Questões de Concurso Sobre literatura

Questões Discursivas

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Q3539970 Literatura
O tema da identidade nacional foi relevante para os intelectuais brasileiros desde o Romantismo até o Modernismo. Essa preocupação persistiu no Brasil devido a necessidade de construir uma consciência nacional que, ao evitar a assimilação cultural, instilasse nos cidadãos um senso de identidade, crucial para o processo de autoafirmação. Assim, é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3539969 Literatura
O texto abaixo é base para responder a questão.

TEXTO IV 


Buscando a Cristo


A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.


A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lagrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.


A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, pra chamar-me


A vós, lado patente, quero unir-me, 
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme. 


(MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. São Paulo: Cultrix, 1981.) 
Quando lemos um texto, a nossa atenção costuma se voltar para o sentido das palavras. Ao fazer isso, analisamos seu aspecto semântico. As palavras, porém, também têm uma sonoridade muito explorada pela literatura. Essa sonoridade é a base para a construção de recursos poéticos, como o ritmo, o metro e a rima. No poema em tela (Texto IV), quanto à presença desses recursos, só NAO é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3539968 Literatura
O texto abaixo é base para responder a questão.

TEXTO IV 


Buscando a Cristo


A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.


A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lagrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.


A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, pra chamar-me


A vós, lado patente, quero unir-me, 
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme. 


(MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. São Paulo: Cultrix, 1981.) 
No soneto de Gregório de Matos, destaca-se a importância da visualidade, evidenciada na escolha das palavras que descrevem o corpo de Cristo em agonia e na imagem vívida do Cristo crucificado, que é retratada com detalhes na composição poética. Portanto, poesia e pintura, utilizando seus materiais distintos (palavras e tintas, tropos e cores, papel e tela), convergem para criar uma única representação que inspira a elaboração tanto do soneto quanto do quadro que é descrito ou pintado por Gregório. Assim, a partir dessa informação, é CORRETO concluir que: 

I - O jogo de palavras antitéticas (“receber'/"castigar”, “abertos”/"fechados”, “eclipsados”/"despertos”, "perdoar"/"condenar”") dialoga com o jogo claro-escuro da pintura barroca, acentuado pelas cores contrastantes dos elementos “sangue” e “lágrimas”, presentes no poema.
Il - Sobre o jogo de luz e sombras (sagrado e profano) trabalhado pelo poeta e pintor barroco, pode-se dizer que elas estão centradas na figura do Cristo em unido com o próprio eu lírico, como se evidencia no ultimo verso do poema, em que os três adjetivos (“unido”, “atado”, “firme”) se unem não só no plano semântico como também no visual e plástico: o eu lírico se une em palavra e em figura a imagem de Cristo.
III - O jogo de palavras antitéticas (“receber”/"castigar”, “abertos”/"fechados”, “eclipsados”/"despertos”, “perdoar”/"condenar”) dialoga com a dicotomia claro-escuro da pintura barroca, acentuado pelas cores contrastantes dos elementos “sangue” e “lagrimas”, presentes no poema.
IV - Uma das principais caracteristicas desse poema centra-se na unido entre o sentimento e a razdo que os artistas renascentistas procuraram realizar. Assim, no poema barroco, sublimam-se as emoções, aproximando-o do racionalismo da arte do Renascimento.

Estão CORRETAS somente as afirmativas: 
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Q3539967 Literatura
A contribuição de Aristóteles é essencial para o desenvolvimento da teoria moderna dos gêneros. Assim, a partir do século XIX, especialmente no contexto do romantismo alemão, é que a definição dos gêneros literários se consolida, elaborada a partir de critérios que levaram em consideração a forma, a subjetividade e a relação com a realidade. Nesse período, a literatura será estudada a partir de três gêneros fundamentais: lírico, épico e dramático. Acerca do gênero lírico, só NÃO é correto afirmar que: 
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Q3539966 Literatura
O termo gênero é frequentemente utilizado para descrever certos padrões de composição artística que, ao longo do tempo, têm sido empregados para moldar a imaginação humana. O filósofo Aristóteles foi um dos pioneiros a explorar os géneros literários, identificando diferenças e hierarquias entre as diversas formas de expressão literária na Grécia Antiga. Essas análises foram posteriormente compiladas em sua obra Arte Poética (2003), que se tornou um clássico amplamente estudado e ainda é relevante para professores, pesquisadores e estudantes de Literatura. A respeito dessa obra, em síntese, é CORRETO afirmar que, para Aristóteles:

ARISTOTELES. Arte poética. São Paulo: Martin Claret, 2003. 
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Q3539965 Literatura
Texto III


O que as palavras representavam, simbolizavam ou significavam tinha uma importância muito secundaria. O que importava era o som delas, quando as ouvi pela primeira vez nos lábios dos distantes e incompreensíveis adultos que pareciam, por alguma razão, viver em meu mundo. E essas palavras eram, para mim, o mesmo que as notas dos sinos, os sons dos instrumentos musicais, os ruídos do vento, do mar e da chuva, o chacoalhar da carroça de leite, o galope dos cascos no calçamento, os dedilhados dos ramos no vidro de uma janela podiam ser para alguém que, surdo de nascença, tenha encontrado miraculosamente sua audição. Não me importava como que as palavras diziam, nem como que acontecia com Jack &Jill & Mamãe Gansa. Eu me importava com as formas dos sons de seus nomes e as palavras descrevendo suas ações, criadas em meus ouvidos. Eu me importava com as cores que as palavras lançavam nos meus olhos (THOMAS, 2003, p. XV.).


THOMAS, Dylan. Preface: Notes on the art of poetry. In: THOMAS, Dylan. The poems of Dylan Thomas. New York: New Directions Publishing Corporation, 2003. p. xv-xxil. In.: PIETRANI, Anélia Montechiari. A Literatura e outras artes, uma contribuição à discussão. 2018, p. 111-129. Disponível em: https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=we b&cd=&ved=2ahUKEwib8b-wh]6 CAXUWRLgEHaifD88QFnoECBUQAQ&url=https%3A%2F%2Fperiodicos.unisa.bré62Findex. php%2Fveredas%2Farticle%2Fdownload%2F60%2F33%2F 162&usg=A0wWaw2ySfXQiFCD5DTHOgXCHoQI&opi=89978449. Acesso em 30/10/2023).
O texto propõe uma reflexão a respeito da arte poética, levando-nos a perceber que “a alfabetização no mundo da vida e no mundo da palavra acontece simultaneamente" (PIETRANI, 2018, p. 112). A partir desse pressuposto, e com base na leitura do texto Ill, só NÃO se pode afirmar que: 
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Q3539964 Literatura
Texto I


SARAMAGO - A resposta está na pergunta. Pretendo tocar os leitores, criar polémicas, estimular discussões. Mas isto não significa que a literatura tenha poder para mudar o mundo. Já não é pouco que seja capaz de exercer influência sobre algumas pessoas. O mundo é demasiado grande, somos mais de sete bilhões os que habitamos neste planeta, e o poder real está nas mãos das grandes multinacionais que evidentemente não nasceram para ser agentes da nossa felicidade.[...]” (O Globo. Rio de Janeiro. 20 mar. 2004.)


Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/ news/view/cecilia-giannetti>. Acesso em: 30 out. 2023). (Fragmento). 


Texto Il


“[...] ser escritor não é apenas escrever livros, é muito mais uma atitude perante a vida, uma exigência e uma intervenção [...] Creio mais na possibilidade da transformação ética do ser humano na pratica cotidiana da convivência. Que a arte e a literatura podem ajudar? Sim, mas só ajudar.” (In.: AGUILERA, 2010, p.123-126).


AGUILERA, F. G. As palavras de Saramago. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. 
Ao estudarmos e/ou ensinarmos Literatura, em muitos momentos ha dúvidas se os textos literários têm o poder de transformar a realidade ou existem apenas para nos aliviar do peso da vida cotidiana. Será que a arte existe porque a nossa vida não basta? De acordo com o que pensa José Saramago (1922-2010), escritor português contemporâneo que recebeu o Nobel de Literatura em 1998, em entrevistas concedidas aos jornais “O Globo” (texto I) e Jornal de Lisboa (texto Il), é CORRETO afirmar que a literatura: 
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Q3521960 Literatura
"Os homens que vieram para o Brasil de maneira regular e com mente fundadora, a partir de 1530, tiveram inicialmente necessidade de descrever e compreender a terra e os seus habitantes, com um intuito pragmático necessário para melhor dominar e tirar proveito. Ao mesmo tempo, precisaram criar os veículos de comunicação e impor o seu equipamento ideológico, tendo como base a religião católica. Tais homens eram administradores e magistrados, soldados e agricultores, mercadores e sacerdotes, aos quais devemos os primeiros escritos feitos aqui. Esses escritos são descrições do país e seus naturais, relatórios administrativos ou poemas de fundo religioso, destinados ao trabalho de pregação e conversão dos índios. Dessa massa de escritos destacam-se os dos jesuítas, que vieram a partir de 1549 [...]."
CANDIDO, Antonio. Iniciação à literatura brasileira. 5. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2007. p. 18.

Qual dos autores abaixo fez parte das manifestações de escrita e de literatura no território brasileiro na época de que trata o excerto?  
Alternativas
Q3521956 Literatura
"Havia, na Grécia antiga, uma parte central do Peloponeso denominada Arcádia. De relevo montanhoso, essa regido era habitada por pastores e vista como um lugar especial, quase mítico, em que os habitantes associavam o trabalho à poesia, cantando o paraíso rustico em que viviam. No século XVIII, o termo arcádia passou a identificar as academias ou agremiardes de poetas que se reuniam para restaurar o estilo dos poetas clássico-renascentistas, com o objetivo declarado de combater o rebuscamento barroco.”
ABAURRE, Maria Luiza; PONTARA, Marcela. Literatura: tempos, leitores e leituras. São Paulo: Moderna, 2010. 

Qual das opções a seguir associa adequadamente o tema arcádico à sua definição?
Alternativas
Q3521947 Literatura
O livro de que trata a tirinha abaixo é representativo de qual movimento literário brasileiro? 
1.png (327×327)
LEITE, Will. Anésia #740. 17 de abril de 2024. Disponivel em: http://www.willtirando.com.br/anesia-740/. Acesso em: 18 abr. 2024, 
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Q3480418 Literatura
Ao analisar a literatura infantil no Brasil, a partir de aspectos relacionados com sua origem, tendências e práticas de ensino, observa-se um volume expressivo de trabalhos que possibilitam uma melhor compreensão sobre os precursores desse movimento no país. Dentre os autores destacados a seguir, qual seria o autor que, por meio de um discurso estético, conseguiu modificar a postura utilitária que caracteriza as bases da literatura infantil no Brasil? 
Alternativas
Q3456239 Literatura
Quanto aos gêneros literários, analise os itens e assinale a alternativa correta.

I- O gênero narrativo é um gênero literário moderno em prosa, que tem como intuito narrar uma história. Para um texto ser considerado narrativo, ele precisa conter esses elementos: Enredo - história que narra uma sucessão dos acontecimentos; Narrador - aquele que narra a história; Personagens - pessoas que estão presentes na história; Tempo - o período em que acontece a história; Espaço - local onde se passa a história.

II- O gênero lírico é um gênero literário escrito em versos que tem como foco mostrar as emoções, sensações, sentimentos e impressões pessoais do poeta. Ele é marcado pela subjetividade, onde o poeta expressa sua opinião, por isso, eles são escritos na primeira pessoa (eu). O gênero lírico recebe esse nome, pois faz referência ao instrumento musical, a lira, que acompanhava a declamação de poesias na antiguidade.

III- Gênero Narrativo: em sua origem, o gênero narrativo era chamado de “gênero épico”, pois incluía as narrativas histórico-literárias de grandes acontecimentos, chamados de epopeias.

IV- Alguns subgêneros de textos narrativos são: Epopeia - narrativa longa sobre fatos grandiosos de um herói ou de um povo; Romance - narrativa extensa escrita em prosa que revela ações de personagens dentro de uma história; Novela - escrita em prosa, é uma narrativa longa, porém mais breve e mais dinâmica que o romance; Conto - escrito em prosa, é uma narrativa mais objetiva e curta que a novela e o romance; Crônica - narrativa breve que focam em acontecimentos do cotidiano; Fábula - narrativa fantasiosa que procura ensinar sobre algo. 
Alternativas
Q3452530 Literatura
Na literatura, é possível observar um conceito que corrobora para a construção da linguagem e do pensamento, pautado na concepção da importância do jogo. Assim, leia as asserções seguintes e destaque a que apresenta uma informação desencontrada.
Alternativas
Q3450644 Literatura
Considerando o Romantismo brasileiro, que se iniciou em 1836, um professor pede aos alunos que identifiquem características desse período. Analise as proposições abaixo:

I. A primeira geração do romantismo brasileiro é marcada pelo indianismo.
II. O Romantismo no Brasil é conhecido pela objetividade e racionalismo.
III. O Romantismo brasileiro é dividido em três fases, cada uma com suas particularidades.

Assinale a alternativa CORRETA: 
Alternativas
Q3444413 Literatura
Feita a partir do romanceiro popular do sertão nordestino, é composto de folhetos de impressão simples e colocados em barbantes para exibição e venda. Essas características se referem a:
Alternativas
Q3435539 Literatura
Marque a alternativa, que contenha a obra e o respectivo autor incorretos.
Alternativas
Q3435107 Literatura
Marque a alternativa, que contenha a obra e o respectivo autor incorretos. 
Alternativas
Q3434533 Literatura
Marque a alternativa, que contenha a obra e respectivo autor incorretos.
Alternativas
Q3432728 Literatura

O enredo do livro abaixo ocorre no Ceará, século XVIl e se trata de uma das histórias de amor mais aclamadas da literatura brasileira. O herói branco, europeu, apaixona-se pela linda Iracema, “a virgem dos lábios de mel". Mais que doçura, a bela guarda o valioso segredo da jurema, que lhe cobra, total castidade. O amor, porém, não conhece segredos; tem seus próprios mistérios. Na narrativa, permeia um conflito histórico entre tribos indígenas, tecendo uma parábola ao mesmo tempo trágica e poética da origem do povo brasileiro.


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Uma das mais importantes obras de José de Alencar, representante do período da Literatura Brasileira:

Alternativas
Q3432369 Literatura

A questão é baseada nos textos 4, 5 e 6.


TEXTO 4


De África, a tua visão incluía basicamente leões e os areais de onde vinham os acorrentados, viemos, vim. O que reduzia, drasticamente, aquela dimensão continental. Mas, que importa o que depois se descobre? Afinal, estamos presos ao nosso tempo, enquanto vamos tecendo, com os saberes possíveis, a nossa eternidade.


Os gemidos devem ter te incomodado profundamente. Convergiam, com certeza, para os de Leopoldina, a tua babá. Ouviste, sem dúvida, que juntos com ela moravam versos trazidos de longe e transmitidos das seivas dos lábios para o veludo escuro do ouvido, como herança. Embora estranhos à dicção dominante - aquela cheirando, principalmente, perfume francês e revolução - afetividades noturnas de uma África mais íntima já te haviam impregnado de histórias a infância.


E, ainda hoje, aquele mesmo fio continua. Só que, agora, também tua poesia a ele está intimamente trançada. E os tons são vários. E de todos os pontos do mundo chegam outros que se associam. E há mesmo os que dialogam contigo. E dizem coisas diversas. Que o tempo ensinou muita coisa. Outras tantas africanias que não propuseste, mas algumas que intuíste. Quando a doença bateu na tua porta, sonhavas com uma epopeia a partir da experiência da República de Palmares, assim como, mais tarde o romancista Lima Barreto projetaria um “Germinal Negro” como assinala Francisco de Assis Barbosa, o que também não redundou em obra. Outros mais tarde se aventurariam, pois a saga afro-brasileira é repleta de dor, mas também de heroísmos e mistérios.


Não foste o poeta para os escravizados, mas foste o poeta sobre os escravizados, como só poderia ser, na tua condição de branco, escrevendo num tempo de profundo desdém dirigido à humanidade dos africanos e afrodescendentes no País. Um tempo em que aprender a ler, para os mais sofridos, era crime ou petulância, passíveis de punição. Escrever então!... Acaso houve algum de teus recitais na senzala ou talvez em algum quilombo? E teria dado certo? Mas, os escravizados tiverem filhos, e seus filhos outros filhos, outros filhos... Por essa via chegaste ao quilombo de dentro do peito. E o brilho genuíno da dor e revolta, passou a se refletir em letra e voz, mais intimamente.


CUTI (Luiz Silva). Castro, ouves a poesia negra? Scripta, p.201- 210, 1997.


TEXTO 5


– Qual é a sua profissão?

– Estudante.

– Estudante?

– Sim, senhor, estudante – repeti com firmeza.

– Qual estudante, qual nada!


A sua surpresa deixara-me atônito. Que havia nisso de extraordinário, de impossível? Se havia tanta gente besta e bronca que o era, porque não o podia ser eu? Donde lhe vinha a admiração duvidosa? Quis-lhe dar uma resposta mas as interrogações a mim mesmo me enleavam. Ele, por sua vez, tomou o meu embaraço como prova de que mentia. Com ar de escarninho perguntou:

– Então você é estudante?

Dessa vez tinha-o compreendido, cheio de ódio, cheio de um santo ódio que nunca mais vi chegar em mim. Era mais uma variante daquelas tolas humilhações que eu já sofrera; era o sentimento geral da minha inferioridade, decretada a priori, que eu adivinhei em sua pergunta. E afirmei então com a voz transtornada:

– Sou, sim, senhor!


BARRETO, Lima. Recordações do Escrivão Isaías Caminha [1909]. In: Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p.160-161


TEXTO 6


Não somos só nós, minhas amigas, que vemos com terror brilhar por entre as nossas madeixas castanhas, louras ou pretas, o primeiro fio de cabelo branco. As dolorosas apreensões desse momento eram-nos só atribuídas a nós, como se não nascêramos senão para a mocidade e o amor.

O homem envergonhado, e com receio de se confessar vaidoso, sem perceber talvez que a primeira denúncia da velhice tem para nós amarguras mais sutis que a do simples medo de ficarmos mais feias, teve sempre para nossa decepção um sorriso de inclemente ironia...


ALMEIDA, Julia Lopes de. A arte de envelhecer [1906]. In: FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Julia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022. p. 78. Adaptado






A literatura brasileira produzida na virada do século XIX para o XX recebeu a designação genérica e imprecisa de pré-modernista. Dentre as diversas manifestações da literatura da época, no contexto das transformações da cidade do Rio de Janeiro, merece atenção a produção de autores que, como Lima Barreto e Julia Lopes de Almeida, representaram a força literária 
Alternativas
Respostas
721: A
722: C
723: C
724: E
725: E
726: C
727: C
728: A
729: D
730: B
731: C
732: D
733: B
734: C
735: C
736: B
737: D
738: C
739: C
740: D