Questões de Concurso Comentadas sobre literatura
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A um poeta
Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino*, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!
Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.
Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:
Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.
Olavo Bilac. Tarde. In: Olavo Bilac: obra reunida (org. Alexei Bueno).
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 268.
*monge da ordem de S. Bento
Nos trechos abaixo, observe o conteúdo e a forma das três estrofes;
I
“Os teus olhos espalham luz divina,
A quem a luz do Sol em vão se atreve:
Papoula, ou rosa delicada, e fina,
Te cobre as faces, que são cor de neve.
Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
Teu lindo corpo bálsamos vapora.
Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,
Para glória de Amor igual tesouro.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!”
II
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
III
- Como se ama o silêncio, a luz, o aroma,
O orvalho numa flor, nos céus a estrela,
No largo mar a sombra de uma vela,
Que lá na extrema do horizonte assoma;
Como se ama o clarão da branca lua,
Da noite na mudez os sons da flauta,
As canções saudosíssimas do nauta,
Quando em mole vaivém a nau flutua.
Analisando-se os trechos, marque a alternativa
correta quanto ao estilo literário.
I. O Simbolismo é uma reação às correntes analíticas e a estilos literários objetivos que proliferaram na segunda metade do século XIX. O culto à natureza, bem como o uso de pseudônimos e termos latinos são marcas simbolistas.
II. Percebe-se na estética simbolista o culto à musicalidade do poema, em sintonia com a busca pela espiritualidade. Para os simbolistas, a poesia, experiência transcendente, é uma forma pela qual se alcança o sentido oculto das coisas e das vivências.
Marque a alternativa CORRETA:
Na leiteria a tarde se reparte
em iogurtes, coalhadas, copos de leite
e no meu espelho meu rosto. São
quatro horas da tarde, em maio
Tenho 33 anos e uma gastrite. Amo a vida
que é cheia de crianças, de flores
e mulheres, a vidaesse direito de estar no mundo,
ter dois pés e mãos, uma cara
e a fome de tudo, a esperança.
GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: José . Rio de Janeiro: José Olympio, 1987. p. 341. (Fragmento).
Analisando a estrutura do poema de Ferreira Gullar, é correto Analisando a estrutura do poema de Ferreira Gullar, é correto afirmar que o poeta
Longe do estéril turbilhão da rua
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima, e sofre e sua!
BILAC, Olavo. Poemas de Olavo Bilac. São P . São Paulo: Melhoramentos, 2022. p. 67. (Fragmento).
Para a interpretação geral da estrofe, no último verso,
Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como sempre serei. E penso se a minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não encarna a substância de milhares de vozes, a fome de milhares de vidas, a paciência de milhões de almas, submissas como a minha ao destino cotidiano, ao sonho inútil, à esperança sem vestígios.
PESSOA, Fernando. O livro do desassossego. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 52 companhia das Letras, 2011, p. 52.
O texto está em prosa, mas registra elementos que não o distanciam da tradição poética de seu autor. Qual das O texto está em prosa, mas registra elementos que não o distanciam da tradição poética de seu autor. Qual das alternativas comprova essa afirmação?
Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada? Não bastavam as humilhações recebidas em público? No relógio oficial, nas ruas, nos cafés, viraram-me as costas. Eu era um cachorro, um ninguém.
- "É conveniente escrever um artigo, seu Luís". Eu escrevia. E pronto, nem um muito obrigado. Um Julião Tavares me voltava as costas e me ignorava. Nas relações na repartição, no bonde, eu era um trouxa, um infeliz, amarrado...
RAMOS, Graciliano. Angústia. 59.ed. São Paulo: Record, 2004. p. 236.
Analise as afirmativas que seguem, considerando alguns dos elementos da construção narrativa.
I. No texto, a postura do personagem-tipo é de um ressentimento individual, que, embora explicite as relações de poder entre os dominantes e seus subalternos, não reivindica uma mudança das relações de exploração em geral.
II. O personagem-tipo pertence à classe dominante que, necessariamente, não tem condições de uma consciência plena como classe.
III. O personagem Luís quer ser apenas prestigiado e, se possível, chegar ao mesmo patamar da classe que o oprime; por isso, reivindica uma mudança das relações de exploração.
IV. No trecho: "Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada?", é possível reconhecer que são palavras ditas pelo personagem Luís, mas não há verbo de dizer, não há travessão nem aspas. Isso está integrado ao discurso indireto do narrador.
verifica-se que está/ão correta/s apenas
Considere os excertos de poemas a seguir:
I. Ó carnes que eu amei sangrentamente,
ó volúpias letais e dolorosas,
essências de heliotropos e de rosas
de essência morna, tropical, dolente...
do So
carnes acerbas e maravilhosas,
tentadoras do sol intensamente... (Cruz e Souza)
Carnes, virgens e tépidas do Oriente do So
nho e das Estrelas fabulosas, carnes acerbas e maravilhosas, tentadoras do sol intensamente... (Cruz e Souza)
II. Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu'alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez! (Álvares de Azevedo)
III. “Os teus olhos espalham luz divina,
A quem a luz do Sol em vão se atreve:
Papoula, ou rosa delicada, e fina,
Te cobre as faces, que são cor de neve.
Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
Teu lindo corpo bálsamos vapora.
Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,
Para glória de Amor igual tesouro.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!” (Tomás Antônio Gonzaga)
De acordo com as características expressas por cada autor, assinale a alternativa que indica o movimento literário ao qual se associam, respectivamente.