Questões de Concurso Comentadas sobre literatura
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Fonte: ASSIS, M. de. Os melhores contos de Machado de Assis [seleção de Domício Proença Filho]. 14ª ed. São Paulo: Global, 2002.
A partir do exposto, considere as afirmativas a seguir.
I → O jogo da verdade e da mentira é o cerne da narrativa nos contos “A Causa Secreta”, “A cartomante” e “Trio em Lá Menor”.
II → A relação entre ser e parecer é o ponto central da narrativa nos contos “O Espelho” e “Teoria do Medalhão”.
III → As oscilações entre o Bem e o Mal estão evidentes nos romances “Esaú e Jacó” e “Helena”.
IV → A afirmação pessoal se faz presente no conto “Um Homem Célebre” e no romance “Quincas Borba”.
Está(ão) correta(s)
I. A Semana de Arte Moderna de 1922 foi um marco na literatura brasileira, sendo um evento que reuniu poetas, músicos e artistas plásticos com o objetivo de romper com as tradições artísticas e culturais do período anterior, principalmente com o academicismo do Romantismo e do Realismo.
II. O Modernismo de 1922 buscou uma ruptura radical com a tradição, propondo uma literatura que valorizasse a subjetividade e a experimentação formal, como evidenciado nas obras de Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Anita Malfatti.
III. A poesia modernista brasileira, influenciada pelo simbolismo e pelo parnasianismo, foi caracterizada pelo retorno ao verso metrificado e pela exaltação do subjetivo e do intimismo do eu-lírico, o que se opõe às propostas do Modernismo.
IV. O movimento modernista brasileiro também refletiu as questões sociais e políticas da época, com um foco na valorização da cultura nacional e indígena, e na busca por uma identidade própria para a literatura brasileira, distante das influências europeias.
Estão CORRETOS:
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder a esta questão.
“Galopo pensando no tempo que passa,
Tão vertiginoso qual sopro do vento
Que varre caminhos e até pensamento,
Deixando pra trás, nevoeiro, fumaça…
O sopro é o que traz um alento e abraça
A vida que segue traçando caminho.
O tempo é o relógio no redemoinho
Dos dias, semanas, dos meses, dos anos
Passados, presentes, anelos e planos,
Que foram, por certo, gerados no ninho.
Seguindo o caminho de curva fechada, Um forte arrepio na espinha dorsal; Na beira da mata, um estranho arsenal De tocos, garranchos e pedra lascada Vedando o acesso, atrasam a jornada, Cansaço medonho desse galopar São léguas à frente e o tempo a rolar No despenhadeiro do dia que morre Nos braços da noite, um pranto escorre Em gotas que banham a terra e o ar.
E quando amanhece, o sol ilumina A estrada de pedra que resta a seguir. Sem olhar para trás, à frente, há porvir, Na noite cinzenta, ficou a neblina No leito do rio de água cristalina, O corpo tão frágil se banha sedento. Erguendo o olhar ao azul firmamento, Tentando alcançar a linha do horizonte Que tece a beleza que nasce da fonte E expressa a grandeza da força do vento.”
Fonte: MEIRA, Creusa. Galopando no tempo e no vento. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/literatura/literatura-cordel.htm. Acesso em: 10 fev. 2025.
Sobre a literatura e a cultura do cordel, é possível afirmar:
"A literatura humaniza na medida em que é assumida como uma visão do mundo elaborada em termos de ficção, e, por isso mesmo, nos leva a sentir e compreender com os outros, a nos colocar no lugar deles." (Cândido, 2006).
Com base nessa perspectiva, a afirmação que melhor reflete a concepção de leitura literária é:
“Estão agora sozinhos e, como Adão e Eva, no começo do mundo, prontos para o amor. Eis, então, que uma grande enxurrada os surpreende ([...] está atento aos preconceitos de seus leitores). O casal refugia-se em cima de uma palmeira, mas as águas continuam subindo. Em um último gesto heroico, [...] arranca a palmeira (incluindo raízes e tudo), transformando-a em canoa. O índio e a jovem branca são arrastados então pela correnteza” (Gonzaga, 2012).
O autor do trecho analisa uma obra do movimento indianista do Romantismo Brasileiro, que apresenta o indígena como herói da nascente nacionalidade pós-colonial, em uma tentativa de desenhar um passado heroico para o país. Assinale a alternativa que apresenta a obra à qual o trecho acima se refere.
Analise o excerto do poema a seguir:
“Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
Tudo nas cordas dos violões ecoa
E vibra e se contorce no ar, convulso...
Tudo na noite, tudo clama e voa
Sob a febril agitação de um pulso”.
Considerando suas características formais e temáticas, o trecho do poema pertence a qual movimento
literário?
