Questões de Concurso
Comentadas sobre análise sintática em português
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Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos
País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.
Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?
Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.
Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis?
Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado.
É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.
Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.
Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)
Mario Quintana por ele mesmo
Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! Mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.
Texto escrito pelo poeta para a revista Isto É de 14/11/1984
https://jornalggn.com.br/noticia/mario-quintana-o-anjo-poeta/
Mario Quintana por ele mesmo
Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! Mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.
Texto escrito pelo poeta para a revista Isto É de 14/11/1984
https://jornalggn.com.br/noticia/mario-quintana-o-anjo-poeta/
É provável que chova torrencialmente na tarde de hoje.
Sobre a estruturação sintática da frase em destaque, é correto afirmar que
Sobre a estrutura sintática da frase em destaque, assinale a opção incorreta.
Sintaticamente, é correto afirmar que, nesta frase,
A conexão das plantas
A maioria de nós está familiarizada com o cheiro de grama recém-cortada. Os voláteis, ou substâncias químicas, liberados pela grama, que associamos a este cheiro, são uma maneira de comunicar a outras plantas próximas que um predador — ou, neste caso, um cortador de grama — está presente, provocando um ajuste nas defesas das plantas.
Em vez de usar sinais auditivos, as plantas utilizam uma comunicação induzida por substâncias químicas. Mas a comunicação das plantas não se restringe aos voláteis.
Recentemente, cientistas descobriram quão bem conectadas as plantas são e com que eficiência são capazes de enviar mensagens para seus pares por meio de suas raízes, sinais elétricos e uma rede subterrânea de fungos e micróbios do solo. Por exemplo, a eletrofisiologia é uma área científica relativamente nova que estuda como os sinais elétricos dentro e entre as plantas são comunicados e interpretados.
Com os grandes avanços no setor de tecnologia e inteligência artificial, observamos um crescimento acelerado e significativo nesta área de pesquisa nos últimos anos.
(Fonte:
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c206g47157yo.adaptado)
O verbo destacado, nesta frase, comporta-se como um verbo
Texto para responder a questão.
Há algo de paradoxal na situação atual das mulheres. Nunca foi tão intensa a mobilização por equidade com os homens, pelo direito de decidir o que fazer com o próprio corpo e contra a violência de gênero. Ao mesmo tempo, poucas vezes na história elas estiveram tão exaustas pelo acúmulo de funções como mães, parceiras e profissionais e tão pressionadas por uma cultura que exalta a perfeição. Embora as bandeiras estejam aí e um movimento real de mudança ganhe força, ainda permanece uma distância imensa separando o gênero feminino de uma realidade menos pesada e punitiva.
Depois de entrevistarem mais de 65.000 pessoas de 423 empresas nos Estados Unidos e Canadá, os pesquisadores concluíram que 42% das mulheres sofrem com sintomas da síndrome de burnout. Entre os homens a taxa foi de 35%. Em 2020 e 2019, os índices eram de 32% e 28%, respectivamente. A síndrome de burnout é uma doença dos nossos tempos. Primeiramente observada pelo psicanalista alemão Herbert Freudenberger, em 1974, foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como síndrome em 2019. Caracteriza-se pelo cansaço extremo e esgotamento físico e mental resultantes de situações desgastantes ligadas ao trabalho ou relacionadas a altas cargas de stress. Entre os sintomas estão os sentimentos de fracasso e insegurança, insônia, mudanças no apetite e dores de cabeça frequentes. No levantamento realizado pelas consultorias, nada menos do que 50% das mulheres que ocupavam cargos de gerência manifestaram sintomas de forma persistente. Quanto mais elevada a posição na carreira profissional, maiores as responsabilidades, as cobranças e, em milhares de casos, os problemas domésticos.
(Sabrina Brito, VEJA, outubro de 2021. Edição nº 2759. Fragmento.)
Um ano a menos
Estamos nos aproximando do final de 2024 e temos um ano a menos para alcançar a meta do Pacto Contra a Fome: erradicar a fome até 2030 e garantir que todas as pessoas estejam bem alimentadas até 2040. Mais uma vez, é necessário destacar uma realidade alarmante: enquanto 64 milhões de brasileiros têm acesso restrito à alimentação, o país desperdiça 55 milhões de toneladas de alimentos todos os anos. Esse paradoxo entre abundância e escassez é um reflexo cruel da nossa atual crise alimentar.
