas de 11 a 14), a palavra “que” exerce
a mesma função sintática que os termos “distintas
sociedades multiculturais” e “‘multiculturalismos’ bastante
diversos” em “Assim como há distintas sociedades
multiculturais, assim também há ‘multiculturalismos’
bastante diversos.” (linhas de 42 a 44)
Texto 2

Com base nas ideias do texto, julgue o item a seguir.
Os termos “às”, em “às influências” (linhas 29 e 30) e
“a”, em “a modificações” (linhas 34) introduzem
complementos indiretos (respectivamente, nominal e
verbal) e são intercambiáveis no texto, sendo correto,
portanto, o emprego de a influências e às
modificações.


