Questões de Concurso
Comentadas sobre acentuação gráfica: proparoxítonas, paroxítonas, oxítonas e hiatos em português
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“Convulsões telúricas
Estesias
Fendas
Mário de Andrade escreve Paulicéia
Nem o sismógrafo de Pachwitz mede os tremores do teu coração
Ebulição
Sarcasmo
Ódio vulcânico”.
Sobre a acentuação de palavras, assinale a alternativa que contém a afirmação CORRETA.
Observe os itens abaixo e os termos neles destacados em maiúscula:
I. “Tanto a leitura quanto a escrita são PRÁTICAS sociais...”
II. “Afinal, não basta ler ou decodificar os CÓDIGOS LINGUÍSTICOS...”
III. “Para ALÉM disso, estudos apontam que o ato de ler é muito prazeroso...”
IV. “...livrarias ou mesmo contar HISTÓRIAS para eles.”
Em relação à Acentuação, está CORRETO o que se afirma na alternativa
Para responder à questão, leia atentamente o Texto I:
Texto I – Escutatória - Rubem Alves
Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar... Ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil.
Diz Alberto Caeiro que... Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Filosofia é um monte de ideias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.
Parafraseio o Alberto Caeiro: Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.
Daí a dificuldade:
A gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor...
Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.
Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração...
E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade.
No fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64.
Contou-me de sua experiência com os índios: reunidos os participantes, ninguém fala.
Há um longo, longo silêncio.
Vejam a semelhança...
Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio...
Abrindo vazios de silêncio... Expulsando todas as ideias estranhas.
Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala.
Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.
Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos...
Pensamentos que ele julgava essenciais.
São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.
Se eu falar logo a seguir... São duas as possibilidades.
Primeira: fiquei em silêncio só por delicadeza.
Na verdade, não ouvi o que você falou.
Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala.
Falo como se você não tivesse falado.
Segunda: ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo.
É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.
Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.
O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou. E, assim vai a reunião.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.
E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.
Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência...
E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras... No lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.
No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos.
Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia...
Que de tão linda nos faz chorar.
Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio.
Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.
Fonte: ALVES, Rubens. Escutatória In: As melhores crônicas de Rubem Alves. São Paulo: Papirus, 2008.
Segundo o Novo Acordo Ortográfico, as formas verbais "mantêm" e "contêm" são acentuadas para distinguir do singular "mantém" e "contém".
O acento circunflexo é opcional na palavra "pôde" na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo, não sendo necessário para distingui-la da forma verbal correspondente do presente do indicativo: "pode".
É utilizado o acento agudo nas vogais tônicas grafadas em -i e -u das palavras paroxítonas quando precedidas de ditongo, como em "baiúca".
A vogal tônica grafada -i das palavras oxítonas terminadas em -r dos verbos terminados em -air e -uir não recebe acento agudo quando combinadas com -lo(s), -la(s), como em "atrai-lo".
As vogais tônicas grafadas (i) e (u) das palavras oxítonas e paroxítonas recebem acento quando são antecedidas de uma vogal com a qual não formam ditongo e desde que não constituam sílaba com a consoante seguinte, como em "baú".
Os acentos circunflexo e agudo são usados para distinguir as palavras paroxítonas quando têm a vogal tônica aberta ou fechada em palavras homógrafas de palavras proclíticas no singular e plural, como em "pêlo" e "pelo".
I- Aguda: entre palavras oxítonas, ou monossílabas tônicas. II- Grave: entre palavras paroxítonas. III- Esdrúxula: entre palavras proparoxítonas. IV- Perfeita: igualdade total entre sons vocálicos e consonantais.