O Brasil é conhecido mundialmente como o celeiro do planeta e tem a capacidade de produzir alimentos suficientes para sua população e muito mais. No entanto, a realidade é que, enquanto uma parcela significativa da população enfrenta insegurança alimentar, uma quantidade impressionante de recursos é descartada.
Esse desperdício não apenas perpetua a fome, mas também tem um impacto ambiental significativo. O ciclo de produção e descarte de alimentos é responsável por 8 a 10% das emissões globais de gases de efeito estufa e contribui para a degradação ambiental.
Além de ser um gigante agrícola, o Brasil enfrenta graves crises ambientais. As mudanças no clima estão intensificando eventos climáticos extremos, como enchentes e secas prolongadas, desencadeando efeitos diretos sobre a agricultura e a segurança alimentar. Enchentes e secas podem destruir colheitas, danificar infraestruturas, reduzir a produtividade agrícola e aumentar os preços dos alimentos. O impacto dessas crises é sentido não apenas pelos agricultores, mas também por toda a população, exacerbando as desigualdades existentes.
Em um recente comunicado, o alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para Direitos Humanos, Volker Turk, alertou que a crise climática pode colocar 80 milhões de pessoas a mais em risco de fome até a metade deste século.
O Brasil tem um papel importante na luta contra a fome e as mudanças climáticas. Como um dos maiores produtores de alimentos do mundo, o país pode influenciar positivamente a segurança alimentar tanto nacional quanto global. No entanto, isso requer uma mudança de paradigma: precisamos adotar práticas mais sustentáveis e reduzir o desperdício de alimentos.
Temos o potencial para liderar a transição para soluções climáticas. Nosso país possui vastos recursos naturais e uma crescente capacidade de gerar energia limpa, especialmente no Nordeste, que se destaca pela alta incidência solar e pelos ventos fortes, proporcionando um ambiente ideal para o avanço das fontes de energia renovável. Além disso, o Brasil já possui uma longa tradição no uso de bioenergia, com o etanol de cana-de-açúcar, e está investindo cada vez mais em tecnologias verdes. Esse investimento não só ajuda a reduzir as emissões de gases de efeito estufa e mitigar os impactos das mudanças climáticas, mas também pode impulsionar o crescimento econômico por meio da criação de novos setores e empregos.
Estamos diante de uma encruzilhada. O futuro do Brasil – e do mundo – depende das escolhas que fazemos hoje. Precisamos urgentemente abordar o desperdício de alimentos e garantir que a produção agrícola em grande escala e dos pequenos produtores beneficie a todos. Além disso, a transição para práticas sustentáveis não é apenas uma responsabilidade ambiental, mas também uma oportunidade econômica. Nosso país pode se tornar uma potência verde, gerando renda e reduzindo desigualdades enquanto combate as crises ambientais.
O que estamos vivenciando nos últimos tempos é um reflexo direto das escolhas que fizemos no passado. O aumento dramático de impactos ambientais, como queimadas e enchentes, é um sinal claro de que a falta de ação e a negligência em relação à sustentabilidade têm consequências severas. É urgente reavaliar e reformular nossas práticas diárias. Cada decisão que tomamos, desde o consumo até a gestão de resíduos, influencia o futuro do nosso planeta.
Temos um ano a menos para tomar medidas efetivas. Se continuarmos ignorando a responsabilidade social e ambiental, o país e o mundo estarão drasticamente diferentes em 2030. As consequências de nossa inação se manifestarão em desastres ambientais mais frequentes, agravamento das desigualdades sociais e uma crise global de recursos. Cada dia que passa sem um compromisso firme com a sustentabilidade e a justiça social é um dia perdido para garantir um futuro habitável e equitativo. Temos menos tempo do que imaginamos para mudar o rumo de nossa trajetória e assegurar um futuro viável para todos. A hora de agir é agora, e o caminho para um mundo mais justo e equilibrado começa com nossas decisões de hoje.
(Disponível em: cnnbrasil.com.br/colunas/geyze-diniz/nacional/um-ano-a-menos/. Acesso em: setembro de 2024.)
I. “isso” é sujeito do verbo “requer”. II. O verbo “reduzir” é transitivo indireto. III. A locução conjuntiva “no entanto” equivale a “portanto”. IV. “[...] uma mudança de paradigma [...]” é objeto direto do verbo “requer”.