“Era conveniente ao romance que o leitor ficasse muito tempo sem saber quem era Miss Dollar. Mas por outro lado, sem a apresentação de Miss Dollar, seria o autor obrigado a longas digressões, que encheriam o papel sem adiantar a ação. [...] Se o leitor é rapaz e dado ao gênio melancólico, imagina que Miss Dollar é uma inglesa pálida e delgada, escassa de carnes e de sangue, abrindo à flor do rosto dois grandes olhos azuis e sacudindo ao vento umas longas tranças louras. [...] Suponhamos que o leitor não é dado a estes devaneios e melancolias; nesse caso imagina uma Miss Dollar totalmente diferente da outra. Dessa vez será uma robusta americana, vertendo sangue pelas faces, formas arredondadas, olhos vivos e ardentes, mulher feita, refeita e perfeita.”
Fonte: ASSIS, Machado de. Miss Dollar. Contos fluminenses. São Paulo: Martin Claret, 2002.
O texto acima foi escrito por Machado de Assis, importante escritor do Realismo.
Considerando o texto, o escritor e o movimento literário, todas as afirmativas a seguir estão corretas, EXCETO:
O conjunto de textos publicados nesse período constitui-se como
As palavras que preenchem, correta e respectivamente, as lacunas dessa sentença são:
"Vozes-Mulheres" Conceição Evaristo
A voz de minha bisavó ecoou criança nos porões do navio. Ecoou lamentos de uma infância perdida. A voz de minha avó ecoou obediência aos brancos-donos de tudo. A voz de minha mãe ecoou baixinho revolta no fundo das cozinhas alheias debaixo das trouxas roupas sujas dos brancos pelo caminho empoeirado rumo à favela. A minha voz ainda ecoa versos perplexos com rimas de sangue e fome. A voz de minha filha recolhe todas as nossas vozes recolhe em si as vozes mudas caladas engasgadas nas gargantas. A voz de minha filha recolhe em si a fala e o ato. O ontem — o hoje — o agora.
Disponível em:<https://marcioadrianomoraes.com/visualizar.php?idt=7351878 > Acesso em: 20
set.2024
Cândido (2008) argumenta que a literatura tem, como uma de suas principais funções, relatar as desigualdades e as injustiças presentes na sociedade, servindo com uma forma de conscientização.
No poema "Vozes-Mulheres", de Conceição Evaristo, como essa função social da literatura é representada?
Agosto de 1934
Entre lojas de flores e de sapatos, bares,
mercados, butiques,
viajo
num ônibus Estrada de Ferro-Leblon.
Volto do trabalho, a noite em meio, fatigado de mentiras.
O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud,
relógio de lilases, concretismo,
neoconcretismo, ficções da juventude, adeus,
que a vida eu compro à vista aos donos do mundo.
Ao peso dos impostos, o verso sufoca,
a poesia agora responde a inquérito policial-militar.
Digo adeus à ilusão
mas não ao mundo. Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação, da tortura,
do horror,
retiramos algo e com ele construímos um artefato
um poema
uma bandeira
(GULLAR, FERREIRA. Toda poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2001. p.170.)
Assinale a alternativa correta sobre a reflexão do eu lírico sobre sua condição e destino de seu poema.
Cantar de amor
Mha senhor, com’oje dia son,
Atan cuitad’e sen cor assi!
E par Deus non sei que farei i,
Ca non dormho á mui gran sazon.
Mha senhor, ai meu lum’e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
Noit’e dia no meu coraçon
Nulha ren se non a morte vi,
E pois tal coita non mereci,
Moir’eu logo, se Deus mi perdon.
Mha senhor, ai meu lum’e meu bem,
Meu coraçon non sei o que ten.
Des oimais o viver m’é prison:
Grave di’aquel em que naci!
Mha senhor, ai rezade por mi,
Ca perç’o sen e perç’a razon.
Mha senhor, ai meu lum’e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro, José Olympio, 1986. p.144-45.
Sobre do poeta modernista Manuel Bandeira e sua relação com as cantigas de amor medievais, é INCORRETO afirmar que
Que inflexível se mostra, que constante
Se vê este penhasco! já ferido
Do proceloso vento, e já batido
Do mar, que nele quebra a cada instante!
Não vi; nem hei de ver mais semelhante
Retrato dessa ingrata, a que o gemido
Jamais pode fazer, que enternecido
Seu peito atenda às queixas de um amante.
Tal és, ingrata Nise: a rebeldia,
Que vês nesse penhasco, essa dureza
Há de ceder aos golpes algum dia:
Mas que diversa é tua natureza!
Dos contínuos excessos da porfia,
Recobras novo estímulo à fereza.
Publicado no livro Obras (1768). In: COSTA, Cláudio Manuel da. Obras. Introd. cronol. e bibliogr. Antônio Soares Amora. Lisboa: Bertrand, 1959. (Obras primas da Língua Portuguesa)
Marque a alternativa que analisa corretamente o poema.