Está correto o que se afirma em
Um ano a menos
Estamos nos aproximando do final de 2024 e temos um ano a menos para alcançar a meta do Pacto Contra a Fome: erradicar a fome até 2030 e garantir que todas as pessoas estejam bem alimentadas até 2040. Mais uma vez, é necessário destacar uma realidade alarmante: enquanto 64 milhões de brasileiros têm acesso restrito à alimentação, o país desperdiça 55 milhões de toneladas de alimentos todos os anos. Esse paradoxo entre abundância e escassez é um reflexo cruel da nossa atual crise alimentar.
O Brasil é conhecido mundialmente como o celeiro do planeta e tem a capacidade de produzir alimentos suficientes para sua população e muito mais. No entanto, a realidade é que, enquanto uma parcela significativa da população enfrenta insegurança alimentar, uma quantidade impressionante de recursos é descartada.
Esse desperdício não apenas perpetua a fome, mas também tem um impacto ambiental significativo. O ciclo de produção e descarte de alimentos é responsável por 8 a 10% das emissões globais de gases de efeito estufa e contribui para a degradação ambiental.
Além de ser um gigante agrícola, o Brasil enfrenta graves crises ambientais. As mudanças no clima estão intensificando eventos climáticos extremos, como enchentes e secas prolongadas, desencadeando efeitos diretos sobre a agricultura e a segurança alimentar. Enchentes e secas podem destruir colheitas, danificar infraestruturas, reduzir a produtividade agrícola e aumentar os preços dos alimentos. O impacto dessas crises é sentido não apenas pelos agricultores, mas também por toda a população, exacerbando as desigualdades existentes.
Em um recente comunicado, o alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para Direitos Humanos, Volker Turk, alertou que a crise climática pode colocar 80 milhões de pessoas a mais em risco de fome até a metade deste século.
O Brasil tem um papel importante na luta contra a fome e as mudanças climáticas. Como um dos maiores produtores de alimentos do mundo, o país pode influenciar positivamente a segurança alimentar tanto nacional quanto global. No entanto, isso requer uma mudança de paradigma: precisamos adotar práticas mais sustentáveis e reduzir o desperdício de alimentos.
Temos o potencial para liderar a transição para soluções climáticas. Nosso país possui vastos recursos naturais e uma crescente capacidade de gerar energia limpa, especialmente no Nordeste, que se destaca pela alta incidência solar e pelos ventos fortes, proporcionando um ambiente ideal para o avanço das fontes de energia renovável. Além disso, o Brasil já possui uma longa tradição no uso de bioenergia, com o etanol de cana-de-açúcar, e está investindo cada vez mais em tecnologias verdes. Esse investimento não só ajuda a reduzir as emissões de gases de efeito estufa e mitigar os impactos das mudanças climáticas, mas também pode impulsionar o crescimento econômico por meio da criação de novos setores e empregos.
Estamos diante de uma encruzilhada. O futuro do Brasil – e do mundo – depende das escolhas que fazemos hoje. Precisamos urgentemente abordar o desperdício de alimentos e garantir que a produção agrícola em grande escala e dos pequenos produtores beneficie a todos. Além disso, a transição para práticas sustentáveis não é apenas uma responsabilidade ambiental, mas também uma oportunidade econômica. Nosso país pode se tornar uma potência verde, gerando renda e reduzindo desigualdades enquanto combate as crises ambientais.
O que estamos vivenciando nos últimos tempos é um reflexo direto das escolhas que fizemos no passado. O aumento dramático de impactos ambientais, como queimadas e enchentes, é um sinal claro de que a falta de ação e a negligência em relação à sustentabilidade têm consequências severas. É urgente reavaliar e reformular nossas práticas diárias. Cada decisão que tomamos, desde o consumo até a gestão de resíduos, influencia o futuro do nosso planeta.
Temos um ano a menos para tomar medidas efetivas. Se continuarmos ignorando a responsabilidade social e ambiental, o país e o mundo estarão drasticamente diferentes em 2030. As consequências de nossa inação se manifestarão em desastres ambientais mais frequentes, agravamento das desigualdades sociais e uma crise global de recursos. Cada dia que passa sem um compromisso firme com a sustentabilidade e a justiça social é um dia perdido para garantir um futuro habitável e equitativo. Temos menos tempo do que imaginamos para mudar o rumo de nossa trajetória e assegurar um futuro viável para todos. A hora de agir é agora, e o caminho para um mundo mais justo e equilibrado começa com nossas decisões de hoje.
(Disponível em: cnnbrasil.com.br/colunas/geyze-diniz/nacional/um-ano-a-menos/. Acesso em: setembro de 2024.)
Um ano a menos
Estamos nos aproximando do final de 2024 e temos um ano a menos para alcançar a meta do Pacto Contra a Fome: erradicar a fome até 2030 e garantir que todas as pessoas estejam bem alimentadas até 2040. Mais uma vez, é necessário destacar uma realidade alarmante: enquanto 64 milhões de brasileiros têm acesso restrito à alimentação, o país desperdiça 55 milhões de toneladas de alimentos todos os anos. Esse paradoxo entre abundância e escassez é um reflexo cruel da nossa atual crise alimentar.
O Brasil é conhecido mundialmente como o celeiro do planeta e tem a capacidade de produzir alimentos suficientes para sua população e muito mais. No entanto, a realidade é que, enquanto uma parcela significativa da população enfrenta insegurança alimentar, uma quantidade impressionante de recursos é descartada.
Esse desperdício não apenas perpetua a fome, mas também tem um impacto ambiental significativo. O ciclo de produção e descarte de alimentos é responsável por 8 a 10% das emissões globais de gases de efeito estufa e contribui para a degradação ambiental.
Além de ser um gigante agrícola, o Brasil enfrenta graves crises ambientais. As mudanças no clima estão intensificando eventos climáticos extremos, como enchentes e secas prolongadas, desencadeando efeitos diretos sobre a agricultura e a segurança alimentar. Enchentes e secas podem destruir colheitas, danificar infraestruturas, reduzir a produtividade agrícola e aumentar os preços dos alimentos. O impacto dessas crises é sentido não apenas pelos agricultores, mas também por toda a população, exacerbando as desigualdades existentes.
Em um recente comunicado, o alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para Direitos Humanos, Volker Turk, alertou que a crise climática pode colocar 80 milhões de pessoas a mais em risco de fome até a metade deste século.
O Brasil tem um papel importante na luta contra a fome e as mudanças climáticas. Como um dos maiores produtores de alimentos do mundo, o país pode influenciar positivamente a segurança alimentar tanto nacional quanto global. No entanto, isso requer uma mudança de paradigma: precisamos adotar práticas mais sustentáveis e reduzir o desperdício de alimentos.
Temos o potencial para liderar a transição para soluções climáticas. Nosso país possui vastos recursos naturais e uma crescente capacidade de gerar energia limpa, especialmente no Nordeste, que se destaca pela alta incidência solar e pelos ventos fortes, proporcionando um ambiente ideal para o avanço das fontes de energia renovável. Além disso, o Brasil já possui uma longa tradição no uso de bioenergia, com o etanol de cana-de-açúcar, e está investindo cada vez mais em tecnologias verdes. Esse investimento não só ajuda a reduzir as emissões de gases de efeito estufa e mitigar os impactos das mudanças climáticas, mas também pode impulsionar o crescimento econômico por meio da criação de novos setores e empregos.
Estamos diante de uma encruzilhada. O futuro do Brasil – e do mundo – depende das escolhas que fazemos hoje. Precisamos urgentemente abordar o desperdício de alimentos e garantir que a produção agrícola em grande escala e dos pequenos produtores beneficie a todos. Além disso, a transição para práticas sustentáveis não é apenas uma responsabilidade ambiental, mas também uma oportunidade econômica. Nosso país pode se tornar uma potência verde, gerando renda e reduzindo desigualdades enquanto combate as crises ambientais.
O que estamos vivenciando nos últimos tempos é um reflexo direto das escolhas que fizemos no passado. O aumento dramático de impactos ambientais, como queimadas e enchentes, é um sinal claro de que a falta de ação e a negligência em relação à sustentabilidade têm consequências severas. É urgente reavaliar e reformular nossas práticas diárias. Cada decisão que tomamos, desde o consumo até a gestão de resíduos, influencia o futuro do nosso planeta.
Temos um ano a menos para tomar medidas efetivas. Se continuarmos ignorando a responsabilidade social e ambiental, o país e o mundo estarão drasticamente diferentes em 2030. As consequências de nossa inação se manifestarão em desastres ambientais mais frequentes, agravamento das desigualdades sociais e uma crise global de recursos. Cada dia que passa sem um compromisso firme com a sustentabilidade e a justiça social é um dia perdido para garantir um futuro habitável e equitativo. Temos menos tempo do que imaginamos para mudar o rumo de nossa trajetória e assegurar um futuro viável para todos. A hora de agir é agora, e o caminho para um mundo mais justo e equilibrado começa com nossas decisões de hoje.
(Disponível em: cnnbrasil.com.br/colunas/geyze-diniz/nacional/um-ano-a-menos/. Acesso em: setembro de 2024.)
Geração Z: não podemos ser 100% digitais o tempo todo
Certa vez ouvi a máxima de que a tecnologia aproxima quem está distante e afasta quem vive próximo. Isso lembra uma história olímpica. Ainda na escola, o queniano Julius Yego se interessou por arremesso de dardos. Sem um centro de treinamento da modalidade perto de casa, deu os primeiros passos assistindo a vídeos no Youtube, antes de encontrar um técnico e engatar uma carreira internacional. Yego foi ouro no Mundial de Pequim em 2015 e prata nas Olimpíadas de 2016, no Rio.
A tecnologia, no entanto, nem sempre gera ganhos. Uma das principais discussões na escola das crianças é o quanto nossos filhos têm se conectado a aplicativos para se desconectar de suas habilidades de relacionamento, como se a rotina se resolvesse no toque da tela. O detalhe é que, há milhares de anos, nossa evolução depende tanto de condições climáticas adequadas quanto da criação de laços coletivos e da confiança em quem está ao nosso lado.
Não à toa o debate sobre sustentabilidade passa por respeito à vida humana, saúde mental e, especialmente, qualidade dos laços entre as pessoas. Sem isso, fica insustentável. Também passa pelo relacionamento construído pela Geração Z, em que pesa o “fator Whatsapp”, responsável por diminuir a interação ao vivo, a comunicação olho no olho ou até via telefone.
A dinâmica da revolucionária ferramenta nem sempre funciona. Tenho visto profissionais que, diante de uma dúvida sobre algo importante, enviam mensagens e adiam a solução de determinado problema enquanto a resposta não chega.
Nossos áudios e textos são encaminhados assim, como se suficientes para nos livrarmos de preocupações. Um envio de mensagens, no entanto, não é fim. É meio para realizar o trabalho. Exatamente porque as mensagens podem correr despercebidas ou não chegarem ao destinatário a tempo, vale lembrar que em todas as situações a responsabilidade continua sendo do remetente. Se a resposta que precisou não veio, cabe a ele tentar outro caminho.
Ou seja: caso o campeão dos dardos Julius Yego ficasse na dependência de uma resposta no início de sua carreira, talvez estivesse esperando até agora. No campo das empresas, quem nunca ouviu que, apesar de a tarefa ainda não ter sido concluída, “a mensagem já foi enviada ao time”? A questão, contudo, não é se a mensagem foi enviada. E sim se a demanda foi solucionada ou se a etapa em questão foi vencida.
A história de como um dos maiores nomes da propaganda brasileira, Washington Olivetto, conquistou seu primeiro estágio é famosa. Em uma época em que nem se falava de internet, Olivetto estava indo de carro para a faculdade, quando o pneu furou. Ao sair do veículo, percebeu que tinha parado às portas de uma agência de propaganda. Adiou a troca do pneu e entrou para avisar que estava em busca de um emprego. Aproveitou a coincidência e, pouco depois, estava contratado.
Nossas soluções estão menos nas mensagens enviadas e mais nas ações que escolhemos praticar. Embora a tecnologia impulsione o relacionamento humano, não dá para sermos 100% digitais o tempo todo. De um lado, somos servidos por inteligência de dados, plataformas, aplicativos, avatares, softwares. Do outro, por conhecimento, espontaneidade, experiência, emoção, proximidade, aprendizados em equipe, presença.
Precisamos de um perfil “digital raiz”. Uma visão que nos conecte a grandes inovações e, ao mesmo tempo, nos mantenha em contato com os benefícios da base construída e alimentada até agora.
(Disponível em: https://www.hojeemdia.com.br/. Acesso em: setembro de 2024.)

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/matheus-schuch/noticia/2024/09/governo-federal-e-bancocentral-irao-monitorar-endividamento-dos-brasileiros-com-apostas-cm1av7g8a00yo0133fly0xdud.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
1. A expressão “A regulamentação” representa o sujeito da oração.
2. O sujeito da oração é classificado como simples.
3. O verbo “impõe” é um verbo transitivo indireto, pois possui complemento verbal que inicia com preposição.
4. A oração apresenta um adjunto adverbial.
O resultado da somatória dos números correspondentes às afirmações corretas é:
As palavras
Eu ainda não sabia ler, mas já era bastante esnobe para exigir meus livros. Meu avô foi ao patife de seu editor e conseguiu de presente. Os contos do poeta Maurice Bouchor, narrativas extraídas do folclore e adaptadas ao gosto da infância por um homem que conservava, dizia ele, olhos de criança. Eu quis começar na mesma hora as cerimônias de apropriação. Peguei os dois volumezinhos, cheirei-os, apalpei-os, abri-os negligentemente na “página certa”, fazendo-os estalar. Debalde: eu não tinha a sensação de possuí-los. Tentei sem maior êxito tratá-los como bonecas, acalentá-los, beijá-los, surrá-los. Quase em lágrimas, acabei por depô-los sobre os joelhos de minha mãe. Ela levantou os olhos de seu trabalho: “O que queres que eu te leia, querido? As Fadas?”. Perguntei, incrédulo: “As Fadas estão aí dentro?”. A história me era familiar: minha mãe contava-a com frequência, quando me lavava, interrompendo-se para me friccionar com água-de-colônia, para apanhar debaixo da banheira o sabão que lhe escorregara das mãos, e eu ouvia distraidamente o relato bem conhecido; eu só tinha olhos para Anne-Marie, a moça de todas as minhas manhãs; eu só tinha ouvidos para a sua voz perturbada pela servidão; eu me comprazia com suas frases inacabadas, com suas palavras sempre atrasadas, com sua brusca segurança, vivamente desfeita, e que descambava em derrota, para desaparecer em melodioso desfiamento e se recompor após um silêncio. A história era coisa que vinha por acréscimo: era o elo de seus solilóquios. Durante o tempo todo em que falava, ficávamos sós e clandestinos, longe dos homens, dos deuses e dos sacerdotes, duas corças no bosque, com outras corças, as Fadas; eu não conseguia acreditar que se houvesse composto um livro a fim de incluir nele este episódio de nossa vida profana, que recendia a sabão e a água-de-colônia.
Anne-Marie fez-me sentar à sua frente, em minha cadeirinha; inclinou-se, baixou as pálpebras e adormeceu. Daquele rosto de estátua saiu uma voz de gesso. Perdi a cabeça: quem estava contando? o quê? e a quem? Minha mãe ausentara-se: nenhum sorriso, nenhum sinal de conivência, eu estava no exílio. Além disso, eu não reconhecia sua linguagem. Onde é que arranjava aquela segurança? Ao cabo de um instante, compreendi: era o livro que falava. Dele saíam frases que me causavam medo: eram verdadeiras centopeias, formigavam de sílabas e letras, estiravam seus ditongos, faziam vibrar as consoantes duplas: cantantes, nasais, entrecortadas de pausas e suspiros, ricas em palavras desconhecidas, encantavam-se por si próprias e com seus meandros, sem se preocupar comigo: às vezes desapareciam antes que eu pudesse compreendê-las, outras vezes eu compreendia de antemão e elas continuavam a rolar nobremente para o seu fim sem me conceder a graça de uma vírgula. Seguramente, o discurso não me era destinado. Quanto à história, endomingara-se: o lenhador, a lenhadora e suas filhas, a fada, todas essas criaturinhas, nossos semelhantes, tinham adquirido majestade, falava-se de seus farrapos com magnificência; as palavras largavam a sua cor sobre as coisas, transformando as ações em ritos e os acontecimentos em cerimônias. Alguém se pôs a fazer perguntas: o editor de meu avô, especializado na publicação de obras escolares, não perdia a ocasião de exercitar a jovem inteligência de seus leitores. Pareceu-me que uma criança era interrogada: no lugar do lenhador, o que faria? Qual das duas irmãs preferiria? Por quê? Aprovava o castigo de Babette? Mas essa criança não era absolutamente eu, e fiquei com medo de responder. Respondi no entanto: minha débil voz perdeu-se e senti tornar-me outro. Anne-Marie, também, era outra, com seu ar de cega superlúcida: parecia-me que eu era filho de todas as mães, que ela era mãe de todos os filhos. Quando parou de ler, retomei-lhe vivamente os livros e saí com eles debaixo do braço sem dizer-lhe obrigado.
(SARTRE, Jean-Paul. As palavras. Trad. J. Guinsburg. 6ª ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984. p. 33-5. Adaptado.)
Analise os seguintes períodos compostos oriundos da reportagem:

Mediante a análise dos trechos (1), (2) e (3), é CORRRETO considerar que, de acordo com a Norma Gramatical Brasileira (NGB):
A tira a seguir se refere à questão